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terça-feira, 14 de julho de 2009

A Engenharia Social e o Povo

Entra um contribuinte pela secção de finanças com demasiada gente à espera. Aparenta a boa saúde própria dos vinte e poucos anos e traz ao colo um miúdo de 3 ou 4. O miúdo não pára de se mexer, de protestar, pede para ir para o chão.

Logo que um lugar de atendimento fica livre, o recém-chegado contribuinte com o miúdo ao colo avisa alto e bom som que tem uma criança ao colo, que conhece os seus direitos, pelo que deve ser atendido de imediato. O funcionário e todos os que esperam nada dizem e o homem é atendido.

Ainda antes de chegar ao balcão, já o contribuinte privilegiado pela engenharia social das filas de espera em lugares públicos colocou o miúdo que trazia ao colo no chão. O miúdo, naturalmente feliz por se ver livre do colo incómodo, começou de imediato a primeira de muitas corridas em alta velocidade à volta da sala a fingir que era uma mota, a avaliar pelos sons que fazia e por um ou outro pedido do pai (?) para andar mais devagar.

Um outro contribuinte, este aparentando a saúde própria dos trinta anos, depois de pensar alguns segundos, saca do telemóvel e telefona à mulher (?): “Olha lá, tás aí no carro ou foste ao café?.... Então chega-me aqui à porta e traz-me o puto contigo”. Sai e volta minutos depois, agora com um miúdo ao colo. Fica vago mais um lugar de atendimento, e também este contribuinte avisa, mas em tom pouco confiante, que “se aquele senhor” pode fazer “aquilo... eu também posso.. não é?” Deve ser, porque uma vez mais ninguém diz nada. Só não pôs o filho (?) no chão proque deve ter achado que a ‘mota’ que ainda andava ali às voltas era um bocado perigosa.

Todos sabem que acabaram de ser outra vez vítimas de mais uma engenharia social, desta aplicada às filas de espera em lugares públicos. Mas todos estão devidamente treinados na aceitação e adestrados pela prática. Mais, todos sabem que, neste Estado Social, aquilo a que assitiram é "do mal o menos"; existem engenharias piores.



P.S., 09,07,16

Ao ver a discussão que o post gerou, sem que existam antagonismos de fundo nos comentários e respostas, parece boa ideia reajustar, recentrar o assunto.

A questão talvez seja apenas esta: o Estado não deve interferir, não deve impor - pelo menos não deve impor deste modo - aquilo que deve ser apenas a livre expressão do bom senso e educação de cada indivíduo. E é assim porque, ao interferir por via legislativa tão cerrada, o Estado transforma os bons resultados do bom trato e da urbanidade em oportunismo e desaforo. Afinal, a regra geral: onde há excesso de Estado prolifera o oportunismo e os piores abusam dos outros.

46 comentários:

o holandês voador disse...

PP:
Este é um mau exemplo. As prioridades nas filas para grávidas, crianças ao colo, pessoas com deficiências, etc...é um direito e um avanço civilizacional. Que haja "chicos-espertos" não tem nada a ver com a engenharia social ou com o povo.

José Gonsalo disse...

Tem toda a razão, caro holandês. O único senão é quando esses princípios, como diz o Paulo Porto, são postos em prática por um povo "educado" no "salve-se quem puder", no "chico-espertismo". Para não falar da inércia, por estar sempre à espera da esmola garantida do Estado.
Mas se me perguntar como é que, neste contexto, se pode legislar sem que caiamos nestas aberrações, também lhe digo que não sei.

Paulo Porto disse...

Caro HV

Os privilégios sociais bem-pensantes mas mal pensados costumam resultar em abusos pelos mais aptos e dispostos a atropelar, de tal modo que os principais beneficiários são mais os chicos-espertos que os outros.

Depois há esta coisa que me custa a perceber: porque é que um velho,ou uma grávida, ou um deficiente há de passar à frente de outros? Estão doentes? Em perigo de vida?

Bem diferente e, isso sim, importante, é fazer aceder cadeiras de rodas a tudo quando é sítio, desde logo a lugares públicos. Depois disso, é só esperar, como qualquer outro, porque urgências só devem ser avaliadas em triagens de Hospital.

As filas de espera são um caso menor de engenharia social, como deixei no post. Grave, por exemplo, é a atribuição do rendimento mínimo. Há toda uma arte (e manha) ligada à sua obtenção. Desde levar os sobrinhos e primos mais novos e dizer que são todos filhos, ou dizer que se não lhe atribuem o subsídio saem dali e vão já assaltar o primeiro que encontrem para poder pagar a toxicodependência, ou simplesmente conhecer o assistente social e mantê-lo intimidado caso não seja renovada a atribuição do subsídio. Isto acontece.

Entretanto, gente que passa verdadeiramente dificuldade e não tem conhecimento destas artes e manhas está excluída dos benefícios do "mecanismo". O que não faltam são exemplos. Dito de outro modo, o Estado Social não protege quem mais precisa, antes favorece os que têm mais aptidão para tirar partido e abusar dos mecanismos de engenharia social.

