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sábado, 2 de janeiro de 2010

O caminho da servidão


Fumadores que procuram ajuda podem vir a ter apoio financeiro

Para mim quem tem uma doença é o Estado, uma vez que não pára de engordar. Uma dietazinha não lhe fazia mal, não só a ele como também às pessoas que quase já não conseguem respirar com a sua presença em toda a parte.

Eu sou o primeiro a assinar um plano para tentar salvar o Estado e voltar a colocá-lo a pão e água. Foi assim que ele nasceu, deveria ter assim ficado. Os acrescentos socialistas puseram o Estado a engordar de mais e este, como criação do homem, assemelha-se a este numa coisa: na procura incessante para melhorar a sua posição, para se superiorizar em relação aos outros, para se tornar dominante e, se possível até, totalitário. Não há fim à vista nem limites conhecidos ao seu engordar, uma vez que o seu engordar ele próprio o delimita (não há arranjos constitucionais que valham).

O resultado do engordar do Estado está bem à vista de todos: fraudes, pessoas a viverem à custa das outras, discriminação (esta plano para os fumadores é altamente discriminatório), o afogar das liberdades, direitos e iniciativas individuais, a perseguição a quem se opõe a que o Estado lhe dite o que é correcto e o que é incorrecto, entre outros.

O meu pai sei eu quem é. John Locke não gostaria de viver nestes tempos e os Founding Fathers não gostariam certamente de ver o abismo para o qual a América e todo o Mundo se dirigem: o Mundo da obscuridão, da ausência de iniciativa, da ausência de crítica, da uniformização.

Que o novo ano nos traga mais liberdade.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Anti-semitismo


O Partido Conservador Britânico integra, no Parlamento Europeu, o Grupo “Conservadores e Reformistas Europeus", encabeçado por M. Kaminski, notório anti-semita polaco, ligado a grupos católicos extremistas.

Também presente no Parlamento Europeu está Nick Griffin, líder do Partido Nacional Britânico, conhecido, entre outras facécias, por negar que o Holocausto tenha existido, e pelas teorias da conspiração sobre grupos secretos de judeus que controlariam a comunicação social inglesa.

Ainda na Grã-Bretanha, as centrais sindicais, controladas pelo Partido Trabalhista, andam numa roda viva a promover boicotes contra Israel embora, paradoxalmente, nem por um momento lhes passe pela cabeça pedir boicotes a países árabes onde a repressão é brutal e os direitos dos trabalhadores primam pela ausência (e que são quase todos).

No Parlamento Europeu está também o nosso Bloco de Esquerda, representado pelo Dr Miguel Portas, conhecido pela virulência das suas posições anti-semitas e pela subserviência peganhosa a ícones do terrorismo islâmico, como o Hezbolah o Hamas.

Aqui ao lado, em Espanha, um ministro qualquer proibiu a presença de uma universidade judaica num evento sobre energias alternativas, alegando inexistentes “ directivas da EU”, ao mesmo tempo que o Ministro dos Estrangeiros se passeia de braço dado com Chavez, Kadaffis, Castros, e outros grandes amigos da liberdade.

De um modo geral, à esquerda e à direita, os políticos europeus encaram com normalidade e complacência os apelos semanais da hierarquia iraniana, à destruição de Israel, e a repetição continua e descarada, pelos aiatolas, das mais espatafúrdias teses do Mein Kampf.. A mesma complacência que, de resto, demonstram perante os explícitos apelos o ódio contra os judeus que todos os dias são ecoados na cada vez mais numerosa rede de mesquitas financiadas pela Arábia Saudita, por toda a Europa.

O facto de o Hamas, cuja carta “ constitucional” contém o imperativo de destruir os judeus e Israel, ter lançado uma chuva de mísseis sobre Israel, é considerado “ normal” e não justificativo de uso da força por parte de Israel, cuja reacção é invariavelmente classificada de “ desproporcionada” e “criminosa”.

Aliás pelas mesmíssimas pessoas que fazem por ignorar que a resposta britânica a algumas cenenas de V1 e V2 lançadas sobre Londres em 1944, foi a destruição quase completa de Hamburgo e Dresden, etc.

Estes factos mostram que a profecia de Hitler “Passarão os séculos, mas nas ruínas das nossas cidades e monumentos, renovar-se-á o ódio contra aqueles que são os verdadeiros responsáveis por isto: o judaísmo internacional!”, se está a cumprir.

Há um novo anti-semitismo em movimento, que tem já deputados em todo o espectro ideológico e que elabora libelos e narrativas conspiratórias sobre a malignidade do famoso “lobi judaico”, um conjunto secreto de secretas pessoas que se reúnem secretamente em secretos lugares a secretas horas, para secretamente manobrar fios secretos, responsáveis por todos os males que nos afligem.

Este anti-semitismo não é claro e assumido como o nazi ou o dos czares, nem escorregadio e cínico, como o protagonizado pelo comunismo soviético, mas está a crescer e é cada vez mais poderoso, não só porque tem o antigo apelo à demonização do judeu, mas porque conta com o apoio, empenhado e em metálico, de numerosos estados a nadar em petrodólares.

Este anti-semitismo disfarça-se de “anti-sionismo” e “apoio à causa palestiniana” e, montado nestas falácias, é já hoje parte integrante da politica europeia, tem voz no Parlamento e traduz-se em milhões de euros anualmente concedidos a grupos de activistas que apenas têm Israel no radar.


domingo, 25 de outubro de 2009

Frases de Sempre

“A economia liberal que nos deu o super-capitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho-mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já.”

Salazar, em 1933 (*)

(*) Ou, dizendo o mesmo por outras palavras, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Hugo Chavez, Fidel Castro, um ditador maléfico cujo nome não se pode pronunciar e ainda alguns milhões de homens da luta, revolucionários acalorados, sociólogos de carreira, variadíssimos ditadores de ambos os extremos, líderes de partidos nacionalistas e intelectuais de esquerda. As boas mentes comungam as boas ideias.


