quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocabulário Europeu


Se você é europeu e advoga a redução do peso do estado na economia, da sua intervenção na sociedade e dos impostos então você tem direito a ser rotulado de «conservador» e de pertencer à «direita radical» (leia-se extrema-direita). Se você pensa que apenas tem ideias liberais, desengane-se. Os jornais confirmam: você é um extremista dos mais perigosos. Com direito a foto de um senhor de cabeça rapada no cabeçalho e tudo.

E assim se dissemina o socialismo como a ideologia política mais natural e óbvia.

27 comentários:

Carmo da Rosa disse...

Isto ficaria bem mais esclarecido se se colocasse – por exemplo na Europa, mas para começar Portugal - de um lado os que são a favor de mais estado na economia e do outro os que são contra. De um lado os que defendem o sistema de saúde à americana, do outro os que são contra, com as devidas vantagens e desvantagens. Creio que muita gente ficaria surpreendida e que estas coisas não são assim tão simples que se possam reduzir a bons e maus...

Tarzan disse...

Exacto! Mas que os dogmas socialistas estão bem instalados, lá isso estão.

Anónimo disse...

Muito boa a crítica e realmente a horda da esquerda parece mesmo com os Zumbis do Resident Evil sedentos por carne viva.

Basta que se critique os impostos excessivos e lá vem a horda assassina gruindo obstinada por sangue.

Para afastá-los não há argumentos e parece que só mesmo uma escopeta e tiros para lhes arrancar a cabeça resolvem.

Carmo da Rosa disse...

@ Tarzan: ”Mas que os dogmas socialistas estão bem instalados”

Pois, mas se nos limitar-mos por exemplo à polémica do Novo Sistema de Saúde nos Estados Unidos - para sermos concretos e não nos perder-mos em bocas e insultos que não dizem grande coisa - verifica-se que neste caso os dogmas conservadores estão até mais bem instalados (com ou sem razão), fazendo rejeitar qualquer ideia diferente daquela a que eles – conservadores – estão habituados.

O que dá situações caricatas como esta: no momento em que certos conservadores norte-americanos designam o sistema de saúde holandês de ‘sistema soviético!’ (só quem lhes fosse ao pacote, sem pagar), o ministro holandês da saúde (cristão democrata e muito pouco socialista), não tem problemas nenhuns em defender certas modalidades do sistema americano que, segundo ele, tem vantagens.

Lá está, provavelmente a verdade está algures no meio, uns centímetros à esquerda ou uns centímetros à direita…

Tarzan disse...

Carmo da Rosa,

não fique a pensar que acho que o sistema americano é o ideal. Aliás não acho que exista um sistema ideal para a saúde ao nível dos incentivos. Isto porque existe um claro trade-off entre eficiência-equidade que é muito difícil de afinar. Objectivamente, as seguradoras não querem assegurar pessoas com pouca saúde que, por sua vez, são as que precisam mais dos seguros. Por outro lado a saúde gratuita socialista além de ser gastar muitos recursos para a eficiência que consegue, incentiva a irresponsabilidade que tem de ser depois combatida com outros paternalismos.

Na minha opinião, não existe nem existirá um sistema de saúde perfeito. Só existiria se os agentes não respondessem a certos incentivos - reino da utopia, portanto.

Carmo da Rosa disse...

@ Tarzan: ” existe um claro trade-off entre eficiência-equidade que é muito difícil de afinar.”

É possível que exista, mas eu não sei o que é!

Eu só sei de coisas simples. Num determinado país quanto é que se paga por ano para seguro de saúde (comece por exemplo Portugal) e o que se obtém. Serve? Não serve? É melhor, é mais barato, no país vizinho?

@ Tarzan: ”Objectivamente, as seguradoras não querem assegurar pessoas com pouca saúde”

Sim. Nos EUA. Na Holanda por exemplo isso é proibido.

@ Tarzan: ”.. a saúde gratuita socialista além de ser gastar muitos recursos para a eficiência que consegue, incentiva a irresponsabilidade que tem de ser depois combatida com outros paternalismos.”

