terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um, dois, três comentários de Nicolau Saião...



... no Forum do DN:


1. BREIVIK NÃO IRÁ A JULGAMENTO. FOI CONSIDERADO INIMPUTÁVEL

Sejamos sensatos. E lúcidos. O problema é apenas este: o eticamente corrupto e politicamente correcto estado norueguês não vai levar o monstro a julgamento porque, no decorrer do mesmo, ficaria patente que a acção tresloucada deste homem é uma consequência da manipulação, do cinismo e do cripto-fascismo (na acepção cunhada por Umberto Eco) que aquela sociedade tem expandido por décadas.

Tal como as que também se pautam por aquele tipo de “trabalhismo”.

Não é pois por verdade científica mas por estratégia cínica, não por equilíbrio mas por manha, que os poderes noruegueses assim procedem. Ou seja: trocam a vida dos abatidos pela sua tranquilidade presuntiva.

Não me parece que a longo prazo o truque surta efeito!


2. Sindicato de chefes da PSP vai apresentar queixa crime contra os autores do ataque à sua página de Internet

Acho muito bem que efectuem queixa. E, paralelamente, que exerçam acção contra díscolos e bandidos, sejam eles privados ou membros do Poder.

Dito isto, é inegável que nos últimos tempos tem havido um esforço violento para denegrir a Polícia. E há que dizer: neste Portugal corrompido e desqualificado por um Sistema Judicial pervertido e hipócrita vendido aos poderes, só por acção desta corporação o país não entrou mesmo no abismo.

Claro que entre os agentes sérios e pundonorosos há ovelhas negras. Punam-se sem contemplação. Mas louve-se o polícia decente, cumpridor e que faz a diferença nesta pátria.

Os que tentam colar à PSP um labéu maldoso por vezes parecem-me ser partidários, sim, de totalitarismos que recusamos firmemente.


3. Juízes pedem aos deputados respeito pela Constituição

Quando ouço esta expressão "Associação Sindical dos Juízes Portugueses", uma sensação de vergonha me arrepanha o estômago. Não por mim, por nós, mas por eles. E já que eles claramente não a sentem, sinto-a eu. Presto com isso, creio, um serviço ao país, à nação, à Pátria.

Estes senhores, evidentemente, não a podem sentir. Não por velhacaria, mas porque estão cegos devido ao uso imoderado de um poder que se enrolou com os politicastros. Perderam a noção dos limites e vão, como dizia Churchill, perder a seguir também a honra.

Deviam nobremente manter-se num nível impoluto, para terem autoridade moral para castigar os que malbaratam ou subtilizam o erário público.

Assim, do povo, já só recebem desconfiança. O que é compreensível, convenhamos. Basta lerem-se opiniões avulsas nos jornais. Basta auscultar-se o simples transeunte.

Algo está muito mal no reino togado do pequeno país plantado à beira-mar…

Religião do clima: 10 mandamentos

Enquanto a nossa garbosa Ministra das coisas verdes e giras, Assunção Cristas, vai a Durban participar num festim de palhaços, aqui ficam os 10 mandamentos para escapatória de trafulha apanhado em flagrante:
  1. The emails are old” - (No one has seen them before, and what makes two-year-old lies acceptable now?).
  2. “The timing is suspicious” - (Alarmists release alarming stuff all the time in the lead up to big meetings, but look out, it’s suspicious when a skeptic releases alarming stuff about those scientists at the same time!)
  3. “They’re out of context” - (We won’t explain the context, or quote the email, trust us, they just are, OK?)
  4. “The emails show a robust scientific debate” - (But that is the whole point isn’t it? We were told the “science was settled”? It is dishonest to discuss uncertainties in private while you tell the public “the debate is over” and call anyone who questions that a “denier”.)
  5. “They’ve been investigated” - (Even though the investigations didn’t have these emails, didn’t investigate the science, and were at least in one case, chaired by a windfarm expert, this point is supposed to have credibility?)
  6. “They’re hacked” or “stolen” - (After years of investigation there is no evidence they were hacked. They could have been leaked. Police can’t or won’t say. Does this journalist “know” something the police don’t?)
  7. “Aren’t the skeptics nasty people?” - (Crikey, imagine reading emails written by paid public servants on the job about their professional work? What victims! Those poor scientists can’t even threaten journal editors, conspire to ignore peer reviewed papers they don’t like, or discuss their ignorance in private… what’s the world coming too?)
  8. “This doesn’t change the science” - (Since most of “the science” is merely a consensus of these same experts, whom we are told to respect, then actually it does change “the science” when they are caught cheating.)
  9. The emails “mean nothing” according the scientists caught cheating - (The sock puppet earns bonus points if those same scientists also get to slur the whistleblower and skeptics with unsubstantiated implications that “they are funded by fossil fuels”.)
  10. The public response is a “yawn” - (And given how few journalists are reporting the actual emails to the public, that’s entirely predictable eh? Circular reasoning strikes again.)

Pat Condell: The gathering storm

Notícias sobre os bárbaros que vivem para lá das fronteiras da UE

É sabido que os islandeses não quiseram pagar os prejuízos gerados pela má gestão dos Bancos muito menos aderir à bancocracia Europeia. A coroa islandesa desvalorizou e a economia tem vindo a ser refeita apenas com base nas vantagens marginais dos recursos do país. Os islandeses vivem com escasso crédito bancário e sem obediência aos burocratas da “Europa”, logo, sem acesso a fundos estruturais administrados por tal gente. Portanto, vegetam numa espécie de Era das Trevas, no dizer de qualquer euro-crente.

Entretanto, chegam notícias da cavernosa Islândia:

“De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Islândia vai fechar 2011 com um crescimento do PIB de 2,5%, prevendo-se novo crescimento de 2,5% para 2012 – números que representam quase o triplo do crescimento económico de todos os Estados-membros da União Europeia – que em 2011 ficarão pelos 1,6% e que descerão para os 1,1% em 2012. A taxa de desemprego no país vai ainda descer para os 6%, contra os actuais 9,9% da zona euro.”

“Das consecutivas decisões que o país foi tomando – e que continua a tomar – desde 2008 que não há vítimas a registar, a não ser os banqueiros e políticos que levaram à crise da dívida pública. No rescaldo do colapso financeiro, a população compreendeu rapidamente que também tinha a sua quota parte de culpa na iminente bancarrota e preparou-se para apertar o cinto. Mas não da forma como os Estados-membros da UE o têm feito: consecutiva e sem resultados à vista.”

Medina Carreira - Olhos nos Olhos - 11

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Violência indignácara esquerdopata

Na Universidade de S. Paulo:
Um grupo de delinqüentes políticos, de autoritários, que não respeita a vontade dos alunos das Letras, que votaram contra a greve, fazia um barulhaço (ver vídeo abaixo) para perturbar alunos de lingüística, em prova. Um sujeito invadiu a sala do professor Marcelo Barra, virou a mesa (literalmente!), pegou-o pelo colarinho e o encostou contra a parede. Vocês entenderam direito! A segurança física dos professores não está mais garantida na universidade, e quem os ameaça não é a bandidagem comum, mas a bandidagem (DES)qualificada.

Sandra Nitrini, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas não pode mais fazer de conta que o assunto não lhe diz respeito. Ela está obrigada a cobrar segurança para alunos e professores. Do mesmo modo, a reitoria não pode fazer de conta que nada acontece por ali.

