Teste

teste
Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rússia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de março de 2009

Da Rússia



Ou eu tenho andado distraído ou isto mais isto tem passado ao lado da comunicação social portuguesa.

.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Putin para Presidente dos EUA!

"A intervenção excessiva na actividade económica e uma fé cega na omnipotência do estado é [...] um erro.

Em tempos de crise, uma reacção natural às falhas do mercado é atribuir um papel acrescido ao estado. Em vez de agilizarem os mecanismos de mercado, muitos são tentados a expandir ao máximo a intervenção estatal na economia.

A actual concentração de activos nas mãos do estado é um dos aspectos negativos das medidas anti-crise em quase todas as nações.

No século XX, a União Soviética tornou o papel do estado absoluto. No longo prazo, isso tornou a economia soviética terminalmente não competitiva. Foi uma lição que nos custou muito caro, e que tenho a certeza ninguém quer ver repetida.

Também não podemos negar que, nos últimos meses, se tem vindo a assistir à erosão do espírito de livre iniciativa, incluindo o principio da responsabilidade pessoal dos homens de negócios, investidores e accionistas pelas suas decisões. Não há nenhuma razão para acreditar que é possível conseguir melhores resultados transferindo esta responsabilidade para a esfera do estado."

Vladimir Putin, a discursar na cerimónia de abertura do World Economic Forum, em Davos.

domingo, 9 de novembro de 2008

Suicídio pós-moderno

Os Estados Unidos querem instalar um sistema de defesa anti-míssil na Europa argumentando pela necessidade de defender o ocidente de um eventual ataque iraniano ou de outro qualquer país islâmico.

Os russos atiram-se ao ar reclamando que esse acréscimo de capacidade de defesa desequilibra o status-quo.

Os idiotas de serviço vêm reclamar que os iranianos não têm misseis capazes de alcançar o ocidente. Fica-se a saber que os russos seriam incapazes de vender armamento aos países islâmicos, particularmente por serem incapazes de pensar em dinheiro.

Os mísseis não estão implementados e o efeito Obama pode (ou não) avacalhar o processo.

A Europa, especialmente depois as cenas macacas à volta dos oleodutos-gasodutos (aquelas que apenas os americanos seriam capazes de fazer) e de ter visto as unhas aos russos, deve estar a perceber que precisa do sistema anti-míssil. Talvez isso explique a razão pela qual Durão Barroso já não proteste por um eventual proteccionismo comercial americano e apenas lembre que convém que ele não seja implementado em "demasia". Talvez também por isso se não fale na mais que óbvia importação europeia dos putrefactos créditos à habitação concedidos pelos bancos americanos sob a batuta, entre outros, de Obama. Teria sido coisa previamente acordada face à vergonha de se ter negado apoio aos Estados Unidos no Iraque? Poder-se-á dizer que os Estados Unidos ficam a ganhar no que respeita ao balanço entrada/saída de capitais no sistema económico americano?

De uma ou de outra forma, a tendência da Europa para o suicídio volta a estar patente. Dizem as más línguas que se dependesse da Europa, Obama teria tido 90% da votação. Aliás, várias stranicas figuras acham que só os europeus têm competência intelectual para eleger o presidente dos Estados Unidos. De qualquer forma, a Europa tem-se colocado na posição ideal para levar nos cornos de todos os lados.

Mas não vos preocupais, caros concidadãos. Ainda hoje assisti, na RTP, a uma reportagem sobre uma exposição sobre o Holocausto. Muito bem. Curioso é, apesar de tudo, que se aborde o assunto apenas pelo 4º ou 5º classificado.

Felizmente, temos o Magalhães e a Lurdinhas.

.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Comunismo - História de uma ilusão

.

História da ideologia que mais assassinou (1/3).


História da ideologia que mais assassinou (2/3).


História da ideologia que mais assassinou (3/3).

.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

OS NOVOS CZARES DA RÚSSIA...



A OTAN podia ter protegido a Geórgia contra uma guerra. Ao obstruir a entrada da Geórgia e da Ucrânia na OTAN a França e a Alemanha provocaram a ofensiva russa na Geórgia. É o que nos dizem os intelectuais franceses André Glucksmann e Bernard-Henri Lévy.

Um resumo:

A invasão russa não é simplesmente um problema regional, é provavelmente o ponto de mudança mais importante na história europeia desde a queda do muro de Berlim. Quem disparou primeiro já não tem a mínima importância. Esta actuação das tropas russas fora das suas fronteiras contra um membro independente das Nações Unidas, é a primeira desde a invasão no Afeganistão.

