quinta-feira, 31 de março de 2011

GREVES CÍNICAS

Nos países democráticos a greve é um direito dos trabalhadores. Curiosamente tem uma origem liberal mas o movimento socialista acabou por assenhorear-se do movimento sindical e hoje, em Portugal, por exemplo, falar em centrais sindicais é falar em esquerda e extrema esquerda.

O racional da greve é fácil de entender: destina-se a dar força às reivindicações dos trabalhadores, face a entidades patronais renitentes e prepotentes. Trata-se de tentar equilibrar aquilo que, na maior parte dos casos, é uma relação em que uma das partes (a entidade patronal) tem muito mais poder.

Ameaçando o interesse próprio do empresário (o lucro), este é levado a fazer contas e a negociar, tentando minimizar as perdas.

Nos últimos dias e nas próximas semanas, os sindicatos de certas empresas públicas de transportes, levam a cabo greves parciais que, na opinião de muita gente, constituem uma perversão deste racional.

As greves são parciais, explorando lapsos na lei da greve, chico-espertice que visa apenas reduzir os custos que recaem sobre aqueles que decidem fazer greve (perda de salário).

O que é inaceitável, é que são programadas para as horas e dias que mais prejudicam, não a entidade patronal, como decorre da filosofia subjacente à greve, mas sim os utentes.

Assim, por exemplo, o Metro de Lisboa tem estado sujeito a greves parciais nas horas de maior tráfego e na CP as greves são normalmente à sexta-feira.

A ideia dos grevistas é que a melhor maneira de pressionar a entidade patronal (o Estado) em empresas que dão prejuízo, é usar os utentes como peões de brega, para que o seu descontentamento faça ricochete.

Este cinismo é inaceitável.

Os utentes são deliberadamente usados e prejudicados, e são, normalmente, aqueles que mais dificuldades têm, já que os gestores e os políticos que tomam as decisões, raramente andam nos transportes públicos.

Face a isto, torna-se urgente uma alteração da Lei da Greve que impeça os sindicatos de usar maquiavelicamente os utentes dos serviços como reféns nas suas lutas, justas ou não.

Acabar com greves parciais e de má fé, está a alcance de duas ou três linhas de legislação.

Fukushima e as bruxas

Plutónio no ambiente e no corpo humano.

Informação complementar sobre Fukushima: WNN, MIT NSE Nuclear Information Hub, BNC

Actualização:
Mais duas vítimas por causa do nuclear.

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Sócrates-o-despovoador ...

... e o último 4 de Outubro da monarquia socialista.

Vasco Graça Moura, via Blasfémias:
Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram.

O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto.

Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do satu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal.

Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos.

Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas.

Os responsáveis por tudo isto e os seus porta-vozes já se começaram a esfalfar, a acusar desvairadamente os outros de terem criado um impasse irremediável para Portugal, a passar uma sórdida esponja de silêncio e manipulação sobre o que foi a actuação dos Governos socialistas desde 1996 e, em especial, desde 2005, a fazer esquecer que é ao PS e ao seu Governo que se devem coisas tão sugestivamente picantes como a crise, o aumento delirante dos impostos, o aperto asfixiante do cinto, a subida incomportável do custo de vida, o desemprego sem esperança, o fim da dignidade nacional.

Nessas virtuosas indignações da hipocrisia socialista, já se vê quanta gente do PS anda já por aí a desmultiplicar-se, na rádio, em blogues, um pouco por toda a parte e até aqui nos comentários aos artigos, a jogar na inversão e na distorção de todos os factos e de todos os princípios. Alguns ingénuos talvez deixem mesmo de se perguntar mas afinal que canalha é essa que se diz socialista, para sustentar o insustentável e defender o indefensável.

Já toda a gente percebeu que o país só sai desta se tiver uma verdadeira "ditadura da maioria", expressão que, como é sabido, causava calafrios democráticos ao dr. Soares. Amanhã, se nessa maioria entrasse o macabro PS que ele ajudou a fundar, tal conceito ficaria, apesar de tudo, esquecido entre as brumas da memória. E se, como é de esperar e de desejar, o PS for reduzido a cisco em eleições, não nos admiremos por assistirmos em breve à recuperação grandiloquente do chavão.

Já se percebeu que a Europa o que quer é que Portugal não faça mais ondas e volte a ser o bom aluno que os próceres socialistas escarneciam tão displicentemente. Deve recordar-se ao dr. Sampaio que, no estado de porcaria pantanosa a que isto chegou e que ele não denunciou a tempo, hélas!, afinal não há muito mais vida para além do orçamento. E mesmo a pouca que houver se vai pagar muito caro.

Eu, cá por mim, com a queda desta gente execrável, só posso exclamar: - Aleluia!

terça-feira, 29 de março de 2011

Mais uma máquina de movimento perpétuo

Esta não lembrava


Sócrates: "Esse preconceito da superioridade moral no que diz respeito à verdade é absolutamente inapropriado"

Declara José Sócrates:
Uma das críticas que eu faço ao PSD é o facto de se apresentar nas eleições apenas com um discurso e uma palavra: verdade. Ora bem, isso tem um sério problema. Um sério problema porque isto é absolutamente inadequado na política porque quem se apresenta apenas com a questão da verdade pretende é denegrir os outros, é apoucar os outros, é atacar o carácter dos outros, é diminuir os outros. Esse preconceito da superioridade moral no que diz respeito à verdade é absolutamente inapropriado.

O programa do PSD dizendo 'nós somos os homens da verdade' tem dois problemas. O primeiro é, naturalmente, a desqualificação do outro, que é o que pretendem fazer. Mas tem um outro, sabe? É que esses que andam sempre com a verdade na boca são os primeiros a escorregar na primeira esquina.

