quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O "direito" aos transportes baratos.

A avaliar pelos telejornais, em Lisboa anda tudo ao peido e coice pelo corte dos "direitos" nos transportes.

Os populares cujas entrevistas são escolhidas para passarem, manifestam, sem excepção, a mais forte indignação pelo facto de terem de pagar mais pelos transportes públicos e é notório que acreditam que ser transportado de um lado para o outro é um direito que o Estado deve garantir.

Tem sido, de facto, para alguns. Para os privilegiados que vivem nas cidades de Lisboa, Porto e uma ou outra mais.

Tem ao seu dispôr metro, eléctrico, autocarro, comboio, navios, etc, tudo por tuta e meia.

Tuta e meia que não paga o serviço que usufruem. A estratosférica dívida de 17 mil milhões de euros, três vezes superior às tropelias do Rei da Madeira, é paga pelos outros. Por aqueles que, como eu e como milhões de outros portugueses, não tem "direito" a transportes públicos e passes a preço de uva mijona.

Ora, pergunto eu, porque carga de água é que hei-de ajudar, com os meus impostos, a pagar o passe do Sr Silva, que vive na Rua Almirante Reis?
Tenho metro à porta, eu?
Tenho autocarro?
Tenho eléctrico?
Tenho comboio?

Não. Quando me desloco vou pelos meus meios e pago, sem passes e sem descontos.

Por isso, caros compatriotas de Lisboa e do Porto, rezem uma Avé Maria de agradecimento por terem acesso a equipamentos que milhões de outros portugueses só vêem por um canudo, e paguem por eles.
Se não querem pagar, vão a pé, de bicicleta, no vosso carro, como vos aprouver e, por favor, não me peçam a mim para pagar o vosso conforto.

16 comentários:

Fritz disse...

Posso bater palmas?

Ricardo Ribeiro disse...

Cria-se um (neste caso, 2) monstro e depois os outros é que têm que pagar.

CLAP CLAP CLAP!

Carmo da Rosa disse...

Absolutamente de acordo.

Até porque dentro de alguns anos, quando eu, saloio com sotaque do norte, perguntar ao simpático morador da Almirante Reis onde fica o Cais do Sodré? Ele vai de certeza absoluta responder-me com o charme de um verdadeiro habitante do Portugal profundo:

ó compadre, é já ali em baixo...

Paulo Porto disse...

"Faxista", pá

Streetwarrior disse...

Então seguindo pela lógica do Lidador, qualquer infrastrutura que seja disponibilizada no Porto, os de Lisboa como não usufruem, não têm que pagar?
Será?
Será a evolução de infrastruturas um " desvariu " social ou o avanço das Sociedades?
...E diga lá o Sr Analista se os " Navios " são uma "luxuria " só ao serviço de alguns, como é que eu me desloco do Barreiro para Lisboa?
Triste ,Triste, é a Capital de um Pais, não ter Insfrastruturas de Transportes a partir da 01H30...e que caso eu não tenha Dinheiro para 1 Táxi, para fazer 7/8 m de uma ponta a ouytra de Lisboa, Tenha que esperar pelas 5 da matina.

Em nenhuma reportagem ouvi alguém dizer ou manifestar que o Estado tem que ser responsavel por "oferecer " transportes Grátis.
Mas será que os buracos orçamentais se devem ás pessoas pagarem pouco de passe...ou será os trabalhadores dessas empresas serem explorados nos seus vencimentos e as Administrações terem regalias de "chefes de Estado " ?
Vocês ao invés de se revoltarem contra os Boys Burgueses instalados nas Administrações que nem a merda do Orçamento de casa conseguem gerir, acham que as pessoas que trabalham, é que têm culpa desta merda estar a afundar.

O-Lidador disse...

"como é que eu me desloco do Barreiro para Lisboa?"

E que tenho eu a ver com isso? Porque acha que tenho de comparticipar as suas despesas?

Eu não tenho nem autocarro, nem metro, nem ferry, nada.

Como eu, milhões de portugueses.
Porque haveremos de estar preocupados com a maneira como se você vai do Barreiro a Lisboa?

