terça-feira, 26 de abril de 2011

Entrevista com Rentes de Carvalho

Em deferência ao nosso Carmo da Rosa, aqui fica o link para uma recente entrevista com Rentes de Carvalho, escritor português natural de Gaia e radicado na Holanda há mais de cinquenta anos.

A dado passo, a partir da sua perspetiva holandesa, Rentes de Carvalho compara a mentalidade portuguesa com a holandesa e resume a atitude dos portugueses ao ditado "Miguel, Miguel, não tens abelhas mas vendes mel". E em vez de “Miguel” podia ser Guterres, ou Sócrates, digo eu.

É tarde para pedir de volta os judeus portugueses expulsos para a Holanda no final do século 15 e cujo regramento prático hoje nos faz óbvia falta. Em compensação, pode ser que a Holanda aceite enviar para Portugal um contingente massivo de holandeses para desempenho exclusivo das funções de bispo, ministro, secretário de Estado, empresário, dirigente de instituições públicas, padre, jornalista e tudo e tudo, excepto treinador de futebol.

1 comentário:

Carmo da Rosa disse...

Caro Paulo Porto,

À laia de agradecimento, aqui vão duas passagens - por mim traduzidas e espero que não estejam muito mal, se não ele solta-me os cães e com razão! - sobre os holandeses retiradas do seu livro Gods Toorn over Nederland (Ira Divina sobre a Holanda):

(...)

Lêem algures que a urina tem propriedades medicinais? Há imediatamente na Holanda crentes que doravante passarão a beber um valente copo de mijo em jejum. Hip-hop Japonês, scratch da Arménia, rap ou heavy metal do Uzbequistão? A Holanda vai ser certamente o primeiro país a organizar os primeiros festivais para estas actividades exóticas. Poesia de gestos? A Holanda coloca-se imediatamente no avant-garde desta novidade. Um padre na Calábria comunica com os seus pombos em latim? Imediatamente um grupo de columbófilos holandeses cria uma associação com a mesma finalidade.

(...)

A percentagem de raparigas bonitas era muito alta, mas a coisa que nelas mais me surpreendeu não era tanto a beleza física mas a independência no relacionamento com o sexo oposto e a liberdade no seu procedimento. Mas uma coisa ficou-me bem gravada: tirando algumas excepções nunca consegui convencer os broncos que a minha cortesia não é sinónimo de subserviência ou de fraqueza.