domingo, 20 de outubro de 2013

Pináculo em solipsismo

Do zenital José filósofo Sócrates:
“a tortura é justificada pelos utilitaristas como a certeza de que a bomba está colocada. E a necessidade de escolher entre o tipo torturado e os cem que a bomba vai matar. Eu argumento que esse cenário é irreal. Nunca aconteceu”.

... faz negócio um charlatão ...

No Blasfémias, excelente artigo de Rui A.

Começo por esclarecer que não considero necessariamente José Sócrates um patife. Também não acho que seja o único responsável pelo lamentável estado a que o país chegou, não obstante ter desempenhado nesse drama o papel daqueles protagonistas que surgem a meio de uma longa-metragem atribulada e lhe põem fim com a fatal consumação da adivinhada tragédia. Não me interessam igualmente os aspectos da sua personalidade e do seu carácter. Pressuponho-os sempre inexistentes ou distorcidos nos políticos de profissão, que não considero muito mais saudáveis do que jogadores viciados de casino, e não tenho o hábito de me debruçar sobre essas recônditas paragens das almas alheias. Por conseguinte, é-me indiferente que seja, ou não, narcísico, mentiroso, egocêntrico, trafulha e ladrão, ou tudo isso por junto e atacado. Por fim, tenho a questão da sua licenciatura como absolutamente menor (no processo de Bolonha já seria certamente doutorado…), a não ser pelo divertimento que me causou a história do exame de «inglês técnico» feito numa soalheira tarde de domingo, e o encalacranço público em que por causa disso se meteu, e que culminou com uma circunspecta entrevista televisiva, que me fez lembrar aquela outra do seu colega norte-americano que teve de vir a público explicar a diferença entre sexo e o princípio da oralidade… Os meus problemas com José Sócrates não são estes. São outros.

Sócrates não foi mais, enquanto governante, do que um rapaz que aplicou o que sempre ouvira dizer ao outros, em particular às «sumidades» que conhecia e respeitava, umas pessoalmente, outras por alguns livros e artigos de revista que certamente terá lido. E o que sabia Sócrates? Que os países em crise só saem delas se tiverem governos fortes e resolutos que injectem dinheiro na economia para a animar, que criem emprego com obras públicas, incentivem a economia com estímulos na procura interna para provocarem a resposta da produção que gerará desenvolvimento e prosperidade para todos. Se os governos mantiverem o controlo das rotativas que fabricam notas, devem fabricá-las, pois então, porque o dinheiro em abundância traz a fidúcia das pessoas no futuro do país, anima-as a gastar e, gastando-o, criam riqueza e emprego para todos. Isto é, grosso modo, o que ainda hoje se ensina na maioria dos cursos de Economia das Universidades portuguesas (as tais que sempre reclamam o seu quinhão na abundância do dinheiro do governo), e era só isto que ainda há bem pouco tempo se ensinava em todas as Faculdades de Economia das Universidades portuguesas, sem excepção. Nada a que um sábio governante deva ficar alheio.

José Sócrates foi, assim, um entusiasta keynesiano que pôs em prática os ensinamentos do mestre. Quando o país já estava falido, ele fez-lhe o diagnóstico e aplicou-lhe a infalível receita: a economia murcha porque não há investimento; não há investimento porque os portugueses não têm emprego nem dinheiro para gastar; assim, cria-se emprego através de um arrojado programa de obras públicas e público-privadas (a mesma coisa, como é sabido), que o estado pagará ao longo das gerações futuras, sendo que estas enriquecerão graças ao desenvolvimento que aquelas arrojadas medidas inevitavelmente provocam. O financiamento de que o governo imediatamente precisava vai buscar-se aos impostos, aos bancos e aos prestamistas externos. O melhor dos mundos, portanto. Krugman, o Nobel que povoava os sonhos de Sócrates, olhava, com ternura, para o sagaz discípulo.

Entretanto, em seis anos, a receita duplicou o calote público, aumentou o desemprego e reduziu a pó milhares de empresas, umas verdadeiras esmagadas pela «generosidade» do governo, outras absolutamente fictícias, apenas existentes graças a essa mesma «generosidade». O estado deixou de ter dinheiro para pagar a sua despesa corrente e teve de endividar-se num plano de emergência que o próprio Sócrates pediu e assinou, já com a corda a apertar-lhe o gasganete, em condições humilhantes e nefastas para todos. Aos resultados disto se chama agora, em português corrente, «austeridade» («austerity», em inglês técnico). Que é uma consequência e não uma política, ao invés do que Sócrates por aí anda a dizer, não se sabe se por simples vingança, se por pura inconsciência.

O que chateia nisto é que nos arriscamos – Portugal e os portugueses – a passar por tão dura experiência, sem dela colhermos a única coisa boa que nos poderia dar, que era entendermos o que nos aconteceu, para que o não o voltássemos a repetir. Entretidos a chamar nomes ao novo mestre em Ciência Política, habilitamo-nos a olhar a árvore sem contemplar a floresta. Sem compreendermos que o mal está na receita que nos aplicaram e menos em quem a aplicou. Ou seja, na primeira oportunidade voltaremos a confiar o voto e o governo a outro charlatão qualquer que nos assegure que o seu governo criará 150.000 novos empregos. Em trinta e quatro anos seguidos fizemo-lo por três vezes. Se pudermos, em breve, haveremos de fazê-lo de novo.

Quanto a Sócrates, a sua menoridade política manifesta-se por não ser capaz de confessar que se enganou. Ou melhor, em não reconhecer que aquilo que aprendeu e aplicou como sendo infalível, afinal, redundou num gigantesco fracasso. José Sócrates honrar-se-ia se dissesse que, afinal, a solução não está no governo atirar com falso dinheiro numa economia também ela pouco verdadeira. Que os incentivos que as medidas do seu governo não deram em nada. Ou melhor, serviram apenas para gastar dinheiro mal gasto, que agora todos iremos pagar por muitos anos. Sócrates continua convencido de que o que fez fez bem feito. Se lhe derem outra oportunidade, da qual ainda não desistiu, ele mesmo repetirá todos os erros que cometeu. Se não chegar lá, outro por ele o fará. Com o nosso voto, claro.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Prometido é devido



Em Maio deste ano anunciei que ia comentar esta notícia que então saiu no Público. Na notícia falava-se na previsão de o Verão de 2013 ser o mais frio dos últimos 200 anos.

Na altura comentei que bastava ler o corpo da notícia para se perceber que estas previsão eram tudo menos fiáveis.

Estou convencido que a notícia só apareceu (e com aquele título) porque tivemos um mês de Maio anormalmente frio. Se tal não tivesse acontecido duvido que o jornal alguma vez tivesse publicado a notícia assim. E também estou convencido que caso o mês de Maio tivesse sido anormalmente quente, a notícia - baseada exactamente no mesmo estudo -  seria de que iríamos ter o Verão mais quente dos últimos 200 anos.

Acontece que os meses de Junho a Setembro de 2013 registaram temperaturas médias mais elevadas que a média registada entre 1941 e 2012 (gráfico acima). Estes factos vêm comprovar que:
1- Os modelos de previsão climática ainda são uma merda (que no fundo deveria ter sido o título na notícia pois era o que se poderia aferir a partir dos factos descritos no corpo dessa notícia)
2- O lobby ambiental (claramente presente na redacção do Público) não hesita em aproveitar as melhores circunstâncias para fazer crer aos leitores que o Armagedon ambiental está em marcha.
3- Não se pode acreditar em previsões que se limitam a extrapolar a situação presente.



Ficha técnica: Unidades: ºC. Médias calculadas a partir das observações de estações meteorológicas em Lisboa, Porto, Bragança e Faro com igual ponderação. Se fizerem questão posso repetir a análise com as estações meteorológicas em separado para não me acusarem de fazer batota ou cherry-picking.

Manifestação de fascistas na ponte

O que o PCP pretende não é que haja com ele porrada na ponte. Se houver/houvesse manifestação, certamente não haveria pancadria. O que os fascistas do PCP pretendem é que se abra o precedente para que os indignácaros do BE e outros do Flea Party queiram lá também manifestar-se e andar à porrada.

Como sempre, o PCP mente com os dentes todos.

Os indignácaros à solta na ponte, para além de andarem à porrada invadiriam o tabuleiro ferroviário, bloqueariam a passagem de comboios e facilmente sabotariam o sistema eléctrico de ambos os tabuleiros. Na Ponte Vasco da Gama não é possível que estes "direitos de cidadania" sejam "exercidos".

sábado, 12 de outubro de 2013

"Estimulos" à economia e estado-mamute

"Os aeroportos são uma consequência [decorrente] de se sentir a falta de um aeroporto"

Desde Julho que nenhum passageiro desembarca no aeroporto de Beja.

É o mundo dos "estímulos à economia".

Depois, vêm as missões de captação de investimento oferecendo as "condições" num país em boa medida dominado por paranóia socialista de impostos altos e estado-mamute.


Via O Insurgente.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A "geração mais bem preparada de sempre"



Para além da ignorância pura e dura, há várias coisas que espantam:

1 - A risota perante o falhanço
2 - As desculpas esfarrapadas
3 - Não terem a noção do quanto pouco sabem
4 - Não terem vergonha de exporem a sua mediocridade

Depois, há perguntas que têm que ser feitas:

A - Que pensa esta gente fazer da vida?
B - Que filhos terá esta gente e que educação lhes dará?
C - Em que mundo pensa esta gente viver?
D - A que critérios recorrerá para decidir em quem votar?
E - Pensará esta gente que o mundo se lhes adaptará para que a sua ignorância se torne uma qualidade?


Para além do vídeo, temos esta coisa extraordinária:

Por André Barbosa e Tânia Pereirinha e imagem de Joana Mouta e Bruno Vaz

Enquanto Portugal se ri da auxiliar de acção médica concorrente da Casa dos Segredos, que julga que África é um país da América do Sul, a SÁBADO fez um teste básico a 100 alunos de universidades de Lisboa. Veja o vídeo do Vox Pop com as respostas mais curiosas.

Ana Amaro, de 18 anos, que frequenta a licenciatura com o mestrado integrado em Psicologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), está a fumar à porta da faculdade, em Alfama. Aceita participar no teste de cultura geral da SÁBADO (20 perguntas, divididas por dois questionários de 10, ambos com um grau de dificuldade mínimo), mas está mais preocupada em acabar o cigarro. À quinta questão (qual é a capital dos Estados Unidos?), começa a atrapalhar-se. “Estados Unidos...? A esta hora é muita mau”, queixa-se. Não são 7h, são 13h30, e os colegas começam a sair para o almoço. Mas Ana parece ter acordado há 10 minutos, suspeita que a própria confirma.
A partir daí, é sempre a cair.

Não sabe quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo, quem fundou a Microsoft, quem é Maria João Pires nem que instrumento toca. E não parece preocupada. Afinal, acabou de acordar.

“Não dei isso no 12.º ano”, “Cinema não é comigo”, “Não me dou bem com a literatura” – na arte de justificar a ignorância, os estudantes universitários inquiridos pela SÁBADO têm nota máxima. “Se perguntasse alguma coisa de psicologia, agora cultura geral...”, diz Janine Pinto, optando pela desculpa número um.

– Quem pintou o tecto da Capela Sistina?
– Ai, agora... Tudo o que tem a ver com capelas e igrejas não sei (desculpa número dois dos universitários).
– E quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo?
– Eh pá! Coisas com Jesus Cristo?! Sou fraca em religião ... (desculpa número três).

E se é que isto serve de desculpa, aqui vai a número quatro: Janine, tal como muitos outros inquiridos, não está num curso de Teologia, nem de Artes.

Mas Bruno Marques, 18 anos, no 1.º ano de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras, escorrega num tema que deveria dominar.

– Quem é Manoel de Oliveira?
– Já ouvi falar, mas não sei quem é.
– Estás em Ciências da Cultura. Dás Cinema?
– Sim, algumas coisinhas, mas não sei...

Pedro Besugo, 18 anos, estreante no curso de Turismo da Lusófona, admite não saber qual é a capital de Itália. Perante a insistência da SÁBADO (“Então estás a tirar Turismo e não sabes?”), responde: “Será Florença?” Não é. Como também não é Veneza, nem Milão ou Nápoles, como outros responderam.

Não saber quem pintou a Capela Sistina ou Mona Lisa (um aluno responde Miguel Arcanjo; outro Leonardo di Caprio) é igualmente grave. Talvez não tanto como pensar que África é um país da América do Sul ou não fazer ideia do que é um alpendre. Mas Cátia Palhinhas, do reality show Casa dos Segredos2, autora destas e de outras respostas, que põem o público a rir, não frequenta o ensino superior – é auxiliar de acção médica e está a tirar o 12.º ano à noite no programa Novas Oportunidades.

Aos 22 anos, sonha tornar-se “conhecida e vencer na televisão”. Por isso, não está nada preocupada em saber qual o maior mamífero do mundo – “É o dinossauro!”, disse há umas semanas.

Há universitários que respondem “mamute” à mesma questão. Catarina, 20 anos, aluna de Psicologia do ISPA, fica na dúvida: “É o elefante. É o mamute. É o elefante. Acho que é o elefante. O elefante é de África e o mamute da Antárctida”.

Tal como Cátia, da Casa dos Segredos2, Daniela Rosário, de 20 anos, a frequentar o 1.º ano de Geografia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, entusiasma-se quando sabe que há uma câmara de filmar (pode ver algumas das respostas no site da SÁBADO). É a única em 100 entrevistados que não teme ver registados os seus disparates. Mas as coisas começam a correr mal assim que se fala em Capela Sistina: “É melhor nem pensar, nunca me dei bem com História.” Cinema também não é o seu forte. Questionada sobre quem protagonizou o filme O Padrinho, só se lembra de John. Já seria mau. Mas agrava-se: “É John qualquer coisa. John... Johnny English!”, diz, a rir-se.

Se Francis Ford Coppola tivesse convidado Rowan Atkinson, o famoso Mr. Bean e protagonista de Johnny English, para interpretar Don Vito Corleone na sua obra--prima de 1972, teria hoje um filme sobre a máfia italiana representado em mímica e com os diálogos resumidos a grunhidos. Ou uma película de acção descontrolada com Keanu Reeves ou Tom Cruise, como respondeu Soraia Correia, 19 anos, do 1.º ano de Psicologia do ISPA.

Ao longo de 100 entrevistas, conclui-se que as aparências iludem e as ideias preconcebidas também: as miúdas de óculos não são mais cultas do que os rapazes de aspecto alternativo, e a cultura geral de futuros engenheiros ou médicos não é mais escassa do que a de potenciais advogados, linguistas ou psicólogos. No fundo, os conhecimentos são idênticos.

Uma aluna do 2.º ano da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, carregada de dossiês, não hesita em responder. Mas, minutos depois de ter terminado o questionário, volta atrás e exige que o seu nome não apareça na SÁBADO e que as suas fotografias sejam apagadas. Tem motivos para isso: não sabe o que é “a Capela Sistina nem o tecto”, nem quem é Maria João Pires; acha que Nova Iorque é a capital dos Estados Unidos; e dá um apelido alentejano à chanceler alemã: “Ai! Eu sei essa, eu sei essa. É qualquer coisa Mércola, Mértola, Mércola. O primeiro nome não sei.”

À porta desta faculdade, no Campo Mártires da Pátria, passa Alexander Weber, estudante alemão de Erasmus na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Depois de vários alunos terem respondido à pergunta “Quando se deu a revolução do 25 de Abril?” com os anos de 1973 e 1975, arriscamos perguntar o mesmo a um estrangeiro, que acerta logo nesta pergunta e em mais cinco.

Esta questão teve aquela que poderia receber o prémio da desculpa mais esfarrapada. António Lopes, no 2.º ano de Economia e Gestão da Universidade Católica, diz logo que não sabe em que ano foi o 25 de Abril. E justifica: “Estudei 15 anos numa escola inglesa.” Mas o facto é que vive em Portugal há 19 anos e não tem sequer ideia da década em que se registou um dos acontecimentos mais marcantes da História recente do país.

Pedro João, 30 anos, aluno do curso de Contabilidade e Auditoria, o mais velho a ser inquirido, alcança o recorde de respostas erradas: oito em 10. Só sabe o símbolo químico da água e quem é o Presidente dos Estados Unidos. Para este estudante, LOL, a sigla de laughing out loud, ou laugh out loud, que todos usam em conversas de mensagens instantâneas ou em SMS, significa “brincadeira”. Mas dá respostas piores:

– Quem é o presidente da Comissão Europeia?
– A francesa? Penso que é belga, a senhora...

Joana Costa, no 4.º ano de Psicologia Social, tem 25 anos. Responde a tudo com simpatia. Mas o inquérito corre-lhe pior do que a muitos alunos de 18 anos. Sobre quem escreveu O Evangelho Segundo Jesus Cristo: “Gabriel García? Não... Tem a ver com a Bíblia. Eu não sou católica, sou ateia.” Quando informada sobre a resposta correcta, revela surpresa total: “Não foi o Saramago! Não foi, pois não?”

Já outra entrevista decorre e ainda Joana continua perto da equipa da SÁBADO a justificar-se: “Eh pá! Que horror! E eu que li quase tudo do Saramago. Li o Ricardo Reis... Pronto, pá, foi terrível.” Corada, continua a tentar explicar porque é que, no nome da chanceler alemã, não conseguiu passar de uma marca de chocolate: “Mars... Mars... Mars qualquer coisa.”

Só por uma vez a SÁBADO conseguiu antecipar que o teste ia correr bem: Miguel Borges, 21 anos, estudante de Psicologia, foi o único que questionou por que raio andava a SÁBADO a testar universitários. “Qual é o objectivo? É para dizerem que os estudantes são todos burros?”

Acertou em todas as perguntas e ainda indagou, com ar de entendido, não fosse haver rasteira: “Quem pintou a Mona Lisa? Ou quem pintou a Gioconda?” É a mesma coisa. Pena não haver pontos para premiar conhecimentos extra.

Igualmente bom foi o desempenho de Luís Pestana, 20 anos, no 2.º ano do mestrado de Relações Internacionais da Universidade Católica. As respostas fluíram--lhe com rapidez e em segundos passou com distinção no teste. Ele e Miguel fazem parte de um grupo de cinco alunos que acertaram em todas as respostas.

Depois, há aquelas questões que se acreditou que todos iriam responder correctamente, mas apareceu alguém que arruinou a percentagem. Miguel, 25 anos, no 3.º ano de Design, quando questionado sobre o nome do homem mais poderoso do mundo, foi peremptório: “É o Bush!”

Aos estudantes, nunca faltaram pistas. Ainda sobre Marlon Brando (a quem alguns chamaram Orlando e Al Capone), a SÁBADO chegou a propor um sinónimo para o apelido: “Ameno.” Não adiantou.

Nenhuma pergunta obteve respostas tão divertidas como a que tenta encontrar o autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo. “Ui, perguntas religiosas é que não dá, embora eu tenha estudado no Sagrado Coração de Maria e no São João de Brito”, tentou Francisco Neto, 19 anos, no 2.º ano de Economia da Universidade Católica.

Teresa Pereira, aluna do 3.º ano de Direito da mesma universidade, responde: “Calma, então temos o São João, São Marcos, São Lucas e São Mateus, agora dos quatro… Foi o São João!”

Inesperada foi também a resposta de Rita Silva, 21 anos, aluna do 3.º ano de Direito da Universidade Católica quando inquirida sobre “quem é o fundador da Microsoft”.

– É o senhor que morreu há pouco tempo... o Gill Bates.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

EUA: serviços público gratuitos de saúde

Nos EUA há dois serviços de saúde públicos, Medicare e Medicaid, gratuitos, para pessoas de baixos rendimentos. Custaram, o ano passado, 733 mil milhões de dólares.

Proporcionalmente a Portugal corresponderia ao gasto de 23.3 mil milhões de dólares ou 17.27 mil milhões de euros, apenas com os americanos que não têm rendimentos (de acordo com o padrão dos EUA). Os restantes americanos terão ou que custear a sua saúde ou adquirir seguros de saúde.

Give shutdown a chance


O 'shutdown' nos EUA é bom e talvez assim possa continuar:

No Brasil, socialismo e "regulação"

No Brasil está a ser implementada a mesmíssima regulamentação que provocou o estoiro da habitação nos EUA: regula-se o acesso ao crédito impedindo que se averigúe se o futuro devedor terá potenciais condições para pagar o empréstimo. Será uma espécie de self-service de dinheiro.

A prazo todos dirão que a culpa foi da "desregulacão".


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Como se destroi a liberdade

Agenda: Grinding America Down (Legendado)
Documentário que mostra evidências da subversão cultural, seus agentes e táticas para a destruição da sociedade americana por dentro, seus valores e sua moral, afim de justificar a presença de um governo totalitário socialista.

Mostra ligações desde Karl Marx com movimentos radicais revolucionários como feminismo, ambientalismo, movimento gay, etc, autores marxistas como Gramsci, sociedade fabiana, etc, chegando até ao Obama.

José Dirceu, OI, PT ... hmmmmm.

Cronies em Portugal, cronies no Brasil.


Adicional e interessante leitura:

José Dirceu defende entrada da PT na Oi
Venda da “Vivo”: Ex-Ministro José Dirceu quer Portugal na “Oi”
O homem do Mensalão no centro da teia dos negócios luso-brasileiros

domingo, 6 de outubro de 2013

De quando o aumento da "desigualdade" é excelente

[O texto não foi ainda revisto]

Por que têm os corporativos da CGTPCP e respectivos satélites um ódio visceral ao ensino profissional? Porque coloca os alunos em contacto com o mundo real, longe da ficção de "como o mundo deve ser" defendida pela iluminada momenklatura.

Todo o professor sabe que cada aluno tem uma determinada capacidade e /ou apetência por aprender. Relativamente à capacidade, pouco há a fazer. Relativamente à apetência, há trabalho que a potencie muito embora implique primordialmente disciplina e os professores estejam pouco virados para alinhar na implementação de disciplina.

Aquilo a que o politicamente incorrectíssimo chama de aluno fraco, tem, evidentemente, dificuldade em assimilar a maioria da matéria. Assimilar, perceber, memorizar, ... o que quiserem. É fraco e continua, mesmo assim, a merecer que o máximo nele se consiga potenciar. Mas o máximo nunca será o mesmo que o aluno brilhante nem próximo disso, pelo contrário. Todo o professor percebe isto, todo, todo o professor à boca pequena o diz, mas outros valores mais altos de levantam.

O aluno menos fraco conseguirá aprender um pouco mais mas não conseguirá o que o aluno razoável consegue. Todo o professor percebe isto, todo, todo o professor à boca pequena o diz, mas outros valores mais altos de levantam.

A estratégia hoje em curso vai por outro "caminho". Tentar a todo o custo que todos os alunos aprendam o mesmo. Não é uma questão de igualdade de oportunidade (fazem de conta que não percebem que este é o único e honesto caminho), é uma questão de igualdade de "sucesso". Não se criam (hoje já um pouco e ontem à boca calada) turmas com homogeneidade de capacidade de aprender. Tal é encarado como segregação. Criam-se turmas-caldeirão. Mistura-se quem aprende facilmente e tem potencialidade para avançar aprendendo rapidamente com quem precisa de uma tremenda insistência e consumo de tempo para aprender 5% do que um bom aluno pode aprender. Nada disto interessa, o que interessa é que o aluno fraco não seja segregado. Que resulta daqui? Que o bom aluno se dispersa acabando quase sempre por abandalhar a sala de aula, que o aluno médio vai aprendendo qualquer coisa e que o aluno fraco sente que, mais ao menos ao colo, cai conseguindo o sucesso virtual do aluno médio. Que resulta daqui? A verdadeira segregação.

O aluno mau acaba, a prazo, por estoirar, porque não aprende efectivamente o que posteriormente precisa para avançar, o aluno bom aprende o mínimo que lhe exigem ao aluno médio. Quando o aluno mau se apresentar perante o mercado de trabalho (sim, há mercado, há oferta e há procura), descobre que não lhe dão trabalho e, de acordo com a cartilha que lhe foram injectando, pensa que tal se deve a discriminação. O bom aluno descobre que para os conhecimentos que tem muitos outros alunos médios estão dispostos a fazer por menos aquilo que ele se se dispõe a fazer.

Não se estando a falar, porque entre nós não parece ter qualquer peso, de problemas decorrentes de um ensino à batuta islamita que depois se apresenta em busca de um trabalho aos preceitos islamistas, etc, deste ensino sai uma amálgama. Uma amálgama que as professorais nomenklaturas acusam de ainda não ser suficientemente "inclusivo" por dele resultarem ainda "desigualdades".

Que resulta daqui? O aluno mau arrasta-se de apoio social em apoio social encontrando, com muita dificuldade, algo que se adapte ao que efectivamente sabe: quase nada (frequentemente nem ler decentemente, quanto mais escrever). Uma fatal escapatória vai pelo lado da paternidade/maternidade que lhe permite mais uns quantos apoios sociais.

O aluno médio conseguirá qualquer coisa nos serviços. Portugal é o paraíso dos serviços e com o excesso de alunos médios tentando entrar nos serviços, a oferta é imensa e o salário baixo.

O bom aluno, o melhor que tem a fazer é amochar, entrando por baixo numa empresa onde recorrendo à sua muito mal aproveitada capacidade de aprender possa finalmente aprender algo com que possa ganhar razoavelmente bem a vida. Alguns muito bons mas muito poucos entrarão na universidade aproveitando-a para mais altos voos.

Evidentemente que alunos maus, razoáveis, bons e muito bons, filhos de gente rica, têm sempre, por fora do sistema e caso a riqueza dos pais seja proporcional ao discernimento, a possibilidade de chegar ao melhor que a sua potencialidade permite. Estes são os bafejados pela sorte do berço de ouro e de quem as sociais luminárias nem querem ouvir falar por serem a prova cabal de que só quem dinheiro consegue fazer jus à sua potencialidade (seja muita ou pouca).

E voltamos à conversa das "desigualdades". Para a professoral nomenklatura, o facto de um bom aluno aprender 80% daquilo que estiver ao seu alcance colide, por ser uma "desigualdade" para com os restantes alunos, com os que aprendendo 80% relativamente à sua capacidade aprenderão ainda muito mais que os alunos maus. Todos aprendem mais, todos aprendem para potenciar ao máximo a sua capacidade, mas isto trás ... desigualdades.

O aluno mau tem que ser capaz de debitar uma incongruências que nunca perceberá e para as quais nunca mostrou consequentemente natural interesse, e os exames, os pérfidos exames, têm que servir para não filtrar o bom aluno do maus aluno por causa ... das "desigualdades".

O ódio da professoral nomeklatura ao ensino profissional (ou  que lhe quiserem chamar), decorre em primeiro lugar, do bypass que a esses alunos é permitido por, ficando mais em contacto com o mundo real, poderem evitar a pescada marxizante do ensino 100% estatal. Em segundo lugar por daí saírem pais que mais dificilmente alinharão na parvoeira marxista do ensino estatal. Em terceiro porque elevando o poder de compra desses futuros pais, potencia a procura por ensino em que uma fatia dos custos é paga, para além daquela que ao estado compete pagar (o dinheiro é do contribuinte, não é do estado), pelo próprios pais. Em quarto, por que a nomenklatura odeia as empresas. Apesar de ser graças a elas, por muito incipientes que sejam, que há impostos canalizados á nomenklatura, as zenitais luminárias tem-lhes um ódio de morte. Ter alunos "precocemente" em contacto com empresas, com trabalhadores dessas empresas, etc, além de lhes causar uma tremenda urticária não lhes permite vender a pescada marxista sem que esses e outros alunos arrebitem as orelhas. Finalmente, há o problema de se tratar de um ambiente em que a CGTPCP não penetra. Os trabalhadores de empresas privadas já de há muito sabem de cór e salteado que CGTPCP numa empresa é empresa falida e fechada. Já basta a "regulação", quanto mais o próprio garrote.

Acho bem que perante patentes maus resultados de maus alunos seja indicado o caminho de mais precoce profissionalização (estou-me nas tintas para a idade da legislação), acho bem que alunos fracos seja, por exemplo, propiciado treino de trabalho manual, braçal, etc, que lhes permita ganhar honradamente a vida.

Quanto mais um aluno conseguir aprender que se adapte à sua capacidade e vontade melhor. Isso aumenta a "desigualdade"? Aumenta. Aumenta e é melhor para todos. É melhor para os maus, para os medíocres, para os razoáveis, para os bons e para os muito bons. Aumenta a "desigualdade" e é excelente que assim seja.

Da casta monárquica absolutista II - O crime compensa

Este artigo vem na sequência deste outro.

Esbanjado que foi o dinheiro de impostos pagos e por pagar para tapar a monumental dívida que o socretino socialismo nos legou, as luminárias da educação opoem-se à privatização do exercício do ensino público com o argumento de que o dinheiro já foi gasto e que, portanto, o melhor é seguir em frente "rentabilizando" o existente.

Trata-se da falácia 'o crime compensa'. Em vez de se defender que uns tantos devem ir parar à choldra por torrarem indiscriminadamente dinheiro ao contribuinte, defende-se que se valide o péssimo investimento deixando tudo como dantes. É assim, aliás, que os sindicatos marxistas instalados no bicho estatal fazem: manter as organizações arruinadas (empresas estatais) para que não seja possível que alguém se interesse por pô-las a funcionar bem. É o caso da TAP, da RTP, da Carris, da CP, das várias Metro, etc, etc. A "festa" da parque escolar foi isso exactamente: esbanjar de forma a tornar "incontornável" a utilização daquelas infraestruturas (escolas).

Parece, no entanto, que há aqui alguma falta de coragem política muito embora pareça também que é hoje incontornável que o Tribunal Constitucional se tornou uma barricada neste marxista processo. A solução para estes casos parece simples: o governo que licencie a utilização das escolas à iniciativa privada. Já que é naturalmente impossível não gastar nas infraestruturas (o dinheiro já foi gasto), que se poupe, pelo menos, nas restantes despesas. Conviria tambem não esquecer que é de toda a conveniência que haja, neste processo, concorrência. O governo não pode deixarem formar-se monopólios. Para monopólio já basta o estado.

As luminárias não gostam da ideia porque é um "subserviência face à apetência pelo lucro"? Pois muito bem, apresentem-se na parada com organizações sem fins lucrativos, cooperativas, etc, que peguem nas instalações, e que concorram com a iniciativa privada. Sem a "apetência pelo lucro" conseguirão, certamente, levar mais barato ao estado e permitir aos professores melhores salários, melhores horários e turmas mais pequenas. De outra forma percebe-se que estão apenas a cuspir para o ar (o óbvio).

Vacuidades

[Nota: Coloquei um link para este texto aqui mas Paulo Guinote, apagou. Gosta de dizer o que lhe apetece e não gosta de ser contrariado. Apenas adensa a noção de que gosta de vender banha da cobra mas não quer que se perceba que é banha da cobra. Trata-se de um ... professor ...??? ]


A propósito disto ...

1 - "o apelo ao exercício de uma cidadania plena"


O apelo ao exercício da cidadania que o apelante vê como cidadania. Implicitamente agrava o exercício que cada qual encara como a apropriada.

2 - "elogio do papel da Educação na formação de cidadãos conscientes, críticos e capazes de fazer viver o regime democrático para além das suas limitações circunstanciais"

Idem. O cidadão consciente é, aqui, novamente, a visão que o apelante tem de cidadão consciente, crítico, etc. Vacuidade atrás de vacuidade. É o pináculo daquilo que se conhece ser a promoção do mundo inexistente, o "cidadão" que julga pertencer a um mundo que não se lhe adapta.

3 - “o papel insubstituível dos professores”

Os professores são sempre insubstituíveis muito embora não se esgotem no mundo do ensino publico ou estatal. Professor é quem ensina algo a alguém. Trocado por miúdos resulta em mais uma vacuidade.



