sexta-feira, 4 de maio de 2012

Once upon a time in Alentejo

 

 
Lidador disse: Mas é isso mesmo que lhe estou a dizer. Essa amizade, esse conhecimento, surgiram de quê, homem de Deus? De convívio civilizado, de tratamento educado, de confiança que se foi ganhando.. 

Não obrigatoriamente. Convívio civilizado e tratamento educado são conceitos que cada um preenche à sua maneira e que se prestam a todo o tipo de interpretações, por vezes mesmo fazendo um apelo ao Espírito Santo. Mas a sua ideia (interpretação) de convívio civilizado e tratamento educado, no que diz respeito à relação com mulheres é, mais coisa menos coisa, parecida com a minha – falamos a mesma língua, apanhamos com a mesma religião encima do lombo, lemos os mesmos romances (do Eça) e a educação que os nossos pais nos deram não deve divergir 180 graus, penso eu!

Mas isto já não serve para o meu filho, por exemplo. Ele tem obrigatoriamente outra ideia da coisa. Porque fala outra língua, leu outros textos, tem outras referências e teve uma educação diferente. O ponto da questão é saber se houve uma evolução, e se ideia dele (sobre relações com mulheres) é melhor, ou pelo menos diferente da nossa...

Eu penso que sim, você pensa que não – faz da sua interpretação o metro padrão! (pelo menos é a impressão que me dá).

Lidador disse: No fundo, o CdR, em vez de ver a coisa como um processo, quer isolar o momento do truca truca. Mas você normalmente não chega ao truca-truca, assim, como nos filmes pornográficos, com um estalar de dedos.

Mas quem lhe disse que chego à queca estalando os dedos? Isso é a sua interpretação, porque a palavra queca, ainda por cima dito por uma mulher, choca tremendamente com a sua ‘Weltanschauung’, visão do mundo e termo querido de Freud. Por falar em Freud, ao meu filho nunca lhe ocorreria utilisar neste caso o eufemismo truca truca! Será por isso menos civilizado? 

Lidador disse: Pronto, se quer chamar "contexto" , ao modo como seduziu a senhora, está à vontade. Tenho já a certeza que não foi de chofre e à mocada, mas com conversa e simpatia..

Terrível ó primo? você quer à viva força tirar a iniciativa à mulher! Já lhe disse que foi ela que me seduziu. E o mais grave é que eu no momento nem sequer me dei conta!

Prooooooonnnnntú.

Como estamos entre família vou-lhe contar como a coisa se passou e depois você tira as conclusões que quiser e também pode dizer que tenho prisões (de ventre) ideológicas – deve ser das salsichas hahahaha.

Once upon a time in Alentejo

Estando eu de férias em casa de um casal amigo - ele português, ela holandesa - que conheço de longa data, uma noite foram estes convidados para jantar em casa de uma amiga (deles) que eu não conhecia de lado nenhum. Como estava alojado em casa resolveram levar-me. A amiga que nos recebeu não estava sozinha em casa, éramos umas oito pessoas à mesa, mas eu era a única que ela não conhecia. Durante, entre e depois do jantar houve conversa animada, guitarradas e cantares (a dona da casa é cantora). Mas a partir do momento em que fui apresentado à senhora ela veio sentar-se perto de mim e notei vagamente que me dava bastante atenção. Também notei que já me estava a irritar com as suas constantes imitações do meu sotaque do Porto (isto passou-se no Alentejo).

Quando chegou a hora das pessoas voltarem para suas casas, despedi-me da senhora e entrei no carro do casal amigo em cuja casa estava alojado. Durante a viagem de volta queixei-me ao meu amigo pelo facto da bacana durante o jantar me gozar constantemente imitando o meu sotaque. O meu amigo, ao mesmo tempo que conduzia, exclamou: ‘ó seu cara de caralho, a gaja passou a noite inteira a tentar engatar-te e tu nada!’ A engatar! Respondi perplexo! 'Sim senhora', confirmava agora a mulher do meu amigo a partir do banco da frente - ‘eh pá, tens os olhos na nuca’.

Na manhã seguinte lá me enchi de coragem, pedi o número de telefone da senhora ao meu amigo e combinei ir a casa dela tomar o pequeno almoço. O resto já você sabe, culminando na frase de uma mulher perspicaz, inteligente, independente e emancipada (e aleijadinha de boa): ‘o que tu queres é dar uma queca’. 