Se não é um caso de patologia ...

Lula ao serviço do polvo

Alguém faz o favor de explicar a Lula da Silva que o FMI, sobre o qual ele afirma nunca ter sido solução em lado algum, solucionou por duas vezes, no passado recente, as encrencas em que Portugal se meteu?

Manuela Ferreira Leite - PEC IV

Demolição natural

Uma colecção muito interessante de imagens da zona de Sendai, Japão.

Ao centro das imagens há uma divisória que pode ser movimentada para esquerda ou para a direita.

segunda-feira, 28 de março de 2011

De Sócrates-o-Despovoador

"Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI"

No Cachimbo de Magritte, por Jorge Costa:

Ninguém pode levar Sócrates a sério, a começar por ele próprio. Sócrates é o que for preciso ser para se manter no poder e nada mais. Entrincheirou-se há meses no país, cuja sorte, no seu discurso, confunde alucinadamente com a sua. Aquilo a que chama FMI, a ajuda externa menos a sua fantasmagoria, é, ou pareceria ser, a sua sentença de morte política. "Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI", declarava o manhoso profissional como na história da raposa e das uvas, há coisa de uma semana. Se Sócrates tivesse uma quantidade infinitesimal de honra, deveria consequentemente afastar-se de moto próprio com a chegada do "FMI". Este fim-de-semana, antes, ou depois. Naturalmente que não o fará. Invocará, como de costume, a Pátria. Não há desonra, mentira e sem-vergonha que a Pátria - ele - não justifique. O que torna o combate político contra Sócrates uma provação quase intolerável é o facto de ele não recusar nenhum expediente, nenhuma mentira, nenhum recurso, nenhuma armadilha, nem mesmo a segurança do país, muito menos o seu prestígio, como munição. Levará tempo a acabar. Mas acabará certamente muito mal. Isto é mais do que um desejo. É a consequência lógica de confundir a sua sorte, condenada, com a do país, que ele condena a acompanhá-lo. A separação litigiosa vai custar-lhe a fortuna toda.

"Multiculturalismo": contagem decrescente para a guerra civil

domingo, 27 de março de 2011

A verdadeira renovável


Eu diria que este gajo fala com bastante clareza e com a clareza possível.

De entre os "if's" que ele enuncia, receio bem que a verdelhada venha a inventar uma qualquer. Há tempo suficiente para engendrar um qualquer disparate e lavar com ele o cérebro dos pimpolhos-aluno. Energia barata? ... poderá lá ser. Ele haverá consumismo desenfreado, ...

Sofre de soluços?

Espicaçado pelo JS, aqui fica:

Desespero verdalho


COMENTÁRIOS DE OUTRAS BLOGOSFERAS III


Retirado do blog De Dagelijkse Standaard e escrito por Joost Niemöller:

A coligação do Ocidente, a NATO, alguns países árabes e as Nações Unidas - toda esta gente escolheu o lado dos ‘good guys’, os rebeldes líbios cheios de intenções democráticas. É assim ou não é? Pois bem, parece que a coisa não é bem assim…

Abdel-Hakim Al-Hasidi, líder dos rebeldes, admitiu numa entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, que pelo menos 25 combatentes da Al Qaida combatem do seu lado. “Tudo bons muçulmanos” segundo Al-Hasidi. Também podem ser muitos mais, destes bons muçulmanos… Kaddafi, na sua avalanche de impropérios contra o Ocidente, tinha razão numa coisa: está a lutar contra a Al Qaida. E o comandante dos rebeldes também confessou na entrevista que lutou ao lado dos Taliban no Afeganistão, até ter sido preso.

Afinal talvez não seja muito boa ideia ajudar com os nossos F-16 os rebeldes, que juraram limpar o sebo ao “judeu” Kaddafi ?

Num artigo do The Telegraph sobre este assunto, pode ler-se que a Al-Qaida conseguiu fazer entrar armas pesadas na Líbia para combater o regime de Kaddafi.

Será que depois de Kaddafi teremos o Califado na Líbia? Graças a Obama, Sarkozy e aos nossos rapazes? A probabilidade que a tão prometedora democracia se instale parece ter diminuído consideravelmente! Pedimos desde já desculpa por mais este incómodo…

quinta-feira, 24 de março de 2011

COMENTÁRIOS DE OUTRAS BLOGOSFERAS II



Comentário de Louis vd Boom no blog DDS sobre a participação da Holandsa no conflito:


Há dezenas de anos que temos guerras civis em África onde milhares de pessoas são chacinadas, e que faz contra isto o peneirento Sarkozy? Ou o soft Obama?

E nós holandeses? Qual a razão para nos metermos nesta alhada? Até a esquerda que traiu o Afeganistão aceita agora participar. Incompreensível. Mas de aqui a uns anos vão protestar quando for realmente necessário tomar medidas contra a Líbia Al-Qaidiana…

Inspirações que nos são familiares

Os últimos estudos disponíveis evidenciam uma ligação cada vez mais débil entre a dotação de capital público para infra-estruturas de transporte e a sua relação com a produtividade,

Fukushima - radiação no mar


Aqui:
There has been more detailed investigation of radioactive releases to sea, after elevated readings were taken on 22 March. Levels of iodine-131 well beyond normal regulatory limits were found about 330 metres south of the discharge channel of Fukushima Daiichi units 1 to 4. Levels of Caesium-137 were also beyond limits.

