domingo, 31 de julho de 2011

"As lições de Oslo"


... é o título deste novo texto de Luís Dolhnikoff:


1. A boa lição de um mau cristão (ou de um cristão mau)

O trabalhista norueguês Thornbjoern Jagland, atual secretário-geral do Conselho da Europa, vê “uma boa lição” a tirar da dupla tragédia de Oslo e de Utoya: “Há uma obstinação em ver uma equivalência entre o terrorismo e o islã como religião”, ele diz. “Ora, o assassino se define como cristão. E por isso se deduzirá que existe um terrorismo cristão, ou cristianismo radical? Essa tragédia tem o mérito de mostrar que um terrorista só tem uma religião: a de eliminar aqueles que têm uma crença diferente da sua” (Marion Van Renterghem, “Os muçulmanos de Oslo estão chocados, mas aliviados por não serem estigmatizados”, Le Monde, http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/2011/07/30/os-muculmanos-de-oslo-estao-chocados-mas-aliviados-por-nao-serem-estigmatizados.jhtm.

Um dos principais (e dos mais previsíveis) efeitos dos atentados de Oslo é certa pressa da esquerda, dos multiculturalistas e dos muçulmanos a fim de “provar” a inocência (em mais de um sentido) do islã. Volta a ganhar força a afirmação de que o islã é apenas uma religião como qualquer outra, eventualmente sequestrada por um bando de fanáticos, aliás instigados por ações pérfidas do próprio Ocidente. Isso é verdade. Mas não é toda a verdade.

O islã é, de fato, uma religião como qualquer outra. E isto inclui uma profunda aversão congênita à modernidade, à democracia, à sociedade aberta, à liberdade de expressão, à igualdade de gêneros, pois a religião existe para ser conservadora, ou seja, para conservar as tradições, não para questioná-las, a fim de assim conservar seu papel de guardiã da verdade e da salvação. As grandes religiões do Ocidente, num arco histórico que vai dos atos anticlericais da Revolução Francesa, no fim do século XVIII, aos atos anticlericais da guerra civil espanhola, no início do XX, passando pela reforma protestante, pela instituição da liberdade de culto e da laicidade do Estado, para não falar da crítica sistemática da filosofia a partir do Iluminismo, foram submetidas à modernidade, e forçadas a se reformar para conviver com a sociedade civil, laica e aberta. As leis religiosas não têm mais força de lei. Nada disso vale para o islã.

Não vale para o islã nos corações e nas mentes de seus praticantes, não vale para o islã nas práticas sociais e familiares, não vale para o islã em sua visão de mundo. Homens não usam véus. Mulheres não vestem a igualdade de gênero.

Outra confusão deliberada diz respeito ao terrorismo. O terrorismo clássico, anterior ao terrorismo de massa islâmico ao estilo da Al Qaeda, era um instrumento político. O IRA matava soldados e policiais ingleses na Irlanda para tentar expulsar a Inglaterra e obter a independência; o mesmo vale para os atentados do ETA na Espanha em relação ao País Basco. Isso nada tem a ver com o terrorismo de massa. A Al Qaeda não atacou Nova York para forçar Israel a sair da Cisjordânia (os palestinos jamais estiveram no centro de suas preocupações), ou para forçar os EUA a saírem do Iraque e do Afeganistão (os EUA não estavam no Iraque e no Afeganistão quando dos ataques a Nova York). O objetivo do terror de massa é o terror.

Numa mudança radical em relação ao terrorismo clássico, que era um meio, o terror de massa é um fim. Ao menos em termos táticos. Ou seja, não se trata de uma ação tática visando um objetivo político claro e verosímil qualquer, por mais difícil. O terrorismo de massa mata em massa por dois motivos. O primeiro, porque pode; o segundo, porque quer.

Pode, em função de seu idealismo. E aqui não há qualquer conotação positiva, mas denotativa. O idealismo é, fundamentalmente, a crença na existência de verdades abstratas, perfeitas, atemporais, ou seja, separadas da realidade empírica, que não necessitam, portanto, se submeter a ela, mas devem, por outro lado, tentar moldar essa realidade a si próprias. Toda religião é, por definição, um idealismo (foi Nietzsche, se não me engano, quem definiu o cristianismo como platonismo para pobres de espírito). Daí o terrorismo de massa querer matar em massa: pois acredita ser esse, justamente, um bom caminho para tentar forçar a realidade a se submeter às suas verdades ideais. As maiores e piores guerras na longa história de guerras da Europa – até o século XX – foram as guerras religiosas. E no próprio século XX, o idealismo foi uma das forças principais por trás das duas grandes guerras mundiais: o nacionalismo no caso da Primeira, o nazifascismo no caso da Segunda. O idealismo é perigoso porque se julga mais realista do que o rei, no caso, a própria realidade.

Portanto, o fato de o terrorista de massa norueguês não ser muçulmano, mas um cristão conservador, xenófobo e fascista, significa apenas que o idealismo cristão e o fascista, apesar de suas respectivas derrotas históricas ao longo da história moderna e contemporânea, não estão mortos. Mas isso não serve e não pode servir de consolo quanto à existência de outros idealismos perigosos. O fato de haver terroristas de massa cristãos não significa que eles têm, de repente, o monopólio do terror. Apenas se soma mais um perigo à existência de outros idealismos militantes e perigosos, como aquele ligado organicamente ao islã.

