quarta-feira, 8 de junho de 2011

Recebi um mail a que respondo a azul

Boa Tarde Rio D'oiro,

Antes de mais obrigado por te dares ao trabalho de comentar. É sempre bom receber criticas (mesmo com a carga destrutiva da tua), mas escrever atrás de um computador e nem dar a cara parece-me demasiado fácil! Por isso, não vou desenvolver muito este e-mail. Muito menos irei discutir democracia verdadeira ou verdadeira democracia - e entendo o teu ponto de vista.

Caro,

Eu não pretendo qualquer protagonismo pessoal. Pretendo apenas contribuir para um mundo pela via da melhoria da qualidade (sentido lato) de cada uma das pessoas. E pretendo tal de acordo com aquilo que eu entendo que o mundo é e o que ele pode ser sem o querer reinventar nem me armar em super-cidadão detentor da solução final para a humanidade.

Estranho, contudo, que o pessoal que adora viróticas convocatórias por SMS esteja dependente da cara de cada um para discutir algo.

Concordo contigo que a imagem que passa do movimento não seja a melhor. Mas é bastante pobre resumir as pessoas à roupa que vestem.

Não é. Não é porque isso é pedra de toque deste exacto caso. Sei do que falo e sei que a farda (nas suas variadas cambiantes) faz exactamente parte do folclore em causa. É mesmo distintivo.

Mais te digo, existe outro tipo de pessoas e até classes sociais ligadas ao movimento.

Essa coisa do “tipo de pessoas” é uma caracterização tangente ao racismo mas que pode ficar para depois.

Estás contra tudo? Ou tudo está contra ti?

Nem uma coisa nem outra. A generalidade do mundo está comigo e/ou vice versa.

Provavelmente não tens noção das pessoas que em parte estão ligadas ao movimento porque apenas vês os vídeos no youtube, as imagens que passam na televisão e as fotos que se encontram online.

Provavelmente sim, provavelmente não.

Se queres mudar algo, podes sempre aparecer e dar ideias.

O que quero mudar, neste contexto, é simples: fazer perceber que o que cada um de vós exorta como verdade meta-absoluta é, regra geral, um disparate facilmente desmontável e desmontável apenas por via das respectivas contradições internas. Em português popular, fazer-vos cair do cavalo abaixo. É que essa coisa de querer aparecer à populaça como doutores das boas causas, usando meios ‘giros’ de comunicação tem que passar pela prova da respectiva viabilidade. É fácil disparar o carimbo JÁ, mas há que correr o risco de se aparecer como JÁgunço pelo cruzamento do carimbo com uma parafernália de acampamento cigano. Se há alguém que joga neste exacto campo do trocadalho do carilho são os meios que obviamente se relacionam convosco e com quem vocês se relacionam (evitando afirmar que são um e o mesmo). Todo o cabeçalho do vosso movimento é disso prova.

Não se pode querer ir à guerra sem as respectivas vantagens e inconvenientes.

Para dar ideias não preciso aparecer. Mais, o disparate em que o vosso movimento se constitui, por muito que vos custe, apenas se presta a ser reciclado (palavra que você adoram) na lixeira dos casos bizarros. Se não gostarem dessa lixeira, posso aproximar-me mais da realidade e falar de aprendizes de tirano.

Podes sempre fazer: passar das palavras à acção. Serás bem vindo!

Ora aí está um disparate. Palavras são acção e, por conhecimento de causa, (além da absoluta desnecessidade) sei que não seria bem-vindo. A não ser que, para vocês, palavras sejam apenas uma espécie de iniciação para a acção. Uma espécie de cortina de fumo, embrulho, camisola, penteado daquilo que para vós é a meta final: acção sem consistência teórica (obviamente consistente). Aquilo que faz com que nos bairros “sociais” se mate e esfole porque alguém algures é culpado das limitações de cada um. Mata-se e esfola-se porque as tais palavras que nada valem, vendem (emprego para tiranetes) essa acção em carimbos, supostamente inatacáveis, de pós-modernismo social.

Aí no teu cantinho não conseguirás muito... ou valha-te os teus seguidores do blog, que hoje em dia é o que se quer - ter seguidores (nem que sejam virtuais).

Era só o que faltava eu precisar de muleta para correr por minha conta e risco.

De resto, não me parece nada estranho teres tantos seguidores.

Muitos? Adonde?

O futebol, os matrecos e as cervejas (mais os tremoços) são um bom reflexo de uma linguística pobre que se resume a piadas/discursos ordinários e comentários ocos.

Mas então vocês não brotam da populaça? Não gostam de se misturar com eles? Não são, com eles, unha com carne? Não são ‘da’ populaça? Têm a lata de se considerarem fora dela? Acima dela? Quem lhes dá o direito de debitar postas de pescada sobre a vida da populaça querendo passar ao lado das piadas ocas? Dar-se-á o caso de nem as perceberem?

Já agora, eu não trato por tu quem não conheço e sem ter a certeza que essa confiança me é dada. São praxes de populaça.

Sem comentários: