sábado, 31 de outubro de 2009

Um Carmo da Rosa em grande forma...


... escreveu mesmo agora este comentário na caixa deste meu post, complementando o post que eu publicara minutos atrás:
@ Diogo:
«Talvez, mas nos últimos 300 anos ninguém lhes colocou proibições.»
300 anos? Na minha escola 2009 menos 1938 são pelo menos 71! Isto só para abordar uma das pequenas proibições…
@ Diogo:
«Porque é que os judeus se mantiveram sempre à parte?»
De maneira nenhuma são os únicos. O Eça, para aproveitar a maré, nas Cartas de Inglaterra e na pag. 156 dizia o seguinte sobre a falta de adaptação dos ingleses:
Estranha gente, para quem é fora de dúvida que ninguém pode ser moral sem ler a Bíblia, ser forte sem jogar o cricket, e ser gentleman sem ser inglês!E é isto que os torna detestados. Nunca se fundem, nunca se desinglesam. (…) O Francês no interior de África adora sem repugnância o manipanso, e na China usa rabicho. O inglês cai sobre as ideias e as maneiras dos outros, como uma massa de granito na água: e ali fica pesando, com a sua Bíblia, os seus clubs, os seus sports, os seus prejuízos, a sua etiqueta, o seu egoísmo – fazendo na circulação da vida alheia um incomodativo tropeço.
Mas há mais. Quando visitar a Holanda aproveite para ir à Associação Portuguesa de Amesterdão (Vasco da Gamastraat – não estou a gozar!) e vai ver como se sentirá perfeitamente em casa… E se depois der uma voltinha cultural pela Sinagoga Portuguesa, vai ver que os judeus expulsos de Portugal pelo seu bisavô – o que fez empobrecer consideravelmente Portugal e enriquecer a Holanda – conservaram durante séculos a língua de Camões. Na realidade os Coutinhos, Costas e Teixeira de Mattos que para aqui vieram eram bem mais patriotas que o seu bisavô…
@ Diogo: «Porque não há anti-irlandesismo, anti-germanismo, anti-portuguesismo e anti-polaquismo?»
Até há. Mas a razão do anti-semitismo tem a ver com um excelente Pr. do Vaticano baseado numa lenda que reza que os judeus há 2000 mil anos crucificaram um judeu guedelhudo que tinha a mania que fazia milagres. Mais tarde, os romanos, cansados de adorarem tantos deuses, resolveram reestruturar a empresa demitindo uma grande quantidade deles ficando apenas com três – Deus pai, o Filho (o tal hippie judeu em cuecas espetado na cruz) e o Espírito Santo.Caro Diogo, já agora gostaria de saber se o seu argumento - porque não há anti-…. também é válido em relação ao anti-islamismo?
@ Diogo:
«Porque dominam eles há mais de duzentos anos em toda a Europa, os Media e as Finanças?»
Que exagero! Mas ok, e porque dominam os brasileiros há 50 anos o futebol internacional? E porque dominam os holandeses o mercado das flores? E porque dominam os chineses o ping-pong? E o Islão o terrorismo internacional? E a esquerda hoje em dia o monopólio da estupidez e da reacionarice?
@ Diogo:
«Serão mais inteligentes e trabalhadores que os outros povos? Ou actuam como uma máfia?»
Bem visto Diogo, é isso precisamente, uma máfia de gente mais inteligente e mais trabalhadora que os restantes. É uma foda mas é verdade, estes paus-cortados (como dizem os brasileiros) são o povo escolhido pelo Altíssimo, não há nada a fazer – eu diria mesmo que eles e não os alemães, como pensava o tio Adolfo, quem encarnam perfeitamente o Ubermensch…

Meu caro Diogo:


Afirmar que, nos últimos 300 anos, ninguém colocou proibições aos judeus é algo que faria rir o próprio Hitler. Em seguida, que nunca tiveram grande apetite pelo trabalho agrícola ou industrial, revela um vasto conhecimento, bebido em fontes informativas de excepcional qualidade que o mesmo Hitler não desdenharia, caso tivesse seguido a carreira de comediante stand-up. Finalmente, que os judeus, ao contrário dos italianos, por exemplo, se mantiveram à margem até na América, denota, da sua parte, um golpe de vista digno de uma verdadeira águia germânica no seu melhor. Não lhe chegou para ver o que eu digo no que escrevi, mas também, caramba!, lá do alto, nem uma águia consegue distinguir minudências tão microscópicas no terreno.
Disse-me, todavia, um pardalito que, embora menos alto voe, terá lobrigado um animalzinho minúsculo, espécie de animal híbrido, geneticamente transformado talvez, que, com aspecto geral de víbora, se locomovia apoiado nos cascos que lhe despontavam dos lombos e erguia aos céus umas orelhas monstruosas, as quais, quando estendidas em toda a sua dimensão, alcançavam o topo dos montes Hermínios. Da boca da besta saía um som cavo, algo entre o zurro e urro, que se assemelhava, na sua articulação, a uma expressão estranha. "Nacional-matarruanismo!", foi o que lhe pareceu ouvir, vindo da sua garganta fétida. Tão arrepiado fiquei que, juro-lhe!, meu caro Diogo, se algum dia topar com ele, não obterá de mim palavra alguma, seja a que pretexto for, mesmo que intente provocar-me.
É que ele há bicheza que dá nojo! Mesmo àqueles que, como eu, mas certamente bastante menos do que o meu amigo, conhece a história dos seres que surgiram à superfície ou nos subterrâneos do nosso amado planeta.

Copenhaga: que chutem latas

4 vídeos no EcoTretas que aconselho vivamente.

Aqui deixo o 4º, possibilitando, entretanto, na caixa de comentários, o respectivo bate-papo.

Para Copenhaga, entretanto, tudo o que for para além de "kick the can down the road" será demais.




Parece-me que os vídeos, aqui, são mais completos.

D'el Prestrello

... ou o re-escrever da história.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Breve e sem revisão de texto


