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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso?




Alguém duvida de que isto seja inaceitável e escandaloso para os pedagogos "igualitários" que sufocam o ensino em Portugal desde os tempos de Roberto Carneiro?

Dois a dizerem o óbvio




Por um lado, Helena Cristina Coelho:


A má memória de Soares

"O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro". O texto foi-me recordado por uma amiga de boa memória, que se lembra de quem o escreveu há 29 anos. 

E foi igualmente repescado por outras figuras, como José Manuel Fernandes, que o replicaram para recordar as palavras e, sobretudo, o seu autor: Mário Soares, em Maio de 1984, quando era primeiro-ministro. O país não estava como agora, estava bem pior. Havia empresas a fechar portas e os salários em atraso tornaram-se uma chaga social, havia bolsas de fome e protestos irados nas ruas, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou.E o que fez o governo de bloco central? Acabou a estender a mão para assinar um memorando de entendimento e receber dinheiro do FMI. Foi então o tempo de ouvir pequenas pérolas de austeridade como a de que "Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos" ou que "a única coisa a fazer é apertar o cinto" ou ainda que "não se fazem omoletas sem ovos, evidentemente teremos de partir alguns". O autor? Acertou: Mário Soares.

Não há notícia de que alguém na altura tenha partido as pernas ao primeiro-ministro como represália por estas declarações ou pela dureza das medidas - nem mesmo quando teve de enfrentar manifestantes violentos na Marinha Grande, na campanha de 1986. Aliás, foi premiado por essa valentia e acabou por ganhar as eleições.

A política não tem a virtude (nem sequer a presunção) de ser coerente. E, se faltarem provas, Mário Soares está a encarregar-se disso. Aquilo que usou como sua defesa enquanto governante, é exactamente aquilo que hoje ataca sem pudor. Não pode ser apenas um problema de memória e a idade não pode ser desculpa para algo que não é só irresponsável:é inflamável. Com o país ainda de garrote apertado, polícias a escalaram o Parlamento para darem sinais do que são capazes, sindicalistas a invadirem ministérios para expressar indignação, uma simples palavra pode ser incendiária e deitar tudo a perder.

Independentemente de se gostar ou não da figura ou do seu passado, Mário Soares teve um papel relevante na história do país. Só por isso, e porque pelos vistos continua a reclamar a paternidade da democracia (que ninguém quer aniquilar) e de uma ideologia de esquerda (com óbvias crises de identidade), devia ser o primeiro a preservá-la. Mas não é isso que está a acontecer: ao atacar o presente (leia-se, quem hoje governa o país) de uma forma tão agressiva e estéril, Soares está a destruir um passado que passou por si e a hipotecar um futuro que devia ajudar a construir. E um país sem memória não pode ter grande futuro. Soares devia ser o primeiro a lembrar-se disso.

Por outro, Alberto Gonçalves:

Cabeças perdidas

Manuel Alegre (poeta). Vítor Ramalho (soarista). Carlos do Carmo (fadista). Boaventura Sousa Santos (latinista). Vasco Lourenço (abrilista). Marisa Matias (bloquista). Ruben de Carvalho (comunista). Pedro Silva Pereira (socrático). Jorge Sampaio (sampaísta). António Capucho e Pacheco Pereira (embaixadores do "centro-direita"). Pinto Ramalho (general). Helena Roseta. Maria de Belém. Carlos Zorrinho. Alberto Martins. Ferro Rodrigues. Jorge Lacão. João Semedo. António Costa. Manuel Tiago. Domingos Abrantes. Almeida Santos.

