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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A MATURIDADE É UMA DÁDIVA DIVINA


Num comentário na caixa de comentários do post Histeria Anti-Semita (26 de Janeiro) de Paulo Porto, e a propósito do pai do grande filósofo holandês Baruch de Espinosa ter nascido na Vidigueira, perguntei à ML:

“Ia-lhe perguntar se conhece a anedota da Vidigueira mas arrependi-me. Sei por experiência, por ter levado muito safanão, que as mulheres normalmente não gostam de anedotas. Pela mesmíssima razão - parece totalmente absurdo mas não é - não jogam ténis nem futebol tão bem como os homens, salvo raras excepções. Excepções essas que por sinal têm características masculinas.”


Uma senhora Maria repostou: ”Ficou claro? As mulheres não gostam de anedotas porque não têm músculos fortes como os homens."
Respondi à senhora Maria: ”Não, mas porque são mais adultas. Mas esteja atenta ao FIEL porque vou dedicar-lhe muito brevemente um artigo sobre este tema.”

Resolvi dedicar agora este post às duas mulheres, à Maria e à ML, porque acho que as duas merecem uma explicação.

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É evidente que a diferença muscular é a razão principal pela qual uma rapariga normalmente não pode ganhar a um rapaz no ténis – mesmo que teoricamente tivessem ambos precisamente a mesma qualidade de jogo, a mesma técnica.

O rapaz bate a bola com mais força, os músculos das pernas permitem-lhe ser mais veloz e correr durante mais tempo. Até já ouvi um treinador de squash dizer que as raparigas são uma fracção de segundo mais lentas em movimentos rotativos (muito necessários em jogos como ténis, squash e futebol), por causa das ancas, que são mais largas nas mulheres...


Mas a analogia com as anedotas não tem nada de científico, é uma teoria muito minha baseada apenas em muitas horas de observação. Reside na abordagem demasiadamente séria (prática), lá está, mais adulta, que as raparigas têm do jogo.

Como diz a ML a “maturidade é uma dádiva divina”. Sim, mas é dada com mais frequência às raparigas, porque em termos de intelligent design é realmente uma dádiva divina, e para as mulheres, como mães e naturais protectoras da descendência, uma necessidade vital. Por outro lado, a maturidade também tem um lado chato, um lado que não favorece a imaginação, que não privilegia o homo ludens.

Por isso é que as raparigas, seja ténis, squash ou futebol não têm a propensão natural para o "malabarismo", para a finta, para o pontapé de bicicleta, para golpes de calcanhar, para bater a bola com a raquete entre as pernas. As raparigas logo de início têm uma maneira de jogar e de se movimentar no terreno e de abordar o jogo muito mais sóbria, mais madura...

Os rapazes, mais infantis, têm que ser constantemente corrigidos pelos treinadores, de outra forma não fariam outra coisa senão malabarismos. Mas essa propensão natural dos rapazes para a "brincadeira", que os treinadores tentam a todo custo travar para conseguir resultados práticos a curto prazo, é que faz com que os rapazes sejam dotados de uma técnica fora de comum que não se vê nas raparigas, mas sim no Pélé, Maradona, Guarrincha, Cristiano Ronaldo, John MacHenroe, Roger Federer e já agora, no Jahangir Khan.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

LOGO SÃO OS ÓSCARES

De há uns tempos a esta parte, sem que isso faça (aparentemente) muito mal, a sociedade em que vicejamos acentuou uma característica que vai sendo estruturadora de uma determinada concepção de mundo: a proliferação de prémios, de concursos, de galardões. Sempre, naturalmente, coroados com a entrega de umas quantias em dinheiro, para além de diplomas, certificados e medalhas, que muito agradam aos felizes contemplados e criam um esfuziante ambiente simultaneamente de boa disposição e seriedade gratificada/gratificante.

Em Portugal, tal como nos outros países em geral, tem sido uma delícia: os prémios literários e artísticos multiplicam-se, os concursos televisivos reproduzem-se, a emulação entre as partes envolvidas garante bons minutos de emoção num corropio de competitividade que, evidentemente, se torna típica e natural.
Tal como no Carnaval, ninguém leva a mal...

Isso concorre, naturalmente, para criar um determinado tipo de saudável mentalidade e, ao mesmo tempo, estabelece uma habituação à guisa do famoso cão de Pavlov: e é ver-se que a salivação dos vates, dos artistas, dos talentos à compita, se dá pacificamente, pois se acha tudo lógico, muito natural e sem qualquer gato escondido com a venera de fora.

