sábado, 31 de janeiro de 2009

COMO DIZIA O OUTRO

“A política é a arte de ajudar o público a não tratar dos assuntos que lhe interessam” - Winston Churchill

“A grandeza e a legitimidade de um sistema, ou o progresso, medem-se pelo grau de felicidade que conseguem trazer às pessoas” - Albert Einstein

"Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública." - Direito de resistência, Art.21 da Constituição da República

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

1º Concurso 'Fiel-Inimigo' - Pista (2/3)

Até agora nenhum dos concorrentes acertou no local exato da foto, que se repete abaixo.

Os concorrentes mais certeiros apontam para o Alentejo e até para o Ribatejo. É bem verdade que se trata da mais genuína arquitetura popular portuguesa que se pode encontrar desde o Ribatejo ao Algarve. No entanto, aquelas chaminés são sobretudo frequentes no interior alentejano.

Embora já estejamos em condições de oferecer o prémio de consolação a um dos concorrentes, decidimos dar uma pista na esperança de que alguém identifique com precisão o lugar.

A pista é: passem para a outra margem e chegarão lá.



Com esta ajuda aproveita-se para antecipar o termo do concurso para amanhã, sábado.


Bons palpites.

O JOÃO, O EDGAR E O AMIGO DELE

O João era o mais novo dos três. O Edgar era o mais velho e o amigo finou-se nos quarenta e sete.
Sofria de muitas coisas, coitado: poiquilotermismo, que é a incapacidade de manter estável a temperatura do corpo, ficando-se precisamente ao nível da temperatura comum aos peixes e aos répteis; de prognatismo, o que lhe carregava, nas gripes, os músculos do pescoço dando-lhe aquele ar ligeiramente fantasmal; e numerosas alergias, como fôssem aos poléns, às gramíneas que andam pelo mundo durante a Primavera, ao ar do mar... Meditem na pouca sorte!
Mas isso não o impedia de ser expedito, desembaraçado e verdadeiramente genial. Já vamos ver isso, mas agora deixem que, antes de me debruçar sobre o Edgar, vos diga que há no mundo gente que não gosta da inteligencia, da liberdade, do simples acto de fazer coisas salubres e “desintoxicantes”, como muito bem disse uma senhora brasileira que usa vir visitar-nos.
Daí que não seja dispiciendo falar em pessoas como o amigo dele, o Edgar e o João.
Vamos ao Edgar: deu-se com ele uma coisa curiosa - nasceu num ano terminado em 9, morreu num outro terminado em 9. Até nisto os deuses, nomeadamente o Baco, o cumularam de coincidências! Gostavam de brincar e ele não lhes ficava atrás. Daí que tenha feito muita coisa: por exemplo “O Corvo”, por exemplo “Ullalume”, por exemplo “A queda da casa de Usher”.
Era multidisciplinar, o nosso homem - assim como no resto da vida: scotch, brigas, amores impossíveis, viagens imaginárias. O amigo dele também alinhava nas interrogações ao destino. Antecipava factos, era como uma (sensível) máquina de raciocinar e sonhar o que viria depois, ainda que por vezes em estilo pesadelo. Aí adiante lerão uns versos que até parecem talhados sobre a figura dum tal ben Laden, que bem/mal se conhece. Mas não nos antecipemos...
O João era o mais novito. E o melhor apessoado. Parece que lá na sua Irlanda natal as vizinhas do moço se perdiam de amores por ele e as suas mamãs diziam enlevadas: “O João (John) Updike era mesmo um papossêco p'ró apetite da minha filha”...
Os outros seduziam menos. O Edgar (Allan Poe) era baixinho e magrito e tinha um ar de alcoólico. Mas aqueles olhos! Luziam como estrelas vindas de muito longe – e o amigo dele, o Howard Philips Lovecraft ia na mesma rota.
Estão os três mortinhos da silva – o João marchou há poucos dias, o Edgar celebram-lhe agora o aniversário do nascimento e da morte, o Howard será p'ró ano.
Agora já andam juntos, decerto, pois o João admirava muito os outros dois. Lá vão eles pelo empíreo, na mesma linha editorial...


21. NYARLATHOTEP

Do interior do Egipto eis que por fim chegou
O estranho Obscuro ante quem os felás se inclinavam;
Silencioso e descarnado, de enigmática altivez
Ia envolto em panos vermelhos como as chamas do sol-pôr.

À sua volta juntavam-se multidões ansiosas p´lo seu ditame
Mas ao deixarem-no não sabiam contar que coisas tinham ouvido;
Entretanto, pelas nações se difundia a pavorosa notícia
De que, lambendo-lhe as mãos, o seguiam bestas selvagens.

Cedo começou no mar um daninho nascimento;
Em terras esquecidas cúspides douradas cobriam-se de ervas ruins;
O chão abriu-se e auroras dementes abateram-se
Sobre as tremebundas cidadelas dos homens.

Então, esmagando o que por pirraça ele moldou
O Caos insensato o pó da Terra assoprou.

in “Os fungos de Yuggoth”(2002)
(Black Sun Editores)

Uma Estória para a História ou Talvez Não


Imaginemos as personagens seguintes de uma estória:
-um tio;
-um sobrinho;
-um primeiro inglês;
-um segundo inglês;
-um presidente de câmara;
-uma procuradora;
-a polícia inglesa.

Agora, a estória propriamente dita.

Em 2005 a procuradora recebe uma carta anónima dizendo que houve irregularidades com o licenciamento de uma construção em Alcochete. O assunto envolve o tio, o sobrinho, os dois ingleses e o presidente da Câmara.

A procuradora envia uma carta rogatória para Inglaterra na tentativa de obter esclarecimentos. Não obtém esclarecimentos e o assunto fica parado. Fica parado durante 3 (três) anos.

No final de 2008 a polícia inglesa envia uma carta rogatória à procuradora por causa dos mesmos tio, sobrinho, dois ingleses e presidente de Câmara. A polícia inglesa quer saber qual o destino dado em Portugal a quatro milhões de euros que saíram de Inglaterra destinados ao pagamento da tal construção e respetivos subornos. Estes factos, segundo a polícia inglesa, ocorreram em 2002.

A procuradora diz: “Ah, já se m’alembra, é aquele processo que tenho ali parado há 3 (três) anos, desde 2005”.

Mas não é só a procuradora que fica com a memória avivada. O tio também, e de repente lembra-se que, antes da construção, o primeiro inglês lhe tinha telefonado queixando-se de que estavam a pedir quatro milhões de euros para facilitar o licenciamento do empreendimento. O tio disse que não podia ser, que aquilo era muito dinheiro, que ia falar com o sobrinho que era ministro. O sobrinho respondeu-lhe que também achava que não podia ser, que aquilo era muito dinheiro, que o melhor era irem lá falar com ele, que era ministro.

E parece que foram. Só que o sobrinho e o presidente da Câmara dizem agora que o tio é mentiroso, que não é verdade que o primeiro inglês tenha estado na tal reunião. Segundo eles, quem esteve na reunião foram o sobrinho, o presidente da câmara, e o segundo inglês. Não se percebe muito bem qual a diferença, mas avancemos.

O sobrinho é ministro do ambiente num governo que está demissionário. Como o tempo urgia, o tal empreendimento foi licenciado e autorizado em tempo record. Para isso foi também necessário fazer uma lei, também em tempo record, que legalizou o licenciamento ilegal efectuado alguns dias antes. Simplex. A tal lei acabou por ter de ser anulada depois, já que contrariava normas da União Europeia, só que nessa altura já a construção estava acabada e em uso.

Tudo isto foi em 2002. Estamos agora em 2009, e a procuradora acha que o tio é suspeito mas o sobrinho, não.
Para a procuradora o tio é suspeito porque está elencado na lista de suspeitos da polícia inglesa. Mas para a mesma procuradora o sobrinho, que agora é primeiro ministro, não é suspeito, apesar de estar na mesma lista onde está o tio, apesar ter assinado as autorizações no ministério do ambiente, e apesar de ter assinado a lei que tornava legal a autorização anterior.

Conclusão: Portugal é “porreiro, pá”.

Ainda não se conhece o final desta estória. Uma coisa é certa: Ou esta estória é apenas mais uma estória, como foi o processo UGT, a Emáudio, o primeiro processo ‘Casa Pia’ (não o atual, mas o anterior que prescreveu por completo), os sobreiros; ou então esta estória vai passar à História.

A minha bola de cristal, que costuma antecipar corretamente umas coisas, desta vez recusa-se a predizer o futuro. É esperar para ver.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Avalancha

Valerá a pena dedicar algum tempo a esta avalancha.

Entretanto, umas quantas trombetas da parvoíce continuam, impávida e serenamente, a urdir cataclismos:

Cataclismo 1 (100 ou 200 anos), cataclismo 2 (1000 anos), cataclismo 3 (o que se quiser).

