quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Atletismo, capitalismo, catecismo e meltingpotismo.

Num post anterior (escola Racista) o meu colega de redacção Range-o-dente afirmou, penso eu metaforicamente, que 'não acredita na existência de raças'. Mas por enquanto as raças existem e têm características bem determinadas. Ele próprio, no mesmo post faz referência a uma destas características: 'determinadas células que, sendo exactamente iguais às minhas, se entretêm a pintar e a escurecer a pele com muito mais intensidade do que as minhas células seriam capazes.'

Mas as células
não são exactamente iguais, uma pele mais escura tem mais pigmentação. E tem por isso 25 vezes mais resistência aos ultras-violetas. E menos risco de apanhar cancro. Tem uma desvantagem. Produz menos vitamina D. Sobretudo quando pessoas com este tipo de pele, por uma razão ou outra, vivem num país onde há poucos dias de sol, como na Holanda. Isto é por exemplo pouco conveniente para mulheres muçulmanas, que passam o dia fechadas em casa. E as poucas vezes que saem à rua, chova ou faça sol, estão cobertas dos pés à cabeça! Um recente estudo do Medisch Centrum Amersfoort detectou uma grave falta de vitamina D nas mulheres estrangeiras, particularmente em 55% das marroquinas e turcas.

Além disso, as raças têm diferenças hereditárias que se manifestam de maneiras diferentes: na estatura física, na forma da cabeça ou do rosto, comprimento dos músculos, cor ou tipo de cabelo, resistência ao álcool e eu sei lá que mais... Mas mesmo no seio da raça negróide (para citar só uma delas) há diferenças espectaculares. Um exemplo que salta à vista é a distribuição geográfica das performances desportivas dos atletas africanos em atletismo.

A África ocidental é predominantemente um viveiro de sprinters. Verifica-se precisamente a mesma especialização por exemplo nos Estados Unidos. Onde os atletas afro-americanos, descendentes de escravos oriundos da costa ocidental de África, são formidáveis atletas, mas apenas dos 100 aos 400 metros!

Ao contrário, a África oriental, é o terreno exclusivo dos corredores de fundo. Dotados de uma morfologia completamente diferente dos primeiros, mais leves, menos corpulentos e músculos longos. Não conseguem correr 100 metros em 10 segundos, como o nosso Francis Obikwelu, mas são excelentes nos 5000 e 10.000 metros, e maratona.

Mas é evidente que estas características de raça não são irrevogáveis, e vão mesmo perder-se para grande tristeza dos amantes de atletismo, mas para grande alegria da maioria dos africanos. Porque o progresso, ou seja o capitalismo, que é quase a mesma coisa, vai, mais dia menos dia, acabar por resolver os actuais problemas de alimentação. E vai também construir estradas de Tunis ao Cabo da Boa Esperança e dotar cada africano de pelo menos um autómovel de tração às quatro rodas, e um par de óculos de sol. O que vai permitir aos pais africanos de levar os seus filhos à escola de carro coitadinhos que se podem cansar. Como já acontece em Portugal em larga escala. Porque os filhos, agora, anafados de comer junk food e de passar os dias deitados num sofá a jogar play-station, já não vão conseguir dar um passo. Precisamente como as nossas crianças.

E como gordura, assim como em Portugal, também em África é formosura, ou seja, um símbolo de estatuto. O desporto, deixando de ser funcional, vai ser nas escolas gradualmente substituído pelo catecismo (e pelo alcorão). Assim como em Portugal.

Portugal, que do ponto de vista desportivo, bem ao contrário de África, não tem grande coisa a perder, uma alteração da constituição da raça seria mesmo muito bem vinda. E aproveito já para fazer um apelo às mulheres portuguesas para se deixarem de merdas e, em vez de passar o tempo a ver telenovelas imbecis ou a levar os meninos de carro à escola, podiam mas'é dar umas quecas com indivíduos de cor. De preferência belos exemplares do tipo Francis Obikwelu. Gozavam que nem umas pretas e mais rapidamente as diferenças de raças se dissipariam. Uma excelente contribuição para o rejuvenescimento e para o imprescindível crescimento demográfico da nação. Por outro lado, acabava-se a diversidade, o racismo, as escolas exclusivas, fortificava-se ao mesmo tempo a raça e daqui por uns anos ainda ganhávamos umas medalhitas nos jogos olímpicos.

Filhos de uma grande Popper

João Vasco lavrou VII postes no “esquerda republicana” sobre essa canalha imunda que o próprio satanás se encarregou de confeccionar. Que te fizemos satanás? Que te fizemos para merecer isto? Continuando, uma súcia, uma corja temível que teima em defender a liberdade negativa enquanto mofa impune da positiva. Ó diacho… tinha de ser logo a negativa. Não conhecendo essa, aquela “direita liberal” – gentinha do piorio ao que parece – de lado nenhum, fica escrito que no dia que me cruzar com ela na rua chamo logo a guarda, o vaticano ou o canil – para a açaimar e abatê-la. Mesmo assim, tomado de respeito, de luvas na mão, agua benta na luva, fui reler isaiah berlin e karl popper. Será que as entrelinhas revelam o enxofre com que as linhas foram escritas? Isaiah Berlin entre as barbas de Marx e as botas de Goebbels escolheu John Locke. Escolha prudente e avisada. Na esteira do liberalismo clássico inglês Isaiah pinta a liberdade positiva com cores barrocas, uma liberdade transcendental que apenas os filósofos e os tiranos conhecem, a liberdade não está no individuo, está no estado que o conhece até ao ultimo átomo, no entanto, Isaiah recorda nos que a área livre da acção humana, os fenómenos sociais, têm de ser limitados pela lei, pelo estado, que a lei não apenas garante justiça, segurança, cultura, alguns graus de igualdade, mas a própria liberdade individual. Neste quadro a liberdade positiva – a liberdade do estado – e a liberdade negativa – a liberdade individual – vivem em permanente tensão e fiscalização. Já kant um dos pais da besta lega nos uma pérola ao gosto do Vasco, o principio do liberalismo exige que “as restrições da liberdade individual, inevitáveis em virtude do convívio social, sejam repartidas uniformemente na medida do possível”. Voando uns séculos, Popper, sem invocar o homo homini lúpus de Hobbes lamenta que sem o estado, “os mais fracos não teriam qualquer direito a serem tolerados pelos mais fortes, dever-lhes-iam, pois, gratidão pela bondade da sua tolerância. Então aqueles indivíduos que considerem esta situação pouco satisfatória e acreditem que qualquer individuo deve ter direito de viver e exigir protecção contra o poder dos fortes, reconhecerão igualmente a necessidade de um estado que proteja os direitos de todos.” Parece que alguém não contou toda a verdade ao João Vasco.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Negacionistas

David Irving e Robert Faurisson, são duas personagens da extrema-direita neonazi (é sintomático que ninguém tenha dúvidas em rotular de “extrema direita” uma ideologia socialista) que recolhem larga audiência na chamada “esquerda moderna”.
Junto com Jeff Rense e Willis Carto, do outro lado do Atlântico, são profusamente citados pelos chamados apoiantes da “causa palestiniana” (basicamente aqueles que odeiam os judeus mas têm alguma dificuldade em assumir o ódio)
Porquê?
Porque são dos mais conhecidos negacionistas.
Eles negam que os judeus tenham sido exterminados aos milhões, negam que Hitler o soubesse, negam o diário de Anne Frank, negam que Auschwitz fosse também um campo de extermínio e , lá bem ao fundo da retórica negacionista, está a crença inabalável de uma conspiração judaico-maçónica para dominar o mundo.
Os livros destes negacionistas, repletos de contradições, ambiguidades, falácias e mentiras, estão hoje na mesinha de cabeceira de milhões de árabes e, à semelhança dos “Protocolos dos Sábios de Sião”, são recomendados e ensinados nas escolas de muitos países muçulmanos.

Num célebre julgamento, na sequência de uma querela com Deborah Lipstadt, um juiz inglês foi cristalino: “ Em função das suas visões ideológicas, Irving manipulou deliberadamente a evidência histórica….é antisemita e racista e está associado a extremistas de direita que promovem o neonazismo”

Para Irving, não houve fornos de incineração, e se houve, Hitler de nada sabia.
A prova, segundo Irving, é que se Hitler tivesse a Solução Final como objectivo, não haveria sobreviventes judeus.

