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quarta-feira, 14 de junho de 2023

O contribuinte ao serviço dos apparatchiks da TAP

O filme de terror TAP explica-se assim. A TAP desde longa data era sugada por uma miríade de apparatchiks de todo o género, incluindo fornecedores. A toika mandou privatizar. O privado deve ter topado que a TAP precisava de uma terapia de choque incluindo à marabunta pendurada nela. 

Os apparatchiks começaram a ver a vida a andar para trás e havia que nacionalizar para os proteger. 

O PS nacionalizou. Os apparatchiks foram ao bolso do contribuinte e as estilhas do processo era suposto terem ido parar à mona da oposição mas ... o PS ganhou as eleições e todo o projecto lhe rebentou nas mãos. 

Daí para cá o Kosta tudo tem feito para ver se o mandam embora mas o Marcelo resolveu que lhe iria rebentar nas trombas tudo aquilo que ele tinha planeado para a oposição. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

«INFEÇÃO PSÍQUICA»: O SOCIALISMO DE SÓCRATES E COSTA


A direita fofinha – a autorizada pela esquerda a opinar nas televisões, rádios e jornais – tirou mais um coelho da cartola: o crescimento do Chega deve-se à estratégia do PS para esvaziar o PSD e à estratégia de Augusto Santos Silva para se candidatar à Presidência da República. O óbvio explicativo desaparece: os méritos próprios do Chega e dos portugueses que os apoiam.
 
Este rasgo de autolisonja medíocre dos comentadores da área do PSD e da IL, os incapazes de tratar a esquerda como a esquerda sempre tratou a direita, entre o desdém e a trapaça, demonstra o seu vício de sempre de divinizarem as qualidades da esquerda mesmo perante vitórias inequívocas da direita. Pedro Passos Coelho provou doses cavalares dessa capitulação mental no interior do seu próprio partido, o PSD.
 
Porque André Ventura reposicionou a direita sem pedir licença à esquerda, os que prosperavam em cima do muro desde Francisco Sá Carneiro, depois com Aníbal Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho julgam passar imunes ao dever de descerem à terra, a terem de assumir um ou outro lado do muro.
Num contexto político profundamente renovado, tornou-se saliente o padrão mental do regime abrilista. Basta compreendermos o caso tipo, a lavagem cerebral a que os portugueses foram sujeitos para desresponsabilizar e limpar a imagem de um dos maiores desastres socioeconómicos de sempre, a governação socialista de José Sócrates e dos que o acompanharam (2005-2011).
 
Será inapagável da história mental dos povos, por um lado, que o socialismo português (como outros) exerce o poder recorrendo ao controlo mental autocrático e invasivo que aponta à intimidade dos indivíduos (ao pensamento e vida familiar), por outro lado e por isso mesmo, que esse controlo incorpora necessariamente uma dimensão de instigação e socialização de patologias mentais. O fenómeno é comprovável pela facilidade, impunidade, ausência de remorsos ou arrependimentos com que os socialistas impõem a subversão da relação lógica entre factos e palavras. Fazem com que as palavras desmintam os factos, justamente o inverso da sanidade mental, e com a cobertura da restante esquerda.
 
A doença tem nome: neurose. Em rigor, transtorno neurótico.
 
Não havendo descontinuidade entre indivíduo e coletivo, existem patologias mentais que se transformam de residuais em fenómenos sociais. Basta um veículo ou agente indutor com essa capacidade, no caso o poder político. Não por acaso, Freud sustentou a hipótese da «infeção psíquica» ilustrando-a com o exemplo de pacientes numa enfermaria que passam a imitar tiques histéricos uns dos outros (A interpretação dos sonhos, 2009/1899, Lisboa, Relógio D’Água, p.114).
 
Em sociedades nas quais a comunicação social tem impacto massificado, e foi talhada para a permanente guerra psicológica em nome de causas socialistas e de esquerda, as infeções psíquicas propagam-se bem mais rápida e eficazmente do que a pandemia de Covid 19. Portugal e Ocidente vivem fustigados por essa versão reinventada de guerra civil que encaminha as sociedades para a rotura mental, o superlativo absoluto da luta de classes.
 
A dimensão sem paralelos históricos do sofrimento psicológico nas profissões mais expostas ao poder político (polícias, professores, médicos, enfermeiros, funcionários públicos administrativos, entre outros), assim como os excessos de consumo de antidepressivos ou ainda a ilusão da necessidade de um psicólogo, psiquiatra ou psicanalista a cada esquina retratam o estádio mental coletivo a que nos conduziram progressistas e globalistas de esquerda.
 
Claro que não é possível colocar uma sociedade inteira no divã. Mas é possível confrontá-la com os seus próprios sintomas de loucura pela tolerância fortíssima à crítica social e à liberdade de expressão. Essa é a versão ajustada ao sujeito coletivo do discurso em associação livre que permitiu a Freud racionalizar o inconsciente e desenvolver a psicanálise.
 
