sexta-feira, 30 de abril de 2010

Enquanto não regresso (e isto tem andado a prolongar-se...)


O texto que transcrevo anda a cicular na internet. Já o recebi duas vezes. Verdadeiro ou falso, por o considerar significativo, aqui o deixo.

Carta enviada de uma mãe para outra mãe no Porto, após um telejornal da RTP1:

De mãe para mãe ...

Cara Senhora, vi o seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a transferência do seu filho, presidiário, das dependências da prisão de Custóias para outra dependência prisional em Lisboa.
Vi-a a queixar-se da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que vai passar a ter para o visitar, bem como de outros inconvenientes decorrentes dessa mesma transferência.
Vi também toda a cobertura que os jornalistas e repórteres deram a este facto, assim como vi que não só você, mas também outras mães na mesma situação, contam com o apoio de Comissões, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, etc...
Eu também sou mãe e posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro, porque, como verá, também é enorme a distância que me separa do meu filho.
A trabalhar e a ganhar pouco, tenho as mesmas dificuldades e despesas para o visitar.
Com muito sacrifício, só o posso fazer aos domingos porque trabalho (inclusivé aos sábados) para auxiliar no sustento e educação do resto da família.
Se você ainda não percebeu, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou cruelmente num assalto a uma bomba de combustível, onde ele, meu filho, trabalhava durante a noite para pagar os estudos e ajudar a família.
No próximo domingo, enquando você estiver a abraçar e beijar o seu filho, eu estarei a visitar o meu e a depositar algumas flores na sua humilde campa, num cemitério dos arredores...
Ah! Já me ia esquecia: Pode ficar tranquila, que o Estado se encarregará de tirar parte do meu magro salário para custear o sustento do seu filho e, de novo, o colchão que ele queimou, pela segunda vez, na cadeia onde se encontrava a cumprir pena, por ser um criminoso.
No cemitério, ou na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante dessas "Entidades" que tanto a confortam, para me dar uma só palavra de conforto ou indicar-me quais "os meus direitos".
Para terminar, ainda como mãe, peço por favor:
Façam circular este manifesto! Talvez se consiga acabar com esta (falta de vergonha) inversão de valores que assola Portugal e não só...
Direitos humanos só deveriam ser para "humanos direitos" !!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Orangotango manda






O
governo acaba de anunciar que todas as obras megalómanas planeadas são para manter.

Portugueses, preparem-se para pôr os tomates no prego.

Portuguesas, preparem-se para ...

Escola, terra de ninguém

Discernimento de orangotango

Reza um anónimo em comentário a este post:
As agencias de rating são o futuro da governação do planeta.

As agências de rating a quem prestam contas? fazem girar os mercados a seu prazer, ameaçam os governos valendo-se de um sistema financeiro obscuro e internacionalmente desregulado que no passado bem mais remoto foi negro e no mais recente foi salvo pelos governos , mais do que isso o que espanta é que um pais auditado e com contas e contabilidade apresentadas publicamente se tornem reféns de conjuntos de agências de rating, com agendas pouco claras e mais, directamente ligadas à crise actual que nunca previram, só quando estourou. Isto sim é que é astrologia. Não previram o queda do lehman brothers, aig, dubai, etc. Este capitalismo financeiro que ganha com isto da especulaçao e pouco produz focando-se aqui ou ali como abutres ( e alertando alarmando os investidores isto sim deve dar que pensar ) é que dita, estamos no bom caminho qualquer que seja o governo. Os que se rebolam com o rating e com a subida dos juros da dívida portuguesa, são uns imbecis. Muitos dos défices públicos não causaram a crise, os problemas agravaram-se substancialmente e resultam dos estados terem pago o descalabro financeiro tapando buracos e ajudando, assumindo o desastre provocado por outros. Mas ja ”juntou” ps e psd para pensar no assunto , Mas de resto não se aprendeu nada. A imagem dessas agências ficou seriamente comprometida por não terem percebido a crise iminente, por terem incentivado os seus cliente a investirem de forma arriscada e terem subestimado o potencial de países em desenvolvimento.