Este ódio patológico aos judeus é hoje compartilhado pela esquerda e pelo islamismo radical.
O líder muçulmano inglês Asghar Bukhari reconheceu ter financiado David Irving, e Mamoud Abbas (presidente da Autoridade Palestiniana), doutorou-se na ex-União Soviética com uma tese sobre a conexão “nazi-sionista”.
Isto para não falar das “teses” de Amadinejad, do Hamas, do Hezbolah e de todos aqueles que apelam ao fim da “entidade sionista”.

Mais uma vez temos reunido no mesmo barco os crentes na conspiração judaico-maçónica e os crentes da conspiração judaico-capitalista.
Há tempos o líder antiglobalizador, José Bové, conhecido pela bravura com que investe à paulada sobre restaurantes, garantiu que a violência antisemita em França ( atentados contra Sinagogas e profanação de cemitérios) é inspirada pela Mossad.
Nem mais. Os judeus são tão pérfidos que se atacam a si próprios apenas para culpar o mundo. E para desvendar esta perfídia, nada mais que um génio como José Bové.

Há leis que criminalizam a expressão deste tipo de alarvidades.
Em minha opinião, mal.
David Irving e os tolos que o citam devem ter liberdade de proclamar as suas teses porque, se bem que haja milhões de petrodólares a correr para as mãos destes “investigadores”, a censura não é a melhor maneira de as contrariar.
É verdade que a maioria das pessoas se sente atraída por histórias conspiratórias que explicam a complexidade do mundo de forma simples (basta ver o êxito de obras como 007, Matrix, Dr Strangelove, X Files, os livros de Dan Brown, etc), mas não pode ser doutro modo.
Espera-se sempre que a razão triunfe, embora por vezes seja desperante verificar que a estupidez permanece robusta apesar da informação que hoje jorra de todo o lado.
Quando vejo, hoje, no séc XXI, pessoas com cursos superiores a irem à consulta à bruxa da Asseiceira ou ao Mestre Chibanga, adensa-se a minha crença na força da estupidez.

Exportá-los 'Desajustados', Reimportá-los 'Atilados'

Na sequência de uma luta de gangs que terminou com dois assassinatos na madrugada de domingo para segunda em Rio de Mouro, no Correio da Manhã de hoje pode ler-se o seguinte testemunho de alguém que assiste ou sofre diariamente com a violência juvenil organizada dos subúrbios de Lisboa:

“Rapazes com 15, 16, 17 anos, brancos e negros, juntam-se e, armados, provocam as pessoas. Muitas vezes acabam por se desentenderem e então é vê-los puxar da faca ou da pistola. Sim, andam armados e trazem raparigas.” O homem, na casa dos 50 anos, fala de grupos enormes. “São aos vinte ou aos trinta, andam por cima dos carros e quando chega a GNR fogem para a estação”. Esta testemunha garante que, desde há uns meses, a situação piorou. “É rara a noite em que não ouço uma sirene. Mas não é só aqui. É também nas estações das Mercês, Agualva”. Segundo fonte policial, estes grupos ou gangs da Linha de Sintra deslocam-se nos comboios, sobretudo durante as madrugadas de sábado e domingo."

A Polícia conhece esta realidade mas pode fazer pouco. A situação legal dos menores de idade está muito perto da impunidade absoluta.

Na Alemanha, há já uns anos as autoridades começaram a lidar com a delinquência juvenil enviando jovens desajustados para famílias de acolhimento no estrangeiro. Ao colocar um menor aos cuidados de uma família estrangeira, pretende-se obter uma alteração do seu comportamento por duas vias. Primeiro, é cortado o laço afetivo com o ambiente de delinquência onde ele vive – conhecimentos, lugares; Segundo, o facto de o jovem ser confrontado com um país onde não conta com os níveis de conforto e organização que tem na Alemanha natal, fá-lo valorizar a sociedade que até aqui desdenhou, esperando-se receber mais tarde um indivíduo com uma atitude positiva e interessada em relação ao seu próprio país.

É talvez altura de começar e pensar em encontrar umas famílias de acolhimento no estrangeiro para os ‘desajustados’ e outros coitadinhos de menor idade do Cacém, Rio de Mouro e Mercês. A boa ideia era encontrar-lhes essas famílias na Guiné, ou em Angola, independentemente da raça dos pequenos. Também poderia ser no Zimbábue, onde teriam a vantagem de poder treinar o inglês. Talvez não haja grande erro na suposição de que ao fim de poucas semanas já os mocinhos andavam à volta da embaixada, pedindo por favor o reembarque tão rápido quando possível, e que uma vez de volta ao Cacém prometiam não andar mais em cima dos carros dos outros e nem voltar a ameaçar ninguém com facas e muito menos com pistolas.

Mas, claro, é difícil isto acontecer. A realidade de quem legisla, os nossos deputados, e a realidade do jornalismo do regime, os que amplificam a converseta do politicamente correto, é diferente da realidade dos subúrbios de Lisboa. Os deputados e os jornalistas instalados não precisam de andar nos comboios da Linha de Sintra e de Cascais à noite, onde pessoas de várias idades e dos dois sexos que trabalham em turnos noturnos são obrigadas a suportar o comportamento ofensivo, insultuoso e, o pior de tudo, perigoso, de uma cambada que sabe que pode fazer o que bem quiser e ainda ir contar aos amigos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Fóbico

Estou melindrado. Confesso-me fóbico e já conjecturo denúncia e perseguição política. Padeço, lamentosamente, de fobias várias e tremo ante a opinião pública e a opinião publicada. Quando subo três degraus no escadote tambem tremo, tremo pela vida, findado o sétimo ou o oitavo estou a pedir admissão na ala psiquiátrica do São João. Além do apelo intenso e desesperado pelo chão seguro dói me na alma que a fotofobia e a claustrofobia não tenham a aprovação no casarão da inteligência lusa. Não tenho, ufa, na minha caderneta de fobias – vá de retro satanás, cruz credo – a homofobia. Francamente, preferia ser judeu na Alemanha nazi do que homofóbico no Portugal rosa. Tal como um país comunista descobrisse que passeavam impunes nas suas ruas e avenidas, fascistas boçais, entre as fissuras e as cavidades do politicamente correcto e pela mão de campanhas publicitárias descobrimo-nos país de homofóbicos – gentinha soez que reage em choro ou em pancadaria na presença de um homosexual, transexual ou qualquer ente de sexualidade difusa. Urge levar o assunto ao parlamento, que os parlamentares discutam fundos, medidas e campanhas de prevenção e combate à homofobia sob o jugo do Ministério da Saúde. A homofobia é problema nacional – maleita grave e aparentemente infecciosa – há que conjurá-la até ao ultimo atomo e mantê-la aos portoes da pátria. Que os divãs encham-se de pacientes em busca de cura milagrosa e instantânea. Os casos mais graves, patifes sem remissão, que encaminhem-se para Caxias com internamentos de 3 a 9 anos. O tratamento deverá ser administrado talentosamente pelas associações de gays e lésbicas, demais ONG's interessadas e pelo BE. Sugiro, preocupado com a saúde dos enfermos, convívio apertado com calmeirão de 2 metros na cela, Barbra Streisand no plasma e Celine Dion nas colunas. O tratamento deverá ser intensivo e perene. Antes senis do que homofóbicos. De resto, aguardo vivamente que saiam directamente de Caxias para a parada festiva e colorida no Rossio. De preferência, devidamente fardados – com plumas, mini-saia curta, salto alto – e com as ideias impecavelmente arejadas.

Publicado na atlantico de dezembro. Lamentavelmente o artigo foi escrito numa biblioteca entre uma conversa e um relatorio. Perdeu em substancia ganhou em espontaneidade.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Escola racista



Vou referir-me a brancos e pretos sem me preocupar com os que acham que referir pretos é "feio", que se lhes deve chamar negros. Não acredito na existência de raças, muito embora perceba que a palavra pode não ser usada em função da classificação científica dos animais.