Onde existe a tal saúde gratuita socialista precisamente?

@ Tarzan: ”Na minha opinião, não existe nem existirá um sistema de saúde perfeito.”

Creio que o sistema de saúde é como a democracia, nunca se conseguirá a perfeição, deve-se escolher o menos mau. Mas para isso é preciso colocar as vantagens e as desvantagens de cada sistema lado a lado, para poder-mos comparar...

O-Lidador disse...

"@ Tarzan: ”Objectivamente, as seguradoras não querem assegurar pessoas com pouca saúde”

CDR: Sim. Nos EUA. Na Holanda por exemplo isso é proibido."

Cdr, esta proibição de que fala, deixa-me curioso. De que modo é que é possível proibir que seja a seguradora a definir o risco que está disposta a aceitar?
Se o custo resultante da proibição for superior aos lucros, que acontece?
O Estado (o contribuinte) entra com o dinheiro?
A empresa abre falência?
E se isso é assim, que impede as seguradoras de oferecerem tudo e mais alguma coisa, uma vez que não são responsáveis pelo risco que admitem?

Carmo da Rosa disse...

Lidador: ”Se o custo resultante da proibição for superior aos lucros, que acontece?”

Lidador,

Já expliquei como funciona o sistema holandês tintim por tintim, com números, com quanto se paga, como se paga e como dividem o risco pelas seguradoras. E ainda comparei as diferenças mais importantes com as do sistema americano. Creio que melhor, só na farmácia. E você viu porque também comentou!

Mas é a última vez que o faço, porque, como disse no post, dá uma trabalheira filha da puta e não compensa, porque a alma, além de ser pequena começa a estar cansada.

Aqui está o link: http://fiel-inimigo.blogspot.com/2009/08/e-so-saude.html

O-Lidador disse...

CDR, estive a reler o seu excelente post sobre o sistema de saúde holandes, mas a questão persiste.
Deduz-se que é o Estado que estabelece por decreto o risco que as seguradoras devem assumir, e saca aos contribuintes a quantia que entende necessária para isso.

Estamos no mesmo pé. Como as seguradoras não podem fazer-se pagar pelo risco que correm, estão à vontade para incorrerem em gestão irracional, porque sabem que o Estado chega à frente.
Na verdade, o sistema pode cair como um castelo de cartas. Depende de burocratas governamentais que decretam, à revelia do mercado, e no seu alto entendimento, qual deve ser a quantia máxima para o risco.
Se essa quantia não chegar, que fazem?
Vão ao orçamento de estado? Aumentam os impostos?

Na prática o que se passa é que o estado holandes estabelece um controle de preços, coisa que nunca deu bom resultado por muito tempo e basta ver o que aconteceu na URSS, onde este controle foi levado ao extremo.

Ou seja, vai haver, inevitavelmente problemas na Holanda, registe aí,para que não esqueça.

Na verdade, os sistemas mutuários baseiam-se na falta de informação e tem de ser assim.

Se eu souber que não vou ficar doente, não faço seguros. Pagar para quê?
Se a seguradora souber que eu vou ficar doente, não me faz um seguro, já que sabe que vai perder dinheiro.
O que o estado deve fazer, neste mercado, legislar para manter a falta de informação, impedindo as companhias de obter informação individual e deixá-las ajustar o seu preço ao risco sistémico.
Se o CDR tivesse uma seguradora, saberia que quanto mais idosos forem os seus clientes, em média mais caros ficam e por isso, uma vez que não está ali para ir à falência, tem de cobrar prémios mais altos.
Só essa possibilidade de cobrar prémios ajustados ao risco, pode assegurar oferta e procura.

É verdade que se pode tentar esconder esta realidade durante algum tempo, mas há coisas que são inevitáveis e as continhas não permitem malabarismos.
Se os interessados não pagam, outros terão de pagar.

Carmo da Rosa disse...

@ Lidador: ”é o Estado que estabelece por decreto o risco que as seguradoras devem assumir, e saca aos contribuintes a quantia que entende necessária para isso.”