North of the Daiichi plant the levels of iodine-131 were lower, but still far above limits. This was joined by caesium-137, caesium-134, tellurium-129 and tellurium-129m.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pequeno apontamento de passagem


Dizia-se numa peça jornalística que passou há dias num serviço noticioso (SICNotícias? TVI24? RTPN? - esqueci-me, confesso...!) que o número dos sem-abrigo em Nova Iorque aumentou 34% no ano passado.
Obama certamente que não desperdiçará a oportunidade para poder falar... falar... falar... falar... não me lembro agora de quê. Fica para uma outra vez.

A propósito do Bahrein


Um outro texto de Luís Dolhnikoff, aqui.

terça-feira, 22 de março de 2011

COMENTÁRIOS DE OUTRAS BLOGOSFERAS I

Kaddafi e Ben Ali em dias mais gloriosos

Comentário de um tal DSV no blog De Dagelijkse Standaard sobre a recente participação da Holanda no conflito Líbio:

Fronteiras fechadas e trocar armas por petróleo. Esta é a receita para relações com todos os países muçulmanos…

Artur Agostinho: a vedeta não-vedeta

 
(Artur Fernandes Agostinho - 1920-2011)

Conheci Artur Agostinho e com ele trabalhei algum tempo depois de ele ter voltado do Brasil.

Era um homem educado, afável, dado à conversa, interessado por tudo, amigo de ouvir, profissional sem mancha.

Morreu talvez o último entrevistador (na qualidade de jornalista ou não) que dava absoluta prioridade ao convidado. A vedeta era sempre o convidado por mais humilde que fosse.

Extraordinária era a capacidade de Artur Agostinho em aperceber-se (com trabalho de casa sempre que possível) do melhor rumo que uma entrevista podia levar para que o convidado brilhasse e era espectacular a sua capacidade para brilhar sem brilhar, fazendo o convidado brilhar.

Fossem as condições técnicas adversas ou não, Artur Agostinho adaptava-se e navegava como se tudo estivesse bem. Era seguro e inspirava segurança. Quanto mais difícil fosse o convidado ou entrevistado, mais Artur Agostinho se agigantava fazendo brilhar quem para ele era a única vedeta presente: o convidado.

A vida avançou e fui perdendo o contacto directo com ele, mas não me parece que alguma vez ele tivesse mudado de postura.

Morreu um homem que adorava viver e vivia com alegria.

A questão líbia


A ansiedade com que os franceses precipitaram a intervenção na Líbia, as hesitações americanas, etc., têm vários racionais que passam desapercebidos ao observador ocasional.

Para começar, o propalado objectivo de “proteger os civis inocentes” é apenas uma formulação politicamente correcta, que visa simplesmente disfarçar o que está efectivamente em causa. É a maneira mais fácil de o vício prestar tributo à virtude. Na verdade nem os rebeldes são apenas “civis inocentes”, nem a situação real pode ser descrita com a caricatura de um ataque de façanhudos militares, armados até aos dentes, com aviões, carros de combate e mísseis, contra pacíficos manifestantes, mulheres e crianças.

Quem são afinal os rebeldes?

Sabe-se que há rebeldes, sabe-se que têm armas e combatem, sabe-se, pela nossa imprensa, que são dos “bons” e lutam contra a ditadura, mas não se conhece, ou faz-se por ignorar, a sua verdadeira natureza.

Contudo suspeita-se: no Concelho Nacional de Transição há, pelo menos, 7 antigos ministros de Kafadi, e os restantes não parecem ser também lutadores pela democracia, mas fundamentalmente islamistas da linha dura, ligados à Al Qaeda e a anteriores tentativas para derrubar Kadafi. Não é por acaso que uma significativa percentagem de jihadistas capturados ou mortos no Iraque, era composta por líbios, originários do leste do país, da região que os rebeldes agora controlam. O facto de tanto o Irão como a Al-Qaeda estarem do seu lado, deveria fazer acender algumas luzinhas de alarme em certas cabeças.

Se isto é assim, então porquê a ansiedade francesa e inglesa?

Efectivamente parece estranho a alguns, que países como a França e a Espanha, tão críticos da “fotografia dos Açores”, e do “belicismo”, se contem agora entre os mais entusiásticos activistas da intervenção na Líbia.

Na realidade, a sua posição, bem como a da Inglaterra e de outros países europeus, nada tem de estranho. Estes países simplesmente avaliaram mal o desfecho da revolta líbia. Tendo interesses fortes no país (a Líbia é um importante fornecedor de hidrocarbonetos), acreditaram que Kadafi cairia suavemente, na linha de Ben Ali e Mubarak, e apressaram-se a apostar no cavalo que lhes parecia ir ganhar a corrida. A França precipitou-se ainda mais e reconheceu de imediato a liderança oposicionista.

O problema é que Kadafi, não só não caiu, como reagiu furiosamente, e estava em vias de retomar o controlo total. Dado o seu carácter vingativo, se prevalecer é de esperar que doravante use as matérias primas para prejudicar os países europeus que lhe tiraram logo o tapete, trate de se armar até aos dentes, incluindo armas de destruição em massa, facilite o trânsito de imigrantes para a Europa, etc. Um pesadelo estratégico, razão suficiente para que estes países europeus se vejam colocados perante o imperativo de, a todo o custo, derrubar Kadafi.

Em suma, apostaram no cavalo errado e são agora obrigados a dar um tiro no cavalo que se apresta para ganhar.

E porquê o titubear americano?

As coisas aqui são mais complexas e o Almirante Michael Mullen tem tido grandes dificuldades em explicar racionalmente qual o objectivo estratégico que se persegue com os ataques em curso e que, de resto, constituem uma monumental pirueta de Obama, tão grande como as da França e de Zapatero, relativamente às suas posições ideologicamente olímpicas.