Em 1989 Gorbachev recusou enviar as tropas em direcção da Polónia do sindicato Solidarnosc. Cinco anos mais tarde Yeltsin queria enviar divisões russas para a Jugoslávia, para apoiar Milosevic, mas cortou-se. Até mesmo Putin não se atreveu a enviar o seu exército para quebrar a revolução cor-de-rosa (Geórgia, 2002), ou mais tarde a Revolução cor-de-laranja (Ucrânia, 2004). Mas agora a situação é diferente e completamente incerta. Um novo mundo, com novas regras, aparece-nos pela frente ameaçador.

Será que ainda vamos ver Michail Saakasvili – um líder pro-ocidental e democraticamente escolhido – destituído das suas funções, exilado, substituído por uma marioneta ou enforcado? Será que haverá no futuro sossego em Tbilisi, tal como em Budapeste em 1956 e em Praga em 1968?

A esta pergunta simples só há uma resposta possível. Trata-se de salvar uma democracia em perigo de vida. Porque não se trata apenas da Geórgia. Trata-se também da Ucrânia, do Azerbeijão, da Ásia Central e da Europa de Leste, resumindo, trata-se da Europa.


O tempo urge. Por isso, vamos primeiro que tudo, definir quem é o agressor: a Rússia de Putin e do belo desconhecido ‘liberal’ Medvedev.

Se o Kremlin insiste na sua agressão no Cáucaso, não chegou então o momento para a União europeia rever as suas relações com o seu grande vizinho? A Rússia está tão desejosa de arranjar mercados para escoar o seu petróleo como nós de fornecedores. Por vezes é possível chantagear um mestre em chantagem.

Já tínhamos dito anteriormente que a aceitação da Geórgia e da Ucrânia no seio da OTAN iria salvaguardar estes países da guerra. E o gás continuaria a fluir. Uma recusa, ao contrário, seria na nossa opinião um indício fatal aos novos czares da Rússia nacionalista e capitalista.

O pior aconteceu. Para não melindrar Moscovo, a França e a Alemanha vetaram a perspectiva que estes países tinham de fazer parte da OTAN.
Putin percebeu tão bem a mensagem que como forma de agradecimento deu início à sua ofensiva.


CLARO QUE NÃO, a OTAN nunca poderia ter protegido a Geórgia.
Isto é o que nos diz Frits Bolkestein ex-eurocomissário, ex-político e intelectual holandês.

Um resumo:

A interdependência entre o ocidente e a Rússia não ganha havendo fricções internacionais. Por isso a guerra no Cáucaso só tem perdedores. A Rússia pode ter aniquilado o exército georgiano com exagerada violência – o que não era assim tão difícil – mas danificou ao mesmo tempo os seus outros interesses. Muitos houve no Ocidente que chegaram a pensar que a Rússia iria tornar-se uma democracia. Putin acabou com todas estas ilusões. Moscovo retomou o seu antigo semblante: de déspota nacionalista. Isso vai desencorajar ainda mais os investidores ocidentais que a Rússia bem precisa, sobretudo depois do que aconteceu à volta dos investimentos da Shell na ilha de Sakhalin (sob pressão de Moscovo os contratos para extracção de gás foram revistos).

Seguidamente Moscovo fez com que as relações com os seus vizinhos ocidentais piorassem consideravelmente. Agora os polacos assinaram sem engonhar o acordo para o escudo anti-míssil. A OTAN congelou as suas relações com a Rússia. A entrada da Rússia na WTO (Organização Mundial do Comércio) vai ser adiada. Tudo negativo.

A União Europeia também perdeu. A falta de união e a falta de uma política conjunta em relação à Rússia ficou lamentavelmente demonstrada. A política estrangeira continua a ser o calcanhar de Aquiles da UE. Também não se pode esperar de 27 países com interesses tão diferentes que se ponham todos de acordo.
O Ocidente em geral – os EUA em particular – perdeu, porque precisa da Rússia no caso do Irão, no tratado de Não-proliferação e de Desarmamento. Em todos estes dossier a cooperação vai ser mais penosa.

Tudo isto se deve à fatal decisão do presidente Saakasvili de no dia 7 de Agosto invadir a Ossétia do Sul. É verdade que o presidente quando da sua candidatura prometeu integrar as províncias rebeldes da Abcásia e da Ossétia do Sul. Também é verdade que a Rússia usa estas províncias para criar um clima de ‘instabilidade controlável’ na Geórgia.


Vladimir Putin apresentou a nova Rússia.
Isto é o que nos diz o politólogo Nicolai Petrov da comissão de peritos (think-tank) independente Carnegie Moscow Center.