É quase isso. As companhias recebem dinheiro dos contribuintes de duas fontes: Directamente ± €1000 (por ano) pago à companhia de seguros da escolha de cada um. E indirectamente, 6,9% do salário (ou subsídio de desemprego) de cada cidadão, que vai parar aos cofres do Ministério da Saúde.

O RISCO.

Os 6,9%, retirados dos salários e que foram parar aos cofres do Ministério da Saúde, vão ser distribuídos pelas companhias de seguro. Mas atenção, segundo um critério baseado no risco de doença das pessoas inscritas.

O critério baseia-se em três factores de risco: idade, sexo e frequência no uso de serviços de saúde no passado.

Uma companhia com uma clientela com alto risco, recebe muito cacau. Uma companhia com clientes saudáveis e que fazem pouco apelo aos serviços de saúde recebe menos.

Como vê, as companhias, com este sistema, “fazem-se pagar pelo risco que correm”.

@ lidador: ”…o estado holandês estabelece um controle de preços, coisa que nunca deu bom resultado por muito tempo e basta ver o que aconteceu na URSS, onde este controle foi levado ao extremo.”

Não. O preço – as tais 1000 mocas por ano + os 6,9% por mês - foi estabelecido em concordância entre o Estado e as companhias. A Holanda não é a URSS, quem compara o sistema holandês com o sistema soviético são os neo-cons americanos sem saberem muito bem o que estão a dizer e apenas para efeito de propaganda, e para chatear o Obama.

Mas assim como o sistema americano tem falhas - há 46 milhões de americanos sem seguro (uma vergonha no país mais rico do mundo), e mesmo os que têm seguro têm que trabalhar muitas horas para o pagar – o sistema holandês também não é perfeito.

Por isso é que há cá gente que quer modificar certas coisas, limar as arestas. Por isso é que fiz referência ao actual Ministro da Saúde holandês, que está impressionado com a performance de uma grande seguradora americana da Califórnia tipo HMO (Kaiser Permanent), que além de vender apólices, oferece cuidados de saúde de grande qualidade a preços bastante razoáveis.

Mas é evidente que vai ser necessário convencer os eternos esquerdistas (tão ou mais burros que os neo-cons americanos) que estão sempre no contra, que vêm em tudo o que tem 'made in usa' o símbolo do diabo...

O Ministro, por seu lado, insiste que o sistema holandês é pouco eficiente: os utentes recebem cuidados de saúde aos bocados que eles próprios têm que juntar. Segundo ele, este sistema lembra-lhe “uma pessoa que quer comprar um carro e é obrigado a comprar o volante num sítio e os pneus noutro!”

Na Kaiser Permanent, uma seguradora com 8,6 milhões de clientes, 32 centros de saúde, milhares de médicos e enfermeiras, os doentes recebem tratamento em cadeia e não são mandados de Herodes para Pilatos como na Holanda. Num só sítio recebem todos os cuidados que necessitam.

Na minha opinião o Ministro holandês tem razão. Há também vantagens em partes do sistema americano.

Range-o-Dente disse...

CdR:

"Mas assim como o sistema americano tem falhas - há 46 milhões de americanos sem seguro"

Em Portugal, quase 100% da população não tem seguro.

Carmo da Rosa disse...

@ rod: "Em Portugal, quase 100% da população não tem seguro."

Rod, tem a certeza?

Em Portugal não faço a mínima ideia como é que funciona o sistema de saúde, quanto se paga, o que se obtém, atendimento, caixas, hospitais etc etc.

É um belo tema para quem quiser pegar nele, eu que não me meto noutra. Injecções, operações e sangue faz-me desmaiar.

O-Lidador disse...

CDR, dê as voltas por onde der, o sistema assenta no controlo estatal e os limites são óbvios. Se a conta subir, isto é, se os planos saírem furados (na URSS havia planos quinquenais perfeitos no papel, mas que a realidade se encarregava de furar logo) o contribuinte paga. Pagará, registe o que lhe digo. Ou então a cobertura de saúde passa a ser reduzida, num lento deslizar para igualitarismo socialista que é sempre, mais tarde ou mais cedo, um igualitarismo de miseráveis.

