terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Olavo de Carvalho: O eterno futuro


[Olavo de Carvalho, transcrição de parte de uma aula]

[Clicar e avançar para 11:35] É da própria natureza do processo revolucionário não saber exactamente onde vai chegar porque se uma revolução tivesse metas absolutamente definidas ela poderia ser julgada a partir da realização ou não dessas metas mas se ela admitir isso ela tem que admitir também uma autoridade soberana acima dela, quer dizer, ela vai ser julgada. Mas um processo revolucionário que aceita ser julgado por uma ordem externa ele elimina-se a si mesmo então, seria algo contraditório.

A revolução é ao mesmo tempo a força que conduz o processo e ela tem que ser ao o tribunal de última instância. Só ela é tribunal de última instância então ninguém a pode julgar desde fora. Então, não é possível, jamais, uma força externa à revolução que seja a própria população julgar a revolução e absolver ou condená-la, saber se ela atingiu os seus resultados ou não.

Por outro lado como a dialéctica interna do movimento revolucionário consiste em você se arrogar no presente uma autoridade que vem do futuro, de um estado futuro ao qual a revolução está tendendo, então, naturalmente, o futuro é que passa a ser o juiz mas acontece que ao mesmo tempo como o único juiz possível é a própria elite revolucionária, então a elite revolucionária se identifica com o futuro e, naturalmente, para onde essa elite se desloca também o futuro se desloca com ela. Então você vai empurrando o futuro com a barriga, o futuro nunca chega e então a revolução nunca pode ser julgada. Isso quer dizer que também daí decorre uma consequência, também inevitável, que é a perfeita irresponsabilidade histórica que é inerente a todo o processo revolucionário. Nenhuma elite revolucionária pode jamais responder pelos seus feitos porque ela não tem perante quem responder, não há um tribunal perante o qual ela possa responder. O tribunal é o futuro mas, ao mesmo tempo, o futuro é personifica o futuro é a elite revolucionária. [13:50].

Quando as pessoas perguntam como é possível depois de tanta violência, tantos crimes, tantos fracassos da história do comunismo o pessoal ainda se apresenta em público defendendo o comunismo com a mesma cara de pau como se nada tivesse acontecido. Então o observador leigo imagina que é uma espécie de hipocrisia mas eu digo que não é hipocrisia isso é uma estrutura inerente ao processo revolucionário. [14:18]. Assumir a responsabilidade pelo que você fez só é possível dentro de uma ordem social no qual haja uma instância julgadora que não é a mesma força agende do processo. [14:32].

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