Na escola em que andei não havia pretos. Não havia, porque (quase) não havia pretos naquilo a que então se chamava metrópole (se a memória me não falha). Recordo-me, aliás, quando um belo dia, na Boa Hora (Lisboa) vi uma preta e fiquei estarrecido. Eu tinha tido um acidente que me tinha provocado um derrame gigantesco na cara e me tinha deixado, por uns 15 dias, literalmente preto. Mas aquilo era demais. A minha mãe explicou-me que os habitantes de África eram assim e para não me preocupar.

À preta que vi atravessando a rua seguiram-se muitas mais pretas e pretos. Era o início da imigração das então colónias.

O tempo acabou por me permitir aprender que os pretos são pessoas cuja pele é substancialmente mais escura em resultado da acção de determinadas células que, sendo exactamente iguais às minhas, se entretêm pintar e escurecer a pele com muito mais intensidade do que as minhas células seriam capazes.

Fiquei ainda a saber que teria, hipoteticamente, mais genes de preto do que imaginava em virtude da assimilação da população escrava. Não era a primeira vez que me perguntava por onde andaria a descendência dos escravos. Julgo não estar longe da verdade se afirmar que nenhum branco, alfacinha de gema, tripeiro, escalabitano, algarvio, alentejano ou minhoto pode afirmar, com segurança, que não tem no seu passado recente descendência de preto (ou preta), pelo menos relativamente ao período iniciado pelos descobrimentos.

...

Passa o tempo e um belo dia vou parar a uma sala de aula onde há uma boa colecção de pretos de idades à volta dos 15. É uma escola “inclusiva”, em que o eduquês oficial discrimina o preto em função do seu bairro de origem e lhe “dá o direito” a aprender apenas metade. Uma escola “inclusiva” onde o branco tem consciência que chamar preto a um preto é racismo, mas ouvir um preto dizer que tem orgulho em ser preto e nojo do branco deve ser encarado como coisa resultante da “diversidade”.

É uma escola esquisita. É uma escola que apoia os que trazem para a sala de aula os mais espectaculares telemóveis e zingarelhos mp3 apesar de um conjunto de papelada permitir determinar serem de “zonas degradadas”. Se calhar são, o que é difícil é fazer perceber aos brancos que o preto que lhe diz na tromba que “só não tem um igual porque é parvo” e que “se fosse preto já saberia como o arranjar” que o roubo é coisa censurável.

É uma escola esquisita quando a violência perpetrada pelos intocáveis pretos se eterniza sem se conseguir saber quem são exactamente os pais, sem se saber onde moram exactamente, quem, de facto, toma conta deles.

É uma escola esquisita, que parece acreditar que tem a seu cargo pessoas que é incapaz de controlar, de ensinar, sequer de orientar. Afinal trata-se de gente “diferente”, que deve ser supostamente “integrada”, mas em “diversidade”. Uma escola que é suposto ensinar mas que aceita que não se aprenda e que, ainda por cima, aceita como válido tudo o disparate que o “diverso” debita, deitando mão à inatacável condição de “diferente”. Enfim, um exercício em que aquele que “tem que ser integrado” tem que continuar “diferente” porque ... sim.

... é apenas uma escola racista, no sentido que habitualmente se atribui ao termo, incapaz de perceber que o “diferente” é tão capaz como os outros. Uma escola que mais parece um instrumento de perpetuação do bom selvagem, apesar da selva e do modelo de sociedade (?) de onde é oriundo apenas lhe permitir uma subsistência periclitante que o levou a emigrar.

Enfim, uma escola onde tudo isto “faz sentido” mesmo tendo presente que a esmagadora maioria deles não conhece mais terreno (outro país) do que eu conhecia quando encarei a primeira preta: algumas ruas da cidade e a zona da província por onde habitualmente pastava perus.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Januário Torgal

A tropa tem um corpo de capelães.
Obrigados a vender o seu peixe num meio pouco dado a dúvidas existenciais, tiveram de se adaptar desenvolvendo um modus faciendi, que passa pelo mimetismo com os estereótipos da caserna, incluindo alguma copofonia compincha e vocabulários, digamos, pouco católicos.
E levam a água ao seu moinho, porque há momentos em que até os homens de barba rija se enfrentam com os desesperos da condição humana.
O corpo de capelães tem um General-Bispo, de seu nome Januário Torgal e ouvi-lo faz doer a alma.
De repente damos por nós na América do Sul, a ouvir os zurros de Leonardo Boff, ou os gemidos de além-túmulo, do fantasma do padre Ellacuria.
Ter a desdita de ouvir o General Bispo a debitar a sua leitura marxista da sociedade e do mundo, é como enfrentar a estupidez em estado puro.
Ele (ainda) acredita que o socialismo é a porta para o céu.
Veste solidéu e farda nº 1, mas esconde debaixo o Manifesto Comunista em versão chavista.
Para ele, a sociedade capitalista é o Diabo a erguer para o céu as pontas vermelhas do tridente, e Bush, além de cheirar a enxofre, tem cascos de bode.
Januário Torgal não tem dúvidas: a pobreza é filha do capitalismo e produto inevitável da maquinação cósmica de um grupo de tenebrosos neoliberais judeus e americanos.
É por isso que está sempre pronto a distribuir hóstias vermelhas e a fazer orgias asnáticas com marxossauros como Francisco Fanhais, Ilda Figueiredo, José Manuel Pureza, Miguel Portas, Rui Namorado Rosa, e outros, em petições indignadas contra americanos e israelitas, carregadas de frases tremendas como a “vasta ofensiva bélica de Israel e bombardeamentos de terror”, etc.

O General Bispo, disparata em público e em privado. Já estive com ele à mesa e fiquei aturdido pela noção avassaladora de estar a ouvir uma grafonola com o disco riscado algures na ranhura da teologia de libertação.
O que deveras espanta, é que ele acredita convictamente que é avant-garde e que tem ideias fantásticas, e ignora que a sua generosidade na asneira, e a sua mistura indigesta de espingardas, batinas, foices e martelos, nunca acabou bem.
As minhas utopias mais ousadas passam por um tinto Convento da Cartuxa ao jantar, prometido aqui pelo Carmo da Rosa, mas neste caso o espírito desejante eleva-se e acho que o mundo seria um lugar melhor se o General-Bispo fosse despromovido a Cabo – Sacristão, para que os seus dislates não contaminassem os pobres de espírito, merecedores talvez do Reino dos Céus, ou até das 70 virgens huris, mas não das ideias abstrusas do General Bispo.


(Publicado na edição de Dezembro da Revista Atlântico)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Burka ou não burka, eis a questão!



No meu ‘post’ do dia 14 dizia eu que: ‘o membro do parlamento holandês Geert Wilders prometeu sair no fim de Janeiro com um filme sobre o Islão. Ainda ninguém viu o filme, nem ninguém conhece o conteúdo, mas o Primeiro-Ministro, numa demonstração de muita pouca confiança na tolerância islâmica, já abordou o autor numa tentativa de o
dissuadir.’
Não se fala noutra coisa na Holanda, senão no hipotético filme de Wilders. Todos os presidentes de câmaras receberam uma carta do ministro do interior para se prepararem para o que der e vier depois da exibição do filme. O gabinete de ministros consultou o Coordenador Nacional de Combate ao Terrorismo. O presidente do Concelho Nacional Muçulmano, Abdelmajid Khairoun, lamenta bastante os planos de Wilders: ‘receio o pior se isto acontecer. A última palavra será dada pelos jovens muçulmanos na rua. E contra isso não podemos fazer nada, vejam o que aconteceu em França.’ Uma possível evacuação das embaixadas holandesas já foi planeada. Um membro do parlamento do Irão ameaçou rever a relação com a Holanda, caso Haia não consiga evitar a projecção do filme.

