segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perplexidades

No Ab-Logando:

Se há coisas do camandro, há coisas do catano.

O Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o corte de subsídios aos dependentes do estado por haver falta de igualdade em relação aos demais trabalhadores.

Hoje parece aceitar-se como razoável que se venha a cortar o subsídio de Natal a todos ....

Mas, então, para haver igualdade, deveria ser a respectiva entidade patronal nos dois casos a ficar com o subsídio: no estado, o estado ... no privado a entidade patronal. Será esta "igualdade" constitucional ou será mais inconstitucional que a anteriormente chumbada? Na chumbada, o estado não pagava aos seus e ficava com o graveto. Na nova, não paga aos seus e fica ainda com o graveto da parte de quem lhe não diz respeito.

Como é? Se o estado, não pagando aos seus reduz a sua despesa aliviando o contribuinte, arrecadando do bolso do contribuinte privado (o funcionário público é contribuinte fictício) faz com que tudo fique na mesma!

26 comentários:

António Gomes disse...

Caraças sempre a mesma porcaria!!

Sou funcionário público, sou trabalhador por conta de outrém.
Ganho o meu salário, pago os meus impostos.

NÃO SOU contribuinte fictício.


Gostava de receber mais respeito. Nunca faltei ao respeito aos "privados"...

Trabalho e o que me cobram em impostos não é pouco, por isso ouvir constantemente que não pago impostos e apenas represento despesa de estado é no mínimo surreal.

repito: NÃO SOU contribuinte fictício.

RioD'oiro disse...

Caro António Gomes,

Por muito que lhe custe, enquanto funcionário público é contribuinte fictício. O que desconta é o que lhe foi adicionado (quando começou a pagar "impostos") para passar a "pagar" impostos (se nessa altura já fosse funcionário - há uns 25 anos).

Siga o link que a coisa é esclarecedora.

O que o estado lhe faz quando lhe aplica "impostos" é, pura e simplesmente, baixar o salário.

Se estado lhe pagasse 10x mais e aplicasse outro tanto em impostos, o caro nunca diria que estava a ganhar mais e o estado continuar-lhe-ia a pagar o que sempre pagou. Isso não acontece numa empresa provada porque a o caro e a empresa teriam que entregar esse dinheiro a uma terceira entidade - o estado.

RioD'oiro disse...

"Se estado lhe pagasse 10x mais e aplicasse outro tanto em impostos, o caro nunca diria que estava a ganhar mais e o estado continuar-lhe-ia a pagar o que sempre pagou."

Aproveitando a mesma frase, neste caso o caro não poderia dizer que descontava 10x mais porque o estado, consigo, nada mais gastaria.

António Gomes disse...

Não sou contribuinte ficticio, porque os impostos saiem-me do coiro. Eu recebia nos ultimos dois anos aquilo que qualquer outro trabalhador deste pais assume como um direito.

Se o tiraram, estão-me a impor uma cobrança.

Não sou historiador e apesar de já ir nos 40 há 25 anos ainda não estava no mundo do trabalho. Mas se nessa altura os FP's recebiam menos, recebiam de certeza também os mesmos salários que no privado, o que não deviam receber era os impostos "actuais" que nos cobram todos os meses.

Assim porque é que a mim nos ultimos dois foi subtraido 2/3 salários e isso não acontece no privado?

António Gomes disse...

Como diz se o estado me desse 10x mais e cobrasse o mesmo valor já não consideria um imposto. Mas o que o estado está a fazer é a retirar-me do vencimento que tinha sem me acresentar nada.

A sua argumentação aqui não acolhe.

António Gomes disse...

Só para a acresentar que não sou contribuinte ficticio do meu ponto de vista.

O que vcs dizem é sempre na prespectiva do estado, mas eu contribuo e do meu ponto de vista bastante. Muito mais do que certos privados que nunca declaram o que ganham. E eu como trabalhador dependente do estado não posso fugir aos impostos.

RioD'oiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RioD'oiro disse...

António Gomes:

"Não sou contribuinte ficticio, porque os impostos saiem-me do coiro."

Não saem do coiro porque não existem.

"Se o tiraram, estão-me a impor uma cobrança."

