domingo, 24 de julho de 2011

Breivik, terrorismo e multiculturalismo

Em muitas reportagens televisivas, as pessoas mostram horror e perplexidade pela tragédia norueguesa. O horror é real e a incapacidade para perceber também. E todavia o acto terrorista resulta de uma cosmovisão racional que importa perceber.
Porque vai haver mais disto pela Europa.
Trata-se de um backlash esperado e expectável. Creio mesmo que já, neste espaço, o previ.
A esquerda europeia vai, com toda a certeza, aproveitar o acto terrorista de Breivik para inculcar nas mentes perplexas, a ideia de que o verdadeiro perigo que assola a Europa é o extremismo de direita e que a crítica ao multiculturalismo é apenas racismo e apelo ao ódio.

Ora o acto de Breivik demonstrando que há por aí lunáticos dispostos a usar a força para lutarem contra algo que entendem como uma ameaça existencial, é também uma oportunidade para reavaliar as políticas de imigração que estão a criar tais reservatórios de ódio nas sociedades ocidentais.
Porque na verdade, tanto o terrorismo islâmico como este nóvel terrorismo anti-sistema, são o selo do falhanço do multiculturalismo que a Noruega elevou a um quase dogma sagrado. Há tempos o Ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês dizia que queria uma sociedade onde coexistisse o bikini e a Burga, e que celebrasse o Natal e o Id.

As boas intenções paroquiais conduziram a isto: uma constante ameaça islamista a pairar sobre a Noruega e um backlash nacionalista a enveredar pela violência desmedida.
Uma sociedade cada vez mais dividida entre aquilo que o terrorista chamou de "marxistas culturais" (representados pelo partido trabalhista, no poder) e os que entendem que a Noruega está em perigo. Parece ter sido essa a ideia de Breivik ao atacar a estrutura do Partido Trabalhista.

O acto hediondo de Breivik não pode todavia travestir de radical e extremista a critica, legitima e necessária, ao multiculturalismo, de resto criticado também por personalidades como David Cameron, Angela Merkel, Amartya Sen, etc.

Onde existem valores não miscíveis, a violência surgirá sempre.
E basta ir ao Bairro Azul, nas Olaias, para perceber isso.

2 comentários:

José Gonsalo disse...

Ora pois!

Carmo da Rosa disse...

Excelente. Mas a merda é que a partir de hoje já não se pode dizer que as balas vêm exclusivamente da esquerda. É preciso reconhecer que ambos os lados têm os seus monstros...

O falhanço do multiculturalismo na Noruega é agravado pelo facto que não existir – ao contrário da Holanda e da Dinamarca - por enquanto um escape para a população dizer o que pensa sobre o assunto. A válvula da panela de pressão estava entupida e a panela explodiu…