O Coordenador Nacional de Combate ao Terrorismo afirma que depois da apresentação do filme, não exclui a possibilidade de Wilders ter de vir a ser colocado fora da Holanda, por algum tempo. Wilders pergunta se ele tivesse feito um filme sobre o carácter fascizante da Bíblia se também seriam tomadas as mesmas medidas?
Há já quem diga que Wilders não vai sair com filme nenhum, é um golpe publicitário, e esta opinião é assim resumida, ‘Wilders já não precisa mais do filme. Já conseguiu largamente dizer o que queria: ‘o Islão é intolerante e o nosso governo é cobarde.’
Neste clima simpático o governo anunciou agora que NÃO vai decretar uma total proibição do uso da Burka, porque isso é contra a liberdade religiosa. Será sim interdito o uso apenas nas escolas e para funcionários do estado. A última palavra será dada na próxima semana. O partido de Wilders, que não faz parte do governo, é a favor de uma proibição mais alargada da Burka e da Nikab: nas escolas, na função pública, mas também na via pública…
A extrema-esquerda, nomeadamente a organização trotskista International Socialisten, além de apoiar a manifestação de mulheres islâmicas contra esta lei em frente do parlamento, já internalizou o discurso islâmico no seu pensamento político. Publica um panfleto em que a argumentação é, deliciosa! Começa logo pelo título, Baas in eigen hoofd (quem manda na minha cabeça sou eu). Uma escandalosa referência à palavra de ordem das femininistas dos anos ‘70 contra a proibição do aborto, Baas in eigen buik (quem manda na minha barriga sou eu).


Começa pelo mantra já muito estafado, ‘Vivemos numa sociedade multicultural. Isso significa que há outras culturas ao lado da cultura holandesa’. Mas também usam argumentos mais sofisticados, como: ‘Temos [nós ocidentais] que nos libertar do preconceito de que mulheres que andam na rua mais ou menos cobertas sejam oprimidas’. E para reforçar a imagem de emancipação, ‘O facto destas mulheres, apesar das humilhações políticas a que estão sujeitas, continuarem a ir de cabeça erguida para o seu trabalho, para a escola, andar na rua, é uma prova de grande coragem e tenacidade’. Para concluir, ‘As mulheres muçulmanas são na realidade emancipadas, e a nossa roupa é uma prova disso’. Mas o argumento que vem a seguir é mesmo muito giro e dirige-se às mulheres ocidentais: ‘Por que é que haveríamos de cobrir o nosso rosto de make-up (o nikab das sociedades ocidentais) para ser-mos valorizadas?’. E este é um apelo à esquerda para não se deixar ludibriar pela propaganda neo-con: ‘Numa época em que políticos racistas querem impor a sua agenda política de direita sobre as costas de mulheres muçulmanas, os socialistas deveriam apoiar as reivindicações destas mulheres para vestirem o que quiserem’.
Ai Trotsky, quem te viu e quem te vê….

ASAE


Parece que avança pela calada dos corredores do estado uma maldição medonha que rouba o sono e o oficio a tendeiros, tabernas e tascas deste país. Uma patifaria ignobil sem nome mas com sigla, como nas melhores utopias sanitárias. Pelo que leio nos jornais a peste negra abateu-se sobre portugal. O país anda em bolandas, agita-se e parte para o delirio. Corre impante a acusação de fascismo sobre a cáfila que nos (des)governa. Gentinha que se diverte na butte parisiense e literata se em Cambridge ergue o punho irado e dá à estampa a defesa da tradição. Calma, nada contra a tradição desde que não venha servida em pratos sujos e por mãos que não conhecem agua. Num abjecto terceiro-mundismo que pede meças ao Sri Lanka e ao Rwanda. Num país miseravel que clama por modernidade a cada cinco minutos é de lamentar que nao haja garganta para a engolir. A prazo, a asae terá os merecidos aplausos – aplausos de ocasião temo – em vez de insultos soezes. De resto, as feiras mensais na vilória são muito tipicas mas só de marrocos para baixo.

Olho Vivo

Não tenho o olho vivo e por isso peço desculpa se não estou a olhar o assunto com a desejável vivacidade.
Parece que uns magrebinos, vítimas de já não sei o quê, segundo os gajos sempre atentos do Olho Vivo, trocaram as remadas e, em vez de ir apanhar morangos a Huelva, acabaram literalmente de monco caído no Algarve.
E de facto parece não haver nada pior do que meter-se um tipo no barquito para dar banho à minhoca ou passear a burga, a e vir bater com os costados em Monte Gordo, onde os preços estão pela hora da morte e não se come nada bem.
Têm razão os tipos do Olho Vivo.
Estes sarracenos são vítimas.
Podiam por exemplo ter desaguado em Marbella, onde os esperavam boas paellas, tapas e o responsável local da Al Qaeda, para lhes dar as boas vindas e lhes mostrar uns cintos de explosivos novinhos em folha.
Mas não.
O que aconteceu foi uma injustiça tremenda, agravada pela barbárie sem nome dos portugueses.
Então não é que impediram aquelas boas almas de veranear no Algarve e os meteram numa carripana para o Porto?
Está bem que não pagaram o bilhete, nem a alimentação, nem o alojamento, coisa que a mim me cobram assim que ponho um pé fora de casa, mas o Porto meu Deus?

Tem razão o Olho Vivo…o Porto só por inadmissível islamofobia.
É uma humilhação ao Profeta obrigar os nossos convivas a contactar uma cidade com nome de vinho e cuja gastronomia brilha sobretudo na tripa do porco. Justifica-se a queima de bandeiras portuguesas em Islamabad.

O Olho Vivo indigna-se justamente e devemos louvá-lo por isso.
A indignação nacional é temática que anda um bocado por baixo, como é sabido e as pessoas hoje em dia já não se indignam como antigamente.
Não há verdadeiramente uma imagem de marca da indignação nacional e isso tem custos para o país, principalmente num momento em que o Mourinho está de férias pagas e o Scolari ainda está escaldado do gesto que fez, na melhor das intenções sublinhe-se, para elevar bem alto o nome da indignação portuguesa

O Olho Vivo faz o que pode, é gente carola que se esforça bastante para aumentar o prestígio da indignação nacional, mas não pode fazer tudo, sem apoio do estado e das instituições.
Tem o olho vivo, claro, não se sabe qual, mas presume-se, já que anda, sempre alapado aos emigrantes africanos e não é querer ser má-língua, mas toda a gente sabe o que se comenta sobre a s dimensões penianas e isso.

Chegados aqui, há que explicar aos dignos indignados do Olho Vivo e ao também indignado deputado do BE que, de barba por fazer e cabelo empastado, foi ontem foi visitar as vítimas (de câmara na mão, por se acaso… que nunca se sabe quando as coisas descambam para a maluquice e se faz ali um vídeo porno para meter no o You tube), que os marroquinos, apesar de africanos, não partilham essa característica anatómica em, digamos, toda a sua dimensão.
O que não obsta a que se indignem ainda mais, agora de frustração, claro.

Os homens da luta

De megafone em punho, os homens da luta atacaram em força neste blog. Sempre atentos às forças da reacção, toparam-nos logo.

Armados com uma mistura explosiva de mortífera dialética hegeliana e retórica marxista, arremetem sem piedade nas caixas de comentários: grandes tiradas sobre assimetrias de poder (ou sobre poder para a senhora da limpeza), insultos pouco criativos (direitista arqueo-pateta!? Por favor!), rancor e baba nos teclados. É um prazer recebê-los!

O fiel inimigo está aqui para vos servir. Prometemos doses maciças de bom senso para contrariar os vossos delírios, mão pesada nas vossas falácias argumentativas, e insultos com piada. Está bem, "marxista" não vale! (Eles afinam!) Compreende-se a vossa relutância em se verem associados a tão sombrio personagem, mas sinceramente, acho que vos fica mal. "Posmodernismo", "perspectivas críticas" e quejandos é um pouco chamar Vanessa à filha da Maria Albertina.

Continuem a visitar-nos! Venham aqui buscar a vossa dose diária de chibatada no lombo! E tragam mais cinco!


Bonus: Os homens da luta há 30 anos atrás!

A comprativa

O latifúndio

Novo! Fazer avançar a luta

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

EUA vs UE - Enfrentar e Vencer


Desde há alguns anos que a economia americana se vai distanciando da economia da UE apesar da crise que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro e apesar do elevado custo do esforço da guerra no Iraque.

Agora os EUA estão a lidar com uma nova crise em três frentes: a crise nos mercados financeiros decorrente da insolvência de várias entidades especializadas em crédito de alto risco; o mercado de habitação em queda, e os preços do petróleo em alta.