A esquerda fica histérica com tal possibilidade. Compreende-se. É dramático ver exposta em praça pública a insanidade mental de qualquer sujeito individual ou coletivo. Mas não parece que exista alternativa.
 
Graças à sua rede omnipresente disseminada por instituições estratégicas de controlo mental – ensino (do superior ao básico), comunicação social e meios intelectuais e artísticos –, o verdadeiro coração do poder (não é nem nunca será a economia!), os socialistas e a esquerda em geral tornaram-se tenebrosamente eficazes na imposição social de uma relação quase inversa entre os factos (ultradesvalorizados) e as (suas) palavras (sobredivinizadas), o transtorno neurótico coletivo. José Sócrates levou essa loucura ao limite. António Costa é mestre em surfar a onda.
 
O detalhe é o dessas atitudes agravarem os sintomas patológicos para quem os queira ver. Freud explica. Uma identidade coletiva mentalmente sã, como uma sociedade, submete-se quase por instinto à autoridade moral da prosperidade. Uma mentalmente patológica agrava a insensibilidade ao empobrecimento, miséria, desordem, violência, anomia, má governação na mesma medida em que esse sujeito coletivo (ou individual) se filia a uma causa inviável de natureza mística, religiosa ou ideológica. O socialismo termina sempre dessa forma. Da Venezuela a Portugal.
 
Nem por sombras Salazar deixou a sociedade portuguesa na lástima moral e intelectual, isto é, mental que herdamos do pesadelo socialista, coroado em 2022 com mais uma maioria absoluta. O problema de Portugal não é político. É de sanidade mental coletiva.
 
A natureza da crise que vivemos teria sido improvável sem a reiterada colaboração ativa e passiva do PSD, hoje o partido político mais inútil e inviável da democracia portuguesa. José Pacheco Pereira ou Manuela Ferreira Leite carregarão o peso da capitulação mental da direita, o que remeteu a sociedade portuguesa a um estado de falência mental coletiva dos mais graves desde 1128. A douta ignorância massificada pelas televisões dá nisso.
 
A penosa sobrevivência do regime abrilista deve-se a outra razão, a espiral do silêncio. Pessoas e sociedades evitam, até ao limite último do sofrimento, ter de enfrentar fenómenos mentalmente dolorosos. É da natureza humana sentirmos que esses fenómenos estão dentro de nós mesmos e dentro daqueles que nos são (muito) próximos. Manifestam-se por todo o lado onde tenham chegado a comunicação social, o ensino, os meios intelectuais e artísticos ultra controlados pela esquerda.
 
Apesar de alguns núcleos de resistência, o manto de insanidade mental politicamente induzida cobre a intimidade das nossas famílias, as relações com os nossos colegas de profissão, as pessoas com as quais lidamos quotidianamente sem intermediários. Daí que seja nas relações de proximidade que o problema verdadeiramente se coloca e se tem de enfrentar. Porém, fugimos dele pelo ritual paradoxal das críticas aos governantes de turno. Tal espiral do silêncio torna-se a fonte por excelência do poder dos Sócrates e Costas desta vida.
 
«O Triunfo dos Porcos» ou «1984», distopias ficcionais de George Orwell, e que muitos continuam com dificuldades básicas de interpretação, estão realizadas em Portugal.
 
Quando me tornei deputado há quatro meses, tudo se revelou ainda mais cristalino. Nos debates parlamentares, a tortura mental imposta pelos deputados socialistas (PS) aos deputados sociais-democratas (PSD) leva aqueles a invocarem, a toda a hora, o passado «negro» ou «tenebroso» do governo de Pedro Passos Coelho. Confrontados, os deputados do PSD ficam tolhidos por um bloqueio mental que os faz incapazes de responderem aos socialistas em dobro, triplo ou muito mais com o passado patologicamente criminoso dos governos de José Sócrates, seus companheiros e sucessores, parte deles acusadores ali presentes.
 
A Assembleia da República está transformada na Grande Fábrica da Loucura Social. Compete aos portugueses comuns lutarem, por eles mesmos, pela restauração da sanidade mental coletiva. Os alvos são inequívocos: sistema de ensino, comunicação social e meios intelectuais e artísticos.
 
Gabriel Mithá Ribeiro

sábado, 18 de dezembro de 2021

OS BORRADOS DE MEDO

 

OS BORRADOS DE MEDO
(Tiago Tribolet de Abreu
Médico especialista em medicina interna)
 
Vejo-os à minha volta. Todos os dias. A toda a hora. Em qualquer sítio.
 
Borrados de medo.
 
