sábado, 28 de fevereiro de 2009

O direito a esfolar a gaita

Sala de aula, formação profissional.

Turma de trabalhadores do quadro de empresas de média/grande dimensão, aulas em horário laboral pagas pela empresa.

Alunos bocejam, conversam, cruzam braços e, convidados a tomarem notas, respondem que aquilo é um frete e que, ainda por cima, são “obrigados” estar na sala de aula meia hora para além do horário de trabalho. “Quanto mais aprender mais lucro dou aos gajos”, diz um. “Isto é um frete que só vai beneficiar os gajos”, confirma outro.

...

Turma de trabalhadores em regime precário, de pico-empresas, empresas familiares, trabalhadores do quadro de pequenas empresas em horário pós-laboral, aulas pagas, quase sempre, pela empresa.

O cansaço é visível, o bocejo frequente, mas as canetas vão andando e as perguntas saltando. Alguns, à boca pequena, dizem que, se calhar, depois da formação, saltarão de empresa para poderem ganhar mais.

Outros, patrões frequentemente acompanhados por um funcionário, comentam que mal tenham o canudo poderão obter o alvará que lhes permitirá assinar o contrato com uma empresa que “está chateada com os gajos que lá estão a fazer um trabalho de merda”.

...

Entretanto, há indígenas a queixarem-se que as empresas, aproveitando a crise, sacodem uns tantos.

De facto uns tantos, não poucos certamente, espero que em particular os que mais militantemente tenham estado apenas ‘em cima’, reclamam ter perdido o trabalho.

Mas outros tantos vão, entretanto, queimando as pestanas rumo ao momento de esfolarem a gaita.

Espero (à guisa de wishfull thinking) que seja a vitória do direito ao trabalho sobre o direito a emprego.

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Leitura complementar:
Escravatura

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CARNAVAL NA TERRA DE WILDERS...

Na altura em que toda a gente duvidava se Geert Wilders (sim ou não) iria sair com o seu tão prometido filme Fitna, e antes mesmo da estreia, os De Vliegende Panters (As Panteras Voadoras), três jovens comediantes - de comparar com os nossos Gatos Fedorentos -, resolveram fazer uma paródia crítica ao filme de Wilders com majoretes e fanfarra, típico do Carnaval do sul da Holanda de onde Wilders é oriundo.

O refrão da marcha começa por dizer:
"Somos ameaçados pelos muçulmanos / Sim, temos medo do Islão". Para logo a seguir fazer uma cómica mas inocente caricatura dos muçulmanos: "Somos ameaçados pelos muçulmanos / porque eles por vezes abatem uma cabra".

Finalizando com a pergunta retórica: "Até agora nada de ameaçador / não há nada a apontar-lhes". Mas, vá lá, tiveram a honestidade intelectual de não deixar de dizer que: "mas por vezes há UM entre eles / que explode espontaneamente / mas nunca quando está só / sempre num mercado ou num comboio / isso faz com que sejam tão perigosos"

Mas os muçulmanos não compreenderam a bem intencionada mensagem! Logo o primeiro comentário ao filme na caixa de comentários do YouTube é sintomático:

O que é que tu tens contra muçulmanos?
Faz mas é uma canção sobre os judeus!!!
Talvez sejas tu mesmo um Judeu, quem sabe, PORCO RACISTA!!!
Eu também faço canções, mas não contra outras pessoas... como tu fizeste.
Eu como muçulmano não me vou rebaixar a fazer música para cristãos ou para judeus. Mas Alá vai tratar-te da saúde, não perdes pela demora.


Este(a) comentador(a) tenta uma explicação:

Na própria canção é dito porque razão temos medo: “não é porque eles sejam maus, tenham más intenções ou sejam grosseiros...”

Mas este(a) não deixa passar sem carregar na ferida:

.......Mas por vezes há um entre eles que EXPLODE espontaneamente!!!

Este(a) contemporiza:


Goste-se ou não isto não passa de uma comédia...

Mas os muçulmanos não vão na conversa:

fock you fock you em todos os buracos anal oral a ti a escolha

Este(a) aproveita a deixa para picar mais um bocadinho:

Os muçulmanos deviam voltar para o país deles ☺

e a resposta não se faz esperar:

Vai prá puta que te pariu porco holandês tu não és molestado diariamente por um imã ou por jovens muçulmanos então qual é o teu problema VAI MAS É VER SE ARRANJAS UM PASSATEMPO como lamber cuzes paneleiro


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

COMO DIZIA O OUTRO (3)

“Com razão ou sem ela, mesmo contra ela, não tenho vontade de morrer. E quando chegar a minha hora, sem apelo nem agravo, isso não será por culpa minha, isto é – não me terei deixado morrer mas matar-me-á o destino humano. Se não ficar fraco da cabeça, ou melhor dizendo ainda, fraco do coração, não me demitirei da Vida – ter-me-ão destituído dela”. - MIGUEL DE UNAMUNO


“O homem é perecível; pode ser. Mas pereçamos resistindo e, no fim, se o que nos está reservado é o vazio e o nada, façamos com que isso seja uma injustiça”. - ÉTIENE DE SENANCOUR

“ A beleza rompe literalmente as trevas. O seu frémito procura-nos, encontra-nos, atravessa-nos, conduz através das veias um fluido que ressuscita. Porque a beleza é uma doença de pele, de nervos, de sangue e de espírito”. - GHERASIM LUCA

“Há invejosos que são medíocres e medíocres que são invejosos – mas ambos condizem na baixeza de caracter. É o que os liga e nada mais”. - GONZAGUE DE REYNOLD

“A inteligencia, para os hipócritas, é sempre algo que vem do demónio, sobretudo para os hipócritas pouco inteligentes”. - TIRSO DE MOLINA

“Se um macaco se mirar num espelho, nunca verá um apóstolo”. - LICHTENBERG

São geniais estes economistas de extrema-esquerda


que é o mesmo que dizer: "Despedimentos, só em bloco".

Recomenda-se a leitura deste post no blogoexisto.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"COM PAPAS E BOLOS..." OU "GRÃO A GRÃO ENCHEM ELES O PAPO"

Sem comentários - para quê? - se trancreve esta notícia difundida pelas agências noticiosas:

Irão pede ajuda para se aproximar dos EUA

PM turco diz que Teerão quer pôr fim a 30 anos de relações conflituosas

O Irão pediu ajuda a Ancara para restabelecer relações com os Estados Unidos, após 30 anos de relações conflituosas, declarou o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan numa entrevista ao diário britânico Guardian, publicada esta terça-feira, refere a Lusa.

O primeiro-ministro turco indicou que os responsáveis iranianos fizeram esse pedido enquanto o presidente George W. Bush ainda era presidente dos Estados Unidos.

Na altura, Erdogan transmitiu a mensagem dos iranianos à Casa Branca.

«O Irão deseja realmente que a Turquia desempenhe tal papel. Se os Estados Unidos também o quiserem e nos pedirem para desempenhar esse papel, estamos prontos para fazê-lo», declarou Erdogan, numa entrevista concedida no seu avião ministerial, enquanto viajou para Mardin, no sudeste da Turquia, para uma eleição local.

«(O Irão) disse que se acontecesse algo do género (uma oportunidade de aproximação), desejava que a Turquia desempenhasse um papel», indicou.

Em Novembro de 2008, Erdogan indicou que o seu país podia desempenhar um papel positivo enquanto mediador nas negociações bloqueadas com o Irão na sequência do seu programa nuclear.

O primeiro-ministro turco não indicou, no entanto, se recebeu uma resposta da administração norte-americana relativamente a esta oferta.

(Dos jornais)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

It's the end of the world as we know it

Ha algo de narcotico no limiar da tragedia, é desse pó magico que o montanhista prova enquanto executa o seu ballet com os rigores de um arabesque e a delicadeza de um allegro, o montanhista sente-o, o homem comum sente-o. Mas nao é com montanhistas que vos venho maçar o juizo, o que vos quero contar é o seguinte: há algo de tragico na contemplaçao da civilizaçao ausente, e o narcotico no limiar da tragedia é apendice da plateia, nao do enredo, que é a tragedia propriamente dita. Quando santo agostinho exaltava a cidade de deus, nao o fazia sobre a fausta mansidao da civilizaçao mas sobre as ruinas de uma, por certo a cidade terrena nao lhe seria particularmente agradavel e se o telegraph está correcto as nossas tambem vao deixar de o ser. Demasiada civilizaçao - farsa no grande plano cosmico - turva e falsifica, e a bom rigor nao podemos matizar o que nao conhecemos, a sua ausencia - a da civilizaçao - porque nao a vivemos, podemos presenti-la como conrad presentiu o congo de marlow, terra sem deus, onde ja só mora demonio flacido, pretencioso y de ojos apagados, de una locura rapaz y despiadada. Lá chegaremos um dia, nada é eterno, tudo acaba, as ruinas em roma ou em yucatan isso insistem em explicar. Evangelho que a historia nos prega com gosto a todo o instante, em cada pedragulho, alvenaria, ou pedaço de ceramica

A MATURIDADE É UMA DÁDIVA DIVINA


Num comentário na caixa de comentários do post Histeria Anti-Semita (26 de Janeiro) de Paulo Porto, e a propósito do pai do grande filósofo holandês Baruch de Espinosa ter nascido na Vidigueira, perguntei à ML:

“Ia-lhe perguntar se conhece a anedota da Vidigueira mas arrependi-me. Sei por experiência, por ter levado muito safanão, que as mulheres normalmente não gostam de anedotas. Pela mesmíssima razão - parece totalmente absurdo mas não é - não jogam ténis nem futebol tão bem como os homens, salvo raras excepções. Excepções essas que por sinal têm características masculinas.”