O presidente Bush anunciou no passado dia 18 medidas para enfrentar e vencer estas novas dificuldades e fazer a economia crescer mais. Para esse efeito, os EUA vão baixar os impostos para os particulares e beneficiar fiscalmente as empresas que investirem.

A justificação é simples, como por regra são simples as coisas importantes. Disse Bush:
“To be effective, a growth package must include tax incentives for American businesses, including small businesses, to make major investments in their enterprises this year. Giving them an incentive to invest now will encourage business owners to expand their operations, create new jobs, and inject new energy into our economy in the process.
To be effective, a growth package must also include direct and rapid income tax relief for the American people. Americans could use this money as they see fit -- to help meet their monthly bills, cover higher costs at the gas pump, or pay for other basic necessities. Letting Americans keep more of their own money should increase consumer spending, and lift our economy at a time when people otherwise might spend less. “

É interessante a comparação desta política económica com o que se passa na UE. Em particular no caso português, de notar que aquilo que os americanos vão fazer para estimular a economia é rigorosamente o contrário do que o Governo de Esquerda de Sócrates está fazendo. Os resultados estão à vista.

Na UE a economia cresce muito lentamente, suficientemente devagar para não conseguir diminuir o volume do desemprego. A estrutura económica europeia está sobrecarregada de organismos estatais caros, há desperdício de recursos importantes em subsídios escandalosamente mal atribuídos, as famílias estão sobrecarregadas de impostos. Como não há coragem política para assumir modelos falhados e enfrentar o problema da brutalidade da despesa pública, vai-se mexendo na taxa de desconto do Euro para incentivar a economia. Mas não chega.

Estabelecida mais uma crise, os EUA têm capacidade para a atacar de frente e avançam. A UE enreda-se por muito menos e marca passo no meio de muita conversa.

Estes assuntos são devidamente afastados das opiniões públicas nacionais na UE. Vai-se disfarçando a coisa diabolizando o Bush, andando assim as pessoas a ler que ele é muito mau, que é o diabo, que até cheira a enxofre como disse Chavez, esse benemérito dos pobres (parte dos estúpidos acreditou, a outra parte não acreditou, mas pelo menos ficou contente). O Bush também está a aquecer o planeta, diz o Al Gore, este como benemérito da atmosfera e outra luminária dos estúpidos; viaja por mundo e meio e vai enchendo os bolsos de dinheiro e a atmosfera de CO2 emitido pelo seu jato particular, mas como diz mal do Bush, isso não interessa nada.

Enquanto decorrem estas manobras de diversão, a generalidade dos americanos vai vivendo melhor e com melhores perspetivas do que os europeus. Em seguida dados comparativos do PIB per Capita, taxa de desemprego e peso dos impostos nos vencimentos em 2006:
EUA 43800 4.8% 29.1%
Alemanha 31900 7.1% 51.6%
Portugal 19800 7.6% 36.2%
Usamos a Alemanha por ser a economia mais poderosa da UE; se tivéssemos usado a média europeia, os indicadores seriam ainda piores, exceto a carga fiscal, cerca de 42%.

Ao mesmo tempo, os bem instalados do eurocentrismo vão pintando a manta. Fazem festas e cerimónias para assinar tratados que têm medo (justificado) de referendar, dizem que a UE é cada vez mais uma grande potência económica mundial. E se não fosse o petróleo estar tão caro (por causa do Bush, claro) tudo iria de vento em popa. Com a China, a India, o Brasil, a crescerem tão rapidamente, com o crescimento de longo prazo dos EUA acima do europeu, com um Euro estruturalmente caro e com economias pouco competitivas como resultado dos níveis de fiscalidade demasiado elevados, vamos ver quando e como vai acabar a imposturice.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Os inimigos da Revolução

A revolução bolivariana já leva quase uma década, e vai desembocando a passo de ganso no pântano onde costumam atolar-se as engenharias sociais socialistas (inflação galopante, escassez de produtos básicos, mercado negro, queda do investimento estrangeiro, progressiva descrença dos cidadãos e paradoxal enriquecimento da nomenklatura de serviço.)
Os porcos triunfam, garante a fábula orwelliana.
A resposta suina está também no guião: perseguição dos inimigos internos, feitos responsáveis pela falência das grandiosas ideias socialistas, doses cavalares de propaganda e, in extremis, a invocação de um inimigo externo.

É dos livros.
Quanto aos inimigos internos e à propaganda, Chavez tem-nos usado com galhardia e generosidade. Os bodes expiatórios servem justamente para expiar pecados e incapacidades.
Em termos de inimigo externo, Chavez não se poupa.
Os EUA naturalmente, afinal trata-se do ogre habitual da mitologia dos idiotas latino-americanos, mas é um tema batido e apesar do reconhecido dom do Tenente-Coronel no métier de farejar enxofre e conspirações gringas em todos os cantos, a generalidade das pessoas já não liga muito aos gritos alarmados sobre o lobo que desta vez é que vem.
A Espanha também ainda serve para excitar as febres nacionais e socialistas sul-americanas, e Chavez bem tentou explorar o filão, mas a resposta seca do Rei de Espanha, sentou-o e deixou-o a ganir, exposto ao ridículo e à mercê da gargalhada do pagode.
Todavia a Espanha e EUA são apenas inimigos de estimação, bons para farroncas verbais e gesticulações ao longe.
E poucos acreditam seriamente que estes países passem as noites em branco e afiar as facas e a planear invadir a chácara do Hugo.

É aqui que entra a Colômbia. O modo como Chavez tem inflamado a retórica contra este país e o facto de se ter colocado ostensivamente do lado das guerrilhas comunistas, especialistas em narcotráfico e sequestros (tudo em nome do bem, do povo e das causas, e essas coisas, claro), é algo de preocupante.
A Colômbia é do mesmo campeonato, faz fronteira com a Venezuela, e um conflito armado oferece uma fuga para a frente ao novo El Comandante, servindo de desculpa para a cada vez mais manifesta incapacidade em criar o prometido paraíso socialista.
Chavez está a escalar a crise até ao ponto em que pode estalar um conflito militar.
Até agora as suas megalomanias têm-se “apenas” traduzido em pouco subtis interferências nos processos eleitorais dos países vizinhos.
Com a Colômbia, o patamar é outro.
Nos últimos tempos Hugo Chavez gastou biliões de dólares na compra de sofisticados sistemas de armas, muito para além das suas necessidades de autodefesa, e tem neste momento em armas, os maiores efectivos da América do Sul, que sobem para cerca de 2 milhões de homens, se contarmos com a milícia “revolucionária”.
É muito pessoal a coçar os tomates.

Com a produção petrolífera a baixar, em resultado da nacionalização e da concomitante falta de investimento, Chavez depende desesperadamente da manutenção em alta dos preços do petróleo.
Um conflito na zona, teria, pelo menos no imediato, um efeito mágico: subida dos preços do petróleo, poder total para o Tenente-Coronel e inflamação dos sentimentos nacionalistas em redor do líder.
É tentador e a Colômbia está a jeito.
Só é pena os gringos

domingo, 20 de janeiro de 2008

O salário dos gestores

Desde que o presidente da República se lembrou de puxar o assunto, anda aí um reboliço por causa do salário dos gestores. Parece que ganham trinta vezes mais que a senhora da limpeza. Ora isso é inaceitável. Trinta vezes é um exagero! Ainda se fosse só quinze vezes como em Espanha ou Inglaterra... Onde é que está a coesão social? É óbvio que é preciso fazer alguma coisa.

Ainda há uns dias o Rui Tavares se questionava, num debate na SIC, sobre se deveriam as empresas privadas estar fora da alçada do estado no que a esta matéria concerne. O automatismo estatista a funcionar (o homem estava a salivar-se um bocado, por acaso): tabelam-se os salários dos gestores e já está. Problema resolvido.

Ou não? O grande senão é que os salários dependem fundamentalmente da produtividade. E a produtividade não se legisla. Ou se trabalha ou não se trabalha! Se os trabalhadores portugueses têm salários tão baixos é porque não produzem tanto como os seus congéneres ingleses e espanhóis (gestores incluídos, os gestores ingleses ganham três vezes mais do que os nossos!).

