domingo, 6 de maio de 2012

Carta de demissão de Nicolas Sarkozy

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Francesas, franceses, caríssimos compatriotas,

Ao fazer o balanço do meu mandato, revendo todos os acontecimentos e as transformações que tentei implementar na nossa sociedade desde que fui eleito (lembro que foram vocês que me elegeram em Maio de 2007), fiquei com a impressão que os franceses são uns eternos insatisfeitos e que, faça-se o que se fizer, haverá sempre 50% de descontentes e o resto tampouco será muito feliz. Mesmo se por vezes cometi alguns erros, assim como os governos anteriores, queria apenas que o nosso país entrasse finalmente na era da modernidade. Visto isto, a Carla e eu decidimos oferecer-vos o melhor presente, e que parece ser o vosso desejo: Apresento a minha demissão de Presidente da Republica Francesa e decidi retirar-me com a Carla e a família para o fim do mundo.

Levo comigo o meu “bling bling” que tanto vos fez rir mas também o meu relógio Breitling de 58000 euros. Vou vender o magnífico apartamento de Neuilly-sur-Seine que todos vocês gostariam de possuir e viver com esse dinheiro juntamente com as reformas que vou auferir de todas as minhas anteriores funções. Enquanto o Serviço de Pensões tiver fundos para me pagar. Bronzearemos os nossos corpos de abastados nos iates do Vincent Bolloré, iremos novamente visitar as pirâmides na companhia do nosso amigo o Rei de Marrocos e assim evitamos de ouvir as vossas eternas choraminguisses…

Não me vou ocupar mais com esses idiotas de estudantes encapuçados que pensam em ter uma reforma antes mesmo de conseguirem um emprego, sempre prontos a agredir a Polícia de Choque assim como o Ministro da Educação, seja ele qual for. Não serei mais obrigado a apertar a mão a esses palhaços dos sindicatos que chateiam os franceses com greves constantes, apesar de terem uma representatividade de apenas 7%, apesar dos chorudos salários que ganham como sindicalistas. Julgam ter soluções para todos os problemas actuais e querem aplicar ao nosso país medidas que levaram a URSS e o seu povo à miséria e à fome em nome de um sectarismo arcaico e de privilégios adquiridos e para muitos obsoletos, mas que contribuem para o empobrecimento do nosso país.

Não verei mais a tromba de pudim dos socialistas, sempre prontos a defender os sem-abrigo, enquanto eles, coitados, vivem na ‘place des Vosges’ e no chic ‘Septième Arrondissement’. Defendem a diversidade e o multiculturalismo mas colocam os filhos em escolas da elite, onde os únicos muçulmanos são os descendentes de embaixadores e de homens de estado. Não estou mais disposto a ouvir muçulmanos feios e barbudos que arrasam igrejas nos países deles ao mesmo tempo que exigem mesquitas no nosso, e que são suficientemente estúpidos para se fazerem explodir em nome do Islão e de um profeta de quem Ataturk dizia “o Islão é a teologia absurda de um beduíno imoral”.

Estou farto de ouvir esses “pensadores” de merda que querem fazer crer aos franceses que o nosso país é uma ditadura, onde a polícia está sempre pronta a maltratar imigrantes, e que não percebem que se os imigrantes não têm pressa de voltar para o país deles, é porque precisamente no país deles a polícia os maltrataria de verdade se ousassem deitar o fogo a UM único automóvel. Estou farto de ser chateado por aqueles que dizem que o aluvião do terceiro-mundo que invade o nosso país é uma felicidade para a França, mas queixam-se constantemente de que a polícia nunca está presente quando precisamos dela logo que um imigrante lhes toque no carro ou roube o telemóvel do filho.

Acabou-se (para mim), as greves da SNCF [CP francesa], desencadeada por tipos mimados como se ainda alimentassem as locomotivas a carvão. Que se empertigam quando se lhes pede UM minuto de trabalho extra, pago a dobrar ainda por cima, mas podem viajar de graça em todas as linhas, todo o ano, e mesmo durante as férias. Livre de funcionários públicos que não mexem uma palha mas que conseguem – apesar de serem duas vezes mais numerosos por habitante que nos Estados Unidos e na Alemanha, sem falar no Japão – fornecer um serviço público três vezes pior (são vocês que o dizem). Acabou-se, os jornalistas que passam a vida a criticar o meu modo de vida mas que gostariam de estar no meu lugar, e que ficam todos contentes quando os levo a passear aos quatro cantos do mundo, tudo pago pelo contribuinte.

Farto até aos cabelos dos conflitos com esses nabos da selecção [futebol] francesa, que julgam que são o centro do mundo, que cospem na França às escondidas mas que nem sequer são capazes de ganhar jogos que justifiquem os enormes salários que lhes pagamos. Parto e deixo-vos na vossa própria estrumeira que vocês próprios criaram. Amanhem-se com a Martine Aubry [Partido Socialista], é casada com um muçulmano (a coisa promete!). Amanhem-se com a CGT e o Partido Comunista com as mãos ensanguentadas com mais de cem milhões de mortos e que ninguém se atreve sequer a proibir. Com a Federação dos Parentes de Alunos, mais interessados em defender ideologias esquerdistas e os professores do que os próprios filhos. Sempre contra a energia nuclear, que é a única coisa que ainda nos vai salvando.