Uma senhora Maria repostou: ”Ficou claro? As mulheres não gostam de anedotas porque não têm músculos fortes como os homens."
Respondi à senhora Maria: ”Não, mas porque são mais adultas. Mas esteja atenta ao FIEL porque vou dedicar-lhe muito brevemente um artigo sobre este tema.”

Resolvi dedicar agora este post às duas mulheres, à Maria e à ML, porque acho que as duas merecem uma explicação.

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É evidente que a diferença muscular é a razão principal pela qual uma rapariga normalmente não pode ganhar a um rapaz no ténis – mesmo que teoricamente tivessem ambos precisamente a mesma qualidade de jogo, a mesma técnica.

O rapaz bate a bola com mais força, os músculos das pernas permitem-lhe ser mais veloz e correr durante mais tempo. Até já ouvi um treinador de squash dizer que as raparigas são uma fracção de segundo mais lentas em movimentos rotativos (muito necessários em jogos como ténis, squash e futebol), por causa das ancas, que são mais largas nas mulheres...


Mas a analogia com as anedotas não tem nada de científico, é uma teoria muito minha baseada apenas em muitas horas de observação. Reside na abordagem demasiadamente séria (prática), lá está, mais adulta, que as raparigas têm do jogo.

Como diz a ML a “maturidade é uma dádiva divina”. Sim, mas é dada com mais frequência às raparigas, porque em termos de intelligent design é realmente uma dádiva divina, e para as mulheres, como mães e naturais protectoras da descendência, uma necessidade vital. Por outro lado, a maturidade também tem um lado chato, um lado que não favorece a imaginação, que não privilegia o homo ludens.

Por isso é que as raparigas, seja ténis, squash ou futebol não têm a propensão natural para o "malabarismo", para a finta, para o pontapé de bicicleta, para golpes de calcanhar, para bater a bola com a raquete entre as pernas. As raparigas logo de início têm uma maneira de jogar e de se movimentar no terreno e de abordar o jogo muito mais sóbria, mais madura...

Os rapazes, mais infantis, têm que ser constantemente corrigidos pelos treinadores, de outra forma não fariam outra coisa senão malabarismos. Mas essa propensão natural dos rapazes para a "brincadeira", que os treinadores tentam a todo custo travar para conseguir resultados práticos a curto prazo, é que faz com que os rapazes sejam dotados de uma técnica fora de comum que não se vê nas raparigas, mas sim no Pélé, Maradona, Guarrincha, Cristiano Ronaldo, John MacHenroe, Roger Federer e já agora, no Jahangir Khan.

Ivan

Nas fitas, e, da especialidade, por aí me fico, Ivan será o nome de uma manobra destinada a detectar a presença de um submarino inimigo à retaguarda do que o precede.

Os submarinos são difíceis de detectar e o som que emitem parece abrir, por aí, algumas possibilidades. Aparentemente será particularmente difícil a um submarino perseguido detectar a presença do perseguidor porque a hélice do primeiro não lhe permite escutar na direcção do segundo.

Vai daí que os russos tenham inventado uma manobra que consistirá em desligar os motores, virando de imediato, para tentar, num curto lapso de tempo, escutar a hipotética marcha de um submarino perseguidor que demore alguns momentos a desligar, também ele, os seus motores.

Más línguas sugerem a possibilidade da Europa, inteirinha, se afundar por longuíssimo tempo. Dar-se-á o caso de se ter insistido, por demasiado tempo, numa economia em regime castelo de cartas? Dar-se-á o caso do castelo ser muito maior e as cartas muito mais frágeis do que o anunciado no paraíso dos controladores, reguladores, regulamentadores e fiscalizadores?

Será benéfico às economias, particularmente à europeia, a aplicação de Ivan’s extemporâneos para detecção de embustes?

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A terra das bruxas

Podem acusar-me de ser dado a teorias da conspiração, mas numa terra onde corruptores activos em coisa significativa, apanham 1000€ de multa, em terra onde se entra em transe por provável corrupção de coisa (e não só) graúda que, tudo indica, já prescreveu, em terra onde os “gestores” de um banco embolsam, nas barbas dos “reguladores”, os depósitos dos clientes, em terra onde os “gestores” de outro banco embolsam, nas barbas dos reguladores, o dinheiro dos depositantes, em terra onde uma enorme quantidade de defensores do 'coitadinho' defendem o “papel” dos reguladores, em terra onde a “verdade” oficial, de governante, é revelada à justa medida da mentira, em terra onde a família de um advogado falecido há anos recebe, em nome dele, uma notificação para tomar determinados procedimentos relativos a um caso em instrução há 25 anos, em terra onde depois de um governante declarar alarmista a denúncia da subida da criminalidade, perante estatísticas que confirmam as denúncias vem desvalorizar os dados referindo que os altos índices revelados e que ele anteriormente tinha negado, eram “já” uma anterior realidade pretendendo ainda por cima recolher os louros pela melhoria dos mecanismos de estatística, num país onde figuras eminentes desculpabilizam a acção de gangs destro das escolas referindo-se a eles como “estruturas de poder informais”, é difícil não pensar que ‘eles estão bem organizados’.

Há uns anos (15?), um amigo meu ligado ao direito explicava-me a polémica da altura relativa à origem de recrutamento e à forma como os juízes eram formados. Dizia ele que a fornadas de juízes ainda cheirando a fralda que eram despejados nos tribunais indiciava a catástrofe que teria lugar quando eles começassem a chegar aos patamares superiores. Hoje, escancaradamente, acusa-se o poder político de ter manietado a PJ que, entretanto, é acusada de, em tempos, se ter deixado instrumentalizar ou até, de ter resolvido entrar na luta política. Hoje acusa-se, sem rodeios, a magistratura de ter uma postura política directa.

Somos um país ou uma colónia de uns quantos?

Será a diferença entre esquerda e direita (reais, implantadas, no sentido corrente) apenas um espantalho que, de espantalho, nada tem, sendo carne da mesma carne?

Quando eu andava na escola havia a catequese. Hoje há orações à volta do magalhães.

Eu, que me estou nas tintas para a religião, prefiro a primeira. Cheira a pessoa.

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Stran-o-Gonzo (2)

O Stran elaborou um disparate pelo qual um mundo melhor se conseguirá pela atenuação das desigualdades e depois elaborou sobre ele.

É irrelevante que se lhe chame a atenção para o disparate inicial, base da sua elaboração porque ele, aparentemente ansioso por mostrar que conhece umas tantas teorias, insiste que lhe sigam as pézadas.

Para o Stran, nada há de absurdo em elaborar sobre uma falácia.

Já agora, não posso deixar passar em claro que o Stran que agora escreve, escreve infinitamente melhor que o Stran de há algum tempo. Talvez tenha aprendido, a escrever um pouco melhor, talvez não. Se aprendeu, tanto melhor.

Pelo mundo do absurdo, Stran, seja ele qual for (porque, no que respeita à racionalidade é igual) continua tentando a minha desqualificação:
Acredito que com a introdução de novos elementos, cada um com o seu estilo diferente, tenha aumentado a sua frustração de atingir a notoriedade dos seus colegas e o tenho motivado a escrever este artigo de tão baixo nível.
Esta é lapidar e revela a paranóia que lhe vai na mona. Ignorando o esforço que fiz para que os novos elementos entrassem no blog, revela implicitamente que, se estivesse no meu lugar ficaria frustrado por estar acompanhado por quem elaboraria melhor que ele. No mundo dos estúpidos, os idiotas só se sentem bem acompanhados por imbecis.
Os seus primeiros 14 parágrafos são um amontoado de frases comuns, conceitos desconexos, com pouco digno de registo.
Caro Stran, experimente dizer qualquer coisa sobre o assunto, ou fica-se com a impressão que você levou nas ventas sem perceber de que lado vieram. Não passa em branco que, até 14, conseguirá contar.

Prosseguindo, Stran debita mais esta:
E aqui recorre à mentira. Pois não foi no cenário que apresentou que o meu comentário apareceu, mas sim a um desafio que um colega seu, Tribunus, me colocou:
O cenário que o Stran coloca é um cenário de planeta de gambosinos. O Stran é convidado a elaborar sobre o mundo melhor. O convite de Tribunus é claro:
"Estando eu sempre preparado para mudar de opinião quando posto perante novos factos, o Stran esqueceu-se de definir-me esse "mundo melhor". Deve ter um exemplo debaixo do braço. Quer fazer o favor de o partilhar connosco? Transformando o ilusório em realidade?
E Stran elabora sobre esse tal “mundo melhor” com os mesmos e exactos disparates que têm levado às hecatombes dos paraísos socialistas. As ladainhas saem das cartilhas do PC e do Bloco de Esquerda, da propaganda de Chavez e, até, de José Sócrates. Nenhuma das suas ladainhas remete para um “mundo” em que as pessoas se empenham na auto-valorização que lhes permita criar a riqueza que lhes posa elevar o nível de vida. Tudo o que sugere remete para um inimigo invisível, responsável por todos os males que diz pretender corrigir.