Um desses vagabundos que se ocultam no anonimato nas redes sociais lembrou que Barra é marido da “reacionária Elaine Grolla”. REACIONÁRIA??? Elaine é aquela professora valente, que honra o seu trabalho e a autonomia universitária e que teve a coragem de enviar uma mensagem a este blog defendendo o seu direito de dar aula e denunciando a agressão de que ela também fora vítima porque queria trabalhar. Não por acaso, agora seu marido é agredido por um covarde, por um sociopata político, por um esquerdopata. Parece-me evidente que há sinais aí de retaliação.

Climategate 2.0 - escandaleiras 1 a 36

O Watts Up With That vai compilando uma lista das escandaleiras que a libertação da segunda tranche de e-mails (5000) vai permitindo. Há para todos os gostos.

No ClimateAudit, Steve McIntyre e Ross McKitrick vão escalpelizando a batata podre ainda mais pormenorizadamente.

O endereço apontado está também disponível aqui no blog, acima, à direita. Entretanto nem quero pensar o que estará nos 220.000 e-mails libertados mas ainda impossíveis de ler por se encontrarem cifrados.

"Investimento" verde = ruina


Duas falácias habituais da verdalhada:
  1. É necessário que o estado invista em coisas novas porque os privados não arriscam.
  2. O investimento estatal provocará desenvolvimentos que farão baixar os preços.

Nem uma coisa nem outra são verdade e, embora já se tenha demonstrado milhares de vezes que assim é, a esquerdalha mais ou menos indignácara insiste.
Enquanto Washington tentava injectar nas energias renováveis dezenas de milhares de milhões em subsídios especiais, a produção de gás e petróleo disparou graças ao investimento privado. Enquanto os avanços na tecnologia das renováveis nunca mais surgiam, a perfuração horizontal e o rachamento hidráulico revolucionaram a extracção de petróleo e de gás - sem necessidade de garantias prestadas pelo Departamento de Energia.
While Washington has tried to force-feed renewable energy with tens of billions in special subsidies, oil and gas production has boomed thanks to private investment. And while renewable technology breakthroughs never seem to arrive, horizontal drilling and hydraulic fracturing have revolutionized oil and gas extraction—with no Energy Department loan guarantees needed.

A telenovela segue dentro de momentos.

Parece que para financiar se solidarizar com a Itália cada "europeu" vai arrotar 2.000€. A alternativa passa por pôr toda a malta a cavar a própria sepultura.

Nigel Farage: This is how dictatorship begins

domingo, 27 de novembro de 2011

Desequilíbrio entre rendimentos e despesas...

O enviado especial para Espanha e Portugal do jornal que assino na Holanda,  NRC, tem um estilo muito peculiar que me agrada bastante. Descreve a crise económica e outras grandes atribulações da moda de forma diferente da maioria dos seus colegas. Não perde tempo com ódios ideológicos, nem com teorias da conspiração, e utiliza perfeitamente a técnica do funil virado ao avesso. Parte sempre de uma situação comezinha, trivial, que toda a gente reconhece, extrapolando lentamente para um nível mais amplo: da nação, do mundo, mas de maneira que toda a gente acaba por perceber o complexo. Até eu…. 

Merijn de Waal aborda a crise económica espanhola, mas podia muito bem ser a portuguesa, ficando os problemas da península Ibérica reduzidos a esta simples frase que muitos não querem ouvir: “desequilíbrio entre rendimentos e despesas”.

Com contrato temporário não pode fazer greve

Enquanto os 12.000 habitantes de Valverde del Camino dormem, já Júlio Ortiz às 5 da manhã está a pé e pronto para ir trabalhar. Com um uniforme fluorescente vai empurrando um carro para recolha de lixo pelas ruas da vila andaluza. Vai pela madrugada apanhando as laranjas que caíram das árvores e vidros e garrafas espalhadas nos locais onde param os jovens. É um trabalho pesado para uma pessoa de 53 anos de idade.

Mas quando estiver pronto, por volta do meio-dia, então é que começa verdadeiramente o seu dia de trabalho: uns biscates a negro na economia paralela. Mas é com este trabalho que realmente ganha algum: toma conta de vizinhos com idade avançada. Júlio Ortiz é funcionário da câmara mas a câmara está falida. A câmara está endividada até ao pescoço e desde a crise da imobiliária em Espanha, seguida pela crise do euro, ninguém mais lhe quer emprestar dinheiro. O orçamento para este ano esgotou-se em Junho. Mais de uma centena de habitantes que figuram nas folhas de pagamento da vila, têm cinco meses de salário em atraso.

Mas enquanto outros funcionários da câmara ficam em casa como forma de protesto, Ortiz continua a fazer o seu trabalho. É que ele, ao contrário dos funcionários efectivos, tem um contrato temporário e pode ser despedido a qualquer momento. “Não me posso permitir perder este emprego. Quando a câmara conseguir um empréstimo junto do governo regional ou do estado paga-me tudo de uma vez”, diz ele. “Além disso onde é que 
vou arranjar outro emprego?”.

 O Ortega diz: Espanha é o problema, e o Gasset responde: e a Europa a solução

Mas não é só a câmara que está falida, as pequenas empresas locais que trabalhavam para ela esperam um ou mais anos pelo pagamento das suas facturas. Esta situação causou uma reacção em cadeia de calotes e falências e sugou o último crédito em Valverde del Camino.

Na Grécia e na Itália a crise do euro originou mudanças caóticas de poder. Sob a pressão dos mercados e da Europa os governos eleitos tiveram que ceder o lugar a tecnocratas nomeados. Também em Espanha a crise do euro deu origem a um câmbio político, mas aqui a mudança deu-se através das urnas.

Depois da morte de Franco, em 1975, e do retorno à democracia três anos depois, Espanha encontra-se numa encruzilhada. Ao ingressar na Europa, para sair do seu isolamento e pobreza, o país correspondia desta forma à tese de 1910 do filósofo espanhol Ortega y Gasset: Espanha é o problema e a Europa a solução. A cada eleição a jovem democracia saía fortalecida, a prosperidade triplicou e o país modernizou-se rapidamente. No entanto, a participação no mais importante projecto europeu, o euro, deixou o país financeiramente de rastos. Graças à entrada na união monetária europeia, Espanha podia obter nos anos noventa crédito muito barato, e o resultado foi a explosão da enorme bolha de sabão imobiliária que durante muitos anos era o motor da economia. A partir de fins de 2007 que a economia espanhola se encontra em queda livre: o país tem uma enorme dívida externa, altas taxas de desemprego e poucas perspectivas de crescimento económico.

piscinas cobertas…. com crédito

A seguir à crise da dívida grega, os mercados internacionais de capital ficaram bastante agitados e começaram a fechar a torneira do crédito. Agora, para que Espanha continue a fazer parte da família europeia, vai ter que ganhar de novo a confiança dos mercados internacionais. Para isso o novo governo vai ter que tomar medidas tão rigorosas como os seus colegas em Atenas e Roma, que já estão sob curatela.

Não é de espantar que os espanhóis tenham acolhido com entusiasmo a nova prosperidade vinda da Europa, sobretudo numa vila andaluza como Valverde del Campino. A Andaluzia foi precisamente a parte do país mais abandonada no tempo de Franco. “Nos finais dos anos setenta ainda não havia estradas alcatroadas. Vivia-se ainda numa época feudal”, diz-nos Miguel Marquez, que até Junho deste ano era vereador de obras públicas. “Veja agora a diferença. Veja agora os serviços de que dispomos”. Marquez é um político do PSOE que até às últimas eleições municipais, em Maio, esteve no poder em Valverde durante mais de trinta anos. No fim dos anos noventa a vila sofreu enormes melhoramentos: dois pavilhões desportivos, uma piscina coberta, uma casa da cultura, um centro de jovens, vários projectos de habitação social, um parque de estacionamento subterrâneo e um novo parque industrial. O conservatório, o teatro e a praça principal foram também completamente restaurados.

