sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Capitalismo à Portuguesa

Chega a notícia da aplicação de multas no âmbito do primeiro processo de contra ordenação que o BdeP moveu contra o BCP. São para ser pagas pelo Banco, para ser retiradas aos seus lucros após impostos. Não são para ser pagas pelos administradores, muito menos pelos responsáveis do BdeP, os ineptos que não viram nada do que se estava passando embora sejam pagos para isso.

Se aquilo que os administradores do BCP fizeram tivesse ocorrido nos EUA, já teríamos visto umas figuras conhecidas a sair algemadas do Banco.

Mas Portugal não é a América, e os administradores não saíram algemados mas antes com reformas milionárias e regalias indizíveis.

Como corolário do assunto, os principais acionistas do BCP decidiram colocar-se debaixo do guarda-chuva do Estado. O acordo incluiu atribuir cargos de administrador a militantes do PS, gente que em qualquer lado do mundo, exceto Rússia e África, teria apenas lugar como guarda noturno, daqueles que estão lá não para guardar mas apenas para dar conforto psicológico aos transeuntes que, ao vê-los assim fardados, pensam que aquilo está seguro. Sim, dos ladrões externos, está.

Isto é, no capitalismo à portuguesa quem paga as práticas que lesam os acionistas não são os administradores, nem os responsáveis pela verificação da atividade bancária; quem paga são os próprios acionistas. E ainda sobram uns lugares para os 'boys' do partido no Governo. 'Porreiro, pá, porreiro'.


Aqui ao lado está a triste figura da evolução das ações do BCP. Eu, como tantos outros pequenos e grandes acionistas do Banco, gostaria muito de saber a quem agradecer pela queda de mais de 60% na cotação das ações em apenas seis meses. A crise financeira do crédito hipotecário nos EUA não pode continuar a ser pau para toda a obra.

Obama / Clinton / McCain

Foi aqui levantado no blog a interessante questão da experiência dos três candidatos com possibilidade de alcançar a presidência dos EUA.

É suposto que a comparação desfavoreça Obama. Ele é realmente o mais novo, o que tem um percurso menor no Senado/Câmara dos Representantes. É também oportuno dar uma pequena nota sobre o carácter dos candidatos. Vejamos então como estão coisas.


John McCain

Tem 71 anos. Foi a votos pela primeira vez aos 46.

Militar de carreira, foi prisioneiro de guerra no Vietname mais de cinco anos.
Foi eleito pela primeira vez para um cargo político em 1982 como representante. É eleito senador em 1986.

É considerado um imprevisível. Nunca nenhum presidente o escolheu para participar no Governo, não tem experiência executiva.


Hillary Clinton

Tem 60 anos, foi a votos pela primeira vez aos 53.

Foi ‘primeira dama’ do Arkansas em 1979. A partir daqui a sua vida profissional e política passa a ser feita à sombra do poder político do marido.
Só foi a votos pela em primeira vez em 2000 sendo eleita senadora.
Nunca exerceu funções executivas no Governo. Nesse domínio, a sua atividade política foi sempre a que resultou da promoção de iniciativas sociais por ser mulher de Bill Clinton.
Esteve politicamente envolvida na perseguição que Clinton moveu aos procuradores do Arkansas que investigavam os indícios de corrupção na sua governação do Estado. A mesma parceria com o marido no escândalo de Whitewater. Hillary e Bill Clinton não escapam à suspeita de terem recebido somas avultadas pela transferência de informações tecnológicas nucleares para a China.

Os Clinton são provavelmente os parceiros políticos de idoneidade mais duvidosa da América.


Barack Obama

Tem 46 anos, foi a votos pela primeira vez aos 43, mais cedo que qualquer dos outros dois.

Foi eleito pela primeira vez em 2004 como senador.
Exerceu cargos públicos no Illinois desde 1997 até 2004.


É a partir daqui que devemos tirar conclusões sobre experiências governativas. Em boa verdade só Hillary Clinton pode dizer que tem ‘experiência governativa’ pela influência que exerceu na presidência do marido. Mas essa não é certamente uma experiência de que ela se possa gabar muito.

Mea culpa

Nos comentários deste post do Carmo da Rosa, o camarada Rui V. Neto tomou o freio nos dentes e, sem querer, tentou mordiscar este vosso criado.
O camarada rui, arde de fúria escatológica e, para o acalmar, peço-lhe que se sente aqui no meu joelho e respire fundo.
Para começar, dou-me por vencido e confesso que não tenho estaleca para a sua poderosa argumentação, camarada rui. O camarada é imbatível, e quando atira para mesa do debate argumentos profundos, como “fodas” , “ejaculações” e “pirilaus flácidos”, não há metafísica que resista.
Que se pode responder a um orador que nos alveja com “bicharocos purulentos” e nos mostra o “cuzinho”, ao mesmo tempo que ameaça com a “piloca murcha”?
Com o imperativo categórico?
Não me façam rir!
O próprio Obama seria esmagado se o camarada rui lhe atirasse à cara poderosas “merdas neo-nazis”, e inatacáveis “sacudilas nauseabundas”, quanto mais este seu amigo, cujos conhecimentos de psicologia ovina se limitam a uma ou outra observação estritamente turística de congressos do PCP e de umas passagens pela Ovibeja.
Mas, camarada rui, ainda bem que cuidou de me informar, embora não me recorde de lhe ter dado ordens para tal, que a sua “bimba dorme descansada”.
Possivelmente trata-se de um assunto muito importante para si ou, especulo, para outrem, especialmente se o camarada pratica modalidades desportivas, como o barebacking, o que está no seu direito, sublinhe-se.
Também não deve mortificar-se quanto à sua “alergia a porcos”. Claro que é desagradável não poder conviver com os seus semelhantes, mas quando a saúde está em causa, nada a fazer e todas as precauções são poucas. É melhor ficar de telha do que com bolhas sabe-se lá aonde.
Tenho também o maior respeito pelas dúvidas existenciais que manifestou no seu interessantíssimo texto, nomeadamente com o dilema de me “virar as costas” ou não.
Claro quer não o deve fazer.
Em 1º lugar porque é má educação, mesmo que, como parece, acredite ser o seu melhor ângulo.
Em 2º lugar, porque automatizei na tropa um determinado reflexo que consiste, com tristeza o confesso, em acertar no fundo delas, (das costas dos outros), com o pé que está mais à mão, como o João Pinto.
O que, prevejo, seria mau para o sono das suas “bimbas descansadas” como, muito bem, as definiu.
Considero também com toda a preocupação a sua afirmação, e passo a citar “apenas esgrime baixaria para enganar os idiotas enquanto vai debitando os mesmos bordões” e anormalidade do costume.”( fim de citação)

Peço desculpa ao camarada por lhe ter dado esse mau exemplo. Os maus exemplos são prejudiciais às mentes simples e este seu texto, infelizmente tão abundante nas tais baixarias , anormalidades e bordões, não é culpa sua, apesar de ter sido escrito por si.
A culpa é minha, obviamente, que o desencaminhei e lhe arrastei a alma bondosa e pura para a lama e para a ignomínia.
Mea culpa.
Lamento sinceramente, camarada rui e aproveito para, à laia de compensação, lhe dar um bom conselho que deve acatar com gratidão e disciplina revolucionária: não leve a mal, os amigos são para isto mesmo, mas tenho de lhe dizer que o camarada perde muito tempo na exaltação de si próprio, o que não é adequado a um verdadeiro comunista que, como sabe, deve guiar o seu espírito mais por valores colectivos do que por reprováveis egoísmos.
O camarada não se dá conta, mas fala demasiado de si, das suas partes pudibundas (lá está, a questão da “piloca murcha”) das suas fantásticas virtudes ( as bimbas sem insónias) e prendas (merdas neonazis, etc).
Deixa-se levar nas asas do sentimento e acaba por ser algo inconveniente quando nos fala da “saudade de sacudir” a coisa.

Assim sendo, a bem do povo, da paz mundial e da luta contra o neoliberalismo, pediria ao camarada avante que apenas zurrasse quando o autorizassem.
Não que não zurre bem, zurra sim senhor, na verdade raramente tenho ouvido tão belos zurros.
Mas por vezes a situação exige um discurso mais elaborado e aí ao camarada falha-lhe a voz.

Novo Satã: lâmpadas incandescentes

[Este artigo foi posteriormente complementado por este outro].

Lâmpada fluorescente
A Quercus, pela mão de Francisco Ferreira, resolveu marrar com as lâmpadas incandescentes e invectivar o governo no sentido de as exterminar.
Primeiro:
Poupando energia com lâmpadas fluorescentes resulta apenas em passar-se a deixar as luzes todas ligadas.

Segundo:
O problema da poupança de energia é um disparate todos os meses em que se liga o aquecimento. A energia desperdiçada pelas lâmpadas incandescentes é transformada em radiação infra-vermelho que não é mais que calor. Poupa-se de um lado gasta-se de outro.

Terceiro:
As lâmpadas de incandescência emitem um espectro de luz contínuo. O espectro contínuo de luz produz cores reais permitindo uma melhor percepção do meio que nos rodeia, evitando dar trabalho aos neurónios, evitando dores de cabeça e cansaço ocular. As lâmpadas fluorescentes emitem um espectro descontínuo.

Quarto:
As lâmpadas de incandescência quase não cintilam, produzem luz quase continuamente. As lâmpadas fluorescentes produzem luz cintilante, emitindo impulsos de luz à razão de 100 por segundo, aumentando o cansaço cerebral e ocular.

Quinto:
As lâmpadas fluorescentes são substancialmente mais difíceis de digerir pela natureza. Contêm tudo o que as incandescentes contêm e contêm ainda cobre e mercúrio. O 'pó' que recobre internamente o tubo da lâmpada fluorescente contem ainda elementos indesejáveis, os tais que a Quercus lembra e relembra deverem ser objecto de cuidadosa reciclagem.