Não levar em conta o perigo do neofascismo europeu é um erro mortal, como os atentados de Oslo demonstram. Fazer disso uma desculpa para livrar o islã de críticas à sua própria intolerância é, mais uma vez, defender a cegueira militante do multiculturalismo, a tolerância com a intolerância, desde que esta seja “alheia”, ou seja, “culturalmente” justificável, respeitável ou o que seja. Mas o que os atentados de Oslo na verdade comprovam, mais uma vez, é que não existe a intolerância alheia, porque a intolerância não é alheia à tolerância que marca as sociedades ocidentais. Os pacifistas, no fim, morrem nas mãos dos belicistas. Os tolerantes, no final, morrem nas mãos dos intolerantes. A intolerância com a intolerância é a única defesa da tolerância. Seja ela a intolerância fascista europeia ou a intolerância religiosa do islã.

2. Corrigindo a lição sobre o mau cristão (ou sobre o cristão mau)

Identificado pela mídia como "fundamentalista cristão" ou como protestante tradicionalista, Breivik [o assassino de Oslo] não cita a Bíblia nem personagens do Velho Testamento [em seu manifesto publicado na internet] e se concentra noutro referencial ideológico. Suas principais obsessões são o ódio aos muçulmanos, ao multiculturalismo e à mestiçagem étnica e cultural que, segundo ele, são protegidas pelo "marxismo cultural" e pelos trabalhistas noruegueses. Ora, estes delírios, por mais maníacos que sejam, também alimentam movimentos de extrema-direita em vários países europeus.

Neste contexto, na França, onde o partido de extrema-direita Front National é um dos mais estruturados e eleitoralmente mais fortes dentre os que se alinham ao extremismo europeu, o debate sobre a tragédia da Noruega tomou uma feição particular. Qual o impacto da propaganda anti-islâmica do Front National na criação de um clima hostil, e de eventuais atentados, contra os muçulmanos franceses? (Luiz Felipe de Alencastro, “A tragédia da Noruega e a extrema direita europeia”, http://noticias.uol.com.br/blogs-colunas/colunas/luiz-felipe-alencastro/2011/07/30/a-tragedia-da-noruega-e-a-extrema-direita-europeia.jhtm

A propaganda talvez tenha algum impacto. Mas os fatos, com certeza, têm muito mais.

Na Holanda, um descendente da Vincent Van Gogh, o cineasta Teo Van Gogh, foi morto com uma faca no peito em plena luz do dia: a faca foi também usada para fixar em seu peito uma carta, na qual o assassino, um muçulmano holandês, o acusava de ser um blasfemo, um ofensor do islã, além de ameaçar de morte uma integrante do parlamento (que acabou por se exilar nos eua). Por todo o continente europeu, com destaque para a França e a Suécia (pasme-se), um grande aumento de ações e manifestações antissemitas é causado não por integrantes da extrema-direita, mas por muçulmanos. Nas escolas estatais de toda a Europa, alunos islâmicos reclamam das aulas de educação física mistas, e se recusam a frequentar aulas de biologia em função de negarem o darwinismo, e aulas de história europeia moderna por negarem o Holocausto. Charges de Maomé publicadas em jornais resultam em ameaças de morte aos desenhistas. O romancista anglo-indiano Salman Rushdie foi obrigado a viver décadas sob proteção policial, após ter sido condenado à morte pelo aiatolá Khomeini, em função de haver escrito um livro. Mulheres mortas por “honra”, casamentos arranjados de adolescentes, homofobia... A lista é infindável. Porém insuficiente para que Alencastro em particular e os comentaristas de esquerda em geral façam a seguinte pergunta: o quanto a intolerância islâmica assusta os cidadãos médios europeus ocidentais, e o quanto isto está alimentando os partidos de extrema-direita?

Ao fugirem de tal questão, por ser politicamente incorreta, a esquerda vai tapando o sol negro da intolerância islâmica com a peneira furada do multiculturalismo e da tolerância cega, enquanto os raios que sobram cuidam de alimentar as sementes da confusão e do medo.

Porque ainda é Domingo: The Who -Tommy

Já gostei mais e a imagem é má. Mas é uma referência histórica.

A gravação de imegem e som é (relativamente) recente

VIOLÊNCIA NÃO É A RESPOSTA...

Violence is not the answer. Pat Condell sobre o drama da Noruega.



(...)

Violência não é a reposta. Nunca é a resposta. (... ) Todo aquele que use ou defenda a violência para qualquer razão política é meu inimigo. Sem qualquer excepção.

(...)

Estou bastante curioso em saber quantos imãs vão ser condenados por incitação ao ódio depois da próxima atrocidade muçulmana?

Quem criticar o Islão ou o multiculturalismo não é de maneira nenhuma responsável pela acção deste lunático. E as críticas não perdem qualquer validade: o Islão continua a ser uma ideologia totalitária que ameaça activamente a nossa liberdade, o politicamente correcto continua a ser, SIM, marxismo-cultural, e o multiculturalismo é uma mentira….

NASA: À redescoberta da Física

It now looks like NASA has also realized that ice doesn’t melt at -30C.

...

NASA Research Reveals Antarctica Ice Sheet Melt Just A Fraction of Climate Model Predictions

...

E, finalmente, a cereja no bolo: a natureza não reconhece o "efeito de estufa"
New NASA Data Blow Gaping Hole In Global Warming Alarmism

Já há muito tremo que Richard Lindzen tinha deixado, preto no branco, que as contas estavam todas engatadas.


A verde, Richard Lindzen, em medições realizadas no mundo real, demonstra que o aumento de temperatura leva a um aumento da saída de calor do planeta. Os aquecimentistas, em múltiplos estudos realizados em modelos computacionais, afirmavam o contrário.

Leitura complementar (não esquecer os comentários):
Como de enlatam cientistas numa "causa" 
Da desconstrução do "aquecimento global"


Another one bytes the dust (2)

sábado, 30 de julho de 2011

Nivaldo Cordeiro - Check mate para Obama

Com estes amigos não precisamos de inimigos...