RioDoiro disse...

HV

"Que haja "chicos-espertos" não tem nada a ver com a engenharia social ou com o povo."

Pois. O que resulta da aplicação de ideias luminoisas nunca interessa.

As ideias são boas, o povo é que não presta. Estaline tinha remédio para esse problema.

RioDoiro disse...

Os bancos deveriam trabalhar em self-service. Punham as notas em cima do balcão e as pessoas tiravam apenas do que lhes pertencia.

O problema são os chicos espertos. A engenharia social bancária que defendo não está errada.

RioDoiro disse...

HV:

"Este é um mau exemplo. "

Claro que é. Os exemplos esquerdalhos que dão raia são maus. O problema é que não há bons.

A esquerdalha é uma incompreendida.

RioDoiro disse...

É o caso, por exemplo, dos arrumadores. Não percebem os altos desígnios dos parquímetros, nomeadamente de obrigarem os capitalistas espalhadores de CO2 a respeitarem as arvorezinhas-as-coitadinhas e avariam os parquímetros para sobejarem mais uns trocos para o seu bolso.

Enfim, bushistas ao serviço do capitalismo depredador.

Mas a ideia é excelente.

Anónimo disse...

Mas que treta esse problema das esperas, sentados, de pé, etc. resolve-se com senhas. Bem também se podem negociar as senhas.

José Gonsalo disse...

Paulo Porto:
"Depois há esta coisa que me custa a perceber: porque é que um velho,ou uma grávida, ou um deficiente há de passar à frente de outros? Estão doentes? Em perigo de vida?"
Depende. Mas, no caso de um deficiente em cadeira de rodas, tente imaginar o significa e em que estado se encontrariam a sua coluna e as suas costas, ao fim de, por exemplo, quatro horas seguidas sem se poder levantar ou sequer deitar para aliviar a pressão e, assim, evitar o excessivo desgaste que isto representa para um organismo, já de si mais fragilizado. Isto, no caso de a coluna estar em boas condições. Se ela, além disso, estiver afectada desde criança, se sofrer de uma escoliose que lhe tenha diminuído e alterado a configuração da caixa torácica, ao ponto de a capacidade respiratória estar restringida a 50% do normal, como se sentirá ao fim de passar três a quatro horas num supermercado, a escolher, como qualquer outro cidadão, aquilo que lhe parece melhor levar para casa? E se tiver que o fazer depois de já ter passado pelo cumprimento do seu horário de trabalho? Mas, sem precisar de tudo isto: imagine-se apenas na situação de ter que estar 14 a 16 horas diárias permanentemente sentado, sem se poder levantar, para fazer tudo aquilo de que necessita para poder sobreviver e o estado em que se sentiria. E se, ainda por cima, a idade já lhe trouxer menos resistência e mais complicações (problemas de próstata, por exemplo, que surgem mais cedo a quem passa muito tempo sentado...)
Estamos de acordo, no entanto, quanto ao aproveitamento que os chico-espertos fazem dessas regras, que, aliás são mais de carácter civilizacional do que qualquer outra coisa. O problema reside no modo e nos termos como isso tudo é legislado. Sobre os quais, aliás, como já disse, eu próprio hesito.

RioDoiro disse...

JG:

"Estamos de acordo, no entanto, quanto ao aproveitamento que os chico-espertos fazem dessas regras, que, aliás são mais de carácter civilizacional do que qualquer outra coisa. O problema reside no modo e nos termos como isso tudo é legislado. Sobre os quais, aliás, como já disse, eu próprio hesito. "

Parece-me que há aqui um outro problema. A dificuldade que as pessoas têm em mandar os chicos espertos para o caralho.

Se alguém mandasse o caramelo bugiar era muito capaz de acabar condenado em tribunal.

Um dia destes um outro chico esperto em pinturas alternativas, entretinha-se a pintar as paredes internas de uma carruagem de metro. 4 ou 5 mânfios protestaram mas o gajo continuou. No tempo da outra senhora o bezerro levaria um par de lambadas e tava o assunto arrumado. Agora, a limpeza da carruagem terá que ser paga pelo "utente".

Este assunto dá pano para mangas mas vai parar sempre ao mesmo. A mania que a lei, bem escritinha e pela tinta das boas intenções, resolve tudo.

José Gonsalo disse...

RoD:
Ora, nem mais! O problema é o de para quem se legisla, isto é, da realidade existente.

o holandês voador disse...

