As primárias republicanas nos EUA estão adiantadas e Romney deverá ser o escolhido para ir a votos com Obama em novembro.
Assim mesmo, é bem possível que Ron Paul decida concorrer às presidenciais como candidato independente. Ron Paul é perseverante, tem um pensamento político sólido e tem somado aderentes à esquerda e à direita.
Uma eventual eleição de Ron Paul teria a inestimável vantagem de iniciar a saída dos EUA de permanente endividamento e a interrupção das sessões contínuas da impressão daquele tipo especial de papel a que chamamos dinheiro.
Já no que respeita à política externa, o homem é um pacifista, logo, é tão perigoso como células T que decidem ser amigas das outras todas.
O discurso pacifista de Paul assenta em dois pilares:
-se nos comportarmos bem com os outros, os outros também se vão comportar bem connosco;
-a visão que os outros têm do mundo é igual à nossa.
Numa frase, “Se eu não andar a assaltar casas, de certeza que também ninguém vai assaltar a minha casa.”.
Para ilustrar a ingenuidade, ou outra coisa, de Paul, leia-se este pequeno extrato, já com alguns anos, mas que reflete bem o pensamento de sempre de Paul sobre o assunto: “
Os cartagineses estavam convencidos de que poderiam viver em paz e prosperar a par dos povos vizinhos em resultado dos benefícios mútuos que o estabelecimento de feitorias no Mediterrâneo trazia a todos. Sendo uma civilização essencialmente marítima e comercial, o poder estava pouco estruturado, era descentralizado, e em tempo de paz tinha um exército fraco. Em tempo de guerra conseguia reunir os meios para ter um exército forte, ainda que essencialmente composto por mercenários.
Roma era em tudo o oposto de Cartago. A prosperidade de Roma baseava-se na conquista e submissão dos vizinhos. Com os tributos cobrados, Roma sustentava um exército forte e bem treinado a todo o tempo. Por inveja ou não, Roma não podia tolerar um rival cuja prosperidade assentava no bom trato com os povos onde estabelecia colónias, rigorosamente o contrário do que faziam os romanos.
Roma submeteu militarmente Cartago por duas vezes, e por duas vezes Cartago retomou a sua soberania e prosperidade. À terceira, Roma destruiu Cartago para sempre. Não restaram sequer os documentos que permitiriam conhecer hoje a visão cartaginesa de um conflito que durou mais de um século.
É, tanto quanto me lembro, o discurso mais labrego que alguma vez ouvi na vida. A marmela nada sabe do passado, nada sabe do presente e pretende desenhar o futuro.
Tivesse ouvido atentamente o sábio da enxada e tivesse sido capaz de o perceber, e nunca teria sido 'vítima' de 5 estágios.
É um discurso que encaixa que nem uma luva em proclamações de tirano. Salazar, tirano branca-de-neve, sorriria com vénia de ámen.
Em particular aos candidatos a um trabalho, aconselha-se a leitura atenta deste discurso por forma a evitar qualquer um dos seus estribilhos.
Aqui fica, por escrito, para memória futura, o discurso de Raquel Freire.
Eu acho que se pudermos falar dos países árabes do efeito da revolução árabe neste momento podemos falar num efeito positivo, ou seja, há um exemplo que vem de outros sítios e que vem de sítios onde a democracia não existe no seu mais básico, na liberdade de expressão, não há liberdade sequer, são ditaduras, etc, e onde esta geração, se tu quiseres, que vai dos 20, aos 30, aos 40, que já teve algum acesso a uma educação, sobretudo à informação, começou, utilizando as redes sociais, a revoltar-se. E esse exemplo é um exemplo admirável. É um exemplo que está a contaminar todos os países à sua volta. Nesse ponto de vista temos tudo em comum, ou seja, há uma geração também, como há nos países árabes, que pela primeira vez estudou, é mais culta, teve mais acesso à informação, teve acesso a coisas pelas quais os seus pais lutaram muito, e isso faz com que haja esse efeito de contaminação, sem dúvida, como, com certeza, qualquer coisa boa, se tu pensares tem efeito de contaminação positivo.
Este é um protesto, e era isso que eu te ia dizer, há uma coisa que nós temos em comum, com os países árabes se tu quiseres, é que nos foi vendido um modelo de democracia que não é uma democracia plena, ou seja, nós não temos uma democracia no trabalho […] qual é que é a base disto tudo? Nós vivemos numa sociedade, temos um contracto social, nós cidadãos, o estado, as entidades provadas, e temos regras que organizam a nossa vida em comum. O que é que se está a passar neste momento? É que esses números todos que tu disseste, que são, basicamente, 2000000 de pessoas que estão muna situação precária ou desempregados, portanto metade da população activa portuguesa, não consegue viver do seu trabalho e não conseguem ter o contracto que é devido a funções permanentes como as que desempenha. É só isso, ou seja, desempenha funções que, realmente, mereciam ter um contracto e uma série de direitos sociais que estão ligados a esse contracto, e não conseguem, não conseguem viver disso. Porque há coisas que são muito importantes e de que não nos podemos esquecer, é que nós somos o país da europa em que há mais desigualdade de rendimentos entre quem tem mais e quem tem menos, e, apesar disto tudo, os bancos, em plena crise, têm lucros recordes. Portanto, as relações laborais devem ser reguladas por lei, existem, e os contractos existem para protecção da parte mais fraca, que é o trabalhador individual perante o patrão que, em si, tem o poder, e este acesso à protecção social, aos contractos legais, à reforma, ao subsídio de doença, indemnização por despedimento, subsídio de desemprego, são coisas que fazem parte da economia, são direitos fundamentais. Portanto não estamos a falar de absolutamente extraordinário. Estamos a falar de muitas e muitas pessoas que tendo estudado, enfermeiras, tendo estudado ou não, porque acho que aqui é muito importante, há pessoas que chegaram até um certo nível de estudo, outras [umas?] mais outras mais [menos?], e o ideal é conseguirmos todas chegar. Aqui, quando falamos de geração, mais bem preparada, é uma geração que beneficiou da luta e do esforço de todas as gerações anteriores.