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1º Concurso 'Fiel-Inimigo' (1/3)

Lançamos hoje o primeiro concurso do Fiel-Inimigo.

Pretende-se saber em que localidade foi obtida a foto abaixo.


Naturalmente que os conhecedores da arquitetura regional portuguesa estão em vantagem.

O primeiro concorrente que acertar ganha uma viagem de ida e volta à Polinésia Francesa com estadia em hotel de 5 estrelas durante 15 dias para três pessoas, ele próprio e dois acompanhantes.

Caso não seja encontrado nenhum vencedor, o concorrente que ficar mais próximo do local exato ganha um prémio de consolação: o FI só paga a viagem dos dois acompanhantes; o concorrente premiado terá de pagar a sua própria viagem.

O concurso termina no próximo domingo ou antes caso entretanto algum concorrente identifique corretamente a localidade.


Bons palpites.

Fósforo branco ( WP)

FÓSFORO lava mais BRANCO (white phosphorus)


Não sei se alguém se recorda, mas em 2006, na guerra contra o Hezbolah, a aliança islamista e esquerdista, bravejava fúrias contra os crimes de guerra sionistas, e berrava que Israel usava 'ilegalmente' cluster bombs…

De facto Israel usava e usa munições de fragmentação, como todos os exércitos em guerra. Passada a histeria propagandística, as odiosas clusters bombs regressaram à gaveta, e as únicas condenações tiveram lugar na cabeça dos esquerdistas europeus, que todavia nem uma única vez levantaram a voz contra os milhares de rockets que caíram sobre povoações israelitas e que também explodiram e se fragmentaram, como é típico da maioria das bombas.

Agora andam por aí aos pinotes os maluquinhos do fósforo branco, gritando outra vez contra os crimes de guerra sionistas e o uso ilegal de bombas de fósforo. Garantem, arrepelando os cabelos, que há provas de que Israel usou fósforo branco, como se constatar que a água molha, fosse uma prova da conduta criminosa da água.


De facto Israel usou granadas de fósforo branco (WP), munições ao serviço de todos os exércitos, disparadas de morteiros e peças de artilharia, para sinalização, cortinas de fumos, iluminação, etc.

O fósforo branco é também largamente usado nos flares que os helicópteros e os aviões largam constantemente em operações, e que se destinam a atrair mísseis que perseguem fontes de calor.

O tipo de granadas usadas em Gaza, e que largam os pedaços de fósforo a uma determinada altura, foi intensivamente utilizado no Iraque, quer para criar cortinas de fumos, quer como arma psicológica contra combatentes em abrigos.

A táctica americana em Falujah consistia em usar granadas de WP para fazer saltar o inimigo dos abrigos, e granadas explosivas HE para o aniquilar quando já estivesse cá fora.

Os israelitas observaram a técnica e utilizaram-na em Gaza. Em 1994, na batalha de Grozny, 4 em cada 5 granadas disparadas pela artilharia russa, eram de WP. Na verdade o W.P não é proibido por nenhum tratado do qual Israel seja signatário.

Alguns países aderiram ao Protocolo III da Certain Conventional Weapons Convention (CCWC), o qual também não proíbe o uso de WP, como uns certos activistas do absurdo acreditam, ou pretendem fazer crer, na permanente compulsão para diabolizar Israel.

Dito isto e sabendo-se que até o nosso Exército tem milhares de granadas de WP, mesmo que Israel fosse signatário do Protocolo III, a verdade é que não teria cometido qualquer ilegalidade quanto ao uso do fósforo branco na guerra contra o Hamas.

As granadas que utilizou não era incendiárias e o Protocolo estabelece com meridiana clareza que granadas de fumos, iluminantes e sinalizadoras, NÃO são consideradas incendiárias, mesmo que tenham alguns efeitos incendiários.

O que o Protocolo proíbe aos signatários, é o uso de armas incendiárias (armas criadas para incendiar, como o napalm, por exemplo), com o único fim de matar civis. Coisa que não aconteceu em Gaza.

Proíbe também que sejam atacados alvos militares em zonas de concentração de civis, com armas incendiárias lançadas de plataformas aéreas. Coisa quetambém não aconteceu em Gaza.

Proíbe ainda o uso de granadas incendiárias lançadas por artilharia sobre alvos militares em zonas de concentração de civis, excepto se forem tomadasprecauções susceptíveis de minimizar os efeitos sobre civis. Ou seja, mesmo um signatário do Protocolo (que Israel não é) poderia ter usado muniçõesincendiárias (que Israel não usou) em áreas edificadas, desde que tomasse algumas precauções, sendo uma delas avisar a população civil para abandonar a área do objectivo militar. 

Na verdade, mesmo não tendo usado meios incendiários, Israel avisou as populações para abandonarem as zonas de combate, através de televisão, rádio, telemóveis, altifalantes e panfletos, o que demonstra um cuidado extraordinário e sem paralelo em qualquer outro conflito de que haja memória.

Em suma e para concluir:

1. O uso de WP é legal, mesmo para os estados signatários do Protocolo III.

2. Ainda que Israel fosse signatário do Protocolo III, não o teria infringido, uma vez que não usou armas incendiárias.

3. Os "crimes de guerra", são apenas uma estridência propagandística que certas pessoas deglutem sem mastigar, incapazes de perceberem que estão a ser tocadas à vara e usadas como ovelhas para balir os slogans que interessam ao islamofascismo e ao anti-semitismo.

O CANTINHO DOS PACATOS

Este é um pequeno recanto cíclico, hoje aberto para os leitores mais traquinas dos 7 aos 77 anos, como dizia no “Cavaleiro Andante”, poderem repoltrear-se um bocadinho descansando dos factos ingentes com que diariamente o nosso tempo nos mimoseia e a equipa do Fiel reproduz, quantas vezes com que angústia existencial.
Deixemos a retórica e passemos adiante. Assim, abrimos a porta deste recreio com o sketch intitulado

As biografias imaginárias

Todos nós temos, creio eu, medos subconscientes, sonhos e fantasias de que mais ou menos nos envergonhamos ou orgulhamos conforme os casos - e não me estou a referir àquilo em que marotamente estais a pensar.
Por exemplo: uma das eventuais nossas figuras públicas mais em voga recolher ao leito, adormecer... e de repente sonhar que acordava de manhã e tinha outro nome e outra biografia:


“Leandro Lambote, que se licenciou em Arosamento de Deques e depois iria exercer diversos cargos na administração pública e privada até ser depositado nas funções que ocupa, sempre foi um bom sacrista. Disciplinado e disciplinador, era na juventude um maravilhoso hipócrita, melífluo para com os superiores hierárquicos que bajulava como ninguém.
Este excelente exemplar de falso irmão sempre teve jeito para se insinuar. Foi uma bela escola de vida a que ele teve: parece que mete o poviléu no coração e, no entanto, congemina sem parar como levá-lo ao depauperamento controlado.
Quando fez a tropa chamavam-lhe o “tubarão raquítico” porque, sendo um notável intriguista, não tinha cara para levar uma lambada. Aquele sorrisinho de padreca transalpino deve colocar-nos em guarda contra as suas malfeitorias. É um espectacular malandrim – e parecendo que não parte um prato e todo ele é encanto, cuidado se entrardes com ele num aglomerado de gente: poderíeis ficar sem o relógio de corrente…
É um tipinho cheio de recursos: tem ligações com meio mundo, da classe empresarial ao meio eclesiástico, dos recintos económicos até aos futebolísticos, manipulando pessoal a seu belo prazer como experiente machacaz que é. Se não existisse tinha que ser inventado. O facto é que se conseguiu munir de um vasto património.
À boca calada conhecem-no bem e aos seus manejos de politicão arremanchado. Boas gargalhadas têm dado nos areópagos internacionais à sua custa. Contudo, sendo como é um bom palonço, julga-se uma personalidade de grande nível.
Tende cuidado, o seu estilo vivaço-espertalhaço promete ainda grandes dissabores à nação!”.

Este “esboço de biografia” é como já se percebeu inventado de cabo a rabo. Tal qual se lê nos romances e fitas,“qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência”. Portanto, é escusado tentarem descortinar quem é o sujeito público que aqui se perfila inventivamente.
Se uma ficção destas fosse possível, no entanto, que belo susto o “biografado” apanharia ao acordar no pesadelo!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Omissões Anti-Semitas

Na sequência da ofensiva do exército do Sri Lanka sobre o território controlado pelos guerrilheiros da minoria tamil, a BBC informa que “Humanitarian groups have said a major crisis is looming for 250,000 civilians with reports of hundreds killed.”

Esta notícia era um pequena chamada na primeira página da BBC ao fim da manhã. No entanto, um par de horas depois, a única forma que temos para a encontrar é por pesquisa no site. Um tratamento jornalístico completamente oposto àquele que foi dedicado ao ataque das FDI contra os terroristas do Hamas em Gaza.