Range:
Já vivi em quatro países diferentes, Portugal incluido, e as questões levantadas pelo Paulo Porto não têm nada a ver com ideologias, mas com formação cívica. Em países desenvolvidos como a Holanda, a Inglaterra ou a França, que conheço bem, haverá "chico-espertos" (como em todo o lado), mas isso não impede que a maioria das populações desses países não observe regras universais de urbanidade. Por alguma razão existem sinais nos transportes públicos ou caixas especiais em supermercados para grávidas, deficientes, etc. e não vejo razão nenhuma porque é que pessoas normais não hão-de respeitar tais indicações. Mesmo em Portugal, são muito mais as pessoas a respeitar tais prioridades do que aquelas que se aproveitam oportunisticamente do sistema. O mesmo relativamente ao rendimento mínimo: haverá sempre quem se aproveite, mas a maioria necessita dessa ajuda. Aliás, por alguma razão nos países mais desenvolvidos, esse é um direito de qualquer cidadão, pois os governos locais há muito tempo perceberam ser melhor criar mecanismos de inserção das populações desfavorecidas do que abandonar os cidadãos à sua sorte. Uma questão de coesão social.
Por exemplo, quando na Europa as rampas ou as cadeiras para deficientes motores eram já uma norma (note que estou a falar dos anos sessenta do século passado) ainda em Portugal não se pensava sequer em tal coisa. Pior, não se viam sequer deficientes na via pública. Eles existiam, mas estavam todos escondidos da sociedade.
Eu sei que algumas coisas levam algum tempo a chegar a Portugal, mas que raio não havemos de ser eternamente os mais atrasados...

José Gonsalo disse...

HV:
Como disse o Paulo Porto, as acessibilidades físicas fazem todo o sentido. O que ele não contabilizou (como, aliás, penso que quase todos os que vivem quer nos países "civilizados" quer nos que o são menos) foi as raízes concretas dessas normas. E não o fez (a exemplo dos restantes) porque todos somos moldados, ao nível da imaginação, pelas .capacidades que detemos. Mesmo aqueles que sofrem de deficiências menos profundas nem sempre se apercebem, isto é, não lhes passam pela cabeça as consequências dos condicionalismos de outras, de maior amplitude e profundidade e, portanto, da penosidade das mesmas.
Não é de condenar, é de fazer ver, ou de outra maneira, de exercitar a imaginação no sentido de nos habituarmos a pôrmo-nos no lugar de outrem. É nisso, aliás, que está o grande trunfo da ficção, bem como o que constitui o seu lado útil.
Tem razão no que diz respeito ao atraso de Portugal em relação aos restantes da Europa, aos EUA e ao Canadá. Uma amiga minha, deficiente profunda, que esteve num congresso de deficientes na Holanda, há quase trinta anos, custou a fazer-se entender pelos que eram originários da "Europa", porque para eles tudo aquilo de que ela falava era coisa de um passado muito remoto e nem sequer imaginavam que em Portugal tudo estivesse como há décadas não estava no país deles. Valeu-lhe o facto, casual, de no grupo de trabalho que ela integrava se encontrar o arquitecto (inglês)que planeara o lar (de uma associação filantrópica inglesa) onde ela vivia. Foi ele que, perante o espanto generalizado, explicou pacientemente o que ela queria dizer.
Em Portugal, como a coisa pegou à pressa para parecermos civilizados, passou-se do "cada um que se safe" para o paternalismo (os meus coxinhos/tão engraçados/são tratadinhos/com mil cuidados)ou para a militância da esquerda, defensora dos fracos e oprimidos. O primeiro é indigno e, nesse aspecto, a posição do Paulo Porto, embora assentando numa perspectiva incompleta, visa, ao contrário do que à primeira vista parece, a dignificação, como cidadão, do próprio deficiente, na medida em que recusa esse paternalismo. O segundo é abjecto, porque transforma uma pessoa numa ferramenta ideológico-partidária e, pior ainda, com aquilo a que o Mário Cesariny chamava de "sinceridade hipócrita".
Entre as duas, venha o diabo e escolha!
Como resolver isto? Vociferando ou à bolachada, quando a mistificação atingir níveis de desrespeito intoleráveis, como diz o RoD? Seria, talvez, o mais eficaz, mas, não sendo impossível, nem sempre é viável e nem sempre eficaz (mas lá que é o que apetece...). Por isso, olhe, vamos vendo.

RioDoiro disse...

HV:

"mas isso não impede que a maioria das populações desses países não observe regras universais de urbanidade."

As regras de urbanidade não necessitam de legislação para serem observadas.

Regras de "urbanidade" via legislação são demonstrações de falta de urbanidade a que os chicos espertos respondem com a "urbanidade a que têm direito".

O uso até à náusea dos “direitos de cidadania” são coisas muito de esquerda.

o holandês voador disse...

Range:
Eu não sei por onde é que tem andado, mas a urbanidade é uma questão de formação: na família, na escola e noutras instituições ao longo da vida. Se não se aprendem e são criadas leis para observar determinadas regras, qual é o problema? Em Inglaterra, por exemplo, desde há décadas que é permitido pisar a relva nos parques públicos, mas existem avisos em todos os parques relativamente às penalizações para quem deitar lixo para o chão. Simples e funcional. Isto tem alguma coisa a ver com a ideologia de esquerda? Give me a break!

RioDoiro disse...