O mundo do Stran é polvinhado por uns tais maus e por pobrezinhos vitimas dos maus. E as suas medidas pretendem que os maus da fita ganham cada vez mais porque obrigam os pobrezinhos a ganhar cada vez menos. Para Stran a realidade é irrelevante e é incapaz de perceber que na generalidade dos lugares onde, os ricos (dando de barato o uso do termo) ganham mais também os pobres vivem melhor. Portugal não foge à regra. Claro que em Portugal há uns quantos caramelos que ganham como nababos. Também muitos milhares de “trabalhadores” passam horas fazendo de conta que trabalham sem que seja possível correr com eles do lugar que quem pretende trabalhar quer ocupar. Esses “trabalhadores” ganham que nem nababos tendo em atenção o que produzem.

Eu percebo que Stran possa defender que os ricos devessem, hipoteticamente, partilhar mais o que ganham, mas o Stran pretende convencer-nos que ignora que todas as tentativas impostas nesse sentido redundam na maior pobreza dos pobres. Socretinos como o Stran têm implementado o mesmo tipo de políticas redistributivas, políticas que têm conduzido a menor riqueza, maior pobreza e maior desemprego. Claro que o resultado, nunca é responsabilidade da teoria mas do inimigo mais ou menos difuso camuflado.

É a mesma cartilha que reclama que as multinacionais se instalam em países pouco desenvolvidos para “explorar” os bijagós sistematicamente ignorando que quem trabalha para essas empresas ganha, regra geral, melhor que os concidadãos que executam idêntica tarefa. A acusação reclama que nos países desenvolvidos de onde essas multinacionais são oriundas elas teriam que pagar muito mais, mas esquecem-se de referir que quando as multinacionais saem desses países mais pobres os protestos, nesses países, são mais que muitos. A mesma idiotice, aliás, se passa em Portugal. Quando as multinacionais cá se instalam todos acham bem porque criam postos de trabalho, mas ignoram que a sua chegada deixa alguém pendurado nalgum outro local. Quando elas partem, os Strans põem-se em bicos de pés, arvorados em defensores da classe operária pelos postos de trabalho que estão prestes a ser perdidos, mas esquecem-se que, noutras paragens, alguém espera ansiosamente que as tenebrosas e exploradoras multinacionais assentem arraiais.

Insiste anda nesta:
"Alguns exemplos praticos destes "mundos melhores" poderá encontrar nos países escandinavos, países anglosaxonicos e Holanda."

Este é o cenário onde aparece a minha resposta e NÃO no que ARTIFICIALMENTE criou no seu artigo.
Stran continua a pretender que se pense que não percebe que em todos os exemplos que dá os ricos são muito mais ricos que em Portugal. Qualquer Sonae portuguesa é anã face às de todos aqueles países, alguns dos quais de dimensão idêntica à nossa.

O nosso maior banco, a CGD, é um troco comparados com bancos desses países. A grande riqueza nos países que, para o Stran são paraísos de menor desigualdade, é incomensuravelmente maior que no nosso.

Repare-se ainda como o Stran passa ao lado, por exemplo, da carga fiscal. Para ele é irrelevante que o estado português sugue a maioria do pouco que se produz e não lhe passa pela cabeça reclamar que a máquina produtiva portuguesa seja libertada do lastro do estado.

Já se sabe que ele virá reclamar que a carga fiscal dos tais paraísos que refere é maior que em Portugal, mas ele nunca aceitará referir que o produto per capita nesses países é muito superior ao Português ou, se o referir, culpará o tal inimigo invisível pela coisa. A falta de produtividade dos portugueses nunca será culpa do estado-estorvo, sanguessuga, do estado que injecta ideologia irresponsabilizante da missão de cada pessoa. Nunca será responsabilidade do estado esbanjador do trabalho alheio. Para o Stran os portugueses em geral são, em tudo, irresponsáveis porque, já se sabe, há maus-da-fita de serviço.

O Stran e os Strans de Portugal precisam do país com esta configuração porque nele se esperam estabelecer como reizinhos tiranetes, orientadores da classe operária, perpetuadores das luta das “vítimas” contra o “explorador”. A velha canga socialista.

Este outro artigo disseca o mesmo tipo de discurso. Se calhar o Stran já tinha tropeçado nele.

... e há mais.

E, já agora, não insista em tentar que entre em polémica com o Carmo da Rosa. Eu percebo que pense que isso lhe abriria umas brechas para você atirar umas setas. Mas, pela parte que me toca, vai ficar apenas com água na boca.

A razão porque não o faço deve-se ao facto perceber que o Stran se está nas tintas para o argumento propriamente dito. O Stran pretende apenas espalhar brasas. É como um idiota que, há uns tempos, declarando que respeitava imenso o esforço dos professores, declarou ter-se rido muito quanto um colega atirou uns cêntimos ao professor por ele ter dito que as fotocópias da documentação que distribuía aos alunos eram pagas pelo bolso dele.

...

Oh Stran. Não é pelo seu valor, ou falta dele, que eu lhe respondi no corpo do blog. É pelas insidiosos efeitos da ideologia pela qual você se apresenta como portador de bandeira. E neste artigo, muito embora possa parecer o contrário, eu estou mais interessado em dar porrada nos métodos que você usa e defende do que em si propriamente dito. Para mim, neste local, o Stran vale por aquilo que defende. Eu estou-me nas tintas para o que você me chama como me estou nas tintas para quem você realmente é. Duvido que você, reciprocamente, pense o mesmo.

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Mapas do Islão

O Islão (qualquer que seja a corrente) alimenta uma ideia de superioridade moral que fundamenta uma visão  essencialmente tripartida do mundo. O mundo, visto da perspectiva muçulmana, mapeia-se de uma forma simples e eficaz: ( há outras divisões menores, mas que não tocam na coerência do mapa maior

 Dar-Al-Islam

O mundo onde os muçulmanos mandam é a casa do Islão, a terra da submissão, o epítome da perfeição, o mundo tal como deve ser.  “Vós formais a melhor comunidade suscitada entre os homens(Alcorão, III, 110).

Os muçulmanos exercem aí a plena soberania. O dar-al-islam aglutina o temporal e o espiritual. César é Deus, o laicismo é repudiado, e a sharia deve comandar a vida política.

O dar-al-islam admite a presença de infiéis, mas dentro de condições bem definidas pela lei divina. Com melhor estatuto estão as “Gentes do Livro”, fiéis das religiões de que o Islão se considera o estádio fechado e definitivo. São dhimnis (protegidos), protecção que resulta do facto de se submeterem. Os dhimmis devem um imposto especial (jiziyya, que paga o direito de viver na umma), não podem usar armas, chefiar muçulmanos, manifestar publicamente a sua fé, exercer proselitismo, ou ter relações sexuais com muçulmanos. Os seus testemunhos são inadmissíveis perante tribunais muçulmanos.

São sujeitos a humilhações, porque “para o verdadeiro crente é uma obra pia expressar publicamente a sua aversão para com o dhimmi” (Juifs et Chrétiens sous l’Islam, Bat Ye’or, 1994).

Os infiéis que não sejam “Gentes do Livro”, são idólatras, pagãos, "o que há de mais impuro no género humano". O seu destino é a escravatura ou a morte, excepto se aceitarem converter-se ao Islão. O que de resto aconteceu no Irão aos esquerdistas  que apoiaram Khomeiny.

 Dar-Al-Harb

É a casa da guerra, o espaço geográfico jurídico, político e espiritual dominado pelos ímpios. Nesse espaço os muçulmanos devem mentir e dissimular (taqiyya) se necessário mas, se e quando a relação de forças evoluir a seu favor, é seu dever fazer a guerra (jihad) para trazer para o dar-al-islam a parte do dar-al-harb onde se encontram.

 não apeleis à paz quando tiverdes superioridade (Alcorão, XLVII, 35)

 Dar-Al-Suhl

É a terra do armistício. Tal como no dar-al-harb, os muçulmanos são minoritários, mas há uma atitude conciliadora para com os muçulmanos. Tal não anula a compulsão divina para submeter o território ao Islão, trata-se apenas de uma situação provisória ditada por razões tácticas. O infiel é amigavelmente desaconselhado de se esquivar ao proselitismo islâmico “pois a quem quer que se separe do Apóstolo depois do caminho lhe ter sido mostrado, far-lhe-emos enfrentar o inferno" (Alcorão, IV, 15)

O estatuto legal dos infiéis e este mapeamento do mundo recolhem unanimidade nas 4 escolas jurídicas do sunismo e na tradição xiita, o mesmo acontecendo com a necessidade e intemporalidade da jihad, vista praticamente como o pilar adicional do Islão.

Segundo a visão islamista, a sharia deverá reinar finalmente sobre a humanidade e todas as escolas religiosas, “moderadas” ou “radicais”, ensinam isto.

E todos estes conceitos jurídico-religiosos (jihad, dhimmi, dar-al-harb, etc) encontram ilustrações concretas nos diversos aspectos internos e externos de certos países muçulmanos. Com tendência para aumentar, na onda do Ressurgimento Islâmico que está a ocorrer desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

O Irão é um dos melhores exemplos, tendo ultrapassando em fervor e atitude a República Islâmica do Paquistão. A sua Constituição reintroduziu legalmente a dhimmitude, devidamente pormenorizada nos artigos 13º e 14º. 

O artº 20º, estabelece claramente que os direitos individuais são iguais para todos, mas dentro dos critérios da lei islâmica

Externamente, o Irão entende que Israel ocupa uma parte do dar-al-islam, o que justifica e exige a jihad. Os judeus, sendo gente do livro, não devem ser exterminados, mas também não podem ser aceites na região senão na condição de dhimmis, estatuto incompatível com soberania política. Logo não é possível, à luz da lei islâmica, aceitar um Estado Hebraico. Esta é a razão pela qual nem o Irão nem os movimentos islamistas (Hamas, Hezbolah, etc) podem aceitar a existência de Israel. Opõem-se por isso à solução dos dois estados e entendem que deverá apenas haver um estado, no qual os judeus poderão ser autorizados a viver, com o estatuto que a lei islâmica para eles prevê.

