domingo, 30 de setembro de 2012

Descubra as diferenças

Via Lisboa - Tel Aviv

Parece que a esquerdalha nazi-socialista (nesta fase) volta a recorrer às velhas técnicas estalinistas, desta vez pintando o cenário com apoiantes:


Repare-se nesta imagem e na sombra projectada pelo arco da Rua Augusta nos edifícios à direita. Repare-se na sombra do torreão do lado esquerdo, na Rua do Ouro e Rua da Prata.



A CGTP pintou o Terreiro do Paço de gente. A sombra do arco da Rua Augusta mantêm-se nos edifício à direita, a sombra do torreão desaparece e aparece gente na Rua Augusta, Rua da Prata e Rua do Ouro que se encontram igualmente sem sombras.

Estalinismo no seu melhor. Esta gente não tem vergonha na cara e não olha a meios. De facto, a imagem inventada teria 100.000 pessoas. A outra, na melhor das hipóteses 20.000

As dificuldades de comunicação de António Borges

No Blasfémias:

O Borges fala para um país em quase ninguém percebe o que se está a passar. Digamos que há uma dificuldade de comunicação entre quem percebe e quem não percebe os factos seguintes:
  • A dívida portuguesa atingirá 120% PIB no fim do ano e cada ano que passa soma mais de 5% do PIB à dívida. O default é provável dentro de 2 ou 3 anos se não forem cumpridas as metas do programa de ajustamento.
  • Os bancos portugueses estão a  desalavancar. Têm que reduzir empréstimos para reforçar o peso dos capitais próprios. Não haverá crédito à economia tão cedo. Os bancos portugueses não têm crédito externo porque o país também não tem e porque os bancos estão no limiar da falência.
  • os salários nominais do sector privado estavam ajustados ao nível de procura pré-crise. Essa procura era sustentada por dívida. Agora não há crédito, há menos procura mas os salários nominais são os mesmos, excepto nos casos em que foi possível negociar (pelo que percebi só com truques é que é possível reduzir salários, mesmo negociando). Por isso o desemprego disparou.
  • Se não houver uma desvalorização salarial por algum truque tipo TSU, a inflação demorará vários anos a baixar o valor real dos salários para valores consistentes com a procura actual.
  • Os níveis da procura não voltarão tão cedo aos valores pré-crise. Quanto mais tempo de tentar atrasar o ajuste mais tempo demorará a procura a voltar aos níveis anteriores.
  • Estimular artificialmente a procura, como pedem muitos empresários, apenas agrava o problema. Reduz a poupança, aumenta o défice  e retarda a redução do endividamento externo. Sem redução do endividamento externo o crédito não volta.
  • Austeridade é necessária para que em simultâneo se reduza o défice do Estado, se reduza o défice externo e se aumente a poupança. Redução dos  salários é necessária para capitalizar as empresas e libertar fundos para investimento. Redução dos salários pode ser lento, via inflação, ou rápido, via desvalorização interna. Quanto mais tempo demorar pior. Só quando este processo estiver completo é que voltará a haver mais procura, crédito, investimento e crescimento.
  • Tudo isto já seria complicado se não existisse uma possibilidade real de default. O risco de default implica que a janela temporal em que é possível resolver os problemas é muito estreita. Se não se aproveitar essa janela temporal, Portugal será um país zombie por muitos anos.
Aquilo que distingue o Borges da restante cambada de personalidades públicas que se pronunciam sobre os problemas do país é que, por um lado, o Borges percebe isto, por outro não deve nada a ninguém.  De um lado está o Borges, que percebe isto, e cuja mensagem é basicamente “o socialismo acabou”, e do outro empresários focados em manter o status quo de um mercado interno que depende de um consumo insustentável.

sábado, 29 de setembro de 2012

Rã, salta


Congeminações e leitura recomendada

Para o fim semana aconselho a leitura inicial deste artigo aqui ao lado seguida deste outro de Nicolau Saião.

As congeminações:

... houve uma tentativa de golpe nas secretas cujas pataniscas continuam voando ...
... há várias guerras dentro da justiça ....
... há guerras na tropa ...
... mas parece que os zénites da justiça têm vindo a sentenciar as suas próprias vitórias!

Começa a emergir um padrão?

Uma decisão gravíssima

No Blasfémias (bold meu):

«O Tribunal Constitucional chumbou a norma do Regulamento de Disciplina Militar que impedia as tropas de recorrerem para os tribunais civis de sanções disciplinares que lhes fossem aplicadas. O regime, aprovado por PSD, CDS e PS, obrigava os militares a cumprirem as penas disciplinares de imediato e sempre que a hierarquia superior o decidisse. Mas em resposta a um pedido de fiscalização feito pelo PCP, o TC considerou que este limite aos direitos dos militares é inconstitucional. Assim, desde Maio de 2012, qualquer militar pode recorrer de uma sanção disciplinar aplicada por um superior para um tribunal civil e só a cumprirá após decisão desse órgão

Que o PCP via Associação Nacional de Sargentos faça o seu trabalho de degradação das instituições é uma coisa sabida embora frequentemente esquecida. Mas que o Constitucional tome uma decisão que coloca em causa a própria existência da instituição militar é outra. Desconheço o que levou recentemente  o PR a chamar a Belém as chefias militares mas sendo Cavaco Silva Comandante Supremo das Forças Armadas espera-se que se pronuncie sobre o assunto quanto mais não seja como sucedeu no Estatuto dos Açores para dar conta da sua indignação. Caso esta decisão seja escamoteada ele mesmo e certamente o próximo PR acabarão comandantes supremos duma milícia que nos dias pares recorre aos tribunais civis para boicotar a instituição e nos dias ímpares para a manutenção das suas regalias exige  respeito institucional pela mesma instituição.

Obs. Espero apenas que uma qualquer associação do futebol recorra ao Constitucional e que este naturalmente decida em igual sentido. Teremos um tempo santo: não há jogos, não há declarações dos dirigentes…

Máxima

Olavo de Carvalho:


"Quanto menos um sujeito entende o mundo, mais assanhado fica para transformá-lo."

Paul Krugman alucinado





"O artigo de Paul Krugman publicado hoje na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/68929-a-loucura-da-austeridade-na-euro...) é o espelho da loucura socialista de imaginar possível um mundo onde o número de parasitas é maior do que aqueles que trabalham. Sua crença na
emissão de moeda falsa é demente."

A carreira das Índias

Por Joel Costa.  

Do mundo giro e alternativamente modernaço

Uma das coisas extraordinárias que se observa nas chamadas "mensagens virais", hoje mananciais de excitação, não é o conteúdo das mensagens mas a ignorância, estupidez ou ambas que leva a que se tornem virais.

PJ faz buscas às casa de três ex-governantes do PS

No DN*:

A Polícia Judiciária efectuou hoje buscas nas casas dos ex-ministros das Obras Públicas, Mário Lino e António Mendonça, e do ex-secretário de Estado Paulo Campos, confirmou à Lusa fonte judicial.
De acordo com a mesma fonte,foram também realizadas buscas na casa de uma vogal do conselho de administração das Estradas de Portugal e ex-adjunta de António Mendonça. 
As buscas foram efectuadas no âmbito de um inquérito crime às ParceriasPúblico Privadas, a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e tinham por objectivo a procura e apreensão de documentos.


Já se percebeu o que veio Sócrates fazer a Portugal. Terá voltado para Paris ou terá ido para mais longe?

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* Corrigindo uns quantos erros ortográficos que por ali pastavam.

Só faltava convencerem-me de que o Salazar tinha razão.

Por Joel Costa.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Isto está cada vez mais divertido!



Acabámos de saber, pelos telejornais, que duas procuradoras do Ministério Público foram expulsas por, desde 2005, terem passado informação confidencial sobre 450 pessoas  - entre as quais juízes, magistrados e dirigentes da PJ -  a um amante. O homem fazia-se passar por coordenador da Interpol, embora, na verdade, se tratasse de um foragido, evadido da cadeia em 2003. Foi apresentado por uma delas à outra, com a qual passou a manter relações íntimas, sendo esta quem acabou por revelar o caso aos seus superiores hierárquicos.

O buraco das fotovoltaicas

Nem os chineses escapam, quanto mais os contribuintes.

Uma decisão gravíssima

No Blasfémias:

«O Tribunal Constitucional chumbou a norma do Regulamento de Disciplina Militar que impedia as tropas de recorrerem para os tribunais civis de sanções disciplinares que lhes fossem aplicadas. O regime, aprovado por PSD, CDS e PS, obrigava os militares a cumprirem as penas disciplinares de imediato e sempre que a hierarquia superior o decidisse. Mas em resposta a um pedido de fiscalização feito pelo PCP, o TC considerou que este limite aos direitos dos militares é inconstitucional. Assim, desde Maio de 2012, qualquer militar pode recorrer de uma sanção disciplinar aplicada por um superior para um tribunal civil e só a cumprirá após decisão desse órgão

Que o PCP via Associação Nacional de Sargentos faça o seu trabalho de degradação das instituições é uma coisa sabida embora frequentemente esquecida. Mas que o Constitucional tome uma decisão que coloca em causa a própria existência da instituiçãoo militar é outra. Desconheço o que levou recentemente  o PR a chamar a Belém as chefias militares mas sendo Cavaco Silva Comandante Supremo das Forças Armadas espera-se que se pronuncie sobre o assunto quanto mais não seja como sucedeu no Estatuto dos Açores para dar conta da sua indignação. Caso esta decisão seja escamoteada ele mesmo e certamente o próximo PR acabarão comandantes supremos duma milícia que nos dias pares recorre aos tribunais civis para boicotar a instituição e nos dias ímpares para a manutenção das suas regalias exige  respeito institucional pela mesma instituição.

Obs. Espero apenas que uma qualquer associação do futebol recorra ao Constitucional e que este naturalmente decida em igual sentido. Teremos um tempo santo: não há jogos, não há declarações dos dirigentes…

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Fooooo.....



.

Olavettes


O máximo.

O legado da hiperinflação da Coreia do Norte

Tradução livre de um artigo do Cato@Liberty a que adiciono alguns comentários [bolds meus].
A Assembleia Suprema do Povo da Coreia do Norte (*1) reuniu-se na 3ª Feira. O estado-falhado comunista falhou as metas das suas propagandeadas reformas económicas. A grande alteração introduzida pelos sabichões da assembleia abarcava as rações de combustível e comida. Os professores verias as suas rações incrementadas (*2). Tudo bem. Mas, interrogo-me de que tigela as incrementadas rações iriam sair (*3). Não interessa.