1. Os judeus são como nós: não são santos.
2. Os judeus foram atirados para a prática da usura a dada altura da Idade Média, por lhes haver sido proibida até mesmo serem agricultores.
3. Os judeus como todos nós, defendem-se e previnem-se, tendo em atenção o que já lhes aconteceu. Se não adquirissem poder, estavam lixados com f grande.
4. Os judeus sempre emigraram, dada a pobreza do solo de Israel. A sua capacidade de criar riqueza foi motivo frequente de invejas e de perseguições, frequentemente justificadas pelos idiotas, pelas “boas almas” e pelos espertalhões que pululam abundantemente em todo o lado com a necessidade de acabar com a “conspiração”. Um argumento facilmente aceite e aproveitado pelo resto dos idiotas, “boas almas” e espertalhões, dado o carácter fechado do lado religioso judeu.
5. Os judeus desde sempre tiveram também, por isso, de saber fazer um jogo muito arriscado com aqueles que, para não os hostilizarem ou para lhes garantir protecção, lhes exigiam a riqueza acumulada pelo trabalho para financiarem os seus próprios fins. Já em Roma, tiveram que apoiar financeiramente Júlio César.
6. Não é preciso justificar metafísica ou darwinamente a inteligência demonstrada pelos judeus. A sua influência e predominância determinantes na economia e na cultura terá seguramente um pilar maior no elementar, mas decisivo, facto de ser obrigatório o saber ler para poder conhecer os textos sagrados. A disciplina e o desenvolvimento intelectual que a prática da leitura implica, superiorizam, desde logo, incomensuravelmente, as crianças israelitas em relação às restantes crianças e adultos de um mundo quase todo analfabeto. Tornam-nas mais capazes de dar atenção aos problemas e um maior horizonte na sua resolução, pelo alargamento do mundo que proporcionam. E tornam-nas igualmente mais capazes de levantar as questões culturais e científicas que são a base da nossa civilização, que eles formaram, de raiz, juntamente com os gregos. Não há, pois, diferença entre a nossa cultura e a cultura “deles”. São uma e a mesma.
7. Numa carta dirigida ao cunhado, emigrado na América do Sul no último quartel do século XIX, empenhado na reconstrução do “Paraíso Ariano” que Hitler haveria mais tarde de concretizar, Nietzsche pede para que ele não continue a convidá-lo para um projecto que em nada lhe interessa e com o qual nem sequer está de acordo, e que não o aborreça mais com anti-semitismos. As críticas mais inteligentes à sua filosofia que lhe chegaram às mãos vieram, afirma Nietzsche, precisamente dos judeus. Nietzsche não é nem nunca foi, anti-semita, mas sim ateu e, ao fazer a crítica da cultura ocidental, está, natural e implicitamente a fazer a crítica das concepções religiosas judaicas. Evidentemente, pelo que eu disse no parágrafo anterior.
8. O problema entre os árabes e os israelitas é, portanto, de natureza cultural. Os judeus são, para os países islâmicos, o Ocidente libertino e ser libertino é contestar a ordem do feudalismo e do despotismo que adoptaram o islamismo como sua justificação, já que o Corão, na sua pretensão de ser definitivamente claro, acaba por não o conseguir, tornando-se assim num óptimo referencial para idiotas, “boas almas” e espertalhões, mais do que o cristianismo o foi ou possa continuar a sê-lo. E, por isso mesmo, um obstáculo a toda a evolução de carácter cultural e científico. Bem como um instrumento de manobrável de conflitos, também maior do que o cristianismo o foi ou possa continuar a ser. Decisivo nisto tudo é ainda o facto de, enquanto o cristianismo condena a vingança, o Corão a admitir, sem sequer especificar em que é que consiste uma vingança verdadeira.
9. Eça disse muita coisa interessante, mas também se fartou de dizer asneiras. O que é típico do ser humano. Como o princípio da autoridade é estranho à minha natureza, aceito de Eça, em consciência, o que penso poder aceitar. O resto, não, mesmo que o que eu penso seja uma asneira de calibre igual ou semelhante àquela que ele sentenciou. Aliás, a maior dimensão intelectual da Geração de 70 foi sempre a de Antero, a de Santo Antero, como num arroubo (pateta) de admiração lhe chamou Eça. Que tal dar-lhe uma maior atenção?

Dos pacifistas



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bolachas!




... coisas do capitalismo.

The JCP's Big Band

A Big Band de Jorge Costa Pinto.

Amigos do Jazz.

Gostam do som de Big Band? O 'Be.Bop' diz-vos algo?

Apareçam no Teatro Aberto, em Lisboa, 3ª Feira, 3 de Novembro.

Divulguem! A bem do Jazz e dos músicos portugueses que gostam desta linguagem musical.

Mentirosos e imbecis

No poste sobre o anti-semitismo, o comentador Diogo, com a desonestidade intelectual que caracteriza todos os anti-semitas, e com a obsessão que só o ódio patológico explica, foi pescar com pinças uns excertos das "Cartas de Inglaterra", de Eça de Queirós, no intuito de "provar" que Eça era anti-semita e que por isso ser-se anti-semita é uma coisa sofisticada e própria de gente esclarecida.

Pois tome lá o capítulo completo e leia-o com cuidado...estão lá as respostas de que precisa:

"Cartas de Inglaterra"
“ Este extraordinário movimento antijudaico, esta inacreditável ressurreição das cóleras piedosas do século XVI é vigiada com tanto mais interesse em Inglaterra quanto aqui, como na Alemanha, os judeus abundam, influindo na opinião pelos jornais que possuem (entre outros o Daily Telegraph, um dos mais importantes do reino), dominando o comércio pelas suas casas bancárias e, em certos momentos mesmo, governando o Estado pelo grande homem da sua raça, o seu profeta maior, o próprio Lord Beaconsfield”.
“Mas que diremos do movimento na Alemanha?
Que em 1880, na sábia e tolerante Alemanha, depois de Hegel, de Kant e de Schopenhauer, com os professores Strauss e Hartmann, vivos e trabalhando, se recomece uma campanha contra o judeu, o matador de Jesus, como se o imperador Maximihiano estivesse ainda, do seu acampamento de Pádua, decretando a destruição da lei rabínica e ainda pregasse em Colónia o furioso Grão de Pimenta, geral dos dominicanos –, é facto para ficar de boca aberta todo um longo dia de Verão.
Porque enfim, sob formas civilizadas e constitucionais (petições, meetings, artigos de revista, panfletos, interpelações), é realmente a uma perseguição de judeus que vamos assistir, das boas, das antigas, das manuelinas, quando se deitavam à mesma fogueira os livros do rabino e o próprio rabino, exterminando assim economicamente, com o mesmo feixe de lenha, a doutrina e o doutor.
E é curioso e edificante espectáculo ver o venerável professor Virchow, erguendo-se no parlamento alemão, a defender os judeus, a sabedoria dos livros hebraicos, as sinagogas, asilo do pensamento durante os tempos bárbaros – exactamente como o ilustre legista Roenchlin os defendia nas perseguições que fecharam o século XV!
Mas o mais extraordinário ainda é a atitude do Governo alemão: interpelado, forçado a dar a opinião oficial, a opinião de Estado sobre este rancor obsoleto e repentino da Alemanha contra o judeu, o Governo declara apenas com lábio escasso e seco «que não tenciona parara alterar a legislação relativamente aos israelitas».
Não faltaria, com efeito, mais que ver os ministros do império, filósofos e professores, decretando, a D. Manuel, a expulsão dos judeus, ou restringindo-lhes a liberdade civil até os isolar em vielas escuras, fechadas por correntes de ferro, como nas judiarias do gueto.
Mas uma tal declaração não é menos ameaçadora.
O Estado dá a entender apenas que a perseguição não há-de partir da sua iniciativa: não tem porém uma palavra para condenar este estranho movimento anti-semítico, que em muitos pontos é presentemente organizado pelas suas próprias autoridades.
Deixa a colónia judaica em presença da irritação da grossa população germânica — e lava simplesmente as suas mãos ministeriais na bacia de Pôncio Pilatos.
Não afirma sequer que há-de fazer respeitar as leis que protegem o judeu, cidadão do império; tem apenas a vaga tenção, vaga como a nuvem da manhã, de as não alterar por ora!
O resultado disto é que numa nação em que a sociedade conservadora forma como um largo batalhão, pensando o que lhe manda a «ordem do dia» e marchando em disciplina, à voz do coronel – cada bom alemão, cada patriota, vai imediatamente concluir desta linguagem ambígua do Governo que, se a corte, o estado-maior, os feld-marechais, o senhor de Bismarck, todo esse mundo venerado e obedecido não vêem o ódio ao judeu com entusiasmo, não deixam de o aprovar em seus corações cristãos... E o novo movimento vai certamente receber, daqui, um impulso inesperado.
Que digo eu? Já recebeu.
Apenas se soube a resposta do Ministério, um bando de mancebos, em Leipzig, que se poderiam tomar por frades dominicanos mas que eram apenas filósofos estudantes, andaram expulsando os judeus das cervejarias, arrancando-lhes assim o direito individual mais caro e mais sagrado ao alemão, o direito à cerveja!