Mas deixemos isso, que para chatices já bastam as propiciadas pelos que nos tratam do dia-a-dia (e não me estou a referir, garanto, ao meu arqui-adversário, o Engenheiro, a quem aliás reconheço grandeza de alma).

Também eu, para não parecer desmancha prazeres, arranjei um concursozito. E como sou de meu natural folgazão e muito ocidentalizado, articulei os tais quatro cenários – sem ostensividade subversiva como os mais atentos notaram e os mais marotos quiseram empandeirar... Mas sem o conseguirem, claro, pois se tratava como disse de cenários cinematográficos evidentes!
Quem não notou que a quarta estorinha se referia à primeira versão de “O fugitivo”? E a terceira à versão original de “O principe da cidade”? E a segunda ao excelente “Antes da meia-noite”, com o grande Georges Rivière?

E agora vamos à primeira, em que um dos fiéis inimigos acertou (por acaso?): eu disse que correspondia a um facto real e...era verdade (contra o que é meu hábito, não menti!). Foi um facto sucedido mesmo e apresentado entre nós, os previlegiados que dispõem de TV cabo, na “Zone Reality”. Deu-se há uns anos numa cidedezinha do Maine.

O truque, como os menos distraídos logo notaram, residia em se simular que podiam ter sucedido entre nós, neste ridente país onde felizmente, devido aos esforços de quem tutela a segurança nacional e os bons costumes, coisas daquelas não acontecem, para bem do nosso amantíssimo coração benevolente.

Algo me diz que, num futuro longínquo, poderá haver aqui outro concurso, como este pejado de êxito.
Tudo dependerá, é claro, dos nossos patrocinadores...ou se até lá eu não fôr arrecadado!
Lagarto, lagarto...!

PS - E agora a derradeira má notícia: o elegante balde de plástico que substituíra o jipão e podia servir como sucedâneo da taça que o Benfica parece ir ganhar no final do Campeonato, foi-me surripiado da garagem onde o escondera prudentemente no meio de cobertores velhos e coisas assim. Fiquei consternado e irritado.
Que diabo, por vezes chego a pensar que, cá, a segurança já não é o que era!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Parabéns Obama

Reconheço que nunca fui grande adepto do Obama. O facto de vir da esquerda baixa, de ter cultivado amizades perigosas , entre as quais um reverendo racista e paranóico  e um terrorista encartado de extrema-esquerda, despertaram logo a minha antipatia e temi que viesse aí um Francisco Louçã  com mais melanina, apoderar-se dos destinos do país mais poderoso do mundo.
A sua extraordinária oratória e os seus dotes encantatórios, motivaram o meu velho reflexo pavloviano de fincar os pés e não ir com a manada. Nunca gostei de multidões babadas e em transe místico, fazem-me lembrar os comícios do PCP, os terreiros de candomble, as assembleias da IURD, os Superdragões, as manifestações da extrema-esquerda e da rua islâmica e as ratazanas de Hamelin, a dançar ao toque do flautista.

Até ver, parece que me enganei, o que me deixa razoavelmente satisfeito...afinal Obama tem estado a  agir com  um pragmatismo e uma cautela notáveis o que, para mim, significa que podemos estar na presença de um indivíduo cerebral e inteligente, a milhas dos fumos ideológicos que apodrecem as cabeças de muitos daqueles que se babam e se urinam na sua presença.

As suas primeiras medidas em matéria ambiental  revelam uma eficácia absolutamente fantástica. Tem estado um frio do caraças, na Europa, na América e em quase todo o Hemisfério Norte. Não sei o que Barack Obama terá feito, desconheço as medidas em concreto, mas nesta matéria a mudança é visível.
O aquecimento global cessou completamente, graças a  Barack Obama.

