De acordo com uma sondagem da Universidade Católica, 87% dos
portugueses dizem-se desiludidos com a democracia. Sentimos que se
falhou na democracia quando se permite que mais de metade do que
auferimos com o nosso trabalho vá para um Estado que está falido.
O Estado não tem dinheiro. Mas se ninguém quer pagar mais impostos,
poucos querem que o Estado deixe de sustentar empresas, fundações,
institutos, ensino gratuito para quem o poderia pagar, empregos que não
são precisos para nada e subsídios culturais de retorno nulo. O Estado
não tem dinheiro, mas a maioria não deixa que se mexa em nada, porque
isso seria desestruturar o Estado que, dessa forma, está a desestruturar
a economia.
São poucos os que não esperam receber o quer que seja do Estado, nem
querem viver na dependência da sua generosidade. A grande maioria
prefere contribuir para o bem comum, recebendo o seu quinhão. Dessa
forma, caímos numa armadilha: instituímos uma democracia que favorece
uma maioria sedenta de favores públicos e desprotegemos os indivíduos,
vistos como egoístas e insensíveis. Agora, a maioria massificada
virou-se contra a maioria de nós, quando individualmente considerados.
Como pessoas, sentimo-nos desprotegidos e frágeis perante o poder cego
do Estado, quando a maioria que recebe conhece agora o preço individual
da factura. A democracia, se falhou, foi porque negligenciámos a
liberdade individual e deixámos os cidadãos sós contra uma maioria que
ninguém controla.
Sem comentários:
Enviar um comentário