Esta manifestação surgiu, e daí eu penso também ser tão importante, se quiseres, esta metáfora com os países árabes, porque tem a ver exactamente com isto, surge através das redes sociais e através dos cidadãos. É uma manifestação dos cidadãos e é uma manifestação que surge, que não tem partidos políticos por trás, não tem centrais sindicais por trás, não é qualquer movimento que não possa surgir apoiado em bases diferentes, mas o importante é que a democracia não e só votar de 4 em 4 anos, ou de 5 em 5, o importante é a democracia ser exercida pelos cidadãos, nós todos e todas. E nós todos e todas quando sentimos que há uma parte da nossa vida, neste caso é o trabalho e as relações laborais onde a democracia não se está a exercer, nesse caso é importante nós cidadãos sermos capazes de dizer ao poder, isto não pode ser, e é preciso diálogo. E é isso, basicamente, que nós propomos. Nós propomos um diálogo aberto com os empregadores, com o estado, com as centrais sindicais, com estes 2000000 de precários e de desempregados … quase 2000000 de trabalhadores que estão em condições que não são de um país democrático, que trabalham sempre com a ameaça na cabeça: o é isto ou é nada. Ou trabalhas por 400€ num cal center ou nada. E não podes estar doente, e não podes ter filhos, e não podes sequer pensar que talvez possas construir uma vida … a coisa mais básica, não estamos a falar em construir uma vida em casal, por exemplo. Estamos a falar no direito a ter uma família, a ter uma casa. Como é que é possível com colegas da minha idade, com 37 anos, que acumularam 5 estágios sem serem pagos, não é possível. E se tu imaginares toda uma geração que não consegue planear uma vida, eu acho que é fácil perceber que isto é hipotecar o futuro. Sem reformas justas para aqueles que trabalham tás a desperdiçar os recursos e as competências que podem levar o país a um progresso económico e por outro lado estás a insultar todo o passado, porque todas as gerações anteriores que trabalharam para que nós possamos ter acesso á educação pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais, pela nossa liberdade, porque é também de liberdade que estamos a falar, são frustradas. Estás a desperdiçar décadas de esforço, de investimento e de dedicação. Portanto eu acho que é de louvar que as pessoas tenham a coragem, enquanto cidadãos, de organizar estes movimentos que não têm, como te digo, partidos por trás, nem organizações políticas, não são der todo anti-partidários, são apartidários, apartidários quer dizer que estão abertos a todos a todos os partidos democráticos bem como àqueles que não têm qualquer preferência partidária, desde que se respeite o princípio pacífico, todos os cidadãos podem e devem participar, e é só disso que se trata, é de passarmos a exercer, nós, a cidadania com nossas mãos e de dizer ao poder, nós precisamos de uma base de diálogo, como se fez em Espanha, nós precisamos de uma base de concertação social, nós temos que ser ouvidos porque nós somos também o futuro deste país.
Era um povo [de Glória do Ribatejo] rodeado de crenças estranhas como o de festejarem o Natal, no dia 26 de Dezembro, e como estavam muito isolados, eram todos primos uns dos outros, porque não sabiam dos perigos dos casamentos entre primos, o que desde há muitos anos, fez gerar pessoas com muitos defeitos físicos e psicológicos.
Mais tarde, alguns partidos políticos aproveitaram estes factos, para investir contra a presença naquela zona, de potentes emissores de rádio, da RARET, para tentarem justificar, as doenças estranhas que lá existiam desde há centenas de anos...
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Nessa época, 1951, só se recebia e emitia durante algumas horas de cada dia. Foi um trabalho um tanto difícil para o pessoal operador da recepção, porque a Rússia também cá nos chegava e até, como chegava muito mais fortes, eram mais fáceis de sintonizar, pelo que o Sr. Pasqualino logo nos advertia de que estávamos numa frequência errada... a Rússia! Felizmente que ele ali estava atento, pois para o português médio, a fala russa é mais ou menos como as dos países de leste e, se não fosse a sua ajuda, certamente que iríamos retransmitir não a Rádio Europa Livre, mas sim os noticiários e propaganda russos...Seria, o que se pode chamar de "uma grande bronca"!
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Nos Estúdios de Lisboa, foi lá empregada como tradutora, uma senhora checa, de nome Olga, que era muito bonita e dava a volta à cabeça da jovem rapaziada...mas não falava uma palavra de português.
Certo dia ela desejou saber como se dizia em português, "Feliz Natal e Ano Novo". Um dos operadores muito malandro, logo a ensinou cuidadosamente a dizer o que ela desejava, mas como "Vá para o diabo que o carregue"...
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Para tentarem dar a volta ao problema, os russos "despejaram" milhares de emissores de baixa potência, em imensas cidades, "gemendo" ruído sobre as frequências irradiadas pelo nosso Centro Emissor da Glória, mas sempre havia alguém que conseguia ouvir.
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Só um emissor de 500 KW, com 20 dB’s de antena, irradiavam 50 MW! !!!! A poucas centenas de metros das antenas, passava a estrada nacional e alguns automóveis dotados de computadores electrónicos de bordo, como são hoje quase todos, ficavam muito admirados e intrigados, por verem os limpa-brisas a funcionar automaticamente... por ainda não possuírem filtros apropriados.
