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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Plano Inclinado - China em crescimento e "Europa" decadente

O governo chinês não está a conseguir travar o crescimento para evitar problemas de pressão social.

Quem diria que é a falta de crescimento que trás problemas de pressão social e não trás "o excesso de exploração da mão de obra barata pelo capitalismo selvagem e neo-liberal". Claro que haverá sempre idiotas que insistirão que os sinistros "neo-liberais" só dinamizam o crescimento mantendo as passas de estômago aconchegado para evitar "revoluções".


sábado, 18 de setembro de 2010

Troca de coçadelas

Entre outras tortuosidades do verde politicamente correcto vigente, conviria saber se (sim ou não) os Estados Unidos e Inglaterra acordaram (3:40 do 2º vídeo), em gabinete, vir a reconhecer que Tibete faz parte da China em troca desta declarar em Cancún que ... ou tomar a posição de ...



Playlist de 4 vídeos que se sucederão automaticamente

sábado, 20 de dezembro de 2008

SE KIM MORRER NÃO MORRE O RESTO...


Outra causa que a esquerda normalmente deixa a mão, não lhe merece destaque como diz Paulo Porto, é a situação actual na Coreia do Norte. Gostaria apenas de atenuar ligeiramente esta afirmação: já existe uma esquerda que tem a coragem de falar nestas coisas, por exemplo a jornalista Holandesa Bettine Vriesekoop, mas também, e isto é muito mais importante, um escritor chinês que não faz parte dos habituais dissidentes do regime.

O relato que o escritor Chinês Ye Yonglie fez da sua viagem turística à Coreia do Norte foi, pouco antes do início dos Jogos Olímpicos, rapidamente retirado das prateleiras pelas autoridades chinesas. Quem nos diz isto é Bettine Vriesekoop, jornalista e ex-campeã da Europa de ping-pong (1982 e 1992), e também vencedora do Top-12 da Europa em ’82 e ’85. Depois de muitos estágios na China e contactos com jogadoras Chinesas resolveu aprender a língua e estudar Sinologia e Filosofia Oriental. Actualmente é uma das enviadas especiais na China para a imprensa holandesa. Nota-se no relato dela e de outros jornalistas que os Chineses já começaram a sair da casca…

“A Coreia do Norte é um fóssil comunista vivo. Toda a gente tem um broche na lapela com a cabeça do ‘Grande Líder’. Por todo o lado se vêem bandeirolas com textos dizendo ‘Kim Il Sung é imortal’. Mas só cidadãos exemplares é que podem viver em Pyongyang, na capital. Deficientes ou pessoas com familiares radicados na Coreia do Sul são desterrados. As mulheres não podem andar de bicicleta nem andar sozinhas na rua. À noite a cidade é escura como breu e a electricidade vai-se abaixo pelo menos 200 vezes por dia”

Uma passagem do livro A Verdadeira Coreia do Norte de Ye Yonglie.

Ye Yonglie vive num modesto apartamento do centro de Pequim onde nada transparece a figura de um escritor bastante famoso. Centenas de milhões de crianças leram o seu livro Dez Mil Perguntas, e nos anos oitenta ficou famoso com a sua biografia de Jiang Qing, a mulher de Mao Tse Tung. Mas o reconhecimento internacional veio com o seu último livro sobre a Coreia do Norte.

Ye queria passar um mês na Coreia do Norte, mas como escritor não conseguiu visto, resolveu então introduzir-se no país juntando-se a um grupo de turistas chineses. Durante toda a sua permanência foi perseguido por agentes Coreanos e as suas fotografias digitais foram-lhe retiradas da máquina na fronteira, no fim da viagem. Mas como o funcionário da aduana não sabia o que era uma pen ele conseguiu salvar muitas fotografias, de que mais tarde se serviu para mostrar em que estado é que o país realmente se encontra.

Segundo Ye, a Coreia do Norte é comparável à China de Mao durante o período da Revolução Cultural (1966-1969), onde as pessoas morriam de fome. O país, que festeja este ano os seus sessenta anos, está completamente arruinado, a população passa fome e está sob uma lavagem ao cérebro constante.