Mas não é só a BBC.

Sobre o conflito em curso no Ceilão (que se agravou no último mês) e os milhares de mortos civis que ele já causou, ficam três questões:

-Houve conferências em direto de responsáveis da ONU? Não.

-Onde estão as cadeias de tv internacionais? Não estão.

-O que dizem os moralistas islamófilos e/ou os anti-semitas disfarçados de defensores dos direitos dos palestinianos? Nada.

Tudo completamente oposto à exposição que foi dada ao ataque ao Hamas em Gaza.
Os civis palestinianos são para lembrar, fotografar e exibir, os civis tamil são para esquecer.
Os soldados de Israel são “maus”, os soldados do Sri Lanka não interessa o que são.

Outra vez os dois pesos e as duas medidas do anti-semitismo destes dias.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

CARTA A UM CONFRADE

“O terrorismo é a acção de imprimir, mediante métodos cruentos ou outros o medo, o desespero e o abandono da decisão de resistência no adversário ou oponente” - General Belisário

Caro Xis

Como lhe prometi, apanho uns minutos para lhe enviar estas breves reflexões, que são efectuadas com estima e, também, muita preocupação, uma vez que como referiu num seu escrito Jacques Bergier, que foi membro da Resistencia Francesa e um resistente importante, "o terrorismo pode ganhar, caso aqueles que o enfrentam não o façam com determinação e lucidez".

No caso do terrorismo actual, verbi gratia o mais perigoso e actuante, o terrorismo muçulmano, infelizmente e depois de análises profundas e preocupadas a que tenho procedido, verifico que ele está a ganhar a batalha. E isto é assustador. Passo a explicar-me:

a)
Talvez no terreno operacional a sociedade democrática e as forças oficiais que têm o dever de a proteger, tenham conseguido vitórias pontuais. Mas noutro plano, o plano da propaganda e da conquista interior, pela manha e aproveitando o laxismo que vai grassando nessas sociedades, eles estão a conseguir inegáveis vitórias, cujas causas e efeitos devem ser ponderados para se poder efectivar uma defesa eficaz.
Caso contrário, a médio prazo - e já nem falo em longo prazo - eles vencerão.

b)
O terrorismo, como é óbvio, não actua só no plano imediato, que se contrabalança mediante a preparação de boas e experientes, bem organizadas e bem equipadas forças de segurança. Ele actua num outro, que se diria secundário mas que é fundamental: na preparação do terreno, através de uma prática insidiosa levada a cabo por partidários seus que escavam a determinação do adversário: e eis que aparecem, com grande insistência, exigências absurdas - "direitos" que eles exigem nas universidades, na profissão, nos costumes quotidianos, mesmo já nos hábitos dos países que recebem a sua emigração por exemplo. E às quais a sociedade (onde buscam formar verdadeiros ghettos de privilégio) ou por cegueira produzida por uma falsa concepção de direitos democráticos, ou por laxismo proveniente de um "politicamente correcto" e um "multiculturalismo" mal entendidos, dá cobertura sem verificar que está, paulatinamente, a colocar a corda ao próprio pescoço.

Ou seja: numa sociedade democrática, saudável e real, deve haver CIDADÃOS que podem ser cristãos, judeus, budistas ou muçulmanos; e não cristãos, judeus, budistas ou muçulmanos que, se lhes apetecer, podem ser cidadãos...

Aqui reside o fulcro do problema. Esta é que é a fraqueza de base da nossa sociedade. E por isso ela está a perder a batalha.

Que dizer, por exemplo, ao deixar-se que (e neste caso falo dos muçulmanos, que são o perigo real e mais urgente) sempre sob a ameaça velada de que podem ser seduzidos pelos "extremistas", ou no mínimo ficar ofendidos (e daí?), se consente que em inúmeros casos eles reivindiquem ofender os Direitos Humanos mais elementares, com o pretexto que a sua religião lhes dá cobertura e acolhimento?

Esta é, por exemplo, a forma "pacífica" e realmente insidiosa, porque ardilosa, de criar pouco a pouco um terreno favorável a um domínio inegável e que NÃO DEVE CONSENTIR-SE. Pois, no fundo, esse terrorismo não é mais que a fórmula violenta e expressa que assume o desejo de domínio mundial do Islão, QUE É COMUM E MESMO INSCRITA NO LIVRO SAGRADO, assim dito.

Não é democrática, porque visa suprimir e ultrapassar os direitos dos outros.

É assim que já se censuram, de forma ainda "cordata" de momento, mas bem real e efectiva, por exemplo as palavras de um cardeal, que no seu múnus tem o direito de alertar os cidadãos para os problemas que o islamismo está a pouco e pouco a INCREMENTAR (é disto que se trata). Claro, por enquanto mostram-se apenas magoados...Têm pouca força. Se fôsse por exemplo em França ou Inglaterra, basta ler-se a grande imprensa, haveríamos de ver...! (Vê-se a cada passo!).

E neste quadro não podemos esquecer (se o fizéssemos não passaríamos de simples tolos ou, no limite, pior que isso) o papel importantíssimo que têm tido as chamadas "quintas-colunas", em geral integradas por antigos partidários do Leste implodido, que levados pelo seu ódio ao Ocidente democrático transferiram a sua fidelidade para os Estados ou grupos islâmicos que, a seu ver, vão liquidar o "mundo burguês"...

c)
Para se compreender o fenómeno crescente do terrorismo islâmico, tem de compreender-se o facto histórico que lhe está subjacente: a imposição do Califado.

Este é o cerne da questão. O terrorismo expresso, para o qual há ainda Leis, pode combater-se e está a combater-se, mais acertada ou inábilmente. Mas como combater a avançada insidiosa e que, bem vistas as coisas, consegue de maneira "pacífica" o que os outros buscam de forma mais brutal?

Mediante leis equilibradas, o Mundo Democrático e livre, sem ceder a chantagens, tem de dizer firmemente: "Pratiquem a vossa religião. Há liberdade para isso. Mas a sua prática não vos dá o direito de ultrapassarem os direitos humanos que tanto custaram a conquistar. A prática da vossa religião não pode consistir, nem consentiremos que se sobreponha, numa forma de obviar à prática da cidadania democrática. De contrário, é apenas um instrumento de pressão e subversão inadmissível!".

Caso não haja - e o tempo começa a esgotar-se - esta determinação inscrita em Leis sensatas, é só uma questão de tempo até ao domínio do Islão, de forma total e totalitária. Que é o que o terrorismo visa.

Pensar-se que vamos ser depois "suavemente tratados" pelos "moderados", é pura ilusão. Veja-se o que realmente sucedeu historicamente - e não através de contos de fadas - no domínio muçulmano...A bibliografia é abundante.

E porque - não me dirão? - haveremos nós de ter existir sob o calcanhar (que já se desenha em certos lugares) do ímpeto e leis islamitas?

Com que direito nos querem obrigar a viver no Império de Mafoma? Com o mesmo "direito" que, cá, lhes permite todo o proselitismo e, lá, condena praticantes da fé cristã a mortes ignominiosas?

Caso o Ocidente democrático não abra os olhos com sensatez, acabará mal. Em Byzancio sucedeu isso. Não queiramos repetir o erro. Pois é disto que se trata.

Confio em que leve a quem o puder ouvir a sua palavra clara e profícua. Lúcida e democrática.

Remeto-lhe o velho abraço do seu, de sempre

josé lencastre

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Histeria Anti-Semita

Ao fim de três semanas de intensa lufa-lufa anti-israelita, a esquerda histérica dá folga à garganta e às teclas e aproveita para um merecido descanso. Este é um bom momento para discorrer sobre as razões, conscientes ou não, que puseram a esquerda histérica em tal alvoroço.

Para perceber o que este conflito tem de tão especial talvez seja boa ideia pô-lo em contraponto com outros conflitos ativos e que não despertam clamores indignados nem especiais preocupações à esquerda histérica. Tomemos alguns casos:

-Sri Lanka; o exército combate as guerrilhas independentistas do Tamil Eelam. A população tamil habita uma zona bem delimitada do Ceilão e constitui uma identidade nacional claramente definida. No combate contra as guerrilhas, o exército não poupa as populações da minoria tamil. Onde estão as manifestações a favor da luta pelo direito à independência do Tamil Eelam promovidas pela esquerda histérica?

-Chechénia; as tropas russas mataram indiscriminadamente civis, cometeram barbaridades contra inocentes perante o olhar distraído de quase todos. É difícil imaginar povo mais humilhado e massacrado noutro qualquer lugar do mundo. Os chechenos não contam com o apoio da ONU nem de qualquer outra instituição internacional. Onde estão as lágrimas e os clamores da esquerda histérica?