A verdade é que a vila não tinha dinheiro para estas coisas. Para a construção e manutenção de todas estas facilidades, a administração da câmara foi obrigada a contrair enormes empréstimos. No auge da construção imobiliária isso era bastante fácil: o crédito barato jorrava do interior dos bancos. A população em massa comprava casas em bairros novos e a administração local ganhava bastante com isso, outorgando autorizações de construção e cobrando impostos. Além disso, a câmara de Valverde criou a sua empresa imobiliária, a semi-estatal GIVSA, e apostou forte no jogo da pirâmide em que o sector entretanto se tinha transformado. Em ligação com construtores e promotores locais, comprava-se e vendia-se terreno. O dinheiro fácil vinha do banco de poupança local, CAJASOL, que, como todas as ‘cajas’ em Espanha, estão sob o directo controlo de políticos locais e regionais.

descomunal desequilíbrio entre rendimentos e despesas

Esta prática deu origem a um aumento artificial do valor dos imóveis, corrupção e um crescimento selvagem de bairros novos. E encobriu durante muitos anos o descomunal desequilíbrio existente entre rendimentos e despesas em municípios como Valverde. Só quando a bolha de sabão imobiliária rebentou, é que se notou que a vila vivia muito acima das suas possibilidades. Os 12.000 habitantes têm agora que arcar com uma dívida de 54 milhões de euros. Quase metade desta quantia é da responsabilidade da empresa imobiliária GIVSA, que entretanto faliu porque se encontrava a braços com uma enorme parcela para construção num momento em que se duvida que ainda tenha algum valor.

Durante as eleições municipais de Maio passado, a população de Valverde votou em massa no candidato do centro-direita (Partido Popular). Nas últimas eleições parlamentares verificou-se o mesmo escrutínio: o PP teve 60% dos votos e o dobro dos socialistas, que foram mais uma vez severamente punidos nas urnas pela população. O governo socialista de Zapatero não teve em 2004 a coragem política para fazer vazar controladamente a bolha de sabão imobiliária.

“Nós elevamos o nível do povo, mas eles não se sentem agradecidos”, afirma o ex-vereador de Valverde, Miguel Marquez, enquanto dobra propaganda eleitoral juntamente com voluntários na sede do PSOE. “Nós tínhamos um atraso de 20, trinta anos em relação ao resto da Europa e fomos demasiadamente sôfregos na tentativa de recuperação”, é a análise de um voluntário. “Agora vamos ter que retroceder. Mas até que ponto? Isso é a grande inquietação das pessoas.” A vereadora Mari Carmen acrescenta: “Nós pensávamos que éramos ricos. Mas agora que a ilusão se tornou visível, as pessoas deixaram de votar em nós, votam na direita, na esperança que eles façam voltar o tempo das vacas gordas.”

aeroportos onde aterra apenas um voo por semana

A derrota do PSOE num baluarte vermelho como a Andaluzia tem um grande significado histórico. “Valverde sempre foi uma vila de esquerda, com muita indústria mineira e um movimento sindical bem organizado.” explica Juan Castillo, bibliotecário que se ocupa do arquivo municipal. “A vila sofreu muito durante a Guerra-Civil e mais tarde teve a repressão franquista que se seguiu”. No seio das famílias de esquerda isto deu origem a uma aversão quase genética em relação à direita. Principalmente nas gerações mais velhas. O facto de Valverde em Maio ter virado completamente a casaca, é considerado pelo bibliotecário como positivo. “Para as gerações mais novas o passado sangrento tem menos importância. Viraram a página da história. O mais importante agora é pão em cima da mesa.”

Juan Castillo, que se considera de esquerda, é bastante crítico em relação ao governo dos socialistas dos últimos trinta anos. Ele não acredita que as recentes construções de novos bairros tenham sido feitas para melhorar a situação dos habitantes. “Sobretudo nos últimos anos, tratava-se apenas de manter o poder. Todos os anos a administração surgia com um novo projecto faraónico para mostrar que a vila ia de vento em popa”. Mas isto era um padrão que ocorria em toda a Espanha, e não apenas em municípios socialistas. Em localidades onde a direita governava, também as câmaras se endividavam na construção de projectos de prestígio. Em regiões onde o turismo é quase inexistente foram inaugurados aeroportos onde agora aterra apenas um voo por semana. Pequenas cidades construíram museus e salas de concerto que custaram milhões de euros. Cada aldeia tinha que ter o seu pavilhão desportivo ou piscina. Construiu-se uma linha de comboio de alta velocidade entre duas capitais de província que passados alguns meses teve que ser desmantelada, porque viajavam apenas nove pessoas por dia.

mudar de telefone portátil cada meio ano

Não há dúvida os espanhóis abraçaram com entusiasmo o consumismo. Milhões mudaram-se para habitações mais amplas nos arredores das cidades. Adquirir uma casa de praia ou de campo tornou-se comum na classe média. Assim como passar os sábados à tarde em centros comerciais munidos de cartão de crédito, ou mudar de telefone portátil cada meio ano. Comer fora em dias de semana tornou-se normal. Os alemães, que desde o início da crise do euro se queixam do esbanjamento nos países do sul da Europa, encontraram em Espanha um excelente mercado para os seus Mercedes e BMW’s. Agora que a crise já dura há três anos, os espanhóis começam a sentir as dívidas como um pesado fardo que vão ter que suportar. Os problemas relacionados com incumprimento de pagamento aumentam: Por dia a banca confisca 300 casas. Há 1,4 milhões de famílias em que todos os membros estão desempregados.

“É compreensível que tenhamos caído nesta armadilha”, diz-nos o bibliotecário Juan Castillo. “Vínhamos de um período negro, sem qualquer tipo de luxo. De repente podíamos comprar tudo o que desejávamos - é muito difícil de resistir. Imaginávamos que esta situação nunca mais acabaria. Mas na realidade estávamos a caminhar em direcção ao abismo sem nos darmos conta, porque a paisagem era lindíssima.”

medidas necessárias para que haja crescimento económico

Para evitar o abismo Espanha está perante um enorme desafio. Vai ter que reduzir a enorme dívida pública, e a das empresas, e a dos bancos. Mas cuidado, a política de rigor não pode empurrar demasiadamente a economia para uma recessão. Um exercício de equilíbrio que só pode ter sucesso se o país tomar as medidas necessárias para que haja crescimento económico. Mas nem todos os eleitores percebem isso. José Manuel Gonzalez, agente da polícia, diz que votou no PP porque tem esperanças que com um governo de direita em Madrid, “o nosso presidente da câmara vai ter mais portas abertas.” Este polícia e dezasseis colegas, assim como todos os funcionários de Valverde, têm cinco meses de salário em atraso. No mês de Setembro o corpo inteiro da polícia deu baixa por motivo de doença. Como a polícia não pode fazer greve, esta foi a única maneira de protestar.

