(imagem obtida aqui)
It is quite gratifying to feel guilty if you haven't done anything wrong: how noble! (Hannah Arendt).
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domingo, 14 de dezembro de 2014
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso?
Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso para os pedagogos "igualitários" que sufocam o ensino em Portugal desde os tempos de Roberto Carneiro?
Dois a dizerem o óbvio
Por um lado, Helena Cristina Coelho:
A má memória de Soares
"O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro". O texto foi-me recordado por uma amiga de boa memória, que se lembra de quem o escreveu há 29 anos.
E foi igualmente repescado por outras figuras, como José Manuel Fernandes, que o replicaram para recordar as palavras e, sobretudo, o seu autor: Mário Soares, em Maio de 1984, quando era primeiro-ministro. O país não estava como agora, estava bem pior. Havia empresas a fechar portas e os salários em atraso tornaram-se uma chaga social, havia bolsas de fome e protestos irados nas ruas, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou.E o que fez o governo de bloco central? Acabou a estender a mão para assinar um memorando de entendimento e receber dinheiro do FMI. Foi então o tempo de ouvir pequenas pérolas de austeridade como a de que "Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos" ou que "a única coisa a fazer é apertar o cinto" ou ainda que "não se fazem omoletas sem ovos, evidentemente teremos de partir alguns". O autor? Acertou: Mário Soares.
Não há notícia de que alguém na altura tenha partido as pernas ao primeiro-ministro como represália por estas declarações ou pela dureza das medidas - nem mesmo quando teve de enfrentar manifestantes violentos na Marinha Grande, na campanha de 1986. Aliás, foi premiado por essa valentia e acabou por ganhar as eleições.
A política não tem a virtude (nem sequer a presunção) de ser coerente. E, se faltarem provas, Mário Soares está a encarregar-se disso. Aquilo que usou como sua defesa enquanto governante, é exactamente aquilo que hoje ataca sem pudor. Não pode ser apenas um problema de memória e a idade não pode ser desculpa para algo que não é só irresponsável:é inflamável. Com o país ainda de garrote apertado, polícias a escalaram o Parlamento para darem sinais do que são capazes, sindicalistas a invadirem ministérios para expressar indignação, uma simples palavra pode ser incendiária e deitar tudo a perder.
Independentemente de se gostar ou não da figura ou do seu passado, Mário Soares teve um papel relevante na história do país. Só por isso, e porque pelos vistos continua a reclamar a paternidade da democracia (que ninguém quer aniquilar) e de uma ideologia de esquerda (com óbvias crises de identidade), devia ser o primeiro a preservá-la. Mas não é isso que está a acontecer: ao atacar o presente (leia-se, quem hoje governa o país) de uma forma tão agressiva e estéril, Soares está a destruir um passado que passou por si e a hipotecar um futuro que devia ajudar a construir. E um país sem memória não pode ter grande futuro. Soares devia ser o primeiro a lembrar-se disso.
E foi igualmente repescado por outras figuras, como José Manuel Fernandes, que o replicaram para recordar as palavras e, sobretudo, o seu autor: Mário Soares, em Maio de 1984, quando era primeiro-ministro. O país não estava como agora, estava bem pior. Havia empresas a fechar portas e os salários em atraso tornaram-se uma chaga social, havia bolsas de fome e protestos irados nas ruas, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou.E o que fez o governo de bloco central? Acabou a estender a mão para assinar um memorando de entendimento e receber dinheiro do FMI. Foi então o tempo de ouvir pequenas pérolas de austeridade como a de que "Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos" ou que "a única coisa a fazer é apertar o cinto" ou ainda que "não se fazem omoletas sem ovos, evidentemente teremos de partir alguns". O autor? Acertou: Mário Soares.
Não há notícia de que alguém na altura tenha partido as pernas ao primeiro-ministro como represália por estas declarações ou pela dureza das medidas - nem mesmo quando teve de enfrentar manifestantes violentos na Marinha Grande, na campanha de 1986. Aliás, foi premiado por essa valentia e acabou por ganhar as eleições.
A política não tem a virtude (nem sequer a presunção) de ser coerente. E, se faltarem provas, Mário Soares está a encarregar-se disso. Aquilo que usou como sua defesa enquanto governante, é exactamente aquilo que hoje ataca sem pudor. Não pode ser apenas um problema de memória e a idade não pode ser desculpa para algo que não é só irresponsável:é inflamável. Com o país ainda de garrote apertado, polícias a escalaram o Parlamento para darem sinais do que são capazes, sindicalistas a invadirem ministérios para expressar indignação, uma simples palavra pode ser incendiária e deitar tudo a perder.
Independentemente de se gostar ou não da figura ou do seu passado, Mário Soares teve um papel relevante na história do país. Só por isso, e porque pelos vistos continua a reclamar a paternidade da democracia (que ninguém quer aniquilar) e de uma ideologia de esquerda (com óbvias crises de identidade), devia ser o primeiro a preservá-la. Mas não é isso que está a acontecer: ao atacar o presente (leia-se, quem hoje governa o país) de uma forma tão agressiva e estéril, Soares está a destruir um passado que passou por si e a hipotecar um futuro que devia ajudar a construir. E um país sem memória não pode ter grande futuro. Soares devia ser o primeiro a lembrar-se disso.
Por outro, Alberto Gonçalves:
Cabeças perdidas
Manuel Alegre (poeta). Vítor Ramalho (soarista). Carlos do Carmo (fadista). Boaventura Sousa Santos (latinista). Vasco Lourenço (abrilista). Marisa Matias (bloquista). Ruben de Carvalho (comunista). Pedro Silva Pereira (socrático). Jorge Sampaio (sampaísta). António Capucho e Pacheco Pereira (embaixadores do "centro-direita"). Pinto Ramalho (general). Helena Roseta. Maria de Belém. Carlos Zorrinho. Alberto Martins. Ferro Rodrigues. Jorge Lacão. João Semedo. António Costa. Manuel Tiago. Domingos Abrantes. Almeida Santos.
Estas são algumas das personalidades que, através de mensagem de apoio ou presença corpórea, disseram "sim" à convocatória de Mário Soares e iluminaram a Aula Magna a fim de alegadamente defender a Constituição e o Estado "social". Na verdade, o exercício versou mais o ataque ao Governo e ao presidente da República, a quem se exige imediata demissão a bem ou posterior remoção a mal. As sugestões de violência, os apelos à violência e as ameaças de violências foram tantos e tão explícitos que apenas a transmissão televisiva do evento nos lembrou não se tratar de uma reunião da Carbonária a conspirar o regicídio. O Dr. Soares "aconselhou" os governantes (e Cavaco) a regressar a casa pelos próprios pés enquanto podem. Vasco Lourenço incitou que os corressem, cito, "à paulada". Helena Roseta defendeu que "a violência é legítima para pôr cobro à violência". E, visto que as camisas de força nunca chegaram, um longo etc.
Talvez não valha a pena notar que, em 2013, a "família real" em causa foi eleita pela maioria dos cidadãos. Vale a pena notar que ninguém elegeu os revolucionários em questão. Sobretudo ninguém lhes passou procuração. Os amiguinhos do Dr. Soares falam em nome de um "povo" que, abençoadamente, não existe. O "povo" que existe pode não gostar do Governo e lamentar o Prof. Cavaco, mas boa parte da população é capaz de abominar com maior empenho o bando de privilegiados da Aula Magna, que no entender de muitos devia estar na cadeia pelo que outrora fez ao país ou pelas desmioladas soluções que agora propõe.
Sou avesso a excessos. É claro que umas centenas de malucos fechados numa sala (de que infelizmente não se perdeu a chave) não definem o espírito do tempo. O que o define é a importância que se dá à coisa. Assim de repente, os augúrios não são simpáticos: sem discernível ironia, os media dedicaram ao encontro a seriedade que se dispensaria a um encontro de gente séria, e quando se vê comentadores solenes interpretarem as palavras do Dr. Soares como interpretariam as de alguém digno de atenção, é lícito constatar que a democracia não atravessa um período radioso. Não discuto que o Governo não seja um paradigma de incompetência. Digo que enquanto a alternativa reconhecida implicar múltiplas exibições de demência, aliás em nítido desrespeito pelo Código Penal, isto não vai longe.
De resto, não imagino se o "povo" um dia pegará em armas e varrerá a tiro ou à paulada os poderosos. Porém, tenho a certeza de que o "povo" não berra a uma só voz e sem dúvida não pensa pelos cerebelos do Dr. Soares e respectivo séquito de parasitas: o trágico caos que se seguiria à hipotética sublevação varreria também a estirpe de poderosos que inflama as massas por diletantismo ou preservação de regalias. Os Robespierres de trazer por casa já perderam a cabeça no sentido figurado. Vê-los perdê-la no sentido literal seria, para os menos piedosos, o único alívio cómico do caos.
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Nova canção do emigrante com provérbio afim (recebido por e-mail)
Voltei, voltei
Voltei de lá
Ainda ontem estava em França
E agora já estou cá
Vale mais um mês aqui
Do que um ano inteiro lá
Ainda ontem eu pensava
E sonhava cá voltar
Ai, eu já não suportava
Ficar longe do meu lar
Agora já estou aqui
Já me passou esta dor
Tanto, tanto que eu pedi
Este milagre ao Senhor
domingo, 31 de março de 2013
"A entrevista"
(imagem obtida aqui)
Diz assim Alberto Gonçalves:
A única justificação plausível para a longa entrevista do eng. Sócrates à RTP passaria pela apresentação formal de um pedido de desculpas pelos erros cometidos em seis anos de desmiolada governação. Passou-se exactamente o contrário: o homem continua impermeável à realidade, não admitiu um só erro e distribuiu culpas por tudo o que se movia e move em seu redor. Portugal está como está graças à crise internacional, à Lehmann Brothers, a Cavaco Silva, ao actual Governo, ao "Correio da Manhã" e aos biltres sortidos que teimam em difundir "narrativas" (sic) mentirosas sobre a excelsa competência e personalidade do ex-primeiro-ministro. Ele acerta sempre, logo, por definição, os que dele discordam falham sempre.
Convém reconhecer que, apesar de intrinsecamente tontas, na prática estas alucinações funcionam. Não obstante a brutal inépcia de que já deu provas, o eng. Sócrates continua a dispor de um número considerável de seguidores fervorosos. Pior: mesmo entre os adversários há quem lhe atribua o tipo de características que constituem o chamado "carisma", virtude exaltada em sociedades primitivas e que quando não suscita veneração suscita uma espécie de asco respeitoso. Ou medo. Donde as expectativas de índole diversa fomentadas pelo regresso da criatura e o sucesso de audiências do regresso propriamente dito.
Perante isto, impõe-se uma questão: as pessoas andarão maluquinhas? Bem espremido, o eng. Sócrates merece tanta consideração quanto o título que precede o nome. Em matéria de ridículo, demonizá-lo equivale a beatificá-lo, no sentido de se lhe dar a importância que ele evidentemente não possui. O mito do "animal feroz", que o próprio mitómano inventou a ver se colava, colou de facto e tornou-se um dado adquirido a fiéis e a inimigos, os quais deveriam parar para pensar no exagero em que incorrem.