Sexto:
As lâmpadas fluorescentes emitem quantidades substanciais de radiação electromagnética, a tal que a Quercus deplora nas linhas de alta tensão. Emitem, emitem a curta distância das pessoas e a uma frequência muito mais alta que as linhas de alta tensão. Basta ligar uma telefonia de onda média nas proximidades de uma lâmpada fluorescente e desligar a lâmpada para se perceber o que acontece.

Sétimo:
A Quercus 'esquece-se' de pedir aos portugueses para evitarem comprar lâmpadas incandescentes porque acham que os portugueses são estúpidos. A Quercus prefere ganhar a guerra na secretaria invectivando o governo. A Quercus acha que os portugueses são atrasados mentais e que são incapazes de perceber o momento em que a conta de energia eléctrica é demasiado alta e quer impelir o governo a obrigar os portugueses a gastar menos energia (dizem).

.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Levem lá a bicicleta...

Quem pensa que o blog dos Ladrões de Bicicletas foi assim crismado como referência a um velho clássico do cinema neorealista italiano, está redondamente enganado.

Post cretino atrás de post cretino, ideia jurássica atrás de ideia jurássica, levam frequentemente os visitantes ao desespero e a exclamar, nauseados:

“Chiça! Levem lá a bicicleta....”

Daí o nome.

Sobra a poesia manuel-alégrica dos títulos*:

De pequenino se distorce o destino no capitalismo sem freios
Os trabalhadores pagam a crise
As virtudes da empresa pública
Como meter a finança na gaiola

A crise está para durar
Um quarto dos EUA em recessão
Tudo pior que antes?
Economistas de Pinochet ou o pecado original do neoliberalismo

Colapso do dólar?
O espectro de Keynes continua a perseguir a direita liberal
O mercado faz mesmo mal à saúde

A economia tem de ser de esquerda
Universal e Gratuito
A desigualdade mata

*São títulos reais de posts, nada disto é inventado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Obama, Israel e Irão

Muito se tem dito sobre a posição de Obama face a Israel e ao islão. A especulação tem aumentado como forma de quebrar a dinâmica de vitória da sua campanha entre os Democratas. Para já as acusações, e sobretudo as insinuações, vêm dos seus opositores dentro do próprio Partido Democrata.

Certo é que nenhum outro candidato tem mais ligações ao meio islâmico do que Obama. A incógnita central é o peso que essas ligações têm no pensamento do candidato.

Nada como dar voz ao próprio Obama sobre o assunto, e hoje há notícias frescas e esclarecedoras. Obama deu uma entrevista ao Yediot Ahronot, o jornal mais lido em Israel.

Acerca da acusação de ser pro-islâmico, Obama diz: "First it is important to establish the facts. Here are the facts: I am not a Muslim and I never have been. I never attended a madrasa. I did not take my oath of office on a Koran. I am a committed Christian. I lived in Indonesia for four years as a child, where I attended secular schools. I took my oath of office on our family Bible."

Sobre o relacionamento entre os EUA e Israel, declarou: "The US-Israel relationship is rooted in shared interests, shared values, shared history, and in deep friendship among our people. It is supported by a strong bipartisan consensus that I am proud to be a part of, and I will work tirelessly as president to uphold and enhance the friendship between the two countries"

Finalmente, sobre a ameaça que o Irão representa para Israel: "The gravest threat to Israel today comes from Iran, where a radical regime continues to pursue the ability to build a nuclear weapon, and continues its support for terrorism across the region. President Ahmadinejad continues his offensive denials of the Holocaust, and his disturbing denunciations of Israel. Recently he referred to Israel as a "deadly microbe" and a "savage animal." Threats of Israel's destruction cannot be dismissed as rhetoric. The threat from Iran is real, and my goal as president will be to eliminate it."

Obama confirma a regra de que as diferenças de abordagem na política externa americana dependem muito mais do estilo de cada presidende do que de clivagens importantes entre republicanos e democratas. Pode considerar-se que o aproveitamento político da impopularidade da manutenção das tropas americanas no Iraque é uma exceção a esta regra. De resto, os políticos americanos são habitualmente consensuais a respeito de política externa. Pode até ser que a malignidade do Irão fique melhor evidenciada após conversações diretas frustradas do que sem elas.

Uma coisa é certa, Obama declara estar plenamente consciente da gravidade do problema e não se ilude quanto à solução, como se depreende da uma outra frase nesta entrevista: "I don't believe that diplomacy alone will stop the Iranians from pursuing nuclear weapons. I believe it will require all facts of our national power to achieve this important goal. "

A era Friedman

De pé, vítimas da globalização neoliberal!

Mais um post na série “Just the facts”.

1. O rendimento per capita mundial real cresceu de USD 5400 em 1980 para USD 8500 em 2005.

2. A percentagem da população mundial que vive com menos de 1 USD por dia caiu de 35% para 19% no mesmo periodo. Hoje em dia, a pobreza extrema está praticamente toda concentrada no continente africano.

3. A mortalidade infantil baixou de 64 mortes por mil nascimentos para 38.

4. A esperança de vida aumentou em todas as regiões, excepto África. Na Europa aumentou 5 anos.

5. O número de anos de escolaridade aumentou em um terço, de 4,4 para 6.

Nunca, na história da humanidade, foram tão ricas tantas pessoas. E nunca, nessa mesma história, houve tantos idiotas a resmungar contra o processo que lhes trouxe a sua própria prosperidade.


The Age of Milton Friedman - Andrei Shleifer

O Gasset é que sabia da poda

Se de facto houver uma manobra política por parte de Hillary, não há razão para que Obama esteja preocupado. Ou talvez aquilo que o preocupe não seja tanto o ser associado ao islamismo, que em si não tem absolutamente nada de mal, mas a ignorância flagrante do povo norte-americano, cujos filtros intelectuais não permitem separar religião muçulmana e terrorismo. Um povo ignorante vota mal, disso já se sabe. Os americanos são ignorantes natos, por variadissimas razões. A principal talvez seja a elefantíase de um pais que, de tão grande e poderoso, se fecha sobre si mesmo. A segunda talvez passe pelo sistema de ensino. O certo é que um povo ignorante pode ser facilmente manipulado, e é-o. Os americanos são manipulados sobretudo através do medo, por isso o terrorismo é tema recorrente. Quando o nivel de alerta é elevado por hipioteticamente haver risco de atentado aos estados unidos, é muito mais fácil convencer um povo a deixar-se cercear em termos de liberdades individuais, tudo em nome da «segurança».

Se no "homem das cidades" encontrei a felicidade eterna, no "publico" conheci com um click e sem pagar portagem o paraiso. Manadas de gente, multidoes de anonimos, perdidos para as letras e ciencias, ganhos para o bloco de esquerda e as claques de futebol. Queixas é endossar ao ministerio da educaçao. Imbecis sem remissao atropelam-se e à mingua de explicaçoes parecem correr por um premio, que nao descortino e nao compreendo, dando à estampa a epica cretinice que lhes abrasa a alma e que nos abrasa o bom senso. Ò merdoso leitor esquece lá a inteligencia, o mais voraz atraso mental leva para casa um fenomenal televisor de 90 cm. Perdida que está a utopia na arena politica caminhamos para a distopia em rede: os tascos e mega-superficies ciberneticos tomados de assalto pelos simios. O reino dos ceus é deles, o virtual tb.

Armagedão: coisas giras que a esquerda adora



Aquecimento Global é terrorismo climático

Via Mitos Climáticos

----

ULTIMA HORA

Parece que as árvores estão a ficar "obesas".

Via Outra Margem
.

Medvedev


O mais que provável vencedor das próximas eleições Russas, um tipo da velha e típica escola Russa (Gazprom), Dmitry Medvedev, já anda a meter o bedelho na política internacional. O tipo está com uma confiança inabalável, e fala como se já fosse o Presidente da Federação Russa. Bem, temos que ver, convínhamos, que o nosso caro Dmitry deve ter poucas ou nenhumas dúvidas sobre a sua eleição para o Kremlin...

Endossado pelo muito afável e democrata Presidente Vladimir Putin, Medvedev reúne, segundo recentes sondagens, cerca de 70% do eleitorado Russo. Vamos a ver se a OSCE não estraga novamente a festa democrática Russa, festa essa que possui décadas e décadas de estórias e eventos marcantes. Esta festa passou por Lenine, Estaline, Krutchev, Brejnev e terminou em Mikhail Gorbatchev. Mais recentemente as estórias e os eventos marcantes têm continuado, desta feita com Vladimir Putin, homem de reconhecido mérito, sendo que este mérito é comprovado pelo facto de ter sido recebido em Portugal com toda a pompa e circunstância, com direito a visita ao Palácio de Mafra. Para se ver o quanto o Vladimir é grande, basta comparar com o pobre do Dalai Lama, que nem direito a uma recepção calorosa por parte do nosso Primeiro-Ministro teve..

O que se tem verificado para os lados de Moscovo nos últimos tempos faz-me relembrar a Guerra-Fria: perseguições a líderes da oposição (coitado do Kasparov, teve que ir manifestar-se para a esquadra); limitações na formação de novos partidos políticos; resultados de eleições bastante suspeitos (analisem os resultados na Tchetchénia e saberão do que vos falo); intermissão em assuntos internacionais que lhes são completamente alheios, geralmente ocupando uma posição Anti-Americana, mesmo que esta não sirva os seus interesses (esta ingerência é-lhes permitida, em parte, pela presença no Conselho de Segurança da ONU); o caso Litvinenko, que demonstra bem a forma como está o país; a quebra de vários tratados, nomeadamente o referente às Forças Convencionais na Europa; etc.