[Em Blasfémias]

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vocabulário Europeu


Se você é europeu e advoga a redução do peso do estado na economia, da sua intervenção na sociedade e dos impostos então você tem direito a ser rotulado de «conservador» e de pertencer à «direita radical» (leia-se extrema-direita). Se você pensa que apenas tem ideias liberais, desengane-se. Os jornais confirmam: você é um extremista dos mais perigosos. Com direito a foto de um senhor de cabeça rapada no cabeçalho e tudo.

E assim se dissemina o socialismo como a ideologia política mais natural e óbvia.

domingo, 24 de maio de 2009

A DIREITA PAGA SEMPRE AS FAVAS...


O policia alemão que nos anos sessenta matou a tiro o estudante de Berlim Benno Ohnesorg, um acontecimento com gravíssimas consequências na Alemanha Federal, era na realidade um agente secreto da Alemanha Comunista (DDR).

Isto é o resultado de um recente estudo de dois funcionários – Helmut Mueller-Engeberg e Cornélia Jabs - na enorme colecção de documentos do antigo Ministério da Segurança do Estado (Stasi), os arquivos da polícia secreta da ex-DDR. Os serviços não espionavam somente os seus próprios cidadãos, mas seguiam de perto e intrometiam-se nos assuntos do país vizinho, o inimigo de classe.

Benno Ohnesorg era um estudante que no dia 2 de Junho de 1967 fazia parte de uma manifestação contra o Xá da Pérsia. A manifestação deu para torto e Ohnesorg foi morto a tiro por um polícia à paisana, Karl-Heinz Kurras. A morte deste estudante provocou protestos contínuos na Alemanha Federal e foi o motivo que deu origem à criação da organização de extrema-esquerda Rote Armee Fraktion (RAF), que durante quase um quarto de século aterrorizou o país com atentados.

A morte de Ohnesorg sempre foi um enigma. Karl-Heinz Kurras disparou à queima roupa sobre o estudante indefeso! Depois do tiroteio um colega perguntou-lhe porque razão sacou da arma? Kurras respondeu: “Ele vinha a correr para mim”. Numa entrevista anos mais tarde disse: “Deve-se ver a coisa desta maneira, quem me ataca é destruído”.

A grande questão é saber se o agente secreto planeou a morte de um estudante de Berlim-Oeste para destabilizar politicamente a Alemanha Federal...

Kurras encontrava-se sob o pseudónimo de ‘Otto Bohl’ na folha de salários dos Stasis com a função de ‘Inoffizieller Mitarbeiter’ (funcionário não oficial), ou seja espião. Ele ainda vive, mas na altura que esta notícia foi publicada não se encontrava em estado de fornecer qualquer esclarecimento.

Para o movimento estudantil da Alemanha Federal a DDR nunca foi um tema importante. Os protestos eram sempre dirigidos contra as ‘forças de direita’ em todo o mundo: contra o governo, ex-nazis e a América. Acerca desta notícia o jornalista e historiador alemão Arnulf Baring afirmou: “Se na altura se soubesse que Ohnesorg tinha sido assassinado pelos Stasis os estudantes veriam nisso uma conspiração - mais uma mentira da imprensa de direita”.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O CONDOMÍNIO, uma solução burguesa...


O problema com este tipo de cogitações, apesar de sempre interessantes e bem-vindas, é que sendo muito difícil definir precisamente esquerda ou direita, acabamos inevitavelmente por imputar coisas à Esquerda (ou aquilo que passa por ser de esquerda) que igualmente se poderiam imputar nas calmas à Direita ou vice-versa, dependente do ponto de vista de quem escreve...


Catalogar movimentos ou partidos à esquerda ou à direita não é tarefa fácil nos dias que correm, quando se fala a nível pessoal então a coisa é quase totalmente impossível. Porque toda a gente é progressista em algumas coisas e conservadora noutras. Pior ainda, certas posições podem parecer progressistas num determinado contexto e noutro absolutamente reaccionário. E, para tornar a coisa ainda mais confusa daquilo que já é, a latitude e a época onde determinada posição política teve lugar também tem influência na nossa percepção.


Terreiro do Paço em Setembro de 1999.

“Para as pessoas de direita, a explicação está na compulsão esquerdista para a centralização do poder e para a imposição da sua visão social e moral, por todos os meios possíveis.” afirmava o Lidador há dias. Sim é verdade, a esquerda tem realmente tendência para a centralização do poder, e moralistas quanto baste. Absolutamente de acordo. Só não estou de acordo com a comparação assimétrica que o Lidador faz, ou seja, compara a Direita Liberal (esclarecida e bem-pensante) com a Extrema Esquerda (barulhenta e idiota) partindo do princípio que não há outra! Depreendo isso desta afirmação: ”quem já debateu com pessoas de esquerda, pessoas que a si mesmas se designam por “progressistas”, percebe que, de um modo geral, estão convencidas que são mais inteligentes e esclarecidas.” Sim, mas normalmente este "convencimento" só dura até atingir a idade adulta, quando a ultrapassa trata-se de um caso patológico...

É também verdade que a esquerda ”encara a democracia ‘burguesa’ com alguma desconfiança, porque se trata de um sistema em que pessoas pouco esclarecidas e manipuláveis podem forçar decisões ‘erradas’.” Mas é só meia-verdade, porque a Direita também tem as suas desconfianças em relação à democracia burguesa. Na nossa história recente, o doutor Oliveira Salazar juntamente com o esclarecidíssimo e inteligentíssimo doutor Caetano, que dificilmente os poderíamos catalogar de esquerdistas, também tinham este tipo de suspeitas alegando precisamente as mesmas razões. Bem vistas as coisas tinham uma certa razão, pena é que as decisões que tomaram não eram muito melhor do que as do Senhor Serafim do talho...

Picante detalhe, e a confirmar as palavras do Lidador, em todo o caso em relação à esquerda, durante as primeiras eleições livres, logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, a Esquerda (por exemplo o PCP mas não só), e precisamente pela mesma razão, tentou limitar a votação dos emigrantes por serem, lá está, pouco esclarecidos e manipuláveis! Na realidade porque para salvar as suas economias, estes votariam prudentemente mais à direita do que seria desejável para os comunistas...