Baseado no seu relato de viagem e nas suas fotografias, Ye escreveu um longo ensaio que foi publicado em forma de livro mas também colocado na Internet, e foi mesmo feita uma rádio-novela transmitida pela Rádio Pequim. E como os Chineses não têm a mínima ideia do que se passa na Coreia do Norte, a série na rádio era muito popular. Foi nesse momento que a Embaixada Norte Coreana protestou junto do governo chinês da forma como Ye retratou o país, e as autoridades chinesas retiraram o livro das prateleiras.

Com a abertura dos Jogos Olímpicos à perna a China não queria que o pensamento ‘One World One Dream’ fosse perturbado – nem mesmo pela vizinha Coreia do Norte. Mas a proibição do livro foi contraproducente, o livro tornou-se mais conhecido do que já era. A proibição de livros na China já não é tão fácil como era dantes.

”Eu visitei a Coreia do Norte com a intenção de observar a Coreia com os olhos de um turista Chinês. Queria apenas descrever a realidade. E a realidade é que um ditador megalómano sequestrou um povo inteiro de 24 milhões de almas. Nunca vi tanta fome. Na fronteira, mal tínhamos saído do comboio, que os funcionários dos caminhos de ferro se atiraram como lobos esfaimados para cima dos cestos do lixo para arrebatar os últimos restos de comida dos sacos de merenda que nós deitamos fora.

Por todo o lado via-se bandeirolas a dizer que ‘Kim Il Sung é imortal’; ‘A educação é gratuita’; ‘não há drogas’; ‘não há prostituição nem corrupção’. A utopia comunista é por todo o lado vangloriada, mas na realidade as pessoas vivem com a morte sempre presente. Os hotéis estão vazios, não há comércio e as pessoas vestem-se todas de roupa cinzento escuro. A população foi completamente silenciada.”

Ye compara o seu livro com os Versículos Satânicos do escritor britânico Salman Rushdie. ”Quando o livro de Rushdie deu origem a uma ‘fatwa’ no Irão, a rainha Elisabeth protegeu Salman Rushdie e o livro foi publicado. E o que é que acontece neste país? A China não tem uma rainha e ajoelha-se perante o irmão mais novo. Eu esperava uma atitude mais firme de Pequim.”

Ye não compreende a atitude submissa das autoridades Chinesas em relação à Coreia do Norte. Lembra que a Coreia, por sua vez, em momentos cruciais nunca se mostrou um país amigo da China. ”Quando a China se candidatou aos Jogos Olímpicos de 2004 a Coreia votou contra. Todos os Chineses ficaram chocados. Onde estava a solidariedade norte-coreana?”

Ye tem esperanças que a Coreia ainda vai abrir as suas portas ao mundo, assim como a China. ”A morte de Kim Il Sung é talvez a última hipótese para salvar o povo coreano de morrer de fome.”

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Capitalismo no século XXI


O National Inteligence Council (NIC), um organismo consultivo do governo dos Estados Unidos da América, apresentou, há dias, um relatório onde afirma que o poder hegemónico dos Estados Unidos no Globo poderá sofrer alterações significativas nas próximas décadas.

As conclusões a que o relatório chega não são, de todo, surpreendentes: o cada vez maior papel da China, da Índia e do Brasil no comércio Global, com o consequente crescimento do PIB, do poder de compra e do poder destes países, vem pôr em causa, necessariamente, a posição extremamente confortável em que os Estados Unidos se encontravam até há uns anos atrás.

Porém, convém guardar os foguetes. Apesar do texto enganador publicado no site do Publico, a supremacia Americana perdurará, possivelmente, até 2030, ano em que esta começará a ser pertubada por uma enorme China e por uma poderosa Índia.

