sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Da casta monárquica absolutista

Os professores em geral e as professorais luminárias da educação em particular ficam a bater mal da bola quando lhes dizem que as disparatadas obras da Parque Escolar (a "festa") encareceram o ensino a ponto de o tornar insuportavelmente caro (insuportavelmente, quer dizer, que não há contribuinte que o consiga pagar).

Dizem os zotes, que a "festa" nada tem a ver com o custo do ensino porque se trata de "investimento".

A conversa surge habitualmente por causa da hipotética subida dos pagamentos do estado às escolas privadas que se dedicam a fazer o mesmo o estado faz nas escolas estatais. Os detentores dessas escolas reclamam que as infraestruturas são caras e que aquilo que o estado paga as deve naturalmente cobrir e é neste ponto que  burburinho se levanta. Defendem as luminárias, que o estado não tem nada que pagar o custo dos edifícios, etc, (incluídos nos pagamentos do estado a essas organizações privadas) porque, se os empresários em causa querem trabalhar na ária do ensino, "eles que invistam".

Fica-se, portanto, perante dois mundos: no mudo do estado, "deve investir-se" na infraestrutura. No mundo privado, esse mesmo tipo de infraestrutura deve ser pago pelos empresários.

Os clientes são o aluno e a população em geral, e há dois tipos de prestadores de serviços: o estado e o privado. No estado, deve investir-se sem se perguntar de onde vem esse dinheiro e sem se perguntar se a quantia gasta se justifica face àquilo que ela permitirá ser gerado. No mundo do privado deve investir-se igualmente e também a granel mas, neste caso, sabe-se que quem deve pagar é o próprio empresário.

Todo o dinheiro em causa é oriundo do contribuinte e destina-se a prestar um serviço ao contribuinte, e há dois tipos de instituição a prestar esse serviço: o próprio estado e empresas privadas. O estado, torra à conta do contribuinte quantidades colossais de dinheiro em sumptuosas infraestruturas escolares, pagas evidentemente, pelo contribuinte, mas supinamente denominadas "investimento" como se dinheiro caído do céu se tratasse. Para prestar o mesmo serviço ao mesmo contribuinte, o privado é suposto fazer o mesmo tipo de gasto e também pela tal modalidade "investimento".

Para as luminárias é, portanto, tudo muito simples. Se o estado investe o "seu próprio dinheiro", o privado que faça o mesmo. Depois reclamam que são incompreendidos e que é de mau tom acusarem-nos de se comportarem como uma casta monárquica absolutista.

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