Não é certo e seguro que a alternância política em Madrid faça com que o dinheiro volte a jorrar em Valverde. O líder do PP,  Mariano Rajoy, promete restabelecer a confiança na economia, mas isso vai demorar o seu tempo. E o novo líder espanhol, é primeiro-ministro de um país em que os municípios, regiões e províncias são já em grande parte governados por militantes do seu partido. O que certamente pode facilitar a implementação de reformas, mas o presidente da câmara de Valverde não vai ser o único a bater à porta de Mariano Rajoy com pedidos de apoio financeiro.

“Já não há mais dinheiro em Espanha. As pessoas que julgam que com Rajoy na Moncloa a torneira financeira vai novamente abrir-se, enganam-se”, afirma Manuel Becerro em sua casa, no centro de Valverde. Ele é filho do primeiro presidente da câmara socialista que a vila conheceu no final dos anos setenta. Como correspondente do diário nacional de direita El Mundo está bem informado sobre a política local. “Nas vésperas das eleições municipais o anterior presidente da câmara socialista tentou arranjar dinheiro junto da administração regional, que estava totalmente nas mãos dos socialistas. O facto de nada ter conseguido prova que não há mais nada para ninguém.”

a câmara municipal não pode voltar a ser a maior fonte de emprego da vila

Assim como Rajoy, a nova presidente da câmara de Valverde, Loles Lopez, promete restabelecer a confiança com reformas e poupança: “Esta vila sempre foi muito empreendedora com a sua indústria de calçado e de móveis.” Mas vai já avisando que “a câmara municipal não pode voltar a ser a maior fonte de emprego da vila.” Entretanto os comerciantes e industriais da vila sobrevivem com grandes dificuldades. Também porque há anos que esperam que a câmara pague as suas facturas. E para pagar as suas dívidas a câmara ainda não sabe de quanto é que vai aumentar os impostos camarários. Loles Lopez diz-nos que os seus funcionários e economistas estão a estudar o problema. Por seu lado ela encontra-se em negociações com a banca para encontrar a melhor forma de pagar as dívidas da câmara. Sim sim, a opção quitação parcial da dívida já foi abordada. Uma quinta parte dos 9 milhões de euros do orçamento são para pagar os juros de empréstimos.

Loles Lopez acredita que é possível manter o mesmo nível de serviços com menos gente. Mas nos últimos seis meses muitos serviços sociais tornaram-se mais sóbrios, ou mais caros. A contribuição dos pais para o pagamento da creche duplicou. O museu sobre a indústria mineira só abre a pedido. As obras nos esgotos de uma das principais ruas da vila não puderam ser concluídas, a calle de la Calleja está há um ano sem alcatrão. É muito provável que a câmara não possa pagar à empresa que explora a piscina coberta, diz um funcionário que prefere ficar anónimo.
















Educação: dispensam exame

Que tal desmanchar o estado?

Via Espectador Interessado, um poderoso apelo à liberdade:

O Insurgente - A maricagem revolucionária

Quando e onde trabalhar é fascista:
Não há nada mais fundamental do que ver estes dois vídeos publicados no 5 Dias. Em ambos, os piquetes de greve tentam impedir de forma ilegal aqueles que queriam trabalhar de o fazer. Toda a cena foi filmada na presença da polícia, sem qualquer tipo de ameaça. Que se saiba, nenhuma destas pessoas foi presa apesar de terem cometido uma ilegalidade. Enquanto os polícias, muito pacientemente, levam um por um cada um dos manifestantes ao colo para abrir caminho para os que desejavam trabalhar, eles lá vão gritando slogans anti-fascistas, como se houvesse algo de fascista em permitir que pessoas trabalhem em liberdade. Ansiosos pela violência policial que nunca chega, estes piqueteiros, sem senso de ridículo, desatam a gritar para as câmeras ao mínimo beliscão. Álvaro Cunhal e outros realmente torturados pelo antigo regime devem estar orgulhosos desta maricagem revolucionária.

Climategate 2.0 - Rédea curta?

Joan Nova chama a atenção para o artigo de Pointman e para o facto de nenhum dos até agora divulgados e-mail Climategate (1 e 2) ter revelado conversas entre cientistas-chave ao processo e pessoas no poder. Tratar-se-á de um detonador homem-morto?

Até agora foram divulgados cerca de 6000 e-mails (1000 do Climategate-1 e 5000 do Climategate-2) mas a última libertação de arquivos inclui mais de 220.000 (!) e-mails cifrados por uma palavra-passe desconhecida. Tratar-se-há de uma forma de exercício de pressão tentando evitar lançar o kaos? A ameaça velada pode inclusivamente representar a protecção ao delator pois mantêm em rédea curta políticos hipoteticamente interessados no processo eventualmente por conluio com o gang do CRU/IPCC.

Evidentemente que o gang e agentes periféricos ficaram ainda mais comprometidos pelas acções de encobrimento que resultaram das palhaçadas investigatórias subsequentes relativamente ao seu próprio comportamento. As recentes revelações poderão constituir como um último aviso antes de ser largada a bomba atómica.

O delator será eventualmente alguém altamente disciplinado pois conhecem-se apenas duas das suas acções (Climategate 1 e 2) sem qualquer outro sinal de vida.

Segundo Pointman,
Tendo em atenção o conteúdo "contexto e o passado" do ficheiro 'leia-me', enviado conjuntamente à libertação do último arquivo, as motivações do delator são claras tal como são claras ainda outras coisas.  Ele está preparado para torrar a ciência do clima até aos alicerces para evitar que seja usada para justificar políticas ambientais que ele supõe estarem a matar pessoas no mundo em desenvolvimento.
Looking at the “Background and Context” section of the readme file that came with the latest release, their motivation is plain for all to see, as are a number of other things. They are quite prepared to burn climate science down to its very foundations to stop it being used to justify environmental policies that they believe are killing people in the developing world.
Entretanto, que outros assuntos podem estar a ser mantidos em banho-maria pela mesma ameaça?

sábado, 26 de novembro de 2011

European Union has destroyed National Democracy

Porque amanhã é domingo - Frank Sinatra-It Was A Very Good Year-1965

Música e poema de Ervin Drake. 




"The bigest complaint I have about a lot of the kids who sing today is that I can't understand what they're saying..."

Diria eu hoje, com a devida vénia, que nem eles.

Climategate 2.0 - IV - UNFCCC bytes the dust

No WUWT:
Thanks perhaps in part to Climategate 2, it is looking less like success and more like FAIL at Durban. The US has backed off and now refuses to agree to structure and funding of the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) “Green Climate Fund”. Just the name alone juxtaposed with the UN makes you want to run from it.

Saiu o X-Plane 10


Estive a dar uma voltinha à versão 10 e fiquei com a impressão que a menos que se tenha um computador com duas dúzias de quádruplos processadores e ziliões de gigas a coisa não anda.

Climategate 2.0 - III - Perpetuando o lixo

Behind Closed Doors: “Perpetuating Rubbish”

De recordar a máxima: GIGO: garbage in, garbage out (entra lixo sai lixo). Por mais sofisticada que seja  a ferramenta, o que resulta da sua utilização apenas ligeiramente e, quanto muito, poderá melhorar a qualidade inicial dos dados.

Climategate 2.0 - II - Motivações políticas

No Mail Via Climate Depot:
Não é possível enfatizar o GIGANTESCO interesse político neste projecto como mensagem de alterações climáticas que o governo pode apresentar e ajudando-o a contar a história dele.

Eles pretendem que a história seja sólida, não querem que pareça disparatada.

I cannot overstate the HUGE amount of political interest in the project as a message that the government can give on climate change to help them tell their story.