Como se vê, é fácil encontrar exemplos em ambos os lados do espectro político que desconfiam da democracia burguesa. Mas é verdade que a conotação pejorativa atribuída à democracia burguesa sempre teve mais adeptos à esquerda, mas já se vai notando uma mudança – mas não no MRPP claro...

Acerca da “compulsão esquerdista para a centralização do poder e para a imposição da sua visão social e moral, por todos os meios possíveis”, gostaria de acreditar que assim fosse, só que, por exemplo na Rússia, essa tendência é muito anterior à revolução. A revolução finou-se mas a festa continua... E os muçulmanos, só para citar outro exemplo, também têm a tara da centralização do poder (secular e espiritual), e não foi no Das Kapital que aprenderam essas coisas.

Este fenómeno não é tão presente nas sociedades protestantes do norte da Europa, mais independentistas, sempre divididas em pequenos reinos e habituadas de longa data a diferenças religiosas. Também, e talvez por isso, mais igualitárias! E tenho até a impressão que o sucesso destas sociedades se deve em parte a um maior sentido de “igualitarismo” (a quem chame isto civismo e outros socialismo, por mim, é igual ao litro!). Ou seja, a burguesia destes países, até como forma de auto-protecção, para não ser literalmente comida pelo povo, antes mesmo de Marx já tinha percebido que as classes mais desfavorecidas também têm direito a comer. A filosofia é simples, havendo um maior equilíbrio na partilha do bolo, e criando um relativo bem-estar geral toda a sociedade ganha com isso...

No sul da Europa e na América Latina, talvez uns resquícios de feudalismo (!) dão origem a que a burguesia tenha outra filosofia: como (santolas) logo existo! Que o resto do país passe fome de rato estão-se nas tintas. A burguesia local julga até ter encontrado (no Brasil) ultimamente a solução para se separar difinitivamente do povo não sendo demasiadamente confrontada com as inconveniências da miséria, de que em parte é responsável: o CONDOMÍNIO... (Nisto de condomínios o Brasil parece ser o exemplo a seguir. Parece que em São Paulo já existem condomínios com todas as facilidades e infra-estruturas que a burguesia local necessita. Não há necessidade de sair à rua. Para quê respirar o cheiro a suor que a populaça exala?)

Adolfo Hitler mandou construir campos de concentração, mas condomínios nunca lhe passou pela cabeça. Será apenas este ‘igualitarismo protestante’ que leva o Lidador a querer empurrar o Fuhrer para a Esquerda e achar ”espantoso, e revelador do imenso poder cultural da esquerda, que tenha sido possível descartarem este seu filho dilecto.”

Não só.

Azar do camandro para a Esquerda, o partido de Hitler teve mesmo a sua origem num partido socialista (Bavarische Deutsche Arbeiterpartei) e não foi por nada que Hitler renomeou o partido de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiter Partei... E, muito ao contrário da palavra “democracia” a designar a antiga DDR, “trabalhador” e “socialismo” no nome do seu partido, como iremos ver adiante, não estava lá apenas para inglês ver... Começo a compreender melhor o ódio que Hitler tinha aos comunistas: a falta de “gründlichkeit”, a falta de precisão no uso das palavras...

E é um facto que nos anos trinta, obrigado talvez pela crise, Hitler introduziu na Alemanha uma plan-ökonomie. Na Alemanha, foi ele o percursor do Estado-Providência. Na Holanda introduziu um sistema de saúde, protecção ao despedimento e subsídio em caso de acidente de trabalho! Acrescente-se a isto a construção dos famosos carros do povo (Volkswagen) e podemos dizer que os Nazis em poucos anos fizeram mais pelo povo do que todos os regimes socialistas juntos em meio século... Um colunista holandês disse há muito pouco tempo sobre este assunto que se o holocausto não tivesse existido Adolf Hitler era membro honorário do PvdA (Partido Trabalhista Social-Democrata).

Ah, já me esquecia! Terão sido os homossexuais sempre de esquerda? O Prof. Gert Hekma, professor da cadeira de Gay and Lesbians Studies da Universidade de Amesterdão diz que ”nem sempre. Na Alemanha hitleriana quase todo o topo da SA (Sturmabteilung) era homossexual, Röhmer também...”

Mas há mais esquerdices nos Nazis. A Wikipédia Britânica diz-nos:

There was widespread support for animal welfare in Nazi Germany and the Nazis took several measures to ensure protection of animals. Many Nazi leaders including Adolf Hitler and Hermann Göring were supporters of animal protection. Several Nazis were environmentalists, and species protection and animal welfare were significant issues in the Nazi regime. Heinrich Himmler made efforts to ban the hunting of animals. Göring was an animal lover and conservationist. The current animal welfare laws in Germany are more or less modification of the laws introduced by the Nazis.

Fora da Wiki encontrei um édito nacional-socialista sobre vivissecção.

The National Socialist German Workers' Party (NSDAP) press release states:
The Prussian minister-president Goering has released a statement stating that starting 16 August 1933 vivisection of animals of all kinds is forbidden in Prussia. He has requested that the concerned ministries draft a law after which vivisection will be punished with a high penalty. Until the law goes into effect, persons who, despite this prohibition, order, participate or perform vivisections on animals of any kind will be deported to concentration camps.

Até aqui tudo bem, só que de repente perderam o juízo e começaram eles prórios a fazer experiências, e mesmo vivissecção a todo o tipo de mamíferos (maior parte Judeus) nos campos de concentração... Lá está, isto confirma o que eu disse no início, ninguém é totalmente de direita ou intrinsecamente de esquerda...

Em todo o caso, depois dos Nazis terem transformado em pouco tempo o “socialismo” em nacionalismo exacerbado e banditismo e, tendo em conta as perseguições de que toda a Esquerda (comunistas, anarquistas, sociais-democratas) foi alvo durante o período hitleriano, é compreensível que nesta conjuntura não fossem muito à bola do Fuhrer e o tivessem impingido, por muito socialista que fosse, o mais depressa possível à Direita. Que outra coisa se poderia esperar?