O director-geral do fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que "não se devia acreditar demais" no que dizem as agências de notação financeira 'rating'.
As declarações ocorrem quando Grécia, Portugal e Espanha acabaram de ver revistas em baixa as notas atribuídas às suas dívidas públicas. Interrogado sobre o papel das agências de notação e o crédito que merecem as suas opiniões, respondeu que "reflectem o que recolhem [como informações] sobre o mercado (...) Não se deve acreditar demasiado no que dizem, apesar de terem alguma utilidade". E que utilidade, os especuladores estão de ouvido coladinho nelas. O bce ou a fed não pdoeriam assumir as suas funções? é necessário controlo, regulação. Ou este é um novo modelo de fazer dinheiro.

Mas o verdadeiro problema e drama de portugal agora e no passado é mesmo a incapacidade de gerar riqueza para pagar as despesas, e isto qualquer que seja o governo. Não é sustentável uma situação em que se tem uma dívida que não se consegue pagar, mas o criar alarmismo e lucrar com isso ajuda alguns. Todos os paises tem divida publica já que esta permite investir no país para que este gere mais riqueza futura, o que tem que acontecer é esta divida estar sob controlo.

Políticas de orangotango



Aqui.

Mais um inteligente

México, 29 Abr (Lusa) - As alterações climáticas vão-se encarregar de resolver o problema que os Estados Unidos têm com Cuba porque em 50 anos a ilha vai desaparecer debaixo do mar, disse hoje o embaixador americano no México.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

As baratas tontas

Tem muita graça ouvir o Ministro das Finanças reclamar o apoio da oposição (leia-se oposição à sua direita) para aplicação de medidas de sentido exactamente contrário às que implementou ao longo de anos.

A esquerda Cro-Magnon neo-socialista que sempre acusou o governo de implementar políticas sociais frouxas (a que eufemisticamente chama "de direita") reclama, convenientemente sem especificar, "uma outra política".
«Pensamos que a reacção relativamente a estas notações que são atribuídas deve ser a de reafirmar a soberania do nosso país e a de exigir uma outra política» ao Governo que não a de «definhamento da economia nacional», defendeu, por seu lado, o comunista Vasco Cardoso.
Entretanto Hugo Chavez, kamarada dos sete costados de José Sócrates, usa agora as armas do capitalismo opressor e neo-liberal para derrotar a reacção.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Redefinição do metro


Uma das mais insignes forças de cariz fascista e anti-semita, o Bloco de Esquerda, sempre pactuou com o despesismo e com toda e qualquer engorda do estado. Na hora da verdade, mesmo perante a manifesta falta de dinheiro, sempre o Bloco de Esquerda defendeu o despesismo que resultaria, evidentemente, numa maior corrida do estado ao crédito bancário nacional ou internacional.

A razão deste frenesim era óbvia: para o Bloco de Esquerda toda e qualquer engorda do estado vinha a calhar porque se apresentava como paladina da "defesa dos direitos adquiridos".

Estamos hoje prestes a levar uma marretada de realidade para a qual o Bloco propõe uma alter-realidade.
Pelo Bloco de Esquerda, José Gusmão afirmou que «a situação é grave», mas ressalvou que os pareceres das agências de “rating” não têm «nenhuma credibilidade».

Para o bloquista, as agências de “rating” são um instrumento de «ataque especulativo que está a ser conduzido contra o euro». Por isso, continuou, esta situação «exige da União Europeia a concertação de uma política económica anti-crise a a constituição de uma agência de “rating” pública à escala europeia».
O Bloco de Esquerda propõe então a redefinição do metro.