O pessoal bem pode queixar-se, mas o grande problema é que em Portugal ninguém quer fazer a ponta de um corno. As empresas portuguesas, e não estou a falar da função pública, estão cheias de Adéritos, que passam o dia a coçá-los, na palheta com os vizinhos, na internet a ver uns mails giros, e que só quando chega o chefe é que facturam umas facturas e enviam uns faxes. Claro que não é toda a gente, há pessoas que funcionam bem, outras não conseguem fazê-lo porque têm chefes incompetentes, ou máquinas antiquadas. Mas pela minha experiência, a produtividade em Portugal é uma miséria. E o gajo-que-não-se-cala-o-dia-todo? Todos os departamentos têm o seu.

O meu remédio para os descontentes com este "problema" é então o seguinte: Trabalhem! É a única maneira de aumentar o salário médio de todos! E quando o salário da senhora da limpeza duplicar, o gestor já só fica a ganhar 15 vezes mais e estaremos no bom caminho para "convergir" com os nossos camaradas europeus!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Jolly good fellows

Parece que engavetaram em Espanha uma horda de mânfios que se preparariam para promover o multiculturalismo (defendido por Zapatero) por via da utilização de substancias energeticamente instáveis capazes de libertar energia de que resulta uma enorme produção de calor e substanciais alterações de pressão.

Não é claro se os artistas em causa pertencem ao mesmo grupo alter-globalista que ajudou a promover a eleição de Zapatero.

Parece que a secreta espanhola terá recebido informações suficientemente relevantes para lhes permitir "justificar" (que lata) o recolhimento, para introspecção, dos multilateralistas.

Não é também claro se a informação recebida, sabe-se lá de onde, implicará alguma forma de cedência dos poderes políticos espanhóis a alguma unilateralista exigenciazita.

THE ABSOLUTELY FABULOUS, MISTER PAT CONDELL

Assim como todas as mulheres modernas que se prezam, têm um stalker à perna e um vibrador na malinha de mão, eu tenho um GURU. Trata-se do fabuloso Sr. Pat Condell. Que desta vez nos vai deliciar com uma curta conferência sobre o Natal. De acordo, vem um pouco fora de horas, mas na época natalícia o Fiel Inimigo ainda não estava operacional, e eu, nestes tempos em que espiritualidade parece estar na moda, senti uma incontida vontade de acompanhar a moda, e ao mesmo tempo dar a conhecer aos meus colegas e leitores o meu apoio espiritual. Por outras palavras, ou melhor, pelas palavras de Paulo Porto: ‘O assunto está exposto e com ele fica a contribuição para que os amigos saibam com o que contam e os inimigos saibam onde acertar em futuras escaramuças. Assim se evitam perdas de tempo em afinações de pontaria.’



Para os leitores menos familiarizados com a língua inglesa traduzi as legendas em português de Portugal. Para português do Brasil, o cara tem que clicar aqui mesmo. Mas quem preferir um ecrã maior e legendas em inglês clica aqui. E quem quiser sem legendas aqui.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Intolerância "Multicultural" na Europa

As intolerâncias neo-jacobinas reacendem rancores.

Há dois dias o Papa foi interdito de estar presente na abertura do ano letivo na Universidade La Sapienza, em Roma. Esta universidade foi fundada em 1303 por um Papa. Um grupo de 63 professores e alunos dispuseram-se a impedir que o Papa usasse a palavra em nome do laicismo da Universidade.

Mas há mais. A ministra italiana para os Assuntos da União Europeia declarou "Ninguém deseja calar o papa ou tentar negar-lhe o direito de expressão. Acho preocupante o quadro com que nos deparamos hoje: o único que tem espaço para falar, a qualquer hora, é o papa." Notável a ironia hipócrita da senhora.

Esta é a cara do politicamente correto na Europa.

E se em vez do Papa fosse o ayatolla Systani? Talvez esse sim, pudesse falar. Era multicultural, ficava bem. Ainda que se tratasse de uma religião que promove a violência e a desumanidade.

Este mesmo politicamente correto do eurocentrismo é o mesmo que vai aprovar um tratado de União nas costas dos próprios cidadãos europeus. É o jacobinismo atualizado mas baseado nos seus valores primordiais: "liberdade sim mas só para dizer bem de nós; democracia sim mas apenas se for para nos eleger".

Acontece que quanto mais mordaças mais vontade de falar. Por isso, aqui fica uma pequena parte daquilo que o Papa ia dizer no seu discurso: “O perigo do mundo ocidental, para falar apenas neste, é que hoje o homem, justamente em razão da grandeza do seu poder e do seu saber, capitule perante a questão da verdade” e que a razão “ceda à pressão dos interesses e à tentação da utilidade erigida como critério supremo”,

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

É só fumaça.

Anda para aí muita conversa de mau perdedor sobre a lei do tabaco e os “argumentos” são de cair de cu.
Ele é “acudam que vem aí o fascismo”, a liberdade está em perigo e se hoje é isto amanhã será aquilo, a tirania, a opressão e macacos por cordas.
Chegou-se até ao extremo de lembrar que os nazis tinham um programa contra o tabagismo.
Deixemo-nos de tretas.
A lei é legítima.
É boa?
É má?
Não há absolutos.
Para mim é boa.
Permite-me entrar e estar em todos os locais públicos sem que tenha de ser fumigado por dentro e por fora.
Muitas vezes fervi de indignação por, estando calmamente num restaurante a barbear um bife, ter de aturar os subprodutos da chaminé do gajo que se vinha instalar ao meu lado.
Só podia fazer duas coisas: ou amochava, ou levantava ferro. Qualquer das duas situações mexia com a minha liberdade e não foram poucas as vezes em que tive de sair para poupar a minha filha às baforadas.
Ora entre a liberdade do fumador e a minha, prefiro a minha, desculpem lá.
Isto para não entrar pela hierarquia dos bens e outras paneleirices.
Os gajos que saíram a perder, ficaram com dor de cotovelo. É natural, mas é agora a vez deles de amochar ou levantar ferro.
Para mim, está tudo muito melhor e isso é que interessa
Porquê?
Porque a minha liberdade me interessa bastante mais do que a liberdade do fumador.
Não há liberdades absolutas e, como se costuma dizer, a minha liberdade de bater num tipo de que não gosto, termina um milímetro antes do nariz dele.
É isso que está aqui em causa.Os argumentos da saúde pública, bem colectivo e patati patatá, são uma parvoíce. O argumento é a liberdade. A minha e, acredito, a da esmagadora maioria da população que era constantemente agredida na sua liberdade pelo uso indevido da liberdade de uma minoria.
Mas faz-me uma certa impressão ver liberais a perder a perspectiva individualista e a embarcar aos pinotes na converseta das grandes causas, na “defesa das minorias oprimidas” e outras louçanices esquerdistas.
Compreendo que um fumador berre e proteste contra uma lei que limita a sua liberdade de fumar. Está chateado, é normal que esperneie.
Mas que o faça em nome de grandes causas já me cheira a bichanice bloquista e faz-me azia intelectual
Por outro lado, tem de haver leis que proíbem. Por exemplo, uma que me proíba de limpar o sebo ao gajo que outro dia apanhei a rondar o meu carro. Porquê?
Porque pode acontecer que um dia esteja eu a admirar um carro e o dono pensar que lho estou a roubar.
Concordo que temos de estar alerta para a tendência do poder em ocupar todos os vazios, mas que raio, se quero viver em sociedade, tenho de aceitar que a minha liberdade de me peidar no elevador pode ser desagradável para outros e que entre esses outros talvez esteja um que se ache na liberdade de me dar com uma cadeira nos cornos, uma vez que a retaliação peidante, não será dissuasora.
Sinceramente, eu estou-me nas tintas para um tipo que fume, na verdade até aprecio, uma vez que paga impostos elevadíssimos, receitas que, temo, o estado me viria sacar a mim, se o pobre fumador as não entregasse generosamente.
Só não quero que tenha a liberdade de meter o fumo nos meus pulmões, sem que eu seja visto nem achado.
Tal como eu não devo ter a liberdade de lhe meter os resíduos biológicos da minha cerveja pela goela abaixo.
A liberdade total não se distingue do direito de o mais capaz fazer o que lhe der na gana.
Se eu posso matar A e ele me pode matar a mim, só um dos dois será livre. A alternativa é um acordo entre os dois em que ambos abdicamos da total liberdade em troca do direito de ficar vivos.É assim que nasce o estado e é uma patetice confundir a necessidade de um estado com a hiperpotência do estado.
Liberalismo não é anarquismo nem libertarismo.
Se não houver leis que restringem certas liberdades individuais, quando estas colocam em causa a igual liberdade dos outros, resta a razão da força.