4 - Global Teacher Status Index

Nada daqui resulta em particular porque se no caso grego a excelente classificação que obtêm é proporcional à insipiência do país, em Portugal a insipiência do país revela-se no valor de apenas 27%. É a chamada estatística em circuite fechado em que cada qual se avalia a si próprio. O Brasil, uma das mais violentas e subdesenvolvidas (estando em acelerado recuo) sociedades do mundo (não vale a pena falar de África) mantém-se a par de Israel, uma das mais vibrantes economias e educadas sociedades. O Egipto ombreia com a Nova Zelândia. Mas, diz-se, em Portugal os professores estão "acima de outros actores sociais". Dá vontade de dizer que bosta produz bosta.

5 - "tem bastante confiança no seu desempenho"

Ter bastante confiança significa ter um papel medíocre mas no topo da medíocre media.

6 - "O problema é que a defesa da cidadania e o apelo ao seu exercício pelas gerações futuras não pode fazer-se ao mesmo tempo que se prolonga um constante ataque directo e indirecto às condições materiais e simbólicas do exercício da docência."

Quem diria que 27% de agrado não diz o contrário. Já parece a história dos 1% que representam 99%. É curioso que a fé nos dividendos futuros da "educação" é inversamente proporcional ao que dela resultou no passado. É o eterno futuro marxista.

7 - "Mais grave, quando há quem procure encontrar na Educação apenas o lucro, a hipótese de negócio, a mercantilização de uma função nobre, faltando-lhes o sentido ético e o apego à transparência de processos e argumentos."

É exactamente quem conta com os impostos pagos com lucro e até com o prejuízo dos outros, que se acha em condições para verter ódio à existência de lucro. O ódio à "mercantilização" explica a crescente incapacidade em perceber a armadilha que as luminárias montam na cabeça de quem mais longe vai na educação estatal. É esta gente que se propõe formar quem quer que seja para trabalhar de forma consistente e geradora de lucro (riqueza).

8 - "Atravessamos um período conturbado no qual o relativismo dos conceitos impera e as palavras são usadas de modo instrumental, arremessadas como armas ocasionais e não como algo com um significado próprio. Liberdade, democracia, cidadania, são conceitos que vão sendo manchados a cada vez que são mal usados, truncando ou distorcendo o seu real significado."

Vacuidade atrás de vaquidade. É o pináculo de 'o meu conceito é melhor que o teu' sem nada se consubstanciar.

9 - "Os professores têm como parte da sua missão ensinar e exemplificar o que eles significam, nem que seja do ponto de vista da História."

... nem que seja ... A caixa de pandora para venda de banha da cobra. Cabe aos professores ensinarem os factos históricos que se desenvolveram a partir desses conceitos. Tudo o resto é lavagem ao cérebro.

10 - "Mas, infelizmente, o tempo presente tinge de incredulidade os olhos dos alunos que, pelos exemplos quotidianos que lhes são dados a cada noticiário, desacreditam da eficácia do exercício da cidadania e da vida democrática."

Só pode. Quanto mais banha da cobra vender o professor mais o limbo escolar se afasta do mundo real, intra e além fronteiras. Essa desadequação vai virar-se contra quem está mais a jeito.

11 - "É função, explícita ou implícita, dos professores não deixar erodir em definitivo a crença das futuras gerações na bondade da democracia, na possibilidade de uma liberdade vivida com justiça e no imperativo de comportamentos éticos, praticados para além de credos ou interesses particulares."


Treta. Não é função dos professores venderem banha da cobra seja ela qual for. É função dos professores ensinarem a generalidade dos regimes políticos e a responsabilidade pela escolha caberá, a seu tempo, ao aluno. É exactamente por desconfiarem da democracia que os professores entendem ser seu dever injectar o seu particular entendimento de democracia.

12 - "Infelizmente, o seu trabalho é dificultado a cada dia, quase a cada noticiário, pelo exemplo degradante de quem tem do exercício de funções públicas uma noção estreita, facciosa e com uma perturbadora relação com a verdade, o rigor e a transparência, como se a manipulação, truncagem ou falsidade dos factos deixasse de ser mentira para se tornar mero detalhe de inadequação factual."

A perplexidade pelos desencontros que aos professores entram porta dentro colide com o espanto de quem fora do estado comenta "Mas estes gajos são parvos? Só agora perceberam o real significado e consequências de bancarrota? Pensam que somos obrigados a mantê-los no limbo para que possam continuar a disseminação de propostas que, implementadas, acabam sistematicamente em miséria e fome? Façam-se à vida. Se não sabem o que é ter que trabalhar para que haja resultados que permitam pagar os impostos que lhes servirão de salário e ainda sobrar para que tenhamos o nosso, já é tempo de irem aprendendo".

É o problema de quem insiste em manter-se isolado do mundo e da realidade. Nem percebem que se torna demasiado claro que pensam pertencer a uma casta chegando ao ponto de se convencerem que a própria propaganda é realidade.