Um resumo:

A nova Rússia como super-potência determina novas regras e não pede contas a ninguém. Algum tempo depois do início da guerra na Geórgia tornou-se mais que evidente que para a Rússia se tratava de muito mais do que apenas a protecção dos habitantes da Ossétia do Sul ou a eliminação de um oponente odiado.

O Kremlin queria impor ao Ocidente um novo relacionamento para o seu círculo de influência no Cáucaso e na Europa de Leste. A Rússia reagiu desde o início da guerra de forma exagerada. Se a questão fosse apenas a Geórgia ou Saakasvili, a actuação da Rússia teria sido mais discreta. A Rússia queria sobretudo mostrar quem é que manda aqui.

Duas semanas antes da invasão da Ossétia do Sul os russos efectuaram manobras militares no Norte do Cáucaso. Depois das manobras permaneceram algumas unidades em estado de alerta na fronteira da Rússia com a Ossétia do Sul. Putin ficou assim à espera de um motivo para invadir a Geórgia.

Agora chovem teorias de quem provocou quem. Mas não é isso que está em causa. O único motivo da actuação da Rússia na Geórgia, depois de se ter sentido humilhada pelo Ocidente durante vinte anos, é manifestar-se de novo como uma importante peça no xadrez da política internacional. Uma peça que quis demonstrar à Geórgia, à Ucrânia e à OTAN daquilo que é capaz. E conseguiu. Tanto militar como politicamente.

Moscovo armou uma armadilha ao presidente Saakasvili. Putin chegou mesmo a dizer que a decisão de invadir foi tomada ao nível mais alto da hierarquia. Esta afirmação confirma que os preparativos para a intervenção já tinha sido efectuados há meses atrás.

A arrogância actual da Rússia em relação à crítica do Ocidente à sua actuação desproporcional é uma forma consciente e voluntária de se isolar do mundo ocidental. Putin acredita nas teorias da conspiração de que o Ocidente quer montar um cerco ao seu país. Agora demonstrou que é capaz de resistir ao cerco e está disposto a optar pelo isolamento. Este isolamento dá-lhe a possibilidade de a partir do Forte-Rússia transformar de novo a Rússia numa super-potência.

Duvido apenas que a classe política russa esteja preparada para esta nova situação e disposta a abandonar facilmente a maneira ocidental de viver que já adquiriu para continuar a não passar da cepa torta como a Bielorrússia. Uma maioria da classe política ainda não está bem consciente da perda que a nova situação pode representar para a Rússia.

As recentes declarações de Putin em como a Rússia já não precisa de ser membro da O.M.C. (World Trade Organization), enquanto que ela passou mais de dez anos a negociar uma entrada, não são assim tão estranhas. Há uma maioria de importantes homens de negócios russos que são contra a entrada da Rússia na WTO, porque desta maneira vão ter que concorrer com empresas estrangeiras. Também esta resistência à WTO encaixa bem nos planos de isolamento de Putin.

Além disso a WTO é benéfica para determinados sectores da indústria mas prejudicial para outros. O Clã à volta de Putin só quer fazer com que o petróleo e o gás sejam o mais lucrativos possíveis. Na concepção do Forte-Rússia eles podem manter a concorrência estrangeira facilmente à distância. Desta forma pensam eles ter os meios suficientes para desenvolver a Rússia, enquanto que toda a gente sabe que a coisa não é bem assim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Guantanamo, USA.

Muito interessante.

.

A Rússia urinando nas esquinas

Desde 1940 que a politica americana na Europa é essencialmente determinada pelo conceito geopolitico de evitar que um único poder controle a Eurásia.
Se a URSS conseguisse a hegemonia sobre os centros industriais do duplo continente, os EUA seriam forçados a alterar o seu sistema politico e económico de modo a poderem sobreviver numa competição global.
A OTAN destinava-se a fazer face à ameaça soviética e, para os europeus, o manto protector que a Aliança sobre eles estendeu durante 4 décadas, foi determinante para a manutenção da paz e para a criação de condições de progresso e bem-estar.
Com a derrocada soviética uma hegemonia única sobre a Eurásia era improvável num futuro imediato e, num primeiro momento, a OTAN parecia condenada a estiolar, vítima do seu próprio sucesso, fechada que estava na lógica da Guerra Fria.
Mas a Rússia retorna sempre a Pedro "o Grande" e já em 1992 a sua nova estratégia definia interesses globais, estabelecendo também uma linha vermelha ao recusar intervenções externas no “near abroad”, territórios não incluídos na Rússia mas que haviam integrado a URSS.
Enquanto a OTAN se questionava, os novos países saídos do Pacto de Varsóvia, batiam à porta com a intenção óbvia de fugir à esfera de influência do vizinho russo, que continuavam (e continuam) a ver como a verdadeira ameaça.
No início da década de 90, acreditava-se que só com a renovação de uma pressão externa, (leia-se a Rússia) a OTAN poderia ser revitalizada, mas a nova doutrina militar da Rússia , traduzindo um discurso mais musculado no xadrez internacional, introduziu medidas de cautela na questão do alargamento.