-Darfur; o exército e as milícias apoiadas pelo Governo já mataram cerca de 300 mil civis. A violação de mulheres e menores faz parte dos procedimentos habituais dos agressores. Estão atualmente deslocadas mais de um milhão de pessoas. Os desalojados vivem em situação muito difícil nos países vizinhos e no próprio Sudão. Apenas uma parte deles conta com a ajuda alimentar da ONU e de alguns dadores internacionais. Centenas de milhar de homens, mulheres e crianças morrem de fome e sede longe da sua terra. Quantas manifestações foram organizadas frente à embaixada do Sudão pelos militantes da esquerda histérica?

-Congo; um Governo corrupto apoiado por alguns países europeus combate a guerrilha opositora. Tropas governamentais e da guerrilha chacinam populações civis sempre que atuam em áreas de etnias que suportam as forças opostas. Quantos posts foram escritos sobre o assunto nos blogs moralistas da esquerda histérica?


Então, o que é que o conflito em Gaza tem de tão especial comparado com estes? Qual é o condimento que faz com que a esquerda histérica grunha tanto contra Israel e se cale ainda mais sobre estes outros conflitos, todos eles mais graves?


Para perceber, comecemos por procurar o que há em comum entre estes casos e o conflito árabo-israelita.

Em todos eles está presente uma desproporção de forças entre os contendores. Em todos existem crimes de guerra incomparavelmente maiores que aqueles que se pretendem assacar a Israel. Em todos eles a parte mais fraca tem muito menos privilégios e cuidados que os dispensados aos palestinianos por vários países e por organizações internacionais.

Portanto, não é o que estes conflitos têm em comum que nos fará perceber o porquê de tanta verborreia da esquerda histérica contra Israel.

Tentemos então refazer comparações começando pela outra ponta: o que é que o conflito árabo-israelita tem que os outros conflitos não têm. Terá de ser por aqui que descobriremos qual o móbil da esquerda histérica.

Então, o que é que Israel tem de diferente por comparação com Rússia, R.D.Congo, SriLanka e Sudão? O que faz de Israel um caso tão especial que o distingue dos outros e atrai a animosidade da esquerda histérica?

O que distingue Israel dos outros é que Israel é um Estado essencialmente judeu. É isto que Israel é e que os outros não são. É a natureza e a génese judaica de Israel que, consciente ou inconscientemente, move e impulsiona as aversões da esquerda histérica e a levam a dar tanta importância a este conflito e a ignorar qualquer um dos outros, apesar de qualquer dos outros conflitos ser maior e mais grave do que este.

Em conclusão, a esquerda histérica é movida a cinismo e a anti-semitismo, como muitos já perceberam e outros tantos desconfiam. Não é por mera coincidência que a esquerda histérica anda de braço dado com nazis e islamitas.

Esteroides

domingo, 25 de janeiro de 2009

Transparente como carvão


Nem de popósito! Ainda no outro dia expressei aqui as minhas dúvidas acerca da eficácia das medidas de Obama para melhorar a transparência do lobbying nas instituições legislativas americanas.

Vejam este artigo na Associated Press.

«Lobbyists are hard at work figuring out ways to grab a share of the money for their clients, but the new rules mean they're doing so indirectly — and sometimes in ways that are impossible to track.»

O staff de Obama parece não ter percebido que as regras anteriores estavam desenhadas para tornar o processo transparente ainda que não se preocupassem especificamente com a moralidade da actividade do lobbying. Podia haver "imoralidade", mas ao menos era visível e ,de certa forma, controlável.

Digam lá que não sou um génio da análise económicó-politicó-coiso...

Educação Hamas: Área de Projecto

As nossas crianças à nossa imagem

As cadeias de propaganda locais do Hamas, RTP & Cª, anunciavam ontem: "O ministério da Educação do Hamas anunciou que as crianças de Gaza puderam, finalmente, voltar à escola" (citando de memória).

Mais uma prova da agressão sionista

A verdadeira verdade

A idioteira*1 de serviço, volta e meia, acomete-se de borbulhagem*2 por causa da censura, da falta de liberdade “imposta” pelos israelitas aos “jornalistas” que operam, ou que querem operar em Gaza.

A história é velha, conheço-a de perto.

Os idiotas aterram em Israel, e querem ir para Gaza em busca de “provas” para dizer, de Israel, cobras e lagartos.

Mas não querem a coisa de qualquer forma. Querem ir a Gaza, mas não se querem lá deslocar por própria conta e risco. Querem que Israel lhes dê “garantias de segurança”.

Garantias de segurança porque sabem, de cor e salteado, que o Hamas desataria a enviar salsichas de variado tipo (ajuda humanitária), algumas em dose de elefante, a Israelitas, usando os ardinas como escudo. "Esquecem-se" de exigir garantias de segurança ao Hamas e pedem-nas a ... Israel.

Claro que poderiam entrar em Gaza pelo Egipto mas, provavelmente, seriam raptados ainda no Egipto (para serem trocados por uns quantos telemóveis, ou valor correspondente) e, mesmo que conseguissem entrar em Gaza, seriam tornados “excelentes exemplos da agressão israelita” sendo despachados ao outro mundo, eles, como hereges, elas, como virgens requentadas.

Israel conhece muito bem este “voluntarismo por causas nobres” e mantém-nos na zona da fronteira ao alcance dos mísseis do Hamas, coisa que os irrita profundamente e lhes permite despachar umas quantas baboseiras, via satélite, contra a “opressão israelita”.

...

Ficou nos anais do jornalismo, há uns anos, a cena pela qual uma palermoide jornalista da RTP foi à (antiga) Jugoslávia dizer mal da NATO. Ela e um colega entraram por ali dentro, ignorando os avisos da NATO, armados em “reveladores da verdadeira verdade”, e dirigiram-se a uma zona que os obrigaria a passar por um túnel.

A escassas centenas de metros do túnel ‘aproxega-se’ um F16 e espeta um par de belinhas dentro do túnel, fazendo-o abater, e deixando os “jornalistas” cobertos de poeira mais morena que a cor em que ficaram.

MALANDROS, vociferava a jornalista ainda com os dentes todos a abanar.

... e não se ficou por aí. Uns dias mais tarde ‘eizea’ em plena conferência de imprensa, qual Ana Gomes, furibunda (mais furi que bunda), a perguntar a um general dos Estados Unidos “porque é que a NATO tinha bombardeado jornalistas”.

Aaaaaiiiii .... que car...o!

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*1 - Gosto mais assim, embora um mostrengo do B. Gates me diga que é mais para o lado de idiotia.

*2 - No caso da ML é um piropo. Tá a ver? Não se deixe ir abaixo por causa das manas da Jane.

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Gert Wilders e a liberdade de expressão

Há uns tempos fui acusado de difamação por, num texto publicado num jornal local, ter tecido considerações menos abonatórias sobre a conduta de um indivíduo no desempenho das suas funções numa determinada associação.

O indivíduo considerou-se difamado, o Ministério Público acompanhou, e em menos de um fósforo aí estava eu acusado de dois ou três crimes e sob a exigência de uma indemnização de 3 mil euros.

Requeri abertura de instrução, apresentei os meus argumentos e na semana passada a juíza deu-me razão, com um despacho de não-pronúncia que é um hino à defesa da liberdade de expressão e uma vigorosa admoestação ao carácter do queixoso o qual, de resto, ficou com um melão de fazer inveja a Almeirim, especialmente quando passei por ele com um riso escarninho.

 

Isto é um caso pessoal, mas refiro-o aqui a propósito do ataque que a liberdade de expressão, um dos direitos humanos fundamentais, está a sofrer no Ocidente, face à investida islâmica.

 

Creio que o Carmo da Rosa nos irá dar conta disso, mas na Holanda, na libérrima Holanda, um tribunal acaba de fazer suas as regras draconianas que a Arábia Saudita usa para impedir a blasfémia, pretendendo julgar Gert Wilders pelas suas críticas ao Islão.

O racional parece ser o de que as críticas de Gert Wilders são ofensivas.  Como as minhas relativamente ao indivíduo que acima referi. 

E é porque as críticas podem ser (em ordinário são) ofensivas, que existem leis para proteger a liberdade de expressão. Para alguém  escrever que o sol nasce e as andorinhas fazem os ninhos, não são necessárias leis protectoras. Se a liberdade de expressão for abalroada por poder ser ofensiva, então não haveria sequer qualquer discussão política.

 

O tribunal holandês que se prontificou a adoptar a sharia no caso de Gert Wilders, produziu uma argumentação perturbadora, afirmando que  Gert Wilders deve ser processado, entre outras coisas por  " insultar os muçulmanos, ao estabelecer comparações entre o Islão e e o Nazismo".

(coisa que eu faço constantemente, aliás)

 Ora a ideia de punir pessoas por ofenderem os sentimentos religiosos de outrem, é exactamente aquilo que os países islâmicos pretendem há vários anos, ou seja que o Ocidente adopte leis contra a blasfémia e  a "difamação do Islão". O que, para vergonha da ONU,  levou já à criação, no Conselho das Nações Unidas para os direitos humanos, de um special rapporteur para a liberdade de expressão, cuja tarefa principal é fiscalizar os "abusos da liberdade de expressão", nomeadamente em matéria religiosa, particularmente do Islão.