Mas donde provém este ódio ao judeu?
A Alemanha não quer, decerto, começar de novo a vingar o sangue precioso de Jesus.
Há já tanto tempo que essas coisas dolorosas se passaram!... A humanidade cristã está velha e, portanto, indulgente: em dezoito séculos esquece a afronta mais funda.

E infelizmente hoje já ninguém, ao ler os episódios da Paixão, arranca furiosamente da espada, como Clóvis, gritando, com a face em pranto: – Ah, infames! Não estar eu lá com os meus Francos!
Além disso, este movimento é organizado pela burguesia, e as classes conservadoras da Alemanha são muito jurídicas para não aprovarem, no segredo do seu pensamento, o suplício de Jesus.
Dada uma sociedade antiga e próspera, com a sua religião oficial, a sua moral oficial, a sua literatura oficial, o seu sacerdócio, o seu regime de propriedade, a sua aristocracia e o seu comercio que se há-de fazer a um inspirado, a um revolucionário, que aparece seguido de uma plebe tumultuosa, pregando a destruição dessas instituições consagradas à fundação de uma nova ordem social sobre a ruína delas e, segundo a expressão legal, «excitando o ódio dos cidadãos contra o Governo»?
Evidentemente puni-lo. Pede-o a lei, a ordem, a razão de Estado, a salvação pública e os interesses conservadores.
É justamente o que a Alemanha, com muita razão, faz aos seus socialistas, a Karl Marx e a Bebei.
Ora, estes maus homens não querem fazer na Alemanha contemporânea uma revolução, decerto, mais radical que a que Jesus empreendeu no mundo semítico.
É verdade que o Nazareno era um Deus: para nós, certamente, humanidade privilegiada, que o soubemos amar e compreender mas em Jerusalém, para o doutor do Templo, para a escriba da lei, para o mercador do bairro de David, para o proprietário das searas que ondulavam até Belém, para o centurião severo encarregado da ordem Jesus era apenas um insurrecto.
E se Bismarck estivesse de toga, no Pretório, sobre a cadeira curul de Caifás, teria assinado a sentença fatal tão serenamente como o dito Caifás, certo que nesse momento salvava a sua pátria da anarquia.
Os conservadores de Jerusalém foram lógicos e legais, como são hoje os de Berlim, de Sampetersburgo ou de Viena: no mundo antigo, como agora, havia os mesmos interesses santos a guardar.

Que diabo!, é indispensável que a sociedade se conserve nas suas largas bases tradicionais: e outrora, como hoje, a salvação da ordem e a justificação dos suplícios.
É possível que este gozo que nós hoje, conservadores, temos de triturar os messias socialistas, encarcerar os Proudhon, mandar para a Sibéria os Bakunine e crivar de multas os Félix Pyat venha a custar caro a nosso netos.
Com o andar dos tempos, todo o grande reformador social se transforma pouco a pouco em Deus: Zoroastro, Confúcio, Maomet, Jesus, são exemplos recentes!
As formas superiores do pensamento tem uma tendência fatal a tornar-se na futura lei revelada: e toda a filosofia termina, nos seus velhos dias, por ser religião.
Augusto Comte já tem altares em Londres; já se lhe reza.
E assim como hoje exigimos capelas aos santos padres, aos que foram os autores divinos, os nobres criadores do catolicismo, talvez um dia, quando o socialismo for religião do Estado, se vejam em nichos de templo, com uma lamparina de frente, as imagens dos santos padres da revolução: Proudhon de óculos. Bakunine parecendo um urso sob as suas peles russas, Karl Marx apoiado ao cajado simbólico do pastor de almas tristes.
Como a civilização caminha para o oeste, isto passar-se-á aí para o século XXVIII, na Nova Zelândia ou na Nova Austrália, quando nós, por nosso turno, formos as velhas raças do Oriente, as nossas línguas idiomas mortos, e Paris e Londres montões de colunas truncadas como hoje Palmira e Babilónia, que o zelandês e o australiano virão visitar, em balão, com bilhete de ida e volta... Logicamente, então, como são detestados hoje na Alemanha os herdeiros dos que mataram Jesus – só haverá repulsão e ódio pelos descendentes de nós outros que estamos encarcerando Bakunine, ou multando Pyat.
E como toda a religião tem um período de furor e extermínio, esses pobres netos nossos serão perseguidos, passarão ao estado de raça maldita e morrerão nos suplícios... C’est raide!
Mas voltemos à Alemanha. Ainda que o Pedro Eremita desta nova cruzada constitucional seja um sacerdote, o reverendo Streker, capelão e pregador da corte, é evidente que ela não tira a sua força da paixão religiosa.
As cinco chagas de Jesus nada têm que ver com estas petições que por toda a parte se assinam, pedindo ao Governo que não permita aos judeus adquirirem propriedades, que não sejam admitidos aos cargos públicos, e outras extravagâncias góticas!
O motivo do furor anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colónia judaica, colónia relativamente pequena, apenas composta de quatrocentos mil judeus; mas que pela sua actividade, a sua pertinácia, a sua disciplina, está fazendo uma concorrência triunfante à burguesia alemã. Tudo isto, no entanto, é a luta pela existência.
O judeu é o mais forte, o judeu triunfa.
O dever do alemão seria exercer o músculo, aguçar o intelecto, esforçar-se, puxar-se para a frente para ser, por seu turno, o mais forte.
Não o faz: em lugar disso, volta-se miseravelmente, covardemente, para o Governo e peticiona, em grandes rolos de papel, que seja expulso o judeu dos direitos civis, porque o judeu é rico, e porque o judeu é forte.
O Governo, esse, esfrega as mãos, radiante.
Os jornais ingleses não compreendem a atitude do senhor de Bismarck aprovando tacitamente o movimento antijudaico.
É fácil de perceber; é um rasgo de génio do chanceler.
Ou, pelo menos, uma prova de que lê com proveito a história da Alemanha.
Na Meia Idade, todas as vezes que o excesso dos males públicos, a peste ou a fome desesperava as populações; todas as vezes que o homem escravizado, esmagado e explorado mostrava sinais de revolta, a Igreja e o príncipe apressavam-se a dizer-lhe: «Bem vemos, tu sofres!
Mas a culpa é tua. É que o judeu matou Nosso Senhor e tu ainda não castigaste suficientemente o judeu.
A populaça então atirava-se aos judeus: degolava, assava, esquartejava, fazia-se uma grande orgia de suplícios; depois, saciada, a turba reentrava na treva da sua miséria a esperar a recompensa do Senhor.
Isto nunca falhava.
Sempre que a Igreja, que a feudalidade, se sentia ameaçada por uma plebe desesperada de canga dolorosa – desviava o golpe de si e dirigia-o contra o judeu. Quando a besta popular mostrava sede de sangue –servia-se à canalha sangue israelita.
É justamente o que faz, em proporções civilizadas, o senhor de Bismarck.
A Alemanha sofre e murmura: a prolongada crise comercial, as más colheitas, o excesso de impostos, o pesado serviço militar, a decadência industrial, tudo isto traz a classe média irritada.
O povo, que sofre mais, tem ao menos a esperança socialista; mas os conservadores começam a ver que os seus males vêm dos seus ídolos. Para o calmar e ocupar, o que mais serviria ao chanceler seria uma guerra, mas nem sempre se pode inventar uma guerra, e começa a ser grave encontrar em campo a França separada, mais forte que nunca, com os seus dois milhões de bons soldados, a sua fabulosa riqueza, riqueza inconcebível, que, como dizia há dias a Saturday Review, é um fenómeno inquietador e difícil de explicar.
Portanto, à falta de uma guerra, o príncipe de Bismarck distrai a atenção do alemão esfomeado – apontando-lhe para o judeu enriquecido.
Não alude naturalmente à morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Mas fala nos milhões do judeu e no poder da sinagoga.
E assim se explica a estranha e desastrosa declaração do Governo.”