A dificuldade de Mullen prende-se com o facto de a política externa americana, nos últimos tempos, não parecer ter uma racionalidade óbvia. Não é ditada apenas por interesses e não é também ditada exclusivamente por valores, pelo que importa tentar perceber a cosmovisão dos decisores.

Tradicionalmente, a politica externa americana no Médio Oriente passa por assegurar o fluxo de petróleo para os mercados, aos mínimos preços possíveis, apoiando os governos que contribuam para este desiderato e lutando contra os actores hostis.

Postas as coisas com esta simplicidade, tem todavia havido ao longo dos anos algumas areias, originadas em substratos mais ideológicos e até psicológicos, que fazem avariar a engrenagem. Entre essas areias, o desejo de manter boas relações com a Europa, e a necessidade de ficar nas boas graças dos media e um idealismo neo-kantiano, tributário da filosofia politicamente correcta que domina o mundo pós-moderno.

Com Obama, são estas areias que efectivamente dominam a engrenagem isto é, deixaram de ser areias e passaram a ser a engrenagem.

Obama e a sua entourage tipo "Jane Fonda” partilham uma visão genuinamente anti-imperialista, que assenta na convicção da culpa americana e da maldade intrínseca da sua hegemonia. São pessoas formatadas no esquerdismo festivo dos anos 80 e que, agora no poder, encaram com desconforto os seus aliados na região, os quais sempre considerarem cúmplices do imperialismo americano.

É isto que explica a verbosidade agressiva de Obama contra Israel e Mubarak, e a relativa complacência para com o Irão, por exemplo.

A posição neoconservadora é também muito importante nas questões de política externa. No debate sobre o Egipto Tunísia, etc, os neoconservadores estiveram do mesmo lado de Obama isto é, foram partidários do derrube dos ditadores, embora por motivos muito diferentes. O pensamento neoconservador assenta na associação entre interesses e moralidade, pelo que tudo deve ser feito para apear ditadores e fazer avançar a democracia liberal. Não por uma espécie de idealismo wilsoniano, mas porque se entende que a democracia liberal é superior, e um mundo de democracias liberais será mais pacífico, favorável ao livre comércio e aos interesses americanos.

É uma posição inatacável em termos de ideias, mas que foi duramente testada durante a Administração Bush, tendo emergido um certo cepticismo quanto à possibilidade de as sociedades muçulmanas poderem aceder normalmente à democracia liberal, face a uma patente incompatibilidade de valores fundacionais. Mesmo o modelo turco, tantas vezes referido como exemplo, parece já não o ser tão exemplar como isso.

No caso da Líbia, obviamente os neoconservadores favoreceram a intervenção, mas Obama arrastou os pés, tergiversou e preferia não interferir, porque a Líbia não faz parte do universo mental dos “cúmplices da América”.

Quem fez pender o fiel da balança foi o campo a que poderemos chamar dos “populistas”, aqueles que, ligados a um sector importante do Partido Democrata, querem acima de tudo ser politicamente correctos e ter boa imprensa na Europa, numa necessidade psicológica de ser amados pelas hostis intelligentsias europeias.

Foi a convergência destes interesses e pontos de vista que ditou a intervenção americana

Postas as coisa nestes termos, já nada há a fazer e o que está agora verdadeiramente em causa não é a “protecção de civis inocentes”, mas sim a imperiosa necessidade de depor Kadafi, custe o que custar. Não é o que consta do mandato da ONU, mas é isso que tem de ser feito, sob pena de a Europa se ver a braços com um problema intratável no seu flanco sul.

O que não pode deixar de se constatar é que a demente politica externa americana na região, a cavalo das ideias olímpicas de Obama, está a concorrer para transformar o Médio Oriente num espaço hostil aos interesses americanos e ocidentais. O Egipto, por exemplo, acaba de aprovar, em referendo, a sharia como fonte principal do direito. O agendamento das eleições para Setembro, garante que apenas a Irmandade Muçulmana e o Partido de Mubarak (a clássica bipolarização entre islamistas e autocratas), terão capacidade para as disputar devidamente, sendo sendo pouco provável que as correntes liberalizantes tenham qualquer hipótese de se organizar em tão pouco tempo.

O guião iraniano parece estar a ser seguido ao milímetro e esse filme não acabou nada bem para os interesses ocidentais.

O MODELO TURCO É UMA FARSA


Bram Vermeulen, correspondente na Turquia do jornal holandês NRC: Aos olhos dos estrangeiros a Turquia serve de modelo para o Médio-Oriente, mas os comentadores turcos insurgem-se furiosamente contra esta imagem.

Nestas últimas semanas a Turquia estava constantemente na boca dos analistas políticos como modelo para o mundo muçulmano: democrática, secular, próspera. Convencido do exemplo turco para o agitado Médio Oriente, o presidente da Turquia, Gül, foi ao Egipto veicular a experiência turca junto dos novos dirigentes no Cairo. Mas na mesma semana o famoso jornalista turco Nedim Sener recebeu uma série de ameaças através de mail e sms: "Chegou a tua vez, meu filho. Já tens a mala feita? Tens um pijama quente para levar?” Remetente desconhecido…

Mausoléu de Ataturk em Ancara - cdr.

Sener é um dos sete eminentes jornalistas actualmente presos depois de várias razias e buscas ao domicílio levadas a cabo pela polícia a semana passada. Acusação: fazem parte de uma organização terrorista com intenção de derrubar o governo. A investigação dura desde 2007 e já foram encarceradas 200 pessoas: catedráticos, militares e publicistas. Até hoje ninguém foi condenado.