No seguimento do drama norueguês, Haakon, o príncipe herdeiro, sentiu-se na obrigação de visitar uma mesquita! Porque não limitar-se à sede do Partido Social Democrata? O Primeiro-Ministro norueguês não podia ficar atrás e também foi ao raio da mesquita. Pregou tolerância, democracia e abertura! Coisa que, noutra altura, teria sido interpretado pelos muçulmanos como uma provocação: o Islão reprova categoricamente estes conceitos modernaços e prá frentex, assim como comer carne de porco, beber al-kuhul e mulheres que só tranzam com quem querem.

Convenhamos, o crime atroz de Anders Breivic vem atrapalhar consideravelmente a justa luta contra o Islão, mas os nabos da Fox News, com as suas leituras aberrantes de um cristianismo lá muito deles, em que o pobre do Cristo certamente não teria lugar, ainda complicam mais as coisas! “Breivik is not a Christian, a Christian doesn’t do such a think”: a desastrada tentativa do Bill O’Reilly é realmente pior do que cuspir na sopa e foi aqui brilhantemente desmontada pelo ‘comedian’ Jon Stewart. É claro que os sites esquerdistas não deixaram passar a coisa (em Portugal: Jugular e Arrastão), e fizeram eles muito bem, pena não serem consequentes e censurarem consequentemente um outro ‘comedian’, o Pat Condell, quando este desmonta a falácia do Islão…

Multiculturalismo

Para aqueles que defendem o multiculturalismo e que acham que o Islão não é uma ameaça, aqui fica um excelente programa inglês, chamado "Undercover Mosque - The return".

Este programa mostra como o radicalismo islâmico, financiado principalmente pela Arábia Saudita, é ensinado nas principais mesquitas britânicas.

1-5
http://www.youtube.com/watch?v=oc7PqjD_S3s
2-5
http://www.youtube.com/watch?v=wrgyMZRdmwk&feature=related
3-5
http://www.youtube.com/watch?v=NBSvExX_Nhc&feature=related
4-5
http://www.youtube.com/watch?v=HXz0B_j9eHI&feature=related
5-5
http://www.youtube.com/watch?v=rdpCOaJuBx4&feature=related

O mais engraçado é ver os próprios radicais islâmicos a desmentir os seus amiguinhos da esquerda.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

The Complete Infidel's Guide to the Koran





In The Complete Infidel's Guide to the Koran, Robert Spencer brings to light the facts and details Muslims and mainstream media wish to keep out of sight. The Koran instructs Muslims to kill non-muslims, but the news won't tell you that. The Koran permits a man to beat his wife (and even tells him how!), but the media won't tell you that. The Koran demands that Christians, Jews, and all non-muslims pay a tax to Muslim leaders to show subjection - but the media won't share that with you either.

Trampa de ciência

 

 

 

Is 'Hockey-Stick' Due To Sheep Crap? Study Finds That Animals Influence Tree Ring Growth More Than Temperatures


Via Climate Depot

A retiring professor


Professor Roger Bowley

Comentário de Go_dot ...

... relativamente a este post de O Lidador.
RioD'oiro disse...
Na Alemanha, aqui há uns tempos, queriam salas de culto dentro das escolas que NÃO poderiam ser partilhadas com os "sionistas". E horários que permitissem a "oração" na altura apropriada.



Caro RdO, esse tipo de implementações abundam nas universidades e institutos superiores holandeses. Não raramente, propostas por holandeses entusiastas do multiculturalismo, com um fino sentido de antecipação.
Começou, que eu saiba, também pela exigência de um local de culto exclusivo, dentro da universidade. Hoje nos refeitórios universitários é obrigatório servir refeições que observem as regras islâmicas de confecção. O problema é que não para aí.
Recentemente, um professor catedrático, foi impedido pela direção da universidade de ler um texto, sobre o multiculturalismo, por ser demasiado polémico para a comunidade islâmica. Outra, um escritor Belga teve de interromper e abandonar uma palestra sobre o mesmo tema , por razoes de segurança. Os alunos islâmicos não estavam de acordo com a mensagem e ameaçaram usar a violência, caso a palestra continuasse.

O premio do ridículo é para uma das freguesias de Amesterdão que optou por retirar a cruz da mitra do “Sinterklaas” (uma espécie de pai natal holandês) para não ofender susceptibilidades. Ou, que dizer de um dos institutos superiores também de Amesterdão que aboliu as decorações de natal, mas propõe comemorar a festa do açúcar.

Não tenho uma lista preparada, mas acredite a lista é longa e vai continuar a aumentar.

O Fiel-Inimigo, as Misérias do Capitalismo Financeiro, e o Amanhã Radioso

Temos um webmaster que recebe uma pipa de massa adiantada todos os anos para gerir o estaminé, como se não lhe bastasse o dinheiro enviado pela CIA. O certo é que o homem já é latifundiário e com agricultura toda mecanizada com certeza porque diz que faz tudo sozinho na propriedade. Portanto, nem sequer dá emprego a proletários.

Entretanto, eu não consigo colocar comentários nem sequer consigo que o latifundiário capitalista e explorador de máquinas agrícolas de tecnologia de ponta responda aos e-mails que lhe envio.

Resumindo, as consequências da crise do capitalismo financeiro mundial e o estrebuchar do imperialismo começam a fazer-se sentir no FI.

O que vale é que a sociedade capitalista caminha a passos largos para o seu fim. Depois vem uma sociedade socialista em que o webmaster do FI vai partilhar a propriedade do latifúndio e os frutos do seu trabalho com os proletários a quem agora nega o emprego. Como entretanto o latifundiário desenvolveu competências, ele só estará obrigado a partilhar a propriedade e os frutos do trabalho; o trabalho pode continuar a ser só ele e as máquinas agrícolas a fazer, afinal estaremos numa sociedade socialista, mais justa e avançada. Já agora, as máquinas de tecnologia de ponta também passarão a ter direito a férias com refeições pagas financiadas pelos mercados financeiros internacionais que ainda não tenha sido possível “dobrar”, assim tipo à grega.