They want their story to be a very strong one and don’t want to be made to look foolish.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

ClimateGate 2.0

Voltou a estoirar o ClimateGate, desta vez na versão 2.0.

Em Novembro de 2009, em vésperas da cimeira de Copenhaga, alguém, provavelmente com acesso ao sistema informático do Climate Research Unit, libertou na Internet um conjunto de e-mails e outros dados altamente comprometedores do gang do aquecimento global.

Dediquei ao caso, nessa altura e talvez durante os 2 meses subsequentes à revelação (Novembro, Dezembro), dezenas de artigos.

Copenhaga estoirou, estoirou Cancun e aproxima-se Durban. Está também em preparação, pelo IPCC, mais um relatório climático.

Suponho que quem libertou inicialmente os e-mails tinha a intenção de libertar apenas um mínimo suficiente para matar a paranóia. O bicho, zombie socialista, continuou a arrastar-se e a mesma pessoa terá libertado agora mais 5.000 mails (base de dados interactiva aqui). Sob a protecção de uma password libertou ainda mais 220.000 mails. Diria que caso os cretinos insistam em manter o zombie vivo ele libertará a password que permitirá o acesso à totalidade dos mails.

Durante os dois últimos anos ocorreu uma operação generalizada de encobrimento do gang. Essa operação torna-se agora insustentável e duvido que não ocorra finalmente o armagedão do alarmismo aquecimentista.

Entretanto o EcoTretas está em cima do acontecimento e vai revelando matéria deliciosa. Não surpreende que esquerdalhos, indignácaros, verdes e idiotas em geral andem de cabeça perdida.

Medina Carreira - Paulo Morais - 10

SÓCIO DO FUTEBOL CLUBE DO PORTO

  avenida dos Aliados
Um habitante da muy nobre e sempre invicta cidade do Porto manifesta, através de um curto vídeo, o seu  ligeiro desagrado. Não se assustem, não é em relação ao governo, ou ao FMI, nem ao Euro, nem a troika – MAS SIM O TREINADOR  CA-RA-LHO….


Enquanto estes castiços existirem: autênticos, vernáculos, genuínos e críticos ainda tenho esperança na redenção da pátria, pelo menos do ponto de vista futebolístico. O que, em tempos que correm, não é de maneira nenhuma de menosprezar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mais energia nuclear em Espanha

No Luz Ligada:
  1. Reverter a decisão de fechar a central nuclear de Santa Maria de Garona em 2013.
  2. Acordar a extensão até aos 60 anos no funcionamento das centrais nucleares espanholas em troca de uma taxa nuclear. Esta foi a proposta que Merkel fez aos operadores das centrais alemãs em 2010.
  3. Começar a estudar localizações para novas centrais.

Paulo Portas o zig-zag

Paulo Portas chamou a atenção da “europa” que a “primavera árabe” irá levar forças ainda mais islâmicas ao poder.

A dita primavera tem espalhado o terror da sharia e da execução de milhares de católicos e em nenhum dos territórios se vê a mínima hipótese de se passar a viver em democracia mesmo que a defeituosa do Iraque.

Mas Paulo Portas, posteriormente, e talvez ciente de que o que disser pouca ou nenhuma importância terá no terreno (ou porque lhe puxaram as orelhas), preferiu alinhar com a “europa” e com a Liga Árabe. É mais uma a arquivar ao seu tortuoso percurso.

Viva os 99%

Parece que os 99% (indignácaros / festa-das-pulgas) espanhóis, fizeram um excelente trabalho. Falta Buraco Hussein Obama.

domingo, 20 de novembro de 2011

O princípio do fim do desastre

No ProfBlog:
O combate político e cultural ao socialismo é uma tarefa de sempre. Sem medo. Sem descanso. Porque o socialismo, qual fénix, renasce sempre. Há um lado da natureza humana que aspira por ele. O lado que preza os vícios da indolência, injustiça, imprudência, imoderação, inveja e mentira.

Vivamos da conspiração

Já não bastava a nossa Presidente da Assembleia da República advogar a alienação da soberania nacional, advoga btambém agora que se “conspire” contra os mercados.

Supunha eu que Fernando Nobre tinha sido preterido por alguém que ao contrário dele vivesse no mundo real. O tempo veio a revelar que a presidente vive politicamente no mundo dos gambozinos.

A “europa”, ensimesmada que se se convencesse que era uma potência seria uma potência, montou um bicho em que uma fatia considerável de si própria (vamos ver onde acaba) planeou viver à custa da restante.

A cada sinal de alarme, a “europa” foi-se habituando a responder com mais “europa” reforçando os mecanismos de “integração” que não eram mais do mesmo: viver à custa dos restantes.

Sem pés para manter as aparências foi conspirando contra os “especuladores” endividando-se sem tencionar pagar. A “fraternidade” pagaria a conta.

Perante a derrocada de mais uma histórica utopia, a “europa” descobre estar ainda no mundo em que os “especuladores” mandam mais que o previsto e para resolver a estrondosa derrota da inicial conspiração contra os “especuladores”, defende-se agora … o mesmo: conspirar contra os 'especuladores'.

sábado, 19 de novembro de 2011

¿Demasiado Co2"? Dr. Anton Uriarte

Via EcoTretas:

They want my money

No WUWT:


You can see why the AGW supporters’ heads are exploding as the Durban climate party approaches. It is obvious from the chart that years and years of subsidies and tax breaks and IPCC reports and various urgings by well-meaning but clueless pundits and billions in wasted taxpayer dollars have not succeeded in getting renewables up to even 3% of the total electricity generated. Less than 3%. It must drive them round the twist to contemplate their stunning lack of success at making water flow uphill.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os Governos Frankenstein e os Governos das Criaturas

Podemos desvalorizar dizendo que o assunto não tem relevância.
Podemos anuir achando que é melhor assim.
Podemos ridicularizar declarando que esta é mais uma teoria da conspiração.
Podemos qualquer coisa, menos alterar factos ou ignorar fios condutores.

Há demasiados anos que o paradigma da tomada e exercício do poder nas democracias ocidentais assenta na (promessa de) distribuição de subsídios e na apresentação de obras públicas insustentáveis para obter o favor dos eleitores.

Como forma de sustentar este paradigma, o poder político enredou-se crescentemente em conexões com o sistema financeiro por dois motivos fundamentais: por um lado, os Bancos são agentes de implementação e manutenção de mecanismos de financiamento continuado dos Estados nos mercados financeiros internacionais; por outro, os Bancos obtêm recursos internacionais e interagem com os Bancos centrais para emitir moeda e distribuir crédito ao consumo, constituindo-se assim em agentes da criação de uma falsa sensação de prosperidade individual e social.

O aprofundamento da conexão com entre o sistema político e o sistema financeiro fez com que as ligações de conveniência iniciais tivessem evoluído para redes de interesses cada vez mais profundas e cada vez menos veladas. Agora, os políticos soçobram perante as dificuldades de continuar a senda do endividamento de economias que, entretanto, enfraqueceram e perderam competitividade. Nesta circunstância, os políticos eleitos dão publicamente lugar àqueles que já exerciam o poder nas áreas financeiras. Lembram-se da estória?: a Criatura, depois de matar a família do Dr.Frankenstein, o seu criador, está presente no leito de morte do criador e promete depois cuidar da humanidade.