Estas são algumas das personalidades que, através de mensagem de apoio ou presença corpórea, disseram "sim" à convocatória de Mário Soares e iluminaram a Aula Magna a fim de alegadamente defender a Constituição e o Estado "social". Na verdade, o exercício versou mais o ataque ao Governo e ao presidente da República, a quem se exige imediata demissão a bem ou posterior remoção a mal. As sugestões de violência, os apelos à violência e as ameaças de violências foram tantos e tão explícitos que apenas a transmissão televisiva do evento nos lembrou não se tratar de uma reunião da Carbonária a conspirar o regicídio. O Dr. Soares "aconselhou" os governantes (e Cavaco) a regressar a casa pelos próprios pés enquanto podem. Vasco Lourenço incitou que os corressem, cito, "à paulada". Helena Roseta defendeu que "a violência é legítima para pôr cobro à violência". E, visto que as camisas de força nunca chegaram, um longo etc.

Talvez não valha a pena notar que, em 2013, a "família real" em causa foi eleita pela maioria dos cidadãos. Vale a pena notar que ninguém elegeu os revolucionários em questão. Sobretudo ninguém lhes passou procuração. Os amiguinhos do Dr. Soares falam em nome de um "povo" que, abençoadamente, não existe. O "povo" que existe pode não gostar do Governo e lamentar o Prof. Cavaco, mas boa parte da população é capaz de abominar com maior empenho o bando de privilegiados da Aula Magna, que no entender de muitos devia estar na cadeia pelo que outrora fez ao país ou pelas desmioladas soluções que agora propõe.

Sou avesso a excessos. É claro que umas centenas de malucos fechados numa sala (de que infelizmente não se perdeu a chave) não definem o espírito do tempo. O que o define é a importância que se dá à coisa. Assim de repente, os augúrios não são simpáticos: sem discernível ironia, os media dedicaram ao encontro a seriedade que se dispensaria a um encontro de gente séria, e quando se vê comentadores solenes interpretarem as palavras do Dr. Soares como interpretariam as de alguém digno de atenção, é lícito constatar que a democracia não atravessa um período radioso. Não discuto que o Governo não seja um paradigma de incompetência. Digo que enquanto a alternativa reconhecida implicar múltiplas exibições de demência, aliás em nítido desrespeito pelo Código Penal, isto não vai longe.

De resto, não imagino se o "povo" um dia pegará em armas e varrerá a tiro ou à paulada os poderosos. Porém, tenho a certeza de que o "povo" não berra a uma só voz e sem dúvida não pensa pelos cerebelos do Dr. Soares e respectivo séquito de parasitas: o trágico caos que se seguiria à hipotética sublevação varreria também a estirpe de poderosos que inflama as massas por diletantismo ou preservação de regalias. Os Robespierres de trazer por casa já perderam a cabeça no sentido figurado. Vê-los perdê-la no sentido literal seria, para os menos piedosos, o único alívio cómico do caos.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Da memória dos grandes e gloriosos exemplos de sensibilidade social





(via 31 da Armada)


PÚBLICO, terça-feira, 14 Setembro 2010, às 00h00

O Governo de Cuba vai avançar com o despedimento de "pelo menos" 500 mil funcionários dos quadros estatais durante os próximos seis meses e permitir que esses trabalhadores se dediquem a outras actividades no sector privado, anunciou ontem a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), a federação oficial de sindicatos do país.


domingo, 31 de março de 2013

"A entrevista"



(imagem obtida aqui)

Diz assim Alberto Gonçalves:

A única justificação plausível para a longa entrevista do eng. Sócrates à RTP passaria pela apresentação formal de um pedido de desculpas pelos erros cometidos em seis anos de desmiolada governação. Passou-se exactamente o contrário: o homem continua impermeável à realidade, não admitiu um só erro e distribuiu culpas por tudo o que se movia e move em seu redor. Portugal está como está graças à crise internacional, à Lehmann Brothers, a Cavaco Silva, ao actual Governo, ao "Correio da Manhã" e aos biltres sortidos que teimam em difundir "narrativas" (sic) mentirosas sobre a excelsa competência e personalidade do ex-primeiro-ministro. Ele acerta sempre, logo, por definição, os que dele discordam falham sempre.

