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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Interesse Estratégico Nacional

“A primeira base legal do condicionamento das indústrias nasceu da necessidade de proteger a nossa economia industrial no período de crise que alastrou no Mundo […]. Solicitada pelos industriais, essa protecção consistiu na restrição, por via de um licenciamento, da montagem de novas fábricas e de novas máquinas, quando reputada em excesso a capacidade das instaladas, ou da alienação de instalações a favor de cidadãos estrangeiros, quando considerada inconveniente. Se com este instrumento não se encontrou remédio para todos os males, criou-se ao menos uma fórmula para corrigir alguns desvios, com a vantagem de não custar dinheiro ao Estado […].

A ideia do condicionamento tem um certo mérito; […] [É] uma doutrina que hoje como então se reputa justa, se olharmos às características e tendências da nossa produção; o condicionamento apresenta-se como mais um elo natural da cadeia de limitações que o liberalismo económico vem sofrendo há um século, pela necessidade de coibir os defeitos que a sua prática mostrou e os seus teóricos não haviam previsto.”

Quem escreveu este texto? José Sócrates? Francisco Louçã? Jerónimo de Sousa? Mário Soares? Ou terá sido algum ministro da economia da noite negra do fáchismo?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Alle Menschen werden Brüder - die juden auch?


Biergarten (recomendo a toda a gente) na Baviera em Agosto de 2007


ml: «…importa-se de retirar os über- e unter- e deixar toda a gente simplesmente Menschen?»


Senhora dona ml,

Importo-me sim senhora, quero aproveitar enquanto posso a minha liberdade de colunista, porque quando o José Saramago (o outro semelhante) for ministro da cultura deste país só você e o Sérgio Pinto terão direito de antena.

ml: «…eu que descendo de uma raça de descobridores/globalizadores e sou um bocadinho ‘nacionalista’»

Em todo o caso nacionalista suficiente para chatear a mona a uma pessoa – sobre a colocação de verbos numa frase - que gosta da sua língua mas que apenas viveu nove anos (dos 9 aos 18) no seu jardim à beira-mar plantado!

ml: «…da última vez que uns tipos altos e louraços se consideraram os mais inteligentes e capazes, deu no que deu, …»

Tem toda a razão, é o que dá os socialismos-nacionalistas. Todos eles começam sempre por ser um bocadinho nacionalistas, mas depois misturam-lhe socialismo e a coisa torna-se explosiva e dá no que dá.

ml: «…e as vítimas de ontem já se candidataram a carrascos de hoje.»

Você ainda não percebeu bem a coisa! As vítimas de ontem não têm vontade nenhuma de serem, mais uma vez, as vítimas que sempre foram ao longo da história. Que diabo, querem evitar que os seus filhos ou netos venham a escrever um dia em blogues ‘que da última vez que uma religião (da paz) se considerou a única deu no que deu’.

Acerca do Dawkins nada tenho contra e continua para mim a ser muito popular, é um ateu que explica muito bem e com bastante humor como desmantelar o Altíssimo – e normalmente percebo tudo o que ele diz, que mais desejar?

Acerca de raças creio que o Eça era anti-semita, mas era anti-semita da mesma forma que Camões era racista. Para compreender é preciso ver as coisas no seu contexto e na sua época. Na época de Eça, e no meio em que ele se movia, era pura e simplesmente ‘bon ton’ este tipo de referências à raça judaica, e tem tudo a ver com o excelente p.r. do Vaticano a que anteriormente fiz referência.

O anti-semitismo só deixou abruptamente de ser ‘salonfähig’ – para se tornar tabu – depois do Holocausto, mas inspirado actualmente pela religião da paz retoma o seu curso ‘normal’ em meios de esquerda, mas não só. Só assim é que se compreende a percepção e indignação terrivelmente selectiva em relação às supostas maleficências do judeu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Espanha: Resultado das Eleições Autonómicas

(Nota prévia: o texto abaixo é uma opinião que de nenhum modo define ou compromete os outros participantes do blog, muito menos o próprio blog. A este respeito, como a respeito de outros temas, a desentendimento e a discórdia são boas prática aceites, consolidadas e bem-vindas.)


Ontem realizaram-se eleições para os governos autónomos da Galiza e do País Basco.


Na Galiza o Partido Popular elegeu 38 dos 75 deputados (metade +1), ganhando um deputado ao PS e outro ao Bloco Nacionalista Galego, BNG.

A Galiza foi governada nos últimos quatro anos por uma coligação entre o PS galego e o BNG, de esquerda. Quatro anos de dinheiro mal gasto que foram suficientes para deitar a perder uma experiência governativa que deu mais espaço à afirmação da identidade galega.

O nacionalismo galego é essencialmente interpretado pela esquerda radical, ao contrário do que acontece no País Basco ou na Catalunha onde o separatismo é cultivado desde o centro-direita à extrema-esquerda. Foi uma interessante novidade que tenha concorrido às eleições autonómicas um partido nacionalista de centro, o ‘Terra Galega’ (assim mesmo, à portuguesa, e não Tierra Gallega, à espanhola).


No País Basco, pela primeira deste a criação da autonomia, os partidos nacionalistas perderam a maioria parlamentar. Os partidos de âmbito espanhol (PS, PP, UPD) detêm agora 38 dos 75 deputados (metade +1, como na Galiza). O método de Hondt não foi suficiente para que o partido mais votado, o Partido Nacionalista Basco (EAJ-PNV), centrista, obtivesse a maioria com o apoio dos pequenos partidos da esquerda basca. No entanto, a maioria dos eleitores, uma vez mais, votou nos partidos bascos.

Tudo indica que o PS basco, o segundo mais votado e que subiu de votação, vai governar em minoria com o apoio de ocasião dos nacionalistas e do PP. É significativo que o PP, anti-nacionalista, seja o mais satisfeito com o com o resultado eleitoral apesar de ter descido de 17% em 2005 para 14% agora.


Os jornais de Madrid expressam contentamento pelos resultados destas eleições; aparentemente estas são boas notícias para a unidade da Espanha. E, no entanto, talvez não sejam.

Até aqui os grandes partidos nacionalistas locais continham os impulsos separatistas pela necessidade de conviver institucionalmente com o Estado central. Com o afastamento destes partidos dos governos autonómicos este motivo de moderação está quebrado. Abre-se assim a porta grande para o ressurgimento em todo o espectro político local do fervor identitário, do ressentimento anti-espanhol, das emoções nacionalistas.

Mais cedo ou mais tarde a Espanha desfaz-se. E mesmo que seja tarde, nunca será tarde demais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

CASTELHANO VERSUS PORTUGUÊS



Aqui há dias, já não sei inicialmente a que propósito, houve uma troca (interna e através de mail) de comentários muito interessantes entre vários redactores do Fiel sobre a língua castelhana. Quis responder a todos eles de forma curta e sucinta e quando dei por ela já ia em cascos de rolha…

Dizia aos meus colegas de redacção que quando os holandeses me perguntam, e isso acontece frequentemente, qual é a diferença entre a língua portuguesa e o espanhol (castelhano), eu por vezes respondo que ambos os povos falam a mesma língua mas que os espanhóis têm uma deficiência na fala…
Creio que os meus ‘fieis’ colegas pensaram que eu estava a falar a sério!

A minha resposta à pergunta dos Holandeses - e por vezes utilizo-a mesmo na presença de amigos espanhóis mais íntimos, ou com mais sentido de humor - é naturalmente irónica! Eu realmente digo por vezes destas coisas a holandeses, mas logo a seguir explico o mais seriamente possível o que penso sobre a questão - e realmente não creio que eles tenham uma deficiência na fala!!!

Apesar de este curto vídeo provar o contrário!




O castelhano têm certas sonoridades que a nossa língua não tem e vice versa. Mas tem precisamente a mesma raiz. E como diz José António Saraiva: “(…) Só em Portugal e Castela se encontra a palavra 'cama', que alguns supõem de origem ibérica. Só em Portugal e Castela encontramos a palavra 'nada', quer como expressão negativa, quer como substantivo abstracto (catalão resno-res, francês rien, italiano niente). (…) A oposição entre 'ser' e 'estar' é uma invenção das duas línguas ibéricas do Ocidente, invenção importante, que não se encontra em catalão, francês, italiano e outras línguas românicas.”

E tem mais ou mesmo a mesma quantidade de palavras árabes. É verdade que tem uns arabescos entranhados na língua que nós não temos: o artigo ‘el’, o ‘j’ gutural e o ‘olé’ (que vem de Alá). Mas isso compreende-se porque tiveram que os aturar mais 200 anitos do que nós – o Algarve foi libertado em 1293 e Granada só caiu em 1492. Nada de novo no horizonte, e só por causa das fronteiras (políticas), e só há mil anos para cá, é que se pode realmente dizer que são línguas diferentes.

Mas em todo o caso, a diferença que existe entre o castelhano e o português, e muito ao contrário do que aquilo que pensa o meu colega Paulo Porto, é muito menor do que a existente entre neerlandês e o alemão. Mesmo menor que a diferença entre o neerlandês e as outras línguas ainda (muito) faladas na própria Holanda. Como o frísio, o twents, o gronings e o limburgs. (Esta gente só se percebe com a ajuda de legendas).

Resumindo, Portugal é talvez o país, linguisticamente falando, mais homogéneo do mundo. Minto. Só da Europa. Do mundo é o Brauuusíííl porra…


Ao contrário do David, não acho o castelhano de maneira nenhuma um suplício. Como quase todas as línguas latinas é uma língua agradável. Para quem goste de expressividade e de contrastes bem marcados é, sem dúvida, mais aberta e expressiva que a nossa. A este respeito António José Saraiva diz: “No que respeita às vogais, o esquema castelhano é muito mais simples e contrastado que o português, pois se reduz às cinco vogais A, E, I, O, U.”

Mas os que gostam de fado-menor acham naturalmente a nossa língua mais subtil. Para reforçar esta ideia o mesmo Saraiva acrescenta: “o português (como aliás o francês e o catalão) distingue nuances a que normalmente chamamos vogais fechadas e abertas, de modo que em vez de cinco tem oito vogais (Á, Â, É, I, Ó, Ô, U). Ao lado desta série temos ainda a das vogais ditas “mudas” ou átonas, geralmente em fim de palavra, que só um ouvido atento e treinado no sistema distingue bem: e como em sede, a como em cada (notar que o a fechado da primeira sílaba não soa como o a final).”

Eu, como gosto muito de flamenco, mas também muito de fado, sou obrigado a pedir ajuda ao Eça para resolver este dilema: “não peço às palavras passaporte mas sim expressividade”. Depende do humor do momento.

Uma vantagem do castelhano sobre as outras línguas neo-latinas, é sem dúvida o facto de ser de todas a mais fonética, o que a torna mais fácil para o ouvido do estrangeiro. Em castelhano ‘palo’ escreve-se precisamente como se pronuncia. Em português duvidamos entre ‘pau’ ou ‘pao’, entre ‘mau’ ou ‘mao’. El ‘poder’ em castelhano não oferece dificuldades, mas em português vem a dúvida: escreve-se ‘puder’ ou ‘poder’?
Joder, el portugués és un lío …


O José Lencastre, ao contrário, diz que é o castelhano um ‘lío’ e aconselha-me “para desencalhar” o meu espanhol apenas uma coisa: "ler a granel (não tente treinar-se, adequar-se, falando com malta espanhola - ainda ficará mais confuso, às tantas a sua cabeça começa a dar de si.”

Já não há nada a fazer, creio que o conselho já vem tarde, porque o pouco castelhano que conheço sempre o treinei com malta espanhola! E em conhecimentos de castelhano creio que vou ficar mesmo por aqui porque, e como dizia outra vez o Eça numa carta a Madame S., que lhe perguntava se ele conhecia um professor de espanhol para o seu filho aperfeiçoar até requintes supérfluos a língua de Cervantes, “Não, minha senhora! Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros!”

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Tribalismos

São inseparáveis de qualquer forma de noção de identidade a natureza “positiva” da sua natureza “negativa” – o ódio, a vingança, etc. Inseparáveis por definição. Portugal nasce em oposição a Castela e ao Islão. Identidade implica um nós e um outro. Até o cristianismo quando manda amar o inimigo afirma que há um inimigo. E não há uma razão supra-identitária – a razão universal – como mediador. Apenas um equilíbrio tensional onde a razão é apenas instrumento. Não possuímos razão como possuímos um orgao ou uma faculdade. É uma herança social, um departamento da alma ou do espírito da sociedade. Resultado de um intercambio intelectual mas aberto ao jogo das paixões. É por isso que o nacionalismo germânico foi especialmente danoso, enquanto anseio da unidade perdida, da unidade tribal, da unidade primitiva e pura. Foi uma fuga colectiva para uma cidadela interior – um mundo de sonhos – a que se dispensa o peso da cruz da civilização. Por alguma razão a historia foi sempre mais branda com a loucura colectiva do que com a individual.

PS Isto era missiva – mais ou menos isto – para seguir para o covil não fosse o dragão despedir sem aviso e sem justa causa a caixa de comentários. Feito a pedir cgtp em fúria e a blogosfera a cadeados

domingo, 15 de junho de 2008

FUßBALL ÜBER ALLES...


O hino alemão, Das Lied der Deutschen é, apesar de ‘censurado’, na minha MODESTA opinião o hino mais bonito que se houve em campos de futebol. Um belo poema patriótico, que sem ser obrigatoriamente patrioteiro, é apoiado numa fantástica melodia que coloca os jogadores alemães a ganhar 2-0 antes mesmo do pontapé de saída.

Não é de estranhar, tudo o que os alemães fazem leva o carimbo: Deutsche Grundlichkeit (precisão/solidez). Assim também o hino, que é da autoria do escritor alemão August Heinrich Hoffmann e foi escrito em 1841 quando este morria de saudades na ilha Helgoland, ocupada na altura pelos ingleses e é utilizado pela Alemanha Federal desde 1922. A melodia, bem mais antiga que as palavras, é de uma canção de Joseph Haydn de 1797 Gott erhalte Franz dem Kaiser e era até 1918 ouvida na Áustria como ‘o hino do imperador’.

Da letra só se ouve actualmente nas cerimónias oficiais a bastante neutral terceira estrofe, apesar de nenhuma delas ser proibida, ao contrário do que por vezes é insinuado. Além disso não está oficialmente assente em nenhuma lei o estatuto da Deutschlandlied como hino nacional alemão, há apenas uma carta de 1991 entre o Presidente e o Chanceler da Alemanha em que se designa a terceira estrofe como hino nacional.
A normalmente ouvida terceira estrofe:

Einigkeit und Recht und Freiheit
Für das deutsche Vaterland!
Danach lasst uns alle strebe
Brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
Sind des Glückes Unterpfand:
blüh’ im Glanze dieses Glückes,
Blühe, deutsches Vaterland!

---//---

Unidade e Justiça e Liberdade
para a Pátria Alemã!
Procuremos juntos
alcançá-las de alma e coração!
Unidade e Justiça e Liberdade
são o penhor da felicidade.
Floresce, no esplendor desta felicidade,
Floresce, ó Pátria Alemã!


Porque a primeira, com o 'Alemanha acima de tudo',

Deutschland, Deutschland über alles
über alles in der Welt,
wenn es stets zu Schutz und
Trutze brüderlich zusammenhält.
Von der Maas bis an die Memel,
Von der Etsch bis an den Belt,
Deutschland, Deutschland über alles
über alles in der Welt,

---//---

Alemanha, Alemanha acima de tudo,
acima de tudo no mundo,
quando sempre, na defesa e na sua protecção,
se mostra unida como irmãos.
Do [rio] Mosa até ao Memel,
Do [rio] Etsch até ao Belt,
Alemanha, Alemanha, acima de tudo,
acima de tudo no mundo!

tornou-se anacrónica, mas sobretudo politicamente problemática, depois da desintegração da Alemanha no seguimento da primeira e da segunda Grande Guerra. Os países vizinhos poderiam insurgir-se contra um hino que parece querer fixar as fronteiras do seu país muito além das fronteiras actuais: No território da Holanda, da Áustria, da Itália, da Polónia, da Rússia, da Dinamarca ou da Lituânia.

O rio Memel corre com o nome de Nojman na Bielorrússia, e como Nemunas na Lituânia, e era a fronteira noroeste da Prússia. O rio Etsch corre no norte da Itália e lá chama-se Adige, e era a fronteira sul do Tirol do Sul. Com o Belt querem dizer o Fehmarn Belt, o estreito de mar que faz fronteira entre a Dinamarca e a Alemanha.

As palavras Deutschland über alles (Alemanha acima de tudo) são geralmente mal compreendidas, vê-se nisso um apelo para dominar outros povos, e é evidente que os Nacional-Socialistas promulgavam precisamente esta interpretação com a sua política do 'espaço vital' (Lebensraum), no entanto, na origem, estas palavras tinham um significado bem diferente. Eram um apelo a todos os alemães para que a identidade alemã prevalecesse acima das quezílias regionais, acima das lealdades individuais e mesquinhas dos inúmeros condados. Precisamente como a Europa neste momento.

Para quando uma Europa über alles?

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O que é Nacional(-Socialista) é bom


"Os portugueses vivem hoje num clima de crise, desde o desemprego, à nossa fraca economia é certo que quem mais sofre somos nós, mas o que certamente muitas vezes não nos passa pela cabeça é que podemos ter uma certa culpa nesta grave situação. Frequentemente, quando vamos às compras, tentamos ir à procura do produto mais barato, mas o que agora é barato, pode vir a curto prazo, a tornar-se muito caro para todos nós. Desde a mais pequena especiaria ao peixe que comemos, o nosso mercado está inundado por produtos fabricados no estrangeiro. Tendo normalmente esses países uma economia mais forte que a nossa, conseguem vender os seus produtos a um preço mais baixo e, desta forma, somos levados, a comprá-los. Mas, quando o fazemos, estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e, sem dúvida, por vezes, a tirar postos de trabalho no nosso país. Quando não compramos produtos nacionais e compramos artigos estrangeiros, os nossos fabricantes são obrigados a subir o preço dos seus produtos para compensar as quebras de produção. Ora se os produtos concorrentes já eram mais baratos na origem, isto faz com que os nossos fiquem ainda mais caros. E sendo mais caros, ninguém os compra. Toda esta situação leva posteriormente ao encerramento de muitas empresas e consequentemente ao crescimento do desemprego."


Ao espiolhar o blog do camarada Caturo, acabei por ir parar ao site do Movimento 560, dedicado à promoção da “produção nacional”, de onde retirei esta hilariante peça de iliteracia linguística e económica.

Socialistas de todas as variedades, da baunilha à nacionalista, de Mário Machado a Francisco Louçã, são unânimes: o comércio internacional é uma coisa muito má. As inevitáveis consequências são “o encerramento de empresas e o crescimento do desemprego”, ou usando as palavras de Ross Perot sobre o NAFTA e a antecipada fuga de postos de trabalho para o México, o resultado é o giant sucking sound dos empregos a serem aspirados para o exterior, desta feita para a China.

A “solução” proposta também não difere muito segundo a variedade de socialista. “Compre produtos portugueses” para o nacionalista, ou se for alterglobalista, "Comprar local”.

Devemos fazê-lo porque senão, ao comprar produtos vindos de além-fronteiras, “estamos a contribuir para um maior crescimento das exportações desses fabricantes estrangeiros e a tirar postos de trabalho no nosso país.”

Ou seja, uns “ganham” e os outros “perdem”. Mas se é assim, porque é que insistimos numa actividade tão obviamente desfavorável? A falácia é uma das mais habituais entre os analfabetos económicos - a de que o comércio, neste caso o comércio internacional, é uma actividade de soma nula. Se comprar bolachas maria da Cuetara "estou a dar aos espanhóis” e a “tirar aos portugueses”. É nesta altura que a caixinha da mioleira dá de si e estoura o fusível. A transacção ocorre porque tanto o português como o espanhol percepcionam um ganho. As transacções internacionais a um nível macroeconómico realizam-se pelo mesmo motivo.

E o que ocorreu realmente depois da aprovação do NAFTA? O congressista norte-americano David Bonior avisou: “Se o NAFTA for aprovado, a indústria automóvel no estado de Michigan irá desparecer”. Pois bem, o número de empregos imediatamente aumentou e o desemprego nos EUA caiu para os níveis mais baixos de sempre. Nos seis anos seguintes foram criados, só na indústria automóvel americana, 100.000 novos postos de trabalho . Estes resultados repetem-se constantemente em outros acordos de comércio bilaterais, no entanto o socialista dos quatro costados, com os óculos escuros à Matrix, não vê, não consegue perceber, ou “acha que não é bem assim”.

A razão porque os empregos aumentam em vez de diminuir não é nada difícil de entender. As trocas mutuamente benéficas aumentam a prosperidade dos dois países; esta riqueza acrescida incrementa por sua vez a procura de bens e serviços, o que leva à criação de novos postos de trabalho para satisfazer a procura adicional. Tcha-nan! O que leva a outro ponto essencial: Não há um número fixo de postos de trabalho em disputa por dois países que comerciam livremente. À medida que ambos ficam mais ricos, o número de postos de trabalho aumenta, beneficiando os dois.

Agora tentem lá meter isto na cabeça do camarada Caturo e do Ladrão das bicicletas...

Adenda: O estranho mundo dos caturos americanos. O primeiro comentário ao post diz tudo: "He wants trade to benefit Americans? Good, he can relax then because that's precisely why Americans trade, to benefit themselves. He's got nothing to worry about. Of course, that's not what he really wants. He wants some Americans to benefit at the expense of other Americans."

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mário Machado

"Mário Machado referiu que nada o move contra os judeus, mas antes contra os que são sionistas. “Somos contra os judeus sionistas”, assim como há judeus que são contra os judeus-sionistas. "

Mário Machado é o mais "mediático" neonazi português.
Situa-se na extrema-direita trauliteira e reclama-se herdeiro do socialismo do tipo “nacional", numa comunhão de ideias com Le Pen, Wilis Carto, etc.
Estas suas afirmações são de uma subtileza notável, porque repetem ipsis verbis a ideologia da chamada "esquerda moderna".
MM defende-se com um piscar de olhos à inteligentsia esquerdista que domina a nossa cultura.
O que confirma aquilo que todos sabem, isto é, que o “anti-sionismo” é apenas uma forma politicamente correcta de dizer o indizível.
A verbalização do anti-semitismo “racial”, está hoje limitada aos meios neonazis, que suscitam pronto repúdio, e islâmicos que, em vez de repúdio, suscitam "compreensões" e "explicações".
O anti-semitismo de raiz económica com pontuadas na teoria da conspiração, mais conhecido por anti-sionismo é, pelo contrário, uma doutrina com larga aceitação nos meios de esquerda.
Todos os esquerdistas são "anti-sionistas" e até Mário Soares se sente à vontade para largar as suas ventosidades sobre o tema.
Este anti-semitismo tem profundas raízes na esquerda, do sec. XIX, que se indignava com o “feudalismo financeiro” atribuído a proeminentes homens de negócios de origem judaica .
Karl Marx, ele próprio um judeu, em “A questão judaica”, identificava o capitalista como o “verdadeiro judeu” , dizendo também que "a sociedade burguesa engendra constantemente o judeu em suas próprias entranhas".
O socialista Proudhon escrevia textos de grande hostilidade contra os “parasitas judeus”.

A mutação “anti-sionista”, de um bem sucedido virus milenar, infecta hoje por completo a “esquerda moderna”, que se sente perfeitamente livre para invocar o velho demónio do anti-semitismo, agora convenientemente travestido de anti-sionismo, ou “apoio à causa palestiniana”.

Mário Machado também já percebeu que se pode perfeitamente ser anti-semita sem incorrer na condenação intelectual, moral e legal devida aos imbecis, aos canalhas e aos criminosos.
Basta reclamar-se de "anti-sionismo" e ganha imediatamente como fellow travelers todas as luminárias da "esquerda moderna", incluindo o Dr Mário Soares e o Dr Miguel Portas que, de resto, também estão com Mário Machado na "luta" contra a globalização, contra o mercado e contra o "neoliberalismo".
Na verdade é bem maior aquilo que os une (a começar pela palavra "socialismo"), do que aquilo que os separa.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Berlusconi parecido com Mussolini? Oh Jesus (Christ)!

Estou velho, e os cabelos brancos, embora invisíveis a olho nu e ao microscópio, estão cá. Doem me as costelas, é a artrite, livralhada escasseia, a pensão é baixa, a ulcera aperta, vislumbro a morgue, leio a caixa de comentários e acredito que é desta que vou finar. Meus senhores, as bibliotecas publicas não servem só para espatifar o erário publico. Parece que a reacção hardcore está ai cheia de vigor mas com pouca substancia. O Patriotismo, que a escada da história espirituosamente nos legou, é, deus bom, comemorar em delírio os golos de Ronaldo, louvar este pedaço de terra que quis deus que fosse nossa, e acompanhar com uma lágrima no canto do olho os fados da dona Elvina. Podíamos, mais avisados e soturnos, apelar ao ideal cívico novecentista – ai, ai, ainda me atiram livros à cabeça – e a caminho passar pelo Jean Jacques. Uma colmeia de cidadãos com direitos e deveres, formalmente iguais, e a explodir de virtudes para o serviço da coisa publica. De direita? De esquerda? Nada disso, filhos das luzes. O nacionalismo é outra estoria.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Berlusconi parecido com Mussolini? Oh lord!

Chegou a altura de fazer as malas e desfazer o disfarce. Um dos anónimos, ladino e implacável, descobriu-nos as botas e os braços estendidos no ar. Imaginava-nos impunes e prontos a enfiar, pela calada da blogosfera, schelling e cruzes gamadas nas goelas escancaradas e incautas dos transeuntes enquanto urdíamos a invasão da polónia. Companheiros, fechemos as portas e toca a bazar para a frente nacional. Mas, oh diabo, Berlusconi?! Como é que se atiram as sebentas à cara de um anónimo virtual?

Antes de tirar o braço do ar e arrumar a tralha nacional-socialista, alguns pontos sobre o assunto, dando por barato que berlusconi está do lado de cá entre conservadores e liberais

O nacionalismo foi bastas vezes doutrina revolucionária.

O nacionalismo nunca morreu de amores por isto: democracia representativa, capitalismo, liberdades individuais, e outras malvadezas do estilo.

O nacionalismo privilegia a comunidade histórica, lamentavelmente a roda do tempo não pára

O nacionalismo digeriu mal o ano de 1789 e pior as luzes