sábado, 12 de novembro de 2011

Visita de jornalistas a Fukushima

15 comentários:

António Pedro Pereira disse...

Acabo de ver na TV uma visita de charme de jornalistas à central de Fukushima, levados pelo poder político para serenar a opinião pública. Fala o ministro do Ambiente: «dentro de 30 anos TALVEZ possamos remover isto tudo que ficou afectado em redor da central». Noutra reportagem fala um técnico: «As condições de trabalho melhoraram muito, mas não sabemos o que nos espera». A radiação na zona da central é 5000 vezes superior ao permitido. Ao contrário do que apregoam os fundamentalistas do nuclear, as consequências de se continuar a trabalhar sujeito a tais níveis de radiação apenas serão conhecidas no futuro. Na cintura de segurança de 20 Km ninguém vive. Só no abate das vacas contaminadas gastaram 17 milhões de euros, a produção de vegetais e outros comestíveis na dita cintura está proibida.
Tudo boas notícias!
Nada que demova os fundamentalistas do nuclear.
Afinal, Fukushima parece ter sido uma «dádiva de Deus» ao Japão, se não existisse o terramoto e o tsunami «não teriam valido a pena».

RioD'oiro disse...

Caro APP,

É impressão minha ou há uns meses o caro dizia que decorreriam milhares de anos para a população poder voltar?

Exceptuando uma zona mais chegada (ainda a apurar) à central (onde, de qualquer forma não deve morar gente porque pode ocorrer novo afogamento generalizado) as autoridades estão a planear a monitorização fina para limpeza e retorno dos habitantes que quiserem voltar. Será que os japoneses desconhecem as suas profecias?

"A radiação na zona da central é 5000 vezes superior ao permitido."

Particularmente dentro dos reactores.

Carmo da Rosa disse...

Caro António Pedro Pereira,

não tenho opinião sobre este assunto porque não percebo patavina, não quero perceber e até tenho azar a quem percebe. Mas mais azar ainda tenho a quem, por tabela, me chama fundamentalista ou, pior ainda, censurador de opinião! Ao contrário dos blogs de opinião de esquerda, sou a favor da liberdade total de expressão.

O Rio acha que o nuclear é que é bom. Você acha que é o contrário. Ora, ninguém aqui o proíbe de discordar e de apresentar os seus argumentos. Você, ao contrario do Afonso, até escreve benzinho e com lógica, por isso não percebo porque necessita de se vitimizar (como o grego em particular e os árabes em geral) com afirmações absurdas como: Aqui ninguém pode «mijar fora do penico», eles gostam é de se ouvir uns aos outros, ouvir as verdades decretadas por si próprios,.

António Pedro Pereira disse...

Rio D’Oiro:

«É impressão minha ou há uns meses o caro dizia que decorreriam milhares de anos para a população poder voltar?»
É impressão sua. Os resíduos é que estarão activos durante 24 000 anos. O regresso das populações é uma incógnita. Em Chernobyl há já 25 anos de quarentena, quantos mais? Não sei, ninguém sabe.
Fukushima, veja o que o ministro disse ontem, talvez daqui a 30 anos se possa retirar a tralha toda.

Carmo da Rosa:

Passei pelo «Fiel Inimigo» por acaso, deixei um comentário inquestionável, que compara o Hamas ao Irgun, caiu-me um exército de zeladores da «verdade oficial» do fundamentalismo do «Fiel Inimigo» em cima; depois o senhor (ou senhora, permita-me a dúvida legítima que o seu nome contém) acha que me estou a vitimizar. Vitimizar ou constatar o evidente? Corra o blogue e verá o número de comentários por Post, de zero e 3 ou 4 normalmente; o do Hamas tem 22: elucidativo.
A sua referência aos blogues de Esquerda deixa-me perplexo. O que tenho eu a ver com eles? Não acha que essas duas categorias políticas são hoje anacrónicas? Foram criadas no século XVIII, na Revolução Francesa, entretanto o Mundo mudou muito. Com a informação que temos devemos exercer o nosso raciocínio crítico a partir de outros valores, de verdade, de natureza ética (em relação a nós próprios) e moral (em relação aos outros).
Sobre a bondade do nuclear eu limito-me a constatar o óbvio; refiro apenas os 3 acidentes mais graves (houve centenas deles, muitos não publicitados para não alarmar a populaça, não se sabendo as consequências que tiveram): Three Mile Islands, 1,5 milhão de litros de água lançados no rio Susquehanna e gases radioactivos na atmosfera. A radioactividade em volta da central atingiu uma área com 16 Km de raio no primeiro dia e uma intensidade até 8 vezes superior à permitida. Dois dias depois, o governador aconselhou a evacuação das grávidas e das crianças em idade pré-escolar num raio de 9 Km em redor da central. Em poucos dias 140.000 pessoas haviam deixado a área voluntariamente;
(continua)

