terça-feira, 22 de março de 2011

Artur Agostinho: a vedeta não-vedeta

 
(Artur Fernandes Agostinho - 1920-2011)

Conheci Artur Agostinho e com ele trabalhei algum tempo depois de ele ter voltado do Brasil.

Era um homem educado, afável, dado à conversa, interessado por tudo, amigo de ouvir, profissional sem mancha.

Morreu talvez o último entrevistador (na qualidade de jornalista ou não) que dava absoluta prioridade ao convidado. A vedeta era sempre o convidado por mais humilde que fosse.

Extraordinária era a capacidade de Artur Agostinho em aperceber-se (com trabalho de casa sempre que possível) do melhor rumo que uma entrevista podia levar para que o convidado brilhasse e era espectacular a sua capacidade para brilhar sem brilhar, fazendo o convidado brilhar.

Fossem as condições técnicas adversas ou não, Artur Agostinho adaptava-se e navegava como se tudo estivesse bem. Era seguro e inspirava segurança. Quanto mais difícil fosse o convidado ou entrevistado, mais Artur Agostinho se agigantava fazendo brilhar quem para ele era a única vedeta presente: o convidado.

A vida avançou e fui perdendo o contacto directo com ele, mas não me parece que alguma vez ele tivesse mudado de postura.

Morreu um homem que adorava viver e vivia com alegria.

1 comentário:

RioD'oiro disse...

A RTP está a transmitir O Leão da Estrela.

Um dos actores que lá representa é Óscar Acúrcio.

Acúrcio era um castiço.

Um dia estava-se a gravar uma publicidade em que o Óscar tinha que debitar um par de frases e a coisa não estava a correr bem porque ele se baralhava.

Alguém sugeriu então usar-se o tele-ponto e ele respondeu "F...-se, era só o que faltava. Cagava um pé todo até ao pescoço se não fosse capaz de meter essas frases nos cornos".