No campo sunita, a Arábia Saudita tem usado o seu poder financeiro para influenciar a atitude europeia, tentando acantoná-la numa espécie de dhimmitude.

As redes terroristas islâmicas aplicam também os conceitos jurídico-religiosos na sua luta contra os infiéis. Se estes se comportarem como bons dhimmis, podem se poupados aos atentados. Se agem contra os interesses da umma, são ameaçados e castigados.

Por exemplo o Reino Unido foi encarado pelos islamistas como parte do dar-al-suhl, porque aí se acolhiam, e aí pregavam, as organizações e personalidades islamistas mais radicais, contando com a tolerância do governo inglês (o que valeu a Londres o título de Londonistão), que procurava colocar-se ao abrigo do terrorismo islâmico.

A intervenção no Iraque e no Afeganistão fez com que o Reino Unido fosse colocado no dar-al-harb, passando por isso a ser alvo legítimo de ataques.

Com a Espanha passou-se o contrário. A Espanha é por definição alvo da jihad, como Israel, uma vez que já fez parte do dar-al-islam. Aznar exacerbou essa ideia ao aliar-se objectivamente aos EUA. Os atentados de Madrid sancionaram a recusa da dhimmitude. Zapatero acedeu às exigências islamistas, agiu como um bom dhimmi, e a Espanha passou a fazer parte do dar-al-suhl, embora hoje já esteja outra vez no seu lugar correcto no mapa. 

Nos dias que correm, os muçulmanos que residem em Espanha, e que já são uma forte minoria, passaram à provocação ostensiva, conforme relata este artigo do The Independent, segundo o qual existem planos para transformar Córdova num local de peregrinação para os milhões de muçulmanos da Europa, uma espécie de Meca europeia, como refere este editorial do ABC.

Os muçulmanos espanhóis exigiram até ser autorizados a fazer as suas liturgias no espaço da antiga mesquita, que agora é ocupado por uma catedral católica.  

Estes conceitos são fascinantes pela sua eficácia em matéria de conquista do poder. Foram eles que permitiram alargar o Islão à Europa, à África e à Ásia, nas duas primeiras jihads globais (640-750) e (1020-1689).

Neste momento o Islão parte de novo à conquista do planeta, disse-o Amadinejad não há muito tempo: o objectivo último da política externa iraniana “é o governo unificado do mundo”.

Não se trata de mera fanfarronada, bluff, ou gaffe. A convicção da decadência do Ocidente está profundamente enraizada nos responsáveis e pensadores islâmicos e o pensamento totalitário tem uma psicologia própria.

Hitler é um alerta notável. Ninguém levou a serio aquilo que dizia e que tinha escrito no Mein Kampf, era apenas um homenzinho magro e ridículo, à cabeça de uma nação empobrecida (com menos habitantes do que o Irão tem hoje) e sem músculo militar. 

Daí a poucos anos, esse homenzinho exercia o poder desde o Atlântico aos Urais,  e fazia planos para o Reich dos Mil Anos e o domínio do mundo.

 

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A ANGÚSTIA DO GUARDA-REDES ANTES DO PENALTY

Num jornal que encontrei num banco de jardim, colho estas duas notícias que me parecem cheias de espírito desportivo. Transcrevo só as partes mais apetitosas:

1. OBAMA DESILUDE APOIANTES - O Presidente norte-americano Barack Obama desiludiu ontem muitos dos seus apoiantes dos movimentos dos direitos cívicos, ao dar instruções ao Departamento de Justiça para não reconhecer direitos constitucionais aos detidos no Afeganistão, mantendo assim a linha de George W.Bush no referente aos direitos dos prisioneiros de guerra.(...)A posição do Presidente norte-americano chocou os movimentos dos direitos humanos, que apoiaram Obama na sua corrida à Casa Branca. "A esperança que todos tínhamos de que o Presidente Obama nos conduzisse por uma via diferente não se concretizou como desejávamos. Esperávamos mais dele", lamentou Tina Monshipour Foster, uma reputada advogada dos direitos cívicos que representa um detido na Base Aérea de Bagram".(...).

Mas nem tudo é mau neste mundo cruel. Ainda há coisas que funcionam bem, senão vejamos esta outra acontecida na República Democrática do Irão:

2. ENFORCADO POR ADULTÉRIO - Abdollah Farivar, um iraniano de 50 anos de idade condenado a lapidação por relação adúltera com uma rapariga de 17 anos, foi enforcado quinta-feira em Sari (Norte do Irão), revelou ontem o jornal "Etemad Melli".

Infelizmente, decerto por eventual deficiencia do repórter, não nos é dada a informação - que decerto seria de interesse sociológico - se o dito Abdollah foi lapidado antes ou depois do enforcamento.

No entanto, surgiu entrementes outra notícia, esta doutra fonte, segundo a qual dois outros iranianos foram mortos à pancada numa pequena vila do Sul, por comprovadamente se estarem a entregar a actos contra a natureza...

O que a gente aprende ao ler a imprensa!

LOGO SÃO OS ÓSCARES

De há uns tempos a esta parte, sem que isso faça (aparentemente) muito mal, a sociedade em que vicejamos acentuou uma característica que vai sendo estruturadora de uma determinada concepção de mundo: a proliferação de prémios, de concursos, de galardões. Sempre, naturalmente, coroados com a entrega de umas quantias em dinheiro, para além de diplomas, certificados e medalhas, que muito agradam aos felizes contemplados e criam um esfuziante ambiente simultaneamente de boa disposição e seriedade gratificada/gratificante.

Em Portugal, tal como nos outros países em geral, tem sido uma delícia: os prémios literários e artísticos multiplicam-se, os concursos televisivos reproduzem-se, a emulação entre as partes envolvidas garante bons minutos de emoção num corropio de competitividade que, evidentemente, se torna típica e natural.
Tal como no Carnaval, ninguém leva a mal...

Isso concorre, naturalmente, para criar um determinado tipo de saudável mentalidade e, ao mesmo tempo, estabelece uma habituação à guisa do famoso cão de Pavlov: e é ver-se que a salivação dos vates, dos artistas, dos talentos à compita, se dá pacificamente, pois se acha tudo lógico, muito natural e sem qualquer gato escondido com a venera de fora.

Mas deixemos isso, que para chatices já bastam as propiciadas pelos que nos tratam do dia-a-dia (e não me estou a referir, garanto, ao meu arqui-adversário, o Engenheiro, a quem aliás reconheço grandeza de alma).

Também eu, para não parecer desmancha prazeres, arranjei um concursozito. E como sou de meu natural folgazão e muito ocidentalizado, articulei os tais quatro cenários – sem ostensividade subversiva como os mais atentos notaram e os mais marotos quiseram empandeirar... Mas sem o conseguirem, claro, pois se tratava como disse de cenários cinematográficos evidentes!
Quem não notou que a quarta estorinha se referia à primeira versão de “O fugitivo”? E a terceira à versão original de “O principe da cidade”? E a segunda ao excelente “Antes da meia-noite”, com o grande Georges Rivière?

E agora vamos à primeira, em que um dos fiéis inimigos acertou (por acaso?): eu disse que correspondia a um facto real e...era verdade (contra o que é meu hábito, não menti!). Foi um facto sucedido mesmo e apresentado entre nós, os previlegiados que dispõem de TV cabo, na “Zone Reality”. Deu-se há uns anos numa cidedezinha do Maine.

O truque, como os menos distraídos logo notaram, residia em se simular que podiam ter sucedido entre nós, neste ridente país onde felizmente, devido aos esforços de quem tutela a segurança nacional e os bons costumes, coisas daquelas não acontecem, para bem do nosso amantíssimo coração benevolente.

Algo me diz que, num futuro longínquo, poderá haver aqui outro concurso, como este pejado de êxito.
Tudo dependerá, é claro, dos nossos patrocinadores...ou se até lá eu não fôr arrecadado!
Lagarto, lagarto...!

PS - E agora a derradeira má notícia: o elegante balde de plástico que substituíra o jipão e podia servir como sucedâneo da taça que o Benfica parece ir ganhar no final do Campeonato, foi-me surripiado da garagem onde o escondera prudentemente no meio de cobertores velhos e coisas assim. Fiquei consternado e irritado.
Que diabo, por vezes chego a pensar que, cá, a segurança já não é o que era!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Stran-o-Gonzo


O disparate anda à solta. O disparate, bem temperado, é uma excelente cortina de fumo protectora das “coisas boas” contra as arremetidas de judeus e bushistas que, vá-se lá saber porquê, insistem na realidade.

Talvez a principal ferramenta dos “progressistas” seja o absurdo. Em doses apropriadas, seringado pelos tentáculos da “malta de esquerda”, permitirá, segundo eles, preparar as verdes mentes para os desígnios do homem novo que irá dominar (desta vez sim) o pântano capitalista.

Que os alicerces das teias-de-aranha ideológicas tenham sido ancorados em areias movediças não interessa porque, afinal, também os conceitos de areia e movediço estão em processo de re-engenharia. O que interessa é que se perceba(?) que os blocos do castelo em teia-de-aranha formam a própria noção de estética.

