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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mais uma pérfida manobra dos sionistas que inventaram o Hamas



Actualização (22/7 06:35)

Os sionistas acabam de ordenar ao Hamas que coloque um arsenal de explosivos na cave do centro comercial a fim de evitar que Israel tenha que usar bombas potentes para demolir o centro. Acessoriamente os sionistas instruíram o Hamas para que organize uma visita de estudo de crianças palestinianas ao centro comercial.

A fim de evitar que algum acidente com o transporte dos explosivos possa fazer perigar a vida das crianças o Hamas negou-se a efectivar a visita antes de estar completada a instalação dos explosivos preferindo fazer coincidir a deslocação dos rebentos para imediatamente após a conclusão das operações.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Das organizações ao serviço da PIDE do Hamas

Aqui.
Associação de Amizade Portugal - Cuba, Associação Portuguesa de Amizade Yuri Gagárin, Colectivo Mumia Abu-Jamal, Comité de Solidariedade com a Palestina, CGTP-Intersindical Nacional, Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Conselho Português para a Paz e Cooperação, Ecolojovem, Frente Anti-Racista, Intervenção Democrática, Juventude Comunista Portuguesa, Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, Movimento Democrático de Mulheres, Movimento pelos Direitos do Povo da Palestina e pela Paz no Médio Oriente, Partido Comunista Português, Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, União de Resistentes Anti-fascistas Portugueses e União de Sindicatos de Lisboa.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mas uma vez, a propósito de asnos


No SAPO, aqui (com sublinhados meus, segue-se a transcrição integral, para quem não se queira dar ao trabalho de clicar):

Israel e Palestina: Um mar de propaganda
01 de Junho de 2010, 20:50

Qualquer episódio que envolva, directa ou indirectamente, o conflito israelo-palestiniano é sempre dominado por propaganda de ambas as partes. A recente tentativa de entrada em Gaza de uma frota de ajuda humanitária não é diferente.
Parece ser inquestionável que a opção operacional usada por Israel para parar os navios não foi a mais adequada e, embora seja ainda prematuro fazer uma avaliação definitiva, tudo indica que foi desproporcional. Israel tenta justificar a acção como legítima defesa, mas o tipo de abordagem parece largamente injustificada.
Contudo, para que não fiquemos enredados nas narrativas difundidas por partidários de Israel e da Palestina, importa ter presente toda a trajectória do caso.
Assim que se tornou pública a intenção dos activistas, Israel propôs que a entrega de ajuda fosse feita por terra, uma oferta recusada pelos manifestantes.
Por outro lado, ainda os navios estavam na Turquia, já havia manifestantes em Istambul, junto ao consulado israelita, activistas que já nessa altura pareciam prontos para o vandalizar assim que soubessem do insucesso da missão das embarcações – embora a frota tivesse ainda que fazer uma escala no Chipre antes de chegar a Gaza.
Embora seja indiscutível a necessidade de enviar ajuda humanitária para Gaza, a postura de Israel não é tão intransigente quanto se anuncia e nem o Hamas é tão altruísta quanto advoga ser.
Israel deixa entrar cerca de 15 mil toneladas de ajuda humanitária em Gaza por semana. Já o Hamas tem assaltado várias organizações humanitárias em Gaza e é conhecido por apenas fornecer ajuda a correligionários, ignorando indivíduos favoráveis à OLP – igualmente palestinianos.
Embora se apresentassem como activistas pró-paz, aparentemente a bordo dos navios estavam membros da organização IHH, um grupo conhecido por ter laços estreitos com o Hamas e suspeito de o financiar.
Antes de embarcar, alguns membros desta organização assinaram os seus testamentos e declarações de últimos desejos. Aliás, em entrevistas posteriores à sua detenção, estes activistas disseram estar empenhados na “resistência” a Israel e manifestaram o seu desejo de morrer como “mártires”.
Por muito bem intencionados que fossem alguns activistas, e como os factos anteriormente enunciados demonstram, a iniciativa foi uma provocação premeditada. Esta pretendia colocar Israel no meio de um desastre de relações públicas que, a avaliar pela cobertura noticiosa, foi um objectivo alcançado.
As tentativas de negociação foram rejeitadas pelos activistas
, as ordens de paragem no mar foram ignoradas e, dada a natureza de alguns dos grupos que integravam a frota, a acção estava longe de ser politicamente inócua.

terça-feira, 30 de março de 2010

Discurso de Netanyahu no AIPAC

Tendo em conta o artigo anterior do Lidador decidi colocar aqui o discurso que Netanyahu proferiu aquando da conferência anual do AIPAC:














Tentarei pronunciar-me sobre os recentes desenvolvimentos na próxima semana.

domingo, 1 de novembro de 2009

Carta a Eurico Moura


O Diogo, em mais uma das suas muito badaladas idiotices baseadas em sítios na Internet e livros obscuros que não se cansa de ler, voltou recentemente a lançar mais algumas das suas pérolas no Fiel Inimigo. Venero, desde já, o esforço heróico dos meus companheiros de blog, que parecem ter paciência para argumentar com o iluminado Diogo. Eu prefiro manter-me afastado desta maré de comentários intelectualmente degradantes por parte do Diogo, não vá eu ser contagiado com o bicho.


Prefiro, dada a desonestidade e fraqueza intelectual do Diogo, responder ao meu caro Eurico Moura, que recentemente também tem comentado no Fiel. Louve-se a participação, como é óbvio, aliás até lhe peço desculpa pelo facto de estar a dirigir-me a si neste post que começa a falar do iluminado Diogo. Acredite, não é qualquer tipo de comparação aquilo que estou a fazer.


