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segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Jihad demográfica - adenda (conversa com o Holandês Voador e quem mais quiser entrar nela, a propósito do post d'O Lidador com o mesmo título)


Fiz este texto como uma resposta a um comentário do Holandês Voador ao texto do Lidador sobre a Jihad demográfica. Depois decidi acrescentar umas pequenas coisas e dar-lhe a importância de post. De qualquer maneira, achei por bem manter-lhe o carácter espontâneo e pouco trabalhado e nem sequer o praticamente o revi, pelo que facilmente se lhe encontrarão fraquezas e insuficiências quer de conteúdo quer de forma. Do que peço desculpas, em primeiro lugar àquele a quem ele se destina prioritariamente.

Holandês:
O nível atingido pela procriação, entre os árabes, é tão culpável como o é na mentalidade camponesa e operária tradicional ou na católica que segue a ortodoxia. Mas esse nível de procriação, além de sintoma de uma mentalidade redutora e tacanha quer quanto ao lugar e significado da sexualidade na vida humana quer quanto ao papel da mulher, é também utilizável com outras intenções por essa mentalidade. Da mesma maneira que uma enxada, entre os camponeses, sempre serviu tanto para ganhar pão que o diabo amassou como para matar o próximo. Nunca se ouviu e, penso, dificilmente se imaginará um político da África negra falar da procriação como arma contra quem quer que seja. Aí reside toda a diferença.
E, já agora, para que não conclua apressadamente que a minha posição é de antagonismo e de confrontação com o islamismo, devo dizer-lhe que, ainda jovem, li o Corão orientado por alguém que se tinha convertido recentemente ao islamismo, que conheço muçulmanos e sempre me dei bem com eles, do mesmo modo que sempre me dei bem com católicos não-matarruanos ou com budistas. Mas sei estabelecer a diferença entre as diferentes interpretações e aproveitamentos de uma doutrina ou de um sistema de pensamento por parte de culturas ou grupos de indivíduos. E é disso que aqui se trata.
Não é pelo facto de acharmos que a guerra de civilizações é absurda que ela deixa automaticamente de existir. Infelizmente é um facto que todos nós desejaríamos que não existisse, mas que existe. Tal como uma doença que desejaríamos não ter, mas a cujos sintomas não podemos de deixar de tomar atenção sem corrermos o risco de ela se agravar ou de se tornar crónica ou mortal.
Quanto à cooperação Norte-Sul, obviamente que ela é a solução. Mas como é a mesma possível, atendendo à mentalidade cleptocrática generalizadamente vigente no hemisfério Sul? Como não se há-de desbaratar qualquer esforço nesse sentido? Ainda há tempos, numa série documental transmitida pela RTP2, da responsabilidade do Miguel Portas, este criticava fortemente Joaquim Chissano por permitir a exploração do seu povo. Portas falava como qualquer betinho do Bairro Alto, que não sabe que a escravatura é, em África, endémica, tal como a ostentação da riqueza, o desprezo pela poupança e o apoio mafioso à e pela família. Coisas que, aliás, são facilmente detectáveis mesmo nas comunidades africanas emigradas em Portugal, com as quais tenho um contacto frequente desde há muitos anos, somente atenuada na cabo-verdiana.
A incompreensão demonstrada pela esquerda quanto à realidade, insistindo cegamente na mesma tecla (para não perder a face ou por não conseguir orientar-se com outros parâmetros?) é, mais do que aflitiva, perigosa. Não percebe, por exemplo, voltando ao caso do islamismo, que o marxismo árabe é somente uma finíssima e estaladiça capa justificativa do seu desejo de vingança (o Corão admite-a como um direito, seja qual for o sentido em que ela é entendível, mas o mais literal basta ao matarruanismo) em relação ao Ocidente. Não o percebe, de facto ou porque a sua tolerância em relação a práticas exploradoras e repressivas é uma forma de afirmar a sua vertente mais primária, o antiamericanismo, sem perceber que, com isso, cava a sua própria sepultura bem como a alheia? O Bloco de Esquerda, por exemplo, tão liberalizante quanto aos costumes, terá ilusões sobre o que representa aos olhos árabes?
Nesta época de "globalização", a mais pequena praça financeira pode gerar problemas graves em Wall Street ou em Londres e estas, por sua vez, no mundo inteiro. A crise interna interna do mundo islâmico, inserido numa mudança planetária sem precedentes e privado de instrumentos culturais flexíveis que lhe permitam inserir-se ou sequer adaptar-se, dada a rigidez dos conceitos formatadores da mentalidade, pende, letal, sobre nós. Não estamos perante um caso semelhante aos restantes, o Extremo-Oriente possui, em geral, padrões de compreensão e ordenamento da realidade que o levou e continua a levar para a frente do processo, com as consequentes convulsões. O islamismo que medrou entre aqueles povos e que tem tendência a assumir contornos idênticos onde quer que haja culturas bélicas que o adoptem, é por eles aproveitado, porém, para manter os respectivos sistemas não apenas sociais, mas de pensamento. Não foi preciso levar nenhum astronauta chinês ou japonês para o espaço para ajudar a desfazer crenças, mas foi necessário levar um egípcio - sem resultados visíveis.
É claro que há dissidentes e que lhes devemos apoio, mas sem esquecer que eles são facilmente anuláveis e mortos sem contemplações, o que tem tornado quase ineficaz esse apoio.
O que eu quis dizer, Holandês, é que este conjunto de problemas não pode ser enfrentado com declarações de boas e sinceras intenções, pela simples razão de que elas, na prática, não colhem. O que eu quero dizer é que teremos que encontrar outros parâmetros, mais verdadeiros, para compreendermos a realidade que nos rodeia, se quisermos aperfeiçoá-la no sentido da ultrapassagem do social-macaquismo vigente. Todos nós.
E isto porque, como dizia a minha mãezinha, que Deus tenha (inch Allah!), "o céu dos pardais é a barriga dos gatos".