Esta mulher poderia muito bem ser a mulher representada neste filme brasileiro – e eu o marido que recusa tomar Viagra. Uma mulher que em questões relacionais está a anos luz da minha avó, a anos luz da minha mãe …

Graças a quem?

Aqui as opiniões divergem e cada um diz a sua conforme a sua visão do mundo. Eu diria graças aos Beatles, com a canção Why Don't We Do It in the Road?

23 comentários:

O-Lidador disse...

CdR,ainda bem que reconhece que existem técnicas de sedução.
É exactamente isso que lhe estou a dizer há não sei quantas luas. Mas aos poucos, vejo que começa a assentar na basesinha.

E, claro, volta a caricaturar quando me acusa de usar técnicas de outro tempo. É que eu nem me recordo de ter falado daquilo que fiz ou deixei de fazer, pelo que não sei onde é que o CdR foi desencantar esta pérola.

O que eu lhe disse, e repeti à exaustão, é que se tem de usar com as mulheres a sinalética adequada. Aliás, isso é válido para toda a gente. Aqui este seu amigo, por exemplo, é perfeitamente capaz das expressões mais shakespereanas e cavalheirescas, dirigidas a quem as aprecia, e no momento seguinte, dirigir-se à estrebaria e usar frases de 5 palavras, com 4 caralhadas cada.
Há-de reconhecer que a minha antiga profissão assim o exigia e, sem falsas modéstias, sempre estive à altura.

Dito isto, deve adequar-se a linguagem, oral e gestual, a cada alvo.
E o que eu lhe estou a dizer é que as mulheres, em abstracto, apreciam a deferência, a amabilidade, a atenção e tendem a derreter.
Sejam as de agora, sejam as de há 200 anos.

E, já agora, respondi-lhe adequadamente quanto à iniciativa feminina.
E disse-lhe que é quase sempre delas.
O problema é que há gajos daltónicos que não vêm o sinal verde e é preciso apitar-lhes e, por vezes, empurrá-los.

Parece ter sido esse o seu caso, e lamento que seja daltónico.

ml disse...

Pregador: "Pelo contrário, explica o Alberoni, as mulheres não apreciam essa pornografia. A "pornografia" delas, envolve envolvimento romântico."

Não há nada como ir passando por aqui nas horas vagas... :))) E não é que eu aprecie lá muito este Alberoni, mas pelo menos teve a coragem de sair das rendas do Renascimento e chegar ao séc. XXI e à Margaret Mead, que deve estar a rir-se no túmulo. Também para um professor universitário que se diz sociólogo não era lá muito conveniente mostrar que vivia de olhos fechados ao que se passa em volta.

Alberoni, aquando do lançamento do último livro, "Amor e sexo".
"Pensei que valeria a pena estudar as várias sociedades, as várias combinações entre sexo e sociedade. Fiz vários retratos, a partir de centenas de entrevistas, e com eles tentei transmitir aquilo que os homens e as mulheres de hoje sentem, desejam, querem, repudiam [...] Na sociedade actual, em que o acesso à Internet está cada vez mais facilitado, o sexo ficou, por isso mesmo, mais vulgarizado [e] é muito frequente que sejam as raparigas a terem mais cedo relações sexuais do que os rapazes. [...] Ao contrário do que acontecia há um século, nos dias de hoje há cada vez mais uma tendência para chegar ao amor através do sexo."

Quanto às diferenças de comportamento entre mulheres e homens neste domínio, incluindo o consumo de pornografia, 'niente de niente', diz o senhor Alberoni. A única diferença é mesmo a resposta biológica/anatómica.

Bye bye, estarei atenta ao próximo sermão... Se não quiserem, façam aquilo que diziam que nunca fariam mas que afinal até fazem: bloqueiem. Era uma pena ao fim de tantos anos de verdadeira amizade, mas que fazer?, os homens são volúveis...

Carmo da Rosa disse...

Lidador disse: ”ainda bem que reconhece que existem técnicas de sedução.

Sempre o reconheci. Desde o “cacete” até “queres dar uma queca?” A sua fica algures no meio e é uma entre milhares. Mas você pensa que é a técnica padrão… Fique na sua.

