domingo, 6 de março de 2011

Os donos da cidadania ou a geração deolinda e rasca no meu pior expoente

É, tanto quanto me lembro, o discurso mais labrego que alguma vez ouvi na vida. A marmela nada sabe do passado, nada sabe do presente e pretende desenhar o futuro.



Tivesse ouvido atentamente o sábio da enxada e tivesse sido capaz de o perceber, e nunca teria sido 'vítima' de 5 estágios.

É um discurso que encaixa que nem uma luva em proclamações de tirano. Salazar, tirano branca-de-neve, sorriria com vénia de ámen.

Em particular aos candidatos a um trabalho, aconselha-se a leitura atenta deste discurso por forma a evitar qualquer um dos seus estribilhos.

Aqui fica, por escrito, para memória futura, o discurso de Raquel Freire.
Eu acho que se pudermos falar dos países árabes do efeito da revolução árabe neste momento podemos falar num efeito positivo, ou seja, há um exemplo que vem de outros sítios e que vem de sítios onde a democracia não existe no seu mais básico, na liberdade de expressão, não há liberdade sequer, são ditaduras, etc, e onde esta geração, se tu quiseres, que vai dos 20, aos 30, aos 40, que já teve algum acesso a uma educação, sobretudo à informação, começou, utilizando as redes sociais, a revoltar-se. E esse exemplo é um exemplo admirável. É um exemplo que está a contaminar todos os países à sua volta. Nesse ponto de vista temos tudo em comum, ou seja, há uma geração também, como há nos países árabes, que pela primeira vez estudou, é mais culta, teve mais acesso à informação, teve acesso a coisas pelas quais os seus pais lutaram muito, e isso faz com que haja esse efeito de contaminação, sem dúvida, como, com certeza, qualquer coisa boa, se tu pensares tem efeito de contaminação positivo.

Este é um protesto, e era isso que eu te ia dizer, há uma coisa que nós temos em comum, com os países árabes se tu quiseres, é que nos foi vendido um modelo de democracia que não é uma democracia plena, ou seja, nós não temos uma democracia no trabalho […] qual é que é a base disto tudo? Nós vivemos numa sociedade, temos um contracto social, nós cidadãos, o estado, as entidades provadas, e temos regras que organizam a nossa vida em comum. O que é que se está a passar neste momento? É que esses números todos que tu disseste, que são, basicamente, 2000000 de pessoas que estão muna situação precária ou desempregados, portanto metade da população activa portuguesa, não consegue viver do seu trabalho e não conseguem ter o contracto que é devido a funções permanentes como as que desempenha. É só isso, ou seja, desempenha funções que, realmente, mereciam ter um contracto e uma série de direitos sociais que estão ligados a esse contracto, e não conseguem, não conseguem viver disso. Porque há coisas que são muito importantes e de que não nos podemos esquecer, é que nós somos o país da europa em que há mais desigualdade de rendimentos entre quem tem mais e quem tem menos, e, apesar disto tudo, os bancos, em plena crise, têm lucros recordes. Portanto, as relações laborais devem ser reguladas por lei, existem, e os contractos existem para protecção da parte mais fraca, que é o trabalhador individual perante o patrão que, em si, tem o poder, e este acesso à protecção social, aos contractos legais, à reforma, ao subsídio de doença, indemnização por despedimento, subsídio de desemprego, são coisas que fazem parte da economia, são direitos fundamentais. Portanto não estamos a falar de absolutamente extraordinário. Estamos a falar de muitas e muitas pessoas que tendo estudado, enfermeiras, tendo estudado ou não, porque acho que aqui é muito importante, há pessoas que chegaram até um certo nível de estudo, outras [umas?] mais outras mais [menos?], e o ideal é conseguirmos todas chegar. Aqui, quando falamos de geração, mais bem preparada, é uma geração que beneficiou da luta e do esforço de todas as gerações anteriores.