 O tribunal holandês presta-se a  fazer aquilo que os muçulmanos da Holanda há anos pretendem: silenciar Gert Wilders, alvo já de várias fatwas e que vive sob vigilância policial 24 horas por dia.

Um país em que uma deputada tem de fugir do país devido à fúria islâmica, em que pessoas são mortas na rua por fundamentalistas islâmicos e em que a liberdade de expressão claudica face ao Islão, é cada vez menos um país livre.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Tcharam!


Olá a todos!

Começam hoje as minhas colaborações no Fiel Inimigo. Devo desde já dizer que me sinto muito lisonjeado pelo convite, surpreso por existir alguém que ache que vale a pena ler o que escrevo e que não me sinto à altura dos demais bloggers residentes. Mas um desafio é um desafio e vice-versa. O meu actual estaminé - Caldeirada de Neutrões - continua aberto mas passa a especializar-se em posts "ligeiros".

Acção!

Jus in bello


A guerra e o direito na guerra (jus in bello) não coexistem bem, mas ultimamente o relacionamento tornou-se mais difícil, particularmente nos estados de direito.

O recente clamor da estranha aliança islamo-esquerdista, reclamando sobre os “crimes de guerra” israelitas (mas não sobre os da outra parte), apesar da sua intenção propagandística, mostra que o abismo entre a razão da guerra e a razão do direito se está a alargar.

No caso da Gaza, fomos, ao longo de várias semanas, intoxicados com os números das vítimas palestinianas, números cuja fonte era o Hamas, e que os jornalistas e ONG repetiam acriticamente, sempre em tom indignado e condenatório, chorando baba e ranho sobre as “vítimas civis, nomeadamente mulheres e crianças.

Parece que nada se passou tal como foi trombeteado, como de resto já havia acontecido com a guerra contra o Hezbolah.

Segundo o Corriere della Sera , o número de mortos andará por menos de metade, os testemunhos recolhidos demonstram o uso deliberado de civis como escudos humanos, e o discurso com que os terroristas do Hamas mimoseavam os que não aparentavam grande entusiasmo com tamanha honra, é revelador:

Traidores, colaboradores de Israel, espiões da Fatah, covardes! Os guerreiros sagrados punir-vos-ão. Ireis morrer, como nós. Lutar contra os judeus sionistas garante-nos a todos o paraíso. Não quereis morrer connosco?”

(Corriere della Sera, 21 de Janeiro de 2009)

Israel, como país em guerra, é provavelmente o que tem melhor registo histórico no respeito do jus in bello, mesmo combatendo inimigos existenciais que ostensivamente violam as regras, mas hoje em dia todas as democracias têm este tipo de preocupações, e desde o Iraque ao Afeganistão, passando pelo Médio Oriente, os planos militares são constantemente adaptados para se conformarem a interpretações, muitas vezes radicais e ideológicas, do jus in bello. De tal modo que os exércitos ocidentais se vêem hoje obrigados a empregar conselheiros jurídicos, chamados a pronunciar-se previamente sobre a legitimidade dos alvos, e até dos projécteis. (a indignação quanto ao uso de granadas de fumos e iluminantes é a quintessência da estupidez colectiva, uma vez que não há UM único exército do mundo que não tenha este tipo de munições nos seus paióis, e por boas razões. Sem ir mais longe este escriba, num determinado período da sua vida, usou dezenas delas e fez elaborados cálculos sobre cortinas de fumos, usando granadas de morteiro, 10.7 e 120).

Adiante...

Uma vez que certos países europeus admitem a extraterritorialidade do alcance do seu sistema jurídico em determinados tipos de crime, os chefes militares sabem que existe a possibilidade de serem detidos e processados no âmbito de miríades de processos que, mesmo não tendo bases sólidas, levam o seu tempo a resolver-se e podem causar prejuízos irreparáveis aos arguidos/acusados.

Não estando os militares interessados nisto, na prática tenderão a precaver-se, agindo de acordo com as mais estritas interpretações do direito, em detrimento das modalidades de acção mais adequadas em termos estritamente militares.

Quem vislumbra ao longe a paz perpétua, encara esta situação com regozijo e acredita até ser um passo no caminho do "bem".

O problema é que o direito internacional só se aplica a quem o aceita e, se seguido por apenas uma das partes, torna a sua vitória impossível e a derrota provável. As leis humanitárias são especialmente sensíveis. Uma vez que levam apenas em conta as consequências para os civis, criam uma artificial dicotomia, entre as partes em guerra e os respectivos cidadãos. Dá-se um corte com a realidade que leva a razão do direito a entrar em conflito com a razão da guerra e o conselheiro jurídico a chocar com o decisor militar, cujo objectivo principal, recorde-se, não é proteger os civis do inimigo, mas sim ganhar a guerra e desta maneira proteger os civis e soldados próprios.

O resultado é perverso. Os generais abdicam de ganhar a guerra porque não querem ser processados, e a parte que não respeita as regras passa a usá-las como instrumento táctico, colocando os seus meios junto a populações civis, doravante usadas como escudo humano e instrumento de propaganda.
Aconteceu no Iraque, no Líbano, em Gaza, e está também a acontecer no Irão, que constrói deliberadamente as suas instalações nucleares junto aos aglomerados populacionais.

Paradoxalmente, foram os muçulmanos que criaram, no início do Séc VII, o primeiro conjunto conhecido de normas a respeitar na guerra, normas essas que agora violam completa e ostensivamente.

Tino para Presidente

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Rua

Das certezas

A ver se me explico. Estamos - nao muito - distantes da melancolia existencial de Beckett e da desolaçao oitocentista. Convem cavar mais fundo, o nosso personagem, inabil penitente, hesita entre a angustia e a auto-culpa, a incomunicaçao e o medo. Os demonios sao eloquentes. Como Malone - condenado à vida - sabe que é imperioso continuar e como Mishima que nao há retorno e o fim chegou. A vida é uma contradiçao e toda existencia humana patetica. A puniçao está na vil consciencia e a melancolia aqui é insulto - porque luxo de poucos. É algo mais subterraneo, um desespero a lume brando que calcina por dentro e desverbaliza (desumaniza) por fora. Como as personagens de Primo Levi, um punhado de aleijoes desfigurados na carne e na alma pela vida e pela morte. A literatura nao salva apenas adia o dia do juizo final. É isto. É isto.

Belinhas à solta

Já está Obama a despachar as pás para o Paquistão?

Legado de Bush-o-Sulfuroso?

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RIQUEZAS DA SUA AVÓ

Como por uns dias me vou embora, não p'ra Pasárgada nem p'ra Caneças, mas para as regiões transfronteiriças, deixem que eu empolgue o coração lírico e aqui deixe este pequeno excerto, verdadeira jóia a propósito da qual alguns deviam meditar. Colhi-a nas notícias do Google e não necessita, creio, de comentários adicionais...

Antigo preso de Guantanamo volta a juntar-se à Al Qaeda

O surgimento de um antigo preso de Guantanamo como «nº2» do ramo iemenita da Al Qaeda suscitou questões sobre as possíveis complicações decorrentes da aplicação do decreto do presidente norte-americano ordenando o encerramento daquele centro de detenção dentro de um ano.
O militante, Said Ali al-Shihri, é supeito de envolvimento no mortífero atentado bombista contra a embaixada norte-americana no Iémen, em Setembro.

Foi libertado na Arábia Saudita em 2007, onde foi submetido a um programa de reabilitação para ex-jhiadistas (combatentes) antes de voltar a emergir ligado à Al Qaeda no Iémen.

O seu novo estatuto foi anunciado numa declaração na Internet pelo grupo terrorista e confirmado por um responsável dos serviços anti-terrorismo norte-americanos.

«Aquele é o mesmo homem», disse o responsável sob anonimato, segundo o Herald Tribune.

A nova informação surgiu numa altura em que os congressistas republicanos criticam o plano de encerrar o centro de detenção de Guantanamo, na falta de medidas suplementares para lidar com os detidos".

TAMBÉM LÁ FORA NÃO HÁ SÓ MELIANTES

É um facto indesmentível. Seja no quotidiano, no comércio e indústria, na gestão de capitais, no pensamento político-social, nas artes diversas...
Nem todos são falsários e medíocres como o checo das esculturas pirosas e pedantes, que no entanto se abotoou com uns confortáveis milhares esportulados pela comunidade.
A ilustrar o que digo, aqui deixo à vossa consideração este poema do escritor francês Jules Morot, que não necessita de elevação a génio administrativamente, como muitos que por aí se pavoneiam.
Outras obras dele podem ser vistas na página brasileira CRONÓPIOS. Vale conferir.