Sobretudo levando em consideração que no mesmo período, o beato Francisco Franco e o não-tão-beato Salazar, que nunca ouvi alguém qualificar de esquerdistas, tivessem apoiado ideologicamente (mas não só) o tio Adolfo. Ora, não consta que o Generalíssimo e o doutor Salazar tivessem também enlouquecido e apoiado o socialista Hitler apenas para chatear os americanos! Ou com o propósito de algum dia substituir o atavismo católico dos seus regimes pelo entusiasmo revolucionário e socialista dos nazis! Nunca ouvi dizer que o Estado-Novo fosse a fase precedente da ditadura do proletariado! Quando fiz parte da Mocidade Portuguesa - cópia mal-amanhada da Juventude Hitleriana – nenhum chefe de quina me disse que eu tinha que combater a burguesia!

Voltando aos maricas! É o que faz falar da Mocidade Portuguesa...

Acho estranho a Direita – refiro-me obviamente à bem-pensante e esclarecida, a única com quem vale a pena discutir - criticar o Islão por perseguir os gays, e criticar a Esquerda por querer normalizar a situação dos gays! Na minha opinião, melhorar a situação dos homossexuais não é algo de esquerda ou de direita!. Tal como o voto feminino, o direito ao aborto, o direito das mulheres fornicarem com quem querem e lhes apetece, a qualidade da água que bebemos e dos produtos que comemos, espaços verdes, o ar que se respira, tudo isto se resume apenas a tornar a nossa vida e a dos outros mais agradável...

Direita ou esquerda, a luta parece ser a mesma - e continua...

E se em Portugal a Esquerda tem neste capítulo, das emancipações e preocupações ambientais, quase o monopólio, a culpa não é deles nem dos temas, é da Direita que continua enfiada nos seus condomínios a comer santolas... Acho que é de louvar que alguém se ocupe com estes assuntos, seja de direita ou de esquerda, que é para não ficarmos ao nível do Irão. Que é para evitar que por exemplo dentro de algum tempo, a Memri-TV comece a publicar na net filmes com palestras de bispos ou políticos portugueses...

sexta-feira, 20 de março de 2009

Esquerda e clima

A olho nu, não parece haver qualquer relação entre a opção ideológica de cada um e a posição relativamente à mudança climática.

Mas é inegável que as pessoas de esquerda são também as que mais tendem a acreditar que a mudança climática, além de ser culpa humana, é um assunto gravíssimo que exige intervenção dos governos, senão mesmo uma espécie de governação mundial.

Pelo contrário, quem é de direita, tende para o cepticismo. 

Porque é que isto acontece? Que tem uma coisa a ver com a outra?

Para quem é de esquerda, a explicação é simples: os cépticos ou são idiotas, ou alheios à ciência, ou cínicos que fizeram pactos faustianos e venderam a alma ao Grande Capital.

Para as pessoas de direita, a explicação está na compulsão esquerdista para a centralização do poder e para a imposição da sua visão social e moral, por todos os meios possíveis.

De facto quem já debateu com pessoas de esquerda, pessoas que a si mesmas se designam por “progressistas”, percebe que, de um modo geral, estão convencidas que são mais inteligentes e esclarecidas e que estão do lado “certo”.

Facto que leva uma grande parte delas a encarar a democracia “burguesa” com alguma desconfiança, porque se trata de um sistema em que pessoas pouco esclarecidas e manipuláveis podem forçar decisões "erradas".  De resto a mesma razão pela qual encaram o “mercado” (que assenta nas miríades de decisões individuais) como irracional, face às esperadas virtudes de um planeamento económico centralizado nas mãos de especialistas.

Desde Marx que a esquerda tem como assente a ideia de que as massas não estão aptas a reconhecer os seus próprios interesses e necessitam de ser conduzidas por vanguardas esclarecidas que regulem, que definam, que legislem.

Regular juridicamente a quantidade de sal no pão é apenas uma variante relativamente benigna desse atavismo, que todavia está presente também na regulação do “casamento gay” e, em grau extremo, na loucura maoísta e castrista de regular a quantidade de calorias que o cidadão teria  o direito de ingerir.

A gente estúpida (aquela que não compreende as grandes ideias de esquerda) tem sido sempre o grande problema da esquerda. Por isso a eugenia foi uma das suas bandeiras emblemáticas. A ideia de esterilizar os estúpidos para que aos poucos surgisse um homem novo, foi acerrimamente defendida pela esquerda europeia e mundial. Por cá o Partido Republicano negou o direito de voto às mulheres e aos analfabetos, justamente por se tratar de gente estúpida e influenciável, incapaz por isso de decidir bem.

Que tem isto a ver com o clima? 

Já lá vamos. Para já importa perceber que a esquerda encara as crises, reais ou imaginárias, como ocasiões para transferir poder para homens iluminados. É por isso que as deseja ( a começar pela  centenariamente desejada "crise do capitalismo")

Por exemplo, a actual crise financeira e económica, está a ser amplamente utilizada na América para forçar a adopção de um modelo parecido com o europeu, isto é, mais centralizado, pese embora este já estar anémico antes da crise e estar a reagir pior à mesma crise. Kgrugman, o neokeynesiano, até já pensa que a Europa precisa de centralizar ainda mais a resposta à crise.

Voltando ao clima, Gore e todos aqueles que se movem na sua esteira, entendem que a questão climática é uma crise catastrófica e não apenas um problema entre outros. É que os problemas  possibilitam escolhas. As ameaças existenciais compelem à acção e à união incondicional em torno do líder, do especialista.

O especialista não é, para Gore, o cientista, mas sim o político, o homem das decisões, aquele que deverá centralizar o poder e estruturar a resposta. Porque, segundo o mesmo Gore, “os cientistas não sabem. Eles simplesmente não sabem!” 