Descontado o folclore alusivo, a que se resume afinal o eng. Sócrates? A pouquito, uma mediocridade arrogante e uma calamidade política que subiu na carreira à custa de manha, sorte e atraso de vida. Foi justamente o atraso de vida que proporcionou o típico encanto de alguns face à prestação televisiva da passada quarta-feira.
Não importa que o eng. Sócrates tenha passado a entrevista a exprimir-se em língua-de-trapos (repetiu em 57 ocasiões a palavra "narrativa", nenhuma no contexto adequado), a contar mentirolas cabeludas, a desfilar desfaçatez e a exibir impertinência perante jornalistas aliás meigos. Não importa que compare uma dívida pública agravada em prol da propaganda eleitoral com os empréstimos necessários para atenuar os efeitos da bancarrota que a propaganda provocou. Não importa que explique o luxo de Paris com uma dívida privada e hilariante. Não importa que, com a discutível excepção do ataque às trapalhadas do PR, a prestação do eng. Sócrates roçasse o patético. Importa insistir que o "animal feroz" se mostrou preparadíssimo e mantém uma relação privilegiada com as câmaras. Mário Soares considerou a entrevista "brilhante" e, notoriamente excitado, um antigo funcionário do portento proclamou: "Sócrates ama a televisão e a televisão ama Sócrates."
Seria cruel interromper o idílio, que de resto prosseguirá em doses semanais a partir de Abril. Os fiéis do eng. Sócrates aproveitarão para se deliciar com o exercício e os que vêem no sujeito a origem do Mal poderão entreter-se a exorcizá-lo. Pelo meio, é possível que, programa após programa, laracha após laracha, uns tantos ganhem bom senso e comecem a reduzir aquela lamentável figura à sua verdadeira dimensão, a de um vendedor de patranhas que, orientado pela vaidade, fundamentado na inépcia e sustentado por pasmados e oportunistas, ajudou mais do que qualquer outro a arruinar o país. Sendo certo que os estudos em Paris não ensinaram nada ao eng. Sócrates, talvez os portugueses que por cá pagam a factura do seu intelecto aprendam uma ou duas coisinhas.
sábado, 30 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
500.000? E se fossem tomar espontaneamente na grandola?
(imagem recolhida aqui)
Dei-me ao trabalho de me documentar e fazer as contas.
A Praça do Comércio mede (180m x 200m) 36.000m2.
Admitamos que a indignação consegue expulsar a estátua dali, para que esse espaço possa ser ocupado pela manifestação.
E que os manifestantes se consigam arrumar espontaneamente (ou não), como sardinhas em lata, à razão de 0,4m2 para cada um deles.
Rapem da máquina de calcular, se precisarem. E não se enganem nas teclas, nem nas dos algarismos nem nas das operações.
36.000m2 : 0,4m2 = 90.000
Repitamos agora, em coro, como no tempo do sr. eng. dos computadores y sus muchachos:
MENTIROOSOS! MENTIROOSOS! MENTIROSOS, MEENTIIROOSOS!
Que se lixe a lucidez
Uma vez mais Alberto Gonçalves, no DN:
Questionada por um canal televisivo, uma das organizadoras do movimento "Que se Lixe a Troika" explicou que um Governo que não cumpre o programa eleitoral deve ser demitido, pressuposto que tornaria inúteis quaisquer governos e, consequentemente, quaisquer eleições. Aliás, suspeito que o objectivo não anda longe disso: quando a seguir lhe perguntaram se defendia a marcação de "legislativas" antecipadas, a senhora hesitou e, um bocadinho contrariada, lá acabou por responder que "essa é uma das formas", ainda que o importante seja atender à "vontade do povo". A senhora esqueceu-se de descrever como é que a "vontade do povo" se expressa na ausência de sufrágio universal, embora não custe imaginar que a coisa passaria por um sumário processo "directo" que depositasse a senhora e os heróis/amigos/primos da senhora no poder e merecidamente desprezasse os escassos milhões de reaccionários que teimam em votar no PSD e no PS.
Não pretendo insinuar que os milhares de participantes nas manifestações de ontem partilham esta curiosa interpretação da democracia. Sucede que, ao participarem na folia, acabam por legitimar as alucinações dos respectivos mentores. E as alucinações são diversas.
Uma das mais bizarras está explícita na designação daquilo. Mandar lixar a troika é um gesto nobre. Infelizmente, é também um gesto estúpido, sobretudo quando não se parece estar preparado para suportar as consequências da exclusão dos famosos mercados, talvez do euro e, um épico dia, da União Europeia. Para já, enxotar a troika equivale a abdicar dos empréstimos que mantêm isto a funcionar e, apesar dos apertos, conferem ao País um simulacro de normalidade. Os manifestantes do "2 de Março" (a profusão de datas "históricas" tende a preencher o calendário inteiro) não pensam assim.
Na verdade, dificilmente se pode dizer que pensem de todo. O "raciocínio", desculpem o exagero, é o seguinte: na ausência da troika, a austeridade termina e Portugal, na prática sem dinheiro para mandar cantar Stevie Wonder, fica teoricamente abonado e, enquanto diminui os impostos, volta a apostar no "investimento público", na "modernidade" e no "progresso social". Dito de outra maneira, recuse-se o crédito, diminua-se a receita e aumente-se a despesa, tese que para um leigo faz tanto sentido quanto doar uma prótese dentária a um cadáver decapitado, mas que para os especialistas em economia que desfilam pela ruas constitui a solução evidente. Meus caros, contas assim são compreensíveis no cerebelo do sr. Arménio da CGTP, nos peculiares empresários da CIP e nas medidas regeneradoras do dr. Seguro, não em cidadãos que se querem responsáveis.