No que respeita à intendência do blog, o webmaster vai passar a trabalhar de borla como punição de anos de atividades anti-revolucionárias a soldo da CIA. Como então estaremos numa sociedade socialista, a única coisa que se pode manter é a qualidade de resposta aos outros postadores. Seja como for, por essa altura a questão não se coloca porque os postadores estarão todos internados em campos de reeducação. Isto inclui o Carmo da Rosa que tem de ir reciclar aquilo que aprendeu sobre o socialismo na juventude: é que agora os automóveis elétricos, os animais e as máquinas de tecnologia de ponta passaram a ter direitos iguais aos dos outros humanos.

MULTICULTURALISMO E ISLÃO…


Parte do discurso do jornalista marroquino Pascal Hilout proferido em Paris durante o Congresso sobre a Islamização da Europa em Dezembro de 2010. Quem carregar neste link pode ouvir o discurso completo em francês com legendas em português.

O Islão é um conjunto de ideias totalitárias com o único objectivo de regulamentar todos os aspectos da vida dos crentes. Instiga-os a usar de todos os meios de persuasão e de coacção para converter o mundo inteiro à única religião: ao Islão.

Este pensamento totalitário e esta prática expansionista têm que ser combatidos da mesma maneira e com a mesma determinação que todas as ideias fascistas e que todas as ideologias totalitárias.

Nas sociedades onde o Islão se instala, a liberdade, a solidariedade e a fraternidade vão ser sugadas, esvaziadas do seu significado e, a pouco e pouco, disfarçada de prática religiosa, estes três princípios da nossa democracia e da nossa república vão sofrer restrições.

Desta forma a laicização transforma-se num sistema totalmente vazio, onde o Islão prospera e debilita quotidianamente outros valores ainda mais fundamentais, aproveitando-se da neutralidade bem-intencionada, cínica ou simplesmente calculista de políticos para impor a sua lei no seio da comunidade.

Os muçulmanos de França e do resto da Europa sabem perfeitamente que a lei numérica é-lhes favorável, e esta lei numérica vai fazer com que estas prescrições islâmicas a que eles obedecem, assim como as práticas quotidianas que daí resultam, vão acabar por se impor a toda a comunidade…

É apenas uma questão de tempo, de algumas gerações. É esta trajectória que nós temos que parar, AGORA. De maneira nenhuma deixar para amanhã. É preciso ser cego para não ver o que se passa em França, na Europa e um pouco por todo o lado no mundo. É preciso ser cobarde para não denunciar o Islão em todo o lado onde ele impõe a sua lei liberticida, misógina, sectária e ameaçadora.

Os muçulmanos e as muçulmanas em especial são as suas primeiras vítimas, transformadas em órgãos de reprodução. Para contribuir para a emancipação dos nossos cidadãos e dos nossos vizinhos muçulmanos é imperativamente necessário combater o fascismo que é o Islão, assim como as prescrições corânicas postas em prática por Maomé e todos aqueles que se regem por elas.

É para mim evidente que o Islão, devido às suas proibições, às suas restrições e pelas suas práticas mais elementares, é totalmente contrário ao nosso desejo de liberdade, ao nosso desejo de viver em sociedade, de realizar a integração e a assimilação e de perpetuar a mistura de raças que a França sempre foi.

O Islão é um factor de desintegração, de separação e de regressão em matéria civilizacional. As proibições islâmicas consolidam os guetos em termos:

vestuários,
alimentares,
conjugais,
de estética,
de desporto,
da saúde,
bancários,
comerciais
e fúnebres.

Da concepção até à morte passamos a vida inteira. Por amor das gerações futuras, temos o dever de dizer NÃO ao Islão, às suas prescrições e práticas.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Diz assim Nicolau Saião...


... num e-mail que me enviou:

Suscitado por um órgão de informação estrangeiro - que me "caçou" antes de eu poder ir embora para a praia - a dar a minha opinião sobre o caso acontecido na Noruega, respondi da maneira que segue:
Têm-se sucedido os "textos reflexivos" de doutos indivíduos ou de doutas nulidades sobre este Brevik e o seu acto.
Na verdade elas parecem mais aquilo que Eco chamava "expectativas de milagre".
Perplexos ante o horror que de repente lhes aparece na frente, desnorteadamente falam para lançar poeira em torno.
Na verdade, Breivik é uma resultante de anos de indiferença e calculismo (a que chamam tolerância) e de desleixo (a que chamam multiculturalismo). O criminoso, porque displicente e hipócrita, poder norueguês semeou um vento de laxismo - e agora colhe a tempestade do sangue. E continuam, desesperados, a chamar-lhe louco - quando ele é um produto sim do fanatismo islamita e da brutalidade burguesa, mesmo disfarçada de pacifista...
Tenham senso, folks!

Ordralfredix...


Do diabo...


Henri Rousseau, Festa de casamento

A dívida dos ...

... "gringos"

Via ... já não me lembro.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

NORUÁBIA


Alguns comentários retirados da blogosfera holandesa sobre o drama Norueguês.

Em todo o caso depois deste incidente o multiculturalismo na Noruega tornou-se mais viável… Dentro de 20 anos o país vai mudar de nome e vai chamar-se Noruábia.