O legado económico da Coreia do Norte - para além da fome - é a hiperinflação. A Coreia do Norte é um dos apenas 40 países que no mundo experimentaram a hiperinflação. No nosso recente Cato Working Paper, Nicholas Krus e eu [Steve H. Hanke], concluímos que num episódio de hiperinflação na Coreia do Norte ocorrido de Dezembro de 2009 a maio de Janeiro de 2011, o pico de hiperinflação mensal atingiu, em Março de 2010, 496%. A este índice, os preços duplicavam a cada 14.1 dias. Infelizmente, os horrores da hiperinflação continuarão, geração após geração. Que legado.

(*1) - Cujo 2º querido líder da dinastia comunista, apesar da baba e ranho vertido pelos seus kamaradas do PCP, encarreirou finalmente numa mui nobre e útil missão à humanidade como matéria prima para fazer tijolo.

(*2) - Coisa incontornavelmente "neo-liberal". O abandono da igualdade total face à "discriminação positiva" facultada aos professores, representa um crescimento infinito da taxa de desigualdade.

(*3) - Talvez ... do bolo burguês e capitalista, se convenientemente encenada uma qualquer ameaça nuclear, caso os "neo-liberais" lhes não voluntariassem para ... 'facultar' (isso mesmo) largas dezenas de milhar de toneladas de cereais.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

No Fio da Navalha

N'O Insurgente:
Quando a democracia falha
De acordo com uma sondagem da Universidade Católica, 87% dos portugueses dizem-se desiludidos com a democracia. Sentimos que se falhou na democracia quando se permite que mais de metade do que auferimos com o nosso trabalho vá para um Estado que está falido.

O Estado não tem dinheiro. Mas se ninguém quer pagar mais impostos, poucos querem que o Estado deixe de sustentar empresas, fundações, institutos, ensino gratuito para quem o poderia pagar, empregos que não são precisos para nada e subsídios culturais de retorno nulo. O Estado não tem dinheiro, mas a maioria não deixa que se mexa em nada, porque isso seria desestruturar o Estado que, dessa forma, está a desestruturar a economia.

São poucos os que não esperam receber o quer que seja do Estado, nem querem viver na dependência da sua generosidade. A grande maioria prefere contribuir para o bem comum, recebendo o seu quinhão. Dessa forma, caímos numa armadilha: instituímos uma democracia que favorece uma maioria sedenta de favores públicos e desprotegemos os indivíduos, vistos como egoístas e insensíveis. Agora, a maioria massificada virou-se contra a maioria de nós, quando individualmente considerados. Como pessoas, sentimo-nos desprotegidos e frágeis perante o poder cego do Estado, quando a maioria que recebe conhece agora o preço individual da factura. A democracia, se falhou, foi porque negligenciámos a liberdade individual e deixámos os cidadãos sós contra uma maioria que ninguém controla.

E o círculo fecha-se

No Ablogando:

A história-base é esta, começando antes do ano 2000: Garcia dos Santos condenado a multa de 135 contos

Na sequência dela há 3 posts e dois vídeos cuja sequência convém analisar:

1 - Pobes lágrimas, as do crocodilo

2 - Houve quem tentasse desculpar João Cravinho

3 - A esquerda e a obsessão pela marxista forma de mentir


Resumindo, Garcia dos Santos sentiu e soube, de viva voz, do esquema e os pormenores da corrupção na JAE montada pela cáfila partidária e gangs afins, para financiamento partidário, pediu apoio político a Cravinho para limpar a casa, Cravinho tirou-lhe o tapete. Passado alguns anos, Cravinho reemerge, "herói" da luta contra a corrupção. Naturalmente que os colegas de bancada fizeram o "favor" de o aplacar.

PJ faz buscas às casa de três ex-governantes do PS

Via Ablogando:
No DN:
A Polícia Judiciária efectuou hoje buscas nas casas dos ex-ministros das Obras Públicas, Mário Lino e António Mendonça, e do ex-secretário de Estado Paulo Campos, confirmou à Lusa fonte judicial.
De acordo com a mesma fonte, foram também realizadas buscas na casa de uma vogal do conselho de administração das Estradas de Portugal e ex-adjunta de António Mendonça. 
As buscas foram efectuadas no âmbito de um inquérito crime às Parcerias Público Privadas, a decorrer no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e tinham por objectivo a procura e apreensão de documentos. 

Já se percebeu o que veio Sócrates fazer a Portugal. Terá voltado para Paris ou terá ido para mais longe?

Maquinistas da CP em nova forma de 'luta'

Alguém me explica por que carga de água resolverem agora vários maquinistas da CP desligar a  iluminação das carruagens mal elas se imobilizam no Rossio, ainda de noite ou estando muito escuro, deixando os passageiros mais ou menos às apalpadelas para sair do comboio?

A rapaziada está com pressa para se ir embora e a primeira coisa que faz é desligar a luz. Talvez seja de os trancar na cabine até que a luz volte a ser ligada e os passageiros estejam fora das carruagens.

Gente reles é sempre gente reles. Não têm emenda. Só no olho da rua estarão bem.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Prémio tótó indignácaro para a TSF

ACTUALIZAÇÂO:

Jornalista do NYT diz que afirmações de Romney sobre janelas de aviões foram uma piada

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 Mais uma parvoeira indignácara anda à solta. Na TSF:
Mitt Romney quer abrir as janelas dos aviões

As janelas dos aviões a jato estão seladas por motivos operacionais e de segurança. Devido à alta altitude, há pouco oxigénio no exterior e baixas temperaturas. Caso as janelas se pudessem abrir, a diferença de pressão entre o interior e o exterior provocaria a despressurização da cabine, o que obrigaria a uma aterragem de emergência.

É o disparate à solta até cheirar a queimado. Não se pode abrir as janelas mas pode e abrem-se as portas:

Can You Open an Airplane Door During Flight?

In emergency situations, pilots bring planes to lower altitudes and slowly depressurize the cabin so that the doors of the aircraft can be quickly opened. Passengers sometimes notice rapid pressure equalization because their ears may pop due to quick changes in pressure. Should a plane suddenly lose pressure at altitude, as has happened, oxygen masks drop from the ceiling so that passengers do not pass out from lack of oxygen. In these circumstances, it would be possible to open an airplane door during flight, although it wouldn't be a particularly smart move.

Em situações de emergência relacionadas com fumo na cabina, a manobra já foi variadas vezes efectuada. Nalguns casos com sucesso evacuando o fumo, noutras exacerbando a violência do incêndio. Mas em situações de desespero faz parte dos procedimentos previstos.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Perplexidades

No Ab-Logando:

Se há coisas do camandro, há coisas do catano.

O Tribunal Constitucional considerou inconstitucional o corte de subsídios aos dependentes do estado por haver falta de igualdade em relação aos demais trabalhadores.

Hoje parece aceitar-se como razoável que se venha a cortar o subsídio de Natal a todos ....

Mas, então, para haver igualdade, deveria ser a respectiva entidade patronal nos dois casos a ficar com o subsídio: no estado, o estado ... no privado a entidade patronal. Será esta "igualdade" constitucional ou será mais inconstitucional que a anteriormente chumbada? Na chumbada, o estado não pagava aos seus e ficava com o graveto. Na nova, não paga aos seus e fica ainda com o graveto da parte de quem lhe não diz respeito.

Como é? Se o estado, não pagando aos seus reduz a sua despesa aliviando o contribuinte, arrecadando do bolso do contribuinte privado (o funcionário público é contribuinte fictício) faz com que tudo fique na mesma!

sábado, 22 de setembro de 2012

Fundações: mais de 1.000 milhões em 3 anos



O vídeo acima parece estar truncado. Alternativamente, pode ser visto aqui.

Coisas do capitalismo


Cristo, Obama e Maomé

Vai para aí um virote de indignação muçulmana, a propósito de um filme de série Z, feito por um copta egípcio e que caricaturiza o profeta Maomé. Os muçulmanos não gostaram, como é óbvio, e aí vai disto.
Ataques, ameaças, manifestações, berros, tiroteio, mortos e feridos um pouco por todo o lado. O menu habitual.

O filme foi feito nos EUA, onde vive o tal egípcio.

Simultaneamente, decorre num museu em Nova York uma exposição denominada "Piss Christ", e que consiste basicamente em um crucifixo mergulhado na urina do artista, um espanhol, ao que parece.
Também muita indignação. Os cristãos não gostaram, como é óbvio.


Onde está a diferença?

1- Na atitude dos respectivos fiéis.  Os cristãos, indignados, ao que  se sabe, não mataram ninguém, não assaltaram embaixadas e KFC, não mandaram criancinhas para a rua munidas de cartazes em que se anuncia alegremente a decapitação de quem ofenda Cristo.

2-Na atitude dos media. Não há notícias a zurzir no "mau-gosto" do Piss Christ, nem apelos ao bom senso, etc , etc

3-Na atitude da Administração Obama. Ao contrário do que aconteceu relativamente ao filme do Maomé, Obama não veio pedir desculpa, não denunciou o mau-gosto, não tentou impedir a divulgação da obra, não andou a pagar anúncios em televisões cristãs, com pedidos de desculpa e elogios à tolerância dos respectivos crentes.

Tótó-esperto

Na série Portugal e os maravilhosos tótós, temos hoje um caso em que alguém pensa que são todos tótós.

«Mexia apoia uso de poupança da TSU para baixar factura da luz
O presidente executivo da EDP, António Mexia, diz ver com enorme naturalidade a hipótese de a poupança que o grupo venha a ter com a descida da Taxa Social Única ser usada a favor dos consumidores de electricidade.»

Mas não é a EDP um dos ninhos de rendas excessivas? Não é com a EDP e/ou algumas das suas milhentas ramificações que o governo está a tentar atenuar o negócio ruinoso em que Sócrates-o-Severa afundou Portugal?

O rapaz pensará que são todos politicamente tansos para vir oferecer periquíticos travesseiros recheados de cicuta? Não tem escrúpulos que o mantenham aninhado e bem acompanhado em local que não seja território de vergonha?

Definindo alguns conceitos sobre a esquerda

N'O Insurgente:

Comunista
– Alguém que acha que é perfeitamente legítimo roubar o que é nosso.

Estalinista – Alguém que acha que é perfeitamente legítimo roubar o que é nosso e que, melhor ainda, a forma ideal de o fazer é matando-nos.