Que todavia se foi fazendo a passo de caracol, aproveitando a fraqueza da Rússia, por um lado porque em muitos destes países existiam problemas graves de nacionalismos por consumar, havendo o perigo de a OTAN trazer para o seu seio perigosas crises e tensões, e por outro porque muita gente achava que o alargamento, à procura da fronteira civilizacional com a Rússia, era um elemento fundamental na manutenção da própria OTAN.

Para os dirigentes russos o alargamento da OTAN representou o renovar do Complexo de Cerco e sentiram-se cada vez mais relegados para o velho papel de "maus-da-fita" , olhados com desconfiança pelos europeus cuja organização de segurança se perfilava subliminarmente contra o grande colosso russo a quem nunca reconheceram especial vocação democrática e em cuja herança genética se inscreve o Testamento de Pedro "O Grande".
Ieltsin, em 1995, queixava-se que “..o Ocidente pretende defender a Europa de Leste das negras intenções de Moscovo" e garantia que " Essas intenções não existem. Apesar de todas as contradições do período de transição, a Rússia é fiel à democracia”.
Ninguém acreditou nele e ainda bem.

Recentemente o alargamento à Geórgia e à Ucrânia, foi congelado por cautela da Alemanha e da França que se assustaram com as intrincadas questões de legitimidades étnicas e nacionalistas nesses países. Se tivessem sido admitidas, a Geórgia estaria protegida da invasão russa que dificilmente arriscaria um confronto militar com a OTAN.
Neste momento, a Rússia, tal como um gato bem alimentado que sai pela manhã, vai urinando nas esquinas para marcar o território, mas o renovar da ameaça russa, levará inevitavelmente ao reforço da OTAN, e à solidez da relação transatlântica, alicerçada nos interesses e nos valores comuns.
Mais tarde ou mais cedo, a Rússia perceberá que não só não tem alimento para sair todas as manhãs de patrulha, como há gatos maiores na vizinhança.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Horror


Putin atreveu-se a declarar reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul sem esperar que os comentadores de politica voltassem de férias.

Escandaloso.

Fatalidade?


Há quem diga que a segunda guerra mundial teve lugar em consequência do povo alemão não ter percebido porque teria perdido a primeira guerra.
Alexei Malachenko, analista do Centro Carnagie de Moscovo, defende, [...] que o Kremlin deverá “deixar isso (reconhecimento da independência) como instrumento político”. “Penso que a situação não se manterá tão nervosa e aguda... Mais tarde ou mais cedo, vamos voltar ao problema da independência e, então, Moscovo terá no bolso mais um trunfo”, declarou.“Se se utilizar agora esse trunfo, restará apenas o vazio”, concluiu
[Da Russia]
Terão os russos percebido porque derrocou o bloco soviético?

E do horror que a natureza parece ter ao vazio?

=======

Actualização:

Parece que a possibilidade borregou.

.

sábado, 23 de agosto de 2008

Alma Russa e idiotas úteis

O passeio militar russo na Geórgia não me surpreende, na medida em que sempre considerei que o sistema internacional é de natureza hobbesiana, com canhões apontados às fronteiras uns dos outros.
O poder tem horror ao vazio e se um determinado actor sente ter poder suficiente para mudar um status quo que não lhe agrada, agirá mais tarde ou mais cedo.
Sempre foi e sempre assim será, por muito que os utópicos em missão achem que “não devia ser assim”.
E isto é válido para todos os países, incluindo os EUA, o Irão, Israel, China, Rússia , Israel,etc.
Para quem observa a partir da Lua ou se acha alheio aos interesses em causa, não há de facto quaisquer diferenças.
Mas no mundo real todos nós temos identidades integradoras. Eu sou beirão, português, europeu, ocidental. Sinto-me parte de uma civilização com cujos valores me identifico e por isso entendo que, a um determinado nível, os meus interesses são também os do “grupo” de que faço parte.
É por isso que neste caso da Geórgia, estou naturalmente “do lado” dos georgianos, contra os russos.
Os russos não são “dos nossos”. Pertencem a uma civilização diferente e se no Kremlin se tirar o retrato de Medvedev, por detrás está o de Putin, e no fim da lista dos sucessivos czares, está o retrato de Pedro “o Grande”.
A “alma russa” é uma matrioska em cujo interior está Pedro “o Grande”. Estaline, Brejnev, Putin, etc., são apenas as sucessivas bonecas exteriores de Pedro “o Grande”.