Supor que o problema se resolve, ou teria resolvido, aumentando a regulação do setor financeiro é uma falsa crença. A intervenção e a força exorbitante do setor financeiro na sociedade e na política são uma criação do próprio poder político. Necessário e indispensável é regular a capacidade de os Governos endividarem Estados e gerações por nascer como forma de comprar vitórias eleitorais. Necessário e indispensável é impedir que possam continuar a existir Governos Frankenstein.

Farage: What gives you the right to dictate to the Italian people?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Xaman Economics

Como funcionam os mercados, segundo as Teorias Económicas de Xaman:

1º Os escolhidos, aqueles que sabem o que é melhor para todos, virados a Poente, aos primeiros sinais de alvorada, prevêem que o Sol comece a erguer-se no horizonte e anunciam: "Juros da dívida italiana estão hoje a descer em todas as frentes, depois de Mario Monti ter sido indigitado primeiro-ministro."

2º 6 (seis) horas depois percebem que o dia está claro mas continuam a não avistar o Sol; voltam-se de costas e, estranhamente, vêem o Sol erguido a Nascente: "Italianos regressaram hoje aos mercados e pagaram juros recorde para se financiarem."

domingo, 13 de novembro de 2011

Dalai Lama apoia a energia nuclear

No Luz Ligada:
Numa recente visita ao nordeste do Japão para visitar as zonas devastadas pelo tsunami de Março o Dalai Lama referiu apoiar a energia nuclear como forma de trazer prosperidade e bem estar às populações do planeta.

Numa conferência de imprensa referiu-se ao perigo de acidentes afirmou que é impossível erradicar o risco completo do quotidiano humano seja a conduzir um automóvel ou a comer uma refeição e que por isso desde que se tomem as máximas precauções não teme a geração eléctrica nuclear.

Numa atitude de bom senso e realismo o Dalai lama afirmou que as fontes renováveis de energia são demasiado ineficientes para levar a luz eléctrica e que os povos precisam de energia nuclear para estreitar as diferença entre os ricos e os mais desfavorecidos.  

Comentadores

A falta de distanciamento, excesso de engajamento, militância na fracturante causa, incapacidade cognitiva em reconhecer o absoluto disparate relativamente à papa lamacenta chamada suprema "europa" tem deixado a generalidade dos comentadores de serviço falando sem pés nem cabeça.

Nesta generalizada inadaptação ao mundo real destaca-se a incapacidade em perceber que os mercados apenas reagem à crescente performance em insolvência das economias da "europa". É confrangedora a incapacidade em perceber-se que o crise financeira resulta da percepção pela parte dos credores da "europa" de que o bicho está imóvel, ferido, moribundo, ... mas os reguladores de Bruxelas continuam a parir autênticas Kama Sutras em bruxedo regulamentar.

De há uns meses a esta parte o nosso Presidente da República parece ter passado a fazer parte do referido grupo tentando encontrar sentido no euro-mundo do disparate.

Another one bytes the dust: Itália

Enquanto a esquerda italiana, em dolce vita, se dedicava à desbunda das aventuras do mundo das cuecas de Berlusconi, a economia italiana caiu ao esgoto. A mesma sinistra-esquerda depressa esquecerá Berlusconi.

Da treta da acidificação dos oceanos

... por

Grande vitória das renováveis

A 23/10 o vento apertou e as 'nossas' eólicas geraram finalmente algo de palpável. O duplo azar é que essa energia foi cobrada, como sempre, com língua de palmo aos portugueses, mas oferecida aos espanhóis.

O Ecotretas foi expulso do Facebook!

"Parece que a desculpa foi a de que o nome verdadeiro não era o que estava no Facebook"

"O gajo [Otelo] é parvo"

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A conspiração judaico-maçónica e as Pirâmides

As autoridades egipcias acabam de cancelar uma cerimónia que uns cromos polacos queriam levar a cabo nas pirâmides de Gizé.
Parece que os polacos acreditam no fim do mundo relacionado com uma qualquer história maia, e que mete de permeio as datas capicua ( 11-11-11 e 12-12-12).
Como entretanto surgiram lá pelo Egipto uns rumores de que vinham aí os mações judeus apoderar-se das pirâmides, ou meter lá umas estrelas de David, a cerimónia foi cancelada.

Maluqueiras à parte, este tipo de decisões das primaveris autoridades egípcias, dão bem a ideia dos freaks que a Primavera Árabe trouxe para os locais de decisão política.
Só num país de doidos e governado por doidos....


Os maravilhosos camelos revolucionários que brotam da "primavera" árabe

Via Nada Disto É Novo.

DUAS CARTAS




Em resposta a esta comédia de Paulo Porto, o comentador António Pedro Pereira tenta, através de um link, mostrar “o outro lado das coisas”… O link envia-nos para um blog onde são publicadas duas cartas. Uma carta aberta de um alemão aos gregos e a resposta de um funcionário grego.

Mas o mais engraçado é que as cartas provam precisamente o mesmo lado das coisas, o lado que Paulo Porto quis demonstrar com a sua comédia. Ou seja, são absolutamente sintomáticas do estado em que se encontram neste momento os dois países, e por tabela o nosso. Logicamente a carta do grego é, salvo raras excepções, mais do gosto lusitano, o que levou o dono do blog a intitular o artigo com como um grego ensina a um alemão a História das dívidas…

A verdade é que o alemão precisou apenas de 250 palavras para descrever com clareza, simplicidade e pertinência a situação entre os dois países. O grego, com o triplo de palavras (775), perde-se em queixumes infantis, insultos descabidos e disparates absurdos… E tudo isto muito mal escritinho, ou mal traduzido, porque, sejamos honestos, nós portugueses, salvo raras excepções, sofremos da mesma doença grega: quanto mais críptico e complicado o texto for, melhor.

Sempre pensei que fosse o único que se irrita com esta situação na comunicação (peço desculpa pela aliteração), mas não, I’m not the only one, uma simpatiquíssima portuguesa demonstra cientificamente que “quando uma pessoa não percebe (um texto) isto tem consequências graves, para a pessoa, mas também para o país…”. Uma beijoca para a Sandra e um abraço para o meu amigo Carocinho pelo envio deste filme:

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Hamas Terrorist Tactics in the Gaza Strip

Lisboa pondera gastar €3,2M em V.E.

No Luz Ligada (blog imprescindível):
Está em discussão na Câmara Municipal de Lisboa (CML) o aluguer de 54 a 70 veículos eléctricos pelo período de 5 anos. Um possível contrato no valor de €3,2M, ou seja, cerca de €50.000 por veículo. Com certeza a CML está apenas a cumprir esta resolução do Conselho de Ministros. Mas não deixo de ficar impressionado como assuntos destes chegam sequer a ser debatidos.

Entretanto, a DECO chumba híbridos.

Um Dia É Dia na União das Aldeias Encantadas



Lugar: Delegação de Atenas da União das Aldeias Encantadas
Presentes:
Papa Euros, grego, 50 anos, reformado.
Papa Gregos, grego, 30 anos, banqueiro discreto.
François Convaincu, francês, 40 anos, político
Fritz Parvo, alemão, 70 anos, parvo.

François Convaincu (amistoso) - "mes amis", estamos reunidos à volta desta mesa porque temos problemas muito sérios para resolver. O Para Euros está zangado com o Fritz Parvo, e o Fritz Parvo está zangado com o Papa Euros.

Papa Euros (desafiador) - Oh François Convaincu, eu não vim aqui para ouvir dizer que o Fritz Parvo está zangado comigo! Não foi para isso que eu te fiz Presidente da Junta aqui de Atenas o que me obrigou a reformar o anterior presidente da junta aos 40 anos. Tu estás aqui para defender a União das Aldeias Encantadas, e isso implica que tens de ser solidário com as Aldeias em dificuldades.

