quarta-feira, 13 de abril de 2011

A velha esquerda e a nova direita

O feroz animal que nos (des) governa, garante agora, com a forte convicção com que há dias o negava, que está pronto a governar com as exigências da ajuda externa.

Estou certo que sim. Agora, quando todos os socialistas que lobrigam um microfone nas imediações, correm desalmadamente para debitarem a cassete de que “a culpa é do PSD”, preocupados sobretudo com a possível perda da gamela, o duvidoso engenheiro garante que aplicará as reformas que até agora recusou, a contragosto, arrastando os pés, e preparando-se para mais manigâncias na quixotesca convicção de que está a “defender Portugal”, sem perceber que Portugal estaria bem melhor sem os seus esforços “defensivos”.

O beiçudo Ministro das Finanças, escolhido no refugo, depois de Campos e Cunha ter batido com a porta quando percebeu que estava rodeando de bandidos, vem à TV e “alerta”, com a mais inefável candura, que já só há dinheiro até Maio, dando até lições de moral sobre o andarmos a viver acima das nossas possibilidades e outras interessantes máximas. Como se não fosse ele quem tem a mão na carteira desde há 6 anos.

À esquerda destes moinantes, não há nada, apenas loucos da “luta” ou doentes com a síndroma de Peter Pan.

A esperança está à direita.

Acredito que aqui há gente disposta a fazer as reformas necessárias, porque tem de ser e porque elas estão de acordo com os princípios ideológicos que caracterizam a direita moderna.

Gente finalmente liberta do complexo socialista que nos tem afogado e determinada a cortar à faca a gordura do Estado a que isto chegou, a meter mão nos cambalachos das Fundações, Agências, Observatórios, Comissões, empresas públicas, etc., que floresceram como cogumelos na longa noite socialista das vacas gordas, regados pela viçosa humidade do orçamento e dos impostos.

Gente capaz de meter na ordem os sindicatos, reaccionárias correias de transmissão da esquerda, as clientelas, os corporativismos, etc.

Gente que acredite na vitalidade do mercado e que ponha fim à densa malha de regulações e normas, o que impede os negócios e dissuade os investimentos.

O que està em causa não é apenas a diferença entre umas contas claras e bem escrituradas e outras marteladas e mentirosas, mas sim a diferença entre quem acredita num sistema baseado na liberdade e quem continua a olhar o mundo com o velho filtro da “igualdade” socialista, em que todos são igualmente pobres, mas há uns menos iguais que outros , (os boys e as girls que enxameiam a burocracia.)

Não bastam o fim dos orçamentos “criativos”, das estatísticas manipuladas, dos cenários macroeconómicos mentirosos, do spin primário e manipulador, das cortinas de ilusão que de vitória em vitória, nos conduziram à derrota final.

O novo governo terá de ser capaz de explicar aos portugueses a crua realidade, não para os deprimir, mas para os mobilizar, porque o vale de lágrimas que vamos atravessar é longo e terá de haver uma forte motivação para chegarmos ao outro lado.

Temos de perceber que vamos ter de mudar radicalmente a maneira como este Estado está organizado, e desta vez não temos escapatória.

Será esta direita capaz?

Se não for, tempos perigosos nos aguardam.

2 comentários:

Joaquim Simões disse...

http://aperoladanet.blogspot.com/2011/04/nao-os-deixem-fugir-para-venezuela.html

Carmo da Rosa disse...

O-Lidador disse: ”O novo governo terá de ser capaz de explicar aos portugueses a crua realidade, não para os deprimir, mas para os mobilizar,”

O novo governo, para os [portugueses] mobilizar vai ter que fazer muito mais do que apenas explicar (já de si indispensável), vai ter que dar o exemplo. Espero que consigam, mas mudar hábitos ancestrais é muito difícil, mas não é impossível.

Talvez esta crise obrigue a uma mudança radical de mentalidades. Como diz o outro, Deus escreve direito por linhas tortas.