domingo, 24 de agosto de 2008

Medalhas e júris

Em tempos pratiquei esgrima. Não por gosto, mas porque era uma actividade curricular, cuja avaliação se fazia na performance em campeonatos anuais.
Na altura havia duas modalidades obrigatórias: o sabre e a espada.
Eu obtive uma razoavelmente boa avaliação em espada e medíocre em sabre apesar de, em combates, ter arrochado valentes bordoadas em adversários que depois me “ganharam”.
Qual a diferença?
É que na espada só se usa a ponta e no sabre usa-se também o gume. A espada tinha um sistema eléctrico que acendia uma luz quando se tocava no adversário, pelo que o resultado era objectivo.
No sabre não existia tal sistema e a decisão do combate resultava do palavreado do árbitro e dos acenos e cabeça dos juízes.
Muitas vezes me aconteceu ter sido eu “tocado”, ao invés do adversário, porque o árbitro achava que era uma “continuação de ataque sobre a parada e bla-bla-bla”.
Na altura ganhei aversão aos desportos em que um juiz decidia o resultado.
Vem isto a propósito das medalhas chinesas nos Jogos Olímpicos. Quem faça a contabilidade facilmente verificará que uma extraordinária porção das medalhas chinesas foi obtida em desportos cujo resultado é decidido por um júri: ginástica, saltos para a água, etc. Há até casos escandalosos, como o daquele ginasta que aterrou de joelhos e mesmo assim abichou a medalha de bronze.
Pela minha parte não tenho grandes dúvidas sobre o enviesamento de muitas das classificações de júri em favor dos atletas chineses.
Isto para não falar da idade de algumas ginastas.
Mas enfim, a China parece ter acordado para o desporto como escaparate do regime, seguindo as pisadas firmes da ex-RDA, de Cuba, etc.
Bom proveito e votos de igual sucesso.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Michael Phelps... x 8


O anti-Americanismo convulso chega a níveis estratosféricos. O mais recente alvo é Michael Phelps, vencedor de oito medalhas de ouro em Pequim (com 7 recordes mundiais e 1 recorde olímpico).

O atleta Norte-Americano bateu o anterior recorde do seu compatriota Mark Spitz que, em Munique (1972), tinha conquistado sete medalhas de ouro.

Por entre as desconfianças de todo o Mundo (em especial da Europa), Michael Phelps responde: "Sou um rapaz normal: gosto de pizzas e de hamburgueres". É o American way of life...

Em vários sites de informação nacional (Público, Record, entre outros) e internacionais, alguns adeptos de Chávez, do Hamas, da Al-Qaeda e fervorosos críticos dos malditos capitalistas que compram atletas aos países mais pobres, lançam teorias sobre o sucesso de Phelps. "É o doping"; "É a profundidade da água"; "É o fato especial feito em Portugal"; "São os júris e os árbitros".

A margem disto tudo, Michael Phelps cumpriu todos os seus objectivos. Em Londres 2012, vai alcançar o feito de ser o atleta mais medalhado de sempre nos Jogos Olímpicos. Mais sapos se engolirão, certamente.

Ainda há quem se vá entretendo a fazer contas, dizendo que todos os países da União Europeia têm mais medalhas que os Estados Unidos da América. Não admira: os Estados Unidos têm limitações iguais às de um mero país Europeu como Portugal quando leva a sua delegação e, como tal, a União Europeia pode levar 27 vezes mais atletas que os Estados Unidos. Para além disso, convém não esquecer que quando um Alemão ganha a medalha de ouro não ouve a 9ª sinfonia de Ludwig Van Beethoven mas sim a Das Lied der Deutschen (A canção dos Alemães) porque a União Europeia não é um país!

Os Estados Unidos da América são a maior delegação. São o país com mais medalhas nestes Jogos (até agora), pese embora a China tenha mais medalhas de ouro.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

FUTEBOL DEVIA SER O NOSSO IDEAL...


Sei muito bem que este texto está fora de horas. O Cristiano Ronaldo já foi operado, Wimbledon já terminou (e de que maneira!) e o Tour está a decorrer. Mas como já o tinha traduzido achei uma pena deitar fora e não publicar.

É da autoria de Ashin Ellian, um intelectual persa e professor de filosofia na universidade de Leiden. Quão diferente é esta sua visão sobre futebol da do nosso ex-seleccionador nacional, com as suas súplicas debalde à Virgem e orações em conjunto no balneário…

Que raio de jogo é este? Porque razão tanta gente, em todas as partes do mundo, se deixa emocionar pelo futebol? Que emoções provoca? Que condições cria nas relações entre pessoas?