Ao contrário do que o artigo do Publico diz, os Estados Unidos disputarão, essencialmente com a China e a Índia, a posição de potência número 1 do Mundo. Os EUA não desaparecerão subitamente, como parece ser sugerido pelo jornalista, quando afirma que: "Rússia, Índia e China, diz o documento, serão os novos líderes Mundiais". Um erro de tradução poderá ser, provavelmente, a causa do equívoco do jornalista, uma vez que o NIC sublinha que os Estados Unidos da América continuarão a ser líderes em algumas áreas e que tudo dependerá das próximas Administrações Americanas.

A derrocada dos Estados Unidos não acontecerá. O Mundo vai ser multipolar, com certeza, mas um dos mais importantes centros de poder será a América do Norte, onde os Estados Unidos tenderão, creio, a reforçar laços com os já parceiros comerciais México e Canadá, para se manterem um degrau acima da China e da Índia.

Os Estados Unidos manter-se-ão na frente em alguns domínios, sendo o mais importante de todos o militar; O dólar continuará a ser uma moeda forte, com óbvia concorrência do Yuan, da Rúpia e, talvez, do Euro; As empresas transnacionais Norte-Americanas continuarão a ser as mais fortes à face do Globo; O Dow Jones e o Nasdaq continuarão entre as principais bolsas do Mundo (ou mesmo a principal, em capital movimentado); O NAFTA terá um papel importantíssimo, sendo de esperar desenvolvimentos importantes dentro do tratado de livre comércio.

O mundo continuará a ser capitalista, a única diferença é que a extrema-esquerda e a extrema-direita passarão a apontar armas tanto para ocidente como para oriente. É difícil de engolir, lamento muito caros amigos, mas não é com Barack Obama, Hu Jintao e Manmoah Singh que o Mundo mudará.

É melhor a esquerda contentar-se com o apoio aos Palestinianos, com os devaneios contra futuros Obamas, Jintaos e Singhs, com as manifestações Antiglobalização, com a fomentação de greves, com as Organizações não governamentais (uma bela invenção capitalista), com a multiculturalidade, com o combate ao racismo e com outras tarefas reinvindicativas.

O futuro não poderá ser de poder para a esquerda radical. Viveremos com ela, como sempre vivemos, iremos aceitá-la nos Parlamentos Nacionais, vamos deixar que ela continue a sua "cruzada" contra o capitalismo.

Eles podem bufar, mas os filhos de Adam Smith e de David Ricardo irão cumprir os sonhos dos seus pais.

Nem tudo será um mar de rosas, uma vez que continuarão a existir Venezuelas de Chávez e Rússias de Putin alimentadas pelo nosso mercado, tal como continuarão a existir Cubas Castristas e Coreias do Norte de Kim isoladas e a morrer de fome. Continuarão a ocorrer iniciativas, entre os mais iluminados, para juntarem os seus países a Venezuelas ou a Cubas. Continuaremos a aturar Chomskys e Sartres porque foi isso que sempre defendemos.

Mas continuarão a cair Iraques, Afeganistãos, Jugoslávias e Uniões Soviéticas.

Abram alas ao capitalismo do século XXI, onde a concorrência será enorme (assim esperemos!), onde o Mundo será cada vez mais igual, onde as oportunidades surgirão ao virar da esquina, onde o poder de compra aumentará, onde África sairá do pesadelo.

Os Estados Unidos da América concederam a oportunidade à Europa, depois ao resto do Mundo.

Hoje há quem diga que eles perderão a posição hegemónica que detinham. Mas não saberiam os Americanos já isso quando começaram a abrir mercados?

sábado, 15 de novembro de 2008

A CHINA E A INTERNET...














Mais uma chinesice de Oscar Garschagen, correspondente holandês do diário NRC na China, com umas bocas fantásticas na blogosfera local e numa revista semanal, até rima e faz com que o Grande Timoneiro dê duas voltas no caixão… E a mim incita-me a cantar:


Ai, esta China ainda vai cumprir seu ideal
Ainda se vai tornar um imenso regime, liberal.

Apesar da censura os jovens chineses na Internet são todos eles elogios sobre Barack Obama. “Please, caro Obama, também nós pobre chineses queremos democracia.”