Ou se calhar não querem. Se quisessem, antes da troika teriam mandado lixar os sujeitos que tornaram a troika inevitável. Se quisessem, antes da austeridade marchariam contra o Estado cuja preservação obriga à austeridade. Se quisessem, antes de berrar lugares--comuns, reflectiriam no absurdo dos mesmos. O Governo é péssimo? Com certeza, porque assalta os cidadãos a fim de garantir o statu quo de que os cidadãos, pelo menos os que desfilam em protesto, não abdicam. Que, com os seus defeitos, interesses e ilusões, a troika insista em patrocinar semelhante manicómio não é um cataclismo: é um milagre. E, a prazo, provavelmente uma inutilidade.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Por Artur Baptista da Silva!
(foto obtida aqui)
Pc reparado, volto hoje para sugerir a constituição de um movimento cívico, com vista a levar Artur Baptista da Silva mais alto do que até hoje conseguiu ir politicamente: a lista distrital do PS que foi derrotada pela de António Costa. Os socialistas não o merecem.
O lugar legitimamente reclamável por Artur Baptista da Silva dentro do actual panorama político e social português, nunca poderá, pelo sucedido, ser inferior ao da chefia de um grande órgão de comunicação social. Mas o posto que verdadeira e honrosamente lhe compete é: ou o de futuro chefe do Governo que substitua o actual; ou o de próximo Presidente da República.
Porque jamais qualquer responsável deste país pôde ou poderá, tão dignamente como Artur Baptista da Silva, escolher a seguinte frase como lema de campanha: "Não engano ninguém!"
(foto obtida aqui)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
"E se um Marinho e Pinto quiser ser presidente da República?"
É este o título do artigo de FilomenaMartins, no DN, que transcrevo de seguida:
Apesar de ainda faltarem três anos e picos para as presidenciais em Portugal, várias figuras começaram já a posicionar-se. Interessa perceber quais e com que intenções. Além dos nomes oficiais que cada partido irá escolher, há uma longa lista de protocandidatos da esquerda à direita: começa em Carvalho da Silva e acaba em Durão Barroso, mas engloba, ou pode vir a englobar ainda, Francisco Louçã, António Guterres, Carlos César, o próprio José Sócrates, Jaime Gama, Marcelo Rebelo de Sousa ou até Mota Amaral. E seguramente que me estão a falhar alguns. Mas a este rol faz todo o sentido acrescentar uma figura da tendência que cada vez ganha mais força entre os portugueses, alguém que emane da dita sociedade civil, independente e, digamos assim, apartidário. Marinho e Pinto, o bastonário da Ordem dos Advogados está claramente a fazer esse caminho.
Comecemos pelos mais óbvios. À esquerda, Carvalho da Silva tenta há mais de um ano uma candidatura mobilizadora, que conta com um apoio que ainda tem um significativo peso público: Mário Soares. As ligações ao PCP, de que nunca se demarcou totalmente, e o suporte sindical, onde fez carreira, serão a sua base de partida que pode pescar muitas outras franjas partidárias. O ex-líder da CGTP corre agora o risco de poder ter como concorrente Francisco Louçã, que liberto das funções no Bloco e da tribuna da Assembleia da República ganhou uma espécie de estatuto de senador da República.
Já à direita, o duelo pode ser muito mais complicado. Os dois nomes que saltam à vista "marcam-se" mutuamente. Durão Barroso seria a candidatura mais consensual, mas talvez ache que ainda não está na idade nem no tempo de regressar ao País a que um dia virou as costas, preferindo prosseguir a sua carreira internacional, na Europa ou no mundo, provavelmente até no sector privado. Por via das dúvidas, Marcelo Rebelo de Sousa vem fazendo os trabalhos de casa. Tirando partido da força do seu espaço televisivo, arma-se todas as semanas no crítico do regime, na voz da consciência do Governo, porque sabe que assim ganha pontos na opinião pública. Quer tornar-se um híbrido partidário. Mas como não é fácil descolar do papel que teve, e tem, dentro do PSD, pode ter de jogar em antecipação e formalizar a sua intenção para obrigar Passos Coelho - ou quem for o líder do partido na altura - a definir-se. Seja como for, é um nome fortíssimo.
E chegamos então ao PS. Se fosse possível convencer António Guterres a voltar ao pântano da pátria - agora ainda mais lamacento -, poderia estar tudo resolvido. Mas se Guterres preferir a ONU ou a UNICEF, José Sócrates, que no seu retiro parisiense assiste de camarote ao facto de ser o atual Governo quem mais faz pela limpeza do seu nome, é sempre uma hipótese. Mas só o tempo dirá se será o tempo certo.