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No preciso momento em que a ESQUERDA se responsabilizar profundamente pelo seu amor pelo Che e pelo Mao, que eles assumem orgulhosamente com a cara dos carrascos estampada na roupa que trazem vestidos e consiga explicar isso à DIREITA, então já têm o direito de pedir contas ao Wilders. Mas nem um segundo antes…

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By the way, também o senhor Cohen (líder do Partido Social Democrata holandês) disse num discurso (nomeadamente) em Oslo que o multiculturalismo falhou! Mas então, será que podemos pensar que este discurso……..?

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Há gente tão patarata!
Se um problema for combatido com excesso de violência isso não significa que o problema deixa de existir.

Exemplo: o filho do meu vizinho, juntamente com os seus amigos, tem por hábito fazer cavalinhos com a lambreta à frente da minha janela até às 4 da madrugada. Eu sou de opinião que o barulho ensurdecedor das lambretas me incomoda e não me deixa dormir. Há quem diga que exagero, que temos que ser tolerantes com os vizinhos. Mas eu continuo a protestar (queixo-me ao vizinho; telefono à polícia) porque acho a situação insuportável.

Duas ruas à frente dá-se precisamente a mesma situação. Mas neste caso o incomodado dispara com uma caçadeira e mata dois jovens…

Será que agora perdi imediatamente o direito de me queixar? Mais não quero dizer sobre este assunto.

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Porque razão o Wilders nega a força da palavra?

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O que é uma lapidação, um corte de cabeça, os killing fields e o gulag comparado com A PALAVRA? Peanuts, evidentemente...

terça-feira, 26 de julho de 2011

O texto de Breivic

Fiz uma leitura em diagonal do manifesto de Breivic. Já está no meu Kindle e irei ler em pormenor nos próximos dias.
Mas adianto algumas primeiras impressões:

O diagnóstico da situação europeia em relação ao islão e ao esquerdismo multiculturalista, está muito bem feito e documentado, em termos históricos e filosóficos. É, na minha opinião, uma leitura imprescindível. O análise passa por Marx, Gramsci, a Escola de Frankfurt, etc.
Não é a escrita e o pensamento de um analfabeto.

Mas a seguir, Breivic não consegue deixar de cair nas falácias básicas da teoria da conspiração e é inabalavel a convicção de que esta deriva é planeada por determinados indivíduos e organizações. Aqui entra na paranóia (a situação actual explica-se pelo desleixo, pela ignorância, pela prevalência de ideologias que têm vida própria).

E onde descarrila totalmente, revelando sinais psicóticos, é no tratamento para a situação.
Uma vez que a situação é, na sua opinião, deliberadamente provocada, há que liquidar os culpados, os "traidores", como lhe chama.
Breivic chega até a preconizar alianças tácticas com o Hamas e a Al-Qaeda.

Esta parte do texto tem pouco interesse,ou melhor, uma vez que conhecemos o desfecho, suscita uma curiosidade mórbida, sobre um processo de dementização.
No fim aparece vestido com uma farda estranha, a falar de Templários e outras esquisitices.

Vaclav Klaus "The mass delusion of climate change."

Da mitologia do multiculturalismo - III


OS MULTIMITOS DO MULTICULTURALISMO

de Luís Dolhnikoff

(cont.)

7.

Nada desestimula o orientalismo poético ocidental. Em relação ao qual eu jamais poderia ser mais claro e sintético do que isso:

O orientalismo é marca de geração, desde beatniks e hippies, estratégico antídoto contracultural à Razão e ao Ocidente.[1]

Se é antídoto, serve para um veneno. Neste caso, um Veneno maiúsculo, para o qual não basta um antídoto tático, tendo então de ser “estratégico”: a Razão. Mas não apenas a Razão: também o Ocidente em si mesmo. O Ocidente, senso lato, é enfim o Grande Veneno (o aiatolá Khomeini, esse sujeito moderno, tolerante, sensível às minorias, feminista radical etc., assinaria calmamente embaixo: para ele, esse não-surpreendente companheiro de ideias dos multiculturalistas, o Ocidente era o “Grande Satã”).

Portanto, os homens brancos e mortos que o destilaram, de Moisés a Marx, de Homero a Joyce, de Euclides a Einstein, de Sócrates a Kant, de Fídias a Rodin, de Apeles a Picasso, e todo o resto da multidão, foram, apesar de multidão, apenas um bando de envenenadores.

O Ocidente, esse Veneno. A Razão, essa imensa Taça. Verdade que a igualdade perante a lei, a extinção da servidão e da escravidão (que, sim, sempre existiram no doce Oriente), a democracia, a educação universal, o poder civil e laico, além do próprio conceito de humanidade, são todos, digamos, gotinhas que transbordaram de ambos, mas quem se importa. Veneno é veneno. Ainda melhor do que qualquer antídoto é jogá-lo todo fora.

No Brasil – ao contrário da Europa, onde o que predomina é o “indianismo” – o sabor preferido do “antídoto” orientalista é o “niponismo”. Portanto, em vez de magga (o caminho) e nibbana (o nirvana), tornaram-se mais difundidos o zen-budismo e o satori (“iluminação”).

Por isso se tornou comum ouvir afirmações de orientalistas de butique, entre as quais se destaca a de que adoram a “não-predominância do eu” do budismo. Afinal, o eu, o ego, é o centro, por definição, do egoísmo – e da egoica e egoísta cultura ocidental. Também dos Direitos do Homem e do Cidadão – isto é, do indivíduo –, mas quem se importa?

Quem se importa, igualmente, com o fato de o budismo não “negar o eu”?