Sou um amante de futebol. Antes mesmo de saber onde se situava a Holanda já eu gostava de futebol. Nesse tempo eu sabia quem era o Cruijff, mas não sabia precisamente onde ficava a Holanda. O eu no Irão torcer pela Argentina era a coisa mais natural deste mundo. Pessoalmente vejo nisto uma forma de cosmopolitismo sem o factor língua. Não precisava de saber espanhol ou neerlandês para entender os sentimentos do capitão argentino Mário Kempes ou do jogador holandês Johnny Rep. Porque razão ainda não me esqueci deste facto? Porque, para mim, este campeonato do mundo de 1978 foi o último que vi em paz, antes de rebentar a revolução de Khomeini.

Mas futebol vai além do simples cosmopolitismo. Futebol não é uma nova religião. Na realidade futebol tem uma forma de coesão e de fraternidade que a religião já não é capaz de despertar. Isto é pelo menos válido no que diz respeito à cristandade. O jogo une as pessoas e, apesar de futebol ser algo técnico, continua a ser um mistério. A sorte e a fatalidade têm um papel preponderante. Futebol enaltece e humilha. É fraternidade sem Deus.

Tão pouco é o ser humano o paradigma. Não podemos esquecer a bola. Não é a vontade mas sim uma combinação de acontecimentos o ponto fulcral. Visto que todas as nações que jogam futebol querem alguma vez obter a vitória - ser campeãs. Mas a bola, essa coisa misteriosa, não a concede a toda a gente. Ninguém, até mesmo o grande Cruijff, é capaz de nos dizer quando e como um país se pode tornar campeão. Tudo isto me lembra uma tragédia grega, mas numa versão moderna: uma tragédia sem derrame de sangue. O vencedor de hoje pode ser o derrotado de amanhã.

Futebol une as pessoas. Por exemplo, a selecção holandesa é, como a própria sociedade, uma comunidade multirracial e pluriforme. Hengelaar é originário do Suriname, Afellay e Boulahrouz são de origem marroquina. Será que eles falam sobre este assunto? Não. Têm actividades relacionadas com as suas origens religiosas ou culturais? Não. São positivamente discriminados? Não. São vistos como exemplos oriundos de bairros problemáticos? Não. São subsidiados pelo Estado Providência? Não, não e não. Pura e simplesmente jogam bem à bola e conhecem as regras do jogo.

As regras do futebol não são baseadas na Sharia nem na cultura marroquina, nem tão pouco numa ou outra tradição do Suriname. As regras são universais e culturalmente e religiosamente neutrais. Os árbitros têm um uniforme e falam a linguagem futebolística. Não usam um lenço na cabeça, um solidéu na nuca, ou uma cruz ao peito. Apenas fazem cumprir as regras. Alguma vez Boulahrouz pediu ao seleccionador Van Basten se pode rezar por volta das 12 horas? Ou alguma vez exigiu um local de oração? Não, nunca o fez.

É holandês e um excelente jogador. Luta como um herói pela sua cor: Laranja. Religião é um assunto privado. A neutralidade do treinador, das regras e do equipamento faz com que pessoas de origens diferentes formem um grupo, um grupo capaz de suportar mesmo a tragédia. E por último, mas não o factor menos importante, temos o espectador. Também ele é neutral. O espectador vibra e chora com a equipa e não vê cores, origens ou religiões. Isto devia ser o nosso ideal. Um estado neutral com regras neutrais que faculta oportunidades a toda a gente.

domingo, 15 de junho de 2008

FUßBALL ÜBER ALLES...


O hino alemão, Das Lied der Deutschen é, apesar de ‘censurado’, na minha MODESTA opinião o hino mais bonito que se houve em campos de futebol. Um belo poema patriótico, que sem ser obrigatoriamente patrioteiro, é apoiado numa fantástica melodia que coloca os jogadores alemães a ganhar 2-0 antes mesmo do pontapé de saída.

Não é de estranhar, tudo o que os alemães fazem leva o carimbo: Deutsche Grundlichkeit (precisão/solidez). Assim também o hino, que é da autoria do escritor alemão August Heinrich Hoffmann e foi escrito em 1841 quando este morria de saudades na ilha Helgoland, ocupada na altura pelos ingleses e é utilizado pela Alemanha Federal desde 1922. A melodia, bem mais antiga que as palavras, é de uma canção de Joseph Haydn de 1797 Gott erhalte Franz dem Kaiser e era até 1918 ouvida na Áustria como ‘o hino do imperador’.