“Eu tenho a certeza”, escreve a chinesa Mai Li na BBS.People.com, “que milhões de chineses ficaram muito sensibilizados pelo discurso de tomada de posse de Barack Obama. Eu imprimi logo o texto e dei-o a ler ao meu patrão, um alto funcionário do partido. Ele olhou-me com um ar confuso, envergonhado e não disse uma palavra. Choro pela China.”

Segundo uma sondagem da empresa americana Horizon Research os jovens chineses, caso isso fosse possível, teriam votado em massa em Obama porque ele é jovem, idealista e afro-americano. Os mais velhos permaneceram completamente indiferentes às eleições americanas. Seguiam as eleições através do canal nacional com um divertido distanciamento. O espanto impera, pelo facto dos americanos terem conseguido eleger um negro para presidente - produto da propaganda anti-americana.

É óbvio que a pergunta, se os jovens chineses também gostariam de ver introduzida esta forma de democracia ocidental, não foi feita pela Horizon Research. Mas que a espectacular vitória dos Democratas abriu o espírito à juventude chinesa é mais do que evidente, basta dar uma vista de olhos pelos blogues chineses mais concorridos (baidu.com; Sina.com; BBS.people.com) – todos eles controlados pela censura.

Por exemplo, Moluver003 de Changai posta: “Este sistema adulto dá a possibilidade aos americanos de fazerem as suas próprias escolhas. O sistema é dinâmico e possibilita a realização de sonhos. E é isso precisamente o que faz falta ao grande país deste lado do Oceano Pacífico. Apesar de sermos um grande país e os nossos líderes falarem constantemente em mudança (change), nunca acontece nada. Há sempre milhares de desculpas para não se fazer reformas.”

E este blogger continua: “Quantas mais vezes a gente vir o Obama, são quantas as vezes que seremos confrontados com esta carência. Os funcionários chineses são cada vez mais corruptos. Mas a história ensina-nos que mesmo os líderes que se recusam a fazer reformas, no final, vão ser obrigados a reformarem-se.”

Um blogger com o pseudónimo Dura Lição diz a coisa de maneira mais poética: “Veja-se Obama e compare-se com os nossos dirigentes do partido. Quem é a águia majestosa que voa lá nos altos, e quem são os miseráveis ratos que rastejam pelo solo.”

O blogger Patriota007, pelos vistos inspirado pelo novo filme de James Bond, que estreou na China na semana passada, acha que Obama ainda não tem problemas suficiente para resolver: “Por favor, caro Obama, os Chineses também estão ansiosos por ter democracia, por favor ajuda os pobres Chineses.”

Outro blogger com o nome Senator McCain: “Eu sei que nós na China não podemos contar muito com igualdade, democracia e uma relação social harmoniosa. É uma pena a gente viver num dos últimos dos grande países feudais do mundo, mas isso não significa que perdemos a esperança.”

X-Ray de Guangzhou perdeu a esperança: “Nós vimos esta semana a verdadeira liberdade em acção. Tenho a certeza que nós nunca iremos viver esta experiência. Por isso vou fazer todos os possíveis para fugir para os EU.”

O que é estranho é estes comentários na net não terem sido censurados, enquanto que a imprensa audiovisual e escrita sempre evitou abordar esta temática sob esta perspectiva.

O mais ousado foi o semanário Nafang Dushibau, do Sul da China, que enviou os seus correspondentes a Honolulu, ao liceu onde Obama estudou. Não apenas para recolher a história da sua juventude no Hawai, mas também porque na mesma escola, mas em 1879, o criador da China moderna, Sun Yat Sen, estudou inglês, história e matemática. Aliás, o Hawai foi a base de onde Sun Yat Sen iniciou a sua campanha anti-imperialista contra a dinastia Quing.