A escalada ao absurdo castelo tanto se pode fazer subindo como descendo às masmorras. Arredada de racionalidade, ferramenta dos aduncos, aqueles que insistem na subida a pulso ao pau ensebado são abatidos sob palavras de ordem como ‘coisa peçonhenta’, ‘ potencial algoz explorador’, ‘veículo de infecciosas desigualdades sociais’.

“Demonstrada” a gangrena a que a iniciativa individual conduz, qualquer portador de um par de neurónios deve remeter-se à doce descida às catacumbas onde o breu evitará a excitação do nervo óptico contornando potenciais voluntarismos proto-capitalistas. Qualquer portador não: há sempre uns quantos lugares reservados na zona das ameias para os arquitectos do novo “dia”.

Entretanto, as futuras luminárias vão sendo escolhidas a dedo por entre aqueles que mais cedo compreendem a “bondade” do “novo” e que “desinteressadamente” se acrescentam às pontas dos tentáculos.

É neste cenário que aparecem os Strans.

A vida das pessoas tem melhorado solidamente apenas pela criação de riqueza. De uns, dizem as ventosas, porque os outros, continuam, são, além de “números”, explorados.

Parece que a felicidade total deve ser atingida estando-se morto. Por um lado, os neurónios mantêm-se quedos, por outro, a igualdade abunda.

De entre aqueles que criam riqueza, alguns, relativamente poucos, estão na ponte do navio e, malandros, ganham mais.

Há cavername para todos os gostos, mas nem os barquitos com apenas um remador escapam ao tentáculo porque, evidentemente, “o querem ganhar todo só para si”. São bushistas sem “consciência social”, “incapazes de empregar quem precisa de tratabar*”.

Barcaças com dezenas de remadores são potenciais ninhos de desigualdade, porque a “consciência social” de que deveriam ter resultado aqueles “postos de trabalho” sucumbiu perante a incapacidade dos gajos ao leme em “ganhar tudo”. Só pagam escassas migalhas para evitar que os remadores se avariem.

Frotas devem ser afundadas porque as desigualdades aumentam exponencialmente, nada interessando se empregam milhares, centenas de milhar ou milhões de “explorados”.

Em qualquer caso, nunca os remadores têm voto na matéria, muito embora devam votar em quem os “defende”, evidentemente.

É neste cenário que algumas secções dos tentáculos se concentram, debitando ladainhas (ver comentários) como:
Dando exemplo de o que é um mundo melhor para Portugal:
- um mundo onde a diferença entre ricos e pobres em termos de rendimentos não é tão acentuado;
É evidente que a “sensibilidade” do Stran se volta para a “diferença”, ignorando o bem estar dos que têm menos rendimentos. Na recruta, há que demonstrar que não se é afectado pela coisa mas pela estética da coisa.

Como quem afinfa a um prego, espeto-lhe com esta:
Um saco de batatas custa 100 eu ganho 200 um rico ganha 200000. Eu posso comprar dois saco de batatas um rico pode comprar 1000 sacos. O factor de desigualdade é 1000.

Um saco de batatas custa 100, eu ganho 50, um rico ganha 1000. Eu já não consigo comprar um saco de batatas, o rico compra 20 sacos. O factor de desigualdade é 20.

Pelo primeiro cenário eu engordo e o rico também. Pelo segundo, que se ajusta muito melhor ao amanhã que canta do Stan, a desigualdade é muito menor, eu passo fome e o rico engorda.
O segmento de tentáculo ressalta:
1 - Você conhece a diferença entre concreto e teórico? É que deu-me um exemplo TEORICO.
Eu dei-lhe um exemplo concreto do que se passa por todo o lado, mas a cavilha da teia de aranha não pode aceitar o óbvio porque isso o ligaria, irremediavelmente à realidade, deixando o tentáculo ao alcance de alguma moreia.

Em seguida a uma outra tentativa de construção de pilares em farófia para pontes, continua:
3 - Onde é que aprendeu a fazer contas??? É que no primeiro exemplo o rico pode comprar 2000 sacos de batatas e no segundo pode comprar 10! Já nem nas contas acerta?
Tem razão, parece que não sei fazer contas. Mas, do fulcral, nada se altera. O pobre come mais quando há mais riqueza, quando a diferença entre o rendimento de pobres e ricos é maior. É assim por todo o mundo.

Há, evidentemente, excepções. A mais notória dá-se nos radiosos regimes socialistas. Na Coreia do Norte, os famintos súbditos não apreciam as reluzentes torneiras em ouro da casa de banho do deus, nem compreendem (ingratos) a soberba capacidade de prova que o Kamarada dedica aos melhores vinhos franceses.

No Zimbabwe, radiosa terra onde o socialismo é também um facto, a reforma agrária que permitiu à plebe poder apreciar carne de ratazana não chegou aos domínios do palácio do palácio do guardião do verdadeiro socialismo local.

Em terras do coma-andante, o sistema de saúde é, sem sombra de dúvida, imbatível. Tão bom, que sobram médico para despachar para o Kamarada Chavez em troca de petróleo. Um gesto de excelente gestão do paraíso. Ao fim e ao cabo, não havendo medicamentos, para que precisam de médicos?

Em Portugal, terra por onde pastam inúmeros defensores de causas giras, há um culto pelo esbanjamento e exibição de cachuchos e “máquinas”. Não poucos estrangeiros oriundos de países de níveis de vida bem melhores que o nosso me chamaras a atenção para a excelente qualidade média do nosso parque automóvel. Parece que cada um esbanja o que pode, alguns, não tendo nada para esbanjar, esbanjam estupidez.

O problema é que, independentemente das manias, são os exactos militantes da igualdade entre ricos e pobres que reclamam o investimento público. Ainda há poucos dias um dos mais inefáveis defendia o investimento público a torto e a direito porque, citando de memória (ouvi, de viva vós, na rádio), 60% do investido ficava no circuito. No circuito.

O circuito dá voltas e, à primeira volta, aproveitam-se uns “excelentes” 60% do investido. À segunda 36% (0.6*0.6). à terceira, 21%, à quarta, 13%. Não há dúvida, trata-se de um excelente investimento. À quarta volta, já 87% do dinheiro docemente mobilizado dos bolsos do contribuinte está na carteira dos criadores de cachuchos.

Mas o Stran, aponta que não sei fazer contas, como banhista que, já ao alcance das mandíbulas do tubarão, consegue uma histórica vitória informando-o que um dos seus dentes está cariado.

Caro Stran, continue nas pisadas do Gonzo e exercite a sua apurada lógica no cálculo dos voos lunares independentemente de se estar a afogar tanto quanto o motor da moto do passarão. O reino do absurdo dispensa até a leitura do GPS. E se tudo correr mal, mantenha a esperança porque, de tentativa em tentativa, acabará por demolir uma qualquer barreira. Isso permitir-lhe-á passar a uma zona mais robusta de um dos tentáculos e, sabe-se lá, talvez até, de “vitória” em “vitória”, consiga chegar à ponte de comando do cefalópode.

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* Eufemismo para ‘emprego’.

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PEQUENO INTERMÉDIO PROFÉTICO

Este pequeno mas amorável post destina-se unicamente a referir que um de vós acertou já (se calhar por acaso...) na estória, que tem foros de realidade, entre as que artilhei justificadamente para o pequeno e mavioso Concurso Extra-Oficial colocado em cena aqui no Fiel Inimigo.

Como dissera outrossim (reparem na construção perfeita desta frase, pareço o sr. ministro da Presidência a falar!) iria revelar-vos a verdade no dia dos meus anos. E foi só posteriormente (ai a minha memória!) que de repente me lembrei que faço anos – quarenta e oito primaveras radiosas - apenas em Junho, que é curiosamente o mais belo dos meses não sei porquê.
(Pelo que já vê o estimado confrade Bob que não foi por pirraça aniversariante/interesseira, mas apenas por fragilização momentânea de uma memória em geral robustíssima, que falhei no meu jingar discursivo!).

Mas é proverbial em mim a afabilidade caridosa, daí que vá descriptar-vos amanhã, porque hoje é sábado, o palpitante assunto.

Nota - Alguns mal-intencionados bem conhecidos na arena nacional têm tentado espalhar que aquelas estórias, obviamente ficcionadas como na hora acentuei, são “indirectas” maldosas e subversivas jogadas às narinas da sociedade em que vicejamos.
É claro que isso não corresponde à verdade pois, como habitualmente se aduz nas fitas, tal “não é mais que pura coincidência”!
Aproveito para informar, ainda, que o prémio foi modificado: agora já não será um carrito vermelho mas um jipão todo o terreno que caberá (querias!) ao feliz vencedor.

DE QUE LADO ESTÁ?

In Diário de Notícias - 20.02.09 (Artigo na íntegra -
http://dn.sapo.pt/2009/02/20/opiniao/de_lado_esta.html)

Fernanda
CâncioJornalista - fernanda.m.cancio@dn.pt

DE QUE LADO ESTÁ?
Não vale a pena negá-lo, nem travestir de diálogo e amabilidade aquilo que é uma fissura brutal, sem conserto - aquela que divide os que vêem um casal de pessoas do mesmo sexo como igual a um casal de pessoas de sexo diferente e os que são incapazes disso.

Lido este primeiro parágrafo, chegou!

O problema da escriba é misturar alhos com bugalhos para tentar impingir-nos a igualdade desigual.