En el siglo VII entraron los musulmanes. Eran kurdos y beduinos. Nada de palestinos. Al Filistin, nombre evidentemente derivado de Philistia, dependió primero del Califato de Bagdad y después del de Damasco. Llegaron los cruzados. Masacraron judíos, kurdos y algunos cristianos maronitas (por sus vestimentas, fueron confundidos con musulmanes), pero no encontraron palestinos. (…) : ¿dónde estaban los palestinos?En 1517, los turcos otomanos ocupan la zona. En un censo que efectuaron aparecen setenta comunidades judías, treinta y cinco comunidades cristianas y varias tribus beduinas –en el sur–, sin contar a los habitantes de las ciudades, árabes que provenían de todas las provincias del imperio, comerciaban un tiempo y volvían a sus países de origen. ¿Y los palestinos?.. Bien, gracias.
En 1917 Inglaterra ocupa el país. (Qué monótono, se va un ocupante y viene otro). Aparece el Mandato de Palestina.
Ya estaba desesperándome cuando una luz de esperanza me golpeó: tenía ante mí tres facsímiles: dos de documentos de identidad del Mandato en los que, en la parte de nacionalidad, figuraba la palabra “palestina” y un memorando de un funcionario británico a las autoridades de Londres sobre la nacionalidad palestina. Pero todo fue un fiasco. En los documentos, en vez de con un Abdul o un Ibrahim me encontré con los nombres Samuel Cohen y Sara Goldstein de Cohen. En cuanto al memorando, decía, textualmente:
Hago saber a Su Excelencia de que se está generando un problema muy grave con respecto a la cuestión de la nacionalidad en el Mandato, pues mientras los judíos gustosamente aceptan la denominación “palestina”, los árabes la rechazan, pues afirman que Palestina es un invento de los sionistas y que ellos son ciudadanos sirios, dado que hasta la caída del Imperio Otomano Palestina dependía de la gobernación de Siria (…)
Ya todos los psiquiatras del país me conocían, y estaban a punto de internarme; pero finalmente… ¡sí!… ¡los encontré!… ¡hallé por fin a los palestinos! Era en los titulares de un diario egipcio del año 1964, que decían: “Hoy es un día de júbilo para la Nación Árabe. En la ciudad de Alejandría, elraisGamal Abdel Naser asistió a la fundación de la Organización para la Liberación de Palestina. Sus líderes son Ahmed Sujeiri y Yaser Arafat”. Luego seguía una descripción de la vida y obra de estos personajes. Lo primero que me llamó la atención es que el primero había nacido en Beirut, donde su familia residía desde tiempo inmemorial, y el segundo en El Cairo. Qué extraño: dos egipcios y un libanés… ¡Pero eso qué importa, señores!.. ¡Había sido testigo de un acontecimiento excepcional: el nacimiento de una nación! ¡Mientras que para rastrear el origen de pueblos como el italiano, el español, el ruso, el hebreo, tenía que bucear en el mar del tiempo, me bastaba con agarrar un diario de 1964 –fecha en que yo contaba 12 años– para saber cómo había nacido el pueblo palestino!Tras descubrir esto, dije adiós a los psiquiatras, ya no los necesitaba. Por fin sabía quiénes eran los palestinos.»
“A primeira base legal do condicionamento das indústrias nasceu da necessidade de proteger a nossa economia industrial no período de crise que alastrou no Mundo […]. Solicitada pelos industriais, essa protecção consistiu na restrição, por via de um licenciamento, da montagem de novas fábricas e de novas máquinas, quando reputada em excesso a capacidade das instaladas, ou da alienação de instalações a favor de cidadãos estrangeiros, quando considerada inconveniente. Se com este instrumento não se encontrou remédio para todos os males, criou-se ao menos uma fórmula para corrigir alguns desvios, com a vantagem de não custar dinheiro ao Estado […].
A ideia do condicionamento tem um certo mérito; […] [É] uma doutrina que hoje como então se reputa justa, se olharmos às características e tendências da nossa produção; o condicionamento apresenta-se como mais um elo natural da cadeia de limitações que o liberalismo económico vem sofrendo há um século, pela necessidade de coibir os defeitos que a sua prática mostrou e os seus teóricos não haviam previsto.”
Sobre tudo isso, Vasco Pulido Valente escreveu assim no PÚBLICO de 18 de Abril deste ano:
Em 1936, um historiador alemão que vivia na Catalunha ouviu, por acaso, um grupo de camponeses que falava sobre a Igreja. Para espanto dele, os camponeses, que tinham assassinado e torturado milhares de católicos, repetiam as críticas dos folhetos contra Roma, distribuídos na Alemanha do século XVI. Se a Igreja não muda, o anticlericalismo também não. De Lutero ao “Iluminismo” e da grande revolução francesa aos pequenos jacobinos de Portugal e Espanha, que há pouco menos de cem anos queriam ainda, como Voltaire “esmagar a Infame”, a Igreja é invariavelmente acusada pela sua presuntiva riqueza e pelo comportamento sexual do clero. Agora chegou a vez da pedofilia, porque na sociedade contemporânea a pedofilia se tornou no último crime sexual. Claro que Bento XVI já disse que a pedofilia era um crime, além de ser um pecado, e acrescentou que os padres pedófilos tinham feito mais mal à Igreja do que mil anos de perseguição. Claro que Bento XVI mandou investigar o caso, removeu bispos, suspendeu padres, castigou culpados. Claro que nem ele, nem a Igreja, são responsáveis pelas declarações, de facto ofensivas, de algumas figuras menores do Vaticano ou da Conferência Episcopal Portuguesa. Mas, como de costume, a lógica não abala o anticlericalismo. O anticlericalismo decretou que a Igreja intencionalmente encobre (ou encobriu) a pedofilia e não vai mudar. Quem sabe, mesmo à superfície, alguma história sabe que desde o princípio isto foi assim. Ratzinger, que não nasceu ontem, com certeza que não se perturba. Até porque provavelmente percebe que por detrás do escândalo do encobrimento está o ódio ao Papa “reaccionário”; ao Papa que se recusou transigir com a cultura dominante em matérias como o divórcio, o aborto, a homossexualidade, o celibato do clero e a ordenação de mulheres. Não ocorre ao anticlericalismo que a integridade da Igreja pode exigir essa rigidez, como já demonstrou a rápida ruína do anglicanismo. Ratzinger compreende que, sem o apoio do Estado ou influência sobre ele, a Igreja depende essencialmente da convicção e da força com que conseguir conservar a sua doutrina. Qualquer fraqueza a transformará numa instituição pública vulgar, à mercê da opinião pública e das mudanças do mundo. Isso Bento XVI não quer. Como não quer encobrir a pedofilia.