E é aqui, ao centro, que melhor se pode posicionar um nome como o de Marinho e Pinto. Até os menos atentos se terão apercebido de como o bastonário da Ordem dos Advogados se tem desdobrado em declarações, conferências, presenças e tomadas de posição. Ainda que algo conotado com o socratismo, Marinho e Pinto é, concorde-se ou discorde-se, a voz do povo, dos "descamisados" contra os poderosos. Está à frente dos advogados como podia estar a guiar o táxi onde a maioria dos portugueses viaja. E entre todas as guerras em que se mete, as polémicas em que se autoenvolve e os erros que comete, é preciso dizê-lo, traz para a discussão muitas verdades que se perdem na enxurrada. O poder odeia-o e seguramente escorraçá-lo-á. Mas o povo gosta e revê-se nele. O seu populismo, a roçar a demagogia, insisto, pode fazer caminho. Até acho que um qualquer José Manuel Coelho faz sempre falta. Mas Marinho e Pinto é muito mais perigoso: por ele próprio e pela votação que pode conseguir. Não se riam. Foi a isto que chegámos. Foi isto que criámos.
domingo, 29 de julho de 2012
Escola Secundária Sebastião e Silva
Retoiçava eu cerca de uma semana atrás, mais ou menos distraído, pela relva noticiosa da TVI24, quando, subitamente, as palavras do tratador, perdão, do pivot comunicador (ou ao contrário) zuniram com a força de um raio que me houvesse atingido os tímpanos, deixando-me em vertiginoso estado de desequilíbrio momentâneo. Num esforço quase sobre-humano, consegui, porém, retomar a presença de espírito necessária para perceber o que me acometera e dar-me conta das evoluções do fenómeno.
A força do que quase me derrubara provinha do inesperado do seu carácter: num qualquer concelho, cujo nome o choque me fez esquecer, autarquia, sindicatos de professores e associações de pais concordaram em que a extinção, decretada pelo ME, de onze (onze!) escolas era benéfico para as crianças, as quais passarão agora a frequentar uma outra, a estrear, maior e com melhores condições. Nem vestígios de bullying político, sindical ou outro. Harmónico consenso e tal.
Quase pensei ter acordado senão no céu pelo menos noutro país. Era bom demais e os (suponho eu) igualmente desorientados jornalistas deverão ter pensado o mesmo mas na perspectiva oposta, a do “ai!, que lá se vai o nosso negócio!, ai!, que querem dar cabo do nosso lindo Portugal!”. Pelo que terão ido a correr, em meio de atarantados tropeções, na direcção do telefone, ligar ao sr. presidente da CONFAP, o dr. Albino Almeida, que nunca lhes falhou com o sustento da indispensável tirada crítica.
Foto obtida aqui
Quando o presidente de todos os papás de Portugal entrou no ar, já eu me refizera o suficiente para o ouvir com uma atenção que se foi transformando em espanto: é que o PPP (presidente de todos os papás portugueses) nada tinha a dizer quanto ao fenómeno em si mesmo! Mas de Albino Almeida ainda o país terá muito a esperar, sem que sequer precise de gerar regularmente cidadãos pela vida fora ou sequer de os adoptar, para, deste modo, manter o estatuto que lhe permitiu alcandorar-se à nobre missão a que há anos se dedica. Pelo que não surpreenderá que, em quem o ouviu, haja ido diminuindo gradualmente o espanto, substituído uma vez mais pela admiração face à adequada, justa e subtil argumentação que desenvolveu perante os aplaudentes e reconhecidos profissionais da notícia.
Foto obtida aqui
Não se referindo, pois, ao assunto, frisou, todavia, Albino, algo que é vital ter em conta: se estas novas escolas foram construídas para resolver o problema do isolamento dos alunos que a diminuição da taxa de natalidade provocou nos pequenos agregados populacionais e, em simultâneo, proporcionar-lhes melhores condições de aprendizagem, o acentuar dessa diminuição fará, a médio prazo, que igual problema se ponha quanto às que agora se inauguram. E que é indispensável começar, desde já, a encarar frontalmente o problema e prover, na medida do possível, às suas consequências. Porque isto vai ser um “grave problema para o ensino” em Portugal.
Fiquei a matutar no significado profundo das palavras do PPP. A justeza do que apontou é indesmentível, a verificar-se a continuidade da tendência para a diminuição da natalidade. Não me parecia, no entanto, que isso pudesse vir a constituir um problema para o ensino e para a educação em si mesmos, a não ser que se considere como tal a redução do número de professores necessários para essa tarefa. Até porque, por outro lado, tal permitirá, tanto a alunos como a professores, usufruir de um maior espaço disponível para libertar e multiplicar e desenvolver as suas eventuais capacidades criativas e de investigação.
Lembrei-me, aliás, das escolas do regime do ditador Salazar da minha infância. O Liceu Nacional de Oeiras, por exemplo, a actual E. S. Sebastião e Silva, única escola secundária pública existente, até 1969, entre Algés e Cascais, foi construída para ser frequentada por 500 alunos. Disseram-me que, na década de 80, chegou a ser de 3000 a sua população escolar, e que, dadas as suas dimensões e estruturas, o ME terá mesmo pensado em instalar ali uma Faculdade. Imagine-se o potencial que, hoje, essa mesma escola não representaria para os alunos, em número para o qual foi originalmente planeada, num país livre e que promovesse um verdadeiro ensino.
Foto obtida aqui
Voltando, pois, àquilo que me motivou a escrever estas linhas de fim-de-semana. Posta de parte, por absurda e indigna do brilho da sua mente, a interpretação literal das palavras do dr. Albino Almeida (a não ser no caso de um oportuno, mas para todos impensável, mano-a-mano pontual com Mário Nogueira) apenas me restava supor nelas a existência de um outro significado, de carácter mais profundo e, como já disse, subtilmente enunciado. E foi então que o génio de Freud irrompeu na minha mente, não para que aplicasse os meus parcos conhecimentos de psicopatologia ao Querido Líder da paternidade lusa, mas antes a mim próprio. Porque, sem aparente razão plausível, irrompeu na minha zona de consciência uma frase de Tony Blair em simultâneo com uma outra, que se podia ver a cada passo em cartazes governamentais, nos anos 80 e 90. Passo a explicar.