Ora bem, é óbvio que “um casal de pessoas do mesmo sexo, não é igual a um casal de pessoas de sexo diferente (reparar na ratoeira sexo “diferente”, em vez de sexo “oposto”, para fugir à realidade), do mesmo modo que uma dúzia de maçãs podres não é igual a uma dúzia de maçãs sãs.

É que o assunto não é pessoas, é o sexo das pessoas (sexo latu sensu, evidentemente). Este problema foi transferido para as Constituições dos Estados. Para mim quem entendeu redigir as constituições adicionando-lhe adjectivação redundante, acrescentou ao problema. Se as constituições garantem a absoluta igualdade de direitos aos cidadãos (em português o plural ainda abrange o homem e a mulher), pareceria que tanto faz se os cidadãos são brancos, pretos, amarelos ou às pintinhas (aqui até os cidadãos com sarampo estão protegidos...) Para mim os termos usados nas constituições para adjectivar cidadãos é que são gritantemente discriminatórios, racistas!

Então, o que é que os homossexuais querem, se já têm a igualdade absoluta de direitos de cidadãos? Querem ter mais direitos do que eu, é o que parece quererem! A orientação sexual é uma escolha pessoal, tal como escolher ser ladrão, assassino, mulherengo, pedófilo, arruaceiro, etc.. São escolhas que se fazem, assumindo-lhe as consequências em sociedade.

Já é tempo de se dar para trás ao lobby homossexual. Eu proponho uma medida semelhante ao caso dos Judeus que deambulavam distiuídos, apátridas, pela Europa no pós-guerra. Nem é radical, dado o precedente. Dê-se um lar aos homossexuais insatisfeitos (pudera!) do mundo.

Desse-lhe um pedaço de terra num desses países de dimensão territorial continental ou mesmo um dos Pólos que até dizem estão a aquecer.

Viva o Homoquistão!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Notícias...

Notícia #1: Netanyahu formará Governo em Israel, depois de o Presidente Shimon Peres ter aceitado as recomendações de todos os partidos de direita em Israel.

O MEU CONCURSO (FORA DE CAMPEONATO OFICIAL DO BLOG)

(Leia, no fim do post, em que consiste o concurso)

CENÁRIOS TRUCADOS

a Jean Pierre Andrevon

Há coisas que nunca sucederão, nem mesmo no Carnaval. Outras pelo contrário sucedem, conforme se diz, a cada passo.
De entre as segundas há as vigarices, as tramóias e outras encenações talentosas a que temos direito em lugares específicos...
Um ambiente de cortar à faca, angústias e náuseas que, a pouco e pouco, mostrarão indubitavelmente que um determinado local de Direito, mau-grado as boas vontades, depende apenas duma fórmula paulatinamente transformada numa espécie de “loja de conveniência” para protagonistas lampeiros e operosos?
Talvez...Ou talvez seja tudo ilusão!

1. No Minho, dois indivíduos de meia idade batem à porta de uma vivenda. A dona da casa vem abrir e dizem-lhe ao fazerem-se entrados: “Foi a senhora que nos mandou chamar para arranjarmos o sistema eléctrico?”. Enquanto ela, interdita, procura afirmar-se na memória ocasional, um deles cerra a porta, empurra-a e tapa-lhe brutalmente a boca. O colega, com um trejeito e de revólver aperrado, entra numa das salas laterais. Nesse momento a pessoa que ali estava e se acobertara agilmente aplica-lhe vigorosamente um golpe de savate e quando ele cai, desamparado e surpreendido, tira-lhe o revólver e vendo a postura armada do outro desfecha através da porta dois tiros que o colhem numa perna e no peito. A mulher, com a respiração opressa, precipita-se para o telefone e chama a polícia. Juntam-se alguns vizinhos. A polícia chega em bom tempo, nenhum dos agentes se intimida ante os dois intrusos e, pelo contrário, levam-nos bem algemados. Um deles, gravemente ferido, é remetido para o hospital onde escapa por um triz.
Três meses depois são julgados. Apanham, cada um deles, 18 anos de prisão por assalto e tentativa de agressão crapulosa.
O caso tem outros interessantes desenvolvimentos.

2. Na Beira Alta um cidadão apresenta queixa contra um magistrado, por alegadamente este ter tentado fazer chantagem com ele e um sócio. Uma brigada de agentes da autoridade investiga sem qualquer pressão institucional o assunto durante dois meses, tendo ficado provado que o suspeito tentou entretanto assassinar uma das testemunhas nucleares. Na sequência do posterior julgamento, extremamente emotivo, o magistrado é expulso e condenado a 24 anos de prisão. Paga de per-si ao Estado e aos dois sócios uma indemnização igual e 30 vezes o seu ordenado anual.

3. Numa cidade do Algarve o comandante da Polícia denuncia publicamente que subordinados seus andaram a roubar, através de conluios com destacados comerciantes locais, o erário público. Oito deles são suspensos. O caso vai para as intâncias próprias. O tempo vai passando e nunca mais se sabe de nada. Silencio total. Então, um belo dia, chega à cidade um forasteiro que se põe a fazer perguntas...

4. Na Beira Litoral um destacado médico é acusado de ter tentado espancar um colega e roubar segredos da clínica de alta qualidade onde oficiava. Entretanto a sua esposa morre e ele vê-se forçado a fugir para escapar à polícia. Passa-se um considerável lapso de tempo e, devido à acção dum jornalista local, descobre-se que tudo fôra congeminado por um poderoso político daquela região, comprometido num escândalo de tráfico de influencias envolvendo milhões. Este, julgado com todas as garantias de defesa, é condenado a prisão perpétua. Nenhum órgão de comunicação tenta um eficaz cover-up.


Seriam estes cenários trucados coisa desejável nesta democracia tendencial? Não sei... Mas escusam os habituais defensores do “politicamente correcto” de começar já a clamar em altas vozes que sugiro/proponho coisas ferozes, direitistas, incomportáveis na nossa sociedade de brandos costumes e ainda mais agradável ambiente para eventuais sevandijas!

Com efeito, mudando o lugar dos eventos (ai meu Minho, minhas Beiras, meu Algarve adorados!) limitei-me a “copiar” o argumento, inicial ou total, de filmes franceses e americanos famosíssimos e que, de facto, nada têm a ver com o
doce e manso Portugal...

Com uma única excepção – e aqui é que reside o meu concurso!
O leitor que acertar no facto real receberá um pequeno automóvel vermelho e uma senha de comparticipação num conhecido negócio bancário (claro que estou a mentir, mas a intenção é que conta...).

A revelação será feita no dia dos meus anos.

Turquia ou Irão?

Cada civilização tende a organizar-se em torno de um país, cujo poder faz dele o Estado-Núcleo, escrevia Samuel Huntington no seu “Choque das Civilizações”.

Segundo o professor de Harvard, o choque que está em curso tem como grandes pólos, por um lado o Ocidente, ainda a civilização dominante, e por outro o Islão, a única civilização que ao longo da História esteve por duas vezes à beira de fazer colapsar o Ocidente. Uma aliança sino-islâmica é altamente provável e a civilização ortodoxa (Rússia), pode também sentir-se tentada a juntar forças contra o Ocidente.

Para Huntignton, o problema não é o fundamentalismo islâmico, mas sim o Islão, uma civilização diferente, convencida da sua superioridade da sua cultura e frustrada com a inferioridade do seu poder.

No Ocidente, muitos políticos recusam perigosamente a visão de Huntington, como se recusar a mensagem tivesse o condão de evitar as ameaças que o professor antevê. Chegou-se até ao caricato de, para exorcizar o título da obra, se ter inventado uma “Aliança de Civilizações”, sob os auspícios do inenarrável Zapatero e do primeiro-ministro turco, Recip Erdogan.

Mas a genial obra de Huntington, (quem duvide da sua genialidade pode conferir a inquietante coincidência entre aquilo que escreveu há mais de 10 anos e o que se passa no mundo), foi levada muito a sério no mundo islâmico. Por exemplo, mais de mil exemplares foram comprados pelos Guardas da Revolução ao editor iraniano.

É hoje clara a intenção do Irão em alcançar o estatuto de Estado-Núcleo da civilização islâmica, usando Israel e a Palestina como pretexto para avançadas no território sunita e árabe, onde move já vários peões e algumas peças mais valiosas.

Mas Huntington não considerava ser o Irão o país mais vocacionado para Estado-Núcleo da civilização islâmica, papel que, segundo ele, estava destinado à Turquia.

De facto a Turquia tem quase 80 milhões de habitantes, um GDP nominal de 800 biliões de dólares e uma economia avançada, ao passo que o Irão não chega aos 75 milhões de habitantes, o seu GDP é menos de metade e a sua economia bastante atrasada. Além disso a Turquia é sunita, (tal como 90% do mundo muçulmano), ocupa uma posição estratégica no Médio Oriente, e tem um prestígio histórico que busca raízes no Califado otomano.

O laicismo, introduzido à força por Ataturk e mantido com mão de ferro pelos militares, é um óbice de monta que todavia está em vias de ser destruído. A Turquia está em plena reislamização, tendência que começou na década de 80 e que redundou na eleição do islamista Recep Erdogan. Hoje em dia o laicismo turco é uma ténue sombra do que era há 30 anos e Erdogan tem acelerado o processo, utilizando inteligentemente as exigências democráticas da UE para aniquilar o poder político do Exército Turco, de facto o único obstáculo à reislamização do país.

 Recip Erdogan, parceiro de Zapatero (a quem provavelmente encara como um estúpido dhimmi) na Aliança das Civilizações, afirmou um dia que “a democracia é como um autocarro. Quando chegas ao teu destino, sais", e tem demonstrado com factos que não se tratou apenas de uma frase infeliz.