Aqui temos uns cartazes históricos do NSB (Nationaal-Socialistische Beweging), ou seja, Movimento Nacional Socialista. Este clube de socialistas, que entre 1931 e 1945 era na Holanda o partido irmão do NSDAP (o partido de Hitler), apoiou durante a guerra a ocupação das tropas alemãs e ajudou bastante na caça aos judeus.
Como o leitor pode verificar, estes cartazes poderiam muito bem ter sido fabricados na União Soviética ou na Coreia do Norte e, caso estivessem escritos em português, poderiam mesmo, com ligeiras alterações (nomes e toponímia), servir de propaganda ao PCP ou ao Bloco de Esquerda em campanhas eleitorais.
O que de certo modo vem apoiar aquilo que é dito no vídeo-filme que o Luís Oliveira aqui postou há três dias, O Holocausto Revolucionário, e todos aqueles que colocam Adolf Hitler à esquerda, no campo socialista.
How The Beatles Rockedthe Kremlin é um fantástico documentário (em 6 partes no YouTube) da BBC de Leslie Woodhead, em que os ‘jovens’ russos da minha geração demonstram que não foi Gorbachov nem Reagan quem deitou a cortina de ferro abaixo, foram os Beatles….
Um russo: “o primeiro buraco na cortina de ferro - as canções dos Beatles”.
Outro russo: “as canções dos Beatles foram sempre vistas pelas autoridades soviéticas como muito perigosas (very dangerous, bourgeois!), algo que pode minar o sistema”.
Liliana Pelyushonok, mãe de um fanático dos Beatles que mais tarde se tornou na estrela do rock russo Yury Pelyushonok lembra-se como era em casa dela nos anos sessenta:
Sempre BEATLES, BEATLES, BEATLES, ARRE…
Artemy Troitsky (Russian rock commentator) na parte 2:
“Being a radical young man I just hated al this (Russian music) because is totally square. Totally uncool. All the singers had wrong haircuts, they were dressed like office clerks and they sing like Brejnev at the Communist Party Congress. Soviet culture has been totally unsexy, very rigid, to limited, there was nothing bright and free and fun…”
Como os Beatles eram terrivelmente proibídos nas União Soviética, as canções dos Beatles eram gravadas ilegalmente (através da Rádio Luxemburgo) em radiografias (!) aproveitadas na lixeira dos hospitais… Desta forma os jovens russos podiam ouvir (por 3 rublos) “I feel fine” gravado numa radiografia dos pulmões do tio Sergei…
Outro comentário:
In the Soviet Union not only the boys imitate Beatle haircut, also girls…
Em Portugal os Beatles não eram proibidos mas tão pouco muito encorajados pelo regime de Salazar. Tínhamos que ouvir a terrivelmente ‘uncool’ música portuguesa da altura: António Calvário, João Maria Tudela, Segundo Galarza. Bem, a Madalena Inglésias não se pode dizer que fosse ‘unsexy’, porque não era… Depois ouvia-se às escondidas o Zeca Afonso, o Godinho e o Luís Cília – que desgraça, mas estes, além de moralistas também não eram lá muito sexy e cool… E o pior é que, tal como eu, nem se apercebiam que os Beatles eram proibidos na USSR.
P.S. Peço imensa desculpa por não ter legendado o documentário, mas de vez em quando tenho realmente que fazer alguma coisa para comprar sapatos. Quem não perceber inglês - aliás os russos falam um inglês bastante acessível - pode sempre ouvir The Fab Four (os Beatles).
Faz hoje 20 anos, o muro caiu. Imaginava-se ao tempo que aquele muro só seria derrubado num dia distante, num futuro incerto, imprevisível. Mais difícil era acreditar que fosse possível a morte súbita da União Soviética.
Em 1989 o comunismo fracassava estrondosamente e caía aos pés dos povos que dominava. Esse ano magnífico de 1989 evidenciou também que toda a aberração política, por mais forte que seja, é sempre mais frágil do que o colapso a que a natureza do mundo a condena.
O Diogo, em mais uma das suas muito badaladas idiotices baseadas em sítios na Internet e livros obscuros que não se cansa de ler, voltou recentemente a lançar mais algumas das suas pérolas no Fiel Inimigo. Venero, desde já, o esforço heróico dos meus companheiros de blog, que parecem ter paciência para argumentar com o iluminado Diogo. Eu prefiro manter-me afastado desta maré de comentários intelectualmente degradantes por parte do Diogo, não vá eu ser contagiado com o bicho.
Prefiro, dada a desonestidade e fraqueza intelectual do Diogo, responder ao meu caro Eurico Moura, que recentemente também tem comentado no Fiel. Louve-se a participação, como é óbvio, aliás até lhe peço desculpa pelo facto de estar a dirigir-me a si neste post que começa a falar do iluminado Diogo. Acredite, não é qualquer tipo de comparação aquilo que estou a fazer.