Nenhum país - Portugal, nesta fase da sua História, muito menos - poderia prescindir de um cidadão com a envergadura intelectual e o dinamismo de Albino Almeida. O seu estofo levá-lo-á, quase inevitavelmente, a assumir, mais tarde ou mais cedo, um cargo governativo onde possa desenvolver uma acção decisiva para o sucesso do nosso destino colectivo. E o dr. Almeida, dotado de imparável argúcia, já se terá disso apercebido há muito tempo: a nação anseia por alguém com uma visão como a sua. Sendo, contudo, o PPP - como Cavaco Silva - um homem simples, que utiliza uma estratégia chã e directa na abordagem dos problemas mais complexos, não poderia, nesse plano, afirmar-se e competir com os chamados políticos de carreira, que utilizam nos seus discursos uma linguagem quase sempre aproximativa e, com frequência, metafórica. Pelo que haveria que adoptá-la e adaptar-se-lhe.
Foto obtida aqui
Esta intervenção de Albino Almeida terá, provavelmente, dado o sinal de partida para o seu futuro percurso político, com um grau de elegância equivalente à deslocação que o sr. Presidente da República fez, em 1985, à Figueira da Foz, para rodar o seu novo Citröen. Aproveitando uma das mais recentes manifestações de preocupação do Professor Doutor Cavaco com o Portugal do século XXI, o PPP reforçou-a e apelou indirectamente à nação para resolver o verdadeiro problema, o que se encontra na raiz mesma do das escolas abandonadas.
A única solução é, efectivamente, aumentar a taxa de natalidade ou, em linguagem popular, fazer filhos. Cavaco já disse aos seus concidadãos que é dever de todos gerá-los, que a Pátria precisa de meninos. Nisso se opõe a Tony Blair que incitava os ingleses a fazerem mais sexo oral. E foi também no decorrer dos governos de Cavaco Silva que houve um enorme incremento de incentivos ao FEDER, que em múltiplas obras se viam cartazes em que se podia constatar o apoio que o FEDER lhes dera. Freud, tal como o algodão, não me enganou nos seus caminhos ínvios.
Foto obtida aqui
O dr. Albino não o disse, porque seria pouco aconselhável ir assim directamente ao assunto. Mas terá assumido, em espírito, e exprimido, sugestivamente, essa linha traçada por aquele que poderá vir a ser, um dia, um seu antecessor - afinal, em que é que o dr. Albino Almeida é menos do que o dr. Fernando Nobre para poder encabeçar qualquer candidatura de cidadania? Pois bem, eu declaro desde já a minha decisão de, nesse caso, lhe dar o meu voto. Nada me agradaria mais do inserir-me incondicionalmente na acção patriótica para que o seu discurso aponta, da qual sou um adepto entusiasta desde muito novo.
A minha única dúvida reside no mote da campanha que, para maior contundência, Albino Almeida deveria adoptar. Num tom assertivo, de comando, talvez
QUE SE FODA A NAÇÃO!
ou, tout-court,
FODA-SE!
Não sei, mas sei que ganhei aquele dia. É que se a espertalhice me enoja, a inteligência encanta-me.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
A revolucionária que saiu à Rua Sésamo
Um texto de Alberto Gonçalves no DN:
Conhecia apenas de vista o Monstro das Bolachas, boneco da Rua Sésamo que doravante e pelo menos em Espanha trocará os biscoitos por uma dieta equilibrada em fruta e vegetais. A ideia visa combater a obesidade infantil, mas é sobretudo uma prova da infantilidade destes ditatoriais tempos.
Pressupor que as crianças imitam as personagens de ficção é acreditar que diversas gerações ficaram milionárias por ler as histórias do Tio Patinhas, que inúmeros petizes se lançaram pela varanda após um desenho animado do Super-Homem ou que uma data de moçoilos passaram a residir em conjunto com um idoso mal-educado em consequência do convívio com as aventuras de Tintim. Ou, para usar outro exemplo em que a opressão vigente fez lei, é acreditar que muitos meninos desataram a fumar por inspiração de Lucky Luke, cujo cigarro foi entretanto substituído por uma palha (e é extraordinária a quantidade de criancinhas com palhas pendentes dos lábios desde então).
Porém, o pequeno fascismo dos nossos dias não espanta. Espantoso é perscrutar as cabeças que apoiam, e prescrevem, semelhantes delírios. O DN ouviu uma: Isabel do Carmo, dita endocrinologista, acha aconselhável que, "no caso das crianças com excesso de peso ou obesas", se lhes retire certos alimentos "da vista, seja em casa, seja na televisão".
Assim de repente, a dra. Isabel assemelha-se imenso àquela ilustre antidemocrata que há meia dúzia de anos foi condecorada pelo então presidente Jorge Sampaio e que, nos idos da década de 1970, chefiava uma organização terrorista intitulada PRP, prestigiado cargo que a envolveu no rebentamento estratégico de explosivos em locais avessos à revolução. Respeita-se a coerência de quem, hoje como ontem, está disposta a tudo de modo a impor a sua vontade. O que custa é respeitar a opinião em matéria de saúde vinda de uma criatura cujo bando recreativo cometeu, entre diversas traquinices, crimes de sangue. No fundo, não seria demasiado diferente se o estripador de Lisboa se aliviasse de uns palpites sobre a importância da matemática no ensino básico.
