sexta-feira, 1 de abril de 2011

A socialização da pobreza


Tenho ido a Lisboa de carro, com alguma frequência, nos últimos tempos.

Contrariamente ao frenesim habitual, circula-se agora à larga, principalmente a partir do meio do mês.

Entra-se em Lisboa com facilidade e, mesmo dentro da cidade, o trânsito faz-se sem aquele stress que há anos me punha a vociferar contra tudo e contra todos.

É verdade que Lisboa nunca foi Nova York, no que à intensidade de tráfego diz respeito, mas agora está parecidíssima com o Alandroal, num escaldante dia de Verão.

Virtude da excelência governativa que nos deu boas estradas, boas alternativas, bons transportes públicos, dirão alguns plumitivos.

Concordo com eles quanto à mão do governo, penso efectivamente que esta facilidade com que passeio por Lisboa ao volante, se deve por inteiro aos desatinos dos socialistas que nos (des)governam há anos.

O que motiva esta deserção de muitos portugueses é o empobrecimento generalizado da sociedade portuguesa e a crescente proletarização da classe média.

Para lá da retórica delirante com que os políticos que elegemos se justificam, os factos, esses são impenetráveis ao falatório. E o facto marcante é que os últimos anos de governo socialista correspondem a um empobrecimento sem paralelo na História da democracia portuguesa.

O preço dos combustíveis, carregado de impostos e estabelecido em função dos interesses de uma empresa pública que tem o monopólio da refinação (este governo recusou pressurosamente a instalação de uma refinaria de um consórcio privado), está a tornar proibitivas as deslocações de automóvel. Alguns dirão que isso é bom para o ambiente, para as andorinhas e para os pardais, mas trata-se de fraco consolo para quem vê a sua qualidade de vida a desaparecer a um ritmo avassalador.

Em meia dúzia de anos de José Sócrates e do seu PS, o socialismo fez-se presente.

De tanto querer fazer engenharia social, Sócrates logrou em menos de um fósforo fazer aquilo em que os regimes socialistas são bons: dificultar a criação de riqueza e socializar a pobreza.

São cada vez mais os portugueses que vivem já num nível de sobrevivência, tendo de mudar de hábitos e renunciar a coisas que julgavam sólidas e pelas quais trabalharam toda a sua vida.

Isto nunca tinha acontecido a esta escala, nos últimos 100 anos.

Foi aqui que nos deixou Sócrates e o seu Governo de incompetentes, cínicos e mentirosos. E aqui ficaremos muito tempo.

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