Comecemos, pois:


"Que há um lobbie judeu, há"


Como bem referiu o Lidador, nada difere os lobbies Judaicos/Israelitas dos restantes lobbies à face da Terra. Estes lobbies, ao qual o caro Eurico se refere com um estranho desdém, são uma característica das Sociedades Modernas mais desenvolvidas, onde muitas vezes o Poder Político vai contra os interesses/objectivos de grupos de diversa índole. Estes, como forma de defesa e como forma de tentar alterar as premissas e actuações do Poder Político, emitem as denominadas pressões sobre o Poder Político, por forma a verem os seus objectivos atingidos.


Problema para mim são as sociedades sem lobbies e as sociedades onde os lobbies são menos transparentes, sendo de destacar neste último caso as sociedades Europeias. Porque o lobbie é a expressão da insatisfação de minorias e de grupos diversos, que se sentem injustiçados pelo poder político ou por outro qualquer poder que lhes incute ordens com as quais não concordam.


Falará com esse desdém o meu caro Eurico do lobbie sindical? Do lobbie ambiental? Do lobbie gay? Ou não os considera lobbies? Não concorda com o protesto? Acredita que o Estado manda e que nós devemos obedecer? E olhe que eu digo isto e estou longe de ser de esquerda.


"que há extremismo judeu"


Há extremismos de diversa índole, como mais uma vez lhe apontou o Lidador. A diferença é que uns extremismos cortam-nos a cabeça, outros fazem manifestações e pressionam o poder político de forma legal, eu bem sei que é chato, mas sempre é melhor do que nos cortarem a cabeça, não acha? Por isso, não se preocupe com o extremismo Judeu, algo que só existe de forma efectiva em Israel e nos Estados Unidos (aqui muito residual também), porque os Judeus foram alvo de extremismo na Europa e então têm de estar caladinhos...


Você veja que, até em Israel, os extremistas Judeus são impossibilitados de concorrer a eleições. Assim aconteceu com o Rabino Meir Kahane e com o seu partido político, o Kach. O que aconteceu a Kahane depois já nós sabemos: foi assassinado por um Egípcio nos Estados Unidos da América, um daqueles tipos que lhe falava acima, aqueles que cortam as cabeças...


"Parece-me que as posições aqui defendidas, sempre a favor de uma das facções do conflito, se aproximam de uma categoria ou de outra."


Olhe, eu religioso não sou; já de lobbie, creio que me apanhou. Ainda há dias formei um grupo de pressão do qual eu sou o único membro, chamemos-lhe RB pelo aumento da mesada, tendo em vista o aumento da minha mesada, fornecida pelo meu pai. Apesar dos meus grandes argumentos e dos subornos à minha mãe, a quem prometi limpar o quarto caso me ajudasse a pressionar o poder monetário cá de casa, não recebi nada. Mas ao menos não desatei aos cortes de cabeça...


"É muito fácil tomar posição nesta fase do conflito, ignorando décadas de opressão, de invasão territorial de sonegação de direitos a uma população existente no território antes de ele ser ocupado."


Permita-me discordar caro Eurico. É muito mais difícil tomar posição nesta fase do conflito, dado o conhecimento e estudo necessários para nos pronunciar-mos sobre ele. São mais de 4000 anos de história porra. Há 60 anos era mais fácil tomar uma posição, depois das atrocidades Nazis e antes de todas as Guerras travadas, ou estarei eu enganado?


Nunca irei ignorar milénios de opressão ao povo Judeu, esteja descansado. Nem tão pouco vou ignorar as décadas de opressão da Jordânia, do Egipto e da Síria aos "refugiados" Palestinianos, se era a isso que se referia. E muito menos vou ignorar quem em Israel é cidadão Israelita não Judeu e possui direitos que nunca possuíria caso vivesse num qualquer país muçulmano.


Essa história da invasão territorial confesso que não me entra. Não me entra, em primeiro lugar, porque o Sionismo é muito mais antigo que qualquer espécie de nacionalismo Palestino, algo que só surgiu efectivamente em oposição ao Sionismo e, mais concretamente, mais de dez anos depois da fundação do Estado de Israel; não me entra porque quem tem o direito de se queixar de invasão territorial é o Império Otomano ou o Império Britânico, e nós bem sabemos que este último não o vai fazer, não só porque autorizou a sua denominada invasão, a que eu chamo imigração motivada por perseguição, como também porque agora já não manda nos referidos territórios; não me entra porque a esmagadora maioria das terras foi negociada e comprada por Judeus aos habitantes árabes daquela região, que nunca se chamaram Palestinianos, até porque a Palestina nem existia enquanto Estado, sendo até a sua referência geográfica bastante ténue; não me entra porque, apesar de todas as perseguições, continuaram a viver Judeus por aquelas bandas durante 4000 anos; não me entra porque quem foi invadido e foi privado de direitos foram os Judeus (sendo escravizados), há muito tempo atrás, naquela área do Globo, onde já possuíam um Estado com Rei quando a Europa só teve isso muito tempo depois.


Já que fala em sonegação de direitos, reparo que não está indignado com a persistência das autoridades Jordanas em não atribuir cidadania Jordana aos denominados "refugiados" Palestinianos que habitam o país há mais de 50 anos. Reparo, da mesma forma, que você não repara que em Israel 1,5 milhões de árabes têm o direito de voto e, consequentemente, o direito de elegerem os seus representantes. E, mais curioso ainda, note que estes representantes adoptam posições bem anti-Sionistas, conseguindo mesmo assim, apesar daquilo que diz a Constituição (que não existe de facto), não ser ilegalizados, como o foi o Kach do Rabino Kahane. Mas afinal em Israel há direito e direitos, enquanto nos países Muçulmanos há a Sharia e há a negação dos direitos e da liberdade individual. Assim, sugiro que se preocupe com os direitos de quem não tem direitos, e não com os direitos de quem os tem.