Pour Gaza

Gaza la belle, Gaza la pauvre

en gésissant dans les mains sombres du Hamas

comme les enfants israéliens dans les collines d'Haifa et Siderot

sans bras sans jambes

mutilés par un rocket ou un mortier

des hommes qui feignent aimer Alah



comme autres en Europe feignent aimer Christ

pour qu' ils à nouveau érigent des parois entre la liberté

et la saveur d'une figue dans le Samaria ou la Palestine.



Je pleure tes défunts que le fanatisme a désiré

occulte comme le mensonge entre les enfants et les femmes

ils que mangeaient le pain et travaillaient dans les potagers

et jouaient à l'extérieur des madrassas

où ils volent des mots d' haine

pour qu'ils ensuite perdent l'âme sous les bombes des avions

au profit d' Allah les chefs



Gaza, tu seras libre un jour

exempte comme l'air des forêts

et du désert



Dans ton honneur j'mange cette humble figue

une pauvre figue de supermarché

comme ce s'était un gobelet de vin fin

comme s' j'honorait un mariage futur



d'un arabe et d'une belle juive.


JM

SCIENCE FICTION

- Pois bem, meu senhores - disse o mais velho, que parecia ter ascendente sobre os outros - Façamos então o ponto de situação...o ponto em que estamos de momento. Pode começar você, Lestat...

- De momento, meu caro Vlad - disse repuxando a boca bem desenhada o jovem louro e atlético - temos gente nossa bem motivada em todas as cidades do globo. O discurso que lhes é comum insiste num ponto: o nosso direito a dispormos dos nossos ritmos místicos, da nossa… "ideologia" se assim me posso exprimir. É a tecla em que temos batido sem desfalecimentos. A questão de sermos uma comunidade vilipendiada, perseguida...discriminada...ofendida. Creio que me faço entender!

- Bem visto! - ronronou Vlad Tepes com um luzir nos olhos ardentes - E a nível de jornais, de gente que faz a diferença...como páram as modas? Você, Sagramor, pode elucidar-nos?

- É p'ra já, meus amigos - preambulou o negro de estatura elevada e de musculoso recorte na sua voz cantante e fascinadora - Para já, os homens de negócios que estão à frente desse sector já se juntaram em grande parte a nós. Intuiram que têm de ser compreensivos, modernos, que tem de haver tolerância com o nosso…colectivo. E na classe política e intelectual também existe um equilíbrio paralelo...Alguns dos homens de topo e mesmo outros medianos já entenderam a razão dos nossos… direitos. E são partidários do diálogo: já se começaram a desobstruir reuniões… O próprio Jorge, o próprio Soa…

- Não me venha com esses nomes! – cortou do lado a mulher de estatura coleante, sensual, de cabelos e olhos negros retintos, agitando a mão de unhas longas e pintadas de vermelho - Esses estão para onde lhes dá a brisa, Sagramor!

- Não seja exagerada, Carmilla... - disse Vlad Tepes censurando-a com algum vigor - Esse tipo de operadores sociais pode ser bem útil à nossa causa. Os fala-baratos também têm lugar na nossa demanda, não se esqueça. Tornam as massas maleáveis, compreendeu? E quanto ao seu sector? Isso é que interessa, o resto...é fantasia!

- Bom - disse Carmilla von Karnstein - O elemento feminino vai-se portando como se espera... Um pouco de moda, um pouco de tratamento televisivo, um bocado de romantismo e de doçura para adequar as meninges... Percebem?

O jovem Lestat riu com gosto, pondo à mostra os dentes brancos e fortes como os de um lobo viril.

- Certo, cara Carmilla, certo. Boa jogada! As senhoras também terão um grande papel nesta opereta... A paz, a brandura de coração...O idealismo… Também o usei com esmero lá nos lindos Estados do meu sul natal. Parece que foi há três dias…e já lá vai uma eternidade!

- Porque bem vêem, meus amigos - disse Vlad Tepes com discernimento - O importante é levar isto, por enquanto, com mansidão e equilíbrio. O que se ganha com violências bruscas junto do grosso da opinião pública? Isso devemos deixar, quando fizer falta, para as unidades de combate...Elas sabem como agir. Quanto a nós é irmos pela diplomacia. De contrário ainda nos aparece aí de novo esse metediço, esse violento do Van Helsing e as suas exagerações. Não acham?

E na sala mergulhada em amena penumbra criada por pesados reposteiros de veludo escarlate, em volta da magnífica mesa de carvalho escuro, as cabeças dos confrades acenaram afirmativamente, como se fôssem uma só.

Como se limpa o cú a meninos

[Actualizado]

Excelentes, os comentários do Tribunus.

Chapelada.

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Citando Obama, refere Tribunus a determinado ponto:
Uma paz duradoura exige abertura das fronteiras para permitir o movimento de assistência humanitária e de comércio.
Que lê aqui a esquerda floribélica? Que a paz só será possível depois depois da abertura de fronteiras. Que está lá escrito? Que a abertura de fronteiras só será possível se a paz se prologar.

Ring a bell, ML?

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Islamismo, perdão e submissão.

O comentador lucas escreveu  que  "o Cristianismo assenta os seus postulados "NO AMOR A DEUS"[...] o islamismo assenta-os "NA SUBMISSÃO A VONTADE DE ALLAH" em primeiro lugar"

E espetou o dedo na ferida, embora eu pense que o cristianismo tem mais a ver com os conceitos de culpa e perdão, do que com amor. A nossa civilização não é o "cristianismo", mas a sua matriz ética e moral, para além das contribuições clássicas e judaicas, vem do cristianismo e este assenta sobretudo no elogio do perdão.

O Islão significa literalmente "Submissão", e louva também  a clemência e o amor de Allah, mas sem a  condicionar à clemência para com os inimigos, ao contrário da prece cristã que inclui a frase “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Poucos agiram, agem ou agirão de acordo com este ideal, mas  ele está presente nos arquétipos culturais, naquilo que se ensina, se transmite, e acaba por  reverter para a ordem social e jurídica.
O cristianismo visa a paz pelo perdão e consequente conciliação.
O Islão  procura a  paz  pela submissão do infiel ou, em alternativa, pela sua aniquilação.
Cristo manda dar a outra face, Alá manda matar os idólatras.

Como já escrevi algures por aí, numa metáfora felina, encaro o cristianismo  como um gatinho.
Já foi  selvagem, já arranhou, mas agora está mais ou menos domesticado. Por vezes afia as unhas no sofá, urina nos cantos e mostra as unhas, mas faz parte da casa e deixa-nos felizes  quando ronrona e procura a nossa companhia.

O islamismo é um tigre selvagem e esfomeado que trouxemos para casa. Não mandamos nele, bem pelo contrário. Os “proprietários” escondem-se pelos cantos, andam aterrorizados, e quando os vemos à janela, a berrar cá para fora, não é de felicidade por terem um tigre em casa, mas pelo facto de o bicho estar nesse exacto momento a trincar-lhes o lombo.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Parabéns Obama

Reconheço que nunca fui grande adepto do Obama. O facto de vir da esquerda baixa, de ter cultivado amizades perigosas , entre as quais um reverendo racista e paranóico  e um terrorista encartado de extrema-esquerda, despertaram logo a minha antipatia e temi que viesse aí um Francisco Louçã  com mais melanina, apoderar-se dos destinos do país mais poderoso do mundo.
A sua extraordinária oratória e os seus dotes encantatórios, motivaram o meu velho reflexo pavloviano de fincar os pés e não ir com a manada. Nunca gostei de multidões babadas e em transe místico, fazem-me lembrar os comícios do PCP, os terreiros de candomble, as assembleias da IURD, os Superdragões, as manifestações da extrema-esquerda e da rua islâmica e as ratazanas de Hamelin, a dançar ao toque do flautista.

Até ver, parece que me enganei, o que me deixa razoavelmente satisfeito...afinal Obama tem estado a  agir com  um pragmatismo e uma cautela notáveis o que, para mim, significa que podemos estar na presença de um indivíduo cerebral e inteligente, a milhas dos fumos ideológicos que apodrecem as cabeças de muitos daqueles que se babam e se urinam na sua presença.

As suas primeiras medidas em matéria ambiental  revelam uma eficácia absolutamente fantástica. Tem estado um frio do caraças, na Europa, na América e em quase todo o Hemisfério Norte. Não sei o que Barack Obama terá feito, desconheço as medidas em concreto, mas nesta matéria a mudança é visível.
O aquecimento global cessou completamente, graças a  Barack Obama.

Todos à manifestação, JÁ!!!