Estão-lhe a baixar o salário, não estão a mexer nos impostos.

"Mas se nessa altura os FP's recebiam menos, recebiam de certeza também os mesmos salários que no privado, o que não deviam receber era os impostos "actuais" que nos cobram todos os meses."

É o que lhe estou a dizer há uma enormidade de tempo. Os salários foram "aumentados" para cobrar em "imposto". É tudo no papel não há nem nunca houve qualquer movimentação de dinheiro.


"Assim porque é que a mim nos ultimos dois foi subtraido 2/3 salários e isso não acontece no privado?"

Por duas razões: os funcionários públicos foram aumentados muito mais que os privados e, quando a crise atacou, os privados foram vendo os salários baixar e regalias toradas sem serem levantadas ondas.

"Como diz se o estado me desse 10x mais e cobrasse o mesmo valor já não consideria um imposto."

Para o caro perceber que o estado pode subir-lhe o "salário base" o que quiser desde que lhe aplique igual imposto. Nada se altera, fica tudo na mesma, o estado não gasta consigo ou com que quer que seja nem mais nem menos um chavo e o caro foca igualmente com estava.

"Mas o que o estado está a fazer é a retirar-me do vencimento que tinha sem me acrescentar nada."

É isso que lhe estão a fazer

"A sua argumentação aqui não acolhe."

Isso é problema seu.

"Só para a acrescentar que não sou contribuinte fictício do meu ponto de vista.

O que vcs dizem é sempre na prespectiva do estado, mas eu contribuo e do meu ponto de vista bastante. Muito mais do que certos privados que nunca declaram o que ganham. E eu como trabalhador dependente do estado não posso fugir aos impostos."

Isso é a chamada conversa da treta.

RioD'oiro disse...

Oh homem, você só paga um imposto quando a respectiva quantia é entregue a uma entidade que não é a mesma que lhe paga.

Quando a TSU foi anunciada, ninguém se lembrou de dizer que era um aumento de imposto. Porquê? Porque era um abaixamento de salário. A entidade patronal ficava com mais dinheiro e o trabalhador com menos. É o mesmo que o estado lhe está a fazer escrevendo na sua folha de salário que é um imposto. Mas o estado pode escrever na folhinha o que quiser. É apenas papel e tinta.

RioD'oiro disse...

... claro que se o caro disser isto aos seus colegas eles dizem que você está maluco. Mas isso é problema deles. As coisas são o que são independentemente daquilo que eles (e o caro) se habituaram a pensar.

António Gomes disse...

"Isso é a chamada conversa da treta."

Mas já os seus argumentos de que um FP não paga impostos já não é conversa de treta?

Eu falo sobre o meu ponto de vista, compreendo o seu argumento (teórico) por receber e pagar ao estado, não é imposto.

Não é imposto mas é-me imposto.


Quanto à sua história dos aumentos, faça bem as contas... veja que o unico aumento decente dos ultimos 10 anos foi esse que refere e mesmo assim totalmente preenchido pela inflação, os anteriores foram sempre ultrapassados pela inflação... e desde esse famoso ano, que vos dá azo a contínua destilação nunca mais houve aumentos.

Não sei se sabe, também a mim todos os anos tudo aumenta (gas, luz, agua, etc...) e eu continuo a ter que pagar as minhas despesas e a dívida de outros para a qual em nada contribui.

A minha vida é modésta sem luxos, com férias em casa, não devo nada aos bancos. Porque é que tenho de estar um funcionário público tem de estar a ser tratado como alguém que tem lepra??

RioD'oiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RioD'oiro disse...

"Não é imposto mas é-me imposto."

A única coisa que lhe é imposta é receber um papel em que o estado faz de conta que lhe entrega um valor e, simultaneamente, faz de conta que o cobra.

O caro não paga impostos e não há nenhum mal nisso.

"os anteriores foram sempre ultrapassados pela inflação"

Também os não aumentos dos outros foram ultrapassados pela inflação e, nos últimos tempos, os cortes de salário que por toda a parte tiveram lugar. Eu já perdi a conta às dentadas que tenho levado.

Filipe Silva disse...