Se os transportes são de Lisboa, quem os utiliza que os pague ou que sejam lançadas taxas sobre os habitantes de Lisboa e arredores, se entendem que é um serviço "social".

O que é fundamentalmente injusto é que aqueles portugueses que não têm nem sonham ter esse tipo de serviços, estarem a pagar, via impostos, os confortos de alguns.

Streetwarrior disse...

Lidador, mas que raio de lógica é esta?

"" E que tenho eu a ver com isso? Porque acha que tenho de comparticipar as suas despesas?""

Mas quais minhas despesa?
Então, se formos por essa lógica, não se constroem Pontes no Barreiro, porque as pessoas no Vale da Figueira não têm rios para atravessar.
Não se constroem linhas ferreas num ponto do pais , porque noutro também não as têm!

E eu, não pago o conforto de outros em diversos pontos do pais e dos quais não usufruo?
Eu não ando de comboio...porque tenho eu que pagar o comboio a quem anda?..será esta a Lógica?
Então não vivemos numa comunidade, vivemos em individualidade?

Com respeito ás administrações dos burgueses...nem uma palavra.

Streetwarrior disse...

Além do que, eu contribuo pagando os meus passes, logo não usufruiu de graça?
Se o Bolo do dinheiro de Todos é mal gerido, ai concordo consigo, lógicamente, mas então, perguntemos...será que os Cabrões que estão nas Administrações destes serviços, usufruem destes serviços para estarem a ganhar tanto dinheiro assim? Ou andam com os motoristas pagos por si e que também não usa o Popó deles?
Olha que lógica do caraças eihn?

O-Lidador disse...

" E que tenho eu a ver com isso? Porque acha que tenho de comparticipar as suas despesas?""

Mas quais minhas despesa?
Então, se formos por essa lógica, não se constroem Pontes no Barreiro, porque as pessoas no Vale da Figueira não têm rios para atravessar.
Não se constroem linhas ferreas num ponto do pais , porque noutro também não as têm!

"E eu, não pago o conforto de outros em diversos pontos do pais e dos quais não usufruo?"

Se paga,não devia pagar.

O que todos pagam, via impostos, são as externalidades, as coisas que não podem ser custeadas pelos usuários directamente. Como por exemplo a segurança, as estradas, etc ( e estas, por acaso até podem, em certos casos).

Fora disso, trata-se de fazer uns pagar pelos confortos dos outros.
Os transportes citadinos são a expressão mais iníqua desta situação.

Para que os habitantes de uma dada cidade possam usufruir de certos confortos e serviços, pagam outros.

Se todos os portugueses tivessem à disposição essa benesse, até se poderia compreender um pagamento via fiscalidade. Mas não.
Os transportes multimodais são uma benesse só de alguns.
Pois que a paguem,tal como eu pago os meus deslocamentos.

".porque tenho eu que pagar o comboio a quem anda?"

Não tem. Se a empresa de comboios for privada, trata-se de um negócio como os outros.
Você vai ao Casino Estoril a paga a sua despesa. Vai ao Ganbrinus e paga você.
Vai de comboio e paga você.
Justo,simples e a melhor maneira de baixar os impostos.

" não vivemos numa comunidade"

Comunidades dessas tb eu quero, desde que esteja nos que recebem e não nos que pagam. Mas acontece que é o contrário e não vejo qualquer razão válida para pagar mais por serviços que só servem alguns.


Adminstrações burguesas?

Deixe-se de categorias marxistas. Não tenho paciência para cadáveres.
As administrações são estatais, tratam de "direitos" e aí é que está o problema.
No dia em que gerir uma linha seja um negócio como qq outro, outro galo cantará.

Até lá, já sei que sou eu, que vivo numa aldeia do interior, que irei pagar as dívidas que resultam dos "direitos" de uma minoria.

Streetwarrior disse...

Pois que paguem.
Ok...eu aceito,claro que tenho que pagar.
E não pago?Não pago o meu passe dos transportes que uso?
Não é suficiente?
Porquê?
Porque se vive num corporativismo, onde os lucros vão para os accionistas e as despezas para o erário publico.