Se pretende, quase em toda parte que, segundo Buda, não existe o eu. Não se observa, portanto, que o que Buda negou foi a realidade do ego sempre variável, da “individualidade”.[2]

Pois o budismo afirma (em dialeto páli): “Na me so atta”, “Isto não sou eu.” Sendo “isto” o que se costuma pensar ser a própria pessoa. Não se trata, portanto, de “negar o eu”, mas de negar que o que se costuma chamar “eu” seja o Eu verdadeiro. Dito de outro modo: o budismo, ao contrário de “negar o eu”, afirma que o que se costuma chamar de “eu” é, em si, a negação do Eu.

Seja lá o que afinal ele for: pois nem “eu”, nem o leitor, nem o Dalai-lama o sabemos, ou seríamos Buda. Em todo caso, trata-se não da “negação do eu”, mas da busca da extinção da negação do Eu – que é este estar. Uma vez extinta tal negação, que sombreia a percepção, o “verdadeiro Eu” é simplesmente iluminado (extinção, em sânscrito, se diz nirvana – que não é, portanto, um lugar passível de ser “atingido”).

Além de não “negar o eu”, o budismo não é uma religião sem deus, e tampouco – por ser, pretensamente, uma religião sem deus – uma forma de filosofia.

Deuses, no plural, na verdade é o que não lhe falta.

– Excelente Gotama [Buda], existem devas [deuses]?

– É uma coisa por mim conhecida de modo certo, Bharadvaja: existem devas.

– Não é isso vão e falso?

– Existem devas, Bharadvaja. Se um mestre interrogado responde que existem devas, ou se ele diz: “É uma coisa conhecida de modo certo, conhecida por mim”, é bem a esta conclusão a que chegarão os homens inteligentes.

– Por que não explicaste isso desde o princípio, excelente Gotama?

– Mas é uma coisa reconhecida no mundo, que existem devas.[3]

Palavras do próprio Buda. Portanto, nada que se discuta. O que sim se discute é como são esses deuses.

Quanto aos deuses (devas), por exemplo, os Indras, Brahmâs e muitas outras deidades menores, ou anjos, não é somente verdade que eles possuem ao menos tanta realidade que os homens – e que Buda, como outros Arahants visitam seus mundos e falam com eles; aliás, Buda é o “mestre dos deuses bem como dos homens”.[4]

Entendeu, meu pobre leitor? É muito simples: o budismo só pode fazer algum sentido se se considerar o bramanismo, politeísmo hindu do qual é derivado – não por acaso, uma das designações de Buda é “o que se tornou Brahma” (Brahma-bhuto).

Se o budismo tem afinal deuses, não tem, por outro lado, nada a ver com a filosofia. Apesar de suas pretensões “filosóficas” serem endossadas por autores do porte de um Octavio Paz:

Filosofia antes que religião, o budismo postula como primeira condição de uma vida reta a desaparição da ignorância acerca de nossa verdadeira natureza e da do mundo. Somente se nos damos conta da irrealidade do mundo fenomenal, podemos abraçar a boa via e escapar do ciclo de reencarnações, alimentado pelo fogo do desejo e do erro.[5]

O que o grande poeta mexicano não percebe, nesse primeiro parágrafo de sua longa descrição de tal “filosofia” – que segue sempre no mesmo sentido, de mera paráfrase das crenças budistas –, é que pretender, a priori, a “desaparição da ignorância sobre a verdadeira natureza” de qualquer coisa é partir do princípio de que tal desaparição seja possível: logo, também partir do princípio de que seja possível de fato conhecer a verdadeira natureza de algo. Porém isso nada tem a ver com filosofia (ao menos, não desde Kant).

Não é, portanto, de estranhar que, para uma tal “filosofia”, podemos “escapar do ciclo de reencarnações”. Talvez possamos. Porém jamais poderemos fugir da percepção de que aqui não se trata de filosofia nenhuma – mas pura e simplesmente de uma religião. Afinal, não creio que se aborde a reencarnação em qualquer tratado de lógica.

Se não bastasse, deveria ser evidente que, enquanto a filosofia se baseia na argumentação, o budismo, como qualquer religião, baseia-se na fé e no princípio da autoridade.

Será objeto de fé (saddhã) do discípulo até que disto ele tenha experiência, até que o conhecimento venha substituir a Fé. [...] Quem diz fé diz autoridade; a autoridade de Buda (mahapadesa) que repousa sobre sua experiência imediata é aquela de suas palavras tais como ele as pronunciou.[6]

O budismo é um caminho de “salvação” individual. Ou “você” consegue extinguir (nirvana) seu falso “eu”, para fazer emergir o Eu verdadeiro, ou azar. É, na verdade, a mais egoísta das religiões. No mínimo, a que menos tem qualquer dimensão de realização social (daí ser a religião adequada para um jovem milionário da Costa Oeste dos EUA poder se “desconectar” das misérias espirituais de sua riqueza, depois de desconectar seu laptop e pôr-se a meditar na amplidão de um loft ou na brisa de uma varanda ensolarada). Por isso, na vertente hindu original, o budismo é indiferente ao sistema de castas. Enquanto na vertente japonesa, o zen, serviu muito bem ao cruento militarismo nipônico da primeira metade do século XX.

Foi do amálgama entre o nacionalismo confuciano, o xintoísmo (com seu culto aos ancestrais) e a “não-prevalência do eu” do zen que emergiu o exército de marionetes sanguinárias do Império do Japão.

Os indiferentes assassinos japoneses dos massacres de rua de Nanquim, em dezembro de 1937 – um dos maiores e mais sangrentos de um século de massacres sangrentos, conhecido em inglês como “the rape of Nanking” –, os responsáveis pelo sequestro em massa de coreanas para servir sexualmente o exército imperial, bem como os completamente aegoicos kamikazes de 1945, ilustram muito bem um dos resultados históricos recentes do doce orientalismo e seu coletivismo, não de cidadãos, mas de não-cidadãos – cujos traços individuais devem ser esmaecidos em nome da homogeneidade.