Convém reconhecer que, apesar de intrinsecamente tontas, na prática estas alucinações funcionam. Não obstante a brutal inépcia de que já deu provas, o eng. Sócrates continua a dispor de um número considerável de seguidores fervorosos. Pior: mesmo entre os adversários há quem lhe atribua o tipo de características que constituem o chamado "carisma", virtude exaltada em sociedades primitivas e que quando não suscita veneração suscita uma espécie de asco respeitoso. Ou medo. Donde as expectativas de índole diversa fomentadas pelo regresso da criatura e o sucesso de audiências do regresso propriamente dito.

Perante isto, impõe-se uma questão: as pessoas andarão maluquinhas? Bem espremido, o eng. Sócrates merece tanta consideração quanto o título que precede o nome. Em matéria de ridículo, demonizá-lo equivale a beatificá-lo, no sentido de se lhe dar a importância que ele evidentemente não possui. O mito do "animal feroz", que o próprio mitómano inventou a ver se colava, colou de facto e tornou-se um dado adquirido a fiéis e a inimigos, os quais deveriam parar para pensar no exagero em que incorrem.

Descontado o folclore alusivo, a que se resume afinal o eng. Sócrates? A pouquito, uma mediocridade arrogante e uma calamidade política que subiu na carreira à custa de manha, sorte e atraso de vida. Foi justamente o atraso de vida que proporcionou o típico encanto de alguns face à prestação televisiva da passada quarta-feira.

Não importa que o eng. Sócrates tenha passado a entrevista a exprimir-se em língua-de-trapos (repetiu em 57 ocasiões a palavra "narrativa", nenhuma no contexto adequado), a contar mentirolas cabeludas, a desfilar desfaçatez e a exibir impertinência perante jornalistas aliás meigos. Não importa que compare uma dívida pública agravada em prol da propaganda eleitoral com os empréstimos necessários para atenuar os efeitos da bancarrota que a propaganda provocou. Não importa que explique o luxo de Paris com uma dívida privada e hilariante. Não importa que, com a discutível excepção do ataque às trapalhadas do PR, a prestação do eng. Sócrates roçasse o patético. Importa insistir que o "animal feroz" se mostrou preparadíssimo e mantém uma relação privilegiada com as câmaras. Mário Soares considerou a entrevista "brilhante" e, notoriamente excitado, um antigo funcionário do portento proclamou: "Sócrates ama a televisão e a televisão ama Sócrates."

Seria cruel interromper o idílio, que de resto prosseguirá em doses semanais a partir de Abril. Os fiéis do eng. Sócrates aproveitarão para se deliciar com o exercício e os que vêem no sujeito a origem do Mal poderão entreter-se a exorcizá-lo. Pelo meio, é possível que, programa após programa, laracha após laracha, uns tantos ganhem bom senso e comecem a reduzir aquela lamentável figura à sua verdadeira dimensão, a de um vendedor de patranhas que, orientado pela vaidade, fundamentado na inépcia e sustentado por pasmados e oportunistas, ajudou mais do que qualquer outro a arruinar o país. Sendo certo que os estudos em Paris não ensinaram nada ao eng. Sócrates, talvez os portugueses que por cá pagam a factura do seu intelecto aprendam uma ou duas coisinhas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Crónicas do nacional-bandalhismo






Fá-las Alberto Gonçalves, no DNAs que se seguem, por exemplo.


Sócrates, serviço público

A SIC Notícias anuncia repetida e orgulhosamente o seu leque de novos comentadores. Os anúncios tendem para o solene, com imagens de Jorge Coelho a examinar o oceano, de Francisco Louçã a contemplar obras de "arte" contemporânea e de Bagão Félix a folhear um livro no jardim. Os comentadores são os citados (além, dizem-me, de Marques Mendes, cujo spot não vi), nomes de indiscutível notoriedade, duvidoso esclarecimento e nulo contributo para o progresso da nação. Mais curioso ainda, são todos políticos.