2º POnto- Os americanos que não têm seguro, são, isso está estudado, os que não são pobres nem velhos, (esses têm o Medicaid e o Medicare) mas se acham pobres ou saudáveis, clandestinos e pessoas que estão noutra galáxia e que se estão nas tintas, ou não entendem o sistema. OLhe que até o Obama no seu recente discurso no Capitólio deixou cair esse número de 45 milhões e que é atirado para o ar de forma gratuita e sem bases. E repetido com a mesma alegria...

3º- Tem a certeza que sabe o que é o "neoconservadorismo"? É que vejo-o a utilizar o termo com a mesma pujança com que uma certa esquerda lança adjectivos sem sequer tratar de entender o que eles significam.
Nem a propósito acaba de morrer o pai do neoconservadorismo, Irving Kristol.
Faça uma pesquisa e veja o que realmente significa o termo.
Deixo-o só com uma das suas tiradas:

"Um esquerdista é alguém que vê uma menor de 14 anos a fazer um espectáculo de sexo ao vivo, e apenas lhe ocorre questionar se ela está a receber o salário mínimo"

Carmo da Rosa disse...

@ Lidador: ”na URSS havia planos quinquenais perfeitos no papel”

Este não é um plano no papel, é um sistema que funciona perfeitamente há muitos anos (com as devidas adaptações de tempos a tempos). Mais uma vez, a Holanda não é a URSS, nem nunca foi, nem para lá caminha – que eu saiba claro! É possível que ande à 32 anos completamente enganado, mas então quero ver provas, com fotografias a mexer…

@ Lidador: ” o contribuinte paga. Pagará, registe o que lhe digo. Ou então a cobertura de saúde passa a ser reduzida, num lento deslizar para igualitarismo socialista que é sempre, mais tarde ou mais cedo, um igualitarismo de miseráveis.”

Claro que o contribuinte paga. Como já disse, toda a gente paga € 1000 por ano mais 6,9% do salário, e por enquanto o serviço de saúde holandês nada tem de miserável. Diria mesmo que é excelente e não o quero de maneira nenhuma trocar pelo sistema americano, russo ou português (que não conheço, mas só o aspecto interior dos hospitais me assusta).

@ Lidador: ”…esse número de 45 milhões e que é atirado para o ar de forma gratuita e sem bases.”

O número não fui eu que o inventei nem o Obama. É o número que os especialistas (tanto os que cá defendem o sistema americano, ou parte dele - o nosso ministro - como os outros) mencionam quando falam no assunto.

@ Lidador: “Tem a certeza que sabe o que é o "neoconservadorismo"?”

Certeza certeza não tenho, mas tenho uma vaga ideia.

Um neoconservador é alguém que vê dois jovens de 14 anos apaixonados a dar uma grande queca e vai chatear-lhes a mona com religião. Dizendo-lhes, entre outras coisas, que só se deve dar quecas depois do casamento e nada de prazer, apenas reproduzir a espécie. As barbaridades do costume que os neoconservadores ouvem na TV de charlatões que dizem estar em directo contacto com o Altíssimo (a versão milionária do imã de barbas muçulmano), enquanto que eles vão à socapa a uma casa de tias…

Range-o-Dente disse...

CdR:

"É o número que os especialistas"

Pois. Os "especialistas".

45 milhões de pessoas não têm seguro muito embora a maioria delas tenha o correspondente ao Serviço Nacional de Saúde português. Mesmo assim, a pequena percentagem dos 45 milhões são ... 45 milhões.

Digamos que 10% de 1000 serão, segundo os "especialistas" 1000.

Enfim, matemática de "especialistas".

.

ml disse...

há 46 milhões de americanos sem seguro

Pois há, sr. Carmo, sem seguro e sem nada, porque a própria cobertura pública é um seguro a expensas do estado.
Por isso, quando se diz que 'there are 46 million uninsured Americans', significa que não têm um nem outro, nem ‘public healthcare insurance’ nem ‘private healthcare insurance’ e nem sequer acesso aos cuidados primários.

Para evitar meros joguinhos de palavras, principalmente na Europa que muitas vezes desconhece o sistema, os próprios americanos normalmente preferem referir os '46 million without health coverage'.