RioD´ouro os meus parabéns, partilho da mesma opinião e quando a partilho com funcionários públicos a reacção é similar ao do Sr António Gomes.

Eu diria mais, é receptor de dinheiro roubado.

Vamos exemplificar

O individuo X vê o individuo Y com fome e resolve assaltar o individuo Z para com os 200€ que roubou dar de comer ao Y, independentemente da finalidade dada pelo X isto figura um roubo.

O Estado faz exactamente o mesmo, retira via impostos rendimento (propriedade privada) de um por exemplo sapateiro para pagar o salário ao Sr António Gomes.

Nascemos com direito À vida, direito À propriedade privada(sendo que este é a nossa principal propriedade), e há persecução da nossa felicidade.

O Estado ao coercivamente nos retirar parte do rendimento mais do que não faz a não ser um atentado à nossa propriedade privada.

Por ser legal não quer dizer que seja moralmente aceitável.

Vivemos numa sociedade maioritariamente cristã, e um dos mandamentos diz "não roubarás", não diz "não roubarás, excepto se fores eleito"

O Sr António Gomes é dependente da economia privada, a divida pública foi em parte criada para lhe pagar os salários.

E se não fosse a Troika já não teria recebido o salário.

Assistimos hoje que todos não querem ser roubados, e manifestam-se contra a troika contra os impostos etc..
Mas como não querem perder os "direitos", o que na realidade querem é que o Estado roube outros.

Espero que o Sr António Gomes não leve a mal o meu post, é que muitas vezes não pensamos de onde vêm e como funciona as coisas.

RioD'oiro disse...

Caro Filipe Silva,

Não respondo ao seu comentário porque não tem ponta por onde se lhe pegue.

António Gomes disse...

Caro Filipe,

Escrevo aqui só para dizer que li o que escreveu e acho que tem um grave problema de Civilidade.

Filipe Silva disse...


Interessante dizer que não tem ponta por onde se lhe pegue.

http://www.youtube.com/watch?v=zT7dN4tNzvg

Poderá ver a palestra de Walter Williams e para ficar a perceber se tem ou não ponta por onde pegar. Explica muito melhor do que Eu poderia o meu ponto de vista.

Compreendo que seja uma forma de ver a realidade bastante diferente da maioria, mas não faz com que seja incorrecto.

A realidade é que os impostos são coercivos, se você não pagar os impostos, poderá vir a perder a sua liberdade física.Se fossem uma coisa boa, não havia tanta fuga.

O sistema actual baseia-se na coercibilidade, num agente que detêm o monopólio da violência e obriga as pessoas a fazerem o que estas poderão não querer.
Este decreta impostos e as pessoas só tem de acatar.


O Estado através da TSU diz que eu sou um inconsciente que não sei poupar e que no futuro vou precisar de rendimento, logo via um comportamento paternalista vai me reter parte do meu rendimento porque sabe o que é melhor para mim.

Porque tem a maioria decidir por mim o que fazer com o meu rendimento?
O Estado monta um esquema Ponzi (a segurança social), e decreta que é ilegal os privados o fazer (não sou a favor de serem feitos esquemas ponzi, exactamente o contrário por isso sou contra a Segurança Social ser de carácter obrigatório)


Para existir verdadeira liberdade teria de ser opcional se uma pessoa não quisesse descontar para a SS poderia o fazer.

Porque tem um cidadão de trás dos montes ter de pagar impostos para que um cidadão do Lisboa possa andar de metro?

A realidade é que o Estado retira a uns para dar a outros.
Podem pintar o quadro como quiserem, não altera a realidade.


Antes pelo contrário sou extremamente civilizado, só porque não concordo que uma pessoa seja obrigada a entregar de forma coerciva parte do seu rendimento passo a ser não civilizado?

O papel do Estado não é mais que dar benefícios a uns em detrimento dos outros.

A organização actual da sociedade é que existe roubo legalizado, ser legal não é necessariamente moralmente aceitável.

Se a SS é tão bom porque não determinar que se pode optar por pertencer ou não, como se faz no caso da ADSE para os funcionários públicos.