A eleição de Medvedev será, obviamente, marcada pela continuação da política Putin, até porque o ditadorzinho vai continuar por perto, como Primeiro-Ministro.

A questão (ou não) é saber se a União Europeia continuará a jogar o jogo de Putin (mascarado de Medvedev), cedendo ás chantagens relacionadas com o petróleo e com o gás. Obviamente que continuará a jogar, porque não tem outra solução... A dependência energética da Europa face à Rússia é enorme.

A Ucrânia que nem ouse sonhar em integrar a NATO. Como diria Brejnev "Os países de leste têm uma soberania limitada"...

Ninguém pára a Rússia!

Ai Boris se tu fosses vivo...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O mau? O mau é o W.Bush!


Em Beijing está-se bem. Afinal os gajos, apesar de já se terem convertido ao capitalismo, continuam a ser comunistas, algo que os liberta de todas as possíveis penas por estarem constantemente a conspurcar o ambiente.

Quem desrespeita de todas as maneiras e formas o ambiente é o George W. Bush. A diminuição progressiva das emissões poluentes para a atmosfera por parte dos Estados Unidos? Aquela coisa da lei energética aprovada em Dezembro, que prevê a redução do consumo de combustível por automóveis em 40% até 2020 nos Estados Unidos da América? Aquela coisa do novo acordo global de reduções de gases de efeitos estufa? Tudo mentira!

Respostas frequentes da esquerda estúpida:

Para a questão #1:

- "O estudo é Norte-Americano" (algo perfeitamente natural, visto que muitos dos maiores vultos mundiais nesta matéria residem e trabalham nos Estados Unidos);
- "O fumo é tanto que deixaram de analisar bem os dados" (uma piada bem ao estilo vanguardista do Bloco de Esquerda);
- "Quem fez as somas era um tipo ligado ao lobby judaico Americano";
- "Então mas quem é que polui então? Mais ninguém é tão maléfico como o W.Bush..";

Para a questão #2:

- "Isso é fogo de vista";
- "As leis servem é para serem desrespeitadas, e os Americanos são peritos nisso";
- "Mas essa lei foi aprovada pelo Bush? Devia estar a falar dos automóveis com que ele brinca, aqueles da Playmobil" (mais uma piada bem ao estilo vanguardista do Bloco de Esquerda);

Para a questão #3:

- "Eles prometem, prometem, mas acontece como aconteceu com Quioto";
- "Então e depois o que utilizávamos para bater nos Norte-Americanos?"

Mais facilmente a malta da esquerda estúpida acredita nas boas intenções de um tipo como o Mahmoud Ahmedinejad do que nas boas intenções do tipo que está na Casa Branca.

Líbano-Warm up

Na semana passada Nasralah, emergindo fugazmente do esconderijo onde está condenado a viver o resto da sua vida, garantiu aos seus apoiantes que o “desaparecimento de Israel é um facto estabelecido”.
A retórica inflamada de Nasralah, cópia fiel dos estribilhos repetidos por Amadinejad, denuncia a fúria do Hezbolah.
Fúria pela incapacidade de derrubar o Governo de Siniora, objectivo que julgou ser fácil de conseguir, já lá vai mais de um ano, e fúria pela execução do notório terrorista Imad Mughniyeh.
O boicote à eleição de um novo Presidente, está a fazer passar para a opinião pública libanesa e árabe, a ideia de um Hezbolah completamente enfeudado ao shiismo iraniano, varrendo a imagem cuidadosamente cultivada ao longo de anos, de um movimento de “resistência patriótica” contra os pérfidos “sionistas”
O caso Mughniyeh, tornou clara a subordinação do Hezbolah aos interesses iranianos. Durante muitos anos, o Hezbolah negou vigorosamente quaisquer ligações ao terrorista, ideia que fez o seu caminho na imprensa árabe, mas a fúria com que assumiu as dores de corno da sua morte, limpou a névoa da propaganda e os média árabes têm sido férteis, nos últimos dias, nas revelações sobre as íntimas ligações entre Mughniyeh, o Hezbolah e o Irão. Por exemplo, o treino de terroristas iraquianios do Exército Mahdi, e o apoio a grupos shiitas em vários países árabes, actividades coordenadas pelo feliz falecido, com meios humanos e materiais da Força “Quds”, da Guarda Revolucionária Iraniana.
A recente retórica de Nasrallah, tem de ser vista como tentativa de galvanizar uma população que não está muito virada para voltar a servir de escudo humano e que, segundo a France Press, não se coibe de dizer que está farta de guerras e quer viver em paz e tratar da sua vida.
Nasralah precisa de sair do buraco e voltar a aparecer como o “resistente- que-defende-o-Líbano-da-agressão-sionista”.
Tendo-se rearmado, uma nova escalada guerreira com Israel, seria uma bela oportunidade, e a tentação deve ser grande.
E não será especialmente difícil, bastando lançar 3 ou 4 vólleys de Katiuschas sobre o Norte de Israel. O problema é que ele sabe que desta vez Israel terá forçosamente de ir até ao fim e não se deterá enquanto não tiver reduzido o Hezbolah a entulho, por grande que seja o clamor da indignação muçulmana e dos sectores anti-semitas de todo o mundo, incluindo o Dr Miguel Portas que, ao que se sabe, continua apaixonado por Nasralah.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Quem tem força tem razão



... diz Dmitri Rogozin, embaixador russo junto da NATO.

Via Da Rússia.

.

Israel e os Presidentes Americanos









Na tentativa de perceber o que deve esperar Israel da eleição de Obama, tem todo o interesse observar como se posicionavam os vários Presidentes americanos aquando das respetivas eleições e o que depois aconteceu durante as suas presidências.

É importante não esquecer que, na generalidade dos casos, a maioria do eleitorado judeu americano apoia os candidatos Democratas. Recuemos então mais de 30 anos.

Richard Nixon, Republicano, antecipado como desfavorável a Israel.
No entanto, foi ele quem apoiou Israel na guerra do Yom Kippur e estabeleceu o apoio orçamental anual às Forças de Defesa de Israel, que perdura até hoje.

Jimmy Carter, Democrata, antecipado como desfavorável a Israel. Foi ele quem promoveu a atracão de Sadat e os acordos de Camp David de 1978, em que Israel cedeu o Sinai ao Egipto em troca pelo reconhecimento de Israel como Estado. Hoje a manutenção do Egipto na esfera dos EUA parece condenada pela força da chamada ‘rua árabe’ e o reconhecimento de Israel pelo Egipto não passa de uma formalidade entretanto esvaziada de qualquer conteúdo político.

Ronald Reagan, Republicano, antecipado como grande amigo de Israel. Ainda assim foi ele quem estabeleceu uma aliança política e militar com a Arábia Saudita com a venda de aviões de tecnologia avançada (AWACS e F-15) aos sauditas que puseram em causa a superioridade aérea de Israel na região.

George Bush, Republicano, antecipado como desfavorável a Israel. Durante a sua presidência, Baker, Secretário de Estado, disse “F**k the jews, they don’t vote for us anyway”. Bush queixou-se do lobby judeu, inviabilizou as garantias aos empréstimos a Israel. Em contrapartida, foi na 1ª Guerra do Golfo que a verdadeira capacidade militar iraquiana foi quebrada.

Bill Clinton, Democrata, antecipado como pró-Israel. Mas foi durante a sua presidência que se promoveu um novo Camp David em que Israel fez concessões territoriais e se estabeleceu a Autoridade Palestiniana. Valeu a Israel a teimosia de Arafat, de outro modo o teria tido de abandonar toda a Cisjordânia.

George W.Bush, Republicano, antecipado como pró-Israel. Foi ele quem ainda há pouco tempo em visita a Jerusalém, apelou a um Estado Palestiniano independente e ao fim da ‘ocupação israelita’. Fica a dúvida sobre a fronteira entre a retórica e a genuinidade destas declarações.

Podem tirar-se algumas conclusões:
-Em tempos de descompressão, ou perspetivas de apaziguamento com os árabes, os presidentes americanos forçam Israel a cedências que depois se mostram prejudiciais para Israel e de nenhuma utilidade para os EUA;
-Nunca qualquer Presidente americano negou apoio a Israel em momentos difíceis; é significativo que nenhum candidato com capacidade para aspirar à presidência ponha em causa o suporte financeiro às FDI;
-as predisposições dos candidatos a presidente, quer as favoráveis quer as desfavoráveis a Israel, acabam sempre por ficar subordinadas aos dois aspetos anteriores, pelo que as posições ‘a anteriori’ foram sempre reajustadas pelas circunstâncias, pelo momento.

O que quer que Obama pense hoje sobre Israel pode ser alterado em função da conjuntura. Mas não é indiferente para a defesa da Lisberdade o seu ponto de partida. Continua, portanto, a valer a pena perceber a predisposição do provável novo presidente dos EUA.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O ÂNGULO RECTO FERVE A 90º! MAS SÓ NA CABECINHA DA ZAZIE…

Há uma semana um amigo alertou-me para uma discussão muito interessante no ASPIRINA B que eu, segundo ele, obrigatoriamente deveria deitar uma vista d’olhos. Avisou-me que a coisa já ia longa mas que valia a pena ler. Li na altura 452 comentários! O ASPIRINA B, com 555 comentários dedicados ao artigo de Valupi sobre os famosos cartoons dinamarqueses, bateu o record do post mais comentado da história da blogosfera nacional – é obra digna de registo…

Mas por muito bem escrito que o artigo estivesse, e estava, não foi esse o facto que originou esta corrida ao ouro. Quanto a mim foi a omnipresença da Zazie... Para quem ainda não conhece o personagem, trata-se de uma senhora – imagino eu, a menos que seja um George Sand ao contrário – com blogue próprio, COCANHA, mas que felizmente não é mulher caseirinha e paira em tudo quanto é blogue de opinião. É talvez a grande diva da blogosfera nacional. Escreve bem, embora um tanto intrincado para o meu gosto (o mal nacional). É bastante inteligente, mas é sobretudo uma fantástica polemista. Nunca vi igual em Portugal - talvez Antero de Quental. Mas estas comparações assimétricas lembram as do futebol: terá sido Maradona melhor que Pelé?