Trotskista – Alguém que acha que é perfeitamente legítimo roubar o que é nosso, mas que tal deve ser feito com um mínimo de bom gosto. Tentando primeiro a persuasão, quando esta falhar então podem matar-nos.

Maoista – Alguém que acha perfeitamente legítimo roubar o que é nosso, bastando para tal estar na posse de armas.

Socialista – Alguém que sabe que regra geral não é legítimo roubar o que é nosso, mas que se acha suficientemente inteligente para discernir quando tal será legitimo ou não.

Social-democrata – Um socialista envergonhado que não sabe que “social-democrata” era como alguns comunistas se auto-intitulavam há cerca de um século.

Democrata-cristão – Um socialista que acredita em Deus e na preservação da tradição, especialmente a tradição que agrada à Igreja.

Fascista – Alguém que acha de mau tom roubar o que é nosso, mas que acha essencial forçar-nos a usar a nossa propriedade da forma que ele acha melhor. Se resistirmos prende-nos.

Social Fascista – Alguém que acha de mau tom roubar o que é nosso, mas que acha essencial publicar legislação que nos força a usar a nossa propriedade da forma que ele acha melhor. As parecenças com um socialista vulgar são deveras perturbadoras.

Nacional Socialista – Alguém que acha de mau tom roubar o que é nosso, mas que ainda assim o faz, sempre com o propósito mais alto de servir a pátria, nação ou raça.

Liberal Social – Alguém que acha que não se deve roubar o que é nosso, excepto quando isso dá jeito, o que é assustadoramente frequente.

Preferia nunca ter tido de escrever este texto

No Blasfemias:

Hoje, no Público, defendi que mais depressa desculpo a inépcia fatal de um governante do que a irresponsabilidade incendiária dos demagogos:
“Não se iludam: vamos ficar cada vez mais pobres.

Escrevi esta frase em Maio de 2009. Era o título de um texto sobre alguns problemas estruturais da nossa economia. Repito: Maio de 2009. Ainda Sócrates era primeiro-ministro, ainda Manuela Ferreira Leite liderava o PSD. E ainda havia economistas a assinar manifestos a pedir mais despesa pública. Foi também antes de os portugueses terem dado a vitória eleitoral a quem prometia mais Scut, mais PPP, mais Magalhães e até um “cheque bebé”.

Hoje sabemos que estamos a ficar mais pobres e não sabemos quando isso vai acabar, se é que vai acabar. Hoje alguns acham que essa pobreza deriva das intenções malévolas de políticos desapiedados, mas enganam-se: o mal já cá estava quando ninguém sequer ouvira falar de alguns desses políticos. Esse texto baseava-se num livro de Vítor Bento – Perceber a Crise para Encontrar o Caminho – onde se previa o que nos tem vindo a acontecer, do crescimento da dívida externa ao estrangulamento do crédito ou à assumida degradação de muitas prestações sociais, em especial das pensões de reforma.

Hoje estou ainda mais pessimista. Começo a duvidar que existam condições para Portugal superar as principais debilidades e até que a Europa nos possa salvar de nós mesmos. Ainda esta quarta-feira, ao escutar um programa da SIC Notícias, dei com essa figura sensata e ponderada que é Silva Lopes a recordar, com tristeza e desalento, que desde a revolução liberal, há quase dois séculos, nunca Portugal conseguiu equilibrar as suas contas em democracia – só o fez em ditadura. Horas depois li, na capa do Jornal de Notícias, que uma sondagem revelava que 87% dos inquiridos estavam desiludidos com a democracia. Isto na altura em que o “pai” da nossa democracia anda por aí a advogar a queda de um governo com apoio maioritário na Assembleia e a sua substituição por misteriosas sumidades que não identifica.

Estar mais pessimista não era inevitável. Num país que estivesse mais habituado à democracia e com uma elite mais sensata, as manifestações de sábado teriam sido recebidas como uma enorme demonstração de maturidade do povo português e incorporadas com naturalidade no processo de decisão política. Não teriam sido cavalgadas de forma oportunista por um dos líderes da coligação de Governo. Não teriam também levado a que supostos “senadores” vissem nelas uma substituição dos mecanismos da democracia representativa. Declarações como as que ouvimos esta semana seriam impensáveis em Inglaterra ou na Suécia, mesmo em França ou em Espanha, países também habituados a manifestações gigantescas. À civilidade dos manifestantes responderam alguns dos nossos políticos com uma total incivilidade.

É em boa parte esta incivilidade que nos colocou à beira de uma crise política – a maior das imagináveis tragédias – que alimenta o meu pessimismo. Essa incivilidade e a demagogia reinante, que parece ter tomado conta de todos os espaços informativos. Ainda esta semana Vítor Bento notou, num debate com empresários, que “dizem que há alternativas à austeridade”, mas ainda ninguém disse quais eram as “alternativas concretas e exequíveis”. Isso sucede, acrescentou eu, porque não há alternativas boas à austeridade. Todas são más.

Basta pensar no seguinte: em 2009 (ano de eleições) e 2010, o défice público foi de cerca de 10% do PIB. Ou seja, uns 16 mil milhões de euros. Quase o dobro de todo o IRS liquidado nesses anos. Oito vezes o corte de dois subsídios à função pública e aos pensionistas. Dez vezes o que este ano se está a cortar na Saúde e na Educação. Para trazer esse défice para zero era necessário cortar mais de um quinto de toda a despesa pública, pensões incluídas. É por isso que não é sério – não é sério hoje como não era sério no passado – sugerir que o problema se resolve com as PPP, as fundações ou os carros dos ministros. Tudo isso é importante e, sobretudo, é simbólico, mas vai para a cova de um dente. Os cortes necessários são muito maiores e muito mais dolorosos. Omiti-lo é demagogia.

Hoje sabemos como era frágil o consenso dos “80%” que apoiavam o memorando da troika. Frágil porque o PS na oposição não tem feito outra coisa senão roer a corda. Frágil porque a inépcia do Governo levou à sua ruptura com um país a dizer “não” sem saber ao que há-de dizer “sim”. Estamos como estivemos muitas vezes na nossa anterior história democrática, como recordou João César das Neves no Diário de Notícias: “O problema estava nos cidadãos honestos, nos trabalhadores patriotas, que queriam mais do que havia. Se somássemos tudo o que as pessoas comuns achavam ter direito, e calculássemos o total daquilo que os contribuintes consideravam justo pagar, os valores não equilibravam. Mesmo eliminando todos os desperdícios, abusos e roubos, o buraco permanecia. Por isso é que só havia medidas más.”

Essa anterior experiência democrática acabou em ditadura, pura e dura. Os nossos excessos actuais conduziram-nos a outro tipo de restrição das liberdades, pois vivemos sob a tutela dos credores. Mas pode ser ainda pior. Podemos perder as outras liberdades que ainda temos. E ficarmos mais pobres mais depressa. Porque, de facto, existe alternativa à actual austeridade.

Portugal pode continuar pelo actual caminho, com todas as pedras que ele tem, na esperança de equilibrar os gastos do Estado e os gastos dos cidadãos, e assim recuperar a liberdade de fazer o orçamento sem ter uma troika a ameaçar não enviar o próximo cheque. É o caminho do “custe o que custar” para chegar aos objectivos definidos.

Mas também pode escolher outros caminhos. Um é o da ilusão de que haverá alguém a pagar as nossas facturas, e que por isso podemos adiar as medidas dolorosas, que podemos “empurrar o problema com a barriga”. É mais ou menos o caminho que seguimos nos últimos dez anos com os resultados que estão à vista de todos. Outro caminho é deixar de pagar as dívidas, mesmo que lhe chamemos outro nome. Já outros o fizeram, mas os cortes foram então mais brutais e incontrolados. E também podemos sair do euro. Se calhar até devemos sair do euro. Não se falará mais de TSU ou de desvalorização fiscal, porque a desvalorização do novo escudo não será de 7%, talvez seja de 40%. Já não será preciso pedir ao BCE para imprimir mais dinheiro, o nosso Banco de Portugal fá-lo-á freneticamente. Escolhas não nos faltam.

Por vezes interrogo-me se não seria melhor preparar já este último cenário, por muito apocalíptico que ele nos surja. É que se o Governo e o primeiro-ministro têm a maior das responsabilidades na forma como perderam o país, choca-me muito mais a irresponsabilidade do CDS e do PS, ambos lestos a cavalgar a onda do descontentamento e ambos omissos sobre as suas próprias responsabilidades (do CDS na TSU, do PS no estado a que levou o país) e sobre as suas alternativas. Helena Garrido teve razão quando ontem escreveu, no Jornal de Negócios, que, “para Paulo Portas e António José Seguro, é mais importante garantir votos de curto prazo do que defender o interesse de Portugal e respeitar os sacrifícios que os portugueses já fizeram”. Assim como me choca o silêncio incendiário do Presidente da República, que depois de múltiplas intervenções desastradas deixou que se instalasse a percepção de que fala por interpostos “cavaquistas”. Fez até pior: convocou Vítor Gaspar para o Conselho de Estado, um gesto inédito na nossa história constitucional que é uma facada nas costas do primeiro-ministro.

Portugal chegou onde chegou porque teve os líderes que teve. Não apenas os dos últimos anos, mas os das últimas décadas. E também por causa dos partidos que tem. O meu pessimismo não reside nas pessoas que se sacrificam e se revoltam, pois isso é corajoso, é natural e é saudável. Deriva sim dos que as enganaram e enganam, vendendo eternas ilusões.

Isto ainda acaba bem pior do que já está.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A esquerda e a obsessão pela marxista forma de mentir

No AbLogando:

Ainda em relação a esta encrenca, chamemos de volta o parágrafo que merece mais detalhada análise:
Cravinho diz que o erro "podia ter sido evitado", e o negócio "mais prudente". Mas justificou-o com a necessidade de partilhar o "receio quase patológico" dos potenciais concorrentes à concessão e revitalizar a CP, que estava "uma bagunça".
Trata-se de um excelente exemplo da corrupção* que é intrínseca a toda a esquerda: PS, PCP, BE e a excrescência "Os Verdes".

 Reparem que perante o óbvio, Cravinho é incapaz de simplesmente afirmar que os concorrentes à concessão tinham razão mas que o PS foi incompetente em dar-lha por estar convencido que sabia da poda. Cravinho escolhe a via de declarar a verdade como patológica e de justificar o seu colossal disparate declarando que foi o PS a vítima da "patológico receio" alheio.
 Sem fugir à verdade mas adjectivando-a correctamente, a obsessão patológica pela realização da disparatada obra levou o PS a um extraordinariamente ruinoso negócio responsabilizando o contribuinte por tapar o buraco que a sua absurda incapacidade em olhar a realidade acarretou.