Comecemos, pois:
"Que há um lobbie judeu, há"
Como bem referiu o Lidador, nada difere os lobbies Judaicos/Israelitas dos restantes lobbies à face da Terra. Estes lobbies, ao qual o caro Eurico se refere com um estranho desdém, são uma característica das Sociedades Modernas mais desenvolvidas, onde muitas vezes o Poder Político vai contra os interesses/objectivos de grupos de diversa índole. Estes, como forma de defesa e como forma de tentar alterar as premissas e actuações do Poder Político, emitem as denominadas pressões sobre o Poder Político, por forma a verem os seus objectivos atingidos.
Problema para mim são as sociedades sem lobbies e as sociedades onde os lobbies são menos transparentes, sendo de destacar neste último caso as sociedades Europeias. Porque o lobbie é a expressão da insatisfação de minorias e de grupos diversos, que se sentem injustiçados pelo poder político ou por outro qualquer poder que lhes incute ordens com as quais não concordam.
Falará com esse desdém o meu caro Eurico do lobbie sindical? Do lobbie ambiental? Do lobbie gay? Ou não os considera lobbies? Não concorda com o protesto? Acredita que o Estado manda e que nós devemos obedecer? E olhe que eu digo isto e estou longe de ser de esquerda.
"que há extremismo judeu"
Há extremismos de diversa índole, como mais uma vez lhe apontou o Lidador. A diferença é que uns extremismos cortam-nos a cabeça, outros fazem manifestações e pressionam o poder político de forma legal, eu bem sei que é chato, mas sempre é melhor do que nos cortarem a cabeça, não acha? Por isso, não se preocupe com o extremismo Judeu, algo que só existe de forma efectiva em Israel e nos Estados Unidos (aqui muito residual também), porque os Judeus foram alvo de extremismo na Europa e então têm de estar caladinhos...
Você veja que, até em Israel, os extremistas Judeus são impossibilitados de concorrer a eleições. Assim aconteceu com o Rabino Meir Kahane e com o seu partido político, o Kach. O que aconteceu a Kahane depois já nós sabemos: foi assassinado por um Egípcio nos Estados Unidos da América, um daqueles tipos que lhe falava acima, aqueles que cortam as cabeças...
"Parece-me que as posições aqui defendidas, sempre a favor de uma das facções do conflito, se aproximam de uma categoria ou de outra."
Olhe, eu religioso não sou; já de lobbie, creio que me apanhou. Ainda há dias formei um grupo de pressão do qual eu sou o único membro, chamemos-lhe RB pelo aumento da mesada, tendo em vista o aumento da minha mesada, fornecida pelo meu pai. Apesar dos meus grandes argumentos e dos subornos à minha mãe, a quem prometi limpar o quarto caso me ajudasse a pressionar o poder monetário cá de casa, não recebi nada. Mas ao menos não desatei aos cortes de cabeça...
"É muito fácil tomar posição nesta fase do conflito, ignorando décadas de opressão, de invasão territorial de sonegação de direitos a uma população existente no território antes de ele ser ocupado."
Permita-me discordar caro Eurico. É muito mais difícil tomar posição nesta fase do conflito, dado o conhecimento e estudo necessários para nos pronunciar-mos sobre ele. São mais de 4000 anos de história porra. Há 60 anos era mais fácil tomar uma posição, depois das atrocidades Nazis e antes de todas as Guerras travadas, ou estarei eu enganado?
Nunca irei ignorar milénios de opressão ao povo Judeu, esteja descansado. Nem tão pouco vou ignorar as décadas de opressão da Jordânia, do Egipto e da Síria aos "refugiados" Palestinianos, se era a isso que se referia. E muito menos vou ignorar quem em Israel é cidadão Israelita não Judeu e possui direitos que nunca possuíria caso vivesse num qualquer país muçulmano.
Essa história da invasão territorial confesso que não me entra. Não me entra, em primeiro lugar, porque o Sionismo é muito mais antigo que qualquer espécie de nacionalismo Palestino, algo que só surgiu efectivamente em oposição ao Sionismo e, mais concretamente, mais de dez anos depois da fundação do Estado de Israel; não me entra porque quem tem o direito de se queixar de invasão territorial é o Império Otomano ou o Império Britânico, e nós bem sabemos que este último não o vai fazer, não só porque autorizou a sua denominada invasão, a que eu chamo imigração motivada por perseguição, como também porque agora já não manda nos referidos territórios; não me entra porque a esmagadora maioria das terras foi negociada e comprada por Judeus aos habitantes árabes daquela região, que nunca se chamaram Palestinianos, até porque a Palestina nem existia enquanto Estado, sendo até a sua referência geográfica bastante ténue; não me entra porque, apesar de todas as perseguições, continuaram a viver Judeus por aquelas bandas durante 4000 anos; não me entra porque quem foi invadido e foi privado de direitos foram os Judeus (sendo escravizados), há muito tempo atrás, naquela área do Globo, onde já possuíam um Estado com Rei quando a Europa só teve isso muito tempo depois.
Já que fala em sonegação de direitos, reparo que não está indignado com a persistência das autoridades Jordanas em não atribuir cidadania Jordana aos denominados "refugiados" Palestinianos que habitam o país há mais de 50 anos. Reparo, da mesma forma, que você não repara que em Israel 1,5 milhões de árabes têm o direito de voto e, consequentemente, o direito de elegerem os seus representantes. E, mais curioso ainda, note que estes representantes adoptam posições bem anti-Sionistas, conseguindo mesmo assim, apesar daquilo que diz a Constituição (que não existe de facto), não ser ilegalizados, como o foi o Kach do Rabino Kahane. Mas afinal em Israel há direito e direitos, enquanto nos países Muçulmanos há a Sharia e há a negação dos direitos e da liberdade individual. Assim, sugiro que se preocupe com os direitos de quem não tem direitos, e não com os direitos de quem os tem.