14 comentários:

Diogo disse...

É isto que nos faz ter fé nos media tradicionais:

Jon Stewart - Estes bloggers linchadores não têm credenciais, fontes, ética, editores ou responsabilidades... Não têm credibilidade, só factos!

Jon Stewart: Os repórteres internautas, ou bloggers, já são reconhecidos e agora, após terem desempenhado um papel fulcral na revelação do escândalo "Rather-gate", na CBS News, os bloggers arrecadaram mais dois troféus de Media. Por exemplo, Jeff Gannon, um repórter destacado para a Casa Branca cujo estilo jornalístico despertou a nossa curiosidade.

Os sites Ameriblog e Daily Kos investigaram este Jeff Gannon e descobriram que é também proprietário de sites pornográficos gay, incluindo o Hotmilitarystue.com, onde o seu perfil indica que ele tem, e cito: 1:80m, 90 quilos, cabelo castanho curto, olhos verdes, e um pénis com mais de 20 cm circuncidado.

Uma analista de Media da CNN revelou de que forma a CNN desvendou esta história.

CNN: Fizemos esta descoberta. Ou melhor, um dos bloggers fez a descoberta e nós soubemos através do blog "Ameriblog.com", um site liberal. Até mostrávamos as fotos, mas são ousadas e preferimos não o fazer.

Debate na Fox News: Quero voltar ao que disse o Bob. Você está a defender estes bloggers linchadores, que divulgam estas notícias, 1/10 das quais são inventadas? Eles não usam provas ou fontes fidedignas. É esse o jornalismo que advoga? Na sua maioria são pessoas que não têm credenciais, não têm fontes, ética, editores ou responsabilidades.

