terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A "europa" da ingovernabilidade

Esta coisa da hipotética (ou provável) ingovernabilidade da Itália trouxe-me à memória tempos idos.

Nos anos 70, de cada vez que a Itália tinha um governo que durasse 6 meses era uma festa. Havia governos que caiam mediatamente após tomarem posse. E, no entanto, o milagre económico da Itália continuava.

Havia governo? Não havia Governo? Não interessava. Com ou sem governo, a Itália governava-se, a economia prosperava, o crescimento estava patente.

Qual a diferença? Quanto a mim uma: há 30 anos a Itália era Itália. Hoje, é "europa".

4 comentários:

Paulo Porto disse...

Tunga, outra vez em cheio.

De resto eu não percebo porque há de a Italia ser ingovernavel agora. O Monti fez o mesmo que fez Berlusconi, e o Barsano vai fazer o que fez Monti. São todos europeístas, querem todos salvar a "europa". Que se juntem e façam um governo de "salvação". E depois queixem-se da Merkel e do Grillo.

RioD'oiro disse...

Claro está que fica no ar um veneno. É que me parece que nos idos anos da prosperidade em Itália, a economia funcionava independentemente do estado por não haver significativa ingerência deste nas empresas, quer por via legislativa quer regulamentadora, fiscalizadora, etc.

Hoje deve ser a total teia de aranha em que o estado depende de todos, todos dependem do estado, ninguém decide nada sem um qualquer conclave, e tudo está permanentemente encravado apesar de todos olharem muito uns para os outros.

Enfim, a "europa" não é mais que isso: uma sardinha debaixo de um penedo de burocracia.

Ze Muacho disse...

Não é um comentário mas assim um pedido de ajuda para resolver um mistério.
Alguém sabe qual foi o valor da abstenção nas eleições italianas?
Já fiz todas as pesquisas possíveis, incluindo os jornais italianos, e o número não aparece em parte alguma

RioD'oiro disse...

Aqui, fala em 25% de abstenção:

http://ecfr.eu/blog/entry/italys_election_a_quick_analysis