Esta manifestação surgiu, e daí eu penso também ser tão importante, se quiseres, esta metáfora com os países árabes, porque tem a ver exactamente com isto, surge através das redes sociais e através dos cidadãos. É uma manifestação dos cidadãos e é uma manifestação que surge, que não tem partidos políticos por trás, não tem centrais sindicais por trás, não é qualquer movimento que não possa surgir apoiado em bases diferentes, mas o importante é que a democracia não e só votar de 4 em 4 anos, ou de 5 em 5, o importante é a democracia ser exercida pelos cidadãos, nós todos e todas. E nós todos e todas quando sentimos que há uma parte da nossa vida, neste caso é o trabalho e as relações laborais onde a democracia não se está a exercer, nesse caso é importante nós cidadãos sermos capazes de dizer ao poder, isto não pode ser, e é preciso diálogo. E é isso, basicamente, que nós propomos. Nós propomos um diálogo aberto com os empregadores, com o estado, com as centrais sindicais, com estes 2000000 de precários e de desempregados … quase 2000000 de trabalhadores que estão em condições que não são de um país democrático, que trabalham sempre com a ameaça na cabeça: o é isto ou é nada. Ou trabalhas por 400€ num cal center ou nada. E não podes estar doente, e não podes ter filhos, e não podes sequer pensar que talvez possas construir uma vida … a coisa mais básica, não estamos a falar em construir uma vida em casal, por exemplo. Estamos a falar no direito a ter uma família, a ter uma casa. Como é que é possível com colegas da minha idade, com 37 anos, que acumularam 5 estágios sem serem pagos, não é possível. E se tu imaginares toda uma geração que não consegue planear uma vida, eu acho que é fácil perceber que isto é hipotecar o futuro. Sem reformas justas para aqueles que trabalham tás a desperdiçar os recursos e as competências que podem levar o país a um progresso económico e por outro lado estás a insultar todo o passado, porque todas as gerações anteriores que trabalharam para que nós possamos ter acesso á educação pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais, pela nossa liberdade, porque é também de liberdade que estamos a falar, são frustradas. Estás a desperdiçar décadas de esforço, de investimento e de dedicação. Portanto eu acho que é de louvar que as pessoas tenham a coragem, enquanto cidadãos, de organizar estes movimentos que não têm, como te digo, partidos por trás, nem organizações políticas, não são der todo anti-partidários, são apartidários, apartidários quer dizer que estão abertos a todos a todos os partidos democráticos bem como àqueles que não têm qualquer preferência partidária, desde que se respeite o princípio pacífico, todos os cidadãos podem e devem participar, e é só disso que se trata, é de passarmos a exercer, nós, a cidadania com nossas mãos e de dizer ao poder, nós precisamos de uma base de diálogo, como se fez em Espanha, nós precisamos de uma base de concertação social, nós temos que ser ouvidos porque nós somos também o futuro deste país.

8 comentários:

Eduardo F. disse...

Estou muito pessimista quanto ao nosso futuro. A coisa vai ter que piorar ainda mais antes que finalmente os portugueses percebam que há que mudar de rumo (de 180 graus).

Carmo da Rosa disse...

Quem é a Raquel Freire?

Streetwarrior disse...

Mas uma coisa é certa...algo tem que mudar.
Há muitas instituições com o dever de regular que são autênticos faz de conta, existe um índice de trafico de influências, para não dizer mesmo corrupção que deita por terra qualquer ilusão de democracia que se queira ter e com isto há empresas que são autênticos pardieiros de bandidagem a sugar a força de trabalho em PT, aproveitando-se e obtendo lucros vergonhosos para o pais que temos.

Alguma coisa tem que mudar e tal como em paralelo que para Egipto a Democracia não está já ali ao virar da Esquina, por cá, por algum lado tem que se começar.

A LUA CONTINUA....A LUTA CONTINUA.

RioD'oiro disse...

CdR:

"Quem é a Raquel Freire? "

Não sei. Será alguém a quem a RDP achou por bem entregar a palavra por 1/4 hora.

RioD'oiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RioD'oiro disse...

"existe um índice de trafico de influências"

Não houve paraíso socialista ou terminação em que assim não tenha sido. Os records estão nas estantes dessa gente.

Streetwarrior disse...

Sem duvida...deles e dos ditos " Sociais Democratas " ou lá o que é isso para essa gente.

A culpa ai não morre solteira.

Mas pensando bem, realmente é como li algures, Geração Rasca é sem duvida aquela que saida do 25 Abril, nos tem (des)governado até hoje...e que culpa constantemente os outros por não os deixarem governar " melhor "

RioD'oiro disse...

"Geração Rasca é sem duvida aquela que saida do 25 Abril"

PREC.