quinta-feira, 1 de março de 2012

A escalada


Escrevi tempos atrás que a argumentação sobre a legitimidade e a legalidade do aborto utilizada pela esquerda e pelas mentes livres em geral, nos levaria a concluir que se poderia considerar como aborto todo o assassínio que tivesse por vítima alguém até aos 15 anos.
Ou seja, alguém que, segundo Piaget, não houvesse ainda entrado na posse do raciocínio abstracto, o qual, alargando a consciência aos seus limites definitivos, completa o desenvolvimento humano.
Não é difícil perceber nem isto nem a tenebrosa ditadura que, como não podia deixar de ser, este novo iluminismo vem firmando, pela mistificação dos conceitos de liberdade e democracia.
Por isso, só as boas almas poderão estranhar o que aqui se diz. 


2 comentários:

O-Lidador disse...

Nada de novo debaixo do Sol. Em Esparta fazia-se isso mesmo. A criança nascia com algum defeito aparente?
Ravina com ela.

Por vezes parece que andamos em círculos.
O desejo da esquerda de ser "fracturante" e essas tretas, leva-a sempre a fazer e a propor exactamente o contrário daquilo que as suas "boas intenções" apregoam.
A tal "trasncendencia" de que falava o Gonsalo...é-se facticamente o contrário daquilo que se acredita ser, transcendentalmente.

Sartre, ele mesmo um idiota útil da esquerda pró-soviética, chama a isto "má-fé" e dava o exemplo do empregado de mesa que se considerava artista. Na sua cabeça era um artista, na realidade era um empregado de mesa que acreditava ser artista porque queria ser artista.
Ou como o camarada Jerónimo. Na realidade é um deputado e um político, há dezenas de anos. Mas acredita ser um "operário".

José Gonsalo disse...

Ou como o Cesariny dizia naqueles versos que tantas vezes tenho citado:

"gente (...) tão recomplicada/ tão bielo-cosida/ que já consegue chorar, com certa sinceridade/ lágrimas cem por cento hipócritas