O que acho estranho é você não querer reconhecer a existência de uma evolução (má ou boa) – nas técnicas de sedução e na própria relação homem/mulher, quando isto está tudo interligado. No Brasil, o vídeo sobre o casal brasileiro que eu postei há dias, era impensável há 30 anos atrás. Em centenas de países deste planeta aquele vídeo ainda não é aceitável. Porquê?

Lidador disse: E, claro, volta a caricaturar quando me acusa de usar técnicas de outro tempo.

Afirmar não é caricaturar. E “outro tempo” é apenas “outro tempo”, não tem nada de positivo ou negativo! Cortesia e cavalheirismo são técnicas de outros tempos. É evidente que há ainda muito boa gente que as usa, assim como há pessoas que ainda escrevem com uma máquina de escrever, mas tem tendência a desaparecer. Tenho muita pena.

Lidador disse: O que eu lhe disse, e repeti à exaustão, é que se tem de usar com as mulheres a sinalética adequada.

Precisamente. O cacete no tempo dos trogloditas, cortesia e cavalheirismo no século XIX e vamos-fumar-uma-ganza-juntos-ou-foder? do tempo do meu filho. Mas não digo tem de usar.

Estou a esquematizar, porque o tema em si já é assim bastante complexo, mas numa mesma época verifica-se a existência de técnicas de sedução ou relacionamento H-M completamente diferentes entre diferentes classes sociais. O aristocrata tem um relacionamento H-M diferente do trabalhador rural.

Lidador disse: Aqui este seu amigo, por exemplo, é perfeitamente capaz das expressões mais shakespereanas e cavalheirescas, dirigidas a quem as aprecia, e no momento seguinte, dirigir-se à estrebaria e usar frases de 5 palavras, com 4 caralhadas cada..

Acredito. Mas não em relação a mulheres! O ter utilizado há pouco a expressão truca truca (em vez de penetração sexual) denota uma atitude formal, educada, cortês e cavalheiresca. Nada de mal, mas sintomático para um país, uma língua, uma cultura, uma época.

Lidador disse: Dito isto, deve adequar-se a linguagem, oral e gestual, a cada alvo.

Em princípio sim. Mas a adaptação não é infinita, até é bastante limitada. Pela classe social, pela cultura e pelo tempo. O trabalhador rural não vai poder adaptar a sua linguagem ao ponto de poder fazer a corte à sua amiga de sangue azul. Por muito que se esforce. Ao contrário idem. A duquesa dificilmente conquistará o coração do lavrador – se ela esconder as mãos sem calos, talvez!

Lidador disse: E o que eu lhe estou a dizer é que as mulheres, em abstracto, apreciam a deferência, a amabilidade, a atenção e tendem a derreter.

E se eu disser: OS HOMENS, em abstracto, apreciam a deferência, a amabilidade, a atenção e tendem a derreter. Qual é a diferença?

Lidador disse: E, já agora, respondi-lhe adequadamente quanto à iniciativa feminina. E disse-lhe que é quase sempre delas.

Está a falar da Europa, de Portugal ou da sua terra? Ou em geral, não tendo em conta diferenças culturais?

Lidador disse: O problema é que há gajos daltónicos que não vêm o sinal verde e é preciso apitar-lhes e, por vezes, empurrá-los..

Que diabo, não podemos ser todos machões implacáveis. Para se sacar um Cristiano Ronaldo, é preciso treinar e seleccionar 100.000 totós…

O-Lidador disse...

Francesco Alberoni ( O Erotismo):

"O erotismo apresenta-se sob a marca da diferença. Uma diferença dramática, violenta, exagerada e misteriosa.

O imaginário feminino cria outros mitos, alimenta-se de outras imagens e de outros acontecimentos.

Quase todos os autores que escrevem sobre estes temas, propoem recitar destinadas a superar [as diferenças]. Não as estudam, não as tomam a sério. Esforçam-se por demonstrar o absurdo"

Como vê, CdR, o Alberoni não o conhece, mas conhece a ideologia que lhe serve de referência.
E antecipa aquilo que o CdR tem estado a fazer: a tentar demonstrar o absurdo!

E continua, no prefácio:

" Neste momento da história, as mulheres e os homens procuram aquilo que os torna comuns, sufocando as diferenças. Mas têm tb, diferentes sensibilidades, diferentes desejos, diferentes fantasias.
Frequentemente, ambos imaginam o outro como ele, na realidade, não é, e pretendem coisas que ele não pode dar"

E a frase com que começa o Cap II;

"1. A pornografia é uam figura do imaginário masculino [...]. As mulheres não estão particularmente interessadas em ver a fotografia de um homem nu. Não é costume excitarem-se sexualmente por isso"


and so, and so, and so.