Em todo o mundo civilizado, e em boa parte do mundo incivilizado, seria inconcebível que sujeitos de reconhecida militância partidária (ou com escancaradas pretensões à dita) fossem chamados a opinar regularmente acerca do universo dos partidos. Por cá, é o costume. Já o era quando há menos de um ano diversos correspondentes da imprensa estrangeira em Portugal confessavam à Sábado nunca terem testemunhado semelhante. E hoje, principalmente nas televisões mas não apenas nas televisões, é quase lei.

Não vale a pena tentar perceber os motivos que levam as direcções a decidir assim. Porém, a fim de aferir a dimensão da excentricidade, talvez conviesse imaginar um documentário de David Attenborough sobre o reino animal sem a participação do conhecido naturalista britânico e com o rumo do programa entregue a gastrópodes, marsupiais e batráquios. Engraçado? Com certeza. Sucede que a graça haveria de se perder, coisa que infelizmente não aconteceu com a paciência do público.

O público, que gosta de fingir rebelar-se contra a "partidocracia" na política, aceita sem objecções a partidocracia na análise da política. Excepto, pelos vistos, no caso de José Sócrates, que a RTP se lembrou de contratar para emitir palpites. É verdade que os palpites do homem ajudaram imenso à ruína do país. É verdade que ao contribuinte custará muito pagar um novo salário (em numerário ou em tempo de propaganda) a quem tanto contribuiu para a sua penúria. É verdade que dói ver facultar a liberdade de expressão a um seu incessante inimigo. É verdade, em suma, que o "serviço público" decidiu adicionar o insulto à injúria. Porém, julgo excessivo que a indignação das massas, traduzida numa série de petições inflamadas, recaia exclusivamente em cima do ex-primeiro-ministro, ex-estudante de Filosofia e actual vendedor de medicamentos na América Latina.

No mínimo, há o risco de o pormenor obscurecer o princípio. E o princípio é o de que nada aconselha a que A Vida na Terra seja comentada por caracóis, cangurus e rãzinhas. A circunstância de uma das rãs ostentar um passado particularmente repulsivo é um detalhe, não a autêntica questão. Os consumidores, que durante anos legitimaram a promiscuidade, carecem de argumentos para os queixumes de agora: aberta a porta do zoo, a bicharada em peso sai à rua e entra nos estúdios televisivos. Aqui, a selecção natural é uma falácia.

E se apetecer a algum leitor escrever-me a notar que, ao contrário dos bichos, os animais políticos se distinguem pela inteligência, recomendo que pense duas vezes. Ou uma: uma deverá bastar.


Para quem é, 'Grândola' basta

No Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, alguns estudantes receberam o primeiro-ministro aos gritos de "demissão" e "Coelho sai da toca". Fizeram muito bem. Se a mocidade sente o impulso de berrar qualquer coisa, ao menos que não seja a Grândola. A melodia é quase inexistente. As harmonias são pobres. A letra é um refogado de lugares-comuns e, para cúmulo, mentirosos, já que da única vez que visitei a "vila morena" não vi nenhum amigo à esquina: vi um automóvel ultrapassar-me a uma velocidade pouco recomendável. Um par de quilómetros depois, o automóvel despistara-se e o condutor jazia meio morto no chão.

Mas fujo do assunto. Grândola, a cantiga, é tão maçadora quanto a generalidade das mais célebres cantigas ditas de "intervenção". Os autores do género, nacionais ou estrangeiros, acham que as massas só apreendem produtos simplórios na música e na lírica. Além de ser um pressuposto falso (Brother, Can You Spare a Dime, escrita em 1930 pelo então comunista "Yip" Harburg, é um raro exemplo de que uma canção de protesto relativamente sofisticada pode comover imensa gente), é um pressuposto revelador da opinião que os intelectuais ao serviço do povo têm do povo que servem. Mesmo José Afonso guardava os ocasionais momentos de inspiração para canções alheias ao comentário "social" (ocorre-me Era um redondo vocábulo). Nos momentos de indignação, lá vinha a Grândola ou o enervante "tiriririri" de Venham mais cinco e desgraças afins. E Sérgio Godinho, outro "baladeiro" que compôs meia dúzia de coisas esteticamente decentes, concentrava a indecência estética em misérias comoLiberdade ("A paz, o pão/ habitação/[etc.]"). Nos restantes "cantautores" indígenas não vale a pena procurar: o lixo é omnipresente.