O periódico aproveita, e não deixa de sublinhar, que foi Sun Yat Sen quem pela primeira vez criou uma forma de democracia na China. Mais tarde, o seu movimento, o Kwomintang, perdeu a guerra contra os comunistas e teve que se refugiar em Taiwan.
Segundo este periódico, que normalmente busca os limites da censura: “O Dr. Sun Yat Sen e os Chineses aprenderam muito com os Americanos, e apesar de muitas dificuldades, os EU, sobretudo agora que Obama foi eleito, é o país de quem nós Chineses temos mais que aprender.”
O comentário da redacção prossegue: “Sr. Presidente Obama, a sua vitória ensinou à nossa juventude o que significa a força do idealismo, e lembra-lhes que é realmente possível reformar, mesmo um país de enormes dimensões”.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

LI YUAN DE SICHUAN...














Esta estatística do FMI demonstra, entre outras coisas, a total interdependência das diferentes economias. Quando os EUA expiram os chineses ficam constipados.
..
A curva do crescimento económico dos últimos anos dos países em pleno desenvolvimento (China, Rússia, Brasil, Índia) segue a curva dos países ocidentais (EU, Europa, Japão) ocidental de forma perfeitamente paralela, só que a partir de 2008 6% acima. Assim é que a crise financeira nos EU está a provocar uma grande onda de desemprego na China.

Um resumo de um interessante artigo, e ilustrativo daquilo que acabo de dizer, do correspondente do NRC na China Oscar Garschagen. Li Yuan (37 anos) originária do interior rural da China e trabalhadora numa fábrica de brinquedos no sudoeste industrializado (Delta do Rio das Pérolas) não sabe nada dos EU nem da Europa e muito menos da crise financeira. Só sabe dizer duas palavras em inglês:
Merry Christmas.


O período de Natal numa fábrica de brinquedos como a Smart Union na cidade de Dongguan começa em Julho! Para Li Yuan isto é sinónimo de muitas horas extraordinárias, em que pode facilmente duplicar o seu salário de base: € 75 por mês. Mas azar do camandro, ela, e mais 6500 outros trabalhadores da Smart Union foram postos na rua de um dia para o outro e sem aviso prévio. Precisamente a mesma coisa aconteceu nas outras 3000 empresas de brinquedos, têsteis e de electrónica da região do Delta.

No dia 14 de Outubro, cansada, deitou-se como de costume à meia-noite: no dia seguinte às 7 da manhã só a deixaram entrar na fábrica para levantar a sua carta de despedimento. De repente a fábrica não consegue crédito do banco nem encomendas dos EU nem da Europa, e o encerramento da fábrica prova que a crise financeira no Ocidente afectou a China mais do que se previa. Os bancos chineses, devido a um grande controlo de entrada e saída de capital, ainda conseguiram mais ou menos escapar à crise, mas o sector ligado à exportação (40% do PIB) geme. O banco Credit-Suisse de Hong-Kong prevê para o fim deste ano uma baixa para 5,8% de crescimento e em 2009 prevêem que o crescimento económico se estabilize à volta dos 6%, quase metade dos números de 2007 e começo de 2008...

Os economistas chineses dizem que se o crescimento baixar mais do que os 8% a China não é capaz de criar o número suficiente de empregos para os milhões de trabalhadores que todos os anos deixam a província para virem trabalhar para as zonas industriais da costa oriental, e para os cinco milhões de estudantes que saem anualmente das universidades e dos institutos. O primeiro ministro, Wen Jiaobao, foi mesmo obrigado a dizer que uma baixa de crescimento económico pode mesmo ameaçar a estabilidade social.

Na região do Delta, onde são fabricados 30% dos brinquedos de todo o mundo, mais 35% do calçado e quase 50% dos micro-ondas fecharam, segundo as autoridades locais, 3.631 fábricas de brinquedos. Metade do número total de fábricas de brinquedos. Segundo o diário Nanfang Duoshau, se se acrescentar as fábricas de têxteis, calçado e de móveis, ultrapassa-se as 30.000 empresas que fecharam as portas. Segundo números oficiais publicados este mês, a quantidade de desempregados na China é de apenas 8 milhões, mas nestes números não estão incluídos os estudantes recém-diplomados nem os trabalhadores ‘migrantes’ que procuram emprego.