I rest my case!

O-Lidador disse...

Ah, quanto ao truca-truca, não fui eu que criei o termo.
Foi Natália Correia,uma notável poetisa açoriana, feminista dos 4 costados, não especialmente conhecida pela contenção verbal.

Como vê, até aí a sua critica falha o alvo por vários parsec.

O-Lidador disse...

"é você não querer reconhecer a existência de uma evolução"

Completamente falso. Não disse nada disso, ora prove lá essa afirmação.

Creio que continua a confundir a substância com a forma.

Use a linguagem que usar, como repeti à exaustão (até lhe disse que tem da ajustar a linguagem ao alvo), não pode deixar ir ao encontro da sensibilidade feminina.

Isso é a substância do conceito de cortesia.
A linguagem que usa, depende das pessoas envolvidas, do momento, do local, etc.

Mas já lhe expliquei isso várias vezes, estou a ficar farto de me repetir.

O-Lidador disse...

"Que diabo, não podemos ser todos machões implacáveis"

Não devia chamar isso aos seus amigos.
Eles, pelo que relata, perceberam os sinais.
Você não.
Provavelmente porque a tal ideologia não lhe permite ver o óbvio.

O-Lidador disse...

Mais sobre as diferenças:

Alberoni (Sex and love):

"O sexo masculino tem indubitavelmente uma componente de agressão e dominância"

"Nenhuma sociedade jamais existiu sem um conjunto de tabus, proibições, formas de cortejamento, rituais de acasalamento, etc. O sexo nunca é neutral,"

" O horror das mulheres à violação, é uma consequência da sua necessidade filogenética de não ser possuída por um parceiro de fracas características genéticas, em vez de ser ela a escolher um macho mais valioso."

etc, etc, etc

Quanto à "igualdade", estamos conversados.

ml disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ml disse...

Como é que o meu comentário anterior desapareceu?????
Vou repeti-lo.

O-Lidador disse...

Desapareceu, da mesma maneira que desaparecerão todos os que não respeitarem regras mínimas de educação, e que eu tenha poder para fazer desaparecer.

Se quer respeito, respeite as pessoas a quem interpela.

Não tenho paciência para lhe responder no mesmo registo.

Se se limitar ao assunto,sem apartes sardónicos, os seus comentários não só ficarão, como até poderão merecer resposta.

Caso contrário, vão para o caixote do lixo.

ml disse...

TESTE 1

Francesco Alberoni, em entrevista aquando do lançamento de 'Amor e Sexo'.

"Este livro representa um ponto de viragem. [...] Assistimos a mudanças profundas na relação entre sexo e amor nas várias etapas da vida. Antigamente, as raparigas tinham a primeira relação sexual com 18 anos, com o namorado. Os rapazes tinham a primeira experiência com prostitutas. No caso das raparigas, o sexo estava relacionado com o amor, nos rapazes nem tanto. Actualmente, as raparigas têm a primeira experiência sexual com 13 ou 14 anos, com rapazes da mesma idade. O amor e o sexo aproximaram-se, mas estes amores adolescentes, apesar de emocionalmente muito intensos, são frágeis e de curta duração.
Com 20 e 30 anos, homens e mulheres estão dedicados aos estudos, à carreira e trocam de cidade e de trabalho, viajam, querem divertir-se. Têm numerosas experiências amorosas, mas só muito dificilmente se entregam e fazem do amor a razão de ser da vida. Muitos adiam o casamento e o momento de ter filhos."

ml disse...

TESTE 2

"[...] homens e mulheres interagem como pessoas concretas influenciadas pela história, cultura e pelas suas experiências particulares" (tese comprovada por Margaret Mead há mais de meio século).

"Tendo estado outrora confinada a um público masculino, a pornografia atrai cada vez mais e mais mulheres.

Nos anos mais recentes, na sequência da revolução sexual, também as mulheres, tal como os homens, começaram a separar sexo de amor. [...] Existe também um número crescente de romances escritos por mulheres tão cheios de palavras obscenas que a diferença entre literatura erótica e pornográfica se esbate completamente. Uma das razões para isto acontecer é a intenção de recriar a realidade do sexo na vida quotidiana.