Se os paladinos dos "oprimidos" lhes servem lixo quando são contrapoder, imagine-se o que lhes serviriam no poder. E quem não for dado à imaginação dispõe de pacotes de viagens a Cuba, pérola das Caraíbas e consumada terra da fraternidade.


O descaramento ilimitado

Para início de conversa, esclareço que, na minha opinião, uma lei ideal limitaria os mandatos autárquicos a cerca de uma semana, período a partir do qual os senhores autarcas começam a definir a rede de interesses que servirão. Também defendo que a lei deveria impedir as candidaturas dos vereadores, chefes de gabinete, secretários, assessores, compinchas, conhecidos e primos até terceiro grau do autarca cessante. Por fim, acho que a lei faria bem em limitar em quantidade as próprias autarquias, pormenor que aliás parecia constar do "memorando" assinado com a troika e que o Governo varreu airosamente para debaixo do tapete.

Quanto à lei que temos, é uma vergonha em matéria de clareza jurídica e um portento de matéria de clareza política. O PSD, que apresenta a votos diversos veteranos de outras freguesias (ou câmaras, para ser exacto), entende que a limitação incide nos municípios e não nas funções. O Bloco, que praticamente não é para aqui chamado, entende que a limitação incide nos municípios e nas funções. O PCP, que tenciona mudar dois ou três caciques alentejanos, entende que a limitação incide nos municípios e não nas funções. O CDS, uma fortaleza de convicção, entende que a limitação incide nos municípios e nas funções, excepto no caso de Lisboa. E o PS, que não viu interesse estratégico na transladação de candidatos, finge que o assunto não lhe diz respeito e pretende passar por exemplo ético.

Eis o perfeito retrato dos princípios que fundamenta o sistema partidário: com a lógica natural numa empresa, cada partido faz os cálculos, antecipa perdas e ganhos e decide de acordo com o respectivo interesse imediato, vendido aos simples sob o rótulo de "interesse nacional" e não, surpreendentemente, de Relatório & Contas. Resta apurar o número de simples que ainda engolem a patranha e confiam apaixonadamente nos partidos como nunca confiariam numa empresa. As eleições autárquicas serão um óptimo indicador e, suspeito, o péssimo sinal do costume.


Teste à amnésia

A estratégia não é complicada - dadas as cabecinhas que a conceberam, não podia ser. A ala "socrática" usou António Costa para apear António José Seguro, acusado de traição aos ideais que enfiaram o País na bancarrota. Inicialmente convencido de que o partido e o povo o desejavam com ardência, o dr. Costa ensaiou o avanço para a liderança. Posteriormente esclarecido de que o partido não o estima e o povo mal o conhece, o dr. Costa consumou uma retirada airosa e, sem surpresas, acabou acusado de cobardia. A ala "socrática" continuava sem um herói para recuperar o "seu" PS. Um belo dia, alguém propôs o próprio Sócrates e este, perito em despachar licenciaturas, voltará em Abril para desfilar sapiência na RTP. O dr. Seguro já afirmou que isto não põe em causa o seu posto, afinal uma confissão de que acha o contrário. Se funcionar, a estratégia mostrará que, além do PS, Portugal bateu no fundo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O santo justiceiro



Fazendo jus àquela observação de não me lembro quem, segundo o qual "Aos 20 anos, quem não é comunista não tem coração; aos 40 anos, quem é comunista não tem cabeça.", também eu, na minha juventude fui, não comunista mas "de esquerda". E Fidel Castro, não sendo o meu modelo, era, apesar de tudo, uma referência.