Querem pagar somas astronómicas a administrações que dão o passo maior que a perna com o aval de ministros corruptos, é lógico que esta merda não anda.

Mas agora também eu lhe pergunto...se eu nunca pus o meu guito no BPN,porque razão tenho que pagar as dividas do banco?

Portanto, a meu ver, em causa não está se os transportes são do Estado ou do privado.
Em causa, está o corporativismo que o estado auxilia grandes accionistas que sabem quem invistam lá o seu guito ou não, ele é sempre recuperavel, com o seu e o meu dinheiro.

O que é publico, deve ser gerido como publico, pois é de todos nós.
E o Lidador quando vem a Lisboa, paga o bilhete ao mesmo preço que eu, quando ando de comboio no Porto.
Não sei até que ponto,privatizar uma empresa que presta serviços indespensáveis ao publico, não o fará pagar as suas dividas quando esta entrar em falencia,visto que é um serviço indespensavel.

Estes FDP, criam um monopólio corporativista e nem deixam ninguém concorrer contra,tal não é a chunguisse deste pais, na mão destes Lobbys.
...e tão cedo não saimos disto!!
A mentalidade dos Kapos cá da Sicilia Tuga é quanto mais miseraveis,melhor são de controlar.

Streetwarrior disse...

E mais...
O comboio, nem sempre abrangeu a area que hoje abrange.
teriam os do Norte que pagar quando o Comboio ainda não tinha chegado ao Porto?
Mas hoje chega.
O Metro, hoje abrange uma area maior.
Aplica-se o mesmo.
Eu sou da opinião que o Estado, deve prestar os minimos serviços que possam garantir a deslocação....e deixar concorrencia aberta para haver escolha.
Porque razão só existe uma empresa a prestar todos estes Serviços?...e ainda por cima na mão do estado?
Pois é....lavagem de dinheiro,corporativismo,Lobby etc.
Não é o Povo que quer andar de graça ou a preços da "uva mijona"

Deixe-me colocar a coisa de outra maneira?
O lidador diz;
"" . Como por exemplo a segurança, as estradas, etc ( e estas, por acaso até podem, em certos casos).""

Então se o Estado não me controi uma ponte para este lado, como é que eu passo o Rio?
Tenho que pagar a empresas privadas para o fazer...né!
Então...mas o rio é deles para se estarem a aproveitar dessa falta de infrastrutura e fazerem negócio com o que é de todos?

Streetwarrior disse...

Lidador.A Grande pergunta tem que ser.
A que ponto é que se torna "transácionável" um bem que melhora a vida de todos nós como valor de mercado negociavél?

RioD'oiro disse...

SW:

"melhora a vida de todos nós"

? nós, quem?

Streetwarrior disse...

Rio, quando falo, falo como comunidade.
Quando se constroi estradas no Norte, não melhora o nivel da sociedade de Portugal?
Eu não vivo no Norte.

O-Lidador disse...

Caro SW, há estradas no Norte, no Sul e nos arredores.
Não há metro em Bragança, não há autocarros na minha aldeia,não há cacilheiros aqui neste Rio.

Os transportes em causa servem uma população específica. É essa população que tem de os pagar. Pagam o passe? Pois muito bem,mas que esse passe pague os custos de exploração.O que não pode acontecer é a pratica de subsidiação pelo Estado central.
Já pelas câmaras municipais envolvidas, não tenho nada a opor,é uma escolha que fazem.

No fundo é o que se passa com as estradas comarcais. Servem uma comarca, são pagas pela autarquia.
Tão simples quanto isto.

Eu pago do meu bolso, em transportes, mais de 200 euros por mês. Não há passes nem subsídios. A "comunidade", não larga o graveto para eu me regalar.

E em cima disto, diz-me você que devo pagar o seu passe.

Ora bolotas!

Lura do Grilo disse...

Apoiado. Eu tinha 4 autocarros por dia para casa e pagava tanto por 10km quanto alguns privilegiados pagavam de comboio por 50km .