Eu não sou cientista, e este tipo de profetismos apocalípticos faz-me logo torcer o nariz. Ainda me recordo (mal) de Carl Sagan que na década de 70 berrava com igual certeza e fúria, que vinha aí uma idade do gelo. E os apóstolos do gelo iminente, reclamavam também que havia um consenso, que o debate cientifico estava fechado e que era agora necessário tomar medidas políticas globais. Entre as quais, evidentemente, acabar com a sociedade de consumo, o capitalismo, etc. Ou seja, a mesma medicina  que os catastrofistas de agora preconizam para a doença oposta. 

É esse  o padrão. As histerias climáticas, ambientais, económicas, militares, etc, surgem sempre da esquerda e,  subjacente a elas, ainda que não conscientemente, está a utopia de uma sociedade sem classes que surgiria da rejeição do consumismo, se fôssemos menos, se fôssemos “bons”, enfim, se não fôssemos o que somos e retornássemos a uma (imaginária)  harmonia pastoril em comunhão com o cosmos e a natureza, enfim, um regresso onírico ao  Paraíso Terrestre. Ao útero.

A verdade é que o clima sempre mudou e irá continuar a mudar, com sapiens ou sem sapiens, (parece que até em Marte acontece) e os milhões de dólares que os catastrofistas querem gastar numa luta contra a inevitabilidade, sem saberem muito bem como e com que resultados,  são tirados directamente dos  nossos bolsos e desviados de outros problemas mais prioritários e sérios.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ainda a culpa.

A culpa, que pode desaguar no masoquismo, é uma doença ocidental, especialmente europeia (judaico-cristã, berrava Nietzche do alto de um penhasco helvético) que conduz directamente ao relativismo do séc. XX e deu credibilidade a masoquistas convictos como Sartre, ou a loucos furiosos como Fanon.
Criticar o Ocidente, algo que passa por corajoso e sinónimo de sofisticação intelectual, não necessita na verdade de mais coragem do que a necessária para tomar uma bica, e mais inteligência do que a exigida para recitar alguns salmos do vademecum politicamente correcto.
Tendo sido dada como demodé no cair do pano do séc. XX, eis que, dezenas de anos depois do fim dos impérios coloniais, a culpa volta a estar na moda, tal como as ideias comunistas voltam a seduzir à medida que se dilui a recordação da URSS, e o terceiromundismo floresce no olvido do maoísmo, e dos killing fields.
A morte das utopias, afogadas num mar de sangue, em vez de condenar definitivamente as ideologias que as sustentavam, libertou-as da experiência do real. Não morreram, como se chegou a acreditar, apenas se transformaram e renascem agora no mundo do abstracto.
O fracasso real, em vez de condenar as doutrinas, tornou-as esotéricas e apelativas, como se o facto de o templo cair em cima dos fiéis, comprovasse urbi et orbi a inquestionável bondade do deus.
No caso do Ocidente os factos nus e crus, despidos dos filtros ideológicos da culpa e do relativismo, estão à vista: o colonizado como vítima deu ligar ao descolonizado como vítima, desde os 60 milhões de mortos do Grande Timoneiro aos massacres de Pol-Pot, passando pelo delírio medieval dos aiatolas iranianos, pelo totalitarismo cubano, pelo alastrar do nepotismo, da cleptocracia, da corrupção, da fome e da miséria.
O coração das trevas, de há 50 anos para cá, não é o pesadelo colonial, simbolizado, na versão de Copolla, por um Kurtz enlouquecido e disposto a tudo, algures no curso superior do Mekong, mas a África descolonizada, desde Mengistu a Idi Amin, passando por Bokassa, Samuel Doe, Charles Taylor, Serra Leoa, as crianças soldado, as mutilações em massa, as violações colectivas, a morte de milhões de tutsis à catanada, os massacres no Sudão, as guerras esquecidas em Angola, Moçambique, Guiné, Ruanda, Etiópia, Argélia, Somália, Costa do Marfim, a miséria extrema no Zimbabwe, na região subsaariana, etc.
Pelo contrário, a Europa saiu-se bastante bem do trauma do fim dos impérios, provando quão falsa era a patacoada marxista de que a sua prosperidade se devia à exploração e saque das riquezas do sul. Na verdade, alguns dos países mais ricos e bem sucedidos do Velho Continente, jamais foram sequer impérios coloniais, desde a Suíça à Dinamarca, passando pela Suécia, Noruega, Irlanda, etc.
História encerrada?
Não, infelizmente!
Tendo ficado congelado por uns tempos o velho sonho socialista da salvação do proletariado universal, libertado enfim da “canga colonial”, (pese embora a imbecilidade patética do socialismo “bolivariano”), volta a estar na moda a retórica da culpa do Ocidente, legitimada agora pela ofensiva mundial do Islão, reivindicando-se vítima milenar de imaginários e terríveis agravos, e na entronização dos imigrantes, especialmente os oriundos dos modernos corações das trevas, como os novos proletários explorados.
O problema é que este novo terceiromundismo, de natureza introspectiva e suicida, parasita as consciências e conduz ao ódio a si mesmo, frequentemente maior do que o proclamado amor ao “outro”.
E o facto de não estar já apoiado numa proposta política, corrói aos poucos a alma do Ocidente, cada vez mais indefesa perante a paulatina destruição dos valores que lhe deram corpo.