Mulheres, proletários e revolucionários de todo o mundo, uni-vos numa gigantesca manifestação internacionalista! Do mais miserável tugúrio para onde vos remeteu a opressão capitalista, até ao melhor casino de Monte Carlo, passando pela tasca mais in do Bairro Alto a que vos limitou o aviltante acaso do nascimento, juntai-vos numa só voz!
É que aquilo mesmo que desde sempre foi reconhecido como condição da emancipação humana, aquilo porque suspiraram e lutaram nossos ancestrais como indispensável à saída das trevas escravizadoras da ignorância em que eram mantidos, a instrução, disciplinada pela sã educação familiar operária, feita de esforço, de humildade e de grandiosidade no seu desejo de alcançar os amanhãs que cantam da humanidade enfim liberta dos grilhões da exploração, está uma vez mais em grave risco!
Camaradas no combate pelo mesmo sonho de uma outra Terra!, numa acção de consequências incalculáveis, mas que constitui um verdadeiro genocídio ao ceifar o futuro de cada um dos jovens embriões do Homem Novo, 170, reparai bem!, 170 escolas onde se praticava o mais tenro e elementar ensino que os retiraria à consequente e inevitável alienação provocada pela ignorância e pela miséria, foram destruídas no Paquistão, desde há uns dias, pelos talibãs! O seu objectivo declarado é impedir que as crianças do sexo feminino as possam frequentar!
Camaradas, não fiquemos em casa! Não deixemos passar mais esta afronta! Tudo depende apenas de nós!
Todos à manifestação!
JÁ!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Proporcionalidade

"Como a gente se dava muito bem com o inimigo, nós tinhamos um avião que dava para todos. Eles bombardeavam às segundas, quartas e sextas, e a gente bombardeava às terças, quintas e sábados. E lá íamos vivendo."

MÁ GESTÃO PROVOCA 1200 MORTOS EM GAZA …e 13 em Israel.


Há dois dias, numa troca de opiniões no Arrastão sobre a proporcionalidade da violência no conflito Hamas-Israel, perguntei ao Daniel Oliveira quantos Judeus deveriam morrer para a retaliação de Israel ser proporcional. Não obtive qualquer resposta! Logo a seguir um blogueiro que assina JC (não posso assegurar que seja o Cristo mas a abordagem da questão é divinal) comenta a acusação da falta de proporcionalidade por parte de Israel de maneira assaz original e resolve ao mesmo tempo o dilema da culpa. Tão pouco obteve resposta. A abordagem de JC poderia ter nas calmas como título A Esquerda são uns amigos da onça, ou então, O exército israelita é a única organização que verdadeiramente se preocupa com a saúde dos Palestinos, ou ainda, Com amigos destes os Palestiinos não precisam de inimigos. Estou a exagerar? Leiam por favor.

JC:
Daniel, imagine que Israel resolvia pedir autorização aos seus amigos da onça para, digamos, reagir proporcionalmente.

O Hamas lançava um foguete. Uma comissão de Daniéis ia verificar cuidadosamente ao terreno e verificava que o foguete tinha destruido uma estufa e ceifado o braço a um porco judeu. Não tinha feito mais vítimas porque os porcos judeus têm a mania de fazer abrigos para se protegerem da “resistência”.

Israel fica então autorizado a lançar também um foguete a esmo sobre Gaza, que vai cair num mercado e matar 15 civis inocentes (designação que só é aplicável a palestinianos, mas só se forem mortos por israelitas).

Berreiro internacional, manifestações com muitos alahu akbar e outros slogans progressistas: os porcos sionistas estão mais uma vez a usar força desproporcionada, uma vez que sabem bem que o povo palestino não tem abrigos para se esconder, uma vez que o dinheiro disponível é para fazer bunkers para os queridos líderes e bravos “resistentes” e para comprar o último modelo de míssel Grad.

Por esta altura do campeonato já Israel teria lançado ao acaso sobre Gaza para aí uns 6000 mísseis, tal e qual como o Hamas, e, a uma média (baixa) de 1,5 mortos por rocket, a coisa já ia em 9000 civis palestinianos inocentes a fazer tijolo, o que até seria pouco, dado que poucos têm acesso aos túneis… isso é para a vanguarda revolucionária.

Outra abordagem original do conflito Hamas-Israel. Desta vez escrita em Dezembro por um filósofo Persa que é professor na Universidade de Leiden, vive refugiado na Holanda e faz parte dos que têm que ser protegidos pelo estado por causa da religião da paz. Dou a palavra a Afshin Ellian:

A enorme atenção dada ao conflito na Palestina leva-nos automaticamente à questão: Será o povo palestino o mais lamentável ao cima da terra? Com certeza que não. Os Palestinos, em comparação com outros povos vítimas de conflitos, obtêm sempre mais atenção de organizações internacionais, de estados e da imprensa. Africanos e Chechenos são por vezes chacinados em massa por regimes ditatoriais – nada que se possa comparar com o que se passa na Palestina - mas para estes não há tanta antenção nem tantos subsídios.

Mas toda esta atenção de vários países e organizações para com os Palestinos não fazem com que eles sejam mais felizes. Porque na realidade esta atenção muito especial dada aos Palestinos nada tem a ver com eles, é tudo por causa do inimigo, por causa dos Judeus. Nunca vi Van Agt [ex-primeiro ministro da Holanda entre 1977-1982, católico e de direita. Nota do trad.], Van den Broek [ex-ministro dos negócios estrangeiros no mesmo período e do mesmo partido que Van Agt. Nota do trad.] ou outros membros europeus do clube anti-israel tão emocionados e tão preocupados com outros conflitos de maior envergadura. Neste caso a sensatez e a proporcionalidade é completamente posta de parte. Resumindo, os adversários dos Palestinos com a sua história bem específica é que fazem com que os Palestinos se tornem tão interessantes.

Estranhíssimo é que no mundo islâmico se passe, em relação a este conflito, precisamente a mesma coisa. Porque razão é que as autoridades iranianas estão tão intensamente envolvidas com este conflito? O Imã Khomeini, fundador da República Islâmica do Irão, já em 1969 teologizava no seu Velayat-e-Faqih [sharia para xiitas. Nota do trad.] sobre os Judeus: “O Islão já no seu início era contestado pelos Judeus. Eles foram os primeiros a fazer propaganda anti-islâmica. E ainda hoje é assim.” Traduzido em língua de gente quer isto dizer: O profeta Maomé era contestado pelos cabrões dos Judeus e nós agora também somos vítimas dos cabrões dos Judeus...

A luta e a destruição de Israel nem sempre é apenas uma questão escatológica para o governo do Irão, é também uma estratégia de sobrevivência. Trata-se de manter vivo o entusiasmo pela Jihad à custa do inimigo externo que já foi internalizado. Há trinta anos que isto é a política oficial do Irão: fundar, subsidiar e armar grupos terroristas para destruir Israel. Por isso é que no últimos dias a imprensa no Irão não fala de outra coisa. Quem seguir as notícias poderia pensar que Gaza é uma frente de combate em que o Irão está directamente envolvido! E aqui é que começam os problemas do Hamas.

Khaled Meshaal, o mais alto representante do Hamas na Síria, vai regularmente ao Irão e, logo a seguir à vitória do Hamas nas eleições em Gaza, foi convidado para uma conferência anti-israelita organizada pelas autoridades de Teerão. Khamenei, o líder religioso do país, também estava presente e corriam rumores que o Hamas, ao ter que assumir responsabilidades administrativas, poderia adoptar uma atitude mais moderada.

Para sossegar os presentes na conferência, Meshaal fez questão de sublinhar que o Hamas não é um movimento político tipo mais-um-partido. Trata-se de uma luta (ele disse Jihad) pelo Islão e da criação de um estado islâmico em terra santa. Por isso, ainda segundo Meshaal, “nunca reconheceremos Israel”.

No início de 2008 Jimmy Carter queria ver se conseguia um acordo com o Hamas através do Egipto por causa do bloqueio de Gaza. No âmbito deste acordo o Hamas deu quase a entender que era a favor de uma abertura – quase. Mas para evitar mal-entendidos entre as hostes muçulmanas radicais do Médio Oriente, Meshaal explicou o que na realidade visava com o tal acordo (tréguas). Meshaal chamou ao acordo uma tahdiya (árabe: uma pausa durante o combate): “Na gestão do conflito vamos passar de uma fase de resistência para uma fase de calmaria. Com base no nosso projecto de como gerir este conflito, o termo tahdiya tem uma conotação estratégica”. Para a seguir sublinhar que a tahdiya serve ao Hamas para melhor servir a população de Gaza: “É desta forma que a guerra é gerida. É esta a nossa especialidade. Em 2003 começamos com tahdiya para logo a seguir retomar as operações (militares). O mesmo aconteceu em 2005. (…) Este é o método de gerir este conflito.”