Os EU são o único país entre as nações industrializadas que não fornece cobertura de saúde a todos os seus cidadãos. Actualmente, 46 milhões de americanos estão fora de qualquer cobertura.

AMERICAN JOURNAL OF PUBLIC HEALTH, 'Seguro de Saúde e Mortalidade adulta nos Estados Unidos’
17/09/2009

Andrew P. Wilper, MD, MPH; Steffie Woolhandler, MD, MPH; Karen E. Lasser, MD, MPH; Danny McCormick, MD, MPH; David H. Bor, MD; David U. Himmelstein, MD


Qualquer país europeu substancialmente mais pobre, como Portugal, fornece melhor cobertura e essa imagem hoje envergonha muitos americanos, agora que a globalização da informação lhes permite comparar.

Carmo da Rosa disse...

@ rod: ”Em Portugal, quase 100% da população não tem seguro”.

Se em Portugal 100% da população não tem seguro e nos EUA apenas ±18%, quer isto dizer que, neste aspecto, o sistema de saúde americano funciona melhor… que Portugal.

@ rod: ”45 milhões de pessoas não têm seguro muito embora a maioria delas tenha o correspondente ao Serviço Nacional de Saúde português.”

Muito possível, não faço a mínima ideia, mas eu não estava a comparar o serviço de saúde americano com o português, mas sim com o holandês.

Rod, na realidade estava à espera que você fizesse essa comparação – sistema americano versus sistema português – com as respectivas vantagens e desvantagens, com números fiáveis, o que se paga, a qualidade dos serviços. Tudo alinhadinho, lado a lado e de forma que toda a gente possa entender.

Ah, e deixe estar o post sossegadinho uns dias – não enfie fotografias nem anedotas em cima com duas tretas – para dar tempo a toda a gente pensar no assunto e comentar. Que acha da ideia?

Carmo da Rosa disse...

@ ml: ”essa imagem hoje envergonha muitos americanos, agora que a globalização da informação lhes permite comparar.”.

E o mais engraçado é que ainda por cima o sistema americano é muito mais caro. Por causa das indemnizações surrealistas que os advogados conseguem subtrair em tribunal. O que por um lado obriga os (excelentes) hospitais a ‘overtreatment’, não vá o diabo tecê-las, e por outro a seguros elevadíssimos...

ml disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ml disse...

Por causa das indemnizações surrealistas

E não só. Aliás essa nunca tinha ouvido nem lido. O que é apontado pelos vários researchers americanos como causa dos custos elevados é o desperdício derivado da dispersão do sistema e a falta de coordenação em grande parte devida a tecnologia ultrapassada. Como é um país enorme, em que de estado para estado variam as regras de acessibilidade ao sistema público e as valências que cada serviço oferece aos diferentes grupos sociais, o resultado final é uma manta de corpos autónomos sem hipótese de rentabilização de meios e de gastos.

Como o sistema, já de si pouco eficaz, tem vindo a deteriorar-se de ano para ano, com pesado reflexo na percentagem de mortes, deficiências e faltas escolares e ao trabalho, muito superior à dos outros países desenvolvidos, uma das propostas é conseguir baixar os custos administrativos para o nível da Alemanha ou da Suíça através de uma gestão mais racional.

A outra parte da proposta é a cobertura universal, que evitaria desperdícios humanos. Os indiferentes e insensíveis podem sempre fazer as contas e pensar no que ficará mais caro ao país, se possibilitar o acesso de todos à saúde ou arcar com os custos sociais e financeiros da mortalidade precoce e deficiências permanentes em bebés (altíssima), crianças e adultos em idade produtiva.

O-Lidador disse...

CDR, bem me parecia que não tem uma ideia consistente do que é o neoconservadorismo e pensa que é uma coisa "má", se calhar equivalente a "neooliberalismo" e tal.

Nesse aspecto limita-se a seguir a vaga da inteligentsia esquerdista que tem essa notável capacidade de criar novilíngua, atribuindo significados morais a conceitos que não apreciam.