domingo, 28 de setembro de 2008

Roger Scruton

Aqui há dias um dos nossos ilustres comentaristas torceu o nariz à autoridade académica de Roger Scruton, e logo um dos cromos que por aqui vagueiam, e que quando fôr grande quer ser agente da Stasi, veio a correr com ficheiro “ético” do filósofo, repleto, como seria de esperar, de grandes malfeitorias.
Excitado, o zote babava qualquer coisa sobre o facto de o ímpio Scruton ter escrito artigos de opinião sobre o tabaco, fazendo-se pagar por uma tabaqueira o que, se bem percebi o zurro do cromo (e peço desculpa pelo meu fraco domínio da linguagem asnática), constituiria autêntico pecado mortal que não só inabilitaria o académico inglês para a vida em sociedade, como seria justificação mais do que suficiente para o colocar a ferros no Linhó, na fila para uma lobotomia radical.
Tratamento que aliás deveria também ter sido aplicado a Fernando Pessoa, esse lacaio do (5º) Império, que, in ilo tempore, andou a vender slogans comerciais à Coca-Cola, como aquele do “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Isto porque a promiscuidade com os capitalistas em geral e com as multinacionais em particular é, como se sabe, um dos sete pecados capitais da imbecilidade esquerdista que faz o nosso tempo.
Com algumas nuances e atenuantes, entenda-se, porque em geral esta a malta adora Frei Tomás, aquele do "faz o que eu digo e não faças o que ele faz", e consome avidamente os produtos e serviços produzidos pelas odiosas multinacionais. O Dr Louçã, por exemplo, não se desloca montado num jumento e há tempos andava para aí numa carrinha Volkswaggen, multinacional grande como o caraças (e se pensarmos que foi lançada por Adolfo Hitler, isto até podia suscitar algunas interessantes análises psicanalíticas).
Há também quem tenha visto o Coronel Hugo Chavez a lançar diatribes contra o capitalismo, a meio caminho entre um Airbus e um Mercedes topo de gama, e o próprio Daniel Oliveira, eminência pardacenta da nossa esquerda folclórica, vende despudoradamente o seu blogue à financeira da General Electric, representante tenebroso do “Grande Capital” americano. Não que eu ache mal….pelo contrário, tenho é inveja , mas parece-me detectar aqui um ligeiro odor a hipocrisia.

Bem, adiante que eu estava a falar da obra prima do mestre (Roger Scruton) e não da prima do mestre de obras (o cromo da Stasi).
Roger Scruton além de muitos méritos, entre os quais o de ser um exímio caçador, é um polemista temível, e usa a argumentação com a mesma eficácia com que Billy the Kid usava o Colt 45. Não tem medo de ninguém e dispara à vista sobre quem pensa que lhe pode disputar a fama a Oeste de Pecos.
Normalmente acerta, pelo que é odiado e temido pelos bonzos da vulgaridade, cujas balas são normalmente feitas com a pólvora seca dos estribilhos do marxismo cultural (vulgo "correcção política").
Scruton escreve com uma clareza desarmante e, em frases secas que todos compreendem, desfaz em meia dúzia de bojardas, as cogitações confusas e pseudo-intelectuais dos pacóvios que acreditam que escrever bem é disfarçar o vazio das ideias, embrulhando-o em rococós elaborados (vidé os pós-modernistas franceses em geral e as bostadas do Dr Boaventura Sousa Santos, em particular)
É pois natural que os marretas do relativismo e da esquerda folclórica o odeiem e, na fúria de verem a pontaria com que Scruton lhes deixa as carecas à mostra, derramam sobre o pistoleiro inglês os mais rancorosos adjectivos, desde demagogo a reaccionário, passando por fascista, radical, obscurantista, enfim, o costume.
E daí à pulsão leninista de lhe assassinar o carácter vai um passinho de criança que qualquer cromo com fetiches da Stasi, está mortinho por dar.
Ora alguém que a esquerda trata com tais mimos, merece sem dúvida ser lido e foi mais ou menos por isso que eu cheguei a Roger Scruton.
Comecei pelo “O Ocidente e o Resto”, uma obra notável, e depois fui por aí adiante. Uma que recomendo especialmente é “Guia de Filosofia para pessoas inteligentes”, texto absolutamente extraordinário no qual Scruton toma o pulso à morte e viaja no tempo e no espaço, desde a Grécia ao Bronx, revisitando as principipais figuras da filosofia e não só, defendendo a tese de que todas as grandes realizações intelectuais estão de algum modo ligadas à crença religiosa de que podemos transcender o tempo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Passo trocado.

Roma e Londres viraram à direita.
A esquerda europeia, se bem que barulhenta nos media, nas manifes e em alguns círculos académicos, é incapaz de, num mundo cada vez mais globalizado, apresentar projectos que não passem por variações sobre o tema do “ó tempo volta para trás” em busca de utopias retóricas que tendem sempre a desaguar em reais distopias.
O centro-direita está agora no poder na França, Itália, Holanda, Bélgica, Suécia, Irlanda, Dinamarca, República Checa, Polónia, Grécia, etc.
Na Alemanha o centrão cresce à direita e no Reino Unido o Partido Conservador parece imparável.
O centro-esquerda governa Portugal, Espanha, Hungria, Lituânia e Bulgária.
Portugal e Espanha, como habitualmente, em passo trocado com a Europa e mais perto de Caracas e La Paz do que de Roma e Londres.
Para mal dos nossos pecados.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Direita vs Esquerda nas escolas


Este foi um dos dados utilizados pelo Presidente da República Portuguesa durante o seu discurso de 25 de Abril, no passado dia 25 de Abril, no Parlamento Português.

Ao contrário do que advogo, parece que existem mais jovens de direita do que de esquerda. Isto segundo este estudo da Universidade Católica.

A posição 5 é a posição central. Do 5 para trás são de esquerda e do 5 para a frente são de direita.

Os resultados são, a meu ver, bastante diferentes da realidade.

Vá-se lá saber porquê...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Esquerda vs Direita

Olavo de Carvalho, filósofo brasileiro, é um daqueles homens que rema contra a maré. Isto já faz dele um ser raro. Mas ele é raro entre entre os raros porque a sua obra filosófica é feita num continente onde é muito mais difícil ser contra a corrente do que, por exemplo, na Europa.

Entre os seus objetivos está a desmontagem dos raciocínios e da lógica da esquerda. Olavo de Carvalho tem sido bem sucedido nesse seu trabalho; o reconhecimento do seu valor vai sendo cada vez maior.