HV:
"Se não se aprendem e são criadas leis para observar determinadas regras, qual é o problema?"

O problema não está na criação de regras mas na criação de regras apensa motivadas em boas intenções sem que se tente sequer antever a reacção do mundo real. Isto é uma questão de fé.

A esquerda, toda ela, move-se pela fé.

Façamos um exercício. Parece razoável supor-se que quem anda com duas canadianas (bengalas) não possa estar muito tempo de pé. Num atendimento em que não haja cadeiras, uma bicha para comprar passe, por exemplo, acha razoável que seja atendido prioritariamente quem se apresente com duas canadianas? Parece-lhe viável legislar neste sentido?

ml disse...

Isto tem alguma coisa a ver com a ideologia de esquerda?

A esquerda é uma obsessão, está presente nos comentários mais improváveis. Nem a própria esquerda está à espera de tanta atenção. Provavelmente acha que nem sequer merece, mas já que insistem...

Basta entrar em qq site ou fórum de utentes dos serviços públicos do país-maravilha (agora não tanto, desde que elegeram aquele senhor de cor esquisita) e ver como grávidas, idosos e handicapped se queixam dos chicos-espertos que sentam comodamente os rabinhos e assobiam para o ar quando aparece alguém para quem esses lugares foram criados.

Se a minha experiência serve, uma vez que estive 3 horas à espera para comprar a matrícula do automóvel, vi passar à minha frente 200 velhinhos, 500 grávidas e 1 000 mães de família. E de uma outra, no supermercado, tive que retirar as minhas compras do balcão porque me surgiu de repente ao lado uma mãe carregada de filhos. Não vou dizer que esta senhora se sujeitou a levar a filharada para as compras só para chegar 5 minutos mais cedo à caixa registadora, mas na repartição de viação já não digo que não houvesse cicho-espertice.

Mas é assim mesmo nos países onde a selva vai aos poucos desaparecendo, não se prejudica uma maioria que necessita de respostas excepcionais pelo medinho de que 2 ou 3 furem o esquema. Depois, se houver razão de queixa, faz-se como aquelas grávidas expeditas de que falei atrás: recurso ao gabinete cívico para desincentivar os oportunistas e questão resolvida.
Isso é que vai faltando por cá. Boas leis, mas péssima aplicação no terreno por falta de meios e de outras coisas que têm a ver com o entendimento das regras mínimas de convivência da espécie.

RioDoiro disse...

ML:

"Nem a própria esquerda está à espera de tanta atenção."

Não espera por uma razão 'sistémica'.

Se esperasse abriria um perigoso precedente, o de que haveria mais mundo para além da própria esquerda.

RioDoiro disse...

ML:

"Nem a própria esquerda está à espera de tanta atenção."

Mais um exemplo do excesso de atenção que a esquerda não merece.

http://www.ionline.pt/conteudo/13320-urgencias-esquerda

ml disse...

o de que haveria mais mundo para além da própria esquerda.

E há? Alguma coisita, sim, mas em termos sociais pouco credível.


o excesso de atenção que a esquerda não merece.

Voila!, é como eu digo, não se entende tamanha obsessão. Em três palavras, quatro são a comprovar que a esquerda existe muito para além do seu espaço natural.

RioDoiro disse...

ML:

"E há? Alguma coisita, sim, mas em termos sociais pouco credível."

Pois claro. os Geovás têm a mesma opinião sobre a ICAR.

"Em três palavras, quatro são a comprovar que a esquerda existe muito para além do seu espaço natural."

Há espaço para além da esquerda?

RioDoiro disse...

Já agora, já vi uma que é capaz de bater as que já foram contadas.

Um belo dia, no metro, entra uma flausina bem torneada e desata aos gritos que, aqui d'el rei, estava grávida e queria um lugar sentado.

Fiquei com a impressão que estaria tão grávida como eu, mas que berrava, berrava. Berrou tanto que alguém se levantou, suspeito, que para evitar ficar com dores de ouvidos.

… lá está. Deveria haver uma lei que obrigasse a dar lugar a quem não consegue falar baixinho.

RioDoiro disse...

... e aquela dos advogados que também passavam à frente nas conservatórias e afins?

ml disse...

Sim, sim... Vamos acabar com as leis de protecção dos depositantes do sistema bancário e financeiro porque apareceram por aí uns, muito insuspeitos, que meteram ao bolso tudo o que puderam.
Cada qual que vigie o que é seu.

Vamos acabar com as leis de protecção da vida e propriedade dos cidadãos porque há uns milhares que se dedicam afincadamente a furar o esquema todos os dias.
Cada qual que se amanhe.

Vamos acabar com as leis de protecção dos condóminos porque há vizinhos que não entendem as regras, fazem festas às três da manhã e despejam lixívia e aquilo que o cãozinho não quis por cima dos estendais dos moradores de baixo.
Cada qual que reserve desde já uma caçadeira.