Sendo que o que aconteceu na Geórgia é bom para os interesses russos, e mau para os interesses ocidentais, apesar de tudo as águas estão agora mais claras. A Rússia não é dos “nossos” e as suas acções nas questões importantes como o Irão, o terrorismo, etc., estão naturalmente relacionadas com os seus interesses que são claramente opostos aos nossos.
O “multilaterialismo” no seio da ONU, tão defendido por certas luminárias do nosso estupidificado socialismo, significa apenas inacção. Os países ocidentais devem portanto agir de acordo com os seus interesses, sem se deixarem tolher pelo que os russos pensam ou acham.
De volta ao mundo real, a Europa percebe de repente que a paz perpétua kantiana ainda não é desta e que a retórica pós-histórica pode ser muito bela, mas bastam alguns cossacos embarrilados em vodka, para a reduzir a cacos.

De repente a NATO e os EUA passam a ser vistos com novos olhos, por aqueles que já se tinham esquecido que viviam no mundo real.

O que deveras entristece neste caso, é que não houve manifestações “contra a guerra” por parte dos habituais “activistas da paz”.
Não vi cartazes a dizer “peace now”, não ouvi berros indignados a clamar que Putin e Medved são os “verddeiros terroristas”, não apareceram os famosos “escudos humanos”, o Dr Miguel Portas não zurrou desta vez que “somos todos georgianos”, o Bispo Torgal não assinou uma petição contra a “força desproporcionada”, o Dr Louça não apareceu a exigir o “fim da ocupação” e a Dra Ana Gomes não se referiu ainda aos voos do KGB e aos prisioneiros georgianos levados para a Rússia.
Pelo contrário, tenho até ouvido um interessante argumentário, sobre a culpa do presidente georgiano que terá feito umas maldades, pelo que a intervenção russa estará claramente justificada. Curiosamente pelas mesmíssimas pessoas que berram desalmadamente contra a “guerra do Iraque”, e juram a pés juntos que as maldades de Saddam, não justificavam uma intervenção armada.

A bem dizer, isto não me surpreende. Mas demonstra cabalmente a insuportável má-fé de uma certa esquerda suicidária, que odeia a civilização a que pertence e, no fundo, se odeia a si mesma ao ponto de se aliar prontamente de alma e coração, a todos os regimes autocráticos e totalitários, desde que estes ataquem os interesses da civilização ocidental.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Deverá a UE criticar a Rússia?


A Europa tem dado especial importância aos desenvolvimentos no Cáucaso. Capas de jornais, notícia de entrada dos telejornais, motivo de discussão entre valorosos intelectuais Portugueses e Europeus. É compreensível, na medida em que este conflito põe a Europa, nomeadamente a União Europeia, numa situação bastante difícil: criticar a Rússia pela sua ingerência nos assuntos internos da Geórgia, pela sua iniciativa que roubou a vida a alguns milhares de pessoas, que acabou com o status quo que vigorava há algum tempo ou, por outro lado, continuar refém das importantíssimas relações comerciais da União Europeia com a Rússia?

A decisão de Sarkozy foi uma decisão aceitável, dentro do previsto. Apesar da pressão enorme exercida pelos países do Báltico, o Presidente Francês sabia que não convinha levantar muitas ondas com os Russos: caso contrário a União Europeia veria substancialmente reduzidas as quantidades de gás e de petróleo provenientes da Rússia. Jogou, portanto, pelo seguro: criticou a Rússia, realçou o integridade territorial da Geórgia, mas não atacou fortemente a Rússia, ao contrário daquilo que têm feito outros líderes de países do Leste Europeu (Polónia, Lituânia, Ucrânia, etc.). Até a própria administração Americana, que sabe que este conflito não lhe diz particular respeito, teve uma acção muito mais energética do que a União Europeia.

Existem países na União Europeia muito menos dependentes da Rússia que outros. Portugal e Espanha, por exemplo, com o gás proveniente do Magrebe, estão "tranquilos" no que toca a esta questão. Será de esperar uma posição muito mais aliada aos países do Báltico, quando comparado com países do centro da Europa.

Os Estados Unidos da América anunciaram a possibilidade de boicote, a vários níveis, à Rússia de Vladimir Putin. Esta possibilidade fracassará com o certo recusar da União Europeia desta hipótese.