Sobre o argumento nazi, sejamos claros: nem tudo o que os nacionais-socialistas fizeram pode ser automaticamente catalogado de “mau”, só porque foi feito por eles. Que raio, os nazis fornicavam, comiam, bebiam, dormiam e não lembra ao diabo garantir que fornicar é mau porque o Adolfo se punha na Eva.
O keynesianismo foi aplicado por Hitler e por Roosevelt, mais ou menos na mesma altura. Foi bom ou mau?
De resto esse “argumento” tabágico fica logo neutralizado, porque são/foram exactamente as democracias liberais a avançarem com medidas draconianas de proibição do tabaco em locais públicos. Não em nome da “saúde pública” e outros conceitos colectivistas, mas sim da liberdade. Da minha.
A do fumador que se lixe.
Ninguém lhe tirou a de berrar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Smile, you're on Candid Camera

A estulticia sobre o qual o Lidador labora é a todos niveis interessante e merecia mais linhas. Podemos falar de uma casta de imbecis, desses que se babam nas conferencias de Boaventura Santos? Penso que sim. De nada vale desatar em imprecaçoes e insultos contra ceus e terra. A ciencia politica explica. A esquerda privilegia um modo de ser antropologicamente optimista, lacrimejando o conceito de uma humanidade naturalmente boa, corrompida pelas instituiçoes naturais. Num revisionismo setecentista com muitos sionistas e corporaçoes militares pelo meio. Acredita no "bom selvagem", ingenuo e inocente, uma criatura apagada e sem agenda, e traja-o com o keffieh. Que posso eu dizer. A burrice foi sempre imune à roda do tempo. Sorriu, finto os livros de Historia e passo para a biologia. Narra esta contactos concupiscentes entre homens e macacos, algures, no passado. Somos o fruto dessas horas de intimidade. O que explica muito. Fomos à lua, descobrimos planetas, fundamos civilizaçoes, mas lá no fundo, nos arcanos da alma, persiste um simio ocupado na busca da mao secreta que ordena o mundo.

PS É agora que a esquerda rasga o cartao partidario, poe em chamas as sedes do pcp e do be, enfim ganha juizo

Deus Reloaded

O assunto ‘Deus’ será concerteza referido recorrentemente no Fiel Inimigo. Afinal, se Deus está por toda a parte, também há-de estar aqui no blog ou, quanto mais não seja, o diabo por Ele. Assim, aproveitando a embalagem que o Lidador deu a Deus (ver), julgo dever deixar claras algumas coisas que me dizem respeito fornecendo assim coordenadas a visitantes e residentes.



Deus Existe? Sim, necessariamente. Afinal, nada vem do nada. Logo, o Universo, como Criação, tem de ter um Criador. Tomemos a designação habitual de Deus.

O que é Deus? Ao certo, parece que ninguém sabe. Conhecemos a Criação, não conhecemos o Criador. A teoria cosmológica do Big bang ajusta-se a isto. Conhece-se o Universo, desconhece-se o que existia antes do seu aparecimento, ou o que está para além dos seus limites ou o que restará após o seu colapso.

A fé é uma das caraterísticas do ser humano? Sim, somos por natureza crentes, somos atraídos pelo misterioso, temos uma dimensão espiritual. Esta dimensão espiritual é aquela que nos diferencia em absoluto dos animais. Quando a dimensão espiritual é auto-negada ou auto-restringida, a capacidade para ter fé pode acabar desaguando noutras paragens. As religiões não-teístas, as idolatrias políticas, os fanatismos clubistas são algumas dessas paragens. Em todo o caso, um não-crente não tem necessariamente de acabar em tais lugares. Por outro lado, a capacidade humana para acreditar é distribuída por diferentes áreas, o que é muito conveniente; a fé quando focada apenas numa área da vida em especial dá origem a chatos e fanáticos.

Deus protege os Humanos? É realmente duvidoso que o faça. Provavelmente Deus sabe tanto que o planeta Terra existe como nós sabemos que existe o grão de areia no.125436475621478 na Costa da Caparica. Dito de outro modo, Deus existe, mas nós estamos por nossa conta.

Vale a pena ter fé em Deus? Desde logo, parece que Deus é alheio à questão; tudo indica que tanto se Lhe dá que se acredite nEle como não. A resposta a esta pergunta diz essencialmente respeito a cada um. Se ter fé em Deus nos enobrece, se nos faz sentir melhor, se nos beneficia e beneficia os que nos rodeiam, se percebemos que dá um sentido grande à vida, então, sim, deve valer a pena ter fé em Deus.


O assunto está exposto e com ele fica a contribuição para que os amigos saibam com o que contam e os inimigos saibam onde acertar em futuras escaramuças. Assim se evitam perdas de tempo em afinações de pontaria.

Mas o tema religião não fica esgotado. Haveremos de voltar às religiões não-teístas, lugar onde vagueiam alguns dos mais notórios defensores ocidentais do islamismo ideológico em obtusas alianças contra a Liberdade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Duo Ouro Negro




Como é que ele conseguiu embarrilá-la?

A real polémica multicultural na Holanda

A polémica sobre o multiculturalismo na Holanda passou ultimamente a ser uma discussão mais sobre a forma e menos sobre o conteúdo, mas quase sempre sobre o Islão…

Depois do assassinato de
Theo van Gogh, e depois das autoridades terem sido obrigadas a manter políticos, artistas de revista e os colunistas mais críticos 24 horas sob protecção, já (quase) toda a gente está convencida que algo está errado, que algo não bate certo. Até mesmo a Casa Real…

A rainha Beatriz, que nunca se pronunciou sobre esta temática, nem em 2002 (assassinato de Pim Fortuijn), nem em 2004 (assassinato de Theo van Gogh), gerou agora uma polémica paralela sobre o seu raio de acção político ao lembrar-se, no seu último discurso-de-Natal, de fazer um apelo a algo muito em voga actualmente: moderação no debate multicultural. Para alguns, a rudeza das palavras são um atentado à tolerância, e precisamente a tolerância é a imagem de marca da Holanda. Nas palavras de sua Alteza Real, ‘a tolerância faz parte da nossa herança cultural’.

Mesmo sem nomear concretamente seja o que for, todos os bons entendedores perceberam que a rainha se referia ao político de direita Geert Wilders. Este último, abandonou o partido liberal (VVD) em Setembro de 2004 porque não estava/está de acordo com uma eventual entrada da Turquia na união europeia, formou outro partido (PVV), e desde essa data, e agora sem restrições hierarquico-partidárias, diz o que lhe dá na real gana… O que o tornou o político mais bem protegido do país, mas também o mais odiado pela elite, que acha que ele alimenta o fogo da discórdia com as suas proposições irrealistas e macula a tão cantada ‘tolerância’ com as suas afirmações politicamente incorrectíssimas. Por essas e por outras já estão a criar um ‘cordão sanitário’ à volta do personagem. Tudo isto bem ao contrário de uma significante parte do eleitorado – 600.000, mas com tendência para aumentar – que acha que ele é o único que tem a coragem de agarrar o boi pelos cornos …

Faz parte do programa do seu partido: acabar com os passaportes duplos para membros do parlamento; suspender durante cinco anos a imigração de estrangeiros não-ocidentais; estabelecer um moratório de cinco anos na construção de mesquitas e escolas islâmicas; desnaturalizar e expulsar terroristas de rua marroquinos com dupla nacionalidade, assim como os seus familiares; conceder a nacionalidade holandesa depois de dez anos de permanência legal na Holanda, mas só para quem trabalhou durante todo esse período e não cometeu nenhum crime; fechar as mesquitas radicais e expulsar os respectivos imãs; impor a língua holandesa em locais de oração; proibir o uso da burka na via pública e o véu em funções públicas.
(Estas medidas têm que ser vistas à luz do contexto holandês, francês ou inglês. É evidente que em Portugal, onde a comunidade muçulmana se comporta de maneira exemplar, isto não faz sentido)