 Como dizia Marx, façam a trampa mas culpem a direita. Foi assim com esta obra e com todas as outras, e tudo indica que a Severa voltará a ser "vítima".

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 *sempre em sentido lato

Solipsismo: doença que sistematicamente afecta toda a esquerda

No Ablogando:

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça [bold meu]:
 «O serviço ferroviário acabou concessionado à Fertagus, negócio adjudicado por Cravinho, e "o que foi apresentado como uma parceria sem custos para o Estado português acabou por ter um custo de 102 milhões de euros", em verbas que o Estado devolveu para reequilíbrio financeiro e prestação de serviço público, criticou Mendes Bota. O deputado social-democrata recordou, ainda, os 33 milhões de euros que a Fertagus já distribuiu pelos accionistas.

Cravinho diz que o erro "podia ter sido evitado", e o negócio "mais prudente". Mas justificou-o com a necessidade de partilhar o "receio quase patológico" dos potenciais concorrentes à concessão e revitalizar a CP, que estava "uma bagunça".

Mais tarde, o antigo secretário de Estado do Orçamento João Carlos Silva reconheceu que os "contratos leoninos devem ser alterados se geram prestações desequilibradas entre as partes e não respeitam expectativas". Mas considera "um absurdo" lançar um imposto sobre as PPP.»
E então, o receio dos concorrentes à concessão era "patológico" ou a coisa NÃO TINHA MESMO pés para andar?

Mário Crespo comenta custos diários da RTP para os contribuintes portugueses


A esquerdalha à anexação da Alemanha

Face ao "medo" que a Alemanha tem que Portugal não venha a pagar o que deve, ou, sequer, o juro dos empréstimos que, por "sede especulativa" e "neo-liberal", é incapaz de não nos conceder, deixo a seguinte sugestão:

Convoca-se mais uma manifestação pelo retorno da Severa.

Recoloca-se a dita figura no poder.

Pede-se à Alemanha quantidades industriais de dinheiro não importa a que juro até que a Alemanha claudique e fique de joelhos. Nessa altura Portugal declarará, sem mexer uma palha, a anexação do território que nos ficará eternamente agradecido. O novo território será rebaptizado Angeola e a Merkel será concedido asilo político.

A Severa indigitará o Anacleto como governador geral do território cuja província de leste ficará a cargo de Jerónimo de Sousa. A Ana Gomes será entregue o controlo das polícias.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dedicado à manifestação pela Severa







Tempo Volta Para Trás -- António Mourão, Composição: Eduardo José Dantas
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A severa foi-se embora o tempo para mim parou,
o passado foi com ela para mim não mais voltou,
as horas para mim são dias, as horas para mim são dias
os dias para mim são anos,
recordação é saudade, recordação é saudade
saudades são desenganos
Ó tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi
tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi,
ó tempo volta para trás, mata as minhas esperanças vãs,
vê que até o próprio sol volta todas as manhãs.
Porque será que o passado e o amor são tão iguais,
porque será que o amor quando vai não volta mais,
mas para mim a severa, mas para mim a severa
é o eco dos meus passos,
eu tenho a saudade á espera, eu tenho a saudade á espera
que ela volte para os meus braços.
Ó tempo volta para trás, traz-me tudo o que eu perdi
tem pena e dá-me a vida, a vida que eu já vivi,
ó tempo volta para trás, mata as minhas esperanças vãs,
vê que até o próprio sol volta todas as manhãs.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A ter em conta

No Blasfémias:
a) Constrói-se o TGV
b) Arrisca-se o pagamento da indemnização
c) Rasga-se o contrato, grita-se  “Fim à austeridade. Queremos as nossas vidas” e depois espera-se para ver o que acontece
Estávamos no tempo em que a esquerda, toda inteirinha, desprezava quem se preocupava com as rendas. Hoje, os mesmos zotes, reclamam que o governo não é capaz de desfazer a trampa que ele fizeram e blindaram.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Camilo Lourenço em relação ás medidas de austeridade 13-09-2012



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Camilo Lourenço, ontem (16/9), no Jornal de Negócios:


É melhor sairmos do Euro

Sempre defendi a permanência de Portugal no Euro. Mesmo que à custa de sacrifícios para ultrapassar os erros de política económica dos últimos 15 anos

Mas na semana passada percebi que não temos mentalidade para lá estar. E que, por isso, o melhor é sair. Assim poderemos voltar a crescer desvalorizando o “novo Escudo” em pelo menos 40% face ao Euro. Isso provocará um disparo da inflação? Sim, mas é a única forma de provocar perdas salariais (reais) de 15 ou 20% para ajustar a economia. Teremos crescimento? Sim, mas à custa de baixos salários (até voltaremos a ter empresas de mão-de-obra barata). Mas nós merecemos!

Estar no Euro implica não gastar mais do que se tem e apostar na produtividade. No primeiro caso para evitar que o Estado se endivide para além do sustentável. No segundo porque só o aumento da produtividade garante aumentos contínuos de salários. O problema é que o país não está preparado para isso. Nem quer aprender. Veja-se quanta gente, nos três partidos do Poder, continua a pedir mais tempo para cumprir o défice. Esquecendo que mais tempo significa mais dívida. E veja-se quanta gente defende aumentos salariais sem crescimentos de produtividade, que só geram défices comerciais brutais e desemprego elevado.

Portugal não tem nem políticos nem cidadãos preparados para estar no Euro. É melhor assumir isso e negociar uma saída ordenada. Daqui a dez anos estaremos arrependidos? Sem dúvida. Mas pode ser que, entretanto, tenhamos dado uma vassourada na miserável classe política que levou o país à falência três vezes em 34 anos. E pode ser que até lá os cidadãos percebam que as desvalorizações da moeda são o caminho mais curto para empobrecer um país.

O povo e a barricada

No Combustões:

[...]


Algumas dezenas de milhares de portugueses saíram ontem às ruas. Tanto importa que fossem 10.000 como 100.000 ou dois milhões. Não tinham razão, pois foram cúmplices. O que ontem aconteceu foi o protesto da dita "classe média", a mesma que votou sempre pela "vida confortável", que aplaudiu Cavaco, Guterres, Ferro Rodrigues e as fantasias sem pensar nas consequências. Essas pessoas têm dores, passam por sofrimentos, angústias e até desespero, mas não é o povo. O povo, na acepção sociológica de classe de baixos rendimentos - isto é, o salário mínimo - nunca saiu à rua. Tem vivido do banco alimentar e da caridade das ONG's, de associações católicas e até da Jerónimo Martins, tão atacada por todos, mas que garante 60% do total de contribuições que assistem as vítimas da fome.
 
Ontem, cantaram a Vila Morena e o Povo Unido Jamais Será Vencido. Sei que custa perder o sentido da vida e os mitos, mas há que abrir os olhos e ter um mínimo de lucidez. Afinal, não se ouviu uma ideia. Não têm qualquer ideia de como sair da situação. O governo tem feito o que se deveria ter feito há vinte ou trinta anos. Mas não, ninguém quis saber. Queriam "viver bem", queriam ser "europeus". Isso acabou. A crise pode ser boa conselheira. O governo que comece a pensar num plano de resgate económico, não se atenha às finanças e dê exemplo, começando por atacar os vergonhosos privilégios da matulagem que vive do sistema. A "classe média" que pense, mas proponha saídas. Afinal, com tanto "intelectual" e tanto "quadro", só se limitam a pedir direitos. Os direitos estão na lei, mas mais importante que os direitos de cidadania são os deveres, que estão na ética. É só!

Empresários fracos e os Chibo Velho

No Ablogando:

Uma das acusações que em qualquer conversa com malta de esquerda vem à tona é a de que os nossos empresários são fracos e o estado tem que se lhes substituir.

...

Os empresários são como toda a gente. Procuram fixar-se onde são bem-vindos, onde lhes não infernizam a vida, onde podem criar projectos e destrui-los caso não tenha pés para andar (implicando despedimentos) para logo criar outros, onde a regulamentação lhes permita não só criatividade como criatividade aos trabalhadores, onde a sua actividade de empresário e de cidadão individual não sejam misturadas pelo estado, onde a justiça lhes permita cobrar a quem não paga (sendo cobrados caso façam o mesmo), onde a segurança os não faça alvo de "voluntários" protectores, onde não exista um tentáculo do estado a cada negócio, onde a concorrência seja leal (não haja empresas de regime ou monopólios), onde os lucros da actividade não sejam encarados como mais-valias a nacionalizar. Portugal não preenche nenhum destes requisitos e a "europa" não preenche a maioria deles. Um regime onde reinem estas características chama-se liberal.

Que sobra a Portugal? O empresário que tem que ganhar tudo num foguete e num foguete fazer 'desaparecer' esse lucro, o empresário que usa empresas para concentrar prejuízos fechando-a após um interminável processo de salários em atraso, misturar-se nas teias-de-aranha do estado onde, manobrando com mais flexibilidade, destrona a dona da teia, misturar-se com partidos, deputados, autarcas, etc, por forma a ancorar-se no regime e na generalidade dos portugueses sem que mais valia significativa daí advenha, manobrar, usar os 'bons contactos' para infernizar a vida a empresas que não joguem no baralho oficial, fazer 'aparecer' legislação (para que serviriam as âncoras ferradas no regime?) adequada ao seu caso e a cada um dos seus negócios. Chama-se a este regime, crroy-capitalism ou capitalismo doentio.

O capitalismo doentio, pode ser encarado de outra forma, e é esta outra forma que interessa ao ponto de vista do votante: o desastre de um regime que puxando os cordelinhos a interpostas empresas que supõe controlar sem ser controlado, pretende toda a sociedade indirectamente mas de rédea curta dirigir. Este controlo redunda num descontrolo porque os governos não conseguem ser tão competentes quanto as empresas a defender o que a cada um diz respeito. Trata-se de um regime socialista, socializante, nacionalizante, que mantêm a propriedade privada como fachada para o sistemático desbaratar do dinheiro do contribuinte em medidas timoneiras como quem deixa açúcar junto a um carreiro de formigas.

Ao povo, hoje dito "geração mais bem formada" soa bem! É o estado a fazer o seu papel, a fazer o que os ignorantes, incompetentes capitalistas de casino não sabem fazer por só pensarem neles.