Entretanto, a República Checa selou com os Estados Unidos da América o acordo para colocar um escudo de defesa antimíssil na Europa Central. A República Checa junta-se desta forma à Polónia. O escudo visa proteger a Europa e os Estados Unidos de um possível ataque de Teerão aos países ocidentais. Putin diz que não: é o regresso à Guerra Fria.

Vi em rodapé, na televisão, que Chávez atribuía a crise na Geórgia aos Estados Unidos. O melhor amigo de Sócrates está cada vez mais afectada pela doença, e já não diz coisa com coisa. Mas, ao que consta, Chávez é dos mais adorado políticos à escala Mundial. Vá-se lá saber porquê...

No primeiro artigo sobre esta questão, o meu colega Carmo da Rosa, discordou daquilo que disse. Mas eu mantenho a minha: o conflito foi desencadeado pela intervenção militar da Geórgia na Ossétia, e é esta a razão que levou ao abrir do fogo. Outra questão, e é o que o meu caro colega Carmo estava obviamente a defender, é que a Rússia não invadiu a Geórgia por causa da acção desta na Ossétia. Mas isso já é outra questão. E eu concordo, obviamente, com ele.

Nas eleições para a Presidência dos Estados Unidos, esta questão deu um importante impulso a McCain. Vários analistas destacaram as suas intervenções, de forte crítica à Rússia (McCain defende, até, a saída da Rússia do G8), dizendo que McCain está como "peixe na água" neste assunto. Os Americanos mostraram, em algumas sondagens, preocupação com as últimas acções da Rússia e isto é, claramente, uma boa notícia para John Sydney McCain.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Existem problemas que não são precisos criar


A minha antipatia para com malta do Kremlin já vem desde há muito e tem razões bastante profundas, sendo por isso eu suspeito para falar daquilo que se passa no Cáucaso. Mas, mesmo assim, irei pronunciar-me sobre o assunto.

A invasão da Rússia não me surpreendeu. Era algo que já era esperado desde o fim da União Soviética e do consequente surgir (novamente) da Geórgia como país independente. O que já era esperado veio a ser confirmado quando tanto a Ossétia do Sul como a Abkházia (1991 e 1992, respectivamente) declararam a sua independência à revelia da Geórgia e de toda a Comunidade Internacional.

Muitos países do Globo, com particular relevo para os de formação definitiva mais recente, nasceram por força da ocorrência de diversos acidentes (políticos, históricos, ideológicos, económicos, culturais, linguísticos, étnicos, entre outros). A existência de países como o Quirguistão, a Suazilândia, a Eritreia, a Somália, o Burundi, o Butão, o Nepal e a Finlândia são apenas uns meros indicativos no meio de tantos outros países. Aquilo que se passa na zona do Cáucaso e a sempre acesa discussão que ocorre em África por causa das questões fronteiriças, são casos flagrantes destes tais "acidentes diversos" que as populações locais, na maioria, não ditaram ou escolheram, mas que tiveram que aceitar.

A sorte sorriu a uns e não a outros. Os pobres dos Georgianos tiveram o azar de declararem a independência de um país que, na altura moribundo, descrente e exausto, se tornaria, mais tarde ou mais cedo, uma séria ameaça à sua independência. Não se pode interpretar, de uma maneira literal como muito adepto da politiquice faz, a invasão da Geórgia por parte da Rússia como um simples "restabelecer da ordem anteriormente estabelecida" porque não é só isto que está em jogo. A Rússia quer muito mais com toda esta grande jogada.

Quer, em primeiro lugar, mostrar ao Mundo que a boa e velha Rússia, poderosa a nível regional e até a nível internacional, está de volta. Militares bem apetrechados, helicópteros pelos ares, submarinos pelos mares. Pessoas a viverem na miséria em Moscovo, mas isso são apenas pormenores que não passam nas televisões internacionais (e, sobretudo, nacionais).

Quer, em segundo lugar, assustar todos os países nascidos do desmembramento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Quer tentar estabelecer, de novo, a sua área de influência que deteve durante grande parte do século XX. E não é preciso vir a público dizer, como Brejnev fez uma vez, que os países de Leste têm uma "soberania limitada", subjugada aos interesses de Moscovo. Isto porque toda a gente sabe que, na prática, é aquilo que acontece.

Estes países, obviamente amedrontados, especialmente os países do báltico (os primeiros a requerer uma reacção enérgica da UE) veêm este acto como uma verdadeira ameaça que pode ocorrer ao virar da esquina. Estes países possuem, no entanto, um trunfo na mão: a NATO. A organização é o seu mais importante meio de defesa.