Engana-se tb nos 45 milhões. Obama deixou cair esse nº ( não o referiu), que é uma boutade da propaganda.Se se der ao trabalho de ler o seu dscurso, verá que não consta lá.

Quanto ao sistema holandes,ou qq outro, não há milagres e a multiplicação dos pães só aquele judeu lá na Galileia, há 2000 anos.

Os custos estão sempre a subir,porque a população envelhece e porque os tratamentos são mais caros e porque os diagnósticos tb, e porque as pessoas querem mais, etc.

O estado pode impor limites ao risco, mas terá de os rever continuamente em alta, aumentando os impostos, ou então limitar os tratameentos.
É o que fazem no SNS inglês, em que há comités de peritos que decidem se a perna direita do SR Smith tem precedência sobre o ouvido esquerddo da Sra Susan.
No limite, é um burocrata estatal que tem poder de vida ou de morte sobre o cidadão.
Dito assim, talvez não incomode. Se acontecer connosco ou com um nosso familiar, talvez se entenda melhor os podres do sistema.

Ah...e a falta de inovação. Não é por acaso que é o sistema americano que produz a esmagadora maioria das inovações terapeuticas.

Sol na eira e chuva no nabal é que é difícil e só teoricamente possível na terra dos amanhas que cantam.

Sim, é possível que o sistema se aguente durante anos e pareça maravilhoso.
Aconteceu na Suécia, onde era o paraíso social-democrata até que chegou um belo dia e estava na bancarrota.

Ou na própria Gra Bretanha, obrigada a recorrer ao FMI, como um vulgar pais do 3º mundo.

Ou o estado de New York que introduziu um sistema do tipo obamico há uns anos e teve de ser salva pelo orçamento federal, in extremis, em plena bancarrota.

Carmo da Rosa disse...

@ ml: "Aliás essa nunca tinha ouvido nem lido.”

Não fui eu que a inventei, cá fala-se muito neste factor como razão dos altos custos.

@ ml: "Como o sistema, já de si pouco eficaz, tem vindo a deteriorar-se de ano para ano,"

Mas atenção, o nosso ministro da saúde quer copiar certas modalidades do sistema americano que funcionam até melhor que a totalidade do sistema holandês. Falo mais detalhadamente do assunto no meu post É SÓ SAÚDE.

E neste ministro confio eu, porque o bacano é super-inteligente, pragmático, calmo, muito bem informado, tem resposta para tudo, explica bem e de forma convincente.

ml disse...

o nosso ministro da saúde quer copiar certas modalidades do sistema americano que funcionam até melhor que a totalidade do sistema holandês

E acredito que seja verdade. Pelo modo independente como cada estado e serviços locais funcionam, há-de haver uns de excelência e outros péssimos. Parece que no Massachusetts não é mau, pelo menos o Obama tem-se referido a ele.

ml disse...

Engana-se tb nos 45 milhões.

Vá lá, de vez em quando faça um esforço para não aldrabar. Como não os vai contar um a um, cinja-se aos números oficiais, que estão tão certos ou tão errados como quaisquer outros publicados pelo governo dos Estados Unidos.

http://www.census.gov/prod/2008pubs/p60-235.pdf

Este censo é do tempo do idio... do Bush, e isto é para prevenir mais malabarismos em relação à ‘propaganda esquerdista’.

O-Lidador disse...

POis é, ml, deve ser por isso que o Obama falou em 30 milhões, num discurso em que dramatizou ao máximo o assunto.
Ora veja:

Aqui

Por que será?


Quanto ao sistema de Massachussetts, dois anos depois da sua introdução, já havoa resultados socializantes:

Boston

O costume....

ml disse...

Pois é, prezado, os malabarismos de pequenino ratoneiro continuam (ainda não esqueci o affair Singapura). O Obama falou em ‘mais de 30 milhões'.

