segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Otelo Saraiva de Carvalho: confissão de inutilidade

Derrubou o regime do botas para resolver problemas de soldo, fez parte de uma organização terrorista (FP-25) que matou muito mais intensamente que a PIDE e, percebendo hoje que a instauração de uma sanguinária ditadura maoista está fora do horizonte,  preconiza uma retirada estratégica para o tempo do botas mas ...

... repare-se na fineza:

"Precisávamos de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana (...) Alguém que fosse um bom gestor de finanças, que tivesse a perspectiva de, no campo social, beneficiar o povo, mesmo e sobretudo em detrimento das grandes fortunas."

O retorno à idade média: tudo arrasado, agricultura de subsistência, desaparecimento de qualquer actividade industrial, amplo apoio social sob a forma da aplicação medicinal de sanguessugas.

2 comentários:

  1. Seria cómico, se não fosse triste.
    Seria triste, se não fosse cómico.
    Assim, não é cómico nem triste.
    É assim... o retrato do Portugal de sempre.

    ResponderEliminar
  2. E, já agora:
    Fascismo à italiana, o Salazar?! Nem isso, que o Mussolini, tal como o Franco, industrializou um país até aí quase exclusivamente dedicado à agricultura (o Hitler já apanhou a Alemanha industrializada).
    O Salazar foi mais uma das nódoas de tacanhez (universitária, como de costume) numa terra em que parece ninguém saber o que diz.
    Andar na tropa com botas de seminarista dá destas coisas.

    ResponderEliminar