A substancial diferença

Os idiotas do costume têm-se mostrado estupefactos quando alguém lhes pespega, na fronha, que a realidade que paira na cabeça deles reina apenas ali. É uma das facetas do estado de negação que tem reinado em Portugal de há mais de uma dezena de anos para cá, com particular incidência na última década e aliás amplamente escalpelizado aqui no Fiel-Inimigo.

É a substancial diferença que Helena Matos aponta:
Ouvir Manuela Ferreira Leite na comissão da AR é uma espécie de viagem a uma outra dimensão: pode discordar-se ou concordar-se com ela mas sobretudo está-se perante alguém que assume o que diz, que não faz de conta que não se lembra, que tem claro para si o que pode ou não fazer quando se é membro dum Governo…. Enfim, alguém muitos patamares acima dos vitalinos da vida.
Neste caso é espantoso como Vitalino revela que para ele o mundo passa apenas pelas formalidades da praxe.

domingo, 25 de abril de 2010

Aguiar-Branco







F
oi um excelente discurso (avançar até aos 49:30).

Disse o óbvio que não estamos habituados a ouvir: as pessoas não devem ser servas do estado.


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Actualização - discurso.

O "espírito" era este?

36 anos depois do dia 25 de Abril de 1974 e encontramo-nos a discutir qual a altura do monumento a erigir à república, a rezar para que nenhum alfinete capaz de provocar banca-rota caia ao chão, sem saber que fazer com a justiça, com a segurança, com as forças armadas e sem ensino.

sábado, 24 de abril de 2010

São uma vítimas

Bocas da reacção anunciam que todos os nossos deputados se vão mudar para Paris.

O véu outra vez


A discussão sobre o véu islâmico está outra vez ao vivo por essa Europa fora. Espanha, Bélgica (enquanto existe), França, Alemanha, etc., debatem o problema e o problema é o de sempre: estamos atolados nas nossas próprias contradições e há uma lawfare islâmica, regiamente paga por pios nababos petromilionários, que se dedica a suscitá-las e a expô-las., nos tribunais, nos artigos encomendados, nos fóruns dos idiotas úteis que não entendem estar a ser tocados à vara por titereiros encartados.

O destino da Europa parece traçado, até Kadafi já percebeu que não são precisos suicidas e terroristas, bastam os ventres dos 25 milhões de muçulmanas e em algumas décadas os nossos netos herdarão a Eurábia e as Trevas.

O problema não é portanto a falta de clareza das intenções de importantes líderes muçulmanos, dos seus clérigos, e das suas elites. Esses dizem ao que vêm.

O problema está na armadilha relativista em que o Ocidente está atolado.

Que começa por recusar entender que todas as civilizações têm um cimento religioso (sagrado ou profano) e que quando se mata o Deus fundador, a civilização acaba por se extinguir. Os homens unem-se por laços que resultam da partilha de uma particular visão do mundo, e essa resulta sempre de uma crença comum, de um absoluto.

Quando ela é forte e inspiradora, como é o caso do Islão, nada parece impossível aos seus membros. Quando ela se desagrega, se recusa e se ataca, no seu lugar fica o nada como vai acontecendo no Ocidente. E quando o nada domina, nenhum projecto é mobilizador, nem sequer a sobrevivência.

As grandes civilizações só são conquistadas por outrem, depois de se destruírem a elas mesmas.

Voltemos ao caso do véu. E dos crucifixos.

A esquerda europeia tem uma agenda jacobina e anticlerical que não hesita na condenação forte e imediata de qualquer sinal relacionado com a preponderância cristã nas sociedades, mesmo não podendo ignorar que o Ocidente, tal como é, tem como antepassado e alma mater a velha “Cristandade”.

Existe uma cristofobia assumida, vigilante e intolerante.

Mas o típico cristófobo, que saliva abundantemente face a um crucifixo numa escola, quando se depara com a questão do véu islâmico, é acometido de imediato por massivas doses de tolerância multicultural e não tarda a referir que o véu não é bem um símbolo religioso, mas sim um costume, uma tradição cultural. E reivindica para o véu a liberdade de uso que recusa aos símbolos cristãos.

