sexta-feira, 2 de março de 2012

Resebidu pur imail



Com a indicasaum du nome da autora, Maria Clara Asunsaum, i u rexpetivu linq: 


O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuir um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inúteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo pode tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?

6 comentários:

Paulo Porto disse...

Caro JG

Talvez já tenha reparado que a melhor forma de promover o republicanismo é pôr um monárquico, daqueles mais puros, a falar. Eepois de muitas asneira e mais contradições, um monárquico é o melhor fabricante de republicanos.

É o caso dos opositores ao AO; é pô-los a falar e, espicaçá-los devidamente e, no fim, concluímos que são contraditórios, inconsistentes, e que invariavelmente têm tendência (consciente ou inconsciente) de recorrer aa redução da opinião contrária ao absurdo. Ora, em retórica, a redução ao absurdo de uma opinião ou é muito bem usada ou funciona em sentido contrário. É o caso do seu email.

Fica-me ainda a sugestão de uma "passagem de olhos" pela ortografia usada numa obra lida e traduzida por toda a Europa culta do século 18, e escrita por um "ignorante" desprezado e perseguido, obviamente, pela nacional-estupidez do tempo, em tudo paralela aa nacional-estupidez de hoje.
Aqui: http://purl.pt/118/1/

O Raio disse...

Que disparate!
Estar contra o acordo ortográfico é estar a favor da reforma de 1911, feita à revelia do Brasil e tendo por objectivo aproximar a ortografia portuguesa da espanhola.

Phoda-se, sejam coerentes e apoiem é a ortographya do Século XIX!

José Gonsalo disse...

Paulo Porto e Raio:
Responderei aos comentários lá para segunda-feira. E em forma de post, para esclarecer melhor algumas coisas.
Abraço e bom fim-de-semana para todos.

Carmo da Rosa disse...

Porqe Naum? Ao prinsipiu xoca um poucu, max depoix de algum tempo a jente abitua-se i a ortografia é asim bem maix lojica i eficiente.

O-Lidador disse...

Por acaso penso que este poste nada tem de ridículo.
Limita-se a antecipar o que inevitavelmente acontecerá.
E tem uma lógica muito dificil de contestar.

Claro que nós, aqueles que aprendemos como aprendemos, olhamos com superioridade para isto e recusamos a mudança (é sempre assim) mas, para além desta recusa algo snob e, vá lá, comodista, não temos realmente argumentos de peso para contestar.

A maneira como escrevemos, já a memorizámos, já temos as palavras desenhadas na nossa cabeça, nem sequer pensamos na sua lógica ou racionalidade, mas se pensarmos mesmo, vemos que aquilo que é dito no poste é claro como a água.

Streetwarrior disse...

Bem, consigo ver a ideia que até me parece algo positiva por trás deste raciocinio, no entanto não concordo com certas palavras como estão ateradas.
É o Caso do " Maix; max e a forma como se subestitui o " S " pelo " X ", não me soa bem e não me parece que esse seja o som fonético da entoação da letra.

No caso do " Que ", subestituido pelo " Qe " penso que a letra " È " não faz qualquer falta, visto que a letra " Q " já tem foneticamente o " È ", logo seria mais simples só o " Q ".
Exemplo;
Mas como será q escreveremos no futuro?
Aliás, as pessoas que normalmente têm que escrever textos ditados ou que têm pouco tempo para escrever, costumam abreviar sempre por " q " ao invés de escreverem a palavra toda...
Esta ideia expressa no texto é tão lógica que quando pretendemos escrever uma palavra que não seja na nossa lingua, procuramos escrever-la, pelo som com que é fonéticamente entoada, o que lógicamente também deveria servir de exemplo na nossa lingua.
É um texto interessante apesar de não concordar com algumas palavras.

P_S;
Isto para as pessoas já em idade adulta e tal como o Lidador afirma, será o cao dos trabalhos, visto que já temos automáticamente o desenho da palavra na nossa mente e quase nem pensamos em como escrevemos...damos á caneta e já tá.