Para terem uma ideia, dos 555 comentários no Aspirina, certamente metade são da autoria da Zazie. Logo no primeiro dia, 13 de Fevereiro, a Zazie já tinha uma razoável produção de 16 comentários, para no dia seguinte passar rapidamente para 46, aguentando esta média até quinta-feira passada e obrigando Valupi a postar a versão cartoons II acompanhada agora por este cri de coeur:

'Quando celebrei o protesto na imprensa dinamarquesa contra o plano de assassinato de Kurt Westergaard, previ que seria um post consensual. Responder à espada com a pena, à violência com a lei, à loucura com a coragem, parecia-me terreno comum. Felizmente, a nossa amiga zazie veio mostrar-me o quão errado eu estava. A sua feérica e entrópica participação explica parte da anormal quantidade de comentários e a prolongada recreação, residindo na complexidade e melindre do tema o resto da causalidade do fenómeno.'

Daqui facilmente se depreende a razão de tantos comentários, mas também de que se tratava da Zazie contra todas as outras ‘aspirinas’. E todos eles, meninos ou meninas, levavam bengaladas qu’até fervia. A polémica parecia mais um filme de karaté - daqueles em que Bruce Lee vence sempre. Zazie rodeada de malfeitores de espada em riste dá de repente um salto mortal e, na queda, atinge dois adversários com os pés, outros dois com as mãos e o quinto com a cabeça, o sexto foge…
‘O problema não está na caricatura, o problema está na intenção de matar o autor’ balbuciava Valuti pacientemente, e não sem razão! ‘Estou a embirrar com coninhas legalistas’ retorquia a Zazie implacável. ‘Mas então o estado de direito’, tentava Valuti por outro lado, ‘enfia o estado de direito no cu’ respondia a Zazie! Outros tentavam a sedução, como por exemplo o rvn: ‘Zazie, pantera da minha fantasia tarzânica (…)’. Mas a Zazie não quer ser Jane: ‘O caralho! O caralho! Eles [muçulmanos] não fizeram nada’. A Susana, mais da minha opinião, insiste: ‘não percebeste nada, nem se percebe o que dizes’, a Zazie, sem dó nem piedade, retribui ‘falo contigo como se fosses uma miudinha que andava de gatas quando esta cena da liberdade apareceu’. Toma lá e embrulha, e eu também, por tabela…

Às tantas um comentador com um nick de quem se esperaria uma postura mais máscula, o Shark, resume de forma sintomática mas sincera este combate desigual, ‘a Zazie intimida-me’. Coitado do Shark, ficou zazificado, não era o único!

Mas o que torna a performance da Zazie ainda mais sublime, um pormenor que muita gente esquece quando julga as qualidades de um 'debater', é o facto de ter ou não razão. Convenhamos, é muito mais fácil debater e argumentar seja com quem for, quando temos a razão pelo nosso lado, do que quando nos arvoramos em advogados do diabo. Mas a diabólica Zazie, mesmo sem uma pontinha de razão, conseguia, nas calmas, esmagar os seus adversários… Chapeau!

Com uma certa frequência repetia às suas adversárias ‘tão estúpida que nem percebe que liberdade [de] expressão não tem nada a ver com liberdade de insulto’. Quando todos nós sabemos, e ela certamente também, que estas coisas estão interligadas. É óbvio que uma nunca funciona sem a outra. Sem esquecer que o insulto é algo subjectivo, toda a gente com dois dedos de testa compreende que a liberdade de insultar só funciona onde existe liberdade de expressão. Quem é que não conhece a anedota do americano lembrando ao russo a falta de liberdade na União Soviética: ‘In my country I can go to the White House and scream: BUSH IS A SON OF A BITCH, and I’m sure nothing happens to me’. Resposta pronta do russo: ‘No big deal, I can go also to the Red Square in Moscow and scream Bush is a son of a bitch….’

Outra afirmação da Zazie completamente a norte é: ‘limparem-lhes o cebo como ao outro desgraçado de Van Gogh que achou altamente inteligente e pedagógico andar a fazer esperas a criançinhas de escola para lhes dizer que o Maomé era pedófilo (…)’.

Desconhecia que Van Gogh fazia esperas a criancinhas!!! Creio que a Zazie está aqui a querer confundir muita coisa com o ângulo recto, que também ferve a 90º!!! Van Gogh, que era praticamente meu vizinho, ia realmente de bicicleta duas vezes por dia à escola, mas para levar e buscar o filho, Lieeuwe! E a história do Maomé pedófilo nunca foi abordada por Van Gogh, mas sim por Ayaan Hirsi Ali, que afirmou que o facto do profeta ter casado com uma miúda de 6 anos é, ACTUALMENTE, e aos nossos olhos, visto como pedofilia…

Outra. Valuti tenta debalde encostar a Zazie à parede, ‘se ela achava que os três muçulmanos deviam matar o cartoonista do Jyllands-Posten’. Zazie: ‘sim, achava a retaliação perfeitamente legítima. Porque, se a estupidez não paga imposto, o risco é da conta do burro.’ Toma lá que já almoçastes…

E também neste caso Valupi tem razão! Porque num planeta em que todos os dias que Deus nos dá são cometidos assassinatos e atentados à bomba em nome de Alá e do seu profeta, um pouco por todo o lado, é mais do que lógico que um caricaturista político, mais dia menos dia, acabe mesmo por retratar o profeta da dita cuja religião com uma bomba nos cornos. Simple comme bonjour…

O que seria estranho era o cartoonista retratar Buda ou Confucius da mesma forma!!! O que me leva a perguntar à Zazie, muito educadamente e a medo, não vá levar uma ripada como levaram os aspirinas, a razão de não ser muito usual na imprensa a utilização dos substantivos budafobia, ou confuciofobia?

Fico agora na dúvida se rematar a coisa numa boa, numa Zen, e repetir com a Susana ‘Zazie, a malta grama-te e não te quer ver assim, em desespero. tens que perceber que também não se trata, aqui, de uma tese de doutoramento monográfica da tua pessoa.'

Ou acabar em grande, à maneira da Zazie, como ela fez em Junho de 2006 no Miniscente: ‘Como dizia a fábula de Esopo, não vale a pena certas pessoas preocuparem-se muito em olhar para os dejectos que lançam, cuidando que lhes tenham escapado do cérebro, porque nada sai de onde nada existe'.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Escatologia? não, um filão humorístico


O Diogo escreve todas as semanas, para grande divertimento dos mortais, sobre o 11 de Setembro, capitalistas a pedir prisão, e o sionismo temível que cava o abismo em que havemos de cair todos nós. Sou cliente habitual da casa, vou lá todos os dias, cada dia, esperançoso, de encontrar o “Um homem das cidades” – onde pára o homem das cidades? – e apanho com o delírio habitual e caixas de comentários ricamente abastecidas de seres que o deus bom há muito se esqueceu. Ao Diogo dói-lhe na alma a imagem de um sionista impune, e, lendo a subida dos juros, atentado na rua árabe, ou a penumbra em que o Benfica caiu, imagina moinhos de vento, que assumem invariavelmente a forma de sionistas. Vai daí, desata a escrever sobre a hidra, baba-se, tem uma ejaculação, e o "contradições", comovido, larga ali um dos seus poemas e eu já em transe vou ao chão desamparado. O que seria da humanidade sem esta gente boa?

Obama, Who Are You For Sure?

Obama continua em ascenso na campanha eleitoral americana. Os Clinton imaginaram que a corrida à Casa Branca iria ser como um agradável passeio de fim de semana cheio de sol. Mas parece que umas nuvens negras e muito distantes vieram colocar-se mesmo em cima deles e agora chove, troveja, e o passeio está estragado. Obama já tem mais delegados que Hillary Clinton, e tudo indica que vai ser ele o candidato dos Democratas.

É também suposto que fosse mais difícil para Obama ganhar a Hillary do que ao Republicano MacCain. O certo é que o mais difícil, o impensável, está prestes a ser conseguido.

A frase seguinte é de Obama em 2004: "There's not a black America and white America and Latino America and Asian America; there's the United States of America". Para a América branca que quer superar divisões raciais, esta frase soa como um bálsamo.

Numa campanha eleitoral, na América como por cá, o eleitor comum não se interessa tanto pela matriz ideológica dos candidatos, pela força profunda que os move, mas sobretudo pela a imagem e frases circunstanciais. Obama é jovem, tem boa imagem, consegue ser simultaneamente emotivo, motivador, consensual e sensato no seu discurso. Na sua candidatura ele ainda nem precisou de ser concreto, específico, acerca de política económica doméstica ou de política estratégica internacional.

Barack Obama é bem capaz de vir a ser o próximo presidente dos EUA. Falta colocar à superfície a tal ‘força profunda que o move’ e saber o que ele efetivamente pretende fazer interna e externamente.

Entre as incógnitas estão o Islão e Israel. Vamos nós aqui no Fiel Inimigo descobrir? Vamos, claro, há lá alguma coisa que nos escape!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A SEDES e as catástrofes

A previsão aponta hoje para duas catástrofes, vá lá, três.
A chuva que aí vem e que, segundo os especialistas, vai começar pelo Algarve, pondo em sério risco a safra de laranjas desta Primavera, e subindo depois por aí acima, até chegar a minha casa, ameaçando empapar-me a relva do jardim e fazer transbordar a piscina (confesso que só escrevi isto aqui, para, de forma aparentemente casual, dizer que tenho piscina).