As passagens que o Diogo transcreveu constam deste artigo e só nele se entendem. A esperteza saloia dos Diogos deste mundo é agarrar numa frase do tipo: “É mau beber água salgada “, escamotear a palavra “salgada” e garantir que “É mau beber água”......exactamente o contrário daquilo que a frase diz.
Já me vai faltando pachorra para mentirosos e imbecis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Anti-semitismo


O Partido Conservador Britânico integra, no Parlamento Europeu, o Grupo “Conservadores e Reformistas Europeus", encabeçado por M. Kaminski, notório anti-semita polaco, ligado a grupos católicos extremistas.

Também presente no Parlamento Europeu está Nick Griffin, líder do Partido Nacional Britânico, conhecido, entre outras facécias, por negar que o Holocausto tenha existido, e pelas teorias da conspiração sobre grupos secretos de judeus que controlariam a comunicação social inglesa.

Ainda na Grã-Bretanha, as centrais sindicais, controladas pelo Partido Trabalhista, andam numa roda viva a promover boicotes contra Israel embora, paradoxalmente, nem por um momento lhes passe pela cabeça pedir boicotes a países árabes onde a repressão é brutal e os direitos dos trabalhadores primam pela ausência (e que são quase todos).

No Parlamento Europeu está também o nosso Bloco de Esquerda, representado pelo Dr Miguel Portas, conhecido pela virulência das suas posições anti-semitas e pela subserviência peganhosa a ícones do terrorismo islâmico, como o Hezbolah o Hamas.

Aqui ao lado, em Espanha, um ministro qualquer proibiu a presença de uma universidade judaica num evento sobre energias alternativas, alegando inexistentes “ directivas da EU”, ao mesmo tempo que o Ministro dos Estrangeiros se passeia de braço dado com Chavez, Kadaffis, Castros, e outros grandes amigos da liberdade.

De um modo geral, à esquerda e à direita, os políticos europeus encaram com normalidade e complacência os apelos semanais da hierarquia iraniana, à destruição de Israel, e a repetição continua e descarada, pelos aiatolas, das mais espatafúrdias teses do Mein Kampf.. A mesma complacência que, de resto, demonstram perante os explícitos apelos o ódio contra os judeus que todos os dias são ecoados na cada vez mais numerosa rede de mesquitas financiadas pela Arábia Saudita, por toda a Europa.

O facto de o Hamas, cuja carta “ constitucional” contém o imperativo de destruir os judeus e Israel, ter lançado uma chuva de mísseis sobre Israel, é considerado “ normal” e não justificativo de uso da força por parte de Israel, cuja reacção é invariavelmente classificada de “ desproporcionada” e “criminosa”.

Aliás pelas mesmíssimas pessoas que fazem por ignorar que a resposta britânica a algumas cenenas de V1 e V2 lançadas sobre Londres em 1944, foi a destruição quase completa de Hamburgo e Dresden, etc.

Estes factos mostram que a profecia de Hitler “Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”, se está a cumprir.

Há um novo anti-semitismo em movimento, que tem já deputados em todo o espectro ideológico e que elabora libelos e narrativas conspiratórias sobre a malignidade do famoso “lobi judaico”, um conjunto secreto de secretas pessoas que se reúnem secretamente em secretos lugares a secretas horas, para secretamente manobrar fios secretos, responsáveis por todos os males que nos afligem.

Este anti-semitismo não é claro e assumido como o nazi ou o dos czares, nem escorregadio e cínico, como o protagonizado pelo comunismo soviético, mas está a crescer e é cada vez mais poderoso, não só porque tem o antigo apelo à demonização do judeu, mas porque conta com o apoio, empenhado e em metálico, de numerosos estados a nadar em petrodólares.

Este anti-semitismo disfarça-se de “anti-sionismo” e “apoio à causa palestiniana” e, montado nestas falácias, é já hoje parte integrante da politica europeia, tem voz no Parlamento e traduz-se em milhões de euros anualmente concedidos a grupos de activistas que apenas têm Israel no radar.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dos iluminados do costume

Porque se anda a tentar salvar o Lince?

Segundo os iluminados do costume, para salvar o planeta Terra deve abdicar-se de comer carne.

Desta vez os africanos que nunca vêm um bife passar pelos dentes ficarão eternamente felizes.

Actualização:

Adopte uma alface.

.

Da reaccionária boataria

Circula um boato da reacção que reza assim:
Retirado da Ordem Trabalhos hoje ME / Plataforma:
Ponto 8.

Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.
Leitura complementar: Animal Farm

Diálogos com a Ciência


Está a decorrer um excelente Ciclo de Conferências na Reitoria da Universidade do Porto, com conferencistas de peso que, ao longo dos meses, aí dialogarão com a Ciência.

Pessoas como o Bispo do Porto, Carlos Fiolhais, Loureiro dos Santos, João Lobo Antunes, Adriano Moreira, Fernando Nobre, Alexandre Quintanilha, Palmira Silva, Durão Barroso e Cavaco Silva, fazem parte do rol de conferencistas.

Depois de amanhã, dia 29 de Outubro o tema é " A simbologia da palavra e a ciência militar".

Com o Dr Severiano Teixeira, o Gen Loureiro dos Santos e Rodrigues do Carmo.


Vá lá, um pouco de publicidade fica sempre bem.

A CIA e o 9/11

Finalmente as provas que faltavam.

Clicar para ver melhor

Vítimas dos ataques às torres gémeas, deportados pela CIA para Marte, sinalizam a sua posição na esperança de serem salvos.

A conspiração do gelo

Os termómetros dos Estados Unidos resolveram alinhar com as teorias da conspiração e querem convencer-nos que faz um frio do caneco. Obama ficou estupefacto e segundo 'fontes credíveis' deve discursar em sentido contrário.


Entretanto, a conspiração alastrou à Alemanha e à Europa Central.

A comunicação social portuguesa nega-se a denunciar a conspiração preferindo infindáveis reportagens sobre quebras de protocolo em investiduras ministeriais e seringais pormenores da vacina contra a gripe-A.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Portugal com 'P' de Pelintrolândia

Com a posse do Governo socratino 2, e tal como previsto, Portugal prepara-se para mais uma arrancada a caminho do socialismo, isto é, de empobrecimento faustoso. O empobrecimento fica para o povo, o fausto fica para os grupos de interesses da teia-empresarial-socialista que verão as propostas loucas dos investimentos públicos serem viabilizadas no Parlamento pela extrema-esquerda.