Este segundo regime tropeça sistematicamente em dois percalços: nunca dá origem ao tipo de empresas que o sua mais aguerrida militância defensora reclama, a empresas que paguem adequadamente aos funcionários e a fornecedores, paguem impostos e progridam sem o adubo do contribuinte, e acaba a patinar afogado em dívidas.

Porque deve interessar ao votante a estirpe do comportamento do governo e não das empresas que dele tiram partido? Porque o cidadão não vota em empresas. A tentativa de deslocar a conversa, sob  forma de culpa, sistematicamente, para os empresários, é cortina de fumo que pretende não mais que desviara a atenção para as consequências da inevitável má governação de cariz socializante e nacionalizante, não para defesa da democracia mas para a menorizar e reclamar ainda mais controlo estatal, mais socialismo, mais nacionalização. A nacionalização não precisa ser da propriedade propriamente dita, basta regulamentar métodos e comportamentos e aturar às empresas 'recalcitrantes' os cães de fila (ASAEs) "fiscalizadores". As empresas de regime manobram na teia de aranha e as outras desaparecem ou afastam-se. Sobra a tralha, auto-coordenda em sessões de bruxas e aventais.



Não sei se o país não estará já irremediavelmente habituado a viver no reino das 400 bruxas que rejeite um governo capaz de mandar ao ar umas tantas caralhadas. Este, anda demasiado delicodoce e arrisca-se a ficar na história como mais um chibo velho a que seguirá mais uma Internacional de chibos velhos. Eles andem aí.

Nivaldo Cordeiro - Marcos Valério e seu advogado



"A matéria da revista Veja com a entrevista de Marcos Valério estava de forma estranha. Era entrevista mas não era, usando um formato indireto, com declarações de terceiros. Hoje fui ver a repercussão na imprensa e vi a reprodução de um release do PT, na Folha e no Estadão, desqualificando a revista. Só no final do dia a coisa ficou clara, quando Ricardo Noblat deu nota no seu blog dizendo que houve a entrevista, gravada, mas o advogado de Marcos Valerio, Marcelo Leonardo, vetou a divulgação. O abafa para livrar a cara de Lula foi total"

domingo, 16 de setembro de 2012

Onde estavam vocês?

No Blasfémias:


Perguntaram-me onde estava ontem e qual a razão de não ter ido à manifestação.

Onde estavam vocês quando, em quase quatro décadas de democracia, nenhum governo teve a decência moral de gastar apenas o que recebe em impostos? Onde estavam vocês quando, nos anos a seguir à Revolução de Abril, se confiscou centenas de empresas para empregar milhares de retornados e, mesmo assim, em 1977, o primeiro-ministro Mário Soares teve de pedir ajuda ao FMI para pagar as contas? Onde estavam vocês quando, em 1983, o primeiro-ministro Mário Soares pediu empréstimo ao FMI, aumentou impostos e desvalorizou o escudo sem fazer as necessárias reformas estruturais? Onde estavam vocês quando, depois da entrada na Comunidade Económica Europeia, mesmo recebendo milhões em fundos perdidos (sem necessidade de reembolso), o primeiro-ministro Cavaco Silva não conseguiu equilibrar as contas do Estado e “subornou” funcionários públicos com um sistema retributivo que veio a integrar o que hoje designamos de “Monstro”? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Guterres assumiu paixão pela Educação e fez crescer o número de cursos superiores inúteis? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Durão Barroso disse que “o país está de tanga” e as únicas soluções que encontrou para baixar o défice foram receitas extraordinárias? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Sócrates, tendo em mãos uma crise orçamental, decidiu gastar ainda mais? Onde estavam vocês quando se decidiu esbanjar centenas de milhões no Centro Cultural de Belém, Expo 98, Euro 2004, SCUT, TGV, aeroporto de Beja, metros de Lisboa e Porto, Casa da Música, computadores Magalhães, Rendimento Social de Inserção, Parque Escolar, etc. etc. etc. e etc? Onde estavam vocês quando, nas eleições do ano passado, nenhum partido político concretizou, nos seus programas eleitorais, as medidas necessárias para o Estado reduzir o défice e pagar o empréstimo da “troika”?

Durante décadas os governantes fizeram vida de país rico e – agora que chegou a factura – vocês querem mandar a “troika” às urtigas? Tudo bem! Mas discutam, primeiro, quais devem ser as medidas para, já no próximo ano, fazer reduzir o défice a zero. Sim ZERO, porque, fora a “troika”, mais ninguém empresta dinheiro ao Estado português.

E não venham apenas com medidazinhas de taxar mais os ricos ou cortar nos benefícios dos políticos! Para reduzir o défice de cerca de 8.000.000.000 euros é necessário aumentar impostos à classe média e/ou (a minha opção!) cortar drasticamente nas despesas do Estado. Ahhh, e ficam já avisados que a maior parte da Despesa Pública recai nos ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social.

Nota: também têm a opção de sair do euro e desvalorizar rapidamente a nova moeda; tem o mesmo efeito que a actual redução real dos salários e continua-se a adiar as reformas…

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair.

Só à força do Botas?



Comentário que deixei no Prof Blog:


FR:

"Uma tutela que não queira ser cúmplice manda fechar os cursos não vendáveis."

Lá vem outra vez o estado como solução. O estado-papá, o estado-mamã, o estado-social.

As pessoas que abram os olhos, olhem o mundo, assumam as suas responsabilidades e o seu próprio destino.

Mas, se bem pergunto, se nem milhares de professores, já encanunados, duplamente encanudados, foram capazes ou estiveram interessados em assumir as suas próprias responsabilidades e foram manifestar-se em ladainha de "oh tempo volta pr'a trás" reclamar pelo retorno de um passado que deu a bota que deu, haverá alguém capaz de lhes valer que não seja tão botas quanto eles foram? O Botas, talvez.

Vítor Bento - 15 de Setembro de 2012


Medina Carreira «Se Governo não tem autoridade deve sair»

No Ab-Logando:



Medina Carreira (MC) vê bem o filme mas escapam-lhe enquadramentos que ele detecta nuns casos e noutros não. De resto, concordo com ele.

MC diz que a subtracção de rendimentos via impostos não permite sustentar a procura. O que ele diz é verdade, deixemos para depois se a coisa seria ou não evitável. Entretanto MC defende que o nº de funcionários do Estado seja substancialmente reduzido, mas, a menos que deixem de receber qualquer espécie de rendimento, nada o Estado pouparia e, neste caso, a procura de consumo seria igualmente afectada.

MC refere que o Governo não pode deitar mãos a impostos para desviar para as PPPs e haverá que chamar os concessionários e declarar-lhes que o Estado está falido e .... Eu parece-me que do ponto de vista da jurisprudência, o Estado não pode falir. Tenho muito pena se não se conseguir despachar ao galheiro as PPPs e o negócio ruinoso das eólicas e afins mas, pelo andar da carruagem, ou há uma revisão constitucional qualquer (e mesmo assim não sei que diriam instâncias do direito internacional) ou o TC se convence que, de facto, Portugal tem a soberania mo prego e com ele a soberania do TC, ou a coisa está encravada.

MC refere que um governo que tem maioria não deve ter medo. O governo tem medo dos que o elegeram porque sabe que o conhecimento de causa do eleitor é quase nulo. Esta luta para que Portugal não caia no abismo tem a desvantagem de esconder a dura realidade e a percepção do que está, de facto, em causa. A população em geral não percebe que o estado está, de facto, falido e bem falido. É uma desgraça que assim seja, mas o Portugal é uma desgraça.

MC tem razão quando ao secretismo das PPPs inclusive por haver demasiada gene com as mãos no caldeiro, mas há a hipótese (optimista) de que isso esteja a ser usado como forma de pressão sobre os gangs das PPPs e eólicas. Não sabemos ainda que ramificações internacionais há nisto tudo, particularmente entre os nossos credores.

É verdade que o governo não sabe comunicar (já passou a fase em que se podia dar ao luxo do silêncio), particularmente não sabe falar grosso.

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A nossa dívida externa é de 500.000 milhões de euros, a "grande" medida de apoio económico aprovada pelo Tribunal Constitucional alemão para ajuda à Grécia, à Itália, a Portugal e a Espanha (pelo menos) é de 190.000 milhões de euros.

Leitura complementar: "Pelos disparates que fizemos, até estamos a pagar barato"

Os ricos

No Ab-Logando:

É sobre os ricos que, em Portugal, se afiam, qual fio de catana, os mais finos ataques. E qual o motivo de tão viperina cacetada? Não há trabalho, não há dinheiro, há demasiada corrupção, demasiada gente pendurada directamente e indirectamente do Estado e, consequentemente, do contribuinte e demasiado poucas perspectivas de não ser assim, e os ricos têm dinheiro e, tendo-o, podem tapar o buraco.

As manifestações que têm ocorrido lembram as das "primaveras árabes". No médio oriente pedia-se liberdade mas acabou-se em regimes ainda mais duramente teocráticos. Nunca foi pedida a separação estado, igreja e justiça nem direito à livre informação e expressão nem à livre iniciativa. Feitas as contas, pedia-se dinheiro. Mais dinheiro sem se pretender saber de onde iria ele sair. Em Portugal reclama-se por mais dinheiro mas ninguém reclama que mais empresas apareçam instaladas nem que sejam removidos os obstáculos à instalação de empresas (não penduradas no Estado).

Em Portugal, 90% das empresas são minúsculas ou pequeninas, e nelas trabalha a maioria das pessoas. Nesta perspectiva, estas empresas dificilmente poderão ter a pedalada necessária para ir além do baixo salário porque o trabalho é essencialmente manual em consequência de curto investimento. Digamos, que os donos destas empresas são, em termos de 'rico', pelintras.

E os ricos, os realmente ricos?

Para os ricos, muito ricos, ter dinheiro ou 10 fábricas cheias da mais requintada tecnologia é indiferente desde que não brinquem com o dinheiro deles, como quem diz, não atentem contra o património seja em dinheiro seja em maquinaria. Para eles, destruir uma máquina que custa milhões de euros é tão grave quanto rapar-lhes igual quantia em impostos. Para eles o dinheiro (como para o pequeno empresário) não tem o mesmo significado que para o comum cidadão. Para eles o dinheiro é uma mercadoria que tão depressa existe sob a forma de uma maquina como em depósito num banco.