Na semana passada a Turquia acolheu a conferência sobre a “Vitória de Gaza”, com a participação de centenas de islamistas, tendo como objectivo criar mais uma frente da jihad global.

O apoio turco a semelhante iniciativa, denuncia o progressivo alinhamento do país com as posições anti-ocidentais e anti-israelitas. De resto os oradores fizeram constantes referências elogiosas à recentes atitudes anti-israelitas de Erdogan que nos últimos tempos se sente com confiança suficiente para não temer assumir às claras as suas simpatias islamistas.

Os sinais são claros e inequívocos. A nível interno vem alterando as leis seculares impostas por Ataturk, tem promovido detenções de responsáveis militares alegando conspirações contra o Estado e fez eleger um Presidente que está sob o seu controle.

A nível externo, começou por recusar o transito por território turco da 4ª Divisão americana que deveria invadir o Iraque pelo Norte, assinou tratados com o Irão e com a Síria, e faz questão de intervir na questão israelo-árabe, tomado partido pelo Hamas, convidando Mashal e os lideres do Hamas para conversações e, sobretudo, está a rever profundamente a relação estratégica com Israel, país com quem tinha uma sólida e antiga cooperação militar e de informações.

É verdade que há ainda forças poderosas que se opõem à deriva islamista, especialmente no seio do Exército mas, como disse Yahya Safavi, conselheiro de Ali Khamenei ” A coragem de Erdogan ( em Davos), evidencia o despertar islâmico do povo turco, como resultado de influência da Revolução Islâmica

Salvo um cada vez mais improvável golpe militar, a islamização da Turquia parece imparável e o país surgirá, tal como Huntington previu, como o Estado-Núcleo da civilização islâmica. Dotar-se-á de armas nucleares e os seus seguidores serão o Irão, já nas mãos dos integristas, e o Paquistão, que também não tardará a cair.

 

O Carmo e a Trindade ainda estão de pé?


Então dá-se o mais hediondo e explícito acto de censura no Carnaval de Torres (os ditadores nunca se deram bem com o Carnaval) alegando que se tratava de pornografia (nem mamilos consegui ver!) e não há um clamor de indignação? Está tudo doido? Já para não falar no caso do post anterior do Gonsalo...

Ficam umas perguntinhas. Quem é que fez queixa acerca da sátira? Ou é costume o ministério público fazer inspecções à moralidade dos carros alegóricos do Carnavald e Torres? Não havendo sequer uma imagem com pinocada, explícita ou implícita, como é que se consegue catalogar uma imagem de pornográfica? Qual o critério de ilegalidade aplicado que justifique a remoção das imagens eróticas? As matrafonas que insinuem seios desnudos também vão passar a ser proibidas?

Só me apetece dizer um chavão muito batido mas que infelizmente é cada vez mais evidente : "Ai se fosse no tempo do Santana..."

Bem fizeram os organizadores e o Presidente da Câmara de Torres: chamar a televisão e gozar com a situação no melhor espírito carnavalesco.

Este caso vem revelar mais uma vez que o Magalhães é um elemento muito crítico na propaganda do Governo e da máquina por detrás dele. A máquina de Sócrates, tal como a de Chávez, sabem que é essencial proteger a propaganda para a perpetuação no poder.

Adenda: recomenda-se uma vista de olhos a este post no blogue dos Marretas

O Carnaval no Ensino


Bem te conheço, oh máscara!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Putin para Presidente dos EUA!

"A intervenção excessiva na actividade económica e uma fé cega na omnipotência do estado é [...] um erro.

Em tempos de crise, uma reacção natural às falhas do mercado é atribuir um papel acrescido ao estado. Em vez de agilizarem os mecanismos de mercado, muitos são tentados a expandir ao máximo a intervenção estatal na economia.

A actual concentração de activos nas mãos do estado é um dos aspectos negativos das medidas anti-crise em quase todas as nações.

No século XX, a União Soviética tornou o papel do estado absoluto. No longo prazo, isso tornou a economia soviética terminalmente não competitiva. Foi uma lição que nos custou muito caro, e que tenho a certeza ninguém quer ver repetida.

Também não podemos negar que, nos últimos meses, se tem vindo a assistir à erosão do espírito de livre iniciativa, incluindo o principio da responsabilidade pessoal dos homens de negócios, investidores e accionistas pelas suas decisões. Não há nenhuma razão para acreditar que é possível conseguir melhores resultados transferindo esta responsabilidade para a esfera do estado."

Vladimir Putin, a discursar na cerimónia de abertura do World Economic Forum, em Davos.

UMA OU DUAS COISAS QUE EU SEI DELE (2)

Mário Soares, homem providencial nos seus tempos de salvador de parte da democracia nacional e, por suscitação de Salgado Zenha – assim nos garantem os bem informados, que evidentemente sabem mais disso que eu - com bravura cavalheiresca enfrentou então o celebrado Cunhal na fonte luminosa, não cessa de nos iluminar com proveito mediante a sua fala intensamente apelativa pelo menos para alguns.
Agora, segundo nos contam praticamente todos os “órgãos de informação”, como usa dizer-se com chiste, que manifestam pelo “velho leão” um carinho inteiramente apropriado, veio dar uns prudentes conselhos ao actual ocupante de S.Bento, o sr. Presidente do Conselho de ministros engº José Sócrates.
E disse o renomado combatente republicano laico, e cito de memória, que o governo tinha de falar nos casos, falar sem desfalecimentos, explicando aos cidadãos o porquê das excelsas razões para a atribuição das verbazitas a um tal BPN, além de outras verbazitas que tais, para as acções magnificentes com que vai governando esta pátria multissecular e, creio eu, também já multidisplinar por causa dos tempos e dos modos...
Falar, explicar, falar com imaginação contida, digamos, mas presuntiva eficácia.

E eu, perante esta luzente ideia soarista, de repente lembro-me de um trechozinho dum livro de André Coyné (“Sobre Portugal nestes tempos do fim”), um dos destacados analistas políticos franceses, que nos disse dele: “ Já então Soares era o homem para quem governar seria falar, e ainda falar, sempre falar e, falando, dizer seja o que for, já que de toda a maneira o público é incapaz de reter tudo e trata-se antes de mais de o embalar com palavras e de tornar esse embalar não só habitual como indispensável”.
Falar para entreter as massas, diria eventualmente um leitor menos benevolente ou mais despachado.

E a seguir conta-nos esta pequena estória que nunca que eu saiba foi desmentida (e Coyné não era/é um qualquer, mas sim um prestigiado escritor e professor catedrático internacional, um par dos melhores publicistas universitários e estudiosos gauleses): “Era nos primeiros dias de Março de 1975 e o secretário-geral do PS acabava de gravar uma declaração para a Televisão Francesa. Enquanto os técnicos desligavam e arrumavam a aparelhagem, aproximou-se de nós e, sem preâmbulo, desfechou: 'Agora estamos entre nós, agora sim podemos falar' – e pôs-se imediatamente a contradizer aquilo que acabara de confiar ao microfone para o público”.

Com tão prudente/s conselheiro/s não me admiro nada que o sr. Engº Sócrates fique, mais a sua governamental retórica, entre nós já não digo várias dezenas de anos como o seu correlegionário de ideologia Chávez mas, pelo menos, mais uma década prodigiosa!

A pátria dele e do Dr. Soares merecem.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O erro de Hegel


Posto de lado o que se deveu à fraude, é, todavia, garantido que umas dezenas percentuais de votantes venezuelanos fizeram aos filhos aquilo que não perdoariam que os seus pais lhes tivessem feito, ao permitirem ou apoiarem um carácter vitalício para cargos públicos e governativos. Na prática, sancionaram, de um modo ou de outro, a prisão, o exílio, forçado ou voluntário, e a morte dos seus descendentes face aos abusos ou a qualquer futuro entendimento do mundo que não caiba na visão ou nos interesses de alguns.
E fizeram-no a troco da garantia da sopa dos pobres ou por - como sempre, modestamente, mas com inquestionável honestidade - se considerarem pais da nova humanidade, que pela eternidade os considerará como pioneiros.
O que, mais uma vez, põe a nu o engano teórico em que Hegel e outros se enredaram: é que, como o demonstrou a votação, há povo e povo ordinário.