O PS cumpre a promessa eleitoral de fazer avançar o novo aeroporto de Lisboa e o TGV. Está fora de questão que estes projetos megalómanos possam ser financiados com o aumento de impostos; o esbulho já foi longe e será difícil aumentar o saque aos pagadores de impostos. Toda a loucura terá de ser paga com mais empréstimos, isto é, com mais endividamento externo. E já que é para estragar, estrague-se em grande pelo que os projetos do TGV são agora aumentados em mais duas linhas para Espanha.

Bem se vê, honestidade e o bom senso na gestão da coisa pública entre nós são bens políticos extintos.

O novo aeroporto internacional em Lisboa é um luxo extravagante e obsceno para um país pobre e endividado sabendo-se que o atual aeroporto está longe, muito longe de ter a capacidade esgotada. A crise nos transportes aéreos torna essa capacidade disponível ainda maior. Ao mesmo tempo, a preferência dos passageiros por voos de baixo custo é estrutural e transferiu definitivamente quotas de tráfego para os aeroportos locais deixando mais folgas no uso dos grandes aeroportos centrais.

Quanto ao TGV, se a construção de três linhas sorverá demasiado dinheiro emprestado, o alargamento do projeto em mais duas linhas para Espanha sorverá muito mais. E não é só um problema da enormidade de dinheiro que será preciso pedir emprestado para pagar a construção. Será também necessário pedir dinheiro emprestado para pagar o défice de exploração das linhas de TGV, tal como hoje se pede dinheiro emprestado para suportar a Estradas de Portugal, a Refer e outras empresas de transporte público com défices fora do Orçamento de Estado mas com empréstimos obtidos com o aval do Estado para financiar a operacionalidade.

Em algum momento será necessário pedir dinheiro emprestado para pagar juros. Em algum momento o Estado terá de consolidar esses empréstimos. E em algum momento, mais perto que longe, ocorrerá uma crise de insolvência do sector privado induzida pelo descalabro da dívida externa.

Continuar por este caminho já não é insanidade, é demência. Esta opção sinistra pelo endividamento e gestão danosa dos cada vez mais escassos recursos corresponde a uma mentalidade de pobretana. Lembra os infelizes que mal podem almoçar mas arranjam dinheiro emprestado para comprar sapatos desportivos de marca.

Tudo isto tem um nome: pelintrice, a mais acabada pelintrice. No caso do Governo socialista, não é só uma questão de mentalidade de pelintra, é também um caso de torpeza. Se o mau governo fosse crime, esta gente seria condenada a prisão perpétua.

Is Climate Change 10 minutes of fame over?

THUNDER BAY – Yesterday was the International Day of Action on Climate Change. In Ottawa, cold weather kept the crowd from hitting the 5,000 people that organizers hoped. About 500 people showed up. In Calgary, a snowstorm dumped wet heavy snow on the city.
[Aqui]

domingo, 25 de outubro de 2009

1974 - Ella Fitzgerald - It Don't Mean a thing



Microfone: Sennheiser MD 421

Da licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais


[Via Lisboa - Tel Aviv - Saramago, irmão, por onde andais?]

Começa a chegar à Assembleia da República a geração educada pela SIC e pelas modernas correntes de ensino implementadas pelo Ministério da Educação. A nova deputada do PCP, Rita Rato, que se diz licenciada em Ciência Política e Relações internacionais, deu uma entrevista ao jornal Correio da Manhã, onde demonstra o quanto sabe do assunto:

- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?

- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.

- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?

- Não sei que questão concreta dos direitos humanos...

- O facto de haver presos políticos.

- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa.

- Mas isto é algo que costuma ser notícia nos jornais.

- De facto, não conheço a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada.

- No curso de Ciência Política e Relações Internacionais, não discutiu estas questões?

- Não, não abordámos isto.

- Como olha para os erros do passado cometidos por alguns partidos comunistas do Leste europeu?

- O PCP, depois do fim da URSS, fez um congresso extraordinário para analisar essa questão. Apesar dos erros cometidos, não se pode abafar os avanços económicos, sociais, culturais, políticos, que existiram na URSS.

- Houve experiências traumáticas...

- A avaliação que fazemos é que os erros que foram cometidos não podem apagar a grandeza do que foi feito de bom.

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?

- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

- Mas foi bem documentado...

- Por isso mesmo, admito que possa ter acontecido essa experiência.

- Mas não sentiu curiosidade em descobrir mais?

- Sim, mas sinto necessidade de saber mais sobre tanta outra coisa...

Israel volta a ocupar


Oh malta da esquerda.

Abram lá os olhos e vejam lá se reparam que os israelitas andam a atacar gente segregada dos bairros de lata do Rio de Janeiro. Atacam com carros blindados, helicópteros, tudo o que têm à mão sem olhar à condição, origem social e até, se os visados foram ou não vítimas do capitalismo desenfreado, da globalização, o neo-liberalismo, das petrolíferas, dos conglomerados amantes do lucro, de Bussssh, dos malandros da cimeira das Lages, antigos escravos das fábricas de armamento imperialistas sempre sedentas de guerras par lhe proporcionarem chorudos lucro, etc, etc.

Saramago, irmão, por onde andais?

Frases de Sempre

“A economia liberal que nos deu o super-capitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho-mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já.”

Salazar, em 1933 (*)

(*) Ou, dizendo o mesmo por outras palavras, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Hugo Chavez, Fidel Castro, um ditador maléfico cujo nome não se pode pronunciar e ainda alguns milhões de homens da luta, revolucionários acalorados, sociólogos de carreira, variadíssimos ditadores de ambos os extremos, líderes de partidos nacionalistas e intelectuais de esquerda. As boas mentes comungam as boas ideias.


[Em Blasfémias]