A 2ª catástrofe, quiçá a mais importante, é a notícia do esgotamento dos bilhetes para os concertos do Bryan Adams. Trata-se de um problema gravíssimo e a verdade é que ainda não recuperei do choque. Estou completamente desfeito e nem o facto de o Benfica se ter safado ontem (embora só tenha sabido do facto hoje de manhã, já que a televisão sofreu um acidente inesperado por impacto súbito de um cinzeiro de bronze, por alturas do 2º golo do Nuremberga), me melhorou a disposição.
Sinceramente não sei como irei resolver este catastrófico problema e não vejo nenhum partido apresentar soluções válidas, para além do BE que costuma fazer uns interessantes números de show business na Assembleia, mas muito amadores e nada que se compare.

A terceira previsão negativa foi-me embarrilada à força logo pela madrugada, pela Antena 1, e ouvi-a durante toda a manhã, que tive a desdita de passar ao volante. Não percebi muito bem do que se tratava, mas parece que uma tal SEDES, instituição muito importante, que representa não sei quem, e constituída por senhores também muito importantes que de vez em quando se reúnem para umas comezainas, resolveu pôr em papel erudito aquelas conversas que se ouvem no talho, nas viagens de táxi e nas Antenas Abertas, ou seja, resumindo, que isto vai mal e pode ficar pior.

E depois seguiu-se a arrepiante descrição (ainda estou com pele de galinha) dos males da Pátria, que, devo dizer, não me surpreendeu por aí além, porque já os tinha ouvido das fontes insuspeitas que referi, embora em linguagem mais vernácula (tipo, estes gajos são uns gatunos, o que querem é poleiro, andam mas é ao tacho , etc).
Surpreendente, e reveladora de uma notável capacidade de antecipação, só igualada por uns tipos que há tempos vi na rua a anunciarem o fim do mundo para daí a uma semana, foi a profecia de que pode haver problemas sociais, mas também pode não haver.
Neste vasto leque de possibilidades, não tinha o leitor pensado, justamente porque lhe falta a craveira intelectual necessária para ser convidado para as sessões de má-língua, perdão, para as jantaradas da SEDES.
Eu também não fui convidado, mas no meu caso trata-se certamente de um mero lapso, porque também possuo as qualificações necessárias e suficientes para produzir tão importantes documentos estratégicos, isto é, gosto de comer bem e aprecio também a má língua, depois de ter a barriga cheia.

Uma Lógica Russo / Soviética a Propósito do Kosovo


Aproveitando a declaração unilateral da independência do Kosovo, a Rússia propõe o reconhecimento internacional da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, províncias separatistas da Geórgia. É suposto que comecem os ‘claro, era o que se estava à espera’. Por acaso, estava. Mas no caso concreto as coisas têm um lado pouco óbvio e ainda menos conhecido.

O assunto do separatismo na Geórgia enquadra-se numa lógica muito russa de ‘Crime e Castigo’. E também numa lógica muito soviética de ‘crime e recompensa’.

Quando em 1991 a Geórgia readquiriu a sua independência, após o fim da União Soviética, o país optou for uma rejeição completa da Rússia pedindo a retirada das bases militares russas e a não aceitando o convite para integrar a Comunidade de Estados Independentes (uma espécie de reconstituição territorial da União Soviética, aquilo a que Putin chama ‘estrangeiro próximo’). Acresce que todos os líderes georgianos têm declarado pretendem reaproximar o país do Ocidente e inclusive aderir à NATO, assunto sempre escabroso para a Rússia.


Aqui entra a lógica do ‘Crime e Castigo’.

Uma dessas bases militares russas era (e é) em Gudauta, na província georgiana da Abkházia. Os russos encontraram então a forma de manter pelo menos uma base no mar Negro da Georgia e ainda punir o país pelas suas opções de política externa alheias à Rússia. Para o efeito resolveram apoiar a separação da Abkhazia, que tem uma importante minoria russa. A separação incluiu uma das mais notáveis e ignoradas limpezas étnicas do pós IIGM.

Em 1992 a Abkhazia tinha 530 mil habitantes, metade dos quais eram georgianos e apenas 90 a 95 mil de etnia abkhaze. O resto da população era composta por russos, gregos, arménios.

Entre 1992 e 93 ocorre a guerra civil entre a minoria abkhaze, apoiada e armada pelos russos, e os georgianos. Os georgianos perdem e concretiza-se a separação da Abkhazia, o castigo merecido da Geórgia. No final, foram expulsos ou fugiram da Abkházia 300 mil habitantes, o que representou mais de metade da população da província. Estima-se que tenham sido mortas 15 mil pessoas.

Atualmente a Abkházia tem 210 mil habitantes (tinha 530 mil) . Destes, 90 a 95 mil são de etnia abkhaze, tal como antes da limpeza étnica. Dos 300 mil que foram expulsos ou fugiram, a maioria eram georgianos. Toda esta gente está impedida de regressar aos lugares que eram seus e que foi obrigada a abandonar.


Agora entra a lógica soviética do ‘crime e recompensa’

O governo da Abkházia já tinha declarado a independência. Ninguém no mundo ligou muito a isso. Pelo contrário, a ONU já apelou à reposição da integridade territorial da Geórgia e permissão de regresso dos expulsos.

Agora Putin encontra o momento certo para obter a recompensa. Aproveitando um ‘furo’ chamado Kosovo tenta tirar partido e legitimar a separação resultante de um crime humanitário cometido há 14 anos.


A situação na província da Ossétia do Sul é semelhante, embora com proporções menos importantes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

No es facil...

Pegando na deixa do Lidador, aqui fica, dedicado ao ml:

Cuba, just the facts.

Em 1959 (ano da revolução) o rendimento anual médio cubano per capita era de 1.200 USD, o segundo mais elevado da América Latina. Em 2004 foi de 70 (setenta) USD.

Nesse glorioso ano zero havia 15 telefones por cada 100 habitantes; agora há 3,5.

O consumo calórico era então de 2.800 calorias por habitante/dia; hoje, as senhas de racionamento apenas permitem a ingestão de 1.800, e isto na condição de haver produtos disponíveis. O consumo de carne baixou de 35 kg/ano para 5,5 kg/ano.

O sistema de transportes colapsou. Onde antes havia um autocarro por cada 300 habitantes, agora há um para 250.000 (duzentos e cinquenta mil).

Referência obrigatória merece também o magnífico sistema de saúde cubano. 50 anos de revolução conseguiram a proeza inigualável de aumentar a proporção de médicos por habitante de um médico para cada 950 cubanos para um por cada 750. Notável. Como termo de comparação, esse racio quadruplicou em Portugal, no mesmo periodo.

Todas estas estatísticas e muitas mais podem ser consultadas no “Livro Negro de Cuba”, que reúne documentos e relatórios produzidos pela Amnistia Internacional, Human Rights Watch, Pax Christi, Repórteres Sem Fronteiras e outros perigosíssimos think-tanks neoliberais.

Viva o socialismo! Viva o Chéché! Viva la revolucion!

A Monarquia Fraterna

A tese zeca-afonsina de que a Terra da Fraternidade seria ali para os lados de Grândola, acaba de receber um sério revés, com a discreta renúncia de Fidel Castro ao prestigioso cargo de Guia da Revolução Cubana.
Como é do conhecimento geral, Cuba é basicamente uma Terra de Açúcar, onde um patriarca de longas barbas, retórica farta e problemas na tripa, garante por decreto a felicidade, a elegância e a harmonia do rebanho, vai para meio século, mais coisa menos coisa.
Sim, é verdade que tem havido uns insatisfeitos que não resistem a trincar o fruto da árvore do conhecimento e querem saber mais do que devem, mas não passam de meia dúzia de contra-revolucionários com vontade de armar sarilho, a soldo do Bush e do "bloqueio".
Nada que não se resolva com uns fuzilamentos a tempo, no fundo, prova de imenso amor paternal, para com os seus filhos mais reguilas.

Ora Cuba acaba de arrebatar a Grândola o prestigioso título de "Terra da Fraternidade", porque até o poder político é de tal modo fraterno que se transmite entre irmãos.

No capítulo da fraternidade, Grândola leva aqui uma abada do caraças e nem que o Zeca Afonso se ponha a cantar em altos berros o "Grandola Vila Morena", lá do além, consegue alterar este facto da maior importância mundial.
Como diz o Jesualdo Ferreira, o prestígio e a história não ganham jogos e a verdade é que Grandola, para além da fama e da cantilena do Zeca, não tem nada que possa apresentar para manter a candidatura ao título.
Por exemplo, em Grândola até o Presidente da Câmara, que é um cargozeco de nada comparado ao de "Guia da Revolução" , é escolhido pelos votos da ralé e não fraternalmente transmitido ao irmão mais novo, como em Cuba.
Com este tipo de tácticas ultrapassadas, Grândola não tem quaisquer hipóteses.

Mas há pior. Em Grândola, as pessoas que não estão de acordo, no máximo dos máximos ouvem umas bocas e são derrotadas na Assembleia Municipal, o que é uma mariquice e não dá tusa.
Na Terra da Fraternidade, é tudo melhor. O irmão mais velho, por exemplo, de vez em quando, nos intervalos dos discursos e dos namoricos com o camarada Hugo, mandava despejar ferro em cima destes demónios, acrescentando mais uns risquinhos na bengala.