Da letra só se ouve actualmente nas cerimónias oficiais a bastante neutral terceira estrofe, apesar de nenhuma delas ser proibida, ao contrário do que por vezes é insinuado. Além disso não está oficialmente assente em nenhuma lei o estatuto da Deutschlandlied como hino nacional alemão, há apenas uma carta de 1991 entre o Presidente e o Chanceler da Alemanha em que se designa a terceira estrofe como hino nacional.
A normalmente ouvida terceira estrofe:

Einigkeit und Recht und Freiheit
Für das deutsche Vaterland!
Danach lasst uns alle strebe
Brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
Sind des Glückes Unterpfand:
blüh’ im Glanze dieses Glückes,
Blühe, deutsches Vaterland!

---//---

Unidade e Justiça e Liberdade
para a Pátria Alemã!
Procuremos juntos
alcançá-las de alma e coração!
Unidade e Justiça e Liberdade
são o penhor da felicidade.
Floresce, no esplendor desta felicidade,
Floresce, ó Pátria Alemã!


Porque a primeira, com o 'Alemanha acima de tudo',

Deutschland, Deutschland über alles
über alles in der Welt,
wenn es stets zu Schutz und
Trutze brüderlich zusammenhält.
Von der Maas bis an die Memel,
Von der Etsch bis an den Belt,
Deutschland, Deutschland über alles
über alles in der Welt,

---//---

Alemanha, Alemanha acima de tudo,
acima de tudo no mundo,
quando sempre, na defesa e na sua protecção,
se mostra unida como irmãos.
Do [rio] Mosa até ao Memel,
Do [rio] Etsch até ao Belt,
Alemanha, Alemanha, acima de tudo,
acima de tudo no mundo!

tornou-se anacrónica, mas sobretudo politicamente problemática, depois da desintegração da Alemanha no seguimento da primeira e da segunda Grande Guerra. Os países vizinhos poderiam insurgir-se contra um hino que parece querer fixar as fronteiras do seu país muito além das fronteiras actuais: No território da Holanda, da Áustria, da Itália, da Polónia, da Rússia, da Dinamarca ou da Lituânia.

O rio Memel corre com o nome de Nojman na Bielorrússia, e como Nemunas na Lituânia, e era a fronteira noroeste da Prússia. O rio Etsch corre no norte da Itália e lá chama-se Adige, e era a fronteira sul do Tirol do Sul. Com o Belt querem dizer o Fehmarn Belt, o estreito de mar que faz fronteira entre a Dinamarca e a Alemanha.

As palavras Deutschland über alles (Alemanha acima de tudo) são geralmente mal compreendidas, vê-se nisso um apelo para dominar outros povos, e é evidente que os Nacional-Socialistas promulgavam precisamente esta interpretação com a sua política do 'espaço vital' (Lebensraum), no entanto, na origem, estas palavras tinham um significado bem diferente. Eram um apelo a todos os alemães para que a identidade alemã prevalecesse acima das quezílias regionais, acima das lealdades individuais e mesquinhas dos inúmeros condados. Precisamente como a Europa neste momento.

Para quando uma Europa über alles?

domingo, 8 de junho de 2008

NOSSA SENHORA 2 – ALÁ 0

Bem, já nos safámos desta. E não jogamos muito mal, pelo menos jogamos melhor que nos jogos de apuramento… E só para chatear os PNR’s os melhores jogadores em campo foram sem dúvida Pepe e Bosingwa. O melhor do mundo não jogou mal, mas não foi o melhor do mundo. O Deco parecia que estava c’os copos e por causa dele bebi na segunda parte 7 cálices de cachaça (não tinha outra coisa em casa) para aguentar os nervos – cabrão. O Moutinho está cada vez melhor e vai um dia destes meter um golo com um remate de fora da área, reed my lips.

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É dia de futebol na Associação Portuguesa de Amesterdão (APA) numa bela final de tarde de Agosto de 2006. O salão nobre da associação encontra-se completamente cheio com cadeiras dobráveis em fila viradas para o palco onde está instalado um enorme ecrã. O jogo Portugal-Inglaterra para o campeonato do mundo de futebol de 2006 iria ser daqui a pouco transmitido em directo na TV-Internacional.

Rapidamente as pessoas passaram do bar para o salão e as cadeiras foram rapidamente ocupadas. Quem chegou um pouco mais tarde ficou de pé, contra as paredes laterais do salão.