Portugal está de tanga e sobrevive sem fome generalizada e desemprego a raiar os 60-80% apenas porque uma tal troika, tendo tomado as rédeas dos destinos do país num velado e esquisito golpe de estado não apenas consentido como de nossa iniciativa (o que tem que ser tem muita força), obriga Portugal a fazer o mínimo que se impõe deixando escorrer uma quantos milhões para que o que se impõe posa ser executado com algum sossego. Já agora, reclamar insistentemente pela constituição de Portugal nas condições reais de distribuição de poder é, no mínimo, caricato.

Voltando às manifestações, ninguém pede ao governo que remova as encrencas burocráticas,a inoperância dos tribunais, as diatribes do fisco, etc, que assustam os ricos e que impedem que eles aqui invistam. Ninguém pede, também, que o ensino deixe de dar aos alunos 'assim umas quantas noções giras e pós modernas do que deve ser o mundo' e passe a ensinar matéria, pura e dura para que conveniente resposta possa ser dada a quem se apresentar como investidor. Ninguém exige que sejam sistematicamente tornados públicos todos os contratos assinados pelo estado (pelo menos a partir de determinado valor).

Até lá, convém não esquecer a resposta de uma aluno à razão por que os seres vivos precisam comer: "porque se não comerem só subsistem empalhados". As manifestações parecem respostas de bicho empalhado.

sábado, 15 de setembro de 2012

"Manifestantes"

Às portas da Assembleia da República, as arremetidas dos manifestantes já estão, entretanto, sincronizadas com os intervalos dos blocos publicitários.

Os jornalistas, entretanto claramente alinhados aos indignácaros mastúrbios, referem que "apenas alguns jovens são violentos" pretendendo que os restantes não estão presentes em tácito apoio.

Surpresa!!!!


Gaspar paga metade da dívida ‘secreta’ de Teixeira dos Santos

O próprio IGCP explica as colocações de MTN, pouco ou nada usadas no passado, “tornam possível alcançar bases de investidores que de outro modo não seria possível”. É um veículo “alternativo” e em que o Estado, que contacta diretamente o investidor, consegue, caso feche negócio, evitar as taxas de juro exorbitantes cobradas no mercado regular.

A primeira emissão do género (50 milhões de euros) aconteceu em novembro de 2010 e o primeira grande empréstimo (1300 milhões) foi acordado no mês seguinte. Em janeiro de 2011, faltavam três meses para o país capitular, nova operação (1142 milhões. E mais em fevereiro e abril (50 milhões de euros cada). Depois parou. Em abril Portugal “aderiu ao resgate” e desde então que este instrumento não é usado.

Os primeiros pagamentos surgiram logo em 2011, caindo no colo de Vítor Gaspar: 99 milhões em julho, mais 50 milhões em outubro.

Não há informação sobre quando cairão as próximas facturas.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto vale Portugal?

No Ab-Logando:

Não se trata de uma pergunta em termos patrimoniais históricos, culturais, etc, mas, quanto vale Portugal em termos de algo que é capaz de se suster a si próprio? Ninguém sabe.

No pós 25 de Abril, havia uma ideia de quanto valia o país. Menos com nacionalizações, mais com privatizações, havendo alguma indústria mais substancial noutros menos, havia uma ideia do que valia Portugal.

Valia pouco, a avaliar pela necessidade que então havia em reparar manualmente uma guarda-lamas em alternativa à pura substituição, demasiado cara, mas valia alguma coisa e, principalmente, havia uma noção do que valia.

Com a fluxo de dinheiro da então CEE, foi deixando de se perceber quanto valia o país. Passou a valer também por pertencer, mais ou menos formalmente à "europa". Traduzindo por miúdos, passo a valer também em função do dinheiro com que era alimentado: a chamada solidariedade "europeia". Passou a valer por ... acompanhar com ricos.

Percebeu-se finalmente que a solidariedade é uma estrada de dois sentido e, quem se solidariza, gosta de ver que algo concreto resulta dessa solidariedade. À falta de melhor, a solidariedade para com Portugal apenas gerou, numa primeira fase, necessidade de mais solidariedade, numa segunda, necessidade de dinheiro fosse como fosse o que quer dizer, em dívida até à raiz dos cabelos.

O valor (aparente) de Portugal aumentou mas não se teve em atenção que património construido com dinheiro alheio só seria do país quando estivesse pago. Também não se teve em atenção que a maioria desse património não geraria riqueza, apenas despesa, pelo que se tratava não só de investimento encravado como infectado. Todos os disparatados investimentos foram feitos (virtuosos, como se lhes chamava) que não só não geravam per si riqueza, mas a torravam (eólicas, PPPs, Parque Escolar etc).

Paralelamente o pais foi ficando empestado em regulamentação proveniente da "europa", sempre localmente levada às últimas consequências.Os reguladores, manifestamente incompetentes, tudo desregularam e tudo fazem parar, para além de próprias estruturas de inspecção do cumprimento da regulamentação que quanto mais actuam mas cacos espalha.

O país vai consumindo cada vez mais, cada vez mais pagando esse consumo com dinheiro injectado na economia pelas mais diversas vias mas todo proveniente de dívida, até chegar o momento em que os emprestadores desconfiam que o rei vai nu e que o país está absolutamente dependente não só de eterna dívida mas de endividamento galopante. Apertam ligeiramente a torneira e a reacção das "forças vivas" do pais é de tal ordem que fica estabelecida a certeza de que Portugal vivia basicamente à custa de dinheiro alheio.

Quanto vale Portugal agora? Ninguém sabe. Ninguém sabe mas todos sabemos ou devíamos saber que o valor é baixo e que teremos que nos começar a habituar a viver com aquilo que valemos e, já agora, em, matéria de investimento, que mais importante que gastar é ter um alto grau de certeza que o retorno desse investimento não tardará a surgir.

Há um valor de riqueza criado anualmente. Esse valor terá que chegar para se viver. Esse valor será distribuído pelos canais habituais, que vão dos impostos à peixaria, onde sardinha asada ou por assar, mais uns quantos nacos de carvão, transformarão a pouca riqueza criada em mais umas horas de energia no sistema circulatório humano. Se o dinheiro não chegar, há que distribuir menos, o que provocará um retracção do consumo com reflexos na criação de riqueza criada. E isto pode acabar no zero? Pode. Seria sinal de que nada valeríamos. E pode acabar abaixo de zero? Pode. Parece-me ser o caso da Grécia. E qual é o valor de Portugal incluindo a dívida na equação? Suponho que abaixo de zero. Daí a importância voltar aos mercados apenas para a manter estabilizada (pedir apenas para pagar dívidas antigas).

Na minha opinião, valemos ainda qualquer coisa, mas valeríamos mais se o estado deixasse de chatear, de estar em toda a parte e de meter o bedelho em tudo - soltem a malta e deixem de chatear. Se a "europa" deixa ou não, não sei. Eles gastaram connosco rios de dinheiro em solidariedade e são bem capazes de não gostar de coabitar com precedentes no extraordinário castelo nazi-socialista que, entretanto, têm vindo a montar, e que, aliás, também lhes está a deixar o couro pejado de carraças.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Entrevista a Carlos Pimenta...



... mas não o das "alternativas", recolhida aqui,  e cujo período final me abstenho de comentar:


Haveria tamanha crise se a União Europeia não andasse de abraços com o crime organizado, a fraude e a corrupção? E o que é que Portugal tem a ver com isso?
"Agora sabemos que é tão perigoso ser governado pelo dinheiro organizado como pelas máfias organizadas." Não, a frase não é atual. Quer dizer, atual até é, mas foi proferida em 1936 pelo Presidente dos EUA, Roosevelt, na ressaca da Grande Depressão. "É uma frase totalmente aplicável aos nossos dias", garante Carlos Pimenta, do Observatório de Economia e Gestão de Fraude da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (OBEGEF).
As palavras de Roosevelt podem até inspirar a conferência que o Observatório organizará, por estes dias, no Porto, com a "nata" do País e do estrangeiro no estudo e investigação da fraude e da corrupção. Afinal, "a crise que estamos a viver está muito ligada a situações dessas. Começou nos EUA, com o subprime, mas também é resultado das más políticas da União Europeia, promotora de medidas que, do ponto de vista científico, foram abandonadas há muitos anos", resume Carlos Pimenta.
Não se assuste, mas o resultado é este: "A Europa concentra hoje um grande número de off-shores e 'câmaras' de corrupção entre bancos sem qualquer registo de movimentos. É benévola para o crime organizado e comporta-se como um grande paraíso fiscal", resume o catedrático de Economia.
Faça-se um exercício sobre o desconhecido: quem reparou na adesão ao euro de países que não integram a UE e que, por vezes, nem nos lembramos que o são? Vaticano, São Marino, Kosovo e outros territórios constituem, segundo Carlos Pimenta, "o centro do tráfico internacional" e conquistaram o melhor de dois mundos: usam a moeda única, mas não respondem perante as leis europeias. "O dinheiro que ali circula fica automaticamente lavado." Não admira, pois, ver a Europa "extremamente vulnerável".
Portugal, galinheiro de serviço
Não sendo ainda um paraíso para as máfias, a verdade é que a moldura europeia, mais jeitinho menos jeitinho, cabe na perfeição a Portugal, país onde as raposas encontram sempre o galinheiro aberto, e à discrição, para se empanturrarem. Carlos Pimenta socorre-se da metáfora de Jean-François Gayraud - autor de diversas obras sobre fraudes e crime organizado - para ilustrar o nacional-porreirismo nestas matérias, conivente e irresponsável. "As crises e o endividamento do Estado geram situações de grande fragilidade. Degrada-se a situação social, abre-se a porta a negociatas", refere o economista. A estratégia de rapina é fácil e dá milhões: "As organizações criminosas não têm falta de liquidez. Além de facilitarem o crédito, tomam conta de empresas em situação difícil e dos negócios legais, através de jogos de influência e de branqueamento de capitais. As privatizações são um dos alvos", explica Carlos Pimenta.
Os sinais são variados e estão para durar. É "o cancro do off-shore da Madeira, onde Portugal só tem a perder". São as Parcerias Público-Privadas (PPP´s), "onde era bom saber quantas foram negociadas em situação de conflito de interesses". São os negócios entre Portugal e Angola, com "exemplos de uma relação pouco clara entre empresários portugueses e angolanos e onde a diplomacia secreta aparece em grande". Há tempos, em Luanda, Carlos Pimenta ouviu mesmo da boca de responsáveis da polícia económica angolana uma frase curiosa: "Disseram-se espantados com o facto de empresários falidos em Portugal serem um sucesso por lá." Por cá, valham-nos o Ministério Público e a PJ que, "mesmo sem recursos, têm sido extremamente corajosos. Nos últimos anos, foram trazidos a público e investigados casos que, noutros tempos, nunca viam a luz do dia".
Neste momento, de acordo com as estimativas de Carlos Pimenta, a "economia sombra" representa já 35% do PIB. Em 2007, o cenário corresponderia a uma pilha de notas de cem euros, quase do tamanho da Torre dos Clérigos. "Agora, são várias torres", ironiza.
Entretanto, "a comunidade pacífica de revoltados" de que falava Torga parece manter a fervura, sem levantar a tampa. Somos até "muito tolerantes com a fraude e a corrupção autárquica", sobretudo ao serviço da máxima "rouba, mas faz", mas continuamos impressionáveis quando o aparelho de Estado dá nas vistas. Os exemplos, esses, já não vêm de cima. "As revistas sociais alteraram o padrão de ética das pessoas", afirma Carlos Pimenta. "As referências, hoje, são tipos que vão à TV, alguns bandidos e vira-casacas." Tudo bons rapazes, portanto.
Elite nacional e mundial no Porto
Susan Rock-Ackerman, uma das maiores autoridades mundiais na área da fraude e da corrupção, e Friedrich Schneider, autor de um estudo sobre economia paralela na UE, são dois dos oradores da conferência Percepção Interdisciplinar da Fraude e Corrupção, organizada pelo OBEGEF e que decorre de hoje, 12, até sábado, 15. Na abertura do evento será divulgado o mais recente Índice de Economia Não Registada, da autoria do Observatório. Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) Cândida Almeida (diretora do DCIAP), João Amaral Tomaz (administrador do Banco de Portugal) e Carlos Tavares (presidente da CMVM), serão alguns dos oradores.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pelos disparates que fizemos, até estamos a pagar barato