O que não tem lógica e é extremamente não civilizado é a actual existencia do Estado de confisco que hoje temos.

Não sou contra a as pessoas associarem se entre si, e fazerem esquemas tipo Segurança Social, em que oferecem vantagens aos seus membros e que sejam os seus membros a financiarem.
A coisa de sermos pela liberdade individual é que aceito que as pessoas possam fazer o que bem entenderem, agora não tenho de ver a minha liberdade individual posta em causa porque um conjunto de determinadas pessoa acham que tem direito a me ir ao bolso.



RioD'oiro disse...

Filipe Silva

"A realidade é que os impostos são coercivos, se você não pagar os impostos, poderá vir a perder a sua liberdade física.Se fossem uma coisa boa, não havia tanta fuga."

Esta sua frase torna inviável o resto do seu raciocínio e é, aliás, contraditória em si.

O caro começa por dizer que o pagamento é coercivo e depois diz que se fossem coisa boa não havia "tanta" fuga. Quer dizer que se a fuga fosse menor já não era coercivo.

A generalidade da população aceita pagar impostos e o problema não é serem percentualmente altos ou baixos. O problema é que depois de os pagar não sobra para se viver. Há locais onde são percentualmente muito mais alto e sobra dinheiro para se viver.

O resto da sua exposição enferma de vários problemas deste tipo. Se não cuidar da lógica interna daquilo que escreve torna inviável qualquer conversa, denotando que não sabe exactamente aquilo que defende e, portanto, a contraposição ao que escreve torna-se um exercício de bagunça.

Filipe Silva disse...

Poderá ter sido uma má formação do discurso. Querer falar de muita coisa ao mesmo tempo

Agradecido pela crítica construtiva, procurarei fazer melhor :).

Claro que a coercibilidade não desaparece se não existir qualquer fuga.
É algo que está legislado, sendo que o não pagamento poderá levar À perda da liberdade.

O que queria dizer é que ao existir fuga (dizem ser 25%) é revelador que as pessoas não acham que é algo de bom. Geralmente quando associamos determinada coisa a ser positivo para nós não o evitamos.
Em relação a existirem outros países que aceitam que se pague impostos isso a mim não me diz nada.

Os anglo sáxonicos acham que é excelente ideia imprimir moeda à maluco, e existem muitos na europa que é boa ideia, isso não me leva a achar que é boa ideia antes pelo contrário


Na minha opinião a existência de Estado é limitador quer da liberdade individual quer do crescimento sustentável da economia.

Sou contra o facto da educação ser pública e ser obrigatória(principalmente pelo facto do programa ser definido pelo ministério da educação, deveria ser dada a liberdade a cada escola o definir)

Pela saúde ser pública.

Da existência da segurança social.


Estou em duvida entre o Estado ser mínimo (Defesa, Segurança e justiça) e não existir estado nenhum.

Tenho lido Rothbard, Huerta de Soto que afirmam que o erro dos clássicos como Mises era que defendem a existência de um estado mínimo.

Dado ter sido educado em Portugal, ter estudado por cá (licenciado em economia por uma universidade pública), ter sido educado num meio católico leva a criar me algumas inconsistências, algo que estou a trabalhar para limar. (mas mais uma vez apreciei a chamada de atenção), E que penso ser normal e natural.

O que escrevi anteriormente é o que acredito.

O Estado é um limitador da liberdade individual, acredito que nascemos apenas com o direito À vida À liberdade e à propriedade.

Quando Estado me retira via impostos parte do meu rendimento para fazer face às suas despesas vejo isso como um atentado à minha liberdade e propriedade.

Outra situação é porque tenho de pagar a educação de outros, o que tenho EU a ver com o António ou o José?

Na saúde o mesmo.

Não sou contra às pessoas se juntarem e por livre vontade e iniciativa entre elas criarem instituições que lhes permita fazer o que o Estado diz que faz.
Sou contra é ser obrigado a participar num sistema para o qual não quero.
A descontar para a Segurança Social,Ser obrigado a ajudar a "pagar" a educação e a saúde dos outros. Pelo menos de forma obrigatória e coerciva.