Os países do Báltico quiseram a todo o custo entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte por causa disto. Porque esta lhes dá defesa contra a Rússia. E a Rússia sabe que não pode permitir a entrada dos seus "bens preciosos" para a NATO, porque caso contrário nunca mais lhes deita a mão. A Ucrânia tenta fugir e não consegue. A Geórgia também.

A manobra actual da Rússia pode partir dos pressupostos invocados por Moscovo, em defesa da causa dos Osseto-Sulistas e dos Abkhazes, mas pouco tem a ver com isso. A justificação de Medvedev, enfatizando a obrigação da Rússia em defender os seus cidadãos que habitam nas duas zonas, poderia ser levada em conta. Afinal, ainda são muitos os Russos a viverem nestas paragens

Mas será assim tão má a vida dos Russos [distinguir Russos de Russófonos. Os primeiros são cidadãos da Federação Russa, sem obrigatoriedade de serem Russófonos (podem ser, por exemplo, Ossetas); os Russófonos falam Russo e são Russos "verdadeiros" e têm, na generalidade, passaporte Russo] nos territórios da Geórgia? O que os difere dos Russos Finlandeses ou Lituanos?

Podemos até ir mais longe: quantos são os países no Mundo com populações fora da sua pátria e que nunca recorreram a tais actos na suposta defesa dos seus cidadãos (para além de Israel, com as devidas diferenças)?

Mas quem acaba por ter menos culpa, no meio disto tudo, é a própria Rússia. Não sei o que terá passado pela cabeça de Saakashvili, para ordenar uma intervenção na Ossétia. Terá dado aviso aos Estados Unidos para estes aguentarem as pontas com a Rússia? Terá respeitado a opinião dos teóricos Israelitas a trabalharem na Geórgia, para que tivesse mais cuidado naquilo que iria fazer? Terá ele pensado que a Rússia reagiria desta forma? Terá tido pés e cabeça aquilo que fez?

Claro que não. Colheu tudo aquilo que semeou e viu-se, de um momento para o outro, sem ajudas, de mãos completamente atadas. Sarkozy correu a Moscovo, Bush gritou do outro lado e a situação compôs-se. Agora os Estados Unidos da América já endurecem o discurso para com a Rússia, mas, não esquecer, futuramente virá Obama (ou não), para praticar um diálogo frutuoso com todas as nações do Mundo.

Convém frisar que toda esta situação poderia ser evitada se o Pai dos Povos, de nome José Estaline, não tivesse integrado a Ossétia do Sul na Geórgia, dividindo os Ossetas, integrando uns na Geórgia (Sul) e outros na Rússia (Norte). A maioria das pessoas com cidadania Russa na Ossétia do Sul são, na verdade, Ossetas e não Russófonos.

Os Georgianos eram maioria na Abkházia em 1989. Agora são minoria.

Toda uma miscelânea de circunstâncias leva à instabilidade desta zona do Globo. Neste conflito ninguém está isento de culpas, é certo, mas existem problemas que nem são precisos criar: nascem sozinhos ou sem nenhuma das partes ter culpa disso.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Medvedev


O mais que provável vencedor das próximas eleições Russas, um tipo da velha e típica escola Russa (Gazprom), Dmitry Medvedev, já anda a meter o bedelho na política internacional. O tipo está com uma confiança inabalável, e fala como se já fosse o Presidente da Federação Russa. Bem, temos que ver, convínhamos, que o nosso caro Dmitry deve ter poucas ou nenhumas dúvidas sobre a sua eleição para o Kremlin...

Endossado pelo muito afável e democrata Presidente Vladimir Putin, Medvedev reúne, segundo recentes sondagens, cerca de 70% do eleitorado Russo. Vamos a ver se a OSCE não estraga novamente a festa democrática Russa, festa essa que possui décadas e décadas de estórias e eventos marcantes. Esta festa passou por Lenine, Estaline, Krutchev, Brejnev e terminou em Mikhail Gorbatchev. Mais recentemente as estórias e os eventos marcantes têm continuado, desta feita com Vladimir Putin, homem de reconhecido mérito, sendo que este mérito é comprovado pelo facto de ter sido recebido em Portugal com toda a pompa e circunstância, com direito a visita ao Palácio de Mafra. Para se ver o quanto o Vladimir é grande, basta comparar com o pobre do Dalai Lama, que nem direito a uma recepção calorosa por parte do nosso Primeiro-Ministro teve..