O facto de no Islão tanto o cultural como o politico fazerem parte da grande ordem religiosa e não terem existência fora dela, parece não ter ainda entrado na cabeça simplista e maniqueísta do cristófobo de serviço.

Face à irracionalidade dos idiotas úteis, os activistas islâmicos esfregam as mãos e contam pelos dedos de uma delas as décadas que faltam até que o véu seja obrigatório na Europa.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Reunida a bandalha, aprovou ...

Em S. Bento, confirma-se, não há vergonha na cara.
"O Conselho de Administração da Assembleia da República aprovou esta quarta-feira, com os votos favoráveis do PS e a abstenção do CDS-PP, o pagamento de ajudas de custo e uma viagem semanal para Paris à deputada socialista."

"Acrescentando que ficou claro que se trata de «uma questão administrativa. Os deputados não pedem tratamentos especiais, não podem, isto não é um emprego, é um mandato, tudo é regido por lei, não é por vontade própria», sublinhou."
Entretanto, recebido por e-mail (de origem a confirmar - confirmado) ...


Excelentíssima Senhora Deputada Dona Inês de Medeiros,

Chère Madame

O IRRITADO teve, aqui há umas semanas, o topete de escrever uma carta a Vossa Excelência sobre a importante matéria das viagens semanais de Vossa Excelência, em classe executiva, a Paris, luminosa quão merecida cidade de residência de Vossa Excelência.
Permite-se agora o cullot de voltar à augusta presença de Vossa Excelência. Antes de mais, portanto (como diria o camarada Jerónimo), as mais humildes desculpas pelo atrevimento deste seu servo e amigo.

Tem o IRRITADO seguido, com a admiração e a estima que, no fundo da alma, nutre por Vossa Excelência, as vicissitudes por que tem passado a história do ingente problema que a aflige: quem paga as viagens de Vossa Excelência a Paris? Sim, Quem?
Parece que ninguém!
Anda meio mundo preocupado com o assunto, sendo o mais aflito de todos Sua Excelência o Senhor Deputado José Lelo[i], mui Ilustre Presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República, entidade a quem, sem sombra de dúvida, caberá mandar pagar as viagens de Vossa Excelência.
Ora, como é sabido, o insigne cidadão tem várias dificuldades do tipo mental, coisa de que não terá culpa, uma vez que já nasceu assim. Daí que, por mais voltas que dê ao limitado bestunto com que foi brindado pela criação, não consegue encontrar o competente penduricalho orçamental onde caibam os 1.200 euros que custa cada viagem de Vossa Excelência.
Em que triste miserabilismo vive a Pátria do Senhor Dom João V!

Se Vossa Excelência andar por cá uns 10 meses por ano, teremos umas 45 viagens, o que, contas feitas, se cifrará nuns meros 54.000 euros, ou seja, em moeda antiga, uns míseros 10.826.028.000 réis. Em 4 anos de mandato, a coisa não passará, como é evidente, de 43.304.112.000 réis, ou, em moeda republicana, 43.304 contos mais uns pós.

Tem Vossa Excelência toda a razão quando, solene e superiormente, declara "não sei quem paga nem quanto custa". Era o que faltava, Vossa Excelência preocupar-se com problemas destes, coisa para lelos e quejandos, gente de somenos. Vossa Excelência não sabe, nem tem que saber, o valor em jogo. "Nada disso passa por mim", declarou. Mais. Vossa Excelência, como é de timbre entre os socialistas, não se preocupa com o assunto. "Escolhi uma (agência de viagens), e passei a marcar por essa: telefono e recebo os bilhetes". É assim mesmo! A altíssima dignidade de Vossa Excelência não permite, sequer, que erga o mimoso cul da poltrona para tratar de coisas menores. Como é óbvio, alguém traz o bilhete, alguém há-de pagar, Vossa Excelência não desce a problemas de lelos. Viaja, e acabou-se. Muito bem!