A pergunta que imerge espontaneamente com estas prisões e razias é: se a Turquia é um modelo ou exemplo para o Médio-Oriente, qual é o modelo ou exemplo que a Turquia adoptou? Um jornalista do jornal Milliyet, colega de Sener, não tem dúvidas: “há três anos atrás acreditava realmente que éramos um exemplo de democracia. Hoje estou convencido que estamos a seguir as passadas da Rússia de Putin. O que está a acontecer aqui não é digno de um país-candidato a membro da União Europeia.”

O primeiro-ministro Erdogan fez nos últimos meses discursos inflamados sobre direitos humanos no Médio Oriente. Pediu ao dirigente egípcio Mubarak para que este, nos seus últimos dias, seja um bom muçulmano e ouça o seu povo. Faz destes discursos sobre direitos humanos no estrangeiro enquanto que no seu país os curdos, os alevitas e os cristãos clamam por esses direitos. Há neste momento 58 jornalistas presos na Turquia, o dobro da quantidade que havia depois do golpe de estado de 1980. Erdogan processa pessoalmente todo e qualquer jornalista que o afronta.

A comentadora Asli Aydintasbas está bastante preocupada com a intimidação que a imprensa sofre e a crescente influência do Governo na Justiça. Segundo ela, ambos os desvios tornaram-se agora visíveis com a prisão de Sener, que se tornou sobretudo conhecido depois da sua investigação sobre o assassinato do jornalista arménio Hrant Dink. Em dois livros demonstrou que a polícia e os serviços secretos não fizeram absolutamente nada para evitar a morte de Hrant Dink. Duas semanas antes de ter sido preso, Sener escrevia que os agentes que ele acusa de negligência no seu livro, são os mesmos que agora conduzem as investigações contra uma série de intelectuais críticos em relação ao governo.

Bairro residencial em Antalya - cdr

Quando em 2007 se deu início às investigações acerca da rede ultranacionalista Ergenekon, [Ver aqui excelente artigo sobre este assunto do especialista português Fernando Gabriel: “mudar o carácter político turco, da estatização do Islão para a islamização do Estado”] que pelos vistos queria derrubar o governo, a opinião pública estava do lado da acusação. Não é a primeira vez que ultranacionalistas juntamente com generais fazem planos para destituir governos democraticamente escolhidos. Mas os nacionalistas e o exército perderam bastante poder nos últimos 9 anos. A época dos golpes de estado acabou-se.

Em Setembro deste ano a maioria dos turcos votou a favor de reformas jurídicas que permitem processar militares. No seguimento desta remodelação, foi também possível nomear juízes próximos do governo, e estes mesmos juízes estiveram de acordo em mandar prender jornalistas como Sener. “A independência da justiça está sob pressão”, afirma a colunista do jornal Milliyet Aydintasbas. Aponta como exemplo uma descomunal tributação de impostos à Editora Dogan. Ultimamente os periódicos da Dogan escrevem artigos críticos sobre a corrupção no seio do governo de Erdogan.

“Aqueles que vêm na Turquia um exemplo para o Médio-Oriente irritam-me”, exclama o comentador de política internacional Kadri Gursel. “Esta ideia serve perfeitamente os desígnios daqueles que durante décadas apoiaram as ditaduras no Médio-Oriente e que agora esperam que seja a Turquia a arrumar os cacos.” Receia que esta crença signifique um apoio à islamização da política. Com as últimas prisões criaram-se novos tabus: não abordar a islamização do estado nem a influência do islamólogo Fethullah Gülen. Um dos jornalistas ia publicar um livro sobre este assunto.

“Antigamente só era tabu escrever sobre as forças armadas ou acerca do genocídio dos arménios”, diz Gursel. “Actualmente temos que ter cuidado com temas como a corrupção no seio do governo e a islamização da via pública. Estamos perante um combate pela alma da Turquia. A diferença entre a Turquia e o Médio-Oriente é precisamente a aceitação de leis europeias e a ocidentalização das suas instituições. Temos que evitar que a nossa revolução não seja sacrificada.”

segunda-feira, 21 de março de 2011

Prós-e-Fatinha

Alguém é capaz de dizer a Fátima Campos Ferreira que deve deixar as pessoas concluir o raciocínio próprio sem que ela meta o bedelho e buchas a meio da conversa tentando torcer o raciocínio do convidado rumo aos desígnios dela?

Bonanças ... III

A comunicação social controlada pelo governo, RTP, TSF, etc, voltou hoje à carga com a cena da acalmia.

Há uns dias a acalmia era esta. Hoje é esta (gráficos actualizados).

A marcha do carro funerário prosseguirá assim que o pneu furado tenha sido substituído.

Adeus Sócrates


A realidade é como o azeite, dizem. Vem sempre ao de cima.

Sócrates está, nos últimos tempos, a receber na testa a realidade que tentou cuspir para o ar, ignorando a gravidade e os ventos.

É a face amarga do poder.

Sócrates fez de si mesmo o retrato do socialista iluminado, determinado e confiante, que sabe o que é melhor para todos e está disposto a arriscar o nosso dinheiro na prossecução da sua formidável convicção. Na sua retórica bem intencionada, o futuro foi sempre brilhante, como sempre foi normal nos avatares socialistas com que a História castigou inúmeros povos. Ele era o “estado social”, a “educação centrada no aluno”, o “serviço nacional de saúde” justo e universal, a energia verde, o plano tecnológico, as estradas gratuitas, o TGV como cereja no topo do bolo, enfim, tudo para todos, como no maravilhoso mundo de Alice, onde todos têm prémio.