O que se tem verificado para os lados de Moscovo nos últimos tempos faz-me relembrar a Guerra-Fria: perseguições a líderes da oposição (coitado do Kasparov, teve que ir manifestar-se para a esquadra); limitações na formação de novos partidos políticos; resultados de eleições bastante suspeitos (analisem os resultados na Tchetchénia e saberão do que vos falo); intermissão em assuntos internacionais que lhes são completamente alheios, geralmente ocupando uma posição Anti-Americana, mesmo que esta não sirva os seus interesses (esta ingerência é-lhes permitida, em parte, pela presença no Conselho de Segurança da ONU); o caso Litvinenko, que demonstra bem a forma como está o país; a quebra de vários tratados, nomeadamente o referente às Forças Convencionais na Europa; etc.

A eleição de Medvedev será, obviamente, marcada pela continuação da política Putin, até porque o ditadorzinho vai continuar por perto, como Primeiro-Ministro.

A questão (ou não) é saber se a União Europeia continuará a jogar o jogo de Putin (mascarado de Medvedev), cedendo ás chantagens relacionadas com o petróleo e com o gás. Obviamente que continuará a jogar, porque não tem outra solução... A dependência energética da Europa face à Rússia é enorme.

A Ucrânia que nem ouse sonhar em integrar a NATO. Como diria Brejnev "Os países de leste têm uma soberania limitada"...

Ninguém pára a Rússia!

Ai Boris se tu fosses vivo...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Uma Lógica Russo / Soviética a Propósito do Kosovo


Aproveitando a declaração unilateral da independência do Kosovo, a Rússia propõe o reconhecimento internacional da independência da Abkházia e da Ossétia do Sul, províncias separatistas da Geórgia. É suposto que comecem os ‘claro, era o que se estava à espera’. Por acaso, estava. Mas no caso concreto as coisas têm um lado pouco óbvio e ainda menos conhecido.

O assunto do separatismo na Geórgia enquadra-se numa lógica muito russa de ‘Crime e Castigo’. E também numa lógica muito soviética de ‘crime e recompensa’.

Quando em 1991 a Geórgia readquiriu a sua independência, após o fim da União Soviética, o país optou for uma rejeição completa da Rússia pedindo a retirada das bases militares russas e a não aceitando o convite para integrar a Comunidade de Estados Independentes (uma espécie de reconstituição territorial da União Soviética, aquilo a que Putin chama ‘estrangeiro próximo’). Acresce que todos os líderes georgianos têm declarado pretendem reaproximar o país do Ocidente e inclusive aderir à NATO, assunto sempre escabroso para a Rússia.


Aqui entra a lógica do ‘Crime e Castigo’.

Uma dessas bases militares russas era (e é) em Gudauta, na província georgiana da Abkházia. Os russos encontraram então a forma de manter pelo menos uma base no mar Negro da Georgia e ainda punir o país pelas suas opções de política externa alheias à Rússia. Para o efeito resolveram apoiar a separação da Abkhazia, que tem uma importante minoria russa. A separação incluiu uma das mais notáveis e ignoradas limpezas étnicas do pós IIGM.

Em 1992 a Abkhazia tinha 530 mil habitantes, metade dos quais eram georgianos e apenas 90 a 95 mil de etnia abkhaze. O resto da população era composta por russos, gregos, arménios.

Entre 1992 e 93 ocorre a guerra civil entre a minoria abkhaze, apoiada e armada pelos russos, e os georgianos. Os georgianos perdem e concretiza-se a separação da Abkhazia, o castigo merecido da Geórgia. No final, foram expulsos ou fugiram da Abkházia 300 mil habitantes, o que representou mais de metade da população da província. Estima-se que tenham sido mortas 15 mil pessoas.

Atualmente a Abkházia tem 210 mil habitantes (tinha 530 mil) . Destes, 90 a 95 mil são de etnia abkhaze, tal como antes da limpeza étnica. Dos 300 mil que foram expulsos ou fugiram, a maioria eram georgianos. Toda esta gente está impedida de regressar aos lugares que eram seus e que foi obrigada a abandonar.


Agora entra a lógica soviética do ‘crime e recompensa’

O governo da Abkházia já tinha declarado a independência. Ninguém no mundo ligou muito a isso. Pelo contrário, a ONU já apelou à reposição da integridade territorial da Geórgia e permissão de regresso dos expulsos.

Agora Putin encontra o momento certo para obter a recompensa. Aproveitando um ‘furo’ chamado Kosovo tenta tirar partido e legitimar a separação resultante de um crime humanitário cometido há 14 anos.


A situação na província da Ossétia do Sul é semelhante, embora com proporções menos importantes.