João César das Neves “Pelos disparates que fizemos, até estamos a pagar barato

Recebeu-nos no seu gabinete da Católica Lisbon School of Business and Economics, o nº5319, no terceiro piso. Um espaço que parece pequeno para tantos livros e onde algumas imagens alusivas aos três pastorinhos fazem transparecer a devoção a Nossa Senhora. Ex-assessor económico de Cavaco Silva, então primeiro- -ministro, o professor catedrático confessa que procura rezar permanentemente: “Rezo para viver e vivo para rezar”. Para Portugal ainda acredita num milagre, que poderá acontecer já em 2013.

Concorda que esta é a geração mais bem preparada de sempre?

Sim, mas nós também temos um atraso na preparação em relação à realidade. Agora não há dúvida que os meios hoje disponíveis para os jovens são muito superiores aos dos tempos antigos.

E preparada para quê?

O mundo está a mudar brutalmente, como no meu tempo estava, mas se calhar este tempo é um bocadinho mais perturbador. Eu acho que os jovens hoje têm medo, que é uma coisa que as gerações anteriores não tinham.

De quê?

Têm medo por causa do desemprego, têm medo porque as oportunidades são muito mais vastas e a escolha mais difícil. Depois, é preciso dizer que a geração anterior à actual, que tem hoje 30 anos, foi enganada.

Enganada por quem?

Uma parte foi mesmo fraude política, outra foi ilusão. Tudo, agravado pela crise, cria uma forte tensão na juventude, que não é pior que a vivida pelos pais ou avós no 25 de Abril. Sentem-se irritados e muitos estão a reagir como os seus avós reagiram, a emigrar, que é uma coisa boa, outros estão a dar a volta como são capazes. Esta é uma geração que vai ter bons resultados, acho eu. Só que não está a ser fácil.

Qual a razão de fundo para não ser fácil?

É uma razão que está a afectar todo o mundo ocidental, não tem nada a ver com o caso português. Está a acontecer nos Estados Unidos, na Alemanha, em todos os países, e tem a ver com as pressões que as novidades tecnológicas, a globalização, exercem sobre o mercado de trabalho e sobre a vida das pessoas. Trazem grandes oportunidades mas também grandes medos e até uma certa polarização.

No 25 de Abril as pessoas sabiam o que queriam. Agora também sabem?

Em certo sentido esta geração é mais pacífica que a anterior. Estamos de acordo que queremos estar na Europa, que queremos uma economia de mercado, já não há as tensões entre republicanos e monárquicos, entre comunistas e liberais. Há alguma desorientação mais no lado dos costumes, no abandono do casamento, dos filhos como um propósito... As tais oportunidades criaram algumas perplexidades, talvez esta geração esteja um bocadinho deslumbrada e a cair numa fraude.

Que fraude é essa?

É como a fraude dos anos 60/70, da geração hippy, que abandonou tudo o que era antigo, deslumbrada por uma coisa nova. É um fenómeno parecido que está a passar-se em Portugal, de forma tardia. Não andam com flores no cabelo, mas estão a rejeitar as tradições. E de alguma forma vão voltar a elas porque vão ter de crescer. Há uma juventude retardada, gente que quer ser jovem mas que já tem 50 anos, pessoas da minha idade que nunca chegaram a ter um emprego, família, que continuam a ter cabelos compridos e a jogar computador, a achar que tem uma vida. Não têm: get a life!

Isso pode ter a ver, também, com o aumento da esperança de vida? Mário Soares dizia que antes era fácil manter um casamento, morria-se cedo...

Esse efeito é verdade, mas há, de facto, um desmantelamento na sociedade portuguesa, não é nas outras sociedades, que é perturbador. Sobretudo porque houve um movimento político a apoiar este tipo de circunstância e estamos agora com a taxa de natalidade mais baixa do mundo. Isto não aconteceu nos Estados Unidos nem na Inglaterra, porque eles aperceberam--se e tomaram medidas para inverter a situação. Nós fizemos o contrário.

E discute-se o assunto?

Ninguém está a ligar nenhuma, é um assunto que passa completamente ao lado.

O facto de este governo ser tão jovem, em idade, condiciona-o?

Sobre este governo em particular acho que a questão não é tão simples. Está a fazer o que a troika manda. Daqui a dois, três anos, quando as coisas começarem a melhorar, nessa altura é que vamos ver se o governo é bom ou não. As coisas estão de tal maneira fossilizadas que uma pessoa nova pode ser uma lufada de ar fresco. As cliques instaladas estão a ser perturbadas não pelo governo mas pela troika, é uma luta de titãs entre grupos instalados e os nossos credores.

No meio está o governo...

O governo está espremido entre duas forças, os credores que não emprestam mais enquanto não tivermos juízo e esta gente – professores, médicos, etc. –, que quer proteger ao máximo os seus interesses, esteve a comer acima das suas posses durante 15 ou 20 anos, à custa da dívida externa. Em 2008 e 2009 o desemprego estava a subir e ninguém falava nisso, os reformados continuavam a receber o seu, os funcionários públicos até foram aumentados porque era ano de eleições… O ano de 2009 é extraordinário, a economia caiu 2,5% e os salários subiram 5% em termos reais, portanto é um ano de malucos. O mundo estava a desabar e nós estávamos a cantar porque havia três eleições.

Dos actuais indicadores qual é o que o surpreende mais?

O desemprego atingiu níveis incomportáveis e incomparáveis com qualquer época anterior. Penso que surpreendeu toda a gente, nacionais e internacionais, o que poderá ser a questão mais importante nesta crise.

Que é qual?

Saber se nós ainda somos portugueses ou se já somos europeus. Mas acho que já começo a ter uma resposta. Ou seja, Portugal tinha uma taxa de desemprego muito baixa porque era muito flexível, as pessoas davam muito a volta, emigravam, arranjavam um emprego ao lado, a família tomava conta deles, havia uma flexibilidade natural na economia portuguesa, que permitia combater estes choques. Por isso a Europa estava com desemprego de 11% e nós com desemprego de 6%. E agora não aconteceu isso, chegámos aos 15%. Portanto, pode ser que nós já estejamos europeus.

E isso é bom ou mau?

Acho que tem grandes inconvenientes, no geral é mau! Começa a haver alguns sinais de que ainda somos portugueses: a emigração aconteceu rapidamente – não temos dados, infelizmente o INE não tem estado a anunciar, mas os poucos indicadores mostram um aumento enorme da emigração, que é uma das maneiras antigas que os portugueses têm de dar a volta às situações. Em Portugal há fenómenos únicos, como o dos salários em atraso. As pessoas preferem trabalhar de borla a perder o emprego, o que não acontece na Europa. Outro sinal importante de que ainda somos portugueses é a calma das pessoas. A Grécia estava a ferro e fogo, Itália estava a ferro e fogo, Espanha estava a ferro e fogo e em Portugal há umas manifestações para cumprir calendário, umas greves gerais que nunca correm bem, mas o país está sereno.

Isso não tem desvantagens?

Tem desvantagens e leva os partidos de oposição, como a esquerda furiosa, a dizer “porque é que não se mexem”, “são todos comodistas”… Mas não tem nada ver com isso.

Tem a ver com o quê?

Com o facto de as pessoas perceberem que se vão fazer manifestações, se vão fazer protestos, isso estraga mais, não resolve nada, não vale a pena, é inútil. No fundo as pessoas perceberam que isto foi uma festa e agora é preciso dar a volta e apertar o cinto.

E até onde é possível apertar o cinto?

Ninguém sabe. Eu estou convencido que nos vai sair barato, para o nível de disparate que fizemos. Primeiro porque nos estamos a portar bem, segundo porque isto passou a ser um problema europeu, depois porque já começa a ser claro, sobretudo na Grécia, que a austeridade só pela austeridade não chega.

O que é que isso significa?

Quer dizer que é possível, dentro de algum tempo, quando não sei, haver algum alívio, primeiro na austeridade e depois com a tal capacidade que os portugueses têm de se desenrascar, que algures em 2013 a economia comece a ter algum crescimento. Se isso acontecer, então saiu-nos muito barato. Quer dizer que por junto tivemos uma quebra de 3,4% ou 4%, talvez 5% – a Grécia tem 21% ou 22%.

As economias ocidentais tiveram um longo período de crescimento. Até que ponto é expectável que se continue a crescer?

O problema é que o crescimento tem mudado muito e hoje crescer tem significados diferentes de antes. E, em alguns países está a levantar-se esse problema, crescer até quando, quando é que isto pára e até que ponto é que o crescimento significa qualidade de vida, satisfação, felicidade. Há aqui um estigma de que quando não se cresce é uma coisa má, mas se calhar não é. Claro que nós não sabemos o que é uma economia saudável que não está em crescimento, se chega um ponto em que a economia pára, os custos fixos ficam cada vez mais importantes e, sobretudo se a população começar a cair, começa a haver ouro tipo de problemas, uma dinâmica que nós não sabemos como funciona. Mas Portugal ainda está muito longe disso, estamos a um nível intermédio, e o nosso objectivo é muito claro, copiar a Áustria, a Bélgica e outros países pequenos europeus.