A irremediável mas agradável barulheira que normalmente existe quando se assiste a um jogo de futebol numa associação recreativa era desta vez bastante deteriorada por tambores, mas sobretudo por um instrumento demoníaco: A BUZINA A GÁS!!!
A utilização da dita num estádio de futebol, ao ar livre, é já uma fonte de desespero para quem realmente gosta de futebol, agora imagine-se o insuportável cagaçal que produz no interior das quatro paredes de uma associação…

Como odeio este ruído. Ainda por cima este execrável basqueiro lembra-me sempre desportos inferiores, de sala: voleiboles, basqueteboles ou andeboles. Enfim, um ruído insuportavelmente provinciano.

Na altura de cantar o hino nacional, e precisamente como os jogadores na TV, toda a gente se colocou religiosamente em sentido. Verdadeiramente TODA A GENTE. Os homens foram os primeiros a levantar o cu da cadeira. As esposas foram um pouco mais lentas neste dever patriótico porque, como de costume, é a elas que incumbe outro dever, o de segurar a filharada que em mil malabarismos queria a todo o custo ficar de pé em cima das cadeiras dobráveis.

O ambiente era tão patrioticamente ameaçador que até as amigas e esposas holandesas presentes se sentiam na obrigação de se colocarem em sentido, até a minha mulher… Duas filas atrás de mim reparei na luta interna que o meu amigo de esquerda, o João Paulo, travava para não sucumbir ao nacionalismo exacerbado: deixo-me estar sentado ou levanto-me, como toda a gente? Cedeu à pressão e resolveu ficar de pé – as massas venceram.

Isto deixou de ser um encontro informal entre portugueses, para se transformar numa manifestação de saudade misturada com muito patriotismo e heróis do mar…. Não sei o que me deu na telha, mas também quis ser herói. Deixei-me estar sentado e tenho a certeza que fui o único. Não me chateia nada cantar A Portuguesa de peito inchado, até me acontece lacrimejar ao fazê-lo, mas não alinho quando se trata de uma obrigação. A minha atitude ‘déviante’ não iria ter consequências negativas para o seguimento de uma agradável noite na APA. Portugal ganhou, o Rui Costa meteu um golaço e o Beckham falhou um penálti. Não fossem as putas das buzinas e a noite teria sido perfeita…

Passados alguns minutos o Figo cabeceia a bola para dentro da baliza inglesa, a APA explode: GOOOOOOOOLOOOO! As gargantas, os tambores, as buzinas, tudo junto numa sinfonia infernal. Toda a gente de pé, eu também! As crianças, que também querem ver, encontram-se outra vez a baloiçar perigosamente com os pés encima das cadeiras dobráveis obrigando as mães, mais uma vez, a dividirem a sua atenção entre o ecrã e as crianças que correm o risco de caírem.

Um português que estava ao meu lado, e que eu nunca tinha visto mais gordo na vida, grita GOOOOOOLOOOO ao mesmo tempo que me abraça efusivamente. Perplexo, respondo o mais espontaneamente possível ao abraço com um GOLO mais tímido. A minha falta de patriotismo de circunstância de há pouco já tinha sido pelos vistos esquecida. Eu e o meu compatriota ainda não nos tínhamos inteiramente desligado do nosso abraço quando das filas mais próximas do ecrã ouço alguém gritar: É PÁ, FODA-SE, É FORA DE JOGO…

Não consegui ver a repetição do lance, aliás, do jogo só vi de vez em quando uns fragmentos entre cabeças e ombros. A voz do comentador perdia-se entre os decibéis das buzinas e dos tambores. Mas com um público tão expressivo quem é que precisa de um comentador?
De repente apercebi-me que as pessoas reagiam aquilo que viam no ecrã como se tivessem fisicamente presentes no estádio, como se o árbitro ou os jogadores pudessem realmente ouvir todas as suas imprecações ou os seus conselhos! Vi nisto uma leve semelhança com as minhas primeiras idas ao Cineteatro de Gaia (três escudos na geral). No meu tempo de criança também o público vivia os filmes como se estivessem fisicamente presentes no Far West. Cada soco que o artista dava no artista-dos-bandidos era acolhido com palmas, como num circo ou num espectáculo ao vivo. Era costume do público avisar o artista sempre que o artista-dos-bandidos pérfidamente o esperava escondido atrás de uma porta ou de uma árvore.