Li Yuan, de 37 anos, não está a par destas coisas, tão pouco sabe o que significa a frase estampada na sua camisa, You will never kiss him, sabe que nos últimos 15 anos sempre encontrou trabalho muito facilmente em Dongguan, mas ‘ultimamente ninguém me quer. Em todo o lado dizem-me que já não sou nova e que não tenho escolaridade suficiente’.

Quando a direcção da Smart Union (de Hong-Kong) abalou à socapa – parece ser prática corrente – as autoridades de Dongguan, para evitar uma revolta, foram obrigadas a pagar os salários, também os salários em atraso. Mas como diz Li Yuan, ‘não estou assegurada nem tenho uma reforma, além disso a cidade só pagou o salário de base, acerca das horas extras ficamos a ver navios’.

Uma coisa Li Yuan tem a certeza, não quer voltar para a sua aldeia na província de Sichuan, para junto dos seus pais de idade avançada que neste momento tomam conta da sua criança. Assim como Li Yuan, trabalham na região do Delta 5 milhões de migrantes originários da sua província, e as autoridades ficaram bastante assustadas quando viram as previsões para 2009. Muito destes trabalhadores vão ter que voltar para a sua aldeia natal, e este medo não é exclusivo de Sichuan. Na província de Chongqing (31 milhões de habitantes) estão já a contar com o retorno de 3 milhões de trabalhadores que já não são precisos no Delta do Rio das Pérolas. Paira a ameaça de uma indesejável migração contrária de desempregados.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A China já é, de longe, o mais poluidor do mundo


A China já é, de longe, o mais poluidor do mundo. No ano de 2006 as emissões de CO2 ultrapassaram em 8% (em 2005 estavam 2% abaixo das Norte-Americanas) a dos Estados Unidos da América.

Segundo consta, os Estados Unidos da América conseguíram reduzir, em 2006, 1,4% das suas emissões de CO2 para a atmosfera. As da China subiram 8,7% e as da União Europeia ficaram estáveis em relação ao ano transacto (neste caso, 2005).

Quem o diz é a Agência de Avaliação Ambiental da Holanda (MNP, a sigla). Não é o perigoso do George W. Bush nem o seu cão de fileira Dick Cheney, é uma organização neutra e não-governamental, como a esquerda estúpida tanto gosta.

No que toca a poluição per capita, quem lidera são os Australianos. Isto em 2005. Se se verificar a tendência que a Agência Ambiental da Holanda verificou, os Estados Unidos poderão sair de cena.

O sulfuroso do George W. Bush tem, apesar de tudo, patrocinado algumas medidas pro-ambientais. Tal é inegável.

A crise Norte-Americana, como aqui vinculou o Luís Oliveira, é algo que a Comunicação Social tem sobrevalorizado. A economia Norte-Americana subiu, efectivamente, pelo trigésimo trimestre consecutivo (!). Isto quer dizer, segundo as minhas contas, que a economia Norte-Americana tem crescido desde que George W. Bush ganhou as eleições de 2001. (30 x 3 = 90 ; 7anos de Bush x 12 meses = 84).

E ainda hoje o Sr. Eurodeputado Carlos Coelho, durante as festividades da inauguração do liceu no qual estudo, declarou que os Estados Unidos da América são os maiores poluidores do Mundo (isto para além de outros "tesouros")...

sábado, 1 de março de 2008

Coincidências do camandro

A era Friedman, parte 2.

As conclusões do Shleifer sobre a influência de Milton Friedman no contínuo melhoramento do estado do mundo no último quarto de século, têm sido disputadas pela passarada que anda na luta, aqui pelo blog. Munidos da mais rigorosa objectividade científica, objectam que, como qualquer scholar sabe, correlação não implica causalidade, e que por isso, a relação de nexo entre as reformas económicas de cariz liberal e a prosperidade dos países que as introduziram não está demonstrada.


O que é totalmente verdade.


Mas lá que há coincidências do camandro, há.


O gráfico veio daqui (vale a pena ver a imagem ampliada).

Adenda: Mais um chumbinho para matar a passarada.