Vamos acabar com as leis antidroga porque há milhares a comer e beber à conta disso e muitos milhões por esse mundo a tentar agarrá-la.
Que se entendam, uns e outros.

Em suma, viver na Amazónia deve ser o paraíso.

RioDoiro disse...

O seu primeiro exemplo é excelente.

Resumindo, cara ML, acabemos com toda a legislação que "garante" o que a realidade tem demonstrado ser impossível garantir.

A restante que se mantenha.

"Vamos acabar com as leis antidroga porque há milhares a comer e beber à conta disso e muitos milhões por esse mundo a tentar agarrá-la.
Que se entendam, uns e outros. "

Esta já foi feita. Já se pode consumir e transportar quantidades de consumo. A realidade foi mais forte que a intenção.

Eu também gostaria que se fosse mais longe, 'apenas' não é possível.

ml disse...

acabemos com toda a legislação que "garante" o que a realidade tem demonstrado ser impossível garantir.

Ok. Como área nenhuma da vida quotidiana e da actividade humana, desde sempre e em algum lugar do mundo, está livre de chicos-espertos - e para eles especialmente existem triliões de tribunais, juízes, advogados, prisões, polícias, guardas - vamos ser eficazes e acabar com toda a legislação, que arrastará o fim do cortejo que enunciei.
Assim 'as leis da urbanidade' brilharão por si, sem o empecilho dos normativos. As grávidas, velhinhos e handicapped terão lugares assegurados nos transportes e prioridade nas bichas de espera e aqueles incivilizados dos americanos ficarão sem motivos para manter os milhares de gabinetes cívicos. Creio que noutros países também, mas primeiro terei que arranjar alguns dicionários para traduzir as queixinhas nas línguas menos urbanas.

Sim, sim, já se pode consumir e transportar certo tipo de droga mas de acordo com a legislação. Suponho que temos que acabar com essa limitação legal para que o consumo desapareça de vez.

RioDoiro disse...

E pronto. Como diz o Lidador, os circuitos limitadores do raciocinio da ML entraram em acção e já não vai daí passar.

Entra na rotina de queimar tempo e só produz óxido de minuto.

ml disse...

Ora, nem precisa ir mais longe, se o prezado escreveu na cartilha fiel que os circuitos limitadores do raciocínio são os meus, é para seguir sem discussão. Eu por acaso tenho uma teoria completamente diferente, com várias alíneas caso a caso.

Só que me dava jeito perceber - isto sou eu que gosto de perceber tudo, não é para levar a sério - em que é que a regulamentação que organiza os procedimentos em sociedade conduz a mais incumprimento do que se não existisse.

L’anarchie, c’est je.
(Maio 68)

RioDoiro disse...

Cara ML,

Está-se, desde início, a falar de exagero em regulamentação. Nunca ninguém defendeu que o sinal de sentido proibido fosse banido.

RioDoiro disse...

ML,

Proponho-lhe o mesmo exercício que ao HV:

Parece razoável supor-se que quem anda com duas canadianas (bengalas) não possa estar muito tempo de pé. Num atendimento em que não haja cadeiras, uma bicha para comprar passe, por exemplo, acha razoável que seja atendido prioritariamente quem se apresente com duas canadianas? Parece-lhe viável legislar neste sentido?

ml disse...

Está-se, desde início, a falar de exagero em regulamentação.

Não, não está. Está desde o início a falar-se da auto-regulação cívica do bom selvagem urbano e de acabar com toda a legislação que "garante" o que a realidade tem demonstrado ser impossível garantir. Ou seja, toda, tendo à cabeça exactamente a sinalização da estrada.

ml disse...

Não conheço exactamente os termos da legislação portuguesa, mas no tal país de gente queixinhas e outros que conheço, o termo 'handicapped' inclui os temporariamente 'desabilitados'.

Agora se pretende dizer que se trata de um falso coxo, voltamos ao início. Não vejo porque é que uma percentagem muito considerável de grávidas, velhos, deficientes, adultos com crianças ao colo, há-de ver a vida dificultada ou ter que ficar dependente da boa educação de todos os cidadãos que se encontram na bicha, apenas porque dois ou três 'desregulados' tentam furar o esquema.

José Gonsalo disse...

ml:
Aquilo de que se está a falar é da relação entre os maus hábitos arreigados numa determinada cultura e respectiva realidade e a maior ou menor oportunidade e adequação da legislação bem-intencionada com que se pretende alterá-la no sentido positivo. Bem como da sua interpretação, feita a partir desses hábitos, pelas mentalidades "retrógradas" e pelas "progressistas", geradoras de mal-entendidos e de situações que podem ir do caricato ao abjecto.
"Revolução cultural é um pleonasmo: não há outra", dizia em 1976, no seu Apelo ao Povo, Manuel Grangeio Crespo, falecido em 1983 e hoje completamente esquecido. Aos partidários de que o hábito ajuda a fazer o monge parece-lhes indispensável e bastante o legislar (ou o golpe de estado em nome de um grupo ou de uma classe) e consideram isso uma conquista da humanidade (o Mário Castrim chegou a dizer que a revolução de 1917 marcava a saída da humanidade da pré-história); aqueles que pensam que a aplicação da legislação fora daquilo a que a sociedade a que se destina é capaz de digerir nesse momento, alertam para isso pode originar algo ainda pior.
Devo dizer-lhe que a atitude tomada pelo homus-lusitanus-de-esquerda-vulgaris em relação a este tipo de questões me repugna tanto como a do homus-beatus ou bem-pensantis-citadinus. Qualquer delas é um equívoco desgostante.

ml disse...