François Convaincu (amistoso) - “mon ami” Papa Euros, pois claro, tens toda a razão, mas não te preocupes, eu é que sou o Presidente da Junta e vou resolver isto. Explica o teu problema.

Papa Euros (aborrecido) - O meu problema é que preciso de comprar um iphone 6G porque o meu iphone 5G caiu na areia da praia. E fui ao supermercado do Fritz Parvo e ele não quer vender fiado. Achas bem?

François Convaincu (espantado) - Oh, mas isso não pode ser! Fritz Parvo, então tu agora não queres vender fiado? Não estás a ser solidário com o Papa Euros e isso vai contra as regras da harmonia na nossa União das Aldeias Encantadas.

Fritz Parvo (paciente) - Sim, pois, mas acontece que ele ainda anda a pagar a prestações o plasma que comprou há três meses, e eu acho que ele não tem dinheiro para me pagar o iphone 6G.

François Convincu (risonho) - ”mon ami” Fritz Parvo, mas isso não é problema. O Papa Gregos, que é banqueiro, empresta dinheiro ao Papa Euros e o Papa Euros fica a pagar o iphone em prestações ao Papa Gregos. Não é assim, “mon ami” Papa Gregos?

Papa Gregos (prestimoso) - Sim, por mim tudo bem, mas como o Paga Euros já me deve as prestações do barco insuflável que comprou para ir à pesca nas ilhas, e também me deve as prestações do iphone 5G que deixou cair na praia, eu agora não tenho mais dinheiro para lhe emprestar.

François Convincu (risonho) - “mon ami” Papa Gregos, mas isso não é problema. Eu, que sou o Presidente da Junta, sei muito bem que tu tens um papel fundamental na manutenção da felicidade na nossa União das Aldeias Encantadas. Então, se não tens dinheiro, o Fritz Parvo empresta-te e tu depois já podes financiar o Papa Euros.

Papa Gregos (serviçal) - E a minha comissão pelo stress de andar a dar crédito a quem sei que não o pode pagar, também recebo?

François Convaincu (risonho) - "mon ami” Papa Gregos, claro que recebes. Não te esqueças que és banqueiro, eu e o Fritz Parvo fazemos tudo por ti!

Fritz Parvo (ligeiramente impaciente) - olha, François Convaincu, eu não sei se isso vai continuar a ser possível porque eu já emprestei muito dinheiro ao Paga Gregos para ele financiar o Papa Euros quando vai comprar ao meu supermercado aqui em Atenas. Além do mais, também empresto dinheiro ao Papa Gregos, para ele emprestar dinheiro a ti, François Convaincu, para tu pagares a reforma do Papa Euros. É que eu começo a ter dificuldades em fabricar plasmas e barcos e iphones e ainda ter de emprestar ao Papa Gregos, ao Para Euros e a ti, François Convaincu. Com isto tudo eu próprio já devo imenso dinheiro ao Deng Pilim e vou ter que lhe pedir mais.

Papa Euros (indignado) – Mas tu és um fascista, é isso que tu és, um nazi igual ao teu avô que passou aqui pela aldeia há 60 anos, partiu tudo e não pagou nada! Tu és uma vergonha, consegues ser mais nazi que o teu avô!

Fritz Parvo (paciente) - Sim, pois, mas também me partiram tudo lá na minha aldeia. E não te queixes porque aquela seguradora americana, a Eisenhower Insurances, pagou a reconstrução das aldeias destruídas a toda a gente, por isso...

Papa Euros (indignado) - Tu não brinques comigo, nazi! Com as praias das ilhas aqui ao lado achas que era possível um homem pegar no dinheiro dos americanos e ir reconstruir alguma coisa? Isso é fácil de dizer para ti, que tens Invernos gelados e que se não fizeres uma casa e semeares no Outono não chegas à Primavera. Aqui tudo é mais difícil, a maior parte do ano podemos dormir na rua e uma cana de pesca traz sempre um peixe agarrado para um pobre grego poder comer.

François Convaincu (sério) - "mon ami" Fritz Parvo, tu tens que moderar essa linguagem nazi que herdaste do teu avô. Não foi para isso que fundaste comigo a União das Aldeias Encantadas. Esta gente aqui passa dificuldades, têm de andar a apascentar ovelhas em terrenos pedregosos, não é como tu que tens vacarias onde podes tirar 50 litros de leite a cada vaca cada vez que carregas num botão.

Fritz Parvo (paciente) - sim, pois, mas as vacarias tive de as construir e as máquinas com botões também.

Papa Euros (indignado) – Continuas com conversas de nazi! Achas que eu posso andar a fazer currais e máquinas para ordenhar ovelhas se o leite que tu envias para aqui é mais barato e ainda me dá tempo para ir todos os dias para a praia nas ilhas, achas? Tu devias estar agradecido por eu comprar o leite das tuas vacas que tu vendes no supermercado que abriste aqui.

Fritz Parvo (paciente) - olha, por falar nisso, nestes últimos meses também não tens pago o leite que tens levado...

François Convaincu (conciliador) - Bem, bem, "mes amis", vamos pôr termo a esta discussão. Olha, Papa Euros, eu vou falar a sós com o Fritz Parvo e depois falamos os dois contigo.


Alguns minutos depois…

François Convaincu (circunspecto) - O Fritz disse-me que vai fechar o supermercado que abriu na tua aldeia. Se quiseres beber leite vais ter de ir ordenhar as tuas ovelhas e se quiseres dinheiro vais ter de baixar os preços e ir tomar conta dos chapéus-de-sol que alugas aos turistas nas praias das ilhas.

Para Euros (indignado) - Grande par de malandros vocês me saíram! E pensar que te escolhi para Presidente da Junta da minha Aldeia...

François Convaincu (circunspecto) - Pois, Papa Euros, mas a realidade, afinal, também se aplica à União das Aldeias Encantadas, apesar de todos os meus esforços para evidenciar o contrário. E houve outra coisa que mudou: o Fritz Parvo agora chama-se Fritz Marco.

Churrasco de Gronelândia

ALAAAAAAAARME: Nunca nos últimos 200 anos a Gronelândia aqueceu tanto.

OOPS: Nos últimos 200 anos a Gronelândia esteve mais quente pelo menos por duas vezes.

OOOOOOOOOPPPPSSSSS: Nos últimos 4000 anos a Gronelândia esteve mais quente uma enormidade de vezes.

PRIMAVERA ÁRABE: SHARIA OU SHARIA LIGHT...

O Egipto, a Tunísia e a Líbia vão ter que escolher entre Sharia ou sharia light, mais cores não há, e o melhor é os islamistas ganharem as primeiras eleições, é o que nos diz Hamed Abdel-Samad, um alemão de origem egípcia que dá aulas no Instituto de História Judaica na Universidade de Munique e permaneceu meses seguidos na praça Tahrir.



Será que o Norte de África, depois do esperançoso sinal de revolução, vai escolher novamente a via da ditadura? Temo que sim. Será que os bombardeamentos da NATO aplainaram o caminho para a instauração da sharia na Líbia? Será que Bouazizi, o vendedor de legumes tunisino, se imolou para que os integristas islâmicos agora tomem o poder no seu país? Será que milhões de egípcios se manifestaram para que finalmente os militares partilhem o poder com os Irmãos Muçulmanos? Será que o sonho árabe acerca de democracia e liberdade não passa de um sonho? É perfeitamente possível responder com um SIM a todas estas perguntas, mas a situação é mais complexa.