Jon Stewart: Ao contrário dos jornalistas dos canais por cabo que têm… credenciais! Com mais informações sobre o papel dos bloggers nos media, tenho aqui o nosso perito em media, Stephen Colbert. Stephen, fazes parte dos media tradicionais. És um repórter dos media tradicionais, qual é a tua opinião sobre estes repórteres dos novos media?

Stephen Colbert: Jon, a grande maioria dos bloggers são repórteres responsáveis que abordam temas de nicho de forma séria, como histórias sobre a séria "Gilmore Girls", truque giros que os seus gatos fazem, ou fotografias das personagens de "Gilmore Girls" vestidas de gatas. Até aqui, tudo bem. O que eu não posso é com os bloggers agressivos. Gente com computador que recolhe, compila e divulga factos verídicos, que depois são lidos pelo público. Não têm credibilidade, só têm factos. Poupem-me!

VÍDEO LEGENDADO EM PORTUGUÊS

Carmo da Rosa disse...

Lá tinha que vir este cara de caralho com o Jon Stewart! Foda-se pró homem, para quando uma opinião pessoal porra, mesmo só uma, mesmo que não tenha nada a ver com o post...

Olhe caro Diogo, você masturba-se com a mão direita ou com a mão esquerda, e quando o faz pinta as unhas de vermelho ou de azul escuro?

José Gonsalo disse...

Ó Diogo, não queira imitar os maus procedimentos! Se eu, por não ser jornalista mas um mero pistoleiro de blogs, deveria remeter-me à minha insignificância, também o meu amigo, que não é comentador encartado, não deveria assumir esse papel.
Por isso, cale-se, homem, cale-se! Não lhe venha a pesar na consciência alguma baboseira!

Anónimo disse...

Para que se saiba, foi um seguidor de maomé que lhe disse para as maometanas andarem emburkadas.
maomé ouviu, depois disee ao gibril que depois disse a allah que depois voltou a dizer ao gibril que depois voltou a dizer a maomé que à noite registou o dito como sendo do seu allah.

Carmo da Rosa disse...

Bom. já me passou a má disposição ‘diogonal’ de há umas horas atrás, agora, mais calmo, posso dizer que é um bom post e por isso merecia ser revisto... Outra coisa que merecia era talvez passar a discussão que está a decorrer no post do Lidador para aqui....

ml disse...

Não vou entrar em mais uma discussão sobre a bondade ou maldade desta ou daquela religião, o que diz o Corão não me comove nem mais nem menos do que o que diz a Bíblia e já não tenho pachorra para discutir futebóis e clubismos. Ou se é a esquerda ou a direita quem tem vistas curtas e dificuldade em ver para além do imediatismo e do voluntarismo.
O cristianismo no ocidente toca pianinho, pianinho, a maré baixou muito. Provavelmente dentro de alguns anos retoma algum fôlego e torna-se de novo intragável, mas penso que nunca mais lhe será dada a faculdade de voltar a ser a mesma dona absoluta de almas e vontades.

Neste sobe e desce vejo outras marés a crescer e por isso apoio desde o início as medidas da França nas escolas e nas ruas e as medidas dos EU no ensino público. Caras ao sol (nada de confusões com o fascista Franco) e Adão e Eva no papel.

Por isso esse assunto para mim já era, venho a outra coisa.


Mas esse nível de procriação, além de sintoma de uma mentalidade redutora e tacanha quer quanto ao lugar e significado da sexualidade na vida humana quer quanto ao papel da mulher, é também utilizável com outras intenções por essa mentalidade.

Pois não vá mais longe que os culturalmente informados e livres irlandeses do norte utilizam exactamente o mesmo estratagema no Ulster, é só esperarem sentados. Como os católicos são mais produtivos do que os protestantes, é uma questão de tempo até a natalidade resolver nas urnas o que não têm conseguido de outro modo. Como se costuma dizer, em tempo de guerra não se limpam armas, e os irlandeses limitam-se a jogar as regras da democracia de que os britânicos se têm servido.
Nesta altura do campeonato o Reino Unido não pretende outra coisa a não ser livrar-se do problema, nem que seja na mesa do jogo. Só que há certas políticas que quando se excedem no tempo e na violência que culminou na Thatcher, inviabilizam uma solução razoável.
Quem diria que o Michael Collins se verá um dia desforrado, não pelas armas mas pelos votos.