A primeira razão é o crescente processo de igualização de comportamentos entre homens e mulheres. Durante dezenas de milhares de anos as mulheres precisaram dos homens para protecção enquanto os filhos eram pequenos. Tendo-se encontrado nesta posição de inferioridade durante todo este tempo, as mulheres acostumaram-se a procurar um homem rico e poderoso que fornecesse uma vida confortável para ela e para a sua prole. Já não precisam disso. A mulher que trabalha, a mulher com uma carreira, não tem necessidade absolutamente nenhuma deste tipo de protecção.

Outras mudanças significativas estão em curso[...]"

Alberoni, Amor e Sexo

O-Lidador disse...

OK, então há-de dizer-me, porque eu desconheço, quais os equivalentes femininos da Playboy, e das revistas mais hard.

Basta que indique os nomes, para eu poder confirmar o seu sucesso junto do público alvo.

De resto nada do que aqui colou, me contradiz.
Uma coisa é o que dita a moda politicamente correcta e que as pessoas tentam seguir.
Outra é a realidade que está a montante das modas.

É desse conflito que estamos a falar.

Sim, eu sei que as mulheres são compelidas a agir de determinado modo, ditado pela cultura prevalecente.
O que se discute é se esses ditames da moda, se ligam à realidade interior ou se são apenas isso: ditames da moda.

Parece, pelo que TODOS os especialistas escrevem, que o 2º caso é mais provável.

De qq modo, se eu não tiver razão, de certeza que é capaz de me indicar as tais revistas pornográficas que fazem sucesso ( medido pelas vendas), entre as mulheres.
Mais objectivo que isto, não vejo, uma vez que a compra de uma revista é sempre uma decisão individual e não uma actividade onde o grupo comanda.

Carmo da Rosa disse...

Lidador disse: ”Ah, quanto ao truca-truca, não fui eu que criei o termo.”

Também NÃO fui eu que criei o termo queca, mas tenho imensa pena! Mas o importante é que OPTOU por esta palavra, quando a língua portuguesa oferece imensas possibilidades.
Interessante neste âmbito saber porque razão a Natália Correia, que realmente não “era conhecida pela contenção verbal”, usou o termo? Será que outro termo mais forte, hoje já mais aceite (em literatura, não em jornais), teria sido censurado na altura? (cá temos a evolução outra vez à espreita)

Lidador disse: Completamente falso. Não disse nada disso, ora prove lá essa afirmação. [reconhecer a existência de uma evolução]

Pelo simples facto de pensar que só existe um tratamento ideal e unico adequado às mulheres - cortesia e cavalheirismo. Um tratamento que está determinado no tempo e que já conheceu o seu apogeu.

Lidador disse: Use a linguagem que usar, como repeti à exaustão (até lhe disse que tem da ajustar a linguagem ao alvo)

E eu no dia 5 de Maio às 01:28 disse:

[Mas a adaptação não é infinita, até é bastante limitada. Pela classe social, pela cultura e pelo tempo.]

e expliquei:

[O trabalhador rural não vai poder adaptar a sua linguagem ao ponto de poder fazer a corte à sua amiga de sangue azul.]

Mas mesmo tendo em conta a mesma classe social mas uma época diferente, a linguagem vai ser forçosamente outra, mas sobretudo o ‘mindset’ também. Estamos de acordo se achar que numa epoca diferente cortesia pode significar também: “eh pá, que achas, vamos dar uma queca?”

Lidador disse: Como vê, CdR, o Alberoni não o conhece,

Eu também não o conheço, mas eu acho que as mulheres querem ver fotografias de homens nus, o que geralmente não querem é pornografia feita por homens para homens. O livro da Nancy Friday, My Secret Garden, com entrevistas de mulheres a falarem das suas fantasias sexuais, foi em 1973 (!) um bestseller no mundo inteiro (na parte do mundo em que não foi proibido). Há muitos anos atrás dei uma vista de olhos (num exemplar meio escondido da minha mulher) e realmente, como motor de arranque é melhor do que pornografia masculina. Mas hoje em dia este tipo de publicações com erotismo (o Nivaldo Cordeiro diria pornografia hard) para mulheres é mato.

Lidador,

eu julgava que nos meus posts quem manda sou eu! E que eu saiba o único aqui que não respeita regras de educação formal sou eu, nunca a ML…

O-Lidador disse...