Quanto à história da existência de população residente, creio que já frisei acima o que precisa entender sobre o assunto: não existia identidade nacional Palestiniana quando o Sionismo foi criado (1897, embora as pretensões dos Judeus fossem muito mais antigas), quando os Judeus começaram a imigrar e até mesmo quando o Estado de Israel foi criado. O território não foi ocupado como diz, a não ser que considere que os imigrantes Ucranianos estão a ocupar o nosso rico Portugal desde a década de 1990. É de frisar, aliás, que o relacionamento entre Judeus e os Árabes locais foi inicialmente bastante proveitoso para ambos; as coisas descambaram depois, com razões diversas que lhe posso explicar. E, pasme-se(!), até o relacionamento com os Estados vizinhos se afigurava positivo no início da imigração. Ou como justifica o acordo de Emir Faisal com Weizmann, em 1919?
"5- As justificações históricas invocadas pelos israelitas de direita e estrema-direita para ocupar aquele território baseiam-se num livro não histórico, a Bíblia, e portanto são de cariz religioso."
Discordo. São várias as justificações históricas, mas o que é mais importante é analisar o porquê da imigração. Os Judeus durante séculos cantaram o suposto regresso a Sião, onde as perseguições acabariam; Os Judeus tiveram um Estado naquela zona durante mais de um século de história, Estado esse que acabou pela força; Os Judeus são originários daquela zona do Globo e sempre foram maioria lá até à I e II Diáspora Judaica, sendo os árabes ainda não islamizados uma minoria; Os Judeus têm lá os seus lugares sagrados. Como é possível você negar a ligação histórica do povo Judeu àquelas terras? Já assinou a ficha de militante do Hamas?
Os Judeus não teriam necessidade de migrar para aquela zona, importunando os pobres árabes que por acaso até faziam negócios com eles, se não fóssemos nós Europeus a fazer as nossas judiarias...
"6- No seio da sociedade israelita são cada vez mais os que defendem um estado israelo-palestino. Corre muito sangue árabe nas veias de Israel."
Totalmente falso. São cada vez mais aqueles que defendem o Eretz Israel.
"Uma coisa eu sei: o elo mais forte tem sido Israel, apoiado pelo lobbie internacional da alta finança judia e pela poderosa comunidade judaica americana"
Uiiiiiiiiiiiiiii! Alô, Diogo?
"Mas o poder dos países Árabes vizinhos tem vindo a aumentar e a extravasar a região e o conflito tem aumentado o número de extremistas islâmicos."
Partilho a sua preocupação. Mas repare que uma análise mais crua da realidade tornam as coisas bem melhor para Israel, ainda para mais com um Irão nuclear. Os países vizinhos raramente se conseguíram unir para alguma coisa, só o conseguíram para atacar Israel, com os resultados catastróficos para eles que conhecemos. Como se isso não bastasse, o quadro internacional actual dá a Israel grandes vantagens nas relações com as elites políticas do Mundo Árabe e Muçulmano, apesar da necessidade que estes têm de agradar aos extremistas religiosos. Só assim se justifica a existência de um amigável Mubarak, de um amigável Erdogan (com alguns tiques, é certo), de um amigável Abdullah Hussein II da Jordânia e até de um amigável Rei Abdullah Aziz, que propôs a abertura do espaço aéreo Saudita aos caças Israelitas caso estes pretendessem bombardear as instalações nucleares Iranianas. E, repare, nem lhe falei dos Governos relativamente pró-Ocidentais do Iraque, do Afeganistão e do Paquistão. Os problemas dão-se com os extremistas religiosos, com os grupos terroristas e com as organizações criminosas, não com as elites políticas mais esclarecidas, que têm tendência para se ocidentalizar no futuro. São os prazeres mundanos...
"Quantos à boa vida dos palestinos em Israel, deve estar a gozar comigo, não? Vá dizer isso aos que vivem nos territórios ocupados."
Para lhe responder a isto, preciso que me defina territórios ocupados. Porém, vou supor que está a falar da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, sendo que a primeira já não está sob comando Israelita desde 2005 e sendo que a segunda possui já grande autonomia, sendo administrada pela OLP. Quanto a Jerusalém Oriental, não entra para as contas.
Os Árabes Israelitas têm condições de vida muito maiores em Israel do que qualquer árabe nos restantes países Árabes. Por aqui não se discute.
Quanto aos territórios ocupados, não tem que atribuir culpa a Israel, que aliás fornece água, alimentos e energia aos territórios e até abriu um corredor humanitário por altura da Operação Chumbo Endurecido. Como se isso não bastasse, parece que a economia da Cisjordânia vai crescer 7% este ano, dados os esforços das autoridades Israelitas para facilitar a circulação no território. As culpas do ainda baixo nível de vida das populações deve-se mais à incompetência e corrupção da elite política Palestiniana (tente ver as contas de Arafat na Suíça) do que aos Israelitas.
"Sempre ao lado dos mais fracos, que neste caso é o das populações que suportam um sofrimento crescente."
Muito bonito essas suas palavras. O que me tem a dizer sobre o Darfur então? Será que pensa mais naquilo que se passa no Darfur do que no que se passa em Israel, quando já morreram dezenas de milhar de pessoas no primeiro sem que o caso tenha tido a atenção que têm as já conhecidas "atrocidades" Israelitas? Será que se preocupa com os tâmiles no Sri Lanka? Será que se preocupava com os Curdos no regime de Saddam? Será que se preocupou com o número avultado de mortes que ocorreram no Congo no mesmo dia em que se iniciou a Operação Chumbo Endurecido ou, tal como a ONU, preocupou-se mais com um conflito direccionado e justificado no Médio Oriente? Será que se preocupa com os presos políticos Cubanos e Norte-Coreanos?
"A constituição e independência do estado de Israel, as guerras com a anexação de mais território e a criação de milhares de refugiados, criaram uma situação de reacendimento do ódio dos extremistas islâmicos, cada vez mais numerosos, com um fim imprevisível."