O Oriente só é doce na cabeça sem sal dos multiculturalistas.

8.

Com quantos milhares de cadáveres de escravos se constrói uma Muralha da China?

Daí o consagrado termo orientalismo se referir, para os historiadores, a “tendências despóticas e cruéis de um poder centralizado”: diz-se então do czarismo russo que tinha “caráter oriental” (herdado pelo stalinismo: absolutismo, servilismo, arbitrariedade, brutalidade), para distingui-lo do “despotismo esclarecido” das monarquias europeias modernas. Basta pensar nos paxás indianos, nos sultões turcos e nos imperadores chineses.

Tal característica era tão determinante na estrutura de poder que, até à ocidentalização ocorrida ao longo do século XX, a democracia manteve-se, simplesmente, incompreensível.

No fim do século passado, um japonês ilustre visitava os Estados Unidos no momento de uma eleição presidencial. Espantado, escreveu que naquele país havia um leilão de presidentes.[7]

Mais surpreendente do que os orientalistas de butique, só mesmo as orientalistas de butique – pois costumam ser, também, hiperfeministas. A despeito de em todo o Oriente a mulher ter sido sempre tratada de modo a fazer do patriarcalismo ocidental o próprio paraíso terrestre.

Para além do Taleban e suas belas burcas, entre os muçulmanos até hoje vigora o direito de honra, segundo o qual mulheres podem ser, devem ser e são espancadas e eventualmente mortas pela própria família em nome, justamente, da honra familiar. No Japão, a mulher não apenas sempre caminhou atrás do homem, nas calçadas, como sequer podia erguer-lhe os olhos ao falar – ao menos até 1945, quando as tropas americanas impuseram alguma modernização dos costumes (o que não impediu que a pílula anticoncepcional só fosse liberada em 1999). Na Índia, abortar bebês femininos e matar mulheres por insatisfação com o dote ainda são habituais.

Os números contam uma história velha e cruel: a eliminação sistemática das meninas na Índia. [...] Dados preliminares do censo de 2011 mostram que o desequilíbrio [entre os gêneros] se agravou. [...] O demógrafo Ashish Bose e o economista Amartya Sen chamaram a atenção para as mulheres desaparecidas da Índia há mais de uma década. O aborto de fetos femininos aumentou à medida que a tecnologia médica tornou mais fácil a detecção do sexo do bebê ainda não nascido. Se for uma menina, as famílias frequentemente pressionam as mulheres grávidas a abortar. [...] Em um relatório do Unicef de 2007, Alka Gupta explicou parte do problema: a discriminação contra as mulheres, já entranhada na sociedade indiana, cresceu devido aos desenvolvimentos tecnológicos que agora permitem que clínicas móveis de escolha de sexo ingressem sem controle em quase todas as aldeias ou bairros. [...] Ela aponta vários fatores que levam à preferência por meninos em muitas partes da Índia, especialmente no norte conservador: os filhos são uma fonte de renda para a família, as filhas se casam e ingressam em outra família e não estão mais disponíveis para cuidar de seus pais, os dotes tornam as filhas uma despesa e, nas áreas rurais, há o temor de que as mulheres que herdem terras possam transferir a propriedade para a família do marido. Outra forma de violência contra a mulher – as mortes por dote – é igualmente bem documentada, e igualmente terrível, apesar dos indianos estarem tão acostumadas com elas que elas se tornam quase invisíveis. Os nomes de Sunita Devi, Seetal Gupta, Shabreen Tajm e Salma Sadiq não chamam muito a atenção da maioria dos indianos, apesar de estarem todas nas notícias na semana passada por motivos semelhantes. Sunita Devi foi estrangulada em Uttar Pradesh, a grávida Seetal Gupta foi encontrada inconsciente e morreu em um hospital de Déli, Shabreen Tajm queimou até morrer em Karnataka e Salma Sadiq sofreu um aborto após ser espancada por seu marido em Bangalore. As exigências por dotes maiores por parte da família do marido estiveram por trás de todos esses atos de violência, e são tão comuns que recebem apenas uma breve menção nos jornais.[8]

Na China se mantém disseminada a antiga prática de matar bebês do sexo feminino, e não por causa da política de um só filho, mas ao contrário, apesar da Revolução e da modernização (isto é, da relativa ocidentalização): trata-se de “melhorar o perfil familiar”.

Os ocidentais tendem a acreditar que a culpa [pela prática do infanticídio feminino na China] é da política do filho único, mas [a escritora chinesa] Xinran tem outras explicações. Ela começou a coletar dados sobre o assunto quando era apresentadora de um programa na rádio chinesa, “Palavras na brisa noturna”. Nele, Xinran falava de pessoas comuns, mas não com a liberdade com a qual aborda hoje temas espinhosos, como o assassinato de bebês do sexo feminino. Meninas recém-nascidas são afogadas na própria água da bacia usada para fazer o parto ou, se escapam com vida, deixadas nas portas dos orfanatos [...]. Em 1989, a jornalista visitou um vilarejo miserável ao norte do rio Amarelo e uma mulher de pouco mais de 30 anos perguntou à então repórter se ela já havia “resolvido” uma bebezinha – ou seja, se havia se livrado de um recém-nascido do sexo feminino. Xinran, confusa, não entendeu a pergunta, mas foi obrigada a ouvir a resposta: a família do marido jamais a perdoaria se ela não soubesse “resolver” meninas. Seria espancada e sua ração alimentar reduzida ao mínimo. Isso não foi o pior que ela testemunhou em Yimeng, na província de Shandong. Ao entrar na casa de uma família camponesa, ouviu um gemido de dor vindo do quarto, mas não o choro do bebê, que veio logo depois num balde de água suja com um pé saindo dele. O pezinho tremeu, Xinran aproximou-se do balde, mas era tarde. “Resolver uma bebezinha não tem nada de mais por aqui”, explicou uma das moradoras da casa. “Meninas são sufocadas ou jogadas nos córregos da China há séculos, particularmente por pessoas mais simples, que acreditam dever aos ancestrais um primogênito ou ainda ouvem as más previsões de adivinhos”, diz Xinran.[9]

Doce Oriente...

