quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Atacar o Irão


Volta a falar-se insistentemente na elevada probabilidade de um ataque às infra-estruturas nucleares iranianas, uma vez que já ninguém ( nem sequer russos e chineses) duvida de que se trata de obter a arma nuclear.
Os iranianos são um estado revolucionário, não hesitam em projectar terror para fora das suas fronteiras e toda a gente treme só de pensar no dia em que o Irão esteja em condições, não só de lançar um míssil com uma cabeça nuclear, como também de municiar os seus proxies e as suas células adormecidas, com alguns quilogramas de urânio enriquecido.
Basta saber que uma bomba convencional normal, junto a alguns quilogramas de bolo amarelo, são suficientes para tornar inabitável, durante anos a fio, largas porções de cidades. Imaginar uma bomba "suja" em Jerusalem, Riad, Londres ou Nova York, é um cenário aterrador para os dirigentes políticos que não terão agido preventivamente face a indícios inescapáveis.

Os israelitas querem atacar e contam até com a colaboração do seu arqui-inimigo, a Arábia Saudita, que sabe estar também na linha da frente. George Bush recusou dar luz verde aos israelitas, a ideia era lograr uma solução diplomática, mas está-se a chegar ao ponto de não regresso. Os iranianos não cedem, o relógio faz tic-tac, e Obama e a sua entourage parecem aceitar uma lógica de contenção semelhante à usada contra a URSS. Podem dar-se a esse luxo, mas não Israel, cujas exíguas dimensões não lhe permitem encaixar um ataque deste tipo, mesmo que depois varram da superfície da terra o país dos aiatolas..
O problema é que as instalações nucleares iranianas são múltiplas e não estão tão facilmente acessíveis como o reactor iraquiano em 1981. Pelo contrário, estão enterradas e disseminadas, algumas delas em áreas populacionais, utilizando as pessoas como escudos humanos, numa deliberada exploração dos tabus morais da nossa civilização.

Contudo, apesar do gesticular ameaçador dos iranianos, e do coro daqueles que os querem apaziguar a todo o custo ( e que, alguns deles, até rejubilariam intimamente caso Israel fosse destruído) , clamando que não há opção militar para resolver o caso iraniano, trago aqui um a actualização de um post que escrevi há 5 anos.
Assim a voo de pássaro, e discorrendo sem preocupações de pormenor, antevejo algumas possibilidades:

1ª- Ataque aéreo prolongado.
A Força Aérea iraniana é incapaz de fazer frente a forças aéreas modernas e bem treinadas, como a israelita, ou americana. A sua boa escola de pilotagem, ao modelo ocidental, herdada do Xá, foi destruída e purgados quase todos os pilotos. Não terá quaisquer hipóteses de sobrevivência no ar. Cada avião que levante voo será imediatamente detectado pelos AWACS e abatido com mísseis ar-ar, ainda antes de o seu radar ter detectado o que quer que seja.
Quanto ao sistema de defesa aérea, apesar de melhorado nos últimos anos com a compra de mísseis russos, não terá hipótese de importunar as esquadrilhas americanas ou israelitas, porque será posto fora de combate logo nos primeiros momentos da operação, provavelmente com mísseis de cruzeiro do tipo AGM-154 e mísseis anti-radiação do tipo AGM-88, disparados de aviões a mais de 90 km de distância
Lograda a supremacia aérea, a aviação atacante poderá executar bombardeamentos estratégicos quando e onde entender, não só sobre as infra-estruturas nucleares, mas também sobre rampas de lançamento de mísseis e unidades militares dos Pasdaran.
O simples facto de aviões americanos ou israelitas se passearam à vontade sobre Teerão, constituirá uma humilhação terrível para um regime arrogante que assenta a sua dominação no medo e na imagem de força que transmite para dentro. Poucas ditaduras sobrevivem a semelhante humilhação…

2ª- Atacar a liderança
Um ataque massivo e de surpresa sobre os principais líderes militares, políticos e religiosos, asseguraria a morte de 2/3 da liderança iraniana, cortando a cabeça ao regime, lançando a confusão e tornando possível o desencadear de um golpe interno que leve a uma mudança de regime. Tem de ser um ataque na mais completa surpresa, porque à menor desconfiança, toda esta gente se enterra e protege.
É o que farão os líderes sobreviventes mas isso é em si muito negativo para um regime que necessita que o poder seja visível e infunda medo. O simples facto de se saber que os aiatolas estão escondidos nos bunkers, mostra que o regime tem medo, o que ajudará a galvanizar as forças anti-regime, que as há.

Há certamente mais opções em cima da mesa, mas estas duas são suficientes para mostrar que a opção militar é viável e que se não é aplicada a tempo é apenas por falta de vontade e suicida tendência para o apaziguamento.

Israel é perfeitamente capaz de levar a cabo uma operação deste tipo. Não só tem uma força aérea capaz de operar a tão grande distância ( tem aviões de reabastecimento), como dispõe de gigantescos drones ( Heron), capazes, também eles, de lançar poderosas bombas anti-bunker, repetidamente sobre os objectivos.
A acompanhar um ataque destes, será provavelmente enviada uma mensagem a avisar que o ataque é de objectivo limitado e que qualquer retaliação com mísseis balísticos, desencadeará a resposta das forças estratégicas de Israel, com mísseis Jericho e, eventualmente (caso o Irão ataque cidades e utiliza armas químicas) armas nucleares, a princípio numa zona deserta.

A eventual resposta utilizando o Hezbolah e o Hamas, será o pretexto para a derradeira destruição destes movimentos.
Se o Irão, como ameaça fazer, cair no erro de atacar interesses americanos ou bloquear as rotas marítimas no Golfo Pérsico, a resposta americana será devastadora e incluirá a paulatina destruição de todas as capacidades militares do Irão.

Com o Irão é necessário não mostrar o mesmo tipo de complacência que permitiu a Hitler tornar a Alemanha numa formidável potência militar em 3 ou 4 anos.
O que podia ter sido resolvido com umas centenas de mortes, acabou solucionado depois de 60 milhões de pessoas terem perdido a vida.

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