A velha história da anexação de território. Israel é atacado e é suposto reagir com falinhas mansas e sem infligir golpes nos adversários? É suposto sair de uma Guerra sem retirar os devidos dividendos estratégicos, políticos e territoriais, ainda para mais quando até à luz do Direito Internacional se considera justíssimo que um país atacado possa, em caso de vitória, anexar território?
Será que o Eurico nutre algum tipo de compaixão pelos refugiados Judeus expulsos dos países árabes em que viviam depois da criação do Estado de Israel? Será que o Eurico sabe que todas as terras sem as quais estes Judeus ficaram davam para fazer 5 Estados de Israel? Será que sabe que estes refugiados (cerca de 1 milhão e 100 mil) são mais do que os "refugiados" Palestinianos (cerca de 700000 em 1950), muitos dos quais nem o são, porque são filhos de refugiados e não verdadeiros refugiados, para além de que muitos saíram pelo próprio pé porque achavam que Israel ia ser esmagado na Guerra de Independência?
Não me parece que saiba. E sabe porque não me parece que saiba? Porque, para um conflito de tamanha natureza e complexidade, o caro Eurico fornece aos leitores do seu blog links da wikipedia para estes formarem opinião sobre o assunto, em vez de bibliografia clara e amplamente recomendada. Talvez por isso a sua posição seja tão débil neste assunto como afirma. Se quiser eu recomendo-lhe uns livros e, aí, voltaremos a falar.
Porque é que não gostaria nada de que os vermelhuscos trotskistas-estalinistas-maoistas-é-tudo-a-mesma-cambada dormissem com um sorriso nos lábios? Porque isso significaria que a extrema-esquerda (CDU, BE, PCTP/MRPP,...), considerando a média das sondagens já publicadas, representaria 20%-21% dos votos expressos e isso configuraria o panorama idêntico ao que tínhamos em 1975, quando o socialismo ainda parecia um modelo aceitável. No caso presente, espero que a maioria não se limite a ser silenciosa. No passado, teve grandes custos. Ou há dúvidas que Louçã é um Vasco Gonçalves em potência?
Bill O'Reilly na Fox: in Holland is a disaster! Everything is out of control!
Este bacano da Fox comete precisamente os mesmos erros que a imprensa europeia esquerdizante agora comete em relação a Wilders, e em 2002 em relação a Pim Fortuijn. Já os franceses em 1994 se enganavam redondamente sobre a política da droga na Holanda. Falar de corda, suposições sem comparações, sem números e sem conhecimento de causa é o que dá...
Em 1994 os acordos de Schengem tinham que ser assinados, mas o governo francês opunha-se à política do governo holandês em relação à droga, que mais tarde em parte adoptaria. O Partido Comunista Francês, preocupadíssimo com a saúde das massas, achava que se devia por termo à ‘estrada da droga’ (Lille-Roterdão) e não é de modas, arrebanhou em Lille 1500 simpatizantes em 32 autocarros e organiza uma manifestação no centro de Roterdão.
Alguns cartazes dos franceses diziam o seguinte: BLOQUEAR A ESTRADA DA DROGA; PROTEGER A JUVENTUDE. Houve também uma espécie de contra-manifestação espontânea de holandeses. Lembro-me de ter visto na TV um jovem holandês solitário com um cartaz (em francês) que dizia o seguinte: LE MARXISME C’EST LA DROGUE DES PETITS DICTATEURS. E também me lembro que os franciús não acharam piada nenhuma à ‘plaisanterie holandaise’.
A resposta de Amesterdão à Fox não se fez esperar:
O PSD Madeira publicou recentemente a sua Proposta de Lei de Revisão Constitucional. Uma das alterações sugeridas consiste em alterar o nº 4 do artigo 46º da Constituição de "4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista"
para:
“4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem qualquer ideologia totalitária ou autoritária contrária ao Estado de Direito Democrático”.
por forma a incluír “o caso do Comunismo, não previsto no texto constitucional”, como é referido no preâmbulo.
Por mim acho muito boa a proposta do “Jardim” (nome pelo qual é referido normalmente o PSD Madeira). Há poucas coisas mais deprimentes do que pensar que vivemos num país onde 20% da população vota em partidos de extrema esquerda.
Em Portugal, o fascismo e o nazismo são condenados quase unanimemente (tirando meia dúzia de maluquinhos). As ideias comunistas, no entanto, continuam a ter plena aceitação, tanto na sua versão pura (leia-se estalinista) como nas suas várias variantes, nomeadamente a trotskysta. A “luta” anti-fascista continua a conferir uma aura de santidade (apesar dos “fachistas” serem mais raros que os adeptos do Belenenses e não existir um único regime fascista no planeta). O anti-comunismo, por seu lado, é mal visto e anti-democrático (!), não obstante o rol de vítimas mortais desta ideologia assassina continuar a engrossar diariamente.
É porque o nazismo “foi muito pior”, é o argumento. Hitler tentou exterminar raças inteiras. Nada é comparável ao Holocausto. Sem querer aqui entrar numa competição para determinar qual dos dois regimes totalitários é mais abominável ou matou mais gente (foi o comunismo), recordemos apenas o Holodomor, a grande fome de 1932, que poderá ter exterminado até 10 milhões de cidadãos soviéticos. Deve ter sido um ano mau, se calhar não conta...
Por que será que qualquer estudante de liceu (mesmo os que passam com 9 negativas) já ouviu falar do primeiro evento e quase nenhum fará a mínima ideia sobre o segundo?
Porque é que em vários países o negacionismo (a negação ou minimização dos crimes nazis) é proibida por lei, enquanto a negação dos crimes cometidos pelos comunistas é perfeitamente legal, assim como a exaltação da ideologia que lhes esteve na origem?
