A distância que separa a proposta do primeiro-ministro grego de realização de um referendo sobre a aplicação do pacote de austeridade e a descoberta de que, afinal, esse mesmo referendo não é necessário, é a distância que separa o audaz do garganeiro (*).
Afastado o grego garganeiro, segue-se um Governo dito de “Salvação Nacional” mas que, na prática, é essencialmente um governo de Salvação do Euro.
Segue-se também o agravamento das consequências económicas da participação da Grécia na união política e monetária europeia: mais impostos, mais desemprego, maior inviabilidade do auto-emprego, aprofundamento da falta de competitividade, exiguidade crescente das classes médias, empobrecimento geral.
De resto, há outras coisas que não mudam:
- o endividamento grego vai continuar a aumentar, como antes;
- a dívida grega continua tão impagável quanto antes;
- os Bancos credores da Grécia continuam tão inimputáveis pelas más decisões de concessão de crédito quanto antes;
- a decadência da Grécia como Estado, economia e sociedade continua a agravar-se, como antes.
Passado o sobressalto grego, pode continuar a insanidade política de escala continental chamada “Construção Europeia”
(*) Garganeiro: termo muito frequente no Algarve usado para designar aqueles que quanto mais valentes se dizem mais cobardes se mostram.
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