Sharia como cavalo de Tróia

No Norte de África estamos perante um normal desenrolar de acontecimentos em período pós-revolucionário. Em primeiro lugar vêm à tona os males da própria sociedade, que a ditadura encobriu durante muitos anos: uns querem voltar ao período despótico, onde tudo era previsível, outros abraçam a primeira alternativa que se cristaliza. E como nos três países acima referidos não há muito por onde escolher, as pessoas neste momento hesitam entre sharia e sharia light. Uns querem integrar a lei islâmica em estruturas democráticas, outros querem que a sharia seja logo de início o metro padrão. Em ambos os casos a sharia é um cavalo de Tróia que pode fazer estagnar todo o processo renovador e fazer recuar em séculos estes três países.

Em todo o caso, será o Islão compatível com democracia? A resposta tem que ser um claro NÃO. Atrás da euforia provocada pela revolução árabe, muitos viram, cedo de mais, nos movimentos de libertação um sinal de que Islão e democracia são conciliáveis. Mas estes observadores desconhecem possivelmente a essência do Islão e desta revolução - ela não foi possível graças ao Islão, mas apesar dele. Antes e durante as revoltas as autoridades religiosas no Egipto, Líbia, Síria e Marrocos insistiam junto da população para não participarem nestas manifestações, porque seriam ‘anti-islâmicas’ e poderiam conduzir ao desmembramento dos respectivos países. Até mesmo a oposição islâmica no Egipto, como os Irmãos Muçulmanos, mantiveram inicialmente uma distância cautelosa – até ao momento em que era mais do que evidente que a ditadura tinha os dias contados. Só nesse momento é que se atreveram a sair à rua tentando monopolizar a revolta, e ultimamente, para ganhar a simpatia da juventude, até falam em democracia.

A religião é parte do problema

Mas a democracia nunca nasceu do ventre de uma religião, quase sempre se instaurou contra a vontade de autoridades religiosas. O Vaticano não se democratizou nem nunca liderou movimentos democráticos, foi simplesmente despojado do seu poder pelo Iluminismo. Mas este tipo de cepticismo em relação à religião é, na maioria das sociedades muçulmanas, ainda inexistente. A maioria dos árabes dizem que a religião tem que fazer parte da solução. Eu digo que a religião é parte do problema. O Islão, por razões muito simples, não se ajusta com uma democracia: o Islão parte do princípio que Deus é o legislador sobre cujas leis, obviamente, não pode haver discussão. Isto significa uma equidade entre a lei e a moral. A democracia, ao contrário, vê o homem como legislador e confere-lhe toda a liberdade, enquanto isso não afectar a liberdade dos outros. Mas o Islão também não precisa de ser adaptado a um sistema democrático para que a democracia funcione num país muçulmano. É apenas necessário compreender o contexto histórico do Corão, para assim se poder relativizar o conteúdo. Mas a maioria no mundo árabe ainda lá não chegou, e a minoria consciente deste problema evita o confronto. É verdade que a maioria é a favor de um estado de direito, separação de poderes e eleições livres. Mas sobre a defesa da liberdade individual as opiniões divergem bastante.

Uma democracia que respeite a tradição islâmica

Há uns meses atrás falei no Cairo com Abd al-Munem Abu Futuh, o candidato à presidência no Egipto e ex-líder dos Irmãos Muçulmanos. Ele não é a favor de uma república islâmica, porque nenhum homem se pode pronunciar em nome de Deus. Não é adepto do modelo persa mas sim do modelo turco: quer uma democracia que respeite a tradição islâmica e sobretudo as particularidades, como ele diz, da sociedade egípcia. Por isso é que ele, como presidente, não toleraria ‘liberdades desregradas’ que não se coadunem com o Islão. Porque, segundo ele, nenhuma democracia pode sobreviver se não tiver em conta as particularidades culturais de um país. Precisamente a mesma argumentação é utilizada por Rachid Al-Ghanouchi, o líder do Partido Tunisino para o Renascimento Muçulmano Islâmico (Ennahda). Mas os integristas religiosos, que querem impor a sharia na totalidade do mundo árabe com enorme apoio financeiro da Arábia-Saudita, pensam de uma maneira completamente diferente.

Na Líbia, Mustafa Abdul Jalil, o vitorioso Presidente do Conselho Nacional de Transição, não quer esperar que um parlamento eleito crie uma constituição para o país. Segundo ele o Corão será a futura constituição do país. Pelos vistos a Líbia não tem outra alternativa a não ser basear-se na sharia, porque até à queda de Kaddafi o país nunca teve uma constituição, nem tampouco instituições políticas que pudessem servir de modelo para o novo estado. Nesta situação os novos dirigentes podem apenas copiar a constituição de um ou outro país europeu, ou fazer um apelo a uma legislação que é aceite pela maioria. Mustafa Abdul Jalil acredita que a sharia poderia servir para manter a lei e a ordem. Ele não percebe que está a trocar uma forma de opressão por outra. Um problema adicional é a chegada ao poder de uma geração que nunca fez outra coisa senão combater: jovens islamistas que nunca tiveram um emprego, mas aprenderam a manejar uma metralhadora.

E a NATO? O que é a NATO pode ainda fazer pela Líbia? A NATO formou uma aliança com o Conselho de Transição sem capacidade de decisão sobre as regras para o período após a morte de Kaddafi. Além disso a Líbia tem muito petróleo e não está especialmente dependente do Ocidente. Se a Europa começar a implicar, os líbios podem, nas calmas, estabelecer relações comerciais com os chineses ou os russos.

Na Tunísia e no Egipto a situação é diferente

Para obter rendimentos estes dois países estão dependentes do turismo e de investimentos estrangeiros e não se podem dar ao luxo de se isolarem. É por isso que os integristas islâmicos no Cairo e em Tunis se comportam de forma moderada, sublinhando que não querem introduzir a sharia, mas simplesmente alguns princípios inspirados na sharia: justiça, solidariedade e a preservação da espécie. Fazem-no por puro pragmatismo, sabem muito bem que as expectativas dos jovens egípcios e tunisinos são enormes. Estes últimos querem emprego e prosperidade, não querem mais promessas vagas. Os integristas, por seu lado, vêem-se confrontados com um sério dilema: se abandonarem os seus slogans agressivos, para melhor se integrarem na vida política estabelecendo compromissos, perdem, em relação às massas, imediatamente a auréola de gente pura. Mas se se mantiverem fiéis à lei islâmica, com por exemplo uma proibição ao consumo do álcool e cobrança de juro, isso vai afastar os turistas e os investidores e destruir milhões de postos de trabalho. Por isso é que o jogo democrático é uma armadilha, em que os integristas podem cair.

Por esta razão penso que o melhor é os islamistas ganharem estas eleições e ficarem eles com a responsabilidade política e económica, para que as massas finalmente percebam que política em nome de Deus não vai dar rios de mel e de leite. Muito pior seria os liberais ganharem as eleições e perderem-se no grande desafio que têm pela frente. Sobre os escombros desta experiência falhada os integristas poderiam construir o seu projecto divino.




P.S. Neste link podem ver uma curta entrevista (em inglês) com um íman sírio que é a favor de um estado livre mas com sharia! Porque, segundo ele, “a finalidade da sharia é apenas dar liberdade, dignidade e paz às pessoas…”