É que se for necessário comparar, não pode existir sombra de dúvida de que o comunismo foi muito pior que o nazismo.
- Durou muito mais tempo - Causou muito mais vítimas - A sua extensão geográfica foi (e continua a ser) muito maior
Para o bem das gerações futuras, para que reconheçam o totalitarismo independentemente da roupagem que venha a apresentar, é urgente rectificar este desequilíbrio gritante no que respeita ao julgamento histórico do comunismo vs fascismo/nazismo. É por isso que a proposta do PSD Madeira é de aplaudir.
É inaceitável que, passados que são vinte anos sobre a queda do Muro de Berlim, a propaganda e mistificação comunista continuem a ter aceitação em tão largas camadas da população. Os comunistas continuam a ser vistos por muitos como os que lutam pelos desfavorecidos e oprimidos, pela liberdade e pela paz.
Como é isto possível? Nos dias que correm, com toda a informação à distância de um click, está ao alcance de qualquer um saber os meios concretos que se escondem por trás da retórica: a abolição da propriedade privada e das liberdades individuais, a obliteração da individualidade e submissão à linha do partido, o extermínio de uma parte significativa da população (as “classes inimigas”, mesmo as fiéis!), a instauração de um regime ditatorial (“revolucionário” na língua de trapos dos “compagnons de route”), o apoio incondicional a estados criminosos, (encarnações da paz, bem estar das populações e justiça social, na imaginação dos tolinhos). E quando as coisas correm desastrosamente mal não é preciso dizer nada, já sabemos: não era o verdadeiro comunismo/socialismo.
Quem é que ainda papa estas bostadas? É possível distinguir actualmente três categorias genéricas de crentes no “homem novo” comunista: os intelectualmente desonestos, os ignorantes e os estúpidos. Percorrendo as caixas de comentários do Fiel Inimigo encontram-se bem representadas amostras das três classes. O conteúdo dos comentários, por seu turno, não augura nada de bom para o futuro.
O policia alemão que nos anos sessenta matou a tiro o estudante de Berlim Benno Ohnesorg, um acontecimento com gravíssimas consequências na Alemanha Federal, era na realidade um agente secreto da Alemanha Comunista (DDR).
Isto é o resultado de um recente estudo de dois funcionários – Helmut Mueller-Engeberg e Cornélia Jabs - na enorme colecção de documentos do antigo Ministério da Segurança do Estado (Stasi), os arquivos da polícia secreta da ex-DDR. Os serviços não espionavam somente os seus próprios cidadãos, mas seguiam de perto e intrometiam-se nos assuntos do país vizinho, o inimigo de classe.
Benno Ohnesorg era um estudante que no dia 2 de Junho de 1967 fazia parte de uma manifestação contra o Xá da Pérsia. A manifestação deu para torto e Ohnesorg foi morto a tiro por um polícia à paisana, Karl-Heinz Kurras. A morte deste estudante provocou protestos contínuos na Alemanha Federal e foi o motivo que deu origem à criação da organização de extrema-esquerda Rote Armee Fraktion (RAF), que durante quase um quarto de século aterrorizou o país com atentados.
A morte de Ohnesorg sempre foi um enigma. Karl-Heinz Kurras disparou à queima roupa sobre o estudante indefeso! Depois do tiroteio um colega perguntou-lhe porque razão sacou da arma? Kurras respondeu: “Ele vinha a correr para mim”. Numa entrevista anos mais tarde disse: “Deve-se ver a coisa desta maneira, quem me ataca é destruído”.
A grande questão é saber se o agente secreto planeou a morte de um estudante de Berlim-Oeste para destabilizar politicamente a Alemanha Federal...
Kurras encontrava-se sob o pseudónimo de ‘Otto Bohl’ na folha de salários dos Stasis com a função de ‘Inoffizieller Mitarbeiter’ (funcionário não oficial), ou seja espião. Ele ainda vive, mas na altura que esta notícia foi publicada não se encontrava em estado de fornecer qualquer esclarecimento.
Para o movimento estudantil da Alemanha Federal a DDR nunca foi um tema importante. Os protestos eram sempre dirigidos contra as ‘forças de direita’ em todo o mundo: contra o governo, ex-nazis e a América. Acerca desta notícia o jornalista e historiador alemão Arnulf Baring afirmou: “Se na altura se soubesse que Ohnesorg tinha sido assassinado pelos Stasis os estudantes veriam nisso uma conspiração - mais uma mentira da imprensa de direita”.
Eis um pequeno extracto da entrevista que Jason Lee Waters fez em tempos ao historiador Hugh Trevor-Roper, considerado geralmente pelos críticos responsáveis o melhor perito em assuntos gerais do regime nazi:
" - Mas o Prof. vê no actual panorama ensaístico ou do pensamento, herdeiros mentais ou intelectuais que, ainda que aproximativamente, possa ser considerado que possuem traços nazis no seu discurso?
- Creio que sim, indubitavelmente. São esses que, por exemplo, no sector da análise histórica referem que ela, a História, é sempre escrita pelos vencedores. No caso vencedores “judeus”ou judaizantes, o que será no mínimo uma ironia macabra. E isso não é verdade, não passa de uma falsa analogia ou uma atoarda mal intencionada mas com fins confusionistas bem claros".
Acontece que tem sido muito vulgar, em órgãos de informação falados e escritos e até mesmo em certos locais da Net, lerem-se comentários expendidos e protagonizados por presuntivos conhecedores (mais lhe chamaria historiógrafos ou, mesmo, estoriógrafos) que cabem inteirinhos no que é expresso pelo ensaísta britânico. Ou seja, notam-se neles claras inflexões orientadas no sentido da simples agit-prop. Mesmo que sejam epigrafados por presuntivos observadores imparciais. Ou que como tal se afirmam.