Bom, não parece o mesmo Gonsalo que explicou muito explicadinho porque é que um indivíduo em cadeira de rodas não deve esperar numa bicha. Mas provavelmente é, a menos que alguém se tenha apropriado da sua password.

Sim, alguns falaram disso que refere mas depois a conversa seguiu o caminho da inutilidade de se regulamentar os comportamentos que não são acatados a 100%.
So what? E o que o é, aqui ou no resto do mundo? Se essa fosse a bitola, pouca legislação sobreviveria e as sociedades já se tinham dissolvido há muito.

Legislar não é o bastante e muito menos o suficiente, mas deixar a vida em sociedade ao sabor da auto-regulação (agora um tanto demodé) até que as pessoas se 'civilizem' é ainda menos, porque os irreguláveis digerem tudo o que podem, como se viu muito recentemente nesta tragicomédia mundial que estamos a viver.

E acha mesmo que as regras do bom viver em sociedade são assim tão indigestas para os portugueses? Ainda atiram papéis e cospem no chão com o mesmo fervor de há 20 anos? Ainda se aglomeram em molhada junto ao balcão da Caixa sem respeitar a bicha? Ainda vê muita gente ao volante sem cinto de segurança? Os automóveis ainda se atiram para as passadeiras como se os peões não existissem?

Nah, parece-me que está a empastelar situações de grandeza completamente diferente, legislação que mexe profundamente com os hábitos, crenças e preconceitos das pessoas e regulamentação de pequenas práticas quotidianas.

Que as coisas levam tempo, levam, mas se há países onde essas práticas estão mais ou menos digeridas pela população é porque as tais regrinhas, que aqui ainda são, pelos vistos, consideradas perniciosas, já existem há décadas e até séculos. E regras que não são mero indicativo, como muitas entre nós, mas implacáveis e punitivas.

Um dia, no tal país-maravilha, resolvi estacionar o carro em contramão, já que vivia num bairro ultra-amplo e em terreno semiprivado, com metros e metros de passeio só para mim. No dia seguinte de manhãzinha tinha no vidro um bilhetinho da polícia-maravilha a informar-me de que passara por ali às x horas, que aquela era apenas uma friendly note, mas que para a próxima o caso piava muito mais fino.
Repeti a graça, perfeitamente inofensiva e que não implicava com a vida de absolutamente ninguém? É claro que não.
Para contrapor citação com citação ‘caminante, no hay camino, se hace camino al andar’.
(António Machado)

Não sei qual é a atitude do homo-lusitanus-de-esquerda-vulgaris em relação a este tipo de questões, assim como não sei qual a do homo-beatus ou bem-pensantis-citadinus. Provavelmente, e porque isto não é um benfica-sporting, é igual à do Gonsalus-primus-falantis.

RioDoiro disse...

ML,

"Agora se pretende dizer que se trata de um falso coxo, voltamos ao início."

Da mesma forma com que ser falso coxo seria condição fundamental para se entrar numa repartição de finanças com esperança para se ser atendido, se perdeu a capacidade de 'dar uma chapada' ao gajo que insiste em ter a criancinha ao colo para ser mais rapidamente atendido.

Eu só vou ao supermercado quando é essencial e só lá estou o exacto tempo que preciso para pegar o que sabia à partida precisar antes de cavar. É frequente chegar à caixa apenas com 1 ou 2 objectos e é habitual que quem já lá está me ofereça (mesmo) a possibilidade de passar à frente. Há leis que regam esta mordomia?

As leis que forçam a educação para além de um certo limite (de caras difícil de definir) provocam uma espécie de 'revolta' por parecerem uma espécie de empecilho ao regular relacionamento entre as pessoas.

Se um polícia for incorrecto para consigo a ML protesta. Se um gajo pegar numa criancinha para fazer de todos parvos faz sentido que a ML não o faça?

Bem ou mal ou as pessoas percebem a premência de uma lei (ou regra) ou corremos o risco que ela seja contraproducente.

Por mim, que nunca fumei e sempre me vi à rasca com a excreção respiratória dos outros, sempre me pareceu pertinente que o fumo fosse proibido nos locais públicos. Mas se tal tivesse ido legislado há 30 anos a coisa teria resultado num recuo (do meu ponto de vista de não fumador).