A realidade para lá do ícone mostrava outras coisas: mostrava um hedonista de gostos caros que vestia Armani, se refastelava nos melhores restaurantes, e se rodeava de luxos, sempre à conta do contribuinte (na muito mais rica Albion, o seu homólogo Gordon Brown teve até de pagar do seu bolso, os pequenos-almoços que tomou no nº 10 da Downing Street.); mostrava um indivíduo irascível, arrogante e agressivo, vingativo para com os que o afrontavam, paternal e generoso para com os que o adulavam e pelos quais distribuía fartamente os favores do Estado.

Enfim, um pequeno Kadaffi, cujo carisma admirava, quiçá por ser tão parecido com ele, e que só não emulava porque calhou nascer num país com instituições e onde o poder tem limitações formais.

A realidade caiu-lhe finalmente em cima e nada mais lhe resta do que pragmaticamente tentar manter o poder, rejeitando tudo aquilo que dizia (e continua a dizer) defender.

Num mundo perfeito, na terra do Nunca, bastariam as boas intenções, os elevados propósitos e a retórica dos bordões da correcção política. Mas o mundo real, complexo, desordenado, sujeito à resultante das forças da sorte, do azar e das vontades divergentes dos homens, é inamovível perante conversa fiada de indivíduos que parecem ter estagnado na adolescência das ideias, algures entre Woodstock, os Amanhãs que Cantam e as cantigas da Floribela Abreu.

Infelizmente para José Sócrates, a sua chegada à realidade, o seu ritual de iniciação à idade adulta, corresponde também à sua despedida.

A clássica pirueta que, por exemplo, Durão Barroso deu há muito mais tempo e a tempo, fez-se tardar em Sócrates que, teimoso até ao quixotismo, insistiu no erro, mesmo quando toda a gente já tinha percebido que era um erro.

Sócrates vai ser enxotado do poder, porque já nem o seu próprio partido o pode ver transformado no contrário de si mesmo. Ironicamente os seus maiores erros não são os de agora. Os seus erros fundamentais foram os do princípio, a superficialidade, a mentira, a insensatez estatista, o despesismo voluntarista, o clientelismo, os tiques controleiros, a tomada de assalto da máquina do Estado pelos amigos, o empenhar das gerações futuras em função de megalomanias iluminadas.

É a contradição entre esse passado e este presente, entre a retórica e a realidade que o revela como um político sem princípios éticos, capaz de fazer, sem qualquer sobressalto, uma coisa e o seu contrário

Talvez nem ele mesmo esperasse que uma realidade que sempre insistiu em negar, ao mesmo tempo que fazia a dança da chuva que a chamava, o demolisse tão desapiedadamente.

Fim de linha, caro José Sócrates. E já vai tarde.

Directamente para o caixote do lixo da nossa História.

Windscale Nuclear Disaster



Informação sobre Fukushima: WNN, MIT NSE Nuclear Information Hub.

domingo, 20 de março de 2011

Penico

Eu pensava que os detentores de cargos políticos se deslocavam em carros de substancial cilindrada e aparato por razões de segurança.

Vendo o nosso(!) Primeiro Ministro deslocar-se num cangalho de dar à corda, parece-me razoável que se vendam todas as viaturas de cilindrada do Estado e se distribuam Fiats Punto, Toyotas Yaris etc.

Aos pais a quem sirva a carapuça

No blog A Educação do meu Umbigo.

Tradução Eduquês -> Português:

transmissão de regras e de valores -> ensino de regras e valores

diminuindo-lhe a capacidade de desenvolver competências -> privando-os da possibilidade de aprender

apresentam dificuldades -> têm dificuldade

a perturbação de mau comportamento -> mau comportamento

síndroma de filhos socialmente mal formados (eduquês socialista) -> comportamento de filhos de papás que se deixaram convencer que quem educava era a escola

formação social (eduquês socialista) -> educação 

Mais difícil é a competência para os educar -> Mais difícil é educá-los.

Este texto pretende ser bruto e directo, já que muito se tem escrito procurando palavras politicamente correctas e nada se tem conseguido.

Educar um filho não é: fazer-lhe todas as vontades, nunca o contrariar, atafulhá-lo de brinquedos e prendinhas, dar-lhe razão quando ele não a tem….

Educar implica sempre a transmissão de regras e de valores. E isto é, em primeiríssimo lugar, função da família. Não esperem os papás e as mamãs que a escola faça o milagre de educar crianças que já há anos andam deseducadas.

Pais há (e mães, entenda-se) que lamentam a triste sina do filho a quem calhou na rifa um professor ou professora que pretende que o menino trabalhe, que aprenda a comportar-se na sala de aula e no recreio, que saiba respeitar os colegas e os adultos. Enfim, coitadinha da criança, perante tal exigência.

Há mesmo quem, para salvar os filhos de tamanha desgraça, os troque de escola, uma vez e outra… Até que surja um professor que deixe o menino fazer o que bem entenda – ainda que isto possa significar ele não fazer rigorosamente nada durante todo o dia – e que lhe dê boas notas não merecidas, aumentando-lhe a auto-estima, mas diminuindo-lhe a capacidade de desenvolver competências. Quando isto sucede, ainda que os papás fiquem muito contentes, estamos perante um sistema de educação falido.

Óbvio é que há crianças que efectivamente apresentam dificuldades, quer a nível cognitivo, quer a nível emocional. Mas, quanto a diagnósticos, as grandes epidemias que por aí se verificam são, sem dúvida, o distúrbio de má educação, a perturbação de mau comportamento e o síndroma de filhos socialmente mal formados por pais cuja formação social também deixa muito a desejar.