Teve o IRRITADO a desfaçatez, na sua anterior missiva, de suscitar a curiosidade de Vossa Excelência para o facto de haver cidadãos - ainda que, como é lógico, gente de qualidade inferior à sua - que fazem Lisboa/Paris/Lisboa por uns 150[ii] euros, no mesmo avião que Vossa Excelência utiliza, mas lá para trás, com o cul não tão à larga e sem champanhe nem refeição quente.
É certo que Vossa Excelência não tem que descer ao ponto de aceitar sugestões do IRRITADO. Não pode este, porém, deixar de, com todo o respeito, dizer que, se Vossa Excelência o fizesse, o Lelo gastaria 14,5 vezes menos do que vai acabar por gastar com as viagens de Vossa Excelência.

Tudo isto não passa, como é evidente, de fruto da mentalidade capitalista do IRRITADO, coisa incompatível com a majestática dignidade socialista de Vossa Excelência.

30.3.10

António Borges de Carvalho


[i] Lelo - doido, vaidoso (Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora).
[ii] Algo me diz que Vossa Excelência, antes de subir ao altar doirado em que se encontra, viajava por 150 euros, como a plebe. Agora, já nem quer saber quanto custa, ou custava, a sandocha e o assento apertadinho. Pois faz Vossa Excelência muito bem! Socialisme oblige.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Caro segundo anónimo dos comentários ao post anterior:


O seu comentário é assaz enigmático, quase tanto como o célebre enigma da Esfinge, que, a crer na mitologia grega, apenas Édipo terá conseguido resolver. É-o, pelo menos, o suficiente para que a fraca iluminação da minha mente se fique numa obscuridade angustiante, debatendo-se com monstros, provavelmente imaginários, mas nem por isso menos torturantes.
Em primeiro lugar, tenha em conta, peço-lhe, a dificuldade de entender a frase que Cristo terá proferido perto do final da provação da cruz, no contexto em que aplica. Dirigi-la-á o meu amigo, metaforicamente, a mim? Ou aos intervenientes no episódio?
Como poderá, no entanto, apelar ao meu arrependimento, se eu não afirmo seja o que for?
Limito-me, com efeito, no título, a chamar a atenção dos humanistas para o acontecido. Porquê? Porque é dever de honestidade de qualquer cientista (e o humanismo é, para o humanista, uma ciência que desemboca, em última instância, na Educação, como se sabe) verificar se um facto que parece constituir uma excepção à sua teoria, afinal não o é; ou que, não sendo efectivamente uma excepção, introduz, contudo, nessa teoria um ponto nela não contido anteriormente, modificando-a assim em determinada medida.
Na frase onde inseri o link da notícia, também não faço uma afirmação propriamente dita, limito-me a relevar um aspecto de que os crentes, por um lado, e o vulgo em geral, por outro, fora de qualquer dimensão espiritual e com base na mera experiência vivencial, se dão conta, isto é, de como o que nos surge carregado de negatividade resulta, tantas vezes!, no seu oposto e vice-versa.
Como posso eu, portanto, não saber o que digo, se me limito a apontar factos sem deles retirar quaisquer ilações? Se, por improvável acidente, um qualquer calhau, com forma humana de aparência arrogante, se atravessar de súbito no meu caminho e eu, apontando-o, gritar: "Olha um calhau!", estarei a exceder as minhas capacidades, afirmando o que não sei? Não me parece. Se, todavia, eu gritar: "Vejam! Um calhau com dois olhos!", então aí, sim, porque os calhaus não vêem seja o que for, mesmo que lho ponham à frente. Nem é possível sugerir-lho sequer, porque se rasgarmos orelhas numa pedra, ela também não conseguirá ouvir.
É que, para ver e para ouvir, é preciso ser-se gente.