Para quem ainda não sabia, depois de mil anos de guerras tribais: as tréguas fazem parte da táctica militar. O Hamas simplesmente copiou o que fazia o profeta Maomé, e o profeta copiou isso de chefes guerreiros do deserto. Também o profeta tinha por costume assinar acordos por um determinado prazo, mas quando se encontrava na mó de cima retomava as hostilidades. Mas o senhor Carter não entendeu isso [não leu o Alcorão! Nota do trad.], porque é um decente e politicamente correcto ocidental.

Entretanto temos que concluir que a gestão do conflito implementada por Meshaal não funcionou. O preço da má gestão foi paga pelos habitantes de Gaza e de Israel. Será possível o aparecimento a curto prazo de uma facção moderada do Hamas? Já no dia 14 de Dezembro – por isso antes da invasão israelita – Meshaal afirmava em entrevista à cadeia de televisão Al Quds que a tahdiya foi acordada por seis meses. Acaba no dia 19 de Dezembro e, segundo Meshaal, “não vai ser renovada”.

Meshaal teve azar, porque os Judeus de Israel, sendo metade deles originários de países árabes, percebem os radicais muçulmanos de ginjeira. (Apesar do Hamas, tal como em Junho de 2008, e em plena tahdiya continuar a atirar foguetes Qassam na direcção de Israel). Será que o Hamas tem o controlo sobre todas as suas facções? Muitos há que têm interesse no recomeço das hostilidades, como por exemplo o Irão, onde o regime pode canalizar durante mais algum tempo as frustrações da população local na direcção de Israel [o mesmo se verifica neste momento na pacata Turquia. Nota do trad.]. Porque mesmo que todos os militantes do Hamas sejam mortos, Teerão vai reivindicar a vitória.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, ainda retira mais vantagem do que outros da operação militar israelita, porque desde a sangrenta tomada de poder pelo Hamas (350 mortos e 1000 feridos) existem duas Autoridades Palestinas. Os cínicos já falam de uma Solução de Três Estados. Este ano os palestinos vão ter que eleger um presidente, e isso só pode acontecer se a faixa de Gaza já estiver outra vez nas mãos da Fatah. Bem vistas as coisas isto é uma grande melhoria: é preferível um regime de corruptas famílias mafiosas que religiosos apocalípticos. Esta operação militar torna isto possível. Mas isto não implica uma solução para o conflito, e os Israelitas estão conscientes disso. Vai haver um período de tranquilidade para os dois povos, até que um deles se torne tão forte e frustrado que vá esmagar o outro. É assim que as coisas funcionam no Médio Oriente, desde o primórdio dos tempos.

Culpem a Terra


44% say Global Warming due to Planetary Trends, not people.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ela por ele


"O Governo considera inaceitáveis as expressões usadas pela drª Manuela Ferreira Leite, que está manifestamente de cabeça perdida. Esse tipo de terminologia não é própria de um grande partido democrático como o PSD", disse à Agência Lusa o ministro dos Assuntos Parlamentares, para quem, além disso, a linguagem usada pela líder social-democrata, "é mais própria de um grupúsculo político de extrema-direita". Afirmou ainda o dr. Augusto Santos Silva que, depois deste mesmo caso, o Governo espera agora "um segundo pedido de desculpas" por parte da presidente do PSD.
Haja agora alguém a lembrar ao sr. ministro que o seu partido e, em especial, o sr. primeiro- ministro deve também desculpas ao país pela linguagem que utilizou desde o 25 de Abril e, muitíssimo em especial, desde há quatro anos para cá. É que, em política, não há nada de mais ofensivo e de lesivo do que as palavras que revestem ambiguamente as intenções.

O Al-Andaluz e o progresso

Escreve um anónimo num comentário:
Devolver o que roubaram ao califado al-andaluz podia ser um bom começo.
Seria, sim senhor. Mas claramente insuficiente.

Seria absolutamente necessário devolver o terreno, sem habitantes mas deixando intactos todos os bens.

As necessidades em matéria de construção civil dos 20 anos seguintes seriam asseguradas pela conversão, em cimenteiras, da matéria prima a desenterrar dos cemitérios deixados no terreno.

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Nuclear change?

Abaixo a molécula, viva o núcleo.

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Os espantalhos sempre do lado da "liberdade" de informação

Sempre que os espantalhos de serviço* vêm reclamar de informações de médicos e jornalistas em terras que estão debaixo da pata facínora do Hamas, lembro-me sempre desta história que, comparada com a Faixa de Gaza, é uma história branca-de-neve.

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* 1, 2, 3, etc. Não estão por ordem de idioteira, por manifesta possibilidade de ponta por onde se lhes pegue.

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RTP 1 - Hamas ... muitos

Foi interessante assistir ontem à RTP, nos Telejornais, clarificar que o Hamas continua a aceitar apenas e não menos que a destruição total e absoluta de Israel.

Terá a RTP percebido o nível de anti-semitismo por onde navegava?

Terá a RTP percebido que se estava a comportar como uma correia de transmissão do Hamas?

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A repressão policial é a causa do crime

Um dia destes a Polícia matou um caramelo lá para os lados da Amadora. A autópsia revelou o que não deveria ter revelado, a Judiciária teve que entrar em campo.

Nos estados democráticos como em toda a parte há erro e estas coisas hão de sempre acontecer. Polícias morrem da mesma forma, cidadãos indistintos morrem às mãos uns dos outros da mesma forma.

Que há um padrão um bocado parvo nos comunicados policiais, é verdade. Mas o politicamente correcto a isso obriga. De qualquer forma, alguém, na Polícia, está em maus lençóis.

Há dois dias um caramelo pega num camião e resolve andar a passear-se por Lagos levando à frente tudo quanto aparecia e, atrás, carros da polícia.

Com certeza já aborrecido com o barulho das sirenes policiais, o caramelo resolve embicar para cima de uma esplanada onde muito provavelmente provocaria um batatal de mortos. Um castiço, medindo a coisa e saltando para a porta do camião, desviou o volante e provocou a colisão do veículo contra um muro parando por aí a curtição. Na refrega, 1 morto e um ferido, o castiço.

Perguntas que se impõem:
1 - Miguel Portas e os habituais idiotas de serviço já terão convocado uma manifestação frente a um qualquer local para reclamar mais firmeza policial?

2 - Terá um camião que estar carregado de explosivos para a coisa se poder (eventualmente) tornar um caso sério?

3 - Virão o Bloco de Esquerda e o PC a aprovar um voto de pesar por atentado à coisa pública (a destruição do muro camarário) e a condenação do castiço que espetou nele o camião?

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domingo, 18 de janeiro de 2009

Apenas diremos que sim se pensarmos que não

Havia uma trégua entre Israel e o Hamas, que este aliás não respeitava. Israel estava fora da Faixa Gaza.

Aproximou-se o fim do período de trégua o Hamas declarou que a iria romper. O período findou, o Hamas incrementou fortemente a agressão. Israel continuava fora da Faixa de Gaza.

Israel passou-se dos carretos, entrou por ali dentro e deu nos cornos ao Hamas. Os idiotas* de serviço clamavam por tréguas, apontando o dedo a Israel.

Israel decidiu-se por tréguas, o Hamas continuou a agredir Israel e os idiotas assobiaram para o lado.

O Hamas diz agora que só fará tréguas se as tropas israelitas não estiverem onde não estavam antes do Hamas declarar que iria romper as tréguas iniciais.

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Mas então os "resistentes" não ficam felizes se forem desta para melhor como martires? Façam-lhes a vontade, carago.

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* 1, 2, 3, etc. Não estão por ordem de idioteira, por manifesta possibilidade de ponta por onde se lhes pegue.

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Das duvidas

Ainda que recorrente o compromisso, nunca nos sabemos merecedores de amor ou desprezo, muito menos de justiça ou injustiça, duvida classica que ganha dimensao quando na proxima porta entra-se - mais figurativo que literalmente - em volumes e se sai em versiculos. Ante as trevas da aniquilaçao ha sempre o anelo do retorno, um regresso à inocencia sob a mao de um deus pagao, uma prodigiosa regressao à multidao embevecida de multidao, uma debandada imaginaria para a infancia imaginada nos muitos que vivem para os muitos, a ideia atrai mas nao pega, hesse ensaia breve explicaçao: en el principio de las cosas - escreve o poliglota - no hay sencillez ni inocencia; todo lo creado, hasta lo que parece mas simple, es ya culpable, es ya complejo, ha sido arrojado al sucio torbellino del desarollo y no puede ya, no puede nunca mas nadar contra corriente. A inocencia é isso só, ilusao de ouropel mas sem proveito, a inimputabilidade absoluta de quem nao leu bergson ou beckett - tranquilidade dos simples - é um mito, estamos todos no limite condenados como sisifo a rolar a nossa pedra

A guerra explicada num desenho



Muito se tem escrito sobre a guerra entre Israel e o Hamas. Esgrimem-se argumentos, rebuscam-se legitimidades, cava-se fundo na História, insulta-se, racionaliza-se, justifica-se e explica-se.
No fim, tudo se resume a este cartoon.