A possibilidade de ter filhos deveria ter algum dispositivo regulador extrabiológico, porque fornicar e fazê-los é relativamente simples. Mais difícil é a competência para os educar.

A má educação permanente caminha a passos largos para o desajuste social e a pré-delinquência. Estas crianças passam temporariamente por professores, animadores de tempos livres, técnicos, etc…, mas serão toda a vida filhos dos seus pais. E, num acesso de humor negro, apetece-me dizer: bem-feito! Porque serão os pais os que mais colherão o que tão mal semearam.

Pais há vários, mas com vocação para tal há poucos. E estes filhos, para crescerem e poderem tornar-se cidadãos responsáveis, mereciam pais melhores.

P.V.

Carta de dose de radiação

Informação: WNN, MIT NSE Nuclear Information Hub.


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Porra!

A natureza segue o seu caminho.

sábado, 19 de março de 2011

Da pêra ... amarga

Já nem me lembro se o Haiti também foi assolado por um maremoto, mas o Japão, há uma semana, foi-o por um terramoto e por um maremoto.

O Japão tem umas 50 centrais nucleares que dão apoio ao seu modo de vida. A natureza atacou e eles estavam preparados para a defesa na medida do previsível.

Muito embora tenha ocorrido alguns milhares de mortos, estavam preparados para a defesa e para colar os cacos e dessa cola fazem parte as dezenas de reactores nucleares (e muita tecnologia que eles se permitem fazer funcionar) que, com mais ou menos soluços, voltarão ao serviço.

Ter reactores implica riscos. Por muito perfeita que seja a tecnologia, o risco está presente e é do conhecimento geral que um dos riscos é gordo: o rebentamento do núcleo do reactor para a atmosfera.

Mas a vida tem destas coisas. Há riscos que têm (ou não) de se correr e vantagens (ou desvantagens) decorrem de se desafiar o risco.

O Haiti é um protótipo de país, subdesenvolvido e onde a natureza segue o seu caminho mais primitivo. Ocorreu um terramoto e o número de baixas foi para cima de 100.000? 200.000? alguém sabe?

E quantos mais virão a morrer de fome e doenças, às mãos da acção da mais pura natureza, "livre" de energia nuclear?

Não se deve estar longe da verdade se se disser que morreu e virá a morrer (pelo mesma razão, hoje um pouco remota) tanta gente no Haiti quantas as mortes pelas bombas de Hiroshima, de Nagasaki e nos bombardeamentos a Tokyo, com armamento convencional.

É à sombra desse equilíbrio a que correspondem tomadas de decisão de rachar ossos, que os japoneses têm conseguido viver no território que lhes coube, o os haitianos não. Claro que pelo Haiti e Haiti's deste mundo também uns quantos amantes da livre natureza e do livre regime onde se ocorreu Chernobyl, espalham a desgraça de muitos e luminosos terramotos e tsunamis.

...

Entretanto, na central de Fukushima ocorreu um óbito. Quando ocorreu o terramoto um trabalhador de uma grua estatelou-se no chão.

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Mesmo a calhar, este comentário de JM:
Permita-me acrescentar uma ligação para um artigo recente e esclarecedor porque se baseia em factos em vez de histeria:

http://tech.mit.edu/V131/N14/yost.html

Uma semana depois continua a não haver palavras para descrever a reacção do povo japonês. As notícias que nos chegam são extraordinários exemplos de como viver em sociedade, e de desprendimento para ajudar o próximo, e onde até a máfia japonesa se revela uma máfia diferente (cf artigo na Sábado desta semana). Parecem aliens neste planeta... Caíram, puseram-se de pé, levantaram os ombros, ergueram a cabeça, e seguem em frente, sem choros e histeria, mas com trabalho, trabalho duro, que foi assim que construíram um país com um dos melhores níveis de vida do mundo. É isto que ensinamos aos nossos filhos quando as coisas correm mal. Confesso que como pai não consegui atingir este aprumo, e embora isso me envergonhe, não é por causa disso que vou deixar de tentar copiar o modelo.

Para os histéricos de serviço:

Good news from Japan: Situation ‘fairly stable’, says IAEA
The situation at the Fukushima Daiichi nuclear powerplant in Japan, badly damaged during the extremely severe earthquake and tsunami there a week ago, continues to stabilise. It is becoming more probable by the day that public health consequences will be zero and radiation health effects among workers at the site will be so minor as to be hard to measure. Nuclear experts are beginning to condemn the international hysteria which has followed the incident in increasingly blunt terms.
[Realces meus].

sexta-feira, 18 de março de 2011

Adivinhem quem vai pagar o "sucesso"

Nota: este conjunto de gráficos, originalmente publicado a 18 de Março de 2011, mantém-se automaticamente actualizado.

A 2 anos:
A 3 anos:
A 4 anos:
A 5 anos:
... a 10 anos:

O nosso socialista governo, amante da redistribuição, da fraternidade, da solidariedade, da igualdade e de gastar o que não lhe pertence para financiar os mais ruinosos desígnios, está a ter um tremendo "sucesso".

Chernobyl


Conjecturas


A razão pela qual Sócrates tem pavor da entrada do FMI poderá ser o facto de este ir de certeza desmantelar os negócios ruinosos do Estado e de se acabar a mama de muitos boys. Mais facilmente ele entrega o poder à oposição do que deixar entrar incorruptíveis a fazer a higienização financeira do Estado.

Mas sou eu a conjecturar...

Jailware


No Cachimbo:
Não é bem verdade que tenham de terminar em derrota. Verdade, verdade é que não têm mesmo de terminar em destruição, desonra e relegadas à memória maldita. Como é o caso. Infelizmente quase nenhuma termina na cadeia.