Voltando ao início, legislar de forma difícil de compreender retira ao cidadão a capacidade de reclamar face ao que encontra uma forma criativa de “exercer os seus direitos”. Claro que para a ML o que o superior esquerdácio-pensador debita tem força de coisa divina.

RioDoiro disse...

ML,

João Jardim, Bushista assumido, quer proibir, por via constitucional-madeirense (?) a ideologia comunista.

Faz sentido? Por mim, se a fascista é proibida faz sentido proibir a comunista. Terá algum efeito prático? Não, pelo contrário.

Faz sentido que se proíbam ideologias? Tanto quanto fez sentido que os comunismos proibissem a religião. São ambos assuntos de religião.

Unknown disse...

"São ambos assuntos de religião."

"O Marxismo é sem dúvida uma religião, no mais estrito senso da palavra."
(Simone Weil)

RioDoiro disse...

ML:

"Ainda atiram papéis e cospem no chão com o mesmo fervor de há 20 anos? Ainda se aglomeram em molhada junto ao balcão da Caixa sem respeitar a bicha? Ainda vê muita gente ao volante sem cinto de segurança? Os automóveis ainda se atiram para as passadeiras como se os peões não existissem?"

Caso 1: E a menor quantidade de lixo está relacionada à legislação?

Caso 2: Não tem noção que toda a gente concordava que se formasse bicha única e rosnava por isso não ser posto em prática e reclamada que as organizações o implementassem por manifesta ipossibilidade de haver funcionalidade pela auto-organização?

Caso 3: Ouve-se sempre os que protestam mas não se ouve os que não protestam. A medida foi aceite sem problemas porque tinha pés para andar. Já agora, os taxistas estão isentos. Porque? Porque raramente têm acidentes de que resultem vítimas.

Caso 4: Não, mas há peões que se atiram às passadeiras como o pólo positivo se atira ao negativo e muita gente morre por essa via. "eles são obrigados a parar", apenas alguns distraem-se, outros demoram demasiado tempo a reagir, noutros casos, por exemplo quando alguém se 'atira' por detrás de um quiosque, tornam impossível que haja acidente. Nalguns casos os peões chegam a chocar com a parte lateral dos carros.

José Gonsalo disse...

ml:
O José Gonsalo que escreveu este terceiro comentário é, sem dúvida, o mesmo que escreveu o primeiro e, garanto-lhe, em perfeita coerência com ele. Basta-lhe ler com atenção o segundo, aquele em que lembro abreviadamente os versos do Cesariny.
A última resposta que o RoD lhe dá, penso ser, aliás, esclarecedora.

ml disse...

Há leis que rejam esta mordomia?

Até há, não leis mas procedimentos internos. Escusava de ter ido para a caixa dos carrinhos atrapalhar o tráfego, quase todos os supermercados têm caixas próprias para compras limitadas.


Ah, bom, então é o timing. A premência real e a premência sentida.

Não, mas há peões

Ok. Aguardemos então que os peões sintam a premência da aplicação da lei.


Claro que para a ML o que o superior esquerdácio-pensador debita tem força de coisa divina.

E esse ser é...?
Já sei que lhe é difícil resistir à tentação de rematar com uma tirada estilosa, mesmo que despropositada. Deve fazer subir a auto-estima fechar com uma chave-emblema, sei lá.

E é das afirmações mais patuscas que por aqui li. O país esquerdácio-pensador que conheço que mais longe vai na hiper-regulamentação de detalhes da vida quotidiana é o país-maravilha. Tudo estipulado, dos comportamentos públicos, privados e licenciamentos por nada ao tratamento do cãozinho, casa, jardim, o que fazer quando se avista um autocarro escolar.
Bom senso e urbanidade, parece-me.

Atreve-se a ir de férias e não deixar alguém para cortar a relva e apanhar as folhas secas do quintal? A ser apanhado com um par de peúgas a secar à janela? A não retirar a neve da frente da sua porta? A estacionar ao metro 2 do passeio nas horas a que deve estacionar ao metro 4? Baralhou-se nas horas, foi?
E com que então esqueceu-se de tirar a licença para a cervejola do piquenique familiar domingueiro!
Geeeeeeeezzzz, chicos-espertos!

Devem ter nascido já formatados para a aceitar a regulamentação miudinha que lhes é imposta pelos... hummm... esquerdácios.


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José Gonsalo

A última resposta que o RoD lhe dá, penso ser, aliás, esclarecedora.

Deixarem de se citar uns aos outros era capaz de ser uma ideia catita.
A última resposta? A da permuta de automóveis por peões?
Right.

RioDoiro disse...

ML:

"quase todos os supermercados têm caixas próprias para compras limitadas. "

E não lhe ocorreu que eu estava a falar desses casos?

RioDoiro disse...

Cara ML,

Cada sociedade (não estou a falar do Zimbabwe) é o que é e deve ser exactamente o que é.

Todas têm as suas idiossincrasias, todas aceitam coisa bizarras e todas têm moinhos de vento com que lutam.