É claro que, como não sigo o sol-da-terra2 com essa fidelidade fiel, desconheço em que é que o Obama se baseou ou deixou de basear para preferir ser mais vago.
Há muitas explicações, como provavelmente não sabe, desde a não inclusão dos que não são cidadãos americanos e os ilegais (e ainda assim ficariam 36,8 milhões), até à nuance entre os que ‘não têm cobertura’ e os que ‘não têm acesso à cobertura’ por serem pobres ou muito pobres (cerca 33 milhões) e não serem elegíveis para o sistema público. Não sei.

O que sei é que eu, que não sou americana nem vivo a situação, cinjo-me aos números oficiais do governo e das instituições acreditadas, que tenho por tão boas como as de qq outro país. E todos batem nos mesmos números, mais milhão menos milhão, dependendo da data e dos indicadores utilizados.

O número de 45,7 milhões divulgado pelo censo, e que baixou dos 47 milhões do censo anterior, reporta-se a quem tinha tido ou não cobertura de saúde no ano anterior, independentemente das razões. O que não acontece, felizmente, na Europa, Canadá, e em muitas partes do mundo em que todos têm acesso aos serviços de saúde, independentemente de terem ou não meios para o pagar.

E também sei que em si é que não me baseio, isso com toda a certeza. Não pelas opiniões, até podiam ser um estímulo a ver as coisas por outro ângulo, mas pela prática continuada da aldrabice.

Quanto às reformas do Massachusetts, fui vaga q.b. porque na realidade não conheço os detalhes, nem como estrangeira. Por isso nada digo a não ser que, quando se colocou de novo a reforma do sistema de saúde, já se previa que a resistência ia ser brutal. Não sei se o Obama contava com mais ou com menos, mas espero sinceramente, em nome dos americanos que até a casa têm que vender para uma simples operação ao apêndice, que consiga o que os anteriores não conseguiram.

Carmo da Rosa disse...

@ lidador «bem me parecia que não tem uma ideia consistente do que é o neoconservadorismo e pensa que é uma coisa "má",»

Então dei uma ideia consistente do velho conservadorismo, que é uma coisa além de má, chata. Sobretudo para os jovens que querem dar…….

@ lidador «Engana-se tb nos 45 milhões.»

Se há engano, não é meu, é de todos os especialistas – tanto de esquerda como de direita - que cá na praça abordam este tema e é o número que mencionam.

@ lidador «Quanto ao sistema holandes,ou qq outro, não há milagres e a multiplicação dos pães só aquele judeu lá na Galileia, há 2000 anos. »

Não sei porquê mas há aqui um persistente mal-entendido que o leva a pensar que no sistema holandês há bónus, ou é dado algo de graça a alguém pelo Estado ou por outra identidade qualquer!!!

Não há multiplicação de pães nenhuma!

Há ± € 1000 por ano multiplicado por 16 milhões de habitantes + 16 milhões (fora as criancinhas que ainda não trabalham) x 6,9% dos salários mensais. Isto é muito bago. Ou você acha que € 1000 euros por ano é pouco? Por acaso a seguradora DSW é da sua opinião e anunciou hoje na TV um aumento do prémio de € 27 para € 1080, e com base nos seus argumentos: ’Os custos estão sempre a subir, porque a população envelhece e porque os tratamentos são mais caros e porque os diagnósticos tb, e porque as pessoas querem mais, etc.’

Como vê, as seguradoras podem pedir o que quiserem, mas estão sujeitas a concorrência, porque ainda não chegamos a Cuba.

@ lidador «Não é por acaso que é o sistema americano que produz a esmagadora maioria das inovações terapeuticas. »

Ao contrário de muitos americanos os holandeses, através do seu ministro da saúde, reconhecem os defeitos do seu sistema – eu falo disso no meu post - e por isso tentam adaptá-lo, melhorá-lo, nada de mais normal.

@ lidador «Sim, é possível que o sistema se aguente durante anos e pareça maravilhoso. Aconteceu na Suécia, onde era o paraíso social-democrata até que chegou um belo dia e estava na bancarrota. »

Eu sempre conheci este sistema (com alterações periódicas)! E antes de eu chegar o sistema já estava de pé. E quando eu morrer os outros que fechem à porta. Da Suécia pouco sei, mas sei que como português não me importaria nada de trocar os problemas da Suécia pelos de Portugal.