Acredito que um dos maiores prazeres que temos na vida é quando ajudamos os outros, mas quando é uma escolha nossa e não escolha de outra e só me apresentarem a "conta".

A realidade que vivemos num estado cada vez mais presente e regulador da vida de cada um.

Por exemplo é considerado ilegal traficar e consumir drogas(apesar da descriminalização da pose e consumo de droga), sendo que considero o meu corpo a minha principal propriedade privada deveria poder por e dispor dele como bem entendo.

Por que tem o individuo se sujeitar ao colectivo?

Por exemplo é proibido contratar abaixo do salário mínimo mas se existir um empregador disponível para pagar 350€ e existe um trabalhador disponível para aceitar porque deverá ser ilegal?

Entre outros aspectos, espero ter melhorado a lógica interna.

RioD'oiro disse...

FS:

"O que queria dizer é que ao existir fuga (dizem ser 25%) é revelador que as pessoas não acham que é algo de bom."

Não revela coisa nenhuma em particular. Uns não pagam porque não têm com quê, outros porque acham que já pagam muito, outros porque pensam que terceiros pagam menos, outros porque esperam nunca ser caçados, outros porque sabem como dar a volta ao sistema, outros porque se esquecem, outros porque não sabem, outros porque não lhes pagam a eles o que têm que pagar ao estado, ...

Há centenas de razões para não se pagar impostos, umas mais discutíveis outras menos. Uma das razões menos discutíveis dá-se quando uma empresa factura algo ao estado, o estado não lhe paga atempadamente. A empresa terá que pagar o IVA dessa factura ao estado e, não tendo recebido, pode ficar sem condições para pagar.

"Na minha opinião a existência de Estado é limitador quer da liberdade individual quer do crescimento sustentável da economia."

Não é limitador de coisa nenhuma, nem deixa de ser. Ninguém defende que o estado não exista, o que se discute é a abrangência do estado. O estado considerado mínimo abrange a defesa, segurança e justiça. Ninguém defende menos que isto. Por outro lado, é exactamente para assegurar a liberdade individual e o crescimento da economia que o estado deve existir e ser curto. Nalguns casos é mais extenso e funciona bem. Depende dos respectivos povos.

.....

Novamente, estas duas suas frases revelam que o caro não tem as ideias arrumadas ou anda enganado.

António Gomes disse...


Caro Filipe,

Releia o que escreveu, e veja a sua incoerência.

Rio D'oiro defende ideias e eu percebo-as, mas continuo convicto que contribuo apesar de ele me chamar contribuinte fictício.

Naquilo que vc escreve só vejo confusão. Defende menos estado, mas depois escreve qualquer coisa do tipo: Se um empregador pagar 350€ e existir alguém que aceite, porque não?“

OK! Até pode existir pessoas que aceitem. Mas de forma legal (contratualmente) só o poderiam aceitar numa situação de muitas dificuldades e penúria. Estará vc a defender um mercado paralelo, quase zero estado e só quem tenha dinheiro "se safa"?

Pergunto-lhe como é que essa pessoa, que aceite um valor tão baixo, vai ter acesso à educação, saúde, e própria subsistência para si e para os seus dependentes? Se não existir um mecanismo de solidariedade como estes viveriam?

Muito mal vai uma civilização se esta não tentar cuidar dos seus, daí o meu comentário sobre a sua civilidade. Mas tento escrever para não ofender e para que vc repensasse o que escreveu.

Será que o meu grande pecado é trabalhar do lado do funcionalismo público, dar o meu máximo em prol dos meus, ganhar o meu dinheiro honestamente. Não roubo, mas conforme escreveu só por ser um FP sou tratado como tal.

Filipe Silva disse...

As razões que apresenta para a opção de alguns não pagarem os impostos são todas válidas, mas não faço a mínima ideia do que vai na cabeça de cada uma das pessoas que opta por não pagar impostos quando "teria a obrigação" de o fazer.

Teria de o perguntar a cada uma.

