segunda-feira, 23 de abril de 2012

VIVRE ENSEMBLE





 (A entrevista está dividida em duas partes, dois vídeos)

A mundialização vista de França 

No melhor programa de entrevistas da Tv. Francesa (Zemmour et Naulleau) Naulleau, ao introduzir Christophe Guilluy, o geógrafo muito na berra que escreveu Fractures Françaises, diz que Zemmour (o parceiro dele) tem dois grandes admiradores: Mick Jagger e o dito cujo geógrafo. 

Zemmour confirma que é um grande admirador mas não se inibe de dizer ao geógrafo que Mick Jagger canta melhor do que ele escreve, mas acentuando imediatamente que este é realmente o único defeito do geógrafo, passando logo a seguir a fazer um curto mas conciso resumo do livro que retrata com precisão o grave problema com que a França [ler Europa] actualmente se debate: a mundialização. 

(Traduzi só o início: o resumo que Zemmour faz da temática do livro, o resto do debate é mesmo só para quem aproveitou as aulas de francês. De todas as maneiras é melhor do que nada, ou seja, do que espetar com o vídeo e os outros que se amanhem!)


A mundialização dos últimos vinte anos proletarizou as classes médias reconfigurando o território nacional em grandes metrópoles privilegiadas, (porque são o centro do fluxo da mundialização) e em longínquas e abandonadas cidades de província carentes de tudo, mesmo dos serviços públicos.

Neste enquadramento, os subúrbios [das grandes cidades] são desfavorecidos [socialmente] em relação à grande metrópole, mas mais favorecidos do que as povoações abandonadas de província, porque se encontram nas imediações das grandes metrópoles. 

Existe uma insegurança económica e social, e a esta insegurança vem juntar-se uma insegurança cultural provocada pelo multiculturalismo, que você explica muito bem quando diz que nos subúrbios ninguém gosta de estar em minoria, e que a partir de um certo grau ou fluxo migratório passam irremediavelmente a existir maiorias e minorias.

E quando a maioria nos subúrbios é proveniente da imigração, o que se verifica é que esta gente passa a viver, muito naturalmente, como no país de origem [com os mesmos hábitos e costumes]. E neste caso, a minoria, ou seja, os franceses de origem, têm o sentimento que não estão no seu país e na primeira oportunidade mudam-se para outras paragens [longe da grande cidade].

Este distanciamento, esta separação, faz do VIVRE ENSEMBLE uma anti-frase [uma frase oca], porque, muito precisamente, o conceito é muito utilizado quando o fenómeno deixa de existir… É um conceito inventado pelos ‘bobos’ [esquerda caviar], que vivem muito longe desta promiscuidade social e étnica, fonte de muitos conflitos.

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