Geert Wilders disse ultimamente no parlamento que ‘se retirassem ao alcorão as páginas de ódio, quedaria apenas um livrinho tipo revista do Pato Donald’!!! Mas o mais grave foi ter dito que se deveria pura e simplesmente proibir o alcorão… Neste caso até os grandes críticos do Islão lhe caíram encima. ‘Proibir a leitura de livros, sejam eles quais forem, é uma atitude anti-liberal, não própria de uma democracia…’

A polémica está assim dividida entre os que acham que já não há remédio para os seguidores de Alá, indiscutivelmente Geert Wilders, que quer impedir a entrada destes no país, e os que acham que sim, que há remédio, mas para isso é necessário habituá-los à ideia de que se deve dizer livremente o que se pensa, apostando fortemente nos dissidentes. Mas também já vai havendo cada vez mais muçulmanos que, mesmo sem serem dissidentes, acham que ‘quem não está bem que se ponha’, o que vem dar razão aos anteriores. Um bom exemplo disto é o actual Secretário de Estado da Justiça pelo partido social-democrata e de origem marroquina, Ahmed Aboutaleb, que logo a seguir à morte de Theo van Gogh afirmou numa mesquita, em árabe, para que os seus compatriotas percebessem bem, que ‘todos aqueles que não partilham estas normas [democráticas], deviam tirar as suas conclusões, fazer as malas e partir’ - a partir desse dia ficou sob protecção do estado. Temos também os que acham que dizer a verdade nua e crua é contraproducente e, por isso, preferem uma política moderada de paninhos quentes que, diga-se a verdade, está bem enraizada na tradição holandesa, mas que, por enquanto, também é verdade, ainda não deu muitos resultados. E há mesmo um grupo para quem até há bem pouco tempo ainda não existia qualquer problema! Hoje já reconhecem que a multiculturalidade não é nenhum mar de rosas, mas dizem que a culpa é do Geert Wilders c.s., Israel e dos americanos… Para completar o quadro, há ainda por cá uns idealistas que por força das circunstâncias, a falta de proletariado oprimido, vêm nos atentados salafistas a tão almejada revolta da classe operária, e no Bin Laden um novo Che. Creio, mas não tenho a certeza, que em Portugal esta facção parece ser representada por Miguel Portas…

P.S.
Ah, já quase que me esquecia! Geert Wilders prometeu sair no fim de Janeiro com um filme sobre o Islão. Ainda ninguém viu o filme nem ninguém conhece o conteúdo, mas o Primeiro-Ministro e o ministro do interior demonstrando muita pouca confiança na tolerância islâmica, já o abordaram numa tentativa de dissuadi-lo – nem pó, o Geert não dobra nem um centímetro…

sábado, 12 de janeiro de 2008

Os estúpidos

“Pessoas inteligentes falam de ideias. Pessoas comuns falam de factos. Pessoas medíocres falam de pessoas."

Não sei de quem é a frase mas recorro a ela como uma bóia quando me foge o pé para o chinelo, na blogsfera ou na realesfera.

É apenas um princípio, claro, um farol para onde me viro quando me dão ganas quase irreprimíveis de arranhar a pele de um qualquer zote que resolve plantar a sua estupidez no meu caminho.
A estupidez é das poucas coisas que me faz perder as estribeiras.
E o mundo está tão repleto de estúpidos, que até eu, alérgico ao ridículo das teorias da conspiração, dou por mim a aventar estupidamente se não estará em curso uma conspiração de estúpidos para dominar o mundo.
Nessas ocasiões sombrias, apetece-me esganar um estúpido e, levado pela curiosidade científica, abrir-lhe a cabaça para dissecar o conteúdo do espaço que se estende entre as orelhas do espécime, à procura do órgão responsável.
Mas nunca cheguei a esse ponto extremo e acredito piamente que tal se deve à influência benévola da frase que sinaliza este poste.

Uma coisa é discutir a estupidez, outra é tratar com ela e outra ainda é analisar o estúpido.
Gostaria de evitar esta última tarefa, mas infelizmente não se pode abrir este blogue sem descrever o espécime de quem é o fiel inimigo.
O estúpido!

Há vários tipos de estúpidos.
O que mais chateia é o que nasce dotado de alguma capacidade mental mas que, para mal dos seus pecados, em vez de a utilizar em tarefas importantes, como lamber selos , bater palmas, ou interpretar o Borda d’água, dá em pontificar sobre tudo e todos, com evidente risco para ele e todos os que o rodeiam.
Felizmente é fácil de reconhecer, mal abre a boca.
O estúpido recita convictamente uma série de mantras, espécie de arrotos verbais resultantes da péssima digestão do fast food ideológico que engole sem mastigar.
O estúpido tem convicções fortemente estúpidas e completamente imunes ao bom senso e à racionalidade.
Acredita por exemplo que a América é dirigida pelos “poderosos”, pelas “corporações dos media”, pelos “neocons”, pelos “judeus” e pelo “complexo militar-industrial”. O estúpido tem a certeza, recebida por Revelação divina, que este grupo de malfeitores se aproveita do estúpido povo americano para, usando o estúpido poder americano, dominar o mundo dos estúpidos. O estúpido, tal como o recruta que vai de passo trocado, acredita ser um dos poucos homens do planeta que não é estúpido e mostra-se disposto a tudo para nos “abrir os olhos” e alertar para a conspiração dos “poderosos”. O estúpido sabe, por leitura de borras de café, que o comunismo soviético, o nazismo e o terrorismo islâmico não existem/existiram, e tem a certeza de que são/foram meras criações metafísicas do tal grupo de “poderosos”, tendo em vistas obscuros desígnios que só ele pode desvendar.
O estúpido luta por “causas”, como é próprio dos estúpidos.
E, embora ele próprio não saiba muito bem que causas são, resume a coisa com meia dúzia de pastiches do “contra”.
Contra a América, e o capitalismo, e o neoliberalismo, e o “sionismo” e patati patatá, enfim a lengalenga habitual.
É por isso que podemos encontrar o estúpido debaixo de muitas farpelas.
Travestido de revolucionário, ataca carros e restaurantes “neoliberais”, e berra contra o Bush e o Blair.
Disfarçado de neonazi, devasta cemitérios judeus e berra contra o Bush e o Blair.
No traje ambientalista, ataca plantações de milho e berra contra o Bush e o Blair.
Em pose islamista, alça o rabo para o Bin Laden, usa lenço à Arafat e indigna-se com o Bush e o Blair.

Tem portanto ódios, o nosso estúpido. A América, o “Bush e o Blair”, os OGM, Israel, a “globalização injusta” e por aí adiante.
E amores perversos.
Acha o máximo os lenços de cabeça modelo Arafat, as t-shirts à Che Guevara e os vermelhos bolivarianos.
O estúpido é o infeliz detentor de um cérebro enxertado em corno de cabra que o leva a estranhas conclusões. É vulgar o estúpido concluir que o Hitler até tinha razão naquela coisa dos judeus, Pol-Pot fez asneira mas tinha boas intenções, queria uma sociedade mais justa e igualitária, o Amadinejah é um homem de paz e até diz umas verdades, o islamismo é uma religião de paz, e o Hugo Chavez, além de lutar contra o Império, tem um faro do caraças para o enxofre.
O Bin Laden?
Não existe, mas quando existe é da CIA, e o Fidel é um santo homem embalsamado em vida.

O estúpido acha naturalmente que todos aqueles que não lobrigam a Verdade tal como ele a vê, ou são cegos, ou conspiradores, ou lacaios pagos pelos “poderosos”.

Eu gosto de bater em estúpidos e no que me diz respeito, podem os estúpidos confiar neste inimigo.
Fiel, porque a estupidez, ao contrário de certas doenças, é incurável e inesgotável
Assim sendo, não nos faltará assunto.