O que é que isso significa em termos práticos?

Temos de mudar a maneira como estamos a fazer as coisas. Quando se fala nisto, imediatamente aparece um esperto a falar em política de crescimento e planeamento da sociedade portuguesa, que é exactamente a maneira errada, porque essa foi a que nós seguimos nos últimos 15 anos e que nos trouxe ao buraco. É preciso perceber que crescimento económico é uma coisa que as empresas fazem, os mercados, os trabalhadores, os consumidores fazem. O que é preciso é largá-los, não é andar em cima deles com mais regulamentos, mais regras, mais impressos e exigências que, evidentemente, vão ter como consequência o que nós vemos. Defende-se todas as causas menos a da produção, a do emprego. Se não houver dinheiro não há mais nada.

Os bancos têm um papel fundamental no financiamento da economia. Como vê a sua actuação nos últimos tempos?

É preciso dizer que a crise financeira foi uma bolha, uma euforia, em que de alguma maneira todos tivemos culpa. Mas Portugal não esteve na crise internacional, nas subprime, ao contrário de Espanha. Houve países do Paquistão à Suíça e à Polónia que tiveram falências porque tinham lá lixo das hipotecas norte-americanas. Nós não.

Então o que é que nos aconteceu?

O que nos aconteceu foi uma coisa que é preocupante e que ainda não está a ser percebida. Tivemos um fenómeno extraordinário, um problema do Estado. Os mercados internacionais fecharam-se à dívida portuguesa no princípio de 2010, mas até meados de 2011 o governo português fingiu que tinha crédito e impingiu dívida pública à brutalidade para os nossos bancos, que foram obrigados a comprá-la em quantidades industriais, o que agora está a criar problemas enormes; dívida pública e dívida de empresas públicas.

Isso levanta várias questões…

Isto levanta enormes problemas, como a influência política na banca ou a independência financeira das nossas instituições. Voltámos ao tempo da banca nacionalizada…

A banca demorou a dizer chega. Porquê?

Demorou. Certamente que a banca não queria aquele lixo. Qual foi a possibilidade que o engenheiro Sócrates teve de, no fundo, ter a banca no bolso? Não sei, é uma história de influência política... A história do BCP, por exemplo, que foi completamente capturado pelo Estado através de um assalto aberto, dá algumas pistas para perceber isso. Há a Caixa Geral de Depósitos que é pública, outros bancos que estão perto disso, mas esta é uma história que ainda está por contar: porque é que a banca, que claramente não tinha interesse, foi obrigada a comprar dívida.

E a actuação do Banco de Portugal?

Bem, o Banco de Portugal não podia fazer nada, isto não é uma questão de regulamentação bancária. Podia ter feito outras coisas.

Mas é uma questão de supervisão, de garantir que as regras prudenciais são cumpridas…

Há coisas gravíssimas que se podem assacar ao Banco de Portugal, nomeadamente no BPN, que é um roubo que aconteceu ao longo de 20 anos e que o Banco de Portugal não reparou, uma entidade que fez violação gravíssima da prudência financeira e que não foi apanhada por quem devia ter vigiado isso. Aqui é diferente, não é crédito dado a uma empresa, é dado ao Estado, bolas, o Estado não é um ladrão que depois vai fugir com o dinheiro… mas depois é! Claro que eu percebo que o Banco de Portugal não pode vir dizer “não emprestes dinheiro a essa entidade, que é o Estado – e o Banco de Portugal é do Estado…

Agora temos a troika a fazer esse papel…

Tudo isto criou um problema financeiro que tem vários níveis, e é preciso separar as questões. O problema financeiro é um problema que o mundo todo está a ter, os bancos do mundo inteiro estão aflitos porque houve uma crise financeira que ainda está meio resolvida, ainda está tudo muito frágil. A banca portuguesa, embora não estivesse directamente afectada pela questão, sofreu por tabela. Depois, há o problema da banca portuguesa, que está ainda em transformação na Europa, e aí a questão do euro também levanta uma incerteza. Tal como o facto de o Estado português estar falido cria uma má imagem para todas as empresas portuguesas, em particular para os bancos. Todo o país está mal visto por ser Portugal, que está do lado errado das notícias e secou-se o mercado internacional.

Os bancos dizem que têm dinheiro...

Mas têm medo. O terceiro elemento é a própria economia, que está muito frágil. Num momento em que há muita desconfiança internacional sobre a banca, muita desconfiança específica sobre Portugal, têm medo de emprestar. Mas um aspecto novo, que já aconteceu mas que está a voltar e num clima completamente diferente, é o que me preocupa mais: temos outra vez a banca no bolso do Estado. Resultado do último consulado Sócrates – e é preciso ver que o sistema português cabe num táxi, qualquer dia até o banco de trás do táxi chega –, as empresas desses grupos, sendo algumas indiscutivelmente privadas, como o Banco Espírito Santo, emprestaram dinheiro ao Estado porquê? Porque é que o BES emprestou tanto, se sabia que era uma estupidez? Esta nova influência política, descarada numa altura em que o mundo é completamente diferente, em que a Europa está toda aberta financeiramente, assusta-me.

Como é que a banca se pode libertar dessa parte do negócio?

É uma negociação política, uma vez mais. Agora a banca vai ter de estar outra vez enfiada com o governo em negociações até normalizar a situação. Ou não. Não tenho a certeza que o Estado que saboreou ter a banca no bolso queira agora largá-la.

Prefere a CGD pública ou privada?

Ser pública não tem problema, ser privada também não. Passar de pública a privada é que é assustador.

É-lhe indiferente de quem é o capital a quem são vendidas as empresas públicas?

Fazer privatizações por razões financeiras e não por razões económicas é asneira. Não estou a criticar o governo, se algum governo critico é aquele que nos pôs nesta situação. Esta circunstância foi forçada, este governo não tem culpa. Agora, se é vendida a chinês ou angolano isso, sinceramente, não me faz mossa. Mas é importante que seja bem escolhido, são empresas necessárias para o país, já estamos a rapar o fundo do tacho. Pode haver aqui problemas, quando estamos a falar da RTP, da TAP… Infelizmente a gestão pública das empresas nunca foi brilhante.

A RTP é fundamental?

A RTP tem um valor cultural enorme em termos de arquivo. Depois, como televisão, é um contra-senso: por um lado tem de fazer serviço público, que nunca ninguém soube muito bem o que era, por outro concorre com as outras mas tem dinheiros públicos, que é uma batota em termos de concorrência. Uma vez mais, no meio de uma trovoada enorme é que se vão resolver coisas que se deviam ter resolvido com calma. Tenham vergonha na cara e vejam quem nos pôs nesta situação e quem criou as condições para que isto acontecesse.

Sobre as PPP, esperava mais?

O conceito de parceria público-privada é extraordinariamente complicado, é uma tentativa difícil de conseguir o bom de dois lados, juntar ao interesse público a boa gestão do privado. Mas é possível conseguir o mal de dois lados, uma má gestão e ir tudo para o bolso dos privados, que em alguns casos foi o que aconteceu. O que aconteceu em Portugal é que temos mais PPP que todos os países da Europa somados. A forma como foi feito é de loucos e atingiu proporções homéricas, com coisas absolutamente assustadoras. Mas isto não tem a ver com a crise, porque as PPP este ano e no próximo dão trocos. Com as PPP, o governo anterior empenhou os seus sucessores durante décadas. É assustador ver como é que aconteceu, em democracia e com a Europa a ver…

Ainda acredita na Europa?

A União Europeia é uma impossibilidade histórica. É impossível ter 27 países unidos, portanto é uma coisa que está sempre à beira do abismo, foi assim que nasceu. Esta crise é causada pelo problema de sempre, que é um problema de solidariedade e que começa pelo abuso da solidariedade por parte dos mais fracos. A Grécia abusou, Portugal abusou, Espanha abusou escandalosamente da solidariedade dos outros, endividando-se à maluca e, no fundo, violando abertamente as regras.

Mas com a conivência de todos…

Sim, nas barbas de toda a gente. Mas penso que a Europa ainda tem muitas cartas para dar e vai sair mais forte desta crise.

Como viu a decisão de ontem do BCE?

O BCE deu finalmente um sinal de que o euro é mais importante, mas vamos ver se chega e se vai a tempo, eu acredito que sim. O facto de os alemães terem votado contra – e Merkel não podia ter feito outra coisa, porque internamente está a ser pressionada –, até pode ser positivo. Se tivesse bloqueado a decisão teria sido dramático.

Voltando a Portugal, como é que é ser assessor económico de Cavaco Silva?

Foi uma experiência única. O professor Cavaco Silva é um técnico, foi meu professor e é um professor. Dentro do gabinete dele não havia influências políticas, não havia tricas, havia trabalho técnico e ele separava muito bem as coisas. Está permanentemente a trabalhar e sabe tudo de cor, estatísticas, indicadores, decretos...

Conheceu vários políticos…

Na política está o melhor e o pior da sociedade portuguesa.

Quem é o pior?

Não vou dizer nomes, mas os melhores e os piores são autarcas.

Quem pode ser o próximo Presidente da República?

Não faço ideia, mas temos muita gente. Só que no nosso sistema, infelizmente, o Presidente não conta nada. O Presidente da República, que é pessoalmente eleito pelo povo, só intervém se usar a bomba atómica, que é demitir o governo ou o parlamento. É um contra-senso. Mas, se não houvesse limitação de mandatos os presidentes ficavam lá para sempre. Mas para fazer o quê, o que é que fizeram todos? Podem estragar, e o homem que mostrou isso claramente foi Mário Soares. Com o professor Cavaco Silva mostrou que podia meter muitos paus na engrenagem para impedir as coisas de andar. A não ser que haja um Mário Soares, que andou a fazer terrorismo e que quando tem oportunidade de estragar a vida ao governo usa-a, este não é um bom sistema.

O actual governo, fica até ao fim?

A experiência da AD foi sempre má, nunca tivermos uma aliança democrática que chegasse ao fim. Mas vamos ver, eu espero que sim, porque era indispensável que tal acontecesse. Os dois partidos do governo sabem que se por acaso não chegarem ao fim estão perdidos.