SÉRIE NEGRA

UM PACTO PARA PAGAR O PATO


Subi as escadas um pouco apreensivo. Ainda me parecia um sonho...Eu no meio dos duros, no convívio com aquela rapaziada que sempre admirara! Os manos que sabem como é, wise guys sem tirar nem pôr.
Rapazes espertos, gente que não se desalinha. Os que manejam de facto a sociedade e os seus meandros, que respondem às dificuldades da crise e que dão o mote para a vida com letra grande.
Lá passei o guarda-costas, o porteiro matulão e calado que logo cerrou o matacão daquela porta pesada como um portão de herdade. Levantei os ombros, não ia deixar ficar mal a minha gente. Assim como assim, eu, um descendente do Vimioso…do Marceneiro…
O Al, com o seu charutão ao canto da beiçola quase nem me deixou ambientar.
- E então cá estamos nós, rapazes! - disse com o seu jeito de boss - E não vamos perder mais tempo: é preciso que tudo corra nos conformes, muito há em jogo nesta nossa reuniãozinha! Pois o caso é que concluí haver necessidade de elevar o nível do nosso meio. E que melhor para isso que efectuarmos um pacto? Parece que tem muita saída e dá resultado, já com os calabreses foi assim. Além disso andam por aí umas massas a agitar-se: o professor Tournesol ameaça de novo convocar greves e manifestações, o Dick Tracy com os moços de giro vai sair à rua, o próprio capitão Haddock já pensou em nos atirar para cima mil milhões de macacos fardados. E temos de apaziguar o Xerife de Boliqueime, que já anda novamente enfiado...O caso dum tal Louceiro...
- Cá por mim - adiantou logo o Floyd Três Dedos - nem era preciso tanto trabalho... Combinava-se de antemão o assunto com o Jaime e outros comparsas e se alguém se pusesse com tretas...a minha rapaziada dava-lhe o arroz! Compreendeu, Capone?
- Aguenta! - vociferou o Babyface Nelson, com a mão no lado esquerdo do casaco assertoado - Também tenho alguma coisa a dizer, Floyd... As coisas já não são o que eram, temos de ter cuidado. Não penses lá agora que com esta onda de simpatia pela elevação a presidente do Lucky Luciano já podemos andar a fazer tudo. As massas são imprevisíveis, não viste como foi com o Madoff e Costa? Eu por mim opino que nos devemos ficar apenas por acordos pós-assalto ás assembleias...!
- E eu punha como modelo, limpinho e sem osso e para não falharmos, como cabeça de cartaz um Don das quadrilhas autárquicas com palheta e acabava-se a confusão. Ou se fizesse falta a valer, um do meio desportivo, que têm experiência em sociedades secretas e biografias...É coisa de futuro - relinchou o Floyd com rudeza.
O Al, ponderadamente, abanou a cabeçorra poderosa e riu um pouco.
-Eu hoje estou muito paciente, Floyd. Não fôsse isso e já tinhas a caixa dos pirolitos amolgada. Capici? Vamos mas é deixar-nos de tretas e inspirar-nos, quando muito, no colega Sarkony dos gangs de Marselha, ou mesmo experienciar com a escumalha de Bruxelas... E está dito: o pacto tem de vir a lume ainda nesta rentrée e mai’nada!
A intervenção dele despoletou uma algaraviada do caneco. Um dizia, outro replicava... Eu estava a ficar algo chateado.
E foi então que, lisboeta de lei que sou, me empolguei e rapando da automática escaquei um tirázio para o ar.
Calaram-se todos, pois então.
E no breve silêncio pesado que se seguiu eu disse, na minha voz bem timbrada de parlamentar do Bairro Alto, de descendente de oradores fadistas dos tempos da Severa de Nafarros, arrumando a questão:
- Ouçam, rapazes: não quero ser desmancha-prazeres mas arre! Eu acho que hoje por hoje só há um pacto como deve ser: artilhar-se aí um contrato com o nosso saudoso António, para que volte e nos salve da confusão desta puta democracia que já dura há tempo demais!
E, para reforçar o meu breve discurso, pronto para o que desse e viesse, coloquei sugestivamente a mão esquerda, apesar de não ser canhoto, na outra algibeira da minha gabardina.
À Bogart, claro.

Juden Raus

Os sheiks do Dubai ( Emiratos Árabes Unidos)  negaram a entrada à tenista israelita Shahar Pe'er, nº 45 do ranking mundial e que ia jogar com a russa Anna Chakvetadze na próxima segunda-feira, num torneio  sob  a égide da WTA.
Houve algumas reacções mais fortes, como a do  Wall Street Journal, que retirou o patrocínio ao torneio, e do Tennis Channel, que suspendou a transmissão televisiva, mas o registo geral foi  de tépida condenação, a começar pela própria WTA que deplorou a atitude e declarou que  futuramente poderá considerar a não calendarização do torneio.
Venus Williams afirmou que todos os atletas estão com Shahar Pe'er.
Palavras bonitas, mas sem consequências práticas.
Lamenta-se, mas o torneio  "no jews allowed", segue dentro de momentos, nada de fazer tempestade em copos de água, que o racismo contra os judeus, não é bem racismo.

Solicito agora a imaginação do leitor para as reacções que se poderiam (e deveriam)  esperar,  se  o Dubai negasse a entrada das gémeas Williams, pelo facto de serem negras.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

LONDRES SEM NEVOEIRO

ANDAVAM OS BOROGOVES DESDITOSOS...

Mas isso era lá e eram só alguns. Os outros andavam mais ou menos bem, pois os olhos, colados pela propaganda incessante dos aparatchikis do costume, parece que finalmente começaram a abrir-se. E vai daí, fizeram saber às gentes uma coisa absolutamente intuitiva, fundacional: que os filhos da casa, proletas dos quatro costados, têm, devem ter, precedência sobre os contratados que vão de fora e que, por norma, ainda por cima cospem no anzol depois de terem comido a isca... Puseram-se desditosos os manos reaccionários, que com os islamitas, por exemplo, usam apanhar bofetadas para não apanharem pontapés. Mas desta vez os proletas não cederam e o poor fellow Brown teve de se conformar - e fez ele muito bem.
Assim o fizesse também por cá o arteiro e manhoso Sócrates e outro galo nos cantaria a todos. Mas este jovem cheio de talento prefere estomagar os professores. E os outros portugueses todos, incluindo - chegou-se a isto! - os membros do sistema judicial, que também não são, convenhamos, flores que se cheirem. Mas adiante: foram 4 dias muito bem passados, com gente fixe e talentosa e com uma assistencia interessada que não me fez perder o meu tempo. A funçanata teve lugar numa galeria perto do Strand, sítio que sempre me emociona. Ainda ali perpassam as silhuetas do dr. Watson e do seu amigo do cachimbo, do boné de abas e da ampla cobertura em tecido príncipe de Gales... O que tinha um faro mais acerado que um cão pisteiro...O nosso "velho" Sherlock! Custou-me mais foi o abalar. Sempre que saio/entro neste belo e triste Portugal, é o mesmo panorama: feliz por tornar ao lar mas curtidinho por dentro, como um couro, por ter de voltar à "piolheira" - como dizia com vernáculo humor, nos seus tempos, o príncipe D.Carlos... Tenho de me deixar destas viagens. Transtornam-me, fazem-me sentir cada vez menos português. E eu não queria, raios, porque até sou muito patriota... Mas o que se lhe há-de fazer?
Para amenizar, aqui vos deixo um poema do acervo que lá fui apresentar. Bom apetite!


Londres

Visitei Londres pela primeira vez numa manhã de Primavera.

Numa das margens do rio, um pouco ao estilo vitoriano

rapazolas snifavam tranquilamente

tornavam real e popular o mistério que William

Blake espalhou pelas coisas do inferno e do céu.

Velho carola

O que eu lhe li nas entrelinhas

o que eu inventei à sua custa com a proverbial

lucidez mediterrânica

Mas passemos adiante. Salvo erro

- e creio que isto é exacto –

daquela maneira desasada é que habitualmente circulavam

os que numa serena e fresca noite resolveram limpar o sebo

mesmo sob o nariz dos transeuntes

à jovem Elisabeth Douglas com sete naifadas no baço

(a sua mãe, o seu pai choroso

o ar compungido da locutora boazona

o cheiro provável a cera fria dos demais figurantes…)

Os cisnes em Datchet Court

solenes como dois turistas numa pensão da linha.

Londres Londres dali vejo partir os velhos aventureiros

G.A.Henty com a sua gravata verde os olhos piscos

Poetas envinagrados conjurando-se a uma esquina

lançando a âncora num pub despertando lembranças

Sucheu Bali as savanas do monte Kenya

lá passam de autocarro até Hampstead

não naturalmente pelos livros mas sobretudo

pelos leitores “recordo-me que uma vez

tentei trabalhar numa casa depois de uma outra quadrilha

lá ter estado” O meu vizinho que sabe

que tudo é citação faz-me sorrir

conta-me coisas adormece-me.




Muitas coisas ficam desconstruídas, do grave

ao divertido

ao fim duma meditação intempestiva

Os domingos de sol

As prímulas na pradaria de Runnymede

O choro de Defoe ou de Donne sobre os rochedos de Chaltenham

O amplexo de um preto velho numa lojeca de Carnaby Street.

Mas a inocência

é já matéria sem relevo

é uma pérola uma pedra fibra descarnada e melancólica.

Londres exactamente e tudo o mais é divagação

há 300 anos eu aqui seria um inimigo.

Os salpicos de lama feriam-me a concentração

mas não havia bruma ouvia-se

um piano mecânico nas redondezas

Deserta a cidade rapaziada pedante mariquices isabelinas

- o obelisco como um carvalho nas colinas de Cape Staines.

É difícil pensei eu lançar o olhar em volta

tanta coisa poderia eu sei lá acontecer

A rapariga junto ao poste de iluminação pensativa

Cinco sonatinas para violoncelo e a sombra de Mateus Pipperbarem

uma voz que ondula de repente e pára.

Ferrovias contudo desdobravam-se ao longo dos continentes e foi então

Que me ocorreu Mas que faço

eu aqui

No entanto uma doçura muito velha percorria-me de cima a baixo

a Inglaterra florida e violenta martelava-me na cabeça

Robinson surgia de súbito acenando com um jornal na mão

Interrogativo um pouco alucinado.




A minha alegria ousará abrir caminho por aqueles labirintos.

A tepidez do Inverno num lugar mais aprazível.

Olho de novo o céu. A multidão comprime-se.

Noutras condições pergunto ainda estarei no recanto que sonhara?


Juan Pedro Moro

Trad. josé lencastre