António Pedro Pereira disse...

(continuação)
Chernobyl, foi libertada uma imensa nuvem radioactiva 400 vezes mais forte do que a bomba atómica de Hiroshima, contaminando pessoas, animais, florestas e o meio ambiente de uma vasta extensão; há 25 anos que um território com 30 km de raio está de quarentena, com cidades (ex. Pipryat), vilas e aldeias desertas e centenas de milhar de pessoas deslocadas. Houve 50 mortos imediatos e centenas a conta-gotas ao longo do tempo, fruto dos efeitos das radiações, a que acrescem os diversos padecimentos e as malformações; Fukushima, evacuação de 20 km de raio em redor da central. Os trabalhadores sofreram elevada exposição à radiação, pelo que foram temporariamente retirados em vários momentos, locais entre 30 e 50 km da central apresentaram níveis altos de Césio-137 suficientes para causar preocupação. Os alimentos produzidos na área foram proibidos de serem vendidos. A contaminação de Iodo-131 e de Césio-137 são da mesma ordem de grandeza dos de Chernobyl. No solo da central foi detectada contaminação por plutónio. O governo recomendou que a água da torneira não fosse usada para preparar alimentos para crianças. Só no abate das vacas da zona de segurança (20 Km) gastou-se 17 milhões de dólares. Ontem o ministro do Ambiente dizia que «talvez dentro de 30 anos se possa desmantelar aquela tralha. A radiação nas imediações é 5000 vezes superior ao permitido.
Não acha que qualquer pessoa (não movida pela fé, como o Rio d’Oiro) se deve interrogar e preocupar?
Quanto à minha frase «mijar fora do penico», sabe que, embora um pouco brejeira, está consagrada no falar popular; desde que seja usada entre aspas nada tem de mal e por vezes é bastante operativa em relação à nossa argumentação.
E por aqui me fico, ou me vou, é muito provável que jamais regresse, contra a fé não se argumenta.

RioD'oiro disse...

Caro APP:

"Fukushima, veja o que o ministro disse ontem, talvez daqui a 30 anos se possa retirar a tralha toda."

Que tem a ver uma coisa com a outra? Porque haveriam de retirar a tralha a correr? Para lhe fazer a vontade?

Porque haveriam de voltar a Chernobyl? Têm falta de espaço?

O APP vive obcecado com a radiação. Olhe, não coma bananas.

Há milhares de indústrias infinitamente mais mortais que a nuclear. Por exemplo, a energia nuclear tem sido a que tem provocado menos vítimas de todas relativamente à energia que produz (a diferença é abissal). Que fazer? Acabar com todas as formas alternativas de gerar energia? têm todas sido muito mais perigosas que a nuclear.

RioD'oiro disse...

Os milhões de dólares que refere não têm qualquer relevância. Gastou-se mais com as vacas loucas do que isso. Com a ressaca dos grelos biológicos dos alemães vai ser ainda pior. Estão em espera milhares de pessoas para transplante renal.

O APP não tem nenhuma noção dos números de que deita mão. Atira-os para o ar sem perceber o real significado da coisa.

A propósito, sabe que passam diariamente, a um par de quilómetros de Chenobyl, comboios cheios de passageiros?

