Anda para aí muita conversa de mau perdedor sobre a lei do tabaco e os “argumentos” são de cair de cu.
Ele é “acudam que vem aí o fascismo”, a liberdade está em perigo e se hoje é isto amanhã será aquilo, a tirania, a opressão e macacos por cordas.
Chegou-se até ao extremo de
lembrar que os nazis tinham um programa contra o tabagismo.
Deixemo-nos de tretas.
A lei é legítima.
É boa?
É má?
Não há absolutos.
Para mim é boa.
Permite-me entrar e estar em todos os locais públicos sem que tenha de ser fumigado por dentro e por fora.
Muitas vezes fervi de indignação por, estando calmamente num restaurante a barbear um bife, ter de aturar os subprodutos da chaminé do gajo que se vinha instalar ao meu lado.
Só podia fazer duas coisas: ou amochava, ou levantava ferro. Qualquer das duas situações mexia com a minha liberdade e não foram poucas as vezes em que tive de sair para poupar a minha filha às baforadas.
Ora entre a liberdade do fumador e a minha, prefiro a minha, desculpem lá.
Isto para não entrar pela hierarquia dos bens e outras paneleirices.
Os gajos que saíram a perder, ficaram com dor de cotovelo. É natural, mas é agora a vez deles de amochar ou levantar ferro.
Para mim, está tudo muito melhor e isso é que interessa
Porquê?
Porque a minha liberdade me interessa bastante mais do que a liberdade do fumador.
Não há liberdades absolutas e, como se costuma dizer, a minha liberdade de bater num tipo de que não gosto, termina um milímetro antes do nariz dele.
É isso que está aqui em causa.Os argumentos da saúde pública, bem colectivo e patati patatá, são uma parvoíce. O argumento é a liberdade. A minha e, acredito, a da esmagadora maioria da população que era constantemente agredida na sua liberdade pelo uso indevido da liberdade de uma minoria.
Mas faz-me uma certa impressão ver liberais a perder a perspectiva individualista e a embarcar aos pinotes na converseta das grandes causas, na “defesa das minorias oprimidas” e outras louçanices esquerdistas.
Compreendo que um fumador berre e proteste contra uma lei que limita a sua liberdade de fumar. Está chateado, é normal que esperneie.
Mas que o faça em nome de grandes causas já me cheira a bichanice bloquista e faz-me azia intelectual
Por outro lado, tem de haver leis que proíbem. Por exemplo, uma que me proíba de limpar o sebo ao gajo que outro dia apanhei a rondar o meu carro. Porquê?
Porque pode acontecer que um dia esteja eu a admirar um carro e o dono pensar que lho estou a roubar.
Concordo que temos de estar alerta para a tendência do poder em ocupar todos os vazios, mas que raio, se quero viver em sociedade, tenho de aceitar que a minha liberdade de me peidar no elevador pode ser desagradável para outros e que entre esses outros talvez esteja um que se ache na liberdade de me dar com uma cadeira nos cornos, uma vez que a retaliação peidante, não será dissuasora.
Sinceramente, eu estou-me nas tintas para um tipo que fume, na verdade até aprecio, uma vez que paga impostos elevadíssimos, receitas que, temo, o estado me viria sacar a mim, se o pobre fumador as não entregasse generosamente.
Só não quero que tenha a liberdade de meter o fumo nos meus pulmões, sem que eu seja visto nem achado.
Tal como eu não devo ter a liberdade de lhe meter os resíduos biológicos da minha cerveja pela goela abaixo.
A liberdade total não se distingue do direito de o mais capaz fazer o que lhe der na gana.
Se eu posso matar A e ele me pode matar a mim, só um dos dois será livre. A alternativa é um acordo entre os dois em que ambos abdicamos da total liberdade em troca do direito de ficar vivos.É assim que nasce o estado e é uma patetice confundir a necessidade de um estado com a hiperpotência do estado.
Liberalismo não é anarquismo nem libertarismo.
Se não houver leis que restringem certas liberdades individuais, quando estas colocam em causa a igual liberdade dos outros, resta a razão da força.
Sobre o argumento nazi, sejamos claros: nem tudo o que os nacionais-socialistas fizeram pode ser automaticamente catalogado de “mau”, só porque foi feito por eles. Que raio, os nazis fornicavam, comiam, bebiam, dormiam e não lembra ao diabo garantir que fornicar é mau porque o Adolfo se punha na Eva.
O keynesianismo foi aplicado por Hitler e por Roosevelt, mais ou menos na mesma altura. Foi bom ou mau?
De resto esse “argumento” tabágico fica logo neutralizado, porque são/foram exactamente as democracias liberais a avançarem com medidas draconianas de proibição do tabaco em locais públicos. Não em nome da “saúde pública” e outros conceitos colectivistas, mas sim da liberdade. Da minha.
A do fumador que se lixe.
Ninguém lhe tirou a de berrar.