E depois, e esta é que arrasa completamente as aspirações de Grândola, Cuba apresenta como argumento de choque a "iniciativa jinetera”, um inovador conceito que recupera em novos moldes a mais velha profissão do mundo.
É sempre de louvar esta saudável ligação às raízes mais profundas e autênticas da natureza humana, e contra isto Grândola apresenta apenas umas alentejanas de bigode, que não tomam banho há 10 anos, de chapéu na cabeça e carrapatos atrás das orelhas.
Enfim, é mais um título de prestígio que Portugal perde, deslocalizado por força da globalização neoliberal.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

EL KOSOVO ME LA TRAE FLOJA...



Vamos lá ver se a gente se entende. Eu nem sou por, nem sou contra a independência do Kosovo. Como dizem os espanhóis, não neste caso especifico, mas em geral: eso me la trae floja. Tanto os kosovares, como os sérvios, palestinos, bascos e kikuius quero que eles todos tenham muitos meninos… pela cloaca.

A única coisa que digo, é que a independência é INEVITÁVEL e lógica, porque, assim como na África do Sul, no Zimbabwe, em Angola, no Curdistão, na Croácia (ou mais aquilo que quiserem juntar), há neste caso preciso uma grande desproporção demográfica entre os que mandam e os que são mandados. É claro que uma desproporção demográfica não chega. Isto é muito importante. São necessários mais ingredientes.

Já que se fala em Bascos, porque não! Vamos a essa. Para perceber isto de uma vez para sempre, basta ver a diferença que existe entre os bascos franceses e os bascos espanhóis. As diferenças que me refiro não são morfológicas, são históricas. Os ingredientes, ou a falta deles, de um lado e do outro dos Pirenéus, determinam completamente o comportamento do mesmo povo em relação ao Estado. Ao contrário dos espanhóis, os bascos franceses não estão ligados ao Carlismo, não sofreram a Guerra-Civil de Espanha, não estiveram sob a pata do Generalíssimo Francisco Franco Bahamonde por la gracia de dios – y la madre que lo parió…

Esta é a razão fundamental porque os bascos franceses, tenho mesmo UMA BASCA na família, não falam nem uma palavrinha de Euskadi. A minha cunhada, nem sequer sabe o que significa Euskadi Ta Askatasuna. Para ela isso faz parte do folclore dos toscos do outro lado do monte. Ela, como todos os franceses, canta Allons enfants de la patrieeeee le jour de gloireeeee est arrivé… como manda a lei e assim é que deve ser. Vive la République (laïque biensur).

Há realmente uma coisa que os une, provavelmente a única, mas é a mais bonita: la pelota basca ou alors, le jeu de la palá! Quem algum dia viu em Bidassoa ou em St. Jean Pied de Porcs um jogo de pelota pode morrer em paz, porque vai perceber isto sem grandes explicações, mas não vai mais suportar o triste jogo da malha…

Voltando à merda do Kosovo - que pena, já me estava a ver na maior, a ver uma partida de pelota com os Pirenéus no horizonte, e logo a seguir ir comer um bom jambon de Bayonne e beber um Côtes du Frontonnais - além da tal desproporção demográfica, os kosovares têm o mementum político-estratégico americano a favor deles. E isto só acontece uma vez no século! Mas há mais ingredientes, há a diferença étnico-religiosa e, é preciso não esquecer, o mau tratamento infligido pelos sérvios, com a apoteose nos anos 90, quando Slobodan Milosevic estava mesmo disposto a acabar com a raça…

Não fosse a intervenção americana – ilegal ou não, estou-me nas tintas – e teríamos desta vez ‘die endlösung für der kosovafrage’. A seguir diriam voceses a célebre frase com ar embaraçado, como os militares holandeses em Srebrenica, ou como os alemães depois da guerra: Wir haben es nicht gewusst. (nós não sabíamos de nada, não estava-mos a par dessas coisas!).

Como se vê, o raciocínio aplica-se a qualquer situação. Mas é indispensável pensar em termos estratégicos (políticos), mas sobretudo não conspurcar demasiado o raciocínio com preconceitos de ordem moral, como o fez Paulo Pinto no 5Dias. Para depois me atirar com a pergunta retórica 'Viu quem está contra? os romenos, os gregos, os espanhóis.'

Isto é um golo de baliza aberta!
Sim sim vi, e você acha esta gente uma referência? Não acha que a opinião desta gente é, pelo menos, suspeita?

Os romenos tem um problema idêntico na Transilvânia. Os gregos, além de parvos, são ortodoxos e beatos como os sérvios, e além disso uns cabrões que nos ganharam o Campeonato Europeu sem saber dar um chuto numa bola. E os espanhóis, coitados, não souberam gerir um país tão grande e só começaram a tratar decentemente as suas minorias há 25 anos – agora sofrem as consequências. Mas não merecem. Talvez seja melhor para Espanha, não para os Bascos, dar-lhes a independência e mandá-los à mãe deles…

A propósito da Suécia

O Luis Oliveira, o nosso especialista em economia, já aqui deu conta do estado real do mito da social-democracia sueca.
Mas o que se passou na Suécia, passou-se de forma igualmente instrutiva noutros países.
No Reino Unido, por exemplo.

Em 1974, o Labour formou governo com Harold Wilson e foi lançado um programa económico com todas as armas do arsenal keynesiano, na tentativa de quadrar o círculo: lutar contra a inflação e o déficite exerno, sustentando simultaneamente o emprego e a actividade económica. O orçamento apontava para um aumento dos investimentos publicos, nacionalizações de indústrias "estratégicas", aumento do apoio social ao emprego, etc .

Dois anos depois, enquanto em Portugal se trombeteava o socialismo, a inflação galopava nos 20 %, a despesa social disparava e as empresas públicas apresentavam déficites impressionantes.
Harold Wilson fez o mesmo que Guterres em iguais circunstâncias de comprovada incapacidade: fez conta que ia mijar, demitiu-se e passou o pântano ao seu camarada Callagan.
O efeito foi nenhum: instalou-se a estagflação, o poder de compra dos trabalhadores baixou, e começaram as greves selvagens que conduziram a uma explosão nos salários.

Não há jantares de borla e a conta veio a seguir: aumento de 50% na taxa de desemprego, inflação a 25 %, déficite externo brutal, desvalorização da libra em mais de 20%. O investimento caíu na vertical e, caso nunca visto, a orgulhosa Grâ-Bretanha foi obrigada a recorrer ao FMI para evitar a bancarrota.

Estava aberto o caminho a Margaret Tatcher que afastou definitivamente as políticas keynesianas, rachou as cabeças aos sindicatos e introduziu o monetarismo.
O Reino Unido é hoje uma economia muito mais saudável e competitiva , onde Keynes morreu e o monetarismo se manteve, mesmo após o regresso do Labour ao poder.
Até há dias.

Os socialistas não aprendem e há sempre um Companheiro Vasco a ronronar por ali. O governo inglês vai renacionalizar um banco (Northern Rocks) privado para evitar a sua falência.
Ou seja, o contribuinte inglês, quer queira quer não, terá de pagar dos seus bolsos os prejuízos de uma empresa privada.
A alternativa?
Deixar o mercado actuar...é justamente por isso que há falências.
Viva o socialismo!

O bólide



Parece que este bólide custa 1700€.

Alguém sabe quanto custa um dos trambolhos, de produção nacional, conhecidos por papa-reformas?

Dando de barato que o Tata é muito mais barato que o para-reformas, que argumentos surgirão para proibir a sua importação:

1 - Para proteger a industria(?) nacional.
2 - Para proteger a indústria europeia.
3 - Porque é construído com mão-de-obra barata.
4 - Porque tem pouca tecnologia amiga do ambiente.
5 - Porque há multinacionais metidas ao barulho.

Caso a lista acima seja aceitável, quais serão admitidas como tendo peso decisório e quais serão recusadas?

Na hipótese da sua importação poder permitir que o provável cliente de papa-reformas venha a poupar dinheiro que poderá então gastar, por exemplo, em saúde, poderá encarar-se a coisa como "economicismo" favorável ao lobi das farmaceuticas?

Nota: a contemplação do meu extracto bancário é, para mim, uma operação transcendente.

.

Obama + Che


Algures numa sede de campanha do Democrata Barack Obama, na maior cidade do Texas, Houston. Para quem tinha dúvidas sobre as ideias do tipo que enche o olho a muita da esquerda anti-Americana mundial, pode agora ter certezas...

Afinal toda aquela verborreia com que nós levamos em todos os discursos do Barack Obama, aquelas coisas do "Hope", do "Change", etc, até podem ter razão de ser... Aquele discurso do "vamos mudar isto", "o mundo vai ser melhor", "a América vai ser boazinha", entre outros, podem, afinal, estar bem vincadas em Obama.

Ai que o Che a esta hora deve estar a rebolar no caixão... E o Fidel na cadeira de rodas.

A nossa esquerda estúpida deve estar neste preciso momento a ter um orgasmo de foro mental: as coisas estão muito renhidas do lado do Partido Democrata, embora eu pense que, com maior ou menor facilidade, Hillary ganha as eleições primárias. E não há Robert De Niros e Oprahs que salvem o pobre do populista...

Mas eu já não digo nada...

Em Novembro, creio, teremos John McCain.