Carmo da Rosa disse...

@ ML: «...se é a esquerda ou a direita quem tem vistas curtas e dificuldade em ver para além do imediatismo e do voluntarismo.»

Vejo ingenuidade a tratar com este problema tanto à direita como à esquerda, é verdade, mas também é verdade que a direita é mais fácil de ir às boas: porque mais pragmática e menos messiânica... Mas se os americanos por razões inexplicáveis se tornarem declaradamente pro-islão, pode ser que então a esquerda dê uma reviravolta de 180 graus e se torne finalmente progressista. Inshallah...

ml disse...

É de uma clareza transparente que as nossas opiniões não coincidem e o que o posfácio bipolar é mesmo para esquecer, o que não é nem novidade nem nada de grave, mas olhe, sr. Carmo, por agora estou numa de natalidade, demografia e poder. Crescei, multiplicai-vos e ocupai o mundo.

Esta última parte não se aplica aos irlandeses, não pretendem ir além do Ulster. Até o sonho de séculos, uma Irlanda maiorzinha e livre de britânicos parece que se esfumou, agora resta-lhes usar a ‘procriação tacanha e redutora’, nas palavras do Gonsalo, para um dia poderem governar-se ao menos dentro daquela manchinha de terra que lhes restou.

E com esta me vou, vestir a jilaba e dormir, que nesta casa já não há vivalma acordada.

EJSantos disse...

"O cristianismo no ocidente toca pianinho, pianinho, a maré baixou muito. Provavelmente dentro de alguns anos retoma algum fôlego e torna-se de novo intragável, mas penso que nunca mais lhe será dada a faculdade de voltar a ser a mesma dona absoluta de almas e vontades."

Querida ML, muito sinceramente duvido, graças a Deus. Vi recentemente um documentário sobre o evengelismo nos EUA, e não gostei do que vi. Mas duvido que o Ocidente volte a cair nessas cantigas.
Mas se o pessoal rejeita a teocracia de origem local, também não seria coerente rejeitar uma teocracia importada? Não sei, digo eu.

ml disse...

Mas se o pessoal rejeita a teocracia de origem local, também não seria coerente rejeitar uma teocracia importada? Não sei, digo eu.

Querido ejsantos, não compre tudo o que lhe impingem, fica azedo como os maus vendedores e leva para casa mercadoria marada, convencido de que fez a compra do século.

Carmo da Rosa disse...

Por falar em clareza transparente, acho que a frase de ejsantos devia ser:

«Mas se o pessoal rejeita a teocracia de origem local, também não seria coerente NÃO rejeitar uma teocracia importada?»

Cara ML, mas acerca do seu posfácio bipolar fiquei sinceramente como um boi a olhar para um palácio, que é, se não me engana a memória, como se costuma/costumava dizer na nossa terra quando não entendemos coisas que nos ultrapassam...

ml disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ml disse...

sr. Carmo, tem razão, se não fosse eu a escrever também não compreenderia, ainda por cima faltaram palavras.

Recapitulemos, então:

o que o posfácio bipolar é mesmo para esquecer = o seu posfácio bipolar é mesmo para esquecer

posfácio = comentário final, o oposto de prefácio

bipolar = binário (isto foi para evitar a repetição da palavra que habitualmente uso, mas posso substituir por 'maniqueísta')

Creio que desta vez fui de meridiana clareza.

EJSantos disse...

Cara ML. Não compro gato por lebre...
Acredite, sei do que estou a falar.
Bj e boa noite.