Não pode afirmar "Não é limitador de coisa nenhuma, nem deixa de ser. Ninguém defende que o estado não exista"

http://mises.org.pt/posts/artigos/liberalismo-classico-versus-anarco-capitalismo/

Poderá ver este artigo de um dos maiores economistas espanhóis de todos os tempos, e um dos melhores economistas da escola austríaca da Europa. Professor na Universidade Rei Juan Carlos.

http://www.lewrockwell.com/rothbard/rothbard133.html

Ou este de Murray Rothbard, um dos maiores economistas americanos do século XX.
Ver também o que escrevem o movimento dos libertarian nos Estados Unidos, verá que afinal existem muitos, ao contrário do que afirma.

O RioD´oiro ao afirmar que o Estado deve ser mínimo, está a fazer o mesmo tipo de observação que fez Mises.

Dr Huerta de Soto demonstra porque é que os autores clássicos se enganaram.

A sua afirmação em certas sociedades um Estado grande funciona bem,a realidade demonstra que nessas sociedades o papel do Estado tem vindo a diminuir, o Caso Sueco é paradigmático dessa situação, nos anos 90 atingiu o seu máximo (por exemplo a tributação chegou a um máximo de 90% para os mais altos rendimentos), os suecos experienciaram uma crise muito grave e o caminho foi diminuir o Estado social bem como os impostos.

Ainda recentemente em resposta À crise de 2008 foi o único país da UE que se recusou a seguir políticas keynesianas, optando por a abordagem da escola austríaca,

Filipe Silva disse...

cortando impostos e cortando despesa, diminuíram o Estado social, hoje a taxa máxima é de 46,5%, para um país que há 20anos tinha 90% é uma diminuição assinalável.
Ainda há coisa de 2semanas baixaram o IRC para 23%.

Uma afirmação não tem nada a ver com a outra.

Está demonstrado economicamente que o keynesianismo não funciona.

E se me vai vendar a história da grande depressão, remeto-o para a crise de 1920/21 que em certos aspectos foi muito mais grave que a iniciada em 1929 e foi resolvida em 18meses,

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=610

Não vejo como o exemplo do salário mínimo cause confusão no defender menos estado, antes pelo contrário.

Se defendo que o Estado não deve interferir em acordos alcançados por dois adultos.

Como pode fazer uma afirmação como a que faz?

Está demonstrado economicamente que o salário mínimo cria desemprego, e não só ao nível dos que iriam auferir um salário menor.
Existem muitos contratos colectivos que o salário de determinada profissão depende do valor do salário mínimo.

O caro António comete um erro, assume algo que não sabe, esta a exprimir um juízo de valor.

350€ certamente é melhor que ZERO, que é o que acontece hoje a muitos cidadãos nacionais.
Convém não esquecer que antes do consulado de sócrates o salário mínimo era de 373,64.

Sim defendo que o Estado não deve intervir no mercado de trabalho.

As afirmações que produz revelam que não compreende como opera um sistema de capitalismo de mercado livre (o que hoje vigora é tudo menos capitalismo de mercado livre).
O salário não é mais que um preço . O empregador emprega quando o valor que o trabalhador produz é superior ao custo que o empregador tem com ele, isto é, se retira um lucro com o emprego do trabalhador.
Se para determinada profissão o rendimento que o empregador retira de mais um trabalhador é inferior ao salário mínimo este não irá empregar o trabalhador.

Assume que se não existisse salário mínimo todos iriam receber menos, existem inúmeros países sem salário mínimo e os salário são bastante mais elevados que em Portugal.

O António acha que é essencial a existência do Estado para existir solidariedade, eu tenho a opinião completamente contrária.

O que defendo é que esta não seja feita através da coerção, obrigação imposta por terceiros.

Então temos pessoas com dificuldades vamos criar uma estrutura burocrática para ajudar essas pessoas, e vamos obrigar os outros cidadãos queiram ou não participar na solidariedade a o fazer. Gastamos 70% na burocracia e apenas 30% a ajudar as pessoas.

O António, Eu, etc... podemos ser solidários sem necessidade do Estado.