CdR

A diferença entre pornografia masculina e feminina, reflecte as diferenças entre homens e mulheres.
Vou fazer um post sobre isso, mas para já, o que fica é que as mulheres não se excitam à vista (em termos gerais claro).

Um homem normal, vê uma mulher bonita e empina-se.
Está-se nas tintas para o estatuto, e as outras envolventes.
As mulheres, em geral, necessitam de mais do que isso.
Essa diferença, os progressisyas acham que é "cultural", deriva do papel que é imposto às mulheres.
Quem não olha o mundo pelo crivo dessa ideologia, sabe que não é assim, que essa diferença, se bem que atenuada ou agravada por multiplicadores culturais, é imanente, mergulha raízes numa identidade sexual que existe a montante da cultura.


Quanto à censura, lamento mas, se tiver poder, não aceito trolls que em vez de argumentarem, se dedicam a exorcizar frustrações, comentando em tom chocarreiro.
Não tenho paciência para isso e como não sou cristão, não tenho de dar a outra face. E tb não posso descer ao mesmo nível.

Reconheço, contudo, que o poste é seu. Mas então, se não confia na minha avaliação, e aceita os comentários insultuosos e incivilizados só me resta não voltar a compartilhar o espaço.
Não voltarei assim a comentar os seus postes e deixo o espaço completamente livre para os trolls.

O-Lidador disse...

Já agora, uma coisa é o humor e a ironia, outra é o insulto soez e vulgar.

Mas, lá está, pelos vistos temos noções diferentes sobre o que é a boa educação e a civilidade.

ml disse...

Sabe o que mais me espanta, camarada-geral? O seu descaramento. Uma pessoa com o seu historial ao longo dos anos queixar-se dos outros, que nunca sequer tiveram a duvidosa pretensão de chegar aos seus calcanhares, que se lamuriava e vociferava quando lhe cortavam os comentários por abusar de linguagem imprópria, de repente começar a chorar-se que lhe estragam os pergaminhos.
'Não peças a quem pediu, não sirvas a quem serviu' cof... cof... cof...

Boa semana, camarada-geral, que S. Estaline esteja contigo. No hard feelings, é da natureza humana, temos que ser complacentes, lol!

Carmo da Rosa disse...

Lidador: “Abordagens caninas, dão, na maioria das vezes, direito a estalada, ou a processo por assédio.”

Não em todas as culturas.

Lidador: “O seu avó era um homem do seu tempo. Um tempo e um lugar em que as mulheres não eram tratadas como senhoras, mas como seres de 2ª categoria, como objectos do homem.”

Sim, mas este TEMPO ainda existe, as mulheres ainda são vistas pela grande maioria dos homens do planeta terra como seres de segunda categoria. A situação vai melhorando gradualmente em certas partes do mundo, mas há ainda muito que labutar.

(A PÍLULA foi um grande passo em frente no melhoramento da situação da mulher, e ninguém até agora se lembrou de nomear este facto!).

Lidador: “O que espanta é que você ache que esse tratamento deve continuar, desde que enroupado em linguagem progressista.”

O que me espanta é a sua conclusão!!!

Se achasse isso, não vivia na Holanda (ainda por cima em Amesterdão, ainda por cima com uma mulher que fez parte do Conselho para a Emancipação da Mulher – extinto há 20 anos por já não ter função) mas na Turquia. Um país que gosto muito e onde as mulheres batem a bola baixinho e mantêm uma distância decente e apropriada de 2,5 m atrás do marido quando passeiam na via pública.

Lidador: “você ache "moderno" e "avançado", ignorar a identidade sexual das mulheres, querendo à viva força que ela seja igual à sua.”

Eu não estou absolutamente nada preocupado em ser moderno ou avançado – completamente borrifando.

Mas acho, mas nao tenho a certeza, que a identidade sexual das mulheres é realmente diferente da dos homens – o facto de engravidarem torna-as em regra geral mais cautelosas, mais responsáveis que os homens, que correm menos riscos.

Mas as diferenças são mínimas, mas sobretudo, não podem servir de desculpa para serem tratadas como crianças, o que dá origem às célebres femme-enfant que os franceses, os campeões da cortesia e do cavalheirismo, adoram. Ou para receberem um salário inferior para trabalho igual. Ou para lhes negar o direito de voto, porque seriam psiquicamente instáveis - segundo reaccionários armados em cientistas. Ou para lhes negar o direito de darem umas quecas com quem querem e lhes apetece – com base nas crenças do Espírito Santo ou de Alá.