Quanto à história da existência de população residente, creio que já frisei acima o que precisa entender sobre o assunto: não existia identidade nacional Palestiniana quando o Sionismo foi criado (1897, embora as pretensões dos Judeus fossem muito mais antigas), quando os Judeus começaram a imigrar e até mesmo quando o Estado de Israel foi criado. O território não foi ocupado como diz, a não ser que considere que os imigrantes Ucranianos estão a ocupar o nosso rico Portugal desde a década de 1990. É de frisar, aliás, que o relacionamento entre Judeus e os Árabes locais foi inicialmente bastante proveitoso para ambos; as coisas descambaram depois, com razões diversas que lhe posso explicar. E, pasme-se(!), até o relacionamento com os Estados vizinhos se afigurava positivo no início da imigração. Ou como justifica o acordo de Emir Faisal com Weizmann, em 1919?


"5- As justificações históricas invocadas pelos israelitas de direita e estrema-direita para ocupar aquele território baseiam-se num livro não histórico, a Bíblia, e portanto são de cariz religioso."


Discordo. São várias as justificações históricas, mas o que é mais importante é analisar o porquê da imigração. Os Judeus durante séculos cantaram o suposto regresso a Sião, onde as perseguições acabariam; Os Judeus tiveram um Estado naquela zona durante mais de um século de história, Estado esse que acabou pela força; Os Judeus são originários daquela zona do Globo e sempre foram maioria lá até à I e II Diáspora Judaica, sendo os árabes ainda não islamizados uma minoria; Os Judeus têm lá os seus lugares sagrados. Como é possível você negar a ligação histórica do povo Judeu àquelas terras? Já assinou a ficha de militante do Hamas?


Os Judeus não teriam necessidade de migrar para aquela zona, importunando os pobres árabes que por acaso até faziam negócios com eles, se não fóssemos nós Europeus a fazer as nossas judiarias...


"6- No seio da sociedade israelita são cada vez mais os que defendem um estado israelo-palestino. Corre muito sangue árabe nas veias de Israel."


Totalmente falso. São cada vez mais aqueles que defendem o Eretz Israel.


"Uma coisa eu sei: o elo mais forte tem sido Israel, apoiado pelo lobbie internacional da alta finança judia e pela poderosa comunidade judaica americana"


Uiiiiiiiiiiiiiii! Alô, Diogo?


"Mas o poder dos países Árabes vizinhos tem vindo a aumentar e a extravasar a região e o conflito tem aumentado o número de extremistas islâmicos."


Partilho a sua preocupação. Mas repare que uma análise mais crua da realidade tornam as coisas bem melhor para Israel, ainda para mais com um Irão nuclear. Os países vizinhos raramente se conseguíram unir para alguma coisa, só o conseguíram para atacar Israel, com os resultados catastróficos para eles que conhecemos. Como se isso não bastasse, o quadro internacional actual dá a Israel grandes vantagens nas relações com as elites políticas do Mundo Árabe e Muçulmano, apesar da necessidade que estes têm de agradar aos extremistas religiosos. Só assim se justifica a existência de um amigável Mubarak, de um amigável Erdogan (com alguns tiques, é certo), de um amigável Abdullah Hussein II da Jordânia e até de um amigável Rei Abdullah Aziz, que propôs a abertura do espaço aéreo Saudita aos caças Israelitas caso estes pretendessem bombardear as instalações nucleares Iranianas. E, repare, nem lhe falei dos Governos relativamente pró-Ocidentais do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão. Os problemas dão-se com os extremistas religiosos, com os grupos terroristas e com as organizações criminosas, não com as elites políticas mais esclarecidas, que têm tendência para se ocidentalizar no futuro. São os prazeres mundanos...


"Quantos à boa vida dos palestinos em Israel, deve estar a gozar comigo, não? Vá dizer isso aos que vivem nos territórios ocupados."


Para lhe responder a isto, preciso que me defina territórios ocupados. Porém, vou supor que está a falar da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, sendo que a primeira já não está sob comando Israelita desde 2005 e sendo que a segunda possui já grande autonomia, sendo administrada pela OLP. Quanto a Jerusalém Oriental, não entra para as contas.


Os Árabes Israelitas têm condições de vida muito maiores em Israel do que qualquer árabe nos restantes países Árabes. Por aqui não se discute.


Quanto aos territórios ocupados, não tem que atribuir culpa a Israel, que aliás fornece água, alimentos e energia aos territórios e até abriu um corredor humanitário por altura da Operação Chumbo Endurecido. Como se isso não bastasse, parece que a economia da Cisjordânia vai crescer 7% este ano, dados os esforços das autoridades Israelitas para facilitar a circulação no território. As culpas do ainda baixo nível de vida das populações deve-se mais à incompetência e corrupção da elite política Palestiniana (tente ver as contas de Arafat na Suíça) do que aos Israelitas.


"Sempre ao lado dos mais fracos, que neste caso é o das populações que suportam um sofrimento crescente."


Muito bonito essas suas palavras. O que me tem a dizer sobre o Darfur então? Será que pensa mais naquilo que se passa no Darfur do que no que se passa em Israel, quando já morreram dezenas de milhar de pessoas no primeiro sem que o caso tenha tido a atenção que têm as já conhecidas "atrocidades" Israelitas? Será que se preocupa com os tâmiles no Sri Lanka? Será que se preocupava com os Curdos no regime de Saddam? Será que se preocupou com o número avultado de mortes que ocorreram no Congo no mesmo dia em que se iniciou a Operação Chumbo Endurecido ou, tal como a ONU, preocupou-se mais com um conflito direccionado e justificado no Médio Oriente? Será que se preocupa com os presos políticos Cubanos e Norte-Coreanos?


"A constituição e independência do estado de Israel, as guerras com a anexação de mais território e a criação de milhares de refugiados, criaram uma situação de reacendimento do ódio dos extremistas islâmicos, cada vez mais numerosos, com um fim imprevisível."


A velha história da anexação de território. Israel é atacado e é suposto reagir com falinhas mansas e sem infligir golpes nos adversários? É suposto sair de uma Guerra sem retirar os devidos dividendos estratégicos, políticos e territoriais, ainda para mais quando até à luz do Direito Internacional se considera justíssimo que um país atacado possa, em caso de vitória, anexar território?


Será que o Eurico nutre algum tipo de compaixão pelos refugiados Judeus expulsos dos países árabes em que viviam depois da criação do Estado de Israel? Será que o Eurico sabe que todas as terras sem as quais estes Judeus ficaram davam para fazer 5 Estados de Israel? Será que sabe que estes refugiados (cerca de 1 milhão e 100 mil) são mais do que os "refugiados" Palestinianos (cerca de 700000 em 1950), muitos dos quais nem o são, porque são filhos de refugiados e não verdadeiros refugiados, para além de que muitos saíram pelo próprio pé porque achavam que Israel ia ser esmagado na Guerra de Independência?


Não me parece que saiba. E sabe porque não me parece que saiba? Porque, para um conflito de tamanha natureza e complexidade, o caro Eurico fornece aos leitores do seu blog links da wikipedia para estes formarem opinião sobre o assunto, em vez de bibliografia clara e amplamente recomendada. Talvez por isso a sua posição seja tão débil neste assunto como afirma. Se quiser eu recomendo-lhe uns livros e, aí, voltaremos a falar.

sábado, 19 de setembro de 2009

Israel e o Relatório Goldstone

O Conselho da ONU para os Direitos Humanos, acaba de produzir o Relatório Goldstone, sobre os “crimes de guerra israelitas” em Gaza.

Começando pelo óbvio, o grupo encarregado de o elaborar recebeu um mandato claro: não lhe competia investigar se havia crimes de guerra, outrossim, iria investigar os crimes de guerra que à partida o mandato dava por adquirido ter havido.

Quem mandatou?

Os países que tiveram a iniciativa de propor tal “investigação”, incluem Malásia, Arábia Saudita, Bahrein, Cuba, Paquistão, etc, em resumo, países cuja autoridade moral para mandatar tarefas na Comissão dos Direitos Humanos, está na proporção directa do respeito que manifestam para com os direitos humanos no seu próprio território.

Na Comissão, dirigida pelo juiz esquerdista sul-africano, Richard Goldstone, estava também Christine Chinkin, uma professora inglesa da esquerda folclórica, conhecida pelas suas públicas declarações anti-israelitas.

A Comissão, recusada pela União Europeia, Canadá, Suíça, Japão, etc, não desiludiu os seus mandantes e produziu um Relatório que, em resumo, estabelece a seguinte estratosférica doutrina:

1-Israel, país democrático e estado de direito, está no mesmo plano ético e moral que o Hamas, grupo terrorista que é o testa de ferro do Irão em Gaza.

2- Israel é o único estado do mundo ao qual não se reconhece legitimidade para defender as suas fronteiras pelas armas.

A ONU e os seus organismos estão a degradar-se à vista desarmada, reféns de de regimes e ideologias tenebrosas.

Às teocracias e ditaduras islâmicas, a regimes tribais, a estados racistas, a ditaduras como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, a estados genocidas como o Sudão, etc, é reconhecido o direito de preservar o seu território.

No Sudão foram mortas centenas de milhares de pessoas, sem que tenha havido qualquer condenação.

Há tempos a Turquia invadiu e bombardeou longamente o Curdistão, com a maior normalidade. A Rússia fez o mesmo na Geórgia, no Paquistão morrem aos milhares, no Sri Lanka idem, na China, no Irão, etc, e o Conselho da ONU para os Direitos Humanos, limita-se a ignorar. Na verdade desde que existe apenas condenou um País: Israel, alvo de mais de 90% das suas "Resoluções".

Israel, o único estado democrático do Médio Oriente é furiosamente perseguido e para esta ONU em decadência moral, não está sequer autorizado a defender-se.

Ora a defesa própria expressa a soberania e é o pilar da existência de qualquer estado.

É isso que está em jogo.

Aqueles que, com argumentos aflitos e aflitivos, pretendem negar a Israel o direito de defender os seus cidadãos de um inimigo que tem como objectivo expresso, a destruição do país, mostram ao que vêm: deslegitimar a sua existência como estado soberano, primeiro passo para a almejada destruição.

A destruição do judeu, velho sonho de incontáveis doidos.

Sob a espuma da retórica floribélica e compassiva para com a “justa luta palestiniana”, sob o moralismo baboso com que se mascaram os que "não são antisemitas, mas estão contra as políticas de Israel", está o velho e irracional demónio do antisemitismo.

O judeu tem de ser expulso. Da Europa, do Médio Oriente, da Humanidade. O anti-sionismo é, tão só, a fórmula politicamente correcta de, nos tempos que correm, expressar o antigo ódio homicida.

Israel nasceu a lutar contra uma coligação de vários invasores, países muito maiores e mais poderosos que o minúsculo estado judaico.

E a lutar está de há 60 anos para cá, sem que se possa dar ao luxo de um minuto de desatenção e de fraqueza.

Uma derrota será a última.

Não há nenhum outro país do mundo que viva nesta necessidade existencial de vencer todas as batalhas.

E foram já muitas.

Em 1947, Israel aceitou, sem condições, o mapa ONU. Os árabes da Palestina, não.

Em 1948, os exércitos árabes desencadearam aquilo que para eles era umarápida operação de limpeza. Israel, sem um verdadeiro exército, mobilizou todos os cidadãos e, contra todas as expectativas, venceu.

Venceu e construiu um Estado livre e próspero, na mesma região onde os seus inamistosos vizinhos só geraram miséria e servidão.

Em 1967, Egipto, Síria, Jordânia e Iraque anunciaram que era chegado o momento de extirpar o "cancro judeu". Falharam mais uma vez.

Dois anos mais tarde, a OLP de Yasser Arafat era massacrada pelos seus irmãos jordanos e as fotos de homens da Fatah a fugirem para se acolherem sob a protecção do Exército israelita, correram mundo.

Em 1973 o Egipto e Síria tentaram de novo e falharam.

Em 1979 Sadat firmou a paz com Israel e foi morto por isso.

Em 2005, Israel desocupou Gaza e, em troca, o Hamas raptou um soldado que ninguém mais viu e lançou sobre as povoações israelitas cerca de 12 000 foguetes e granadas de morteiro.

Em 2009, Goldstone, refere no seu inenarrável Relatório que Gaza está “ocupada” e que Israel é “potência ocupante”. A realidade não parece afectar as visões do mundo desta gente.

Este tipo de Relatórios têm todavia uma virtude: deixam a nu que as ditaduras e os regimes autocráticos estão a tomar de assalto as instituições colectivas e que, mais tarde ou mais cedo, as democracias terão de acordar para o fenómeno e formar uma aliança própria.

Se não o fizerem, brevemente começarão a ser acossadas e Israel é apenas o canário da mina.

Na verdade não será especialmente difícil para os países ditatoriais, que dominam a maioria dos fóruns da ONU (até a Assembleia Geral é presidida por um esquerdista radical, grande admirador de Chavez e Castro), mandatar Relatórios “Goldstone” para o Afeganistão, ou outro qualquer local onde as democracias combatam os fascismos globais, como o comunismo, o islamismo, etc.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Público e Haaretz


E se amanhã, quando acordassemos, o Mundo estivesse completamente diferente? Foi esta a sensação que senti hoje, quando abri a página do Público Online e dei de caras com esta notícia.


Não fiquei em nada surpreendido com mais uma das muitas traduções que o Público Online faz dos artigos do jornal Israelita Haaretz, visto que tais traduções já são hábito por aquelas bandas, parecendo o jornal Português não conhecer outro jornal Israelita que não seja o Haaretz. Não que tenha alguma coisa contra o Haaretz, cujo site faz parte dos meus Favoritos, aliás como o do Público. O que me causa uma certa estranheza é este repetir de artigos sobre o conflito Israelo-Palestiniano que parecem uma versão do Haaretz em Português. Não sei se por orientações ideológicas, se por visões comuns, se por linhas editoriais de alguma forma semelhante, mas o que é certo é que o Público Online parece não conhecer outro jornal Israelita que não o Haaretz.

Passando à frente, é fácil entender o porquê da minha surpresa. Porém, quando li melhor, apercebi-me que as informações tinham sido recolhidas junto de responsáveis Europeus e Palestinianos. Mesmo assim, analisemos o assunto como se estes responsáveis Europeus e Palestinianos tivessem razão naquilo que dizem, algo de que muito dúvido, ou não fossem as outras partes (Israel e os Estados Unidos da América) os factores mais decisivos, uma vez que os Palestinianos falam a diversas vozes e com diversas bombas.

Há dias, numa entrevista, Avigdor Lieberman, Ministro dos Negócios Estrangeiros Israelita, afirmou, citando de memória, que nem daqui a 15 anos existirá um Estado Palestiniano. Porém, aqueles que tentem chegar à paz não encontrarão em Lieberman um obstáculo, segundo o que o Ministro afirmou. Esta declaração convicta de Avigdor Lieberman tem que ser vista de duas formas: a primeira diz respeito ao facto de Lieberman ser um homem de Estado, à frente de uma pasta importantíssima como a dos Negócios Estrangeiros, sabendo portanto daquilo que está a falar; a segunda diz respeito ao pensamento de Lieberman e ao eleitorado que pensa como ele, gente obviamente céptica e, em numa pequena parte, extremamente radical.

Encaro com uma certa normalidade, apesar de andar por estas andanças ainda há bem pouco tempo, esta maneira quase teatral de relatar possíveis progressos na resolução de um conflito que merece ser tratado de diversas formas, menos com leviandade. Reconhecendo a dificuldade que a cobertura deste conflito e o seu estudo representa, tanto por imposições estatais (devido a operações secretas, reuniões secretas, actividades secretas) como por imprevisibilidade (recordar a recente operação Israelita contra um reactor nuclear em construção na Síria, a Operação Orchard), parece-me mesmo assim que a comunicação social dá tiros nos próprios pés quando aborda esta questão. Inundada na necessidade de transmitir horrores cometidos pelos Israelitas (muitas vezes mentindo se for preciso), na necessidade de fazer sempre estes os culpados e de fazer os outros inocentes e interpretando os acontecimentos de uma forma horizontal, é necessário recomendar, sem qualquer tipo de presunções, que todos tomemos cuidado quando se lê determinado tipo de notícias. Como lá diz a minha avó: "Quando a esmola é muita o pobre desconfia...".

O fenómeno tem crescido um bocadinho nos últimos tempos, graças às reconhecidas capacidades do Messias, que se encarregará de resolver uma questão com que muito poucos Presidentes Norte-Americanos conseguiram sequer lidar. A comunicação social fica em alvoroço, aliás o filho é seu e o Pai tenta sempre proteger o seu filho pródigo; o futuro será risonho, o Chumbo Endurecido foi a última barbaridade que os Israelitas fizeram, e só o fizeram porque o Messias ainda não estava no poleiro. A euforia, felizmente, não é acompanhada por todos...

Foquemos, pois, o artigo do Público. O artigo afirma que as próximas negociações entre Palestinianos e Israelitas vão ser sobre a delimitação de fronteiras, para mais à frente anunciar, citando mais uma vez o Haaretz, que as fronteiras serão as de 4 de Junho de 1967, correspondentes, como se sabe, às fronteiras resultantes da Guerra de Independência de Israel e anteriores à Guerra dos 6 Dias. Dei por mim a pensar: se as fronteiras são as de 4 de Junho de 1967, para que é que precisam de ser negociadas? Bem sei que essas fronteiras estavam longe de ser, na época, seguras e imutáveis, visto que eram baseadas unicamente nas linhas do armistício Israelo-Jordano assinado no final da Guerra de 1948-1949 e visto que o Exército Israelita, que contava na altura com o ainda jovem Ehud Barak (militar mais condecorado da história de Israel), levava a cabo diversas incurssões terrestres contra a recém criada Fatah (criada em 1958), para além da fronteira; porém, estou em crer que com um bocadinho de ajuda dos Jordanos (ou será que deva dizer Palestinianos?) é possível recordar essa fronteira, sendo dispensável qualquer tipo de negociações...

Segundo o Público, que mais uma vez cita o Haaretz estou em crer, não se exigirá de Netanyahu, para que possa ser anunciado dentro de dois anos um Estado Palestiniano, que negoceie Jerusalém. Se não está a negociar Jerusalém como é possível regressar às linhas de 1967? Alguns poderão advogar que se está a deixar o melhor e o mais difícil para o fim, o que até pode ser correcto, mas não me parece de todo coerente afirmar que as fronteiras vão ser as de 1967 sem que Jerusalém seja negociada. Convém recordar, ao menos informado leitor, que em 1967 Jerusalém se encontrava dividida em duas: a Ocidental, controlada por Israel; a Oriental, controlada pelos Jordanos. Com Jerusalém Oriental integrado em Israel as linhas não serão as de 1967, serão outras. Se a questão fosse negociar as linhas de 1967 sem falar de Jerusalém, deixando as coisas como agora estão, creio que Benjamin Netanyahu assinava o acordo já amanhã de manhã.

O Público também afirma que Netanyahu se deslocou ao Egipto para, juntamente com Hosni Mubarak, tentar relançar o processo de paz com os Palestinianos. Ora, segundo os political advisors de Netanyahu e segundo o próprio Primeiro-Ministro, a deslocação ao Cairo teve como principal objectivo tratar da questão do soldado Israelita Gilad Shalit, questão que se encontra num impasse depois de mais uma generosa oferta Israelita. Facilmente, através das ofertas, se verá o valor que cada lado atribui à vida humana...

Parece ser fácil esquecer que as linhas de 1967 são um objectivo totalmente irrealista, algo que é partilhado por diversos quadrantes da Sociedade Israelita. Colocar em prática estas linhas acarreteria uma interminável operação de remoção dos milhares de Judeus espalhados pelos considerados "colonatos" Israelitas na Cisjordânia (cerca de 500000 pessoas). Escusado será dizer que a operação, que teria como alvo muitos mais Judeus que a recente retirada de Gaza (de onde foram retirados 7000 Judeus), seria de difícil execução, pois é expectável uma resistência muito maior e muito mais árdua dos colonos, para além de exigir um deslocar de forças Israelitas em número muito superior, o que seria difícil, pois o plano não seria aprovado por muitos militares Israelitas. A Sociedade entraria em alvoroço como entrou em 2004, só que num patamar muito superior.

O cenário parece recambulesco, e parece-me que jamais será levado a cabo, não só porque os partidos passíveis de serem eleitos em Israel não o querem como também porque a pressão da população levaria, de imediato, ao cair do Governo. A proposta de Lieberman, neste aspecto, tem muito mais lógica: trocar vilas maioritariamente Muçulmanas em Israel pelos "colonatos" Israelitas. Tal tem toda a lógica no meu entender, e faz como que um dois em um: Israel fica com os seus Judeus sem que seja necessária uma complicada e arriscada operação de remoção, as terras que foram sabiamente escolhidas/organizadas/compradas/ocupadas por Judeus antes e depois de 1967 (sim, também foram expulsos Judeus do lado Jordano da fronteira de 1967, aliás como de todo o Mundo Árabe desde 1948) continuam na sua posse e Israel vê-se livre da ameaça da bomba demográfica Muçulmana; os Palestinianos vêm o seu Estado criado (mediante algumas condições), tomam posse de muitas terras perdidas aquando da Guerra da Independência e aumentam exponencialmente a sua população. Obviamente que, por motivos diversos, não será de excluir uma evacuação pontual de alguns colonatos por parte dos Israelitas, para conseguir algo em troca e para que a paz avance.

O problema para a paz não me parece ser a questão das fronteiras, problema que pode ser ultrapassado com concessões várias de parte a parte, nomeadamente através de troca de terras e de populações, como propõe Lieberman. O que é necessário é que Israel se sinta seguro quanto às fronteiras que possui, daí não querer largar os estratégicos "colonatos", escolhidos a dedo por Ariel Sharon. Os Montes Golan não se englobam obviamente neste acordo, pois aí a questão é outra, e tal terá de ser negociado com a Síria e com os diversos "colonos" e cidadãos Israelitas que vivem no local e que, curiosamente, não querem deixar de ser Israelitas. Quanto a esta última questão, é curioso ler esta notícia do Haaretz onde se conseguirá observar a tolerância Síria.


Escusado será dizer que a questão dos refugiados Palestinianos é, para mim, uma falsa questão, da qual os países árabes e a classe política Palestiniana se tentaram sempre aproveitar e não cuidar. Não é possível o retorno tal como não é possível o retorno dos milhões de Judeus que, depois da declaração de Independência de Israel, tiveram que fugir de todos os países Muçulmanos onde viviam.

O problema centra-se em Jerusalém e na confiança mútua. Escusado será dizer o que penso sobre uma coisa e outra, mas poderei pronunciar-me no futuro, se assim me for pedido.

ADENDA: Dois dias depois, outro artigo no Público: ausência de acordo Estados Unidos-Israel sobre congelamento dos colonatos. Como as coisas mudam em dois dias! Será que o Público acordou, desta feita, para a realidade?

As dificuldades não me surpreendem. Um acordo sobre esta matéria tem de ser acompanhado, obviamente, por gestos do outro lado da barricada; curioso que nada se tenha ainda pedido dos Palestinianos, com quem é difícil dialogar, pois nenhum dos seus auto-proclamados representantes parece ter a legitimidade necessária para dialogar o que quer que seja, embora eu reconheça a Mahmoud Abbas essa legitimidade. Tem-se falado, como moeda de troca, do reatar de relações comerciais/diplomáticas de Israel com diversos países Muçulmanos. Porém, os Israelitas não são burros e sabem muito bem que Barack Obama, na pessoa de George Mitchell, não fala por esses países, que já demonstraram ter sempre um comportamento imprevisível no que a esta e a outras questões diz respeito.

Assim, um compromisso Israelita numa questão tão sensível como a dos "colonatos" parece-me impossível. Não só porque o que é pedido é de difícil execução, porque limita o quotidiano das populações residentes nos "colonatos" que, recorde-se, têm a maior taxa de crescimento em todo o território Israelita, como também porque as repercussões políticas para Benjamin Netanyahu de um acordo que limitasse os "colonatos" sem qualquer tipo de coisa em troca seriam abismais.

Mas os "pacifistas" precisam mais de Benjamin Netanyahu do que este deles. Portanto é necessário que se dê qualquer coisa a Netanyahu em troca, uma vez que este não colocará em causa a sua coligação, o seu cargo de líder do Likud e a sua imagem junto dos colonos por um acordo que nada dá a Israel. Precisam-se de coisas palpáveis, não de promessas vãs.

O aceitar por parte dos Norte-Americanos da exclusão de Jerusalém Oriental (será que ainda se pode usar este termo?) de um possível acordo de paragem de construção parece-me um bom passo. Mas ainda insuficiente.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Guerras Milenares

A milenar luta entre o xiismo e o sunismo, atravessada por linhas étnicas entre árabes e persas, e complicada por relações de interesses entre aqueles que pretendem uma relação com o Ocidente e os que baseiam as suas legitimidades no ódio ao Ocidente está, segundo vários especialistas,  a decantar uma nova Guerra Fria, na região do Médio Oriente.

De um lado o Irão, a Síria, o Qatar (Al Jazeera), e grupos paramilitares no Líbano, Gaza, Iraque, etc.
Este grupo conta com a simpatia da Turquia de Erdogan, da América "bolivariana" e da  esquerda internacional.
Do outro o Egipto, a Arábia Saudita e os restantes países árabes.

Este é o antigo e grande conflito no Médio Oriente, disfarçado apenas pelo factor Israel.
Mas o jogo está a definir-se e as espingardas a ser contadas.

No início da semana 9 estados árabes (Abu Dhabi, UAE, Egipto, Arábia Saudita, Marrocos, Autoridade Palestiniana, Jordânia, Yemen, Bahrain e Tunísia)  reuniram-se no Abu Dhabi e foi clara e explícita a identificação da ameaça iraniana.

Para os próximos dias está agendada uma reunião do outro lado, desta vez na Síria, para celebrar a "vitória"  em Gaza, tendo sido convidados o Irão, o Qatar, o Hamas, o Hezbolah, a Turquia, e a  Venezuela.
Por enquanto a guerra é apenas de cimeiras..



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ao leitor Bob


Um leitor do Fiel-Inimigo, que nos contactou através da caixa de e-mail colectiva, pediu à equipa que se debruçasse sobre as origens do Estado de Israel, numa tentativa de explicar o porquê da existência do moderno Estado de Israel nesta zona do Globo, com estas características e com estes problemas.

Aquilo que nos pede não é nada fácil e exige um conhecimento profundo de vários temas, para que seja bem sucedido em futuras confrontações com estúpidos:

Lá ao longe:

1 - história do Povo Judeu (envolvendo o estudo da religião Judaica);
2 - história do Império Romano;
3 - história da Cristandade;
4 - história árabe;
5 - história Egípcia;
6 - conhecimento de livros sagrados (Torah e a Bíblia);
7 - conhecimento dos vários povos que habitaram a zona ao longo dos séculos;
8 - conhecimento da história do Islão; conhecimento das Cruzadas e de tudo o que elas envolvem;
9 - conhecimento da I e da II Diáspora Judaica;

Entre o longe e o perto:

10 - conhecimento das origens do anti-Semitismo Europeu;
11 - conhecimento do porquê da existência de anti-Semitismo na Europa;
12 - conhecimento do poderio económico Judaico ao longo da História;
13 - conhecimento do estabelecimento de Judeus fora da Europa e do Médio Oriente (Norte de África e América);
14 - conhecimento da vivência Judaica na Idade Média;
15 - conhecimento do nascimento do Sionismo de facto (o Sionismo não nasceu em 1896/1897 com Theodor Herzl);

Primeira metade do século XX:

16 - conhecimento da posição Inglesa, Francesa e Norte-Americana em relação à questão Judaica (no caso Inglês é necessário falar, obviamente, da Declaração Balfour) depois da I Guerra Mundial;
17 - conhecer em que moldes se efectivou o "regresso a casa", promovido pelos Ingleses, de vários Judeus na década de 20 e o que é que esta provocou (relembrar que o Mandato Britânico incluía a Jordânia e que, de facto, as populações árabes ficaram com 90% do mandato da Palestina);
18 - conhecer as vivências das comunidades Judaicas que, milagrosamente, sempre estiveram presentes na denominada "Palestina";
19 - conhecer as dinâmicas Nazis em relação aos Judeus (e as ligações destes aos países Árabes);
20 - conhecer as actividades terroristas do Irgun, a forma como as terras foram compradas aos árabes agora Islamizados, o estabelecimento de kibbutz e o crescimento dos conflitos entre árabes, judeus e Ingleses;
21 - conhecer o que representou o fim da II Guerra Mundial e a responsabilidade que o Mundo teve para com o Povo Judeu;

Segunda metade do século XX:

22 - conhecer a forma como o Moderno Estado de Israel é proclamado (divisão da Palestina, declarações da ONU, por exemplo);
23 - conhecer o papel de pessoas como David Ben-Gurion e de organizações como a ONU no nascimento de Israel;
24 - conhecer o porquê da eclosão da Guerra de Independência e as consequências desta;
25 - conhecer os principais apoios a Israel nos seus primódios (não só Estados como também indivíduos, dando especial relevo ao grande apoio dado por Judeus ricos espalhados por todo o Mundo a Israel);
26 - conhecer a eclosão da Guerra do Suez e o início do apoio Norte-Americano a Israel;
27 - conhecer o início de estabelecimento do novo Estado, como Judeu e Democrático;
28 - conhecer a verdade acerca dos refugiados Palestinianos (foram expulsos por Israel ou estimulados pelos países Árabes?)
29 - conhecer a onda maciça de refugiados mizrahim para Israel;
30 - conhecer o porquê da Cisjordânia estar sob administração Jordana e a Faixa de Gaza sob administração Egípcia;
31 - conhecer a forma como surge a Guerra dos 6 Dias e as consequências desta (Israel conquista Golan, Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém);
32 - conhecer a forma ridícula como a ONU se vai debruçando sobre o tema;
33 - conhecer o significado dos Jogos Olímpicos de Munique de 1972;
34 - conhecer a eclosão da Guerra de Yom Kippur e o que esta significa, passando por uma análise a homens como Ariel Sharon e Moshe Dayan;
35 - conhecer como era visto Israel pela população Ocidental e pelos governos Ocidentais Israel na década de 70/80
36 - conhecer a propaganda anti-semita que, desde a declaração do Estado de Israel, foi sabiamente difundida em todo o Mundo Árabe;
37 - conhecer o desenvolvimento do poderio militar Israelita, da Sociedade Israelita, da Democracia Israelita e da economia Israelita (década 70 e 80);
38 - conhecer a figura de Menachem Begin, primeiro Primeiro-Ministro Israelita situado à direita;
39 - conhecer os Acordos de Paz com o Egipto e seu significado;
40 - conhecer o porquê da I intervenção no Líbano;
41 - compreender o conflito na lógica de Guerra Fria;
42 - conhecer o porquê da eclosão da I Intifada;
43 - conhecer as dinâmicas existentes globalmente no início década de 90, criadas pela queda do Muro de Berlim;
44 - conhecer a origem do fluxo de Judeus Soviéticos no início da década de 90 e suas repurcussões;
45 - conhecer as vivências dos árabes Israelitas;
46 - conhecer a forma como os Golan foram formalmente anexados e a forma como Jerusalém foi unificada (inícios de 80);
47 - conhecer o porquê da construção de colonatos Judaicos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e a forma como os árabes olharam a questão;
48 - conhecer os acordos de Oslo e a forma como se foi desenrolando a aplicação ou não destes;
49 - conhecer os acordos de paz com a Jordânia e as boas relações com outros Estados Muçulmanos, como a Turquia;
50 - conhecer os métodos terroristas utilizados pelos Palestinianos e seus aliados (extrema-esquerda estúpida e países árabes), como, por exemplo, os desvios de voos (relembrar Entebbe);
51 - compreender a formação do Hamas e de outras organizações terroristas Palestinianas;
52 - conhecer a forma como Israel é visto pelo Mundo Ocidental na década de 90 e 00;
53 - conhecer o porquê da eclosão da II Intifada e suas consequências;
54 - relacionar o 11 de Setembro e o ataque do Islão radical ao Ocidente com a questão Israelo-Palestiniana;
55 - conhecer a actual Sociedade Israelita: o poderio dos extremistas Judaicos; o reconhecimento dos direitos dos Árabes; o Desenvolvimento Económico e Humano; a diversidade étnica e religiosa;
56 - averiguar o porquê da persistência da special relationship;
57 - conhecer o porquê da II Intervenção no Líbano;
58 - conhecer a ameaça Iraniana;
59 - compreender o ressurgimento do anti-Semitismo um pouco por todo o Mundo;
60 - compreender a posição Europeia em relação a Israel;
61 - conhecer os principais entraves à paz: a assombrosa definição de refugiado; a questão de Jerusalém; a questão das fronteiras; a questão dos Golan;
62 - conhecer o porquê da última intervenção em Gaza;
63 - conhecer as rivalidades entre a Fatah e o Hamas e a função ou não da religião em toda esta História;
64 - serão os países árabes mais pró-palestinianos ou mais anti-semitas e anti-sionistas?;

Como vê, caro Bob, tínhamos aqui pano para mangas, certamente um grande tema para uma qualquer tese de mestrado.

O problema é complexo e não é qualquer um que consegue argumentar com os estúpidos, até porque eles não conhecem ou não querem conhecer metade da História. O meu conselho é seleccionar os estúpidos com que fala, ou seja, falar com os mais iluminados, pois esta é a única forma que tem de discutir toda esta questão de forma justa, clara e credível (e também evita estar a perder tempo).

Pode continuar atento ao Fiel Inimigo, pois existirão sempre artigos sobre Israel. Mas uma avaliação tão aprofundada do conflito exige uma investigação que resultaria mais num trabalho escrito, que certamente seria bem sucedido, mas que daria muito trabalho.

Um abraço.