sábado, 24 de outubro de 2009

José Saramago / padre Carreira das Neves

Para acabar de vez com o assunto Saramago


Assisti a excertos da conversa entre Saramago e Carreira das Neves nos jornais da SICNotícias. Pelo que ouvi em sentido lato, isto é, pelo que presenciei, Saramago:
1.Não percebe porque é que livros como a Bíblia não poderão também ser interpretados à letra, mas somente em contexto histórico, simbólico e metafórico, contestando a necessidade sequer de notas de rodapé que esclareçam o leitor sobre tais contextos e significações simbolizadoras respectivas contidas na obra.
Suponho, por isso, que o nosso prémio Nobel tenha lido, por exemplo, As Viagens de Gulliver, as Alices (a que caiu no País das Maravilhas e a que passou para o outro lado do espelho), a Metamorfose, Os Cantos de Maldoror ou até A Guerra das Salamandras, da maneira que propõe.
Suponho que, em sua opinião o encarceramento de Swift possa, pois, ter ficado a dever-se a qualquer phantasia teológica, pelo facto de os ingleses haverem analisado as coisas “pela rama” (sic), isto é, interpretando-as.
E que ele, Saramago, não duvide de que tudo o que se encontra nas obras que referi, tanto as personagens como os acontecimentos, hajam sido tão reais como Caim, Abel e a má-disposição de Iavé naquele dia. Já sem falar dos péssimos costumes que todas elas relatam.
2.Sendo ateu e, portanto, podendo assim legitimamente tratar Deus por filho de uma trabalhadora do sexo (embora tal lhe possa vir a suscitar críticas ferozes do BE, que deve andar distraído nestas coisas de insultos populares, tão tradicionais como a tourada, não propondo legislação sobre o assunto), tem um rebate de consciência e, contrictamente, pede desculpa pelo excesso.
Sinceramente, não percebi de quê nem porquê.
Dizer que Deus é um filho da p… não passa, no plano ontológico, de um absurdo, já que o conceito de Deus implica que Ele não seja filho de ninguém - e, aqui, Saramago escusaria de pedir desculpas, dado que estaria apenas a dar mostras de um primarismo intelectual de que ninguém suspeitará.
E se pede desculpa a alguém por se exprimir, como legitimamente lhe assiste na sua condição de homem livre, enquanto não-crente, ou por, mesmo se crente, ter vindo, em consciência, apontar ao seu Criador o que considera serem falhas éticas fundamentais, então diminui-se em dignidade. O que é lamentável.
Como lamentável é tudo isto.
P.S. - Esqueci-me, há pouco, de acrescentar que também não gostei do "não gostei" de Carreira das Neves quanto à expressão "filho da p..." utilizada por Saramago em relação a Deus. Não me lembro da referência, nos Evangelhos, a qualquer expressão de desagrado equivalente, dirigida por Cristo aos seus adversários ou perseguidores. O "não gostei" de Carreira das Neves é uma espécie de shizatu, sucedâneo da espada brandida por Pedro e de imediato condenada pelo Mestre, ocupado em suscitar o amor, pela fé e pela reflexão.
Carreira das Neves é humano, cedeu a um sentimento menos nobre e quem sou eu para julgar ou condenar deslizes alheios! Mas deverá, como toda a Igreja Católica, fazer igualmente a frequente análise dos seus actos. É que, como se diz no Evangelho (e eu sou, nesse aspecto, cada vez mais profundamente cristão): "Pelas vossas obras, e não pelas vossas palavras, vos reconhecerei".

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A Anti-Religião Alivia a Consciência de Classe

O FI é um dos blogs que promove o novo livro de Saramago. O objetivo é diversificar urgentemente as nossas fontes de rendimento já que a CIA de Barack Obama suspendeu-nos recentemente os pagamentos por razões óbvias. A verdade é que Saramago, tal como nós, precisa de euros para viver, e quantos mais melhor. Daí, e não vá a qualidade da escrita não chegar, um golpe de língua pode fazer a diferença nas tiragens. É bem.

Algumas almas de esquerda mais cândidas dirão que esta campanha publicitária está ao nível da mais pura sofreguidão usurária matutada por um qualquer porco capitalista com o objetivo único e tenebroso de aumentar as mais-valias obtidas à custa do suor dos assalariados rurais que cortaram as árvores com que se faz pasta de papel e dos trabalhadores a recibos verdes miseravelmente pagos à página para paginar em curtíssimo prazo o imenso canhanho e dos operários que sujaram as mãos a olear as prensas em que a mercadoria foi produzida e dos empregados a trabalhar ao fim-de-semana numa qualquer caixa de hipermercado onde finalmente termina o ciclo infernal da publicação literária capitalista moderna e tudo para satisfazer o fetichismo da mercadoria que impele a burguesia a consumir a produção capitalista que não se destina a alimentar as guerras geradas pelo capitalismo internacional como forma de controlar os níveis de pobres em excesso em cada país. Se não acreditam que isto é mesmo assim então leiam 'O Capital'. Não adianta confirmar com Saramago porque, embora ele seja um ‘connaisseur’, desde há algum tempo para cá pôs o tema de parte.

Mas existe uma notícia capaz de curar, de extinguir torturas e revoltas de qualquer consciência de classe: as práticas capitalistas descritas acima NÃO CONSTAM no tal 'manual de maus costumes’ que a luminária agora vem denunciar. Ora, ‘se não está aconselhado na Bíblia é porque não deve ser assim tão mau’. Daqui se passa facilmente a ‘se não está aconselhado na Bíblia é porque é bom’.

Acontece que esta simples atitude de moralidade anti-religiosa é suficiente para que qualquer esquerdista-padrão esqueça as tais massas desprotegidas e exploradas pelos Saramagos desta vida e respetivas hipocrisias.

Acontece também que esta é a lógica laica-socialista-iluminada dos últimos cem anos. Esta é a razão do sucesso na captação dos rebanhos de esquerda em prejuízo de lógicas mais extremistas do internacional-socialismo. Não por acaso a campanha publicitária sarameguenta foi recebida com desdém entre a esquerda não instalada e aplaudida pela esquerda instalada. Pelo mesmo motivo, não por acaso há um par de anos Saramago fez um manguito aos ex-camaradas e abraçou as benesses do socialismo predominante.



P.S. Um mail 'amigo' aconselhou a ter "tento nas teclas", que isto não é na América, pelo que o primeiro parágrafo do post original foi alterado.

Saramago, Caím e a Bíblia

Deixei este comentário aqui (o comentário, transcrito, tem apenas tangencialmente a ver com oartigo de Montalverne).

....

Caro Montalverne,

Estou-me nas tintas para a religião e estar-me-ia substancialmente (não necessariamente completamente) nas tintas para as opiniões que Saramago tem da Bíblia. Ele pode dizer das boas sobre a Bíblia mas tem que estar disposto a ouvir igualmente das boas.

Pela minha parte o que ele disse sobre a Bíblia não me faria gastar as pontas dos dedos não tivesse ele dito, anteriormente outras coisas.

Saramago acusou Israel de estar a exercer genocídio sobre os palestinianos negando ser esse o papel do Hamas que (em particular) não só de dispõe a fazer morrer o máximo dos seus compatriotas por puros efeitos de marqueting jornalístico (indo ao ponto de os executar perante câmaras de TV e disparar sobre Israel de dentro de escolas palestinas) como nega a existência de Israel indo ao ponto de querer ver afogados todos os Israelitas.

Saramago foi incapaz de perceber que o Hamas era (como continua a ser) uma organização nazi-fascista que usa o Corão como arma que fundamenta o puro assassínio de quem não é muçulmano.

Nessa perspectiva, ou Saramago foi atacado de uma tontura (uso este vocabulário por estar aqui, de outra forma seria mais contundente), ou pretende dizer que a Bíblia é a fonte de todos os males por não conseguir o que os seus amigalhaços seguidores do Corão, o Hamas, conseguem no território que controlam e em territórios vizinhos.

Saramago, como a ML, não percebe que há uma diferença entre responder das boas a quem diz das boas e levar com uma fatwa por dizer das boas.

Neste contexto não incluo o que por aí se tenha dito sobre Saramago, restrinjo-me ao que foi publicado no Fiel Inimigo.

Que Sousa Lara foi trambolho, é ponto assente.