Mas tem razão mal vai a sociedade, acrescentaria quando se obriga os seus cidadãos a fazer algo que estes não querem.
A questão aqui é se é legitimo um grupo dizer a outros que são obrigados a fazer o que estes não querem.
Eu não quero financiar com o meu rendimento uma estrutura burocrática como a que existe.
Posso ajudar o meu concidadão da forma que Eu entender.
Já não seria a primeira vez que participei por exemplo nas campanhas do banco contra a fome, não seria a primeira vez que paguei um almoço a um sem abrigo. Não seria a primeira vez que apadrinhei animais abandonados, fiz isso porque quis não foi preciso ser obrigado.
Fiz porque quis.

Não me ofendeu, antes pelo contrário.

Nada me move contra o António, não pus em causa a sua honestidade, o que me move é ser contra o sistema actual de coerção.

RioD'oiro disse...

FS:

"Não pode afirmar "Não é limitador de coisa nenhuma, nem deixa de ser. Ninguém defende que o estado não exista""

Posso porque existem exemplos para todos os gostos.

No caso Sueco, funcionando bem ou mal houve sempre estado.

A decisão por políticas keynessianas nada tem a ver com a existência de estado ou não, como não tem no caso da escola austríaca.

"Está demonstrado economicamente que o keynesianismo não funciona."

Funciona nalguns casos: estados com fronteiras bem guardadas (ou ilhas) e limitado no tempo (não foi o nosso caso).

...

O caro não tem as ideias arrumadas. A lógica interna das suas afirmação os observações continua furada. Sem isso, nada há a fazer.

Filipe Silva disse...

Não pode fazer a afirmação de que não existe ninguém que o defenda, quando existem pessoas que o fazem, como lhe demonstrei pelos links do comentário anterior.

Não tem lógica nenhuma a sua afirmação "Posso porque existem exemplos para todos os gostos"

O exemplo Sueco foi colocado por mim para demonstrar que o Estado é nocivo a uma economia capitalista de mercado livre, e que a sua diminuição levou a um melhoramento económico.

Para pegar no exemplo Sueco, os suecos que emigraram para os estados unidos tem um nível de vida superior aos suecos da Suécia, os USA tem um estado muito mais pequeno que Suécia.
Ver o estudo no Cato institute.

Por exemplo está documentado que o período em que os USA mais evoluíram economicamente foi no Séc XIX quando o peso do Estado era de cerca de 3%.

Sem a existência de estado o Keynesianismo não pode ser aplicado. Se este se baseia na utilização do ESTADO para estimular a procura agregada em tempos de recessão

no wikipédia podemos ver "fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia"

Conclusão lógica sem Estado não há keynesianismo.

Dr Huerta de Soto, bem como inumeros economistas seguidores da Escola Austríaca já demonstraram que o Keynesianismo não funciona.

A lógica é simples, EU na minha opinião concordo que o Estado é impeditivo do crescimento sustentável da economia e do desenvolvimento Humano, que devemos caminhar para uma sociedade onde este não exista.

Ao se acreditar na liberdade individual não vejo qualquer impedimento lógico de outros se associarem entre eles e fazerem o que bem lhes interessa, desde que não me perturbem a mim.

Se determinado número de pessoas se associa e faz entre eles um sistema tipo de segurança social é me indiferente desde que não seja obrigado a participar nele.

O que o RioD´oiro faz ou deixa de fazer é me indiferente, já não o é se o você quiser me obrigar a fazer algo que eu não queira.

Ao inicio até pensei que poderia o RioD´oiro estar correcto e de facto eu ter um problema de lógica, mas agora vejo que não existe qualquer problema.

Agradecido pelo tempo despendido, aprendi a ser mais conciso no que escrevo e mais directo.

RioD'oiro disse...

FS:

"Não pode fazer a afirmação de que não existe ninguém que o defenda, quando existem pessoas que o fazem, como lhe demonstrei pelos links do comentário anterior."

Existem pessoas que defendem que a terra é oca. E dai? É essa a sua posição?

"O exemplo Sueco foi colocado por mim para demonstrar que o Estado é nocivo a uma economia capitalista de mercado livre, e que a sua diminuição levou a um melhoramento económico."

Não é nocivo. É fundamental. O facto dos suecos terem feito encolher o estado não significa que esteja na cabeça deles fazê-lo desaparecer.

O caro deixa um amontoado de afirmações funcionalmente contraditórias, que quer que lhe faça?