A célebre entrevista que ele deu, na Sierra Maestra, a um jornalista americano, nunca a vi, porém, até há pouco tempo, quando ela passou num canal de TV, a propósito do falecimento desse jornalista. O qual, aliás, revisitando Cuba passadas décadas, e revendo aqueles que ajudou involuntariamente a promover, se mostrou visivelmente constrangido.

E devo dizer que, se, na altura, eu tivesse tido acesso a essa entrevista, Castro jamais me teria enganado, ainda que jovem. E interrogo-me como foi possível que, a não ser por interesses inconfessáveis (de conveniência de "estratégia política" ou outros) ou por cegueira incurável, aquela postura de "pinta aldrabófilo", de charlatão arruaceiro, de chefe de gang de bairro, haja logrado ser entendida como a de um político e não como a de um mero aventureiro gingão, que após o triunfo, refinou hitlerianamente a sua imagem de orador até à máscara de estadista santificado pelo seu inacessível nível ideológico.

E como dizia o "super-homem nazi" (que não o de Nietzsche), quem tem por objectivo o homem de amanhã não está preso a qualquer ética. 

Vem isto a propósito do que aqui se noticia:


Documentos dos serviços secretos alemães que eram sigilosos até esta segunda-feira indicam que Fidel Castro tentou contratar ex-oficiais das SS para treinar o exército cubano.

A procura da experiência de ex-oficiais nazis deu-se durante o episódio que ficou conhecido como a crise dos mísseis de Cuba, um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, que aconteceu precisamente há 50 anos. Os soviéticos decidiram instalar mísseis nucleares em território cubano, levando a que os EUA bloqueassem a ilha por ar e terra e exigissem a retirada do armamento nuclear.

Segundo os documentos agora tornados públicos pela agência de serviços secretos alemã (oBundesnachrichtendienst, conhecido pela sigla BND), Fidel Castro procurou aliciar, em Outubro de 1962 e com recompensas financeiras avultadas, quatro antigos elementos das SS para treinar as forças cubanas, acabando dois destes por aceitar e desembarcar na ilha.

“Como pagamento foram oferecidos o equivalente a mil marcos alemães por mês, em moeda cubana, e mais mil marcos alemães por mês, na divisa desejada”, que seriam depositados numa conta num banco europeu, detalham os documentos, citados pela BBC. Este pagamento era quatro vezes superior ao salário médio alemão da altura.

“Obviamente, o exército revolucionário cubano não receava o contágio de ligações com pessoas de passado nazi, desde que isso servisse os seus próprios objectivos”, observou o responsável pela investigação histórica no BND, Bodo Hechelhammer, numa entrevista ao jornal alemão Die Welt.

Os documentos revelam ainda que o regime de Fidel Castro abordou intermediários ligados à extrema-direita alemã para comprar armas a comerciantes belgas, com o propósito de ter vias alternativas para equipar o exército cubano e não estar dependente apenas dos soviéticos.

Notícia corrigida às 9h54 de 17/10: corrigida a citação no penúltimo parágrafo, que anteriormente era “Obviamente, o exército revolucionário cubano não receava o contágio de ligações com pessoas de passado nazi, desde que isso servisse os seus próprios objectivos”.

sábado, 6 de outubro de 2012

Afirmações - 1




Mário Nogueira afirma que Nuno Crato "tem as mãos sujas".

Eu afirmo que Mário Nogueira é uma das enormes vergonhas deste país.

Eu afirmo que a FENPROF é uma das enormes vergonhas deste país.

Eu afirmo que a CGTP é uma das enormes vergonhas deste país.

Eu afirmo que, como cidadão deste país, tenho tanta vergonha de Mário Nogueira como tinha de Salazar.

Eu afirmo que, como cidadão deste país, tenho tanta vergonha da FENPROF como tinha de Salazar.

Eu afirmo que, como cidadão deste país, tenho tanta vergonha da CGTP como tinha de Salazar.