Eu tenho um quintal gosto de nele ver crescer todo o tipo de erva, cardos inclusive. De vez em quando passo-me e corto o matagal. Não gosto de relva e não gostaria de neve.

Em Portugal gosta-se de feijoada mesmo sabendo que provoca gases. Pode haver um milhão de razões para se proibir a feijoada mas, em Portugal, há 10 milhões de razões para ser comida.

Em Portugal a esquerdácia é tonta (pleonasmo) e comparar a palermice legislativa caseira a regras aceites pacificamente noutros locais é coisa macacal. É coisa de quem se deslumbra com o alheio.

Veja lá como as coisas são. Eu até, do caseiro, nem gosto de touradas. Mas gosto da mulher do próximo.

E olhe que dispensamos a obrigatoriedade de comer caracóis porque por aí já estamos ao nível dos franceses.

Veja ainda. Eu não bebo. Não gosto de álcool nem de muçulmanos. Os suíços gostam de álcool e parece que também não vão muito à bola com os que viram o cu para os antípodas de Meca. Tá a ver? Ou eles deixam a pinga ou terei que gramar Alá.

Já agora, a existência de esquerdácia tonta mais tonta em Portugal faz dele um museu. Se calhar é de a proibir, MESMO (ah, grande Alberto, grande referência Helvética).

ml disse...

Frase-emblema:

Em Portugal a esquerdácia é tonta (pleonasmo) e comparar a palermice legislativa caseira a regras aceites pacificamente noutros locais é coisa macacal. É coisa de quem se deslumbra com o alheio

A ‘palermice legislativa caseira’, em tudo semelhante à de outros países, habilitou-os a saltar do galho muito antes de nós. Foram palermas muito mais cedo, macaco que vai à frente é que alumia.

Só alguma franja da direita ‘desabilitada (mais um pleonasmo, note), muitíssimo residual – e que deus continue atento a estas espécies menos abonadas - prescreve internamente o estado macacal. E para quê, santo deus? Para poder continuar a babar-se de deslumbramento com as maravilhas dessa legislação noutras paragens. E, principalmente, para que não lhes falte o assunto nosso de cada dia.

E assim, à velocidade da luz, a ‘ intromissão inaceitável do estado na regulamentação da vida dos cidadãos’ passa a ‘regras aceites pacificamente noutros locais’.
Take your time, mas quando os peões aceitarem pacificamente que chegou a hora, não se esqueça de deixar aqui uma palavrinha aos condutores.

Espero sinceramente que também esteja a ver.

RioDoiro disse...

ML:

"Foram palermas muito mais cedo, macaco que vai à frente é que alumia. "

Por si, já sei, tem pena que as superiores civilizações resultantes da teoria se tenham finado, muito embora por mim o toque de finados dessa nova globalização "internacionalista" tenha voltado a deixar aos lusos a globalização ainda em curso e iniciada pelo sec XVI.

"não se esqueça de deixar aqui uma palavrinha aos condutores."

Sou muito mais perigoso como peão que como condutor. Como condutor, aliás, quando vejo um peão faço questão de ver uma vaca. Aprendi com os indianos, onde parece que a regulamentação centralizada deixa um bocado a desejar e a respectiva civilização (cospem para o chão e cagam à beira da estrada) se arrisca a sobreviver às outras todas.

ml disse...

Frase-emblema:

Por si, já sei, ...

Sabe sempre, daí a profusão das frases-emblema.


muito embora por mim o toque de finados dessa nova globalização "internacionalista" tenha voltado a deixar aos lusos a globalização ainda em curso e iniciada pelo sec XVI.

Nada de novo. Já o Agostinho da Silva o dizia e não pertencia à direita desabonada.


onde parece que a regulamentação centralizada deixa um bocado a desejar e a respectiva civilização (cospem para o chão e cagam à beira da estrada) se arrisca a sobreviver às outras todas.

Afinal em que ficamos? Na 3ª via?
Nem as vacas vão sair das ruas? Ena, tão radical.

RioDoiro disse...

ML:

"Afinal em que ficamos? Na 3ª via?
Nem as vacas vão sair das ruas? Ena, tão radical."

Na Índia já saíram de alguns locais. Saíram de onde foi possível. De onde as pessoas aceitaram que fosse possível.

Conheci em tempos uma professora de filosofia que tresandava a esquerdas-avançadissas que defendia que os jovens deveriam ser compulsivamente afastados dos velhos. Dizia ela que velhos deveriam estar com velhos e novos com novos.

Quando lhe chamei a atenção que na Índia não se matavam vagas por deferência para com a 'dedicação' com que toda a vida davam leite aos humanos, suponho que percebeu que tanto as vacas continuarão na rua como velhos e novos deverão continuar a aturar-se mutuamente. Mas nunca se sabe. Estas coisa da fé …

"Nada de novo. Já o Agostinho da Silva o dizia e não pertencia à direita desabonada. "

Tá a ver ... ainda acaba por me chamar RoD-ML