quarta-feira, 13 de abril de 2011

Para que não se diga que ninguém sabia

Em Dezembro de 2009, escrevi isto, neste mesmo blogue.

Transcrevo porque andam para ai uns caramelos a dizer que a culpa é da "crise política", fazendo-se de novos e tentando atirar areia para os olhos dos portugueses:


"Ontem assisti a uma conferência (SEDES/IDN) com os professores Daniel Bessa, João Salgueiro e Campos Cunha.

O tom geral foi de pessimismo e urgência.

A Grécia pode cessar pagamentos a todo o momento, a Irlanda já encerrou escolas e hospitais e baixou salários, a Espanha ainda arrasta os pés, mas já cancelou 3 troços do TGV e prepara-se para uma subida de impostos.

A ideia dos 3 economistas é que, se a Grécia cair, Portugal terá cada vez maior dificuldade de acesso ao crédito, pelo que, a todo o momento, pode também abrir falência.
O país precisa de pedir emprestados, 2 milhões de euros por hora. Quem empresta é o Deutsch Bank, o ABN e pouco mais.
Crédito difícil, implica juros mais elevados. Juros mais elevados implicam uma cada vez maior parte do orçamento cativado.

A seguir por este caminho, chegará inexoravelmente o momento em que não haverá mais quem nos empreste.
É como em casa.
Se ganhamos 20 e gastamos 22, temos de pedir 2 emprestados.
Quando ninguém nos emprestar esses 2, teremos de gastar menos 2, ou ganhar mais 2.
Tão simples quanto isso.
Daniel Bessa explicou que a "solução de esquerda", é aumentar os impostos. Resolve o problema de imediato, evita grandes perturbações sociais, mas é péssima para o futuro do país, levará à fuga , ao desinvestimento e ao progressivo empobrecimento.
As outras soluções são cortar despesa à bruta. Salários, 13º mês, privatizar escolas, hospitais, etc.
Ou um mix disto tudo.

Para os 3 economistas ( e para o Engº Belmiro de Azevedo, que também lá estava), o TGV é uma desastrosa fuga para a frente. Não nos liga à "Europa"(não há TGV Madrid Paris), não trará dinâmicas económicas significativas, a contratação será sobretudo a empresas estrangeiras, o emprego será maioritariamente de imigrantes, aumentará o déficite e, cereja no topo do bolo, a sua exploração será sempre deficitária, pelo que nos próximos 30 anos, mais uma fatia do orçamento de estado ficará cativada.
A juntar a outra para o os ditadores africanos, se a maluqueira de Copenhaga produzir um acordo.

Aproximam-se nuvens muito negras. Se tudo correr pelo pior, e o governo parece estar empenhado em que assim seja, daqui a alguns meses, ou mesmo semanas, estaremos a pão e água, ou sob protectorado alemão.
Rezemos para que a Grécia não caia e para que Sócrates sofra um acidente e saia do cockpit."


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