Em Janeiro passado deu uma entrevista à 'Atlântico'. Aqui fica uma pequena parte em que OC fala sobre as diferenças entre Esquerda e Direita:
"A principal é a diferença na percepção do tempo histórico. A esquerda – toda a esquerda, sem excepção – enxerga o tempo histórico às avessas: supõe um futuro hipotético e o toma como premissa fundante da compreensão do passado. Em seguida, usa essa inversão como princípio legitimador das suas acções no presente. Como o futuro hipotético permanece sempre futuro, e por isso mesmo sempre hipotético, toda certeza alegada pelo movimento esquerdista num dado momento pode ser mudada ou invertida no momento seguinte, sem prejuízo, seja da continuidade do movimento, seja do sentimento de coerência por baixo das mais alucinantes incoerências. Somando a isso a descoberta de Jules Monnerot de que a cada geração é a esquerda quem aponta e delimita a direita, nomeando como tal aqueles que lhe resistem, a direita aparecia, portanto, como o conjunto daqueles que, por mil motivos variados, resistem à inversão da razão histórica. Podem fazê-lo, por exemplo, por ser cristãos e acreditar que o “fim da história” é uma passagem para a eternidade e não um capítulo da história profana. Mas podem fazê-lo também por ser ateus de mentalidade científica que preferem moldar as hipóteses segundo os factos e não alterar os factos conforme as hipóteses."

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Apostasia

David Mamet, judeu americano, consagrado autor de peças de teatro, filmes, livros séries televisivas, etc, prémio Pulitzer, é um apóstata porque cometeu o supremo pecado de ter abandonado as suas crenças esquerdistas, proclamando o facto com estrondo e escrevendo “Why I Am No Longer a 'Brain-Dead Liberal'.
E porque é que DM, já não é tal coisa?
Porque leu.
Tendo de escrever um diálogo entre personagens-tipo (um presidente corrupto, ganancioso e realista e uma escritora de discursos, utópica, socialista e lésbica), acabou a ler Thomas Sowell, Milton Friedman, e outros perigosos “fássistas neoliberais”.
Foi tiro e queda. DM teve uma epifania e descobriu que via o mundo como eles e que aquilo que eles defendiam estava mais de acordo com a realidade da vida, incluindo a sua, do que com as visões idealistas que até ao momento constituíam o seu edifício conceptual.
Não hesitou em reconhecer que até ao momento tinha sido um "brain-dead liberal", crente ortodoxo em visões conspiratórias e/ou românticas do mundo, e agarrado a preconceitos impraticáveis e floribélicos que, reconheceu para consigo próprio, não aplicava na sua vida.
Em público, DM começou então a questionar o seu protocolar ódio às multinacionais, reparando que comprava e usava os seus serviços e produtos; retratou-se das ortodoxas ideias antimilitares, dando conta de que há homens e mulheres que arriscam as sua vidas para salvaguardar as dos outros; compreendeu que Marx estava errado e que as “classes” não são categorias rígidas, estanques e em inevitável e eterno conflito
Os aiatolas da esquerda, ficaram chocados e rasgaram as vestes A bempensância esquerdista não demorou a lançar fatwas, uma vez que se considera impensável que alguém que não seja “de esquerda” possa ser um bom artista.
O Guardian e outros redutos do marxismo cultural, declararam que os dotes artísticos de DM estavam em perigo, dada a sua nova posição ideológica e interpretaram a conversão como uma rendição aos “poderes dominantes”;
Na verdade DM chocou a patrulha porque, em vez de “sentir”, resolveu pensar, o que confirma a ideia de que a esquerda assenta hoje essencialmente em posturas emocionais e passionais sobre a realidade e pouco ou nada tem a ver com análises racionais.
Não se “gosta” do Bush, "detesta-se" o Blair, "odeia-se" o Aznar, e por aí adiante. Os sentimentos à flor da pele dispensam a leitura de Friedman ou qualquer outro autor que exija apenas o uso da parte nobre do cérebro.
O choque foi também doloroso porque estes esquerdistas "modernos" são, de um modo geral, gente mais ou menos bem sucedida, enquadrável no cromo da "esquerda caviar", que se dá muito bem com o capitalismo, e fenómenos como D.Mamet deixam a descoberto a hipocrisia daqueles que falam mal do cozinhado e do cozinheiro, enquanto rapam o prato e lambem os dedos.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Direita V

Bastas vezes encalho no casamento entre as palavras “liberal” e “conservador”, adivinho-lhe o conflito ideologico e as desavenças fatais de um matrimónio sinuoso. Um liberal ergue o seu edifício filosófico sobre o terreno pantanoso da liberdade – independentemente da sua natureza “positiva” ou “negativa”. Faz da liberdade o cume moral do seu sistema politico. Um conservador acredita que a sociedade é percorrida por vários valores em perpétua tensão e fiscalização. Como Isaiah Berlin, sabe que liberdade é apenas liberdade, “não é igualdade, nem equidade, nem justiça, nem cultura, nem felicidade humana, nem uma consciência tranquila.” O liberal acredita numa engenharia social saudável, não com a dimensão revolucionária de um soviete que levanta uma nova sociedade a partir dos destroços da velha, mas numa articulação prudente e gradual, suspeitando das frágeis mãos humanas que comandam o colossal navio da sociedade. Na esteira de Oakeshott, o conservador prefere viver no único tempo que lhe é dado a viver. Não que seja contrario à mudança, mas porque prefere o conhecido ao desconhecido, o presente ao futuro, o presente ao passado. Sabe que há perdas e ganhos no progresso que lhe vendem e que não os pode calcular antecipadamente