São aqueles que ajustam a máscara quando passam por mim na rua. São os seguranças que me perseguem no supermercado e me mandam repetidamente pôr o nariz para dentro da máscara. São os que desinfectam as mãos à entrada de cada loja, e os que me mandam fazê-lo quando não o faço. São os que evitam reunir-se com quem sempre se reuniram. São os que seguem os números e as notícias sem fazerem crítica nem pensarem pela própria cabeça. E são também aqueles que fornecem os números e as notícias. São os que fazem as regras e as impõem sem permissão de escolha. São os que mandam e os que obedecem.
 
Borrados de medo, uns e outros.
 
Os borrados de medo podem ser qualquer um. Aparecem nos locais mais insuspeitos e surpreendentes. Mas também surgem onde sempre soubemos que a cobardia era omnipresente.
 
Os borrados de medo existem em todos os países, em todas as ideologias, religiões e partidos. Nada nem ninguém está livre dos borrados de medo.
 
Os borrados de medo podem ser pessoas previamente inteligentes, seguras, afoitas, aparentemente corajosas. E que se revelam agora borrados de medo.
 
E há pessoas inseguras, não muito inteligentes, com medo de tudo, que são agora imunes a toda a propaganda evangelizadora dos borrados de medo. E não são borrados de medo.
 
Os borrados de medo podem ser profissionais de saúde que inventam mil desculpas para não se aproximarem destes doentes, chegando a usar baixas médicas para não o fazerem. E são seguramente todos aqueles que consideram normal que isso assim seja, e aceitam enviar uns para a frente dos cuidados, e asseguram que os outros ficam na rectaguarda. Não foi assim em todas as guerras?
 
E claro que aqueles profissionais de saúde que não se desculpam e não fogem, que se aproximam destes doentes, que lhes tocam, que os observam de perto, que lhes falam sem medo nem barreiras, que não são borrados de medo, estes são por sua vez chamados de cobardes, de não resilientes, ou mesmo de negacionistas. Tudo para que os borrados de medo não se sintam mal quando comparados com eles.
 
Os borrados de medo podem ser os que se fecham em casa voluntariamente durante 14 dias porque contactaram com alunos de uma escola onde algures noutra turma qualquer um outro aluno testou positivo. Ou então podem tornar-se incapazes de beber água de uma garrafa em cima de uma mesa, atrapalhados à procura de um lenço, tal é o medo de tocar nessa garrafa, fonte assustadora de infecção e de mal e de morte. E podem ser ainda aqueles que exigem testes negativos às pessoas saudáveis e já vacinadas.
 
São borrados de medo as autoridades de saúde que mandam para casa centenas de milhares de pessoas saudáveis, porque contactaram ligeiramente com um caso positivo, ou até apenas porque contactaram com alguém que contactou com um caso positivo.
 
São autoridades de saúde, mas borrados de medo.
 
São borrados de medo todos os que gritam “ponha a máscara!” e “desinfecte as mãos!” e se afastam sempre ligeiramente quando alguém se aproxima para falar com eles.
 
Os borrados de medo não podem nunca permitir que a sua cobardia seja desmascarada. E a sua estratégia de dissimulação é essencial, até para eles próprios e para a sua auto-estima.
 
É absolutamente necessário que o seu comportamento seja considerado nobre e belo e correcto, e que o dos outros seja visto como mau, irresponsável, egoísta e inconsequente. E é com violência e raiva e ódio que se referem e atacam os que não são borrados de medo, como eles são. E sobre esses fazem chover insultos, processos disciplinares na ordem dos Médicos, ou multas e repressão por parte da polícia.
 
Para além da repressão violenta, os borrados de medo usam também a evangelização. A evangelização dos outros é essencial. Para que se convertam em borrados de medo também. Os borrados de medo são exímios no uso de todos os meios evangelizadores. A toda a hora. Sem descanso.
 
Usam cartazes enormes de publicidade, mostrando pessoas gravemente doentes, dizendo que uma máscara, uma janela aberta ou dois metros de distância poderiam ter evitado aquele sofrimento. 
Manipulam informação e dados, que fornecem todos os dias sem excepção, falando de “casos”, de internados e de mortos, do nosso e de outros países, mas sem nunca explicarem a gravidade relativa das coisas, sem dizerem a quantos dos “casos” nada de especial acontece, ou de que forma tantas outras doenças matam tanto mas tanto mais do que esta. A saturação das cabeças com a repetição das informações manipuladas é um excelente meio evangelizador.
 
E há-que evangelizar, fazer a re-educação das massas, e mostrar-lhes a mesma informação manipulada vezes e vezes sem conta, até que se re-eduquem.
 
Até que se tornem borrados de medo como eles.
 
Os borrados de medo estão sempre borrados de medo. Se não for com os números do presente, é com os números do passado. Ou então são os números do futuro que os aterrorizam. Ou os de outros países. Ou de outras variantes. Se não é a (escassa) gravidade da doença, são as suas consequências futuras, que afinal parece que não existem. Por que os borrados de medo estão sempre borrados de medo.
 
Os borrados de medo explicam que aquilo que fazem não é (nunca!) para sua protecção pessoal (não