Além disso, acresce à questão moral a questão técnica. Mesmo sendo credível que a dra. Isabel desempenhou com mestria a antiga profissão, nada indica a sua competência na actual: para uma especialista em nutrição e para sermos educados, a dra. Isabel possui excesso de peso. Ou muito me engano ou a senhora não perde uma emissão da Rua Sésamo, na versão não censurada e repleta de calorias.
domingo, 24 de junho de 2012
Rio para não chorar
(imagem obtida aqui)
Título deste texto de Alberto Gonçalves, publicado no DN de 21 de Junho (via Estado Sentido):
Recentemente, Ricardo Araújo Pereira seguiu o remoto exemplo de
Raúl Solnado e foi mostrar a comédia nacional aos brasileiros. Como o Ricardo é
brilhante, é de presumir que a coisa tenha corrido bem. O pior é que, como
tantas vezes sucede, o sucesso do bom abre as portas ao mau, ao péssimo, ao
atroz e a Boaventura Sousa Santos, que enquanto comediante integra uma
categoria à parte. Quer dizer, eu e a maioria das pessoas que conheço rimo-nos
feito perdidos de cada intervenção do homem. Aliás, basta o homem aparecer para
desatarmos às gargalhadas: ele é o sotaque de BSS, ele é o penteado de BSS, ele
são os fatos de BSS para consumo ocidental, ele são as camisas exóticas de BSS
para passeios no Hemisfério Sul. Para cúmulo, BSS fala.
No Brasil, durante os encontros
de vozes "alternativas" que antecederam a Cimeira Rio+20, de resto
duas notáveis oportunidades para o humor inadvertido, BSS falou. E explicou que
a Europa precisa de aprender com os maravilhosos exemplos do Terceiro Mundo, experiência
de que foi privada devido a séculos de colonialismo. Tradução: a menos que a
Alemanha e a Inglaterra imitem os fraternais regimes da Bolívia ou da
Venezuela, a Alemanha e a Inglaterra estão perdidas. A título de punch line,
acrescentou ser necessário lutar contra a concentração de riqueza e o abismo
entre ricos e pobres, eventualmente adoptando o modelo "bolivariano"
e arruinando toda a gente.
É ou não é brilhante? O pior é
que este estilo de comédia também é arriscado: muitos brasileiros não percebem
o humor de BSS e tomam-no por um pensador de facto e não pela caricatura de uma
sátira a uma paródia de um pensador. Ricardo Araújo Pereira apresenta-se como
humorista e tem graça. A vastíssima maioria dos restantes humoristas indígenas
apresenta-se como tal e não tem gracinha nenhuma. BSS apresenta-se como
"cientista social" e suscita a estupefacção dos não iniciados, que
hesitam entre levar aquilo à letra ou usufruir do seu potencial hilariante.
E o melhor de tudo passa pelo
facto de não sabermos se o próprio BSS se leva igualmente a sério. A sério, só
isto: sempre que se lamenta a fuga de cérebros do país, convém contrabalançá-la
com a fuga de malucos. Infelizmente, estes regressam logo a seguir.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Portugal, 25 de Abril de 2012
Atendendo a ser a data que todos conhecemos, achei oportuno publicar este texto, originalmente publicado aqui, e que o Joaquim Simões, por sua vez, também achou por bem divulgar no Ablogando. O final do texto que tenho vindo a escrever ficará para amanhã.
MILITARES DE ABRIL QUEREM SAIR DE NOVO PARA A RUA
O Protagonismo político camuflado na A25A
A “Associação 25 de Abril”
(A25A) fiel à ideologia inicial do seu “Abril não desarma” declara que “não
participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do
25 de Abril” mas sim em comemorações populares, traduzido isto em texto claro: participará
em comemorações arruaceiras. A A25A quer ver os militares abrilistas na rua
antes que o povo os chame à responsabilidade. Nestes festejos, a sociedade
portuguesa deve estar atenta não só aos que comemoram a oficialidade como
também aos mais populistas, aos “conscientes das obrigações patrióticas que a
nossa condição de Militares de Abril nos impõe…”, aos que, oportunamente
abandonam as bancadas, como faz agora Soares. Só assim, os portugueses poderão
concluir do conluio entre irresponsabilidade política e popular para se tornar
imune contra o oportunismo de ideologia e de rectórica alienante.
Aproveitando-se do
mal-estar português, a A25A torna-se porta-voz de recalcados anseios dos seus
“Militares de Abril” por um novo Golpe Militar. A A25A apoia descaradamente a opção militarista
como solução para os problemas de Portugal, como Portugal fosse uma república
das bananas interessada na solução árabe para Portugal. De facto, a A25A
confessa, para quem lê nas entrelinhas: “declaramos ter plena consciência
da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas
encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal”. Portugal “nosso”
deles…
Continua-se com a mesma
oratória de há 200 anos para cá, como se os problemas políticos e sociais das
sociedades modernas pudessem ser solucionados com uma rectórica irresponsável.
Têm ainda a insolência de afirmar: “a nossa atitude não visa as Instituições de
soberania democráticas”, como se esta acção demagógica não partisse de pessoas
ligadas às instituições de soberania como é o caso de Militares e não fosse
apoiada como pessoas como M. Soares.
Afinal, quem são os
“Militares de Abril”? Uma aparição salvadora? O protagonismo político, que a
A25A cobre, é irresponsável, num momento em que Portugal ferve e deveria
reflectir sobre si mesmo e sobre estratégias isentas para sair da crise.
Fala-se do Militares de Abril como se na terceira república não tivéssemos
também os militares de Novembro. Será que as forças militares se sentem
obrigadas a ideologias ou a facção abrilista está interessada em criar o caos
em Portugal?
Os interesses da facção
dos “Militares de Abril” e seus aliados, em tempos de crise descobrem a rua e
muitas autarquias locais como campo de acção, para, por trás do mito de Abril
(Primavera) poderem continuar a vestir a pele de cordeiro e poderem, no ribeiro
popular, afirmar que quem “suja” a água não são eles mas os outros, os maus. Camuflados dos ideais de liberdade, justiça e
libertação enganam o povo dizendo “A A25A participará nas Comemorações
Populares e outros actos locais de celebração do 25”.