Há ainda por aí uns ajustes de contas sobre coisas menores que não me interessam. Interessa-me ajustar contas (APENAS gastando dedos no teclado) sobre a desculpabilização do assassinato em massa. Aliás, sobre este assunto, Saramago bem podia ter abordado os malefícios dos livros das ideologias que defendeu e continua a defender. Podia, por exemplo, elaborar sobre os Gulags, o estalinismo, os milhões de mortes por fome resultantes da "busca da sociedade mas justa" à visão de Saramago, a ocupação militar de países que tinham perfeita capacidade para serem democracias e que viviam em paz, etc. Tudo coisas que ele bem conhece mas que supõe serem 'conquistas do homem novo'.

Alguns atacam Saramago por ter saneado uns quantos. Será, de facto, triste. Mas isso são tremoços no curriculum de Saramago.

Saramago sempre defendeu e continua a defender regimes da maior e absoluta tirania.

Falando bem e depressa, não fica bem a quem defende que se comam criancinhas ao pequeno almoço vir dizer que está preocupado por elas andarem descalças.

O "aquecimento global" em português

Via Mitos Climáticos, Luís Molion



O caso Saramago e os erros argumentativos do costume


O caso das polémicas declarações de Saramago revela as inconsistências que andam sempre a rondar os debates de ideias que envolvam religião, liberdade de expressão e progressismo de esquerda.

Do lado dos que atacam Saramago:
1- Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa.
É o que normalmente se chama "responder com bugalhos". O eurodeputado que emitiu esta opinião decidiu desenterrar outra bojarda lançada por Saramago há uns anos mas que não é chamada para o assunto. Para além de ser um puro destilar de veneno, a "argumentação" arruma logo qualquer possibilidade de se introduzirem argumentos reais.

2- Liberdade de expressão mas com respeitinho, sem ferir susceptibilidades.
É sempre este o argumento de quem não gosta da liberdade em geral. Só gosta de algumas liberdades.


Do lado dos que defendem Saramago:
1- O livro nem saiu e já há gente com opinião acerca dele.
Que eu saiba os comentários não foram suscitados pelo livro mas por declarações de Saramago no lançamento oficial do livro, declarações essas que não necessitam de leitura prévia para serem entendidas.

2- Os que criticam Saramago são fundamentalistas religiosos que no caso das caricaturas de Maomé achavam abominável a reacção dos muçulmanos.
Por um lado a lógica de dama-ofendida (se criticas um progressista és um fascista-reaccionário-censor) é, em si, um apelo ao silêncio de quem não se revê neste "progressismo". Por outro, acho que ninguém, nem mesmo a nível oficial, ameaçou de morte ou de sevícias o escritor para que o caso possa ser comparado ao das caricaturas.


De qualquer maneira o objectivo de Saramago foi cumprido. Muita publicidade, muito barata.

Ayaan Hirsi Ali

Pode ler-se aqui uma entrevista da Ayaan Hirsi Ali ao New York Times.

Ayaan Hirsi Ali, somali de nascimento e de nacionalidade holandesa, tem denunciado o islamismo e sobretudo as consequências da islamização do Ocidente.

Foi obrigada a deixar a Holanda no meio de ameaças de morte dos islamitas e da culpabilização da esquerda holandesa colaboracionista e promotora do 'multiculturalismo'. Atualmente vive nos EUA.

Sublinha-se a resposta à pergunta seguite:
"
Do you make a distinction between mainstream and radical Islam?
-I refuse to do that because one gives birth to the other. You are born into mainstream Islam. You are taught: Do not question the prophet; everything in the Koran is true. And then the radicals come and they expand on that, they build on that.
"

Richard Kemp


Declarações do Coronel Richard Kemp, ex-comandante britânico das tropas da NATO no Afeganistão, perante o Conselho Especial dos Direitos Humanos da ONU, durante a sessão especial de debate do Relatório Goldstone.
Via O Insurgente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Das nobeis bufas

A administração da Publicações "Caminho" veio, por este meio, agradecer a publicidade gratuita que este blogue tem feito ao livro "Caim", do autor José Saramago, o que muito nos honra.

Pel' Administração.
J. Severino
Publicações Caminho
Ora bem, não há a certeza do comentário ser, de facto, oriundo da Caminho. Há portanto que manter aberta a eventualidade dos responsáveis da Caminho terem vergonha na cara, se não por eles, pelo autor que publicam.

De qualquer forma, pode fazer-se um exercício de faz-de-conta. Suponhamos que a editora se chamava Lamaçal e que tinha deixado aqui, verificável, um comentário de equivalente conteúdo … e atão cá vai.

...

Caros Lamaçais.

Das duas, uma: ou os amigos não têm o mínimo pudor em considerar uma mais valia a “publicidade” à obra no exacto momento em que o vosso fornecedor faz figuras tristes, ou a Lamaçal lambe as botas à ideia pela qual o iluminado, debitando ladainhas de beata em moralidades avulsas, maximiza as facturações.


No primeiro caso, a Lamaçal fica enquadrada em proxeneta, no segundo, fica de cu para o ar.

Pela parte que me toca não fico nada aborrecido por saber que as cachaporras que distribuo permitam que a Lamaçal e respectivo fornecedor enfardem notas. Tal deixa-me ainda mais liberto para fazer notar a figura apalermada de ambos.

Há quem goze dos rendimentos do cu alheio, há quem goze dos rendimentos do próprio cu. É também possível, evidentemente, que haja por aí um kama sutra em redistribuição de riqueza.

O elogio de Astérix



Neste post, respondi o seguinte a um comentário da ml:

"Não falo de gosto, falo de falta de inteligência, de ignorância, de arrogância e, sobretudo, de má-fé. Qualquer estudante de teologia (não é o meu caso) se ri das reflexões de Saramago. Falar de Caim daquela maneira, é o mesmo que ignorar que o mito tem origem nas lutas que se originaram no Médio Oriente aquando do aparecimento de práticas agrícolas, entre os pastores, nómadas, e os agricultores, sedentários, que negavam a terra aos rebanhos e começavam a revelar um espírito menos comunitário - daí Caim ser aquele que não oferece as melhores oferendas a Deus. Desde antes do final do século XIX que isto é ensinado aos teólogos e nas universidades cristãs em cursos de outras áreas.Saramago não se interessa por essas coisas. Argumenta ao nível mais primário, para manter uma clientela feita de primarismo. Se fosse um tipo inteligente, até poderia utilizar o mito para justificar a ideologia que diz assumir. Se estivesse preocupado com a verdade, ajudaria a divulgá-la através da literatura, mesmo que para depois poder contestar o que achasse contestável em termos de uma perspectiva ateia. (...) Quanto à instituição Igreja Católica e ao judaísmo também não é honesto. Segue a vulgata da cartilha do materialismo dialéctico e a tradição parola de Guerra Junqueiro, de grande agrado jacobino e do Zé da Tasca, irmão do Zé Povinho, sem questionar o rigor do que nela se diz. Para quem exigia subsídios públicos para fazer as necessárias investigações quando se escreve um romance histórico e criticava os poderes instituídos por não perceberem essa necessidade, não está mal...! (...)". Esqueci-me de referir que esta leitura do mito até já tinha sido feita por Kant, ainda no século XVIII. Não constitui, portanto, algo de que se tenha consciência recente.
Tive a pachorra de ouvir Saramago no encontro com os jornalistas que começou cerca de duas horas e meia atrás e cuja primeira parte foi transmitida pela SICNotícias. O homem mostrou-se surpreendido pelo impacto que as suas palavras causaram, afinal limitara-se a dizer o que toda a gente sabe e deplorou a nossa (dos portugueses) incapacidade para sermos racionais, agindo sempre pulsionalmente. Nunca pensou em chocar ninguém, a sua intenção é causar polémica, porque dela nasce a luz.
Quanto às interpretações a fazer do texto bíblico, não lhe interessam, apesar de saber, como todo o escritor, que a qualquer texto se associa a interpretação que do mesmo se faça. No caso, da Bíblia só lhe interessa a interpretação literária do que lá está escrito. Em relação a Caim e a Abel, não percebe porque é que Deus há-de dar preferência às oferendas do pastor Abel e não às espigas que Caim lhe leva. Para Deus, o fumo que lhe leva o cheiro da gordura queimada é muito mais agradável do que a oferenda do agricultor. É claro que Caim fica cheio de ciúmes e, muito embora, lá por isso, escusasse de matar o irmão, fá-lo. Iavé deveria, por sua vez, matar Caim, mas, em vez disso, condena-o a errar para o resto da vida, com o sinal infamante de assassino na testa. Porque é que Deus o condenou a tal e não optou por lhe dar cabo do canastro logo ali, é algo que não revelou a Saramago e que este não consegue descortinar.
Saramago estará, provavelmente, desejoso de fazer companhia a Sócrates, que, ao que disse Platão, andará a fazer perguntas a toda a gente pela eternidade fora, procurando a Verdade. Já não lhe faltará muito para isso, se tivermos em conta essa abstracção a que se costuma chamar "a ordem natural das coisas". Se acreditar no que o ouvi dizer hoje, vê-lo-emos todos, daqui a um tempo, a interrogar não apenas a Bíblia e o profetas, mas também Shakespeare ou Alexandre Dumas ou Mary Shelley. E Deus, é claro. Se calhar, quem sabe, sobre o que há-de Deus fazer com alguém que decidiu fazer um romance com a personagem literária de Saramago, à qual atribuiu, para exemplo menos edificante da humanidade, acções que seleccionou cuidadosamente das que efectivamente foram praticadas pelo Saramago histórico, dando-lhe um sentido totalmente diferente. Embora, como atenuante, esse alguém tenha a defesa da liberdade de criação e da sempiterna glória das palavras transformadas em literatura.
Isto, evidentemente, se não o castigarem, mandando-o para aqui de novo. Para ver se aprende mais alguma coisa do que o ser um mero farsante, rancoroso e voluntariamente analfabeto, que, por acaso, sabe escrever.
Pela minha parte, entretanto, vou deliciar-me com o novo Astérix que saiu hoje. A sua memória e o seu proveito durarão, seguramente, muito mais do que os livros de Saramago.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

E que Deus te acompanhe


ML:

"mas sim a pessoa em si"

Que Deus Nosso Senhor acompanhe e proteja José Saramago por muitos e bons anos.

Por muitos e bons anos, não pela respeitável idade, que os imortais não têm idade, mas pela eventualidade de ele se esquecer, pelo próximo livro, de cascar abundantemente na Bíblia, no Pápa , na Igreja Católica, em Sousa Lara e "nessa gente" que por aí ainda anda.

Que Deus Nosso Senhor o acompanhe e proteja porque se Abel lhe atazanar a memória, bem pode ser tal coisa entendida pelos seus irmãos Hamas & Ca ... cedência aos interesses de Israel. Coisa que como ele muito bem sabe, é passível de fatwa mesmo para imortais.

José Saramago, kamarada, o teu* próximo livro deverá chamar-se: Cânones Satânicos.

....

* Perdoa-me a libertinagem.

Sousa Lara vingado por Saramago

Quando um desenhador publica cartoons a gozar com Maomé cai o Carmo e a Trindade, como quem diz pancadaria e fatwa. Perante as ameaças de sumárias execuções a malta defende o direito à publicação dos cartoons e a esquerdalhada chateia-se porque os propensos assassinos se melindram.

Saramago, eminente amante e praticante do defunto social-fascismo, amante do vivinho islamo-fascismo e, sabe-se lá porque não do nazi-fascismo, ataca a Bíblia e a esquerdalhada chateia-se porque a malta resmunga.

Faz todo o sentido que as coisas assim sejam. Os fascismos arrogam-se sempre ao direito de estabelecer, pela navalha, os limites da opinião alheia e a esquerdalhada é avessa a escalas.

Ao pé de Saramago, Sousa Lara foi o Pato Donald.

Leituras complementares sobre o último escarro de Saramago

Furacões de cretinos


Apesar de há anos a esta parte da verdalhada ter berrado como "absolutamente garantido" o aumento exponencial da quantidade e intensidade dos furacões, tal não se verificou.

Todos os anos se tem aturado a ladainha pela qual "cientistas garantem que daqui para a frente vai ser sempre muito, mas muito pior" e todos os anos a simbiose entre a verdalhada estúpido-militante e a comunicação social se têm entregue ao carpir da ladainha contra o CO2, as petrolíferas, as indústrias, a sociedade de consumo, o capitalismo e, evidentemente Bussssh.

A teoria deles estaria certa não fosse dar-se o ligeiro inconveniente de não estar de acordo com a realidade: o número e a intensidade dos furacões tem vindo paulatinamente a diminuir.

Dos faroleiros de meia-tijela

Foi interessante ouvir ontem Fernando Nobre no Prós & Contras.

Fernando Nobre mostrou-se decepcionado por se ter perdido a oportunidade de refundar os mecanismos de interacção económicos num tom em que se percebe que ele dá de barato que ainda não foi desta que o capitalismo se desfez.

Pois não foi desta que o capitalismo se desfez, muito embora tenha sofrido ataques de formidáveis cavalos de Tróia que pretendiam, como continuam a pretender, implementar, por vias legais, mecanismos de interacção socialistas, os tais que começaram a derrocar quando um conclave nomeou um polaco.

Voltando a Saramago, compreende-se que o homem ande com as tripas às voltas porque coube exactamente a um habitante do radioso mundo dos amanhãs que cantam, de Bíblia debaixo do braço, a missão de dar o encontrão final ao mundo que Saramago com unhas e dentes defendia e tinha tão zelosamente exercitado em Portugal, saneando quem não pensava como ele.

Coisas que as "democracias burguesas" vão aturando, inversamente ao que aconteceria caso as posições se invertessem.

Como dizia ontem Esther Muznick, nem mesmo assim os livros de Saramago vão deixar de ser lidos em Israel.

A Greenpeace e o Padre Nosso

Aposto que a Greenpeace tem em Saramago um consultor em assuntos de religião.




Via Mitos Climáticos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Um mui digno representante


"Portugal é um país de analfabetos, alguns dos quais sabem ler", disse um dia Vergílio Ferreira.
Saramago sabe, também, escrever. Daí que seja confundido, muitas vezes, com um intelectual.

O sacristão Saramago





Começo a perder a pachorra para aturar Saramago, armado em sacristão, debitando postas de pescada sobre as Bíblia.

Ninguém lhe diz que está a fazer figura de ... ?

Representante da direita ultramontana

Louçã, o líder que nunca envelhece, deu estrutura política ao sonho de uma geração nascida no pós 25 de Abril que gostaria de viver o folclore de um PREC sem ter de pagar no seu conforto e garantismos as consequências disso.
Aqui.