Durante muitos anos afirmava-se com seriedade que as mulheres nunca poderiam jogar bem xadrez porque lhes faltava o “killing instinct”. Não havia nada a fazer coitadinhas, a coisa era genética. Até aparecerem à baila as irmãs Polgar. Ainda há bem pouco tempo a Judite jogava de igual para igual em torneios da FIDE contra Gary Kasparov e Jan Timman. Mais um mito que foi à vida.

Durante muito anos as mulheres foram excluídas dos 10.000 metros no Atletismo! Foram aceites pela primeira vez em 1988 nos Jogos Olímpicos de Seoul. A chinesa Wang Junxia, a detentora do record mundial (29 minutos e 31 segundos) é só 1 minuto mais lenta que o nosso melhor atleta do momento, José Rocha (28 minutos e 37 segundos)… Se ele parar para beber uma cerveja perde a corrida com a chinesa. Se beber duas cervejas perde da nossa compatriota Fernanda Ribeiro.

Carmo da Rosa disse...

Lidador: Um homem normal, vê uma mulher bonita e empina-se.

Ao contrário também acontece. E quanto mais emancipadas são, mais frequentemente isso acontece. Isto lembra-me uma publicidade de há uns 10 anos na TV-holandesa. Um trolha tira a t-shirt para se lavar, do outro lado da rua as mulheres num escritório atiram-se contra a janela, umas por cima das outras para admirar o torso do homem. Estas mulheres existem…

Lidador: ”se não confia na minha avaliação, e aceita os comentários insultuosos e incivilizados só me resta não voltar a compartilhar o espaço.”

Eu confio em tudo, menos na censura. Ter uma opinião diferente não é um insulto…

Dizer que o Islão é uma ideologia fascista não é um insulto, é uma opinião. Dizer que o Corão é pior que o Mein Kampf não é um insulto, é uma opinião. Desenhar a fronha do Maomé com uma bomba encima dos cornos não é um insulto, é uma opinião. Dizer que o Álvaro Cunhal era pior que o Salazar não é um insulto, é uma opinião. Dizer que o Nivaldo Cordeiro é o gajo mais chato da blogosfera não é um insulto, é uma opinião.

Não responder aos comentários dos leitores ou apenas colocar um link sem introdução, ISSO É QUE É UM GRAVE INSULTO. E devia ser punido com cartão amarelo: aviso. À segunda vez vermelho: dois dias de suspensão sem postar.

Lidador: ”Mas, lá está, pelos vistos temos noções diferentes sobre o que é a boa educação e a civilidade.”

Creio que sim, mas também isso não é um insulto, é apenas uma opinião diferente sobre o que é…….

ml disse...

Nunca fui malcriada consigo porque nunca o sou com ninguém, ser irónica e sardónica só na sua cabecinha é má-educação. Má-educação foi o que o camarada-geral praticou anos a fio – basta ir a certos sites da net - e aqui mesmo, em relação aos comentadores não-alinhados em geral, e a um, que era a delicadeza em pessoa, em particular. Podemos repescar...
Má-educação é pressionar com longos sermões de moralidade política de modo a concordarem consigo, e insinuar que se não o fizerem são Belzebús aliados aos esquerdistas.
Má-educação é tentar fazer chantagem pueril com quem me responde educadamente, sem isso implicar qq concordância comigo. Educação, apenas.

Claro que lhe respondo e sempre respondi com argumentos, parece que sobre isso não há qq dúvida. Num dos comentários ontem eliminados eu explicava claramente que neste caso e mais uma vez, apenas pretendia mostrar-lhe que fundamentar-se em autores que conhece apenas por alto dá sempre este resultado que está à vista, pregar e moralizar sobre irrealidades.
Não gostou, não conseguiu dar a volta de modo a sair-se airosamente e pronto, carimbo de má-educação e tesoura.
Amuos, lol!...

ml disse...

Já aqui falei, lá para trás, na pílula e na iniciação no mercado de trabalho como os dois grandes transformadores da situação da mulher nas nossas sociedades.

Carmo da Rosa disse...

ML disse: "Já aqui falei, lá para trás, na pílula..."

Já não está aqui quem falou...