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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Esquerda e racismo bem-pensante


A fixação da esquerda em Bussssh e na guerrrrra é paradoxal.

Em África, comunidades dizimam-se mutuamente sem que a esquerda produza nem sequer uma vigiliazita, mesmo que pálida versão das que adorava e adora realizar à porta da Embaixada dos EUA.

Na África do Sul o ex-presidente Thabo Mbeki negou durante anos a existência de sida, sabotou campanhas a favor do uso do preservativo e, como se já não fosse imbecilidade suficiente, defendeu que o uso do preservativo tirava a tusa.

Da esquerda, novamente, silêncio sepulcral.

A esquerda encara os problemas de África como problemas lá entre eles – pretos. Acertos de agulhas de culturas alternativas. Assuntos sobre as quais ninguém deve opinar sob pena de ser considerado um agente da mais intolerável ingerência neo-colunialista.

A esquerda, racista ao mais alto grau, tem apenas dedo para apontar a Bussssh, justamente aquele que mais contribuiu para aplacar o mesmo tipo de ímpetos xenófobos e a mais manifesta intolerância religiosa islamita.

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sábado, 12 de abril de 2008

Mais valem 1000 Iraques actuais do que 1 Sudão de há uma semana atrás


A situação no Sudão, mais concretamente na região do Darfur (a amarelo vivo no mapa), tem motivado preocupações em todos os quadrantes políticos mundiais. A ONU tem enveredado por um caminho de diálogo entre as partes envolvidas no conflito [os janjaweed (uma milícia árabe muçulmana), o governo Sudanês e uma minoria muçulmana não-árabe da região] que, depois de 5 anos de conflito, não tem trazido qualquer tipo de processo de paz frutífero.

O governo Sudanês, actuando num modus operandi tipicamente Africano (corrupção, tráfico de armas, tráfico de influências, etc.), tem patrocinado o genocídio contra a minoria não árabe que habita a zona há vários séculos. A minoria não árabe, por seu turno, completamente indefesa face a uma superioridade bélica e em número de homens do opositor, tem tentado resistir, fugindo para os países limítrofes. É nestes momentos de fuga, que provocam as tão badaladas crises humanitárias, que aparece o nosso António Guterres, antigo Primeiro-Ministro Português, vestido de fato de macaco e pronto para ajudar os miúdos.

A ONU e toda a comunidade internacional mostram-se incapazes de resolver este problema que afecta o Sudão e o Chade. Aliás, como todos nós sabemos, a Organização das Nações Unidas foi incapaz de resolver todas as limpezas étnicas, perseguições e guerras civis que já existiram no maior país de África e que provocaram, ao que foi permitido apurar, milhões de mortos. A questão que ecoa aos ouvidos de muita gente é como é que foi possível chegar-se a este ponto.

Encontro, repentinamente, duas respostas: falta de coragem em actuar militarmente em caso de necessidade extrema; apoio prestado ao governo Sudanês por muitos países da OUA e por outros países não Africanos.

O primeiro problema está, a meu ver, relacionado com a política absurda que muitas vezes a ONU toma. A Organização das Nações Unidas mostra-se demasiadamente benevolente para com os criminosos, genocidas e terroristas mundiais
(não esquecer as diferentes visões dentro do Conselho de Segurança, que levam, muitas vezes, a morosos bloqueios). Tal é observável em muitos outros conflitos, bastando, para tirar esta conclusão, olhar para o número de mortos. A bandeira do diálogo e da compreensão que a ONU tem hasteado desde a sua criação em 1945, demonstra-se, quando incessantemente usada, inútil para a resolução dos conflitos. Não quero com isto dizer que a ONU não deve primar pelo diálogo entre as partes e nações envolvidas, mas sim que existem soluções para quando esta via não resulta [nomeadamente a intervenção militar (algo que creio que já foi seriamente pensado neste caso), o boicote, etc.].

O segundo problema está relacionado com o apoio dado por alguns estados da OUA, que continuam a bater nas costas do governo Sudanês. Estes estados saem em defesa do governo do Sudão e acusam a ONU e todo o ocidente de ingerência em assuntos Africanos. Já para não falar que muitos deles continuam a achar que, sendo o problema Africano, não é a ONU que tem que mandar tropas, mas sim a OUA.

A China e a Rússia têm jogado com toda esta situação, adquirindo uns bons barris de petróleo a um preço mais em conta. Raras não são as vezes em que Beijing e Moscovo fornecem armas ao governo Sudanês adquirindo em troca ouro negro, entre outras vantagens. A ONU e ONGs a actuar em África têm produzido interessantes relatórios onde esta tese é confirmada.

O que se passa no Sudão é de gravidade assinalável. No entanto, a esquerda estúpida e floribélica mundial concentra-se apenas nas acções militares elaboradas pelos Estados Unidos da América no Iraque e no Afeganistão, no que toca a política internacional. A esquerda estúpida demonstra, então, uma falta de "solidariedade e de sentido de ajuda" para com os perseguidos do Sudão.

Gostaria de saber o que diriam os Sérgios Pintos e os mls cá do sítio a uma intervenção militar internacional no Sudão, para acabar com o "massacre de um povo".

A meu ver, mais valem 1000 Iraques actuais do que 1 Sudão de há uma semana atrás.