Com o desemprego que incita a tudo, menos a procurar trabalho, com a reforma aos 55 anos, com a SIDA, EDF, GDF, o Dalaï-Lama, Bernard Henry-Levy e o Fabius. Amanhem-se com a subida do preço do petróleo que vai de novo ressurgir, com a recessão, a verdadeira, enquanto que os países com gente menos parva do que vocês estão em plena ascensão económica. Vocês, que se quiseram armar em chicos-espertos e que pensavam que conseguiam aplicar o vosso dinheiro melhor que o vizinho do lado, e agora pedem ao Estado para absolver a vossa dívida descontando-a dos vossos impostos. Quando será que ireis compreender que o Estado não é a vossa mamã?

Peçam aos socialistas, peçam à Sègoléne Royal, madame-vou-vos-oferecer-o-céu-e-a-terra. Exijam ao Presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, mais conhecido por Bertrand Embraiagem (o pedal da esquerda), para que a profissão de taxista em Paris seja livre para que possamos finalmente apanhar um táxi em todas as esquinas da cidade, a toda a hora do dia e da noite, e a cinco euros a corrida, como em Nova Iorque ou em Berlim.

Peçam-lhe para ele acabar com a vigarice dos 15% de serviço nos cafés e restaurantes, quando vos servem uma sopa de má cara. Peçam para trabalhar menos e ganhar mais, porque parece que ainda não perceberam que a medida das 35 horas por semana vos empobreceram consideravelmente, e que os vossos concorrentes esfregam as mãos de contentes.

Aproveitem a ocasião para pedir ao governo que saque dinheiro aos ricos para dar aos pobres – que vocês na realidade são! – vós, que quereis todos ser ricos. E quando os ricos forem pobres e não vão poder mais dar-vos trabalho, e quando o vosso fantástico governo já não souber onde buscar dinheiro para vos dar, eu estarei LONGE e FELIZ, sem vocês claro, que tanto quiseram a minha partida.

Meus caros compatriotas, deixo-vos com as vossas greves pela reforma, com os vossos fantasmas de crianças mimadas que ridicularizam a França (a partir do Campeonato da Europa de Futebol digam-me quem são os campeões do ridículo).

Da Carla e da minha parte, um grande abraço.
Nicolas Sarkozy

Jean-Patrick Grumberg (trad. CdR)
 


 

10 comentários:

ml disse...

E acha que a Carlinha vai continuar?

ml disse...

Afinal o Alberoni provou por um mais três que ela já não precisa dele para nada...

Carmo da Rosa disse...

ML disse: ”E acha que a Carlinha vai continuar?”

HUUUUUMMM. Um homem daquela idade, com aquele físico (e ela com aquele), com um comprovado ‘salle caractère’ e sem o poder que tanto erotiza as mulheres…. vai ser difícil.

O-Lidador disse...

Boa carta.

Tb tenho a impressão de que o Hollande vai servir de idiota útil à Le Pen.

"sem o poder que tanto erotiza as mulheres"

Ahhh?
Será possível que o CdR afinal veja coisas que há uns dias parecia não ver?
Sim, eu tb acho, mas então, e não seria mais progressista que o poder das mulheres tb erotizasse os homens? (infelizmente elas queixam-se de que eles têm medo delas, quando as sentem inacessíveis)

A que se deverá esta subtil diferença?????

RioD'oiro disse...

Machas:

http://www.youtube.com/watch?v=4xK-tT2VeZE

ml disse...

eheheheh, boa, camarada-geral... Consegue ver tudo ao contrário... É um dom!

Carmo da Rosa disse...

Lidador: ”Será possível que o CdR afinal veja coisas que há uns dias parecia não ver?”

Eu estou sempre a ver da mesma maneira!

Por falar em VER, imagine que a Carla, aborrecida em casa e sem que fazer no imenso apartamento de Neuilly-sur=Seine, olha para a janela e vê um jovem e belo limpa-vidros em pleno exercício da sua função. A Carla, salvo seja, é acometida de pensamentos eróticos que imediatamente pensa por em prática despindo-se libidinosamente à frente da janela onde o rapaz apenas repele a água para a direita e para a esquerda.

O rapaz faz sinais à Carla para que ela lhe abra a janela, o que ela imediatamente faz. Mas o rapaz, em vez de saltar para dentro do salão, passando por cima da poltrona reservada ao Nicolas, permanece timidamente da parte de fora e diz muito simplesmente: Je m’excuse madame, mais je suis pédé…

É que, assim como os homens, há muita coisa que erotiza as mulheres. Dê uma vista d’olhos no livros da Nancy Friday

ml disse...

E o 'Relatório Hite' tem quase 50 anos e já lá está praticamente tudo...

Carmo da Rosa disse...

O que é o relatório Hite?

ml disse...

O Relatório Hite é este, publicado nos anos setenta.

http://www.alfarrabista.com/capas/200/1031429.jpg