É cinismo verificar como
“Militares de Abril”, que, com os seus cúmplices de partido, atraiçoaram os
interesses de Portugal, a nível internacional, se querem agora aproveitar da
crise e das insatisfações do momento bem como correspondente descarga de culpas
no estrangeiro. A culpa morreu solteira, sabia o povo de antigamente! Em nome
de Abril, a terceira república meteu a carroça da nação na lama e os seus
beneficiados querem-se agora ilibar, armando-se em libertadores da nação. Coisa
semelhante aconteceu na primeira república que depois deu origem à do Estado
Novo. A Nação portuguesa já está habituada a ser o bombo da festa de
oportunistas à espera do momento para assaltar o Estado. Quem provou os seios
do Estado foge do povo para se alimentar dele.
Na sua ética e moral
jacobínias atiram pedras escondendo-se por trás de palavrinhas mágicas como
liberdade, cidadania. Do alto do barranco do protagonismo político da A25A,
pretendem a sua “Integração plena na sociedade portuguesa” como se eles não se
tivessem de integrar na sociedade portuguesa. Esta mentalidade tem sido o
cancro da nação: em vez de se pretender integrar as partes no todo pretende-se
reduzir o todo à parte!
Que as condições mercantilistas
impostas a Portugal devam ser contestadas é lógico mas que o movimento
republicanista se lave as mãos da lixeira por ele criada, ultrapassa os limites
do tolerável.
O que falta em
Portugal é o sentido dum trabalho produtivo, um voltar à terra e ao povo
deixando a ideologia que apenas serve os privilegiados, os tais de “corpo
inteiro”, já que turbo-capitalismo e esquerdismo só valorizam o trabalho à
custa da dignidade humana. Os quadros da ideologia e da economia, esses, os
senhores da ética (que enriqueceram à custa do 25 falam agora de “ética como
“palavra vã”) são os novos-ricos alimentados à custa da exclusão social e de
dinheiros da UE. Senão observe-se a excrescência que o 25 de Abril tem
produzido: gente esfomeada do dinheiro e da ideologia a viver seus nichos e uma
pobreza cada vez mais envergonhada. Enriqueceram à custa da revolução e à
sombra da revolução atiram pedras sabendo bem que quem paga a crise não são
eles, os encostados à Nação mas sim o povo que a alimenta.
Construíram um Portugal
dos oportunos (somos dos países com mais cargos em instituições internacionais
e vêm agora queixar-se que “Portugal não tem sido respeitado entre iguais”. Precisam dum Portugal vítima para não terem de ser
chamados à responsabilidade. Os delinquentes são sempre os de fora! Para si só
importam o marisco!...
Falam de barriga cheia
porque sabem que a crise, seja ela qual for, só ajuda os das margens da
esquerda e os das margens da direita.
A terceira república fomentou a irresponsabilidade, o medo sub-reptício, o
conformismo e o oportunismo; tudo isto em nome do combate ao fantasma de
Salazar, pensando que se pode viver à custa do trabalho dos outros. O povo não
come moral nem ideologia e neste momento o que tem é fome, fome de justiça e de
trabalho digno e de honra ganha com o próprio esforço.
Os Militares
revolucionários de Abril queriam-nos um protectorado de Cuba, Pequim e Moscovo
e, agora, no seu camuflado de libertadores abrilistas, acusam-nos de sermos um
“protectorado”. Protectorado não é porque Portugal conhece bem o sol do
oportunismo e a sua situação de terra maninha, a terra do que é mais forte. A
nossa História dos últimos séculos só dá razão aos fracos no momento em que
servem de plinto para os mais fortes subirem.
No manifesto da A25A,
incapazes (a situação em que nos encontramos é disso a prova) acusam Portugal
de ter “dirigentes sem capacidade autónoma de decisão” como se não tivessem
sido eles, também, quem na altura abdicou de Portugal para se deixar ir na
corrente mais forte.
O regime da terceira
república configurou a Constituição Portuguesa e o povo na afirmação dos seus
ideais e valores ideológicos e numa estratégia de derrube de tudo o que
cheirasse a tradição ou a ética da responsabilidade pessoal e institucional. O povo dançou e dança nele ao toque das bandas
políticas deles e da moda; agora sofre as consequências e os organizadores da
festa têm o desplante de se armarem em homens bons. Porque “Abril não
desarmou”, Portugal chegou onde chegou. Há 38 anos os militares de Abril na
“convicta certeza „ de só eles serem os porta-vozes do povo, quando, o que
fizeram foi substituir um regime autoritário por outro, e permanecer na
“convicta certeza” de só terem certezas para oferecer, esquecendo que o que faz
um povo crescer é a dúvida metódica. Se “Abril não desarma” o povo encontra em
guerra: a guerra do oportunismo só serve os tais que sempre vivem encostados à
“convicta certeza” como quer a A25A.
Ontem como hoje os
portugueses gritaram e gritam por liberdade; ontem como hoje os responsáveis
falam da culpa dos outros e o mesmo povo entra no jogo não notando que está
sempre a canto! O que Portugal precisa não é de revolução, o que o precisa é de
responsabilidade. Quem aposta na culpa dos outros precisa de um inferno para
eles! Esquece que o paraíso que tem para oferecer é o inferno dos outros
também!
Viva Portugal, termina o
manifesto. Os mercenários internacionalistas de outrora camuflam-se agora de
patriotas e gritam a palavra oportuna do momento: Viva Portugal!
António da Cunha Duarte
Justo
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