Faz algum sentido voltar população a Pipryat quando a fonte de trabalho que aquela gente tinha, directa ou indirectamente, era na central?

Carmo da Rosa disse...

APP disse: ”o senhor (ou senhora, permita-me a dúvida legítima que o seu nome contém”

Permito tudo o que quiser, mas trata-se de nome de família e é senhor.

APP disse: ”acha que me estou a vitimizar. Vitimizar ou constatar o evidente?”

Vitimizar. A sua frase, que eu mencionei, é bem clara. Repare, todos nós pensamos que estamos a constatar o evidente, mas os mais lúcidos, os não fundamentalistas, preferem trocar as suas evidências não censuradas com os outros – a finalidade deste pobre mas honesto blog.

APP disse: ” A sua referência aos blogues de Esquerda deixa-me perplexo. O que tenho eu a ver com eles?”

Não sei o que tem a ver nem tampouco disse que tinha algo a ver. Quero apenas realçar que neste blog, ao contrário de blogs da esquerda tradicional (de cariz marxizante), você pode a qualquer momento do dia publicar as suas evidências… E como você me parece uma pessoa inteligente e até escreve bem, pode ser que me convença, mas não espere resultados imediatos…

APP disse: ”Não acha que essas duas categorias políticas são hoje anacrónicas?”

Acho sim senhor, mas também acho prático utilizar os termos quando não há necessidade de entrar em detalhes. Mas em princípio você tem razão: depois da revolução francesa o mundo mudou muito.

Go_dot disse...

"Todos nós pensamos que estamos a constatar o evidente, mas os mais lúcidos, os não fundamentalistas, preferem trocar as suas evidências não censuradas com os outros – a finalidade deste pobre mas honesto blog. "

Cumprimentos CdR apuradíssimo.
Que tal espetar essa frase no cabeçalho do blog.
Não é que não goste da citação da Hannah Arend mas, palpita-me que esta sua tirada cobre lindamente o recheio do blog, sem precisar de aprender Inglês.

My two cents.

Streetwarrior disse...

"Todos nós pensamos que estamos a constatar o evidente, mas os mais lúcidos, os não fundamentalistas, preferem trocar as suas evidências não censuradas com os outros – a finalidade deste pobre mas honesto blog. "

Era para responder a esta triste frase deste pobre Blog...mas, vou deixar passar.
Por esta !Por esta !

Carmo da Rosa disse...

Ajuizado. Quando não temos muito que dizer o melhor é realmente deixar passar...

Streetwarrior disse...

carmo, está a chegar o Natal.
para onde devo mandar a "prometida " garrafa?
...e já agora, fumar o cachimbo da Paz.
eh eh eh

Carmo da Rosa disse...

Street, não aconselho a mandar garrafas, normalmente o envio é mais caro que o conteúdo. Quando eu for a Portugal a gente fala...

Onde moro actualmente - mudei recentemente de casa - existe uma venda de vinhos de um escocês que só tem vinhos portugueses, e tudo grandes pomadas alentejanas (Mouchão e Pedro Laureano) e do Douro. Mas o outro dia fui lá e comprei um tinto de Lisboa (Estremadura) muito razoável e ao preço da uva mijona: Quinta de Pancas...

À nossa...

Streetwarrior disse...

Assim é que é Carmo.
Á nossa, podemos concordar discordando.
Há para ai uns tansos que têm os nervos á flor da pele e tudo e todos lhes tolhem os pensamentos.
Há poucos neste Blog com quem merecem que eu me sentasse á mesa e bebessemos uns tintos, independente daquilo que acreditam ou não...e o Carmo, é um deles e o outro também saberá quem é.
O resto é a caravana a passar....

Carmo da Rosa disse...

Streetwarrior disse: "Há poucos neste Blog com quem merecem que eu me sentasse á mesa"

Pode ser só impressão sua. Como se diz na nossa terra, "quem vê caras não vê corações", isto traduzido para esta nossa época da informática dá: "quem vê (apenas) letras não vê caras e por conseguinte não vê corações"...

No fundo é tudo boa gente…