Menage-à-trois in Dubai

O Ricardo Brilhante grafa, posts abaixo, sobre o fosso distópico que se abre, a cada murmúrio de atentado, entre mundo desenvolvimento e esses oásis de progresso e direitos humanos que é Marrocos e arredores. O post traduz o espírito do tempo, os bárbaros, às portas do império, já não salivam por um Mercedes, um ecrã plasma, uma casa a prestações, e uma confortável vida de classe media, pura pornografia aos seus olhos, mas com o abate industrial de inocentes e o apocalipse. Tese arriscada mas quem abre as noticias não são as vidas honradas, mas os subúrbios em chamas e os dementes que prometem cadáveres a cada esquina. Mas a tese é legitima e atira-nos para a questão: “o que fazer?”. Vamos até Dubai, o prostíbulo árabe, um pedaço de ocidente na selva, um oásis no deserto, a nova e a velha amsterdao no oriente, cidade de milionários – cada cidadão é um milionário, cidade de imigrantes – noventa por cento da população, paquistaneses, indianos, japoneses, suecos, canadianos, filipinos, iranianos, uma salada de broculos, um dos poucos hotéis de sete estrelas do globo está ali, incólume, um bordel em que a canalização do estabelecimento – e dos seus hospedes – é desimpedida muito antes do sol se pôr, são os preservativos que arruínam a qualidade do serviço. Dubai é a solução, não é o Iraque, viveiro de terroristas, ali não há terrorismo, perguntam-se muitos como numa cidade com arranha-céus – uma Nova York nos trópicos – não lhes entra um avião de passageiros pela suite adentro? Réplica, a providencial hipocrisia árabe, a família bin laden tem ali o seu dinheiro investido. Não mijam contra o vento. A resposta vem sempre antes do encolher de ombros, a melhor forma de domesticar o Islão passa pela ocidentalização daquele mundo. A dessacralização do Islão. A exportação tangível daquilo que converte a vida ocidental num antro de vícios e virtudes. A exportação do cinema, da coca-cola, da televisão, do ócio, e do menage-à-trois.


PS Dubai é a meca do turista arabe nao religioso, um turista que faz ali o que nao faz em casa, prova o ocidente

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O BUSH ENGATOU UMA KOSOVARA MUITA BOA…



No 5Dias.net, Paulo Pinto, numa Síndrome de Jedi não resiste à infame imagem de ver “Muçulmanos a correr de bandeira americana em riste”, realment! (isto deve ser pronunciado à francesa). Vou enfiar isto como comentário no 5Dias, mas primeiro publico no FIEL INIMIGO – para ver se arranjo uns fieis amigos…

C'um carvalho, isto é de bradar aos céus!
Meu amigo, quer se goste ou não, a independência do Kosovo é tão INEVITÁVEL como o fim do Apartheid. Como o fim da guerra colonial em Angola. Como a devolução de Goa, Damão e Diu à Índia… e Macau aos chineses, ou não será assim?

É assim tão difícil de compreender que 90% das gentes que habitam o Kosovo são de origem albanesa, não são cristãos ortodoxos, e ainda por cima foram sempre muito mal tratadinhos pelos sérvios? Que culpa temos nós que os sérvios não soubessem colonizar o seu BERÇO? Que não perdessem a batalha de Polje em 1389, ora que merda….

Os sérvios, assim como os portugueses - que se recusaram na altura dar a atenção devida ao livro do Gen. Spínola, Portugal e o Futuro -, burros como um cepo, deixaram ir a coisa tão longe, tão longe, que uma solução ‘neo-colonial’ deixou de ser viável. No que nos diz respeito, houve na Índia a vergonhosa prisão das tropas portuguesas em campos de concentração durante 6 meses, em Angola, a bagunça que sabemos: a tragédia dos retornados e a destruição completa das poucas infra-estruturas que os portugueses deixaram numa sanguinária guerra civil.

E as relações (preferenciais) comerciais com o actual governo de Angola, por exemplo, vai no Batalha… Olhe, senhor Paulo Pinto, agradeça aos seus maîtres à penser Oliveira Salazar e Marcelo Caetano…


“Muçulmanos a correr de bandeira americana em riste não é, reconheça-se, imagem habitual. E, no fim de contas, cá estarão os Jedi para zelar pela paz e pela justiça no Cosmos.”

Voilá, descobriu-se a careca ao Sr. Pinto! Eu vi logo que isto cheirava a enxofre. Claro que os americanos, geneticamente maus como às cobras, são presos por ter cão e presos por não ter!!! Logo a seguir o Sr. Paulo Pinto lança a pergunta retórica com ar inteligente: "Ninguém parece perceber que o envolvimento americano na questão serve primordialmente de manobra estratégica para fazer mossa à Rússia e para criar um enclave de apoio americano na Europa Central."

Não, eu não percebi! Mais alguém percebeu?
Haverá outras razões, que não sejam estratégicas na política externa dos países?
Será que o Bush engatou para aqueles lados alguma kosovara muito boa, e quer lá passar férias sem ser incomodado pelos Cetniks, por ter bombardeado, mais uma vez ilegalmente, Belgrado?

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Protesto em Beijing

Mas porque é que este pessoal não vai fazer barulho para perto dos Chineses? Que tal um protesto com direito a cannabis e marijuana em Beijing?

Olhem que ainda podem ser acusados de discriminação...

Kosovo - Uma Aberração Euro-Americana

Hoje, o desencontro, a falta de sintonia, de concertação e de entendimento entre os EUA e a Europa criaram uma aberração: um Kosovo independente.

A NATO não serviu para nada, a UE idem.


(revisto 08 02 19)

O Kosovo é o segundo Estado inconsistente criado nos Balkans pós Jugoslávia. O primeiro foi a Bósnia, país tríplice e colado a cuspo em que a autoridade do Governo central sobre todo o território está dependente da presença das tropas da ONU. Agora o Kosovo que na prática passou a ser uma pequena Sérvia às avessas com a inversão da proporção étnica que o compõe.

A integração do Kosovo na Albânia e não na Sérvia/Jugoslávia não é uma surpresa. Desde a expulsão dos otomanos da região que o assunto é equacionado nos frequentes arranjos de fronteiras nos Balkans. Foi até uma das intenções do Partido Comunista Jugoslavo antes da IIGM.

O que é surpreendente é que no início deste século se crie instantaneamente na Europa um novo Estado sem medir o alcance e as consequências do facto. O Kosovo vai ter a sua independência reconhecida pelos EUA e, com o tempo, por todos os países eurupeus. O caricato é que numa altura em que são mais do que nunca visíveis as consequências da islamização da Europa, está a ser dada indepêndencia ao território mais islamizado do continente.

Continua a imaginar-se que a besta não morde porque se lhe faz festas.

Nada foi preparado, previsto, pensado, condicionado pela NATO:
-Haveria que ter acertado a integração do Kosovo na Albânia país em que o islamismo, por razões históricas, tem uma importância menor por comparação com o que se passa no Kosovo;
-Poderiam ter ocorrido negociações com a Sérvia para acertar a divisão possível do Kosovo. Caso falhassem, como provavelmente falhariam, deveria a NATO ter preservando os territórios da minoria sérvia da separação. Mas nada. Os países da NATO, e sobretudo os EUA, fizeram de conta que Milosevic ainda governa em Belgrado e não se quis ouvir nem falar com ninguém.

Os EUA perderam a oportunidade de simultaneamene corresponder à vontade maioritária da população do Kosovo e ainda assim obter algum reconhecimento dos sérvios por pelo menos terem defendido os interesses da população sérvia do Kosovo. A Sérvia, que já se abraçava à semi-ditadura russa, agora é definitivamente empurrada para o colo de Putin.

Uma vez mais, os arranjos nos Balkans são artificiais e deixam feridas em aberto. Não se aprendeu nada com o passado.

Quando nos gelam as veias

A esquerda é caracterizada por uma espécie de mentalidade capitalista feudal, particularmente notada no meio sindical.

Quando a fábrica da Opel, Azambuja, ameaçou fechar, os sindicatos apresaram-se a declarar greve.

Greve. Pois claro. “Greve, em defesa dos postos de trabalho”.

Héhéhé. Atão, tá-se mêm'a ver!

E as indemnizações? E quantos deles perceberam de imediato que seria o momento supremo para afundar o barco de vez e reclamar a indemnização? E, ter-se-á dado o caso de terem sido justamente os mais velhos, com mais anos de casa e mais entrincheiradamente sindicais, a irem por aí?

E os mais novos, que seria deles? E que importava os mais novos aos mais velhos desde que o graveto pingasse para o lado deles?

E a solidariedade? “Parece que temos sarna” gritavam os que ali, como pelas ‘siderurgias’ por esse país fora, iriam, de facto, para o desemprego com meia dúzia de notas no bolso. “Nem conseguimos falar com eles. Fogem de nós”. E que teriam os mais velhos a ver com isso? Direitos conquistados são direitos garantidos e direitos garantidos é graveto no bolso.

M'ai nada!

"A cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
Tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
e eu não sabia...

Há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
e há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
p’ra não perder o lugar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

O faduncho choradinho
de tavernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções"

.

Radicais

A imprensa dinamarquesa, em resposta ao planeado assassínio de um dos autores dos famosos cartoons sobre Maomé, decidiu republicá-los.
O Secretário-Geral da Organização da Conferência Islâmica, ameaçou imediatamente que tal gesto levaria a confrontações entre muçulmanos e cristãos e que os dois lados ficariam reféns dos seus radicais.
Ora acontece que os “radicais “ de um dos lados pintam cartoons, e os do outro agridem, queimam e matam. Parecendo que não, há uma diferençazinha de nada.
O senhor Sr Ihsanoglu (um turco), na sua notável benevolência, deu-se ao trabalho de verter ensinamentos sobre o modo como nós devemos usar as nossas liberdades explicando que a liberdade de expressão não deve ser usada para insultar os valores e símbolos sagrados dos outros, porque isso incita ao ódio.
Talvez eu não seja tão sagaz como o Sr Ihsanoglu , mas parece-me que quem está aqui a incitar ao ódio é justamente o Sr Ihsanoglu ao sugerir que a violência muçulmana é uma resposta natural aos rabiscos de alguém.

A ver se nos entendemos:
Insultar os valores e símbolos dos outros, é feio e desagradável mas, e daí?
Se isso fosse crime susceptível de punição física, então os valores de uma cultura específica teriam de ser vistos como universais, o que implicaria que aqueles que os não aceitam teriam de agir como se os aceitassem.
O que, neste caso, equivaleria a forçar o Ocidente a aceitar a sacralização do islamismo, impedido a livre expressão de qualquer pensamento fora da ortodoxia islâmica.
Implicação que conduz directamente à aceitação da prioridade e superioridade dos valores islâmicos sobre tudo o resto.
Ora isso é inaceitável.

Assim, embora o Sr Ihsanoglu e aqueles que ele diz representar se possam legitimamente sentir ofendidos, o direito dos cartoonistas desenharem o que bem entenderem prevalece sobre as suas susceptibilidades.
E esse direito deve ser reafirmando e exercitado como principio, justamente em casos como este, face à intolerável intimidação que é feita às claras pelo Islão e seus representantes.
Na nossa cultura as pessoas têm diferentes pontos de vista sobre muitos assuntos e têm o direito de os expressar, mesmo que sejam pontos de vista idiotas como acontece frequentemente com o que dizem e escrevem o Daniel Oliveira, a Srª Ana Gomes, ou o Dr. Miguel Portas.
E sabem que o contraponto desse direito é a disposição para ouvir também aquilo de que não gostam.
Qual a alternativa?
Forçar a vontade das pessoas, obrigando-as a submeter a sua liberdade ao sistema de valores de alguns, afinal de contas o objectivo do Islão que significa literalmente “Submissão”.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Semper idem

«Falou-se muito de excrementos e de bacios e um dos arguidos foi desafiado pelo juiz o precisar quantos centímetros teria o penico cheio de bosta no qual uma caloira da Escola Superior Agrária de Santarém colocou a cabeça no dia 8 de Outubro de 2002. "Dez... 15..." Dos sete jovens que ontem começaram a ser julgados por terem praxado uma colega há mais de cinco anos apenas um, José Vaz, decidiu não responder às perguntas relacionadas com o que se passou naquela tarde de Outubro numa quinta do estabelecimento de ensino superior onde todos estudavam na altura.» (Público, 15/2)

Ainda não sei como se espantam com isto. Meninos e meninas – com os quais cruzo nos corredores, nas aulas, na biblioteca, na cama – que frequentam o ensino superior formam-se em medicina, direito, psicologia, física, etc, e simultaneamente em barbaridade e alcoolismo. Não sabem ler nem escrever mas ao menos estão qualificados em tácticas de terror e capacitados para esvaziar o Jack Daniels de um fôlego. Se estes meninos e meninas são o futuro, o país está tramado, não teremos de pedir meças à Grécia ou à Estónia mas ao Congo ou ao Laus. Ainda me recordo o suplicio de explicar a colega – que sim senhora, belas mamas e melhores mamadas (imagino) – o que é um “leigo”, lia-se naquele rosto a educação que Abril nos legou para mal deste país e para infortúnio da mamada erudita. Isto não é um país, é uma tragédia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Esquerda tonta - versão 3891


A complexidade da actividade terrorista Mundial vigente actualmente, está a influenciar, de uma forma muito forte, as relações internacionais entre os países ditos desenvolvidos (ocidentais) e os países ditos em desenvolvimento. Isto é inequívoco e inegável. Tanto mais não seja pelo facto de serem os países ocidentais os principais alvos dos ataques e os países em desenvolvimento serem, maioritariamente, o local de preparação e encadeação dos mesmos.

No entanto, a questão é muito mais profunda. A culpa? Está mais de um lado do que do outro, é certo. A falta de diálogo, a própria inflexibilidade encontrada no seio dos países em desenvolvimento, apegados lunaticamente aos seus nitidos atrasos civilizacionais, são dois dos motivos que têm inviabilizado o encontro de soluções sensatas para os problemas que surgem adjacentes à deterioração destas relações. Os ocidentais são acusados de tudo e mais alguma coisa pelos países em desenvolvimento, e até pelos seus próprios cidadãos, que apesar de não estarem num país em desenvolvimento, também demonstram nitidos atrasos civilizacionais. É a tal esquerda estúpida.

Acusam-nos, os dois em sintonia, de estarmos inadequadamente preocupados. Acusam-nos, muitas vezes, de não respeitarmos os direitos humanos. Criticam, sem parar, os sistemas de segurança adoptados pelas democracias ocidentais, que visam aumentar o grau de segurança da população. Gritam contra as medidas tomadas nos aeroportos, nos comboios, nas fronteiras...

O maior dever que o estado tem para com os seus cidadãos é promover a segurança dos mesmos. É, aliás, uma das bases do aparelho do estado de direito: o homem cede um pouco da sua liberdade e o estado dá-lhe relativa protecção e segurança. Devemos nós abdicar do nosso sistema, para apenas satisfazer um certo número de pessoas que pensam que o planeta é o jardim da celeste? Não, não e não.

O terrorismo deve ser combatido de uma forma árdua e feroz. Tal é impossível com falinhas mansas, politicamente correctos e outras estupidezes que a esquerda estúpida tem facilidade em engendrar. Muitas das suas ideias vêm dos tais países em desenvolvimento que, por se encontrarem muitas vezes alheios aos problemas ocidentais, estão despreocupados, calmos e serenos. Isto apesar de muitos deles já terem provado do veneno intitulado fundamentalismo Islâmico.

Não concordo com o uso de tortura na maioria das ocasiões em que ela é utilizada. Mas, neste complexo caso, concordo por completo. Não posso compactuar com a incapacidade crescente das pessoas em lidar com a islamofobia, embora este seja um fenómeno perfeitamente compreensível. Esta última impossibilita, muitas vezes, as pessoas de se sentirem seguras nas suas próprias casas. Algo tem que ser feito para termos confiança em nós próprios.

Não sou cego como a esquerda estúpida, que só sabe fazer barulho e usar a política do contra: discorda das medidas que são feitas, estando muito presa à sua ideologia. Eu sei ver, e felizmente muitas outras pessoas tambem sabem ver, que o mundo mudou e que é preciso serem tomadas medidas rígidas e controladoras. Só não vê quem não quer.

A Organização das Nações Unidas observa impávida e serena. Fazem e votam regulamentações, estas cheias das tais politiquices para enganar todos aqueles que têm medo do fundamentalismo Islâmico.

Eu tenho medo.

Mas confio nos nossos amigos.

O PARAÍSO MUÇULMANO JÁ FOI CHÃO QUE DEU UVAS…


Paulo Porto: “A noticia boa para Mughniyeh é que não são 70 virgens, são 72. A notícia má é que é para toda a eternidade...”

É realmente para toda a eternidade, mas para mal dos pecados dos nossos irmãos muçulmanos parece que a história das virgens é falsa, e é devida a um erro de tradução do aramaico para o árabe!!!
O aramaico é, como sabemos, a língua de Cristo mas também a língua em que Mateus
escreveu o Evangelho Segundo Ele Próprio, e que mais tarde viria a ser traduzido para o Grego.

Segundo o eminente islamólogo alemão Cristoph Luxenberg (um pseudónimo), que participou na compilação Die Dunklen Anfänge (o início obscuro) um ano antes dos terroristas se espetarem contra as Twin Towers, há no alcorão vestígios de outra língua sem ser o árabe: o aramaico, que é muito próxima. O que faz com que os sábios muçulmanos e os tradutores ocidentais percebam uma quinta parte do corão de forma errada, porque partem de uma falsa premissa: o árabe clássico, sem reconhecer as influências do aramaico.

Diz ele que muitas passagens confusas do corão podem ser esclarecidas através do aramaico, que antes mesmo da própria existência do árabe era a língua cultural do Médio Oriente. O árabe era na altura apenas um conjunto de dialectos falados. É evidente que esta tese de Luxenberg é, para os muçulmanos ortodoxos, muito difícil de engolir, para eles o dogma é: o corão é a palavra ditada por Deus e foi escrito em árabe clássico perfeito.

Mas isto não foi sempre assim, já se pensou de outra maneira. O egípcio As Suyuti, por exemplo, encontrou no século 16 no corão palavras de 25 línguas diferentes, e via nisso precisamente a prova da universalidade da mensagem divina. Mas esta opinião parece ter já muitos poucos adeptos.

O complexo livro de Luxenberg Die Syro-Aramäische Lesart Des Koran não visa o grande público, mas tem um pequeno detalhe que vai interessar muita gente. Através de análise linguística ele demonstra que as 72 virgens (árabes) no paraíso, que segundo a explicação tradicional o alcorão promete aos seus crentes, na realidade se trata apenas de uvas (aramaicas)…

Texto publicado em 2006 no períodico de Amesterdão TROUW por Eildert Mulder e Thomas Milo.

Limpeza religiosa.

Hoje, mais uma instituição cristã foi destruída em Gaza por um comando terrorista muçulmano.
Queimados centenas de livros.
Há meio século os cristãos eram 15% da população , nos territórios da partilha . São agora 1,5 %.
Fugiram...e não foi dos judeus.
Em Belém, lugar emblemático do cristianismo, os cristão eram maioritários quando a cidade foi entregue aos palestinianos, na sequência dos acordos de Oslo.
Hoje são menos de 20%.

Felizmente nada disto suscita a indignação da esquerda tonta, ocupada em procurar as chaves, não onde as perdeu, mas onde há luz.

Daniel Oliveira foi a Gaza, e viu tudo o que lhe mostraram.
Veio de lá entusiasmado e cheio de caganças revolucionárias e indignações anti-sionistas.
Miguel Portas foi babar-se a Beirute e abanar o rabiosque perante o ar divertido de Nasralah.
Viram tudo o que a sua miopia ideológica permitiu.