Não há nada como uma pequena dose de imaginação para levar-mos a nossa cruz ao calvário…

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Atletismo, capitalismo, catecismo e meltingpotismo.

Num post anterior (escola Racista) o meu colega de redacção Range-o-dente afirmou, penso eu metaforicamente, que 'não acredita na existência de raças'. Mas por enquanto as raças existem e têm características bem determinadas. Ele próprio, no mesmo post faz referência a uma destas características: 'determinadas células que, sendo exactamente iguais às minhas, se entretêm a pintar e a escurecer a pele com muito mais intensidade do que as minhas células seriam capazes.'

Mas as células
não são exactamente iguais, uma pele mais escura tem mais pigmentação. E tem por isso 25 vezes mais resistência aos ultras-violetas. E menos risco de apanhar cancro. Tem uma desvantagem. Produz menos vitamina D. Sobretudo quando pessoas com este tipo de pele, por uma razão ou outra, vivem num país onde há poucos dias de sol, como na Holanda. Isto é por exemplo pouco conveniente para mulheres muçulmanas, que passam o dia fechadas em casa. E as poucas vezes que saem à rua, chova ou faça sol, estão cobertas dos pés à cabeça! Um recente estudo do Medisch Centrum Amersfoort detectou uma grave falta de vitamina D nas mulheres estrangeiras, particularmente em 55% das marroquinas e turcas.

Além disso, as raças têm diferenças hereditárias que se manifestam de maneiras diferentes: na estatura física, na forma da cabeça ou do rosto, comprimento dos músculos, cor ou tipo de cabelo, resistência ao álcool e eu sei lá que mais... Mas mesmo no seio da raça negróide (para citar só uma delas) há diferenças espectaculares. Um exemplo que salta à vista é a distribuição geográfica das performances desportivas dos atletas africanos em atletismo.

A África ocidental é predominantemente um viveiro de sprinters. Verifica-se precisamente a mesma especialização por exemplo nos Estados Unidos. Onde os atletas afro-americanos, descendentes de escravos oriundos da costa ocidental de África, são formidáveis atletas, mas apenas dos 100 aos 400 metros!

Ao contrário, a África oriental, é o terreno exclusivo dos corredores de fundo. Dotados de uma morfologia completamente diferente dos primeiros, mais leves, menos corpulentos e músculos longos. Não conseguem correr 100 metros em 10 segundos, como o nosso Francis Obikwelu, mas são excelentes nos 5000 e 10.000 metros, e maratona.

Mas é evidente que estas características de raça não são irrevogáveis, e vão mesmo perder-se para grande tristeza dos amantes de atletismo, mas para grande alegria da maioria dos africanos. Porque o progresso, ou seja o capitalismo, que é quase a mesma coisa, vai, mais dia menos dia, acabar por resolver os actuais problemas de alimentação. E vai também construir estradas de Tunis ao Cabo da Boa Esperança e dotar cada africano de pelo menos um autómovel de tração às quatro rodas, e um par de óculos de sol. O que vai permitir aos pais africanos de levar os seus filhos à escola de carro coitadinhos que se podem cansar. Como já acontece em Portugal em larga escala. Porque os filhos, agora, anafados de comer junk food e de passar os dias deitados num sofá a jogar play-station, já não vão conseguir dar um passo. Precisamente como as nossas crianças.

E como gordura, assim como em Portugal, também em África é formosura, ou seja, um símbolo de estatuto. O desporto, deixando de ser funcional, vai ser nas escolas gradualmente substituído pelo catecismo (e pelo alcorão). Assim como em Portugal.

Portugal, que do ponto de vista desportivo, bem ao contrário de África, não tem grande coisa a perder, uma alteração da constituição da raça seria mesmo muito bem vinda. E aproveito já para fazer um apelo às mulheres portuguesas para se deixarem de merdas e, em vez de passar o tempo a ver telenovelas imbecis ou a levar os meninos de carro à escola, podiam mas'é dar umas quecas com indivíduos de cor. De preferência belos exemplares do tipo Francis Obikwelu. Gozavam que nem umas pretas e mais rapidamente as diferenças de raças se dissipariam. Uma excelente contribuição para o rejuvenescimento e para o imprescindível crescimento demográfico da nação. Por outro lado, acabava-se a diversidade, o racismo, as escolas exclusivas, fortificava-se ao mesmo tempo a raça e daqui por uns anos ainda ganhávamos umas medalhitas nos jogos olímpicos.