Direita IV

quinta-feira, 13 de março de 2008

Direita IV

Entre choques tecnologicos, purgas aos fumadores e a furia higienizadora, passando pela administraçao do territorio à criaçao de perdizes, atribuiçao de quotas para o leite e o mulherio histerico no parlamento, o estado - que diria-se na disputa pelo fogo do olimpo com os deuses pagaos - é cada vez mais o leviathan hobbesiano. De regua e esquadro, cercado por ciencia monta e desmonta a sociedade. Talvez a maior forma de irrelevancia politica dos tempos actuais, pensava oakeshott, fosse o que ele chamava de "racionalismo". Constituia pecado intelectual assim que transgredia as fronteiras que o deus ciencia erguera. O britanico descrevia a actividade politica como um barco sem porto de partida ou chegada. Planear, o que nao pode ser planeado, era crime grave punivel com derivas totalitarias e as tragedia do mar revolto. A sociedade nao é o mecanismo que o relojoeiro-estado afina. Por "racionalismo", oakeshott, definia quem com preocupaçoes puramente instrumentais, com as instituiçoes, a acçao politica, as analisava em termos puramente abstractos. Um pouco como os idealistas do forum social, artilhados de sebentas, de ideologia, aspiram, entre suspiros, a acabar com a fome no mundo, olvidando conflitos etnicos, as contas bancarias que os perpetuam, a realidade local. As sociedades sao a complexa interrelaçao entre individuos, ideias, instituiçoes. Mais util do que o planeamento "racionalista" é o conhecimento social contido no conjunto de tradiçoes inconscientes que foram emergindo da pratica, que sobrevivem ao teste do tempo, que estabelecem uma linha coerente entre o passado e o futuro. O maior erro é assumir que todo o conhecimento é tecnico e - no caso da politica - ideologico. Dos racionalistas do bloco de esquerda aos economistas do psd assaltam-lhes as certezas, as soluçoes terminais, as verdade universais que voam, lá acima, dos mortais, da cultura, tradiçoes, lingua, ou historia. Um sistema que nao reconhece as circunstancias nao tem espaço para a variedade, no fundo, é um espaço sem futuro e com um passado indesejado

Direita I, Direita II, Direita III

PS Passem no Combustoes, muito bom

quinta-feira, 6 de março de 2008

Direita III

Popper chamou ao hegelianismo o renascimento do tribalismo, teriamos de recuar a platao para reencontrar o modelo das sociedades fechadas, mas é em hegel que a modernidade descobre a paixao infantil pelo estado, a historia, a naçao. Mas em hegel as naçoes afirmam-se no palco da historia, encontram o seu destino, a "essencia escondida" nos campos de batalha, era o seu dever tentar a dominaçao do mundo, se nao o conseguiam morriam para a historia, a moralidade derivaria do exito com os sabres e mosquetes. O nacionalismo nativo é de outra estirpe. Platonico. Isolacionista. Amigo de sol e toiros. A naçao é uma ilha de civilizaçao num diluvio de barbarie. Fechemos as fronteiras, os barbaros moram em madrid e ayamonte. A patria renasceria em oposiçao à hidra espanhola, aos corredores de bruxelas, às volatilidades do imperio. Seria nossa obrigaçao cantar, miseraveis e de barriga vazia, mas orgulhosos, as glorias do passado. Sosseguemos, temos tradiçao, empurremos a naçao para o museu. Nao interessa muito saber que estas, milenares, perenes oh Zeus, escalam ao estatuto de tradiçao nos seculos XIX e XX, as tradiçoes morrem e nascem, subsistem enquanto os homens as seguem, criam-se e caem em desuso. É assim o homem, um pulha sem consideraçao pelos telhados de colmo e as bolas de berlin na praia. Cada um é livre de suspirar pelo que bem entender. Houve herois? profetas? tempos de ouro? claro que houve, super herois de carlyle, fortalezas de pedra, valores para nos tirar do sossego. Oh a europa das catedrais e de cavaleiros. Mas os tempos já nao sao marcados pela rota da seda ou as galés da india. Epoca em que homens morriam ao segundo espirro, dormiam em pocilgas, cheiravam mal, conheciam o universo que as mulas lhes davam a conhecer, e eram ainda mais brutais porque os tempos eram ainda mais brutais. Vivemos o melhor dos tempos.

Direita I, Direita II

terça-feira, 4 de março de 2008

Direita II

Sou patriota, torço pela naçao valente e imortal nos areopagos internacionais da fifa e da uefa, lamento a miseria patria que nos humilha nos redis do eurostat e da ocde, conto, vaidoso, os feitos de vasco da gama e do infante às galhofeiras suecas que nao largam o meu leito - ok, isto é mentira, deliciosa mentira - nao sou nacionalista. O meu nacionalismo morre assim que berlim é ocupada pela revoluçao francesa. O fervor nacionalista de fichte valia 400 rublos e salamaleques varios na nova corte francesa, e assim é que devia ser. Sou vicioso, corruptivel - quando é que vem o cheque da cia? - nao sou um puro, o nacionalismo é isso mesmo, um purismo. Um pedaço das trevas que fez escola entre as multidoes imbecis, redundancia, como fez o comunismo, é uma revoluçao porque a historia nao faz marcha-atras, leva ao chao os pruridos burgueses, rasga as vestes civilizacionais e começa com os torneios de caça ao individuo, uma caça - pulsao primitiva que nos acompanha desde o paleolitico - partejada no negocio da filosofia, delirante como a caça classista e termina em camaras de gas ou pior horror. Sou um ocidental decadente, nao aspiro a outra coisa, nao sinto o apelo das trincheiras e dos exercitos em marcha, presinto-lhes os solavancos da historia. Prefiro as suecas e a galinha com molho de coco e caril

Direita I

sábado, 1 de março de 2008

Direita I

Decorreu – decorre? – discussão amena como se quer entre pessoas civilizadas na caixa de comentários, não houve acordo e assim é que está bem. A zazie vence mesmo sem comparecência. A zazie não é a minha geração, formada a xaropadas de simpsons, que chegou a acreditar que a redenção estava no bairro alto, o futuro no techno punk, que perorou nas ruas de albufeira e estalejedou nas areias da Zambujeira, que errou em benidorm e travou amizade com o haxixe marroquino, cuja maior ideologia sempre foi “fuck up the world”, há na direita a que a zazie pertence um sentimento de perda, uma garganta sôfrega de retorno, o apelo a uma dinâmica oitocentista. Fabricado nas margens do rhine, o meu tempo foi quase sempre o futuro, um futuro cheio de mecânica quântica e electrónica. Acredito na Liberdade e no futuro dos homens, mesmo que os estime violentos, brutais, viciosos e que a organização da sociedade refém de homens, cerceada pela fúria dos deuses não deve responder a moldes messiânicos e respeitar o fruir e a roda dos tempos. Sem ansiar nostalgicamente por um passado irrecuperável ou por um futuro consumido pelas incertezas