Multa-vapor

Em informática chama-se vaporware.


Via Belas-fêmeas.

MEDO DAS RADIAÇÕES...


Joost Niemöller, hoje no blog De Dagelijkse Standaard:

Pessoalmente sou adepto de energia nuclear. Não temos outra hipótese. Tudo é melhor que estar dependente do petróleo. Mas enquanto os adeptos de energia nuclear não conseguirem entender o que significa o medo das radiações, nem explicar de forma convincente como enfrentar esse medo, estarão sempre a perder nesta discussão…

quinta-feira, 17 de março de 2011

Radiação em Fukushima


Conviria a malta ir lendo o MIT NSE Nuclear Information Hub. O Joaquim Simões vai também fazendo serviço público.

Entretanto a SIC vai anunciando explosões nucleares cataclísmicas.

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A note about predictions of future radiation doses: in recent days a map has circulated the internet, purporting to predict high doses to the Western U.S. This map bears the seal of the Australian Radiation Service, which did not produce it.

Clicar para ver melhor

Mais de afins que de sistema judicial ou vice-versa?

Perante mais uma distracção generalizada da comunicação social, convém dar nota que o JS e Nicolau Saião não dormem em serviço:


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ISTO ESTÁ TUDO MALUCO...

Cena do filme: One Flew over the Cuckoos nest.

Leitura obrigatória, era a frase que introduzia e acompanhava o texto!

Estou inteiramente de acordo com o texto enviado por uma amiga do Porto, mas o médico psiquiatra Pedro Afonso comete logo de início um erro de lógica que diminui consideravelmente a obrigação da leitura! Isto porque o doutor acha que “quem usa números e estatísticas se esquece que a sociedade é feita de pessoas”! Creio que o senhor doutor se esquece que é tecnicamente possível ser a Mãe Teresa e uma barra em matemática…

Começa por dizer "Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas." para logo a seguir se servir de NÚMEROS e ESTATÍSTICAS para dizer:

"ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida."

Ora, sem números e estatísticas o Senhor doutor não poderia ter escrito o seu cri de coeur. Teria ficado a mastigar a frase com que iniciou todos os seus parágrafos:

“Interessa-me a saúde mental dos portugueses”

....mas como não tenho dados fiáveis, apenas percepção pessoal, não posso avaliar a ponta de um corno… Isto está tudo maluco…

De barões

quarta-feira, 16 de março de 2011

Andamentos da Tonteria Socialista



Bahrein, Irão e Arábia Saudita


Entre os ecos épicos das “revoluções” árabes, as imagens avassaladoras do cataclismo japonês e as peripécias socratinas que nos vão empurrando para a miséria socialista, um acontecimento de primeiríssima grandeza está a ser incubado no Bahrein, esse pequeno país empoleirado sobre imensas reservas de hidrocarbonetos, na linha da frente entre a Arábia Saudita e o Irão, na falha telúrica entre o sunismo e o xiismo.

Neste pequeno país neutral, onde a família real sunita dos Al-Khalifah reina há séculos sobre uma população de 700 000 pessoas, a maioria das quais imigrantes e com uma forte percentagem de xiitas, os grandes poderes da zona começam a mover os peões de um jogo que poderá não acabar bem.

As “revoluções” árabes, tão aclamadas por uma entusiástica quanto delirante intelligentsia ocidental, sempre disposta a projectar nos outros as suas próprias utopias infantis, estão a revelar, à medida que a poeira assenta, realidades nada condicentes com as elevadas expectativas dos progressistas de serviço: no Egipto tudo como dantes, um homem forte tomou o lugar de outro e veremos se as eleições não complicam ainda mais, trazendo para o poder os loucos de Alá, ; na Líbia, como eu próprio tinha previsto, tudo pior do que antes, com o mesmo louco no poder, mas agora enraivecido e disposto a tudo.

O que se passa no Golfo (Pérsico para uns, Arábico para outros), é um jogo muito mais perigoso. O Irão move os seus peões. Tem estado por detrás das revoltas, há dias projectou forças navais para o Mediterrâneo, e continua a fornecer, com a ajuda da Síria e da Turquia, armas cada vez mais sofisticadas aos seus proxies (ontem mesmo a marinha israelita capturou um navio vindo da Síria e da Turquia, carregado com mísseis anti-navio e toneladas de armas e munições iranianas).

A Arábia Saudita respondeu ontem, deslocando forças militares e policiais para o Bahrein onde está instalada, recorde-se, a 5ª Esquadra americana. Trata-se de um movimento de grande alcance. Revela que os sauditas já não confiam na determinação americana para fazer frente aos avanços iranianos e que estão dispostos a tudo para defenderem os seus interesses.

O problema não é o Bahrein, mas sim a própria Arábia Saudita a terra onde nasceu o Islão, onde não há lugar para qualquer outra religião, governada por uma casta corrupta e fechada à inovação e à modernidade dos costumes e dos valores.

A Arábia Saudita que, tal como o Irão, tem usado o dinheiro do petróleo para exportar para todo o mundo a sua versão fundamentalista do Islão.

O que se passa no Bahrein e no mundo muçulmano não é pois, como os tontos embebidos em pós-marxismo acreditam, uma luta de classes entre opressores e oprimidos, exploradores e explorados, democracia e autocracia. A realidade é outra e muito mais telúrica que o lirismo destas “explicações”.

É uma realidade determinada sobretudo pelos imperativos da geografia, da religião e da política.

É um jogo mortal cujos movimentos se estão a acelerar.