Não, o Tibet não era uma exceção paradisíaca – o Shangri-lá que ocidentais hollywoodianizados ainda buscam no Himalaia – antes de ser invadido pela China. Era, conforme relatos de inúmeros viajantes do século XIX, uma teocracia despótica (como costumam ser as teocracias), em que uma população inteira trabalhava de modo servil nas mais extremas condições, a fim de sustentar uma enorme classe político-religiosa em seus confortáveis templos-palácios – como o magnífico e gigantesco Potala, erguido no topo de uma colina 3700 metros acima do nível do mar (sem máquinas). Tudo sob os cândidos sorrisos de inúmeras reencarnações do Dalai-lama...

Do que se conclui, portanto, que todo mal provém do Oriente – incluindo certo “caráter oriental” apontado no nazismo europeu, com seu totalitarismo massificante.

Não, o mal não provém do Oriente. Mas tampouco o bem – seu “antídoto estratégico” –, como pretende o maniqueísmo infantil do multiculturalismo, doença senil da contracultura.

9.

A contracultura é a origem do multiculturalismo como ideologia. Ela que não é, obviamente, contra a cultura em si, ou seja, contra qualquer cultura, mas apenas contra a moderna cultura ocidental. Porém ao negar a cultura da qual se participa, fica-se sem nada. Daí a necessidade de, ato contínuo, tentar substituir a cultura negada por outras. Daí, então, a busca por alternativas.

Alternativas que só podem ser de dois tipos: distantes no tempo ou distintas no espaço. Pois sendo o presente o presente, restam o passadismo e o exotismo. Daí, enfim, a busca por práticas “tradicionais”, por um lado, e exóticas, por outro. E como a moderna cultura ocidental se caracteriza pelo racionalismo, a contracultura privilegia o irracionalismo na sua busca de alternativas.

O nome dessa busca não é outro senão multiculturalismo, a face “positiva” da contracultura (pois a contracultura é apenas a etapa negativa inicial).

Já a face pragmática do multiculturalismo batizei de agregacionismo: tudo ao mesmo tempo agora. Além de assim se diluir o Veneno ocidental, também se aumenta a oferta de opções no grande mercado cultural.

Daí a morte do jazz em meados dos anos 1970, quando Miles Davis inventou o fusion. Fusion, literalmente, fusão, como o nome diz, é puro agregacionismo. Neste caso, o gesto de agregar aos instrumentos tradicionais do jazz, que é música acústica, primeiro instrumentos elétricos, depois, instrumentos quaisquer – além de elementos musicais de qualquer tradição distinta da jazzística: rock, salsa, música hindu, música malaia e o que mais houver. O resultado, como definiu alguém, foi um “jogo de tênis sem rede”. No qual a bolinha representa a música, que pula para lá e para cá, sem direção nem sentido, entre os vários instrumentistas que, de fato, dividem apenas o palco. Pois apesar do nome e da bem intencionada “abertura ao diálogo musical”, o fusion resultou em uma colagem desconexa de monólogos – os elementos musicais são em número e disparidade elevados demais para permitir qualquer verdadeiro diálogo, como era o caso do jazz. Além disso, as motivações não foram musicais, ou não musicais apenas, mas ideológicas (e comerciais). Pois se tratava de “adequar” o jazz, que teria se tornado elitista (ou “música de museu”, nas palavras do próprio Miles Davis), ao multiculturalismo.

A grande ironia é o fato de o jazz em si mesmo ser multiculturalista de origem, fruto da fusão entre tradições europeias e africanas em solo americano. O que não impediu que o fusion, um movimento de agregacionismo explícito, o destruísse. Pois do mesmo modo que o multiculturalismo, sendo um fato histórico profundo, abrangente e determinante – como o demonstra o próprio jazz –, é desnecessário como ideologia e falseador como militância, assim também o agregacionismo, ou seja, a prática dele derivada.

Se o fenômeno se limitasse ao jazz, já seria triste o bastante. Mas, infelizmente, não se limita.



[1] Ricardo Corona, “Entrevista com Alice Ruiz”, Medusa, Curitiba, dez.-jan. 1999/2000, no. 8, p. 3.

[2] Ananda Coomaraswamy, Buda, São Paulo, Martins Fontes, 1954 (a partir da coleção The living thoughts library, do The institute for literary counselling), pp. 32-3.

[3] Majjihima Nikaya II, 212-3, in Ananda Coomaraswamy, opus cit., pp. 186-7.

[4] Samyutta Nikaya, III, 98, idem, p. 51.

[5] In Signos em rotação, São Paulo, Perspectiva, 1974, p. 114.

[6] Ananda Coomaraswamy, opus cit., p. 46.

[7] Cláudio de Moura Castro, “Democracia ou leilão?”, Veja, 13 de novembro de 2002, ed. 1777, http://veja.abril.com.br/131102/ponto_de_vista.html.

[8] Nilanjana S. Roy, “Censo de 2011 revela aumento na discriminação das mulheres na Índia”, The New York Times, http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2011/04/13/censo-de-2011-revela-aumento-na-discriminacao-das-mulheres-na-india.jhtm.

[9] Antonio Gonçalves Filho, “Herodes na China”, O Estado de S.Paulo, http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110218/not_imp681067,0.php.