sábado, 25 de fevereiro de 2012

Porque hoje eu também ponho música

13 comentários:

  1. Compostinhas: ela, a interpretação dela e a versão musical.

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  2. Eh a Susana Felix.
    Para os especialistas acima, como poode ver tolera-se. Deve ser tb o seu caso pq não disse q ela canta bem. Uma vez mais, o dueto passa a trio.

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  3. Na minha opinião a bateria assassina qualquer hipótese de ali fluir música. É como tentar compor-se uma jarra com flores debaixo de um balancé industrial.

    A cachopa não foge ao estilo muito em voga pelo qual cantar é despachar palavras já escritas como quem as atira para dentro das janelas, abertas, dos carros que passam.

    [O vídeo em si é mais um exercício de realização de quem, mais em desespero que em caso de dúvida, manda sacudir muito a câmara para ver se "imprime ritmo" à coisa].

    Felizmente é playback.

    Gravei muita maqueta de canções concorrentes ao festival da canção que deixariam essa na posição de pré-maqueta. Gravei uma, por exemplo, que tentou tantas vezes e ao longo dos anos, que acabou por ganhar. Ganhar, em Portugal, porque lá fora foi classificada como maqueta.

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  4. Ainda à volta de maquetas, e há uns bons 30 anos, José Nuno Martins teve um mesmo dissabor com o célebre vídeo da ponta do arco do violino. Apresentou-se a um festival do ramo com o a "obra" e foi parar ao caixote das maquetas.

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  5. Pois, tá bem.
    Para a proxima arranjo-vos qq coisa sem maquete (seja lá o que isso for) e sem uma daquelas baterias qe ofende a sensibilidade de V.Exas.
    Vou ver se não me esqueço.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Esta história da maquete é uma boca que se atira nos meandros deste tipo de produção.

    A maquete tem várias formas, a última das quais é a da câmara com pulga.

    Estar frente a uma câmara não é para qualquer um e a necessidade de se esconder esse falta de naturalidade leva os realizadores/operadores de câmara a aplicarem todo o género de tropelias no sentido de não deixar que se perceba que anda por ali tótó.

    Outra razão é a seguinte. Os promitentes artistas não conseguem manter uma actuação com consistência e há que gravar múltiplas vezes para se aproveitar o possível de cada recolha. O segundo problema é que os tótós não têm estaleca para manter a homogeneidade nas repetições e criam os chamados problemas de raccord (concordância entre cortes). A forma de tentar(!) que não se note é gerar problemas de raccord até enjoar chamando-se-lhe modernidade e/ou nova linguagem.

    Em tudo isto a vertente musical já de si fraquita, fica afogada na tralha que lhe não diz respeito.

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  8. Outra das "modernidades" e a rotação na perpendicular ao ecrã, (caindo agora em desuso) chamado plano de vómito.

    Outra ainda são as lambidelas, movimentos de panorama que começam em lado nenhum e em lado nenhum acabam. Aqui a razão era "científica". Afirmava-se (ainda se afirma) que "é exactamente isso que os nossos olhos fazem quando viram de um lado para o outro". Apenas revela que não sabem como funciona a visão, que é muitíssimo mais cerebral que mecânica ou óptica.

    Posso explicar melhor se necessário.

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  9. Há ainda outros truques que se usam em debates políticos. Na família da "jornalista" temos a Fátima Campos Ferreira que é campeã: ajavardar o raciocínio no ponto que que ele é corolário de uma coisa que ela não quer que se diga. No aspecto técnico, cortar o plano de convidado no momento em que diz algo crítico para o subalternizar enquadrando uma imagem dele num ecrã de um televisor ou, ainda, fazer um treveling de grua por projectores entre os quais a um TV com a imagem de quem está a falar (plano 'ponto de vista das moscas').

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  10. Paulo Porto:
    Ouvi a seguinte história, contada pelo João de Freitas Branco:
    O irmão dele, o maestro Pedro de Freitas Branco, era amigo do Ravel. Um dia, estava em Paris, soube que o Toscanini iria dirigir o Bolero, já não me lembro em que sala de concertos. Comprou duas entradas - antes que se esgotassem, dado o prestígio do Toscanini - e foi a casa do Ravel, para lhe dar a notícia e convidá-lo a que o acompanhasse.
    - Não vou, respondeu o Ravel.
    - Mas, Maurice, é o Toscanini, ele até ficará melindrado se não for…
    - Não vou, já disse.
    E por aí fora. Por fim, o Ravel lá acedeu, mas com uma condição: não fazer qualquer apreciação quando fossem cumprimentar o Toscanini ao camarim, após o concerto.
    Toscanini, era um maestro temperamental, “à italiana”, a ele bastavam-lhe as notas que atacava sempre vibrante, quase furiosamente. A sua atitude quanto ao restante da vida seria, ao que parece, a mesma. E, por isso, quando o Ravel já se ia a retirar não resistiu:
    - Então, e gostou?
    - Não, respondeu o Ravel secamente.
    - Mas porquê…? O que é que…?
    - O senhor estragou tudo, o início estava demasiado rápido.
    Toscanini respondeu, de imediato exaltado:
    - Mas o senhor não percebe que, se o início for muito lento, aquilo se torna insuportável?!
    - Boa noite, disse o Ravel. E saiu.
    Durante o regresso a casa (a pé, para desanuviar) o Ravel, pára de repente e diz, ainda furioso, para o Pedro Freitas Branco:
    - Mas aquele italiano d’um raio não percebe que o objectivo é mesmo esse, que aquilo se torne in-su-por-tá-vel??!!

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  11. Muito se aprende por aqui.
    Parabéns ao RD e ao JG.

    Este é o tipo de histórias que vão bem com uma jantarada bem regada, no remanso de quem não tem nada de mais importante para fazer a seguir.

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  12. CdR e Lidador:

    Só depois de reler o que escrevi, mesmo agora, é que reparei que tinha dito um disparate: o Pedro de Freitas Branco era tio do João de Freitas Branco, irmão do seu pai, o compositor Luís de Freitas Branco, de quem os meus pais foram vizinhos por uns três ou quatro anos.
    É a senilidade, é a senilidade...

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