domingo, 11 de abril de 2010

Em memória de Anna Walentynowicz

No Blasfémias
"Hoje também morreu, na queda do avião em que viajava o Presidente da Polónia, uma heroína das greves de 1980 que deram origem ao Solidariedade: Anna Walentynowicz. Foi por causa do seu despedimento que começou a vaga de greves, iniciada em Agosto desse ano, que paralisaram os estaleiros de Gdansk e depois se estenderam a todo o país. Ela estava entre os que iniciaram o movimento que levaria, nove anos mais tarde, à queda do comunismo na Europa de Leste. Espero que a sua memória (assim como a memória do massacre de Katyn) seja honrada na imprensa de amanhã."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

J.S.Bach-Toccata e Fuga BWV 565-Karl Richter

Coisas giras ...

O absurdo como alimento
"Este frenesi esquizofrénico tem-nos entretido muito mas era inevitável que acabássemos cansados. O país está cansado. O problema não é a falta de dinheiro. Nem sequer a crise. O problema é este cansaço resultante do absurdo em que o nosso quotidiano se transformou. Um absurdo tão absurdo que, com medo do ridículo, já não brincamos ao Dia das Mentiras."

Tem cartão jóvem? Excelente. O aborto vai-lhe sair 20% mais barato.


O hino do Zimbabwe: saia mais uma dose de fome para a mesa do canto.
"Em 1994 Mandela conseguiu evitar o Apocalipse mas, ao fim de 16 anos, a geração de Julius Malema diz alto e bom som: They have exploited our minerals for a very long time."

"Evolução" segundo o catecismo do Ministério dsa "Educação"

ENSINO FASCISTA - ANOS 60
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda. Qual foi o seu lucro?

ENSINO DEMOCRATICO - ANOS 70
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda, ou seja, foram de 80$00 e sobraram 20$00. Qual foi o seu lucro?

ENSINO MODERNO - ANOS 80
Um camponês troca um conjunto B de batatas por um conjunto M de moedas. O cardinal do conjunto M é de 100 e cada elemento de M vale 1$00. Desenha o diagrama de Venn do conjunto M com 100 pontos que representam os elementos desse conjunto. O conjunto C dos custos de produção tem menos 20 elementos do que o conjunto M. Representa C como sub-conjunto de M e escreve a vermelho o cardinal 20 do conjunto L do lucro.

ENSINO RENOVADO - ANOS 90
Um agricultor vendeu um quilo de batatas por 100$00. Os custos de produção elevam-se a 95$00 e o lucro é de 5$00. Trabalho a realizar: Sublinha a palavra "batatas" e discute-a.

ENSINO ACTUALIZADO - ANOS 2000
Um kampunes recebeu um çubssidio de 50000 euros pra purduzir bue de çacos de batatas o qual vendeo por 50 euros kadaum e gastou nenhums euros dele. Anliza o testo do isercicio, cunverte 1 euro em escudos e em ceguida dis o que pencas desta maneira de henriquesser.

ENSINO DA PROXIMA DECADA
Um industrial Agrícola go to buy 10 Trucks de Tuberculos de Batata no site www.mail.vegeta.come. A cotação do vegetal em bolsa sofre um "Bull" e o industrial obtém um profit de 100 K eurodolars. Define, através de texto formatado em HTML, o plano estratégico de enriquecimento para a produção off-shore desses vegetais sem recurso a subsídios On-line.

ENSENANSA DE LA PROXIMA GERACION
Un agricultor del Alentejo pretende vender a su produccion de batata do ano E dirige-se a Subestacion agricola de Elvas-Sur-Badajoz levando cinquenta sacas de patata. Ao llegar perguntam de que provincia son las batatas, ao que el agricoltor diz serem del Alentejo. El funcionario pede o certificado de origem e o agricultor diz que non tem. Entonces o funcionario diz que nao pode aceitar aquellas patatas, porque so com o certificado de origem passado pelo Ministerio da Agricoltura, com sede en Madrid e que as patatas podem ser vendidas.

Pergunta: En que Banco deve o agricoltor depositar o produto da venda, se a fizer? Resposta: e no BBVA , no Santander o en La Caja General de Depositos?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Da mama

Um visitante deixou aqui este link. Não conheço os pormenores deste caso mas ouvi da boca de um amigo, brasileiro, uma história de corrupção, no Brasil, que metia ambulâncias e que era de bradar aos céus.

Valerá talvez a pena visionar a peça porque o futuro de Portugal ...

Equivalências



domingo, 4 de abril de 2010

URBI ET ORBI....




Como de costume, Pat Condell não quis deixar passar esta páscoa sem nos deleitar com a sua mensagem Urbi et Orbi. Diga-se de passagem que é bem superior à do Papa, e com mais humor, e mais verdadeira. Mas cuidado, a minha opinião é suspeita, nunca andei metido com padres…

Traduzi apenas alguns parágrafos do Pat porque o tempo não tem dado para mais: a compra de um novo computador implicou uma semana de instalação, procura de drivers na internet e compra de mais memória (para o computador) e de mais paciência (para mim).

A reputação da Igreja Católica.

Uma reputação que neste momento não se encontraria mais baixa mesmo que Satanás em pessoa aparecesse à varanda da basílica de São Pedro para dar a bênção urbi et orbi com um rapazinho do coro enfiado na ponta da picha.

(…)

Tudo isto tudo significa que Satanás vive no Vaticano. Bem, pelo menos nota-se que não sabe escolher com quem vive, mas se Satanás faz realmente parte da Igreja Católica isso explica alguns acontecimentos dos últimos dois mil anos.

(…)

Antes da Reforma Protestante, há cerca de quinhentos anos, todos os cristãos na Europa eram católicos até a Igreja se tornar tão corrupta e debochada mesmo para padrões cristãos.


(…)

Esta atitude conduziu inevitavelmente a discussões sobre o estatuto pessoal e quem é que deve trazer o maior anel e o chapéu mais luxuoso – convenhamos, o que é realmente importante…

(…)

Se nessa altura Cristo tivesse voltado à terra teria dito: “O que é que vocês andam a fazer?” “Não me posso ausentar cinco minutos que começam logo a matar-se à machadada como um bando de selvagens.”

Mais tarde teria dito: “Vocês não perceberam mesmo a ponta dum corno daquilo que eu disse, pois não?” “Tenho a impressão de ter pregado a chimpanzés.” Sem ofensa para qualquer chimpanzé que esteja a seguir este blogue.

(…)

Quando a imprensa finalmente foi inventada na Europa, setecentos anos depois dos chineses, a Igreja condenou logo a coisa como sendo obra do Diabo…

(…)

Ser mulher é um dos dois maiores pecados da inteira fé cristã. O outro é ser judeu! Claro, os judeus mataram o Cristo. Assim se explica porque razão a mente do beato é frequentemente totalmente preenchida com malévolas mulheres e diabólicos judeus.

Se os judeus mataram o Cristo não fizeram o serviço como deve ser, porque aparentemente Ele ainda está vivo…
Onde está a Mossad quando precisamos dela? Se Jesus algum dia aparecer é possível que a Mossad desta vez o mate mesmo porque, já que têm a fama, poderiam também ter o proveito.

Há setenta anos atrás os judeus tiveram a fama seis milhões de vezes como resultado do ódio cego e dos ensinamentos anti-semitas da Igreja Católica. Normalmente referimo-nos à Europa como sendo de cultura judaico-cristã, mas historicamente sempre se tratou de cultura cristã-de-ódio-ao-judeu, graças inteiramente à Igreja Católica. Durante séculos a Igreja pregou na Europa o ódio contra o judeu, precisamente como se faz actualmente em muitos países muçulmanos.

Fizeram com que odiar o judeu fosse uma virtude e uma virtude se tornou, assim como voltou a ser correcto ser anti-semita na Europa dos nossos dias. E isto não foi um lapso de juízo ou um momento de demência de um ou outro papa maluco. Isto foram séculos e séculos de ódio deliberadamente conduzido e institucionalizado.

(…)

Os judeus não estavam autorizados a ocupar cargos oficiais ou a misturar-se em termos de igualdade com os cristãos. Em certos casos foram até obrigados a vestir-se com lenços e chapéus amarelos para serem identificáveis – não estão já a ver o filme?

Estavam restringidos a certos ofícios e delimitados a certos bairros, e graças ao libelo difamatório, recentemente ressuscitado com tão bom gosto na imprensa sueca, os judeus foram massacrados regularmente pelos fiéis, piedosos e devotos cristãos com a aprovação da Santa Igreja.

Assim, quando Hitler chegou ao poder, foi muito fácil apontar os judeus como os maus, porque a Igreja Católica já tinha feito deles um alvo fácil. Hitler sabia que iria ter bastante apoio, porque sabia que gerações de crianças católicas foram ensinadas pela religião a odiar judeus, tal como as crianças muçulmanas actualmente.

(…)

E note-se que Hitler era católico, e não ateu como muita gente ainda hoje pensa. Foi baptizado e nunca foi excomungado pelos seus crimes. Nenhum Nazi foi alguma vez excomungado pela Igreja Católica, enquanto que todos os comunistas do planeta foram. Na realidade a Igreja Católica forneceu a documentação necessária para que os Nazis pudessem escapar para a América do Sul, ou para certos países Árabes que queriam aproveitar o know-how dos Nazis para exterminar os judeus.

(…)

Se a Igreja Católica não tivesse condenado os judeus tão consistentemente e tão virulentamente por terem matado Cristo o Holocausto nunca teria existido.

(…)

A Igreja Católica é que matou Jesus, e passou os últimos dois mil anos a arrastar o seu nome pelo lixo. Se Ele amanhã estivesse de volta seria o primeiro a dizer isto.

A Igreja sabe isso, todos nós sabemos isso.

Do...


... abjecto.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O maior abraço do mundo


Cheguei hoje, surpreendido, à conclusão de que, adolescente, conheci bastante bem o actual primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Jr.. Porque as circunstâncias da vida nos afastaram, não mais tive notícias dele nem acompanhei o seu percurso pessoal e político. Mas nunca esqueci nem a alegria nem o sorriso nem o excelente carácter de que sempre deu mostras. O sorriso que, para lá dos cabelos brancos, do bigode e de alguma corpulência extra, me fez de imediato reconhecê-lo quando a televisão me deu a notícia do seu sequestro pelos militares revoltosos que tentaram um (mais um!) golpe de estado.
Sei que as pessoas mudam, mas sei, seguramente também, que o Carlos Gomes não terá mudado no essencial, isto é, na integridade e na autenticidade que fizeram dele um amigo para todos aqueles com quem convivia, bem como na seriedade com que encarava o trabalho e a aquisição de competências profissionais. Um amigo, no sentido mais nobre do termo. E, ao ler a sua biografia on line, verifiquei que esse carácter se manteve na ajuda aos mais necessitados que o tornou querido e popular entre os seus compatriotas. Tão querido o Cadogo, como é conhecido, que, segundo os telejornais, a população veio para a rua, exigindo a sua libertação e levando o chefe da revolta a ameaçar executá-lo de imediato se as pessoas não recolhessem às suas casas.
Daqui, de Portugal, para o primeiro-ministro eleito da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Jr., o maior abraço que se pode imaginar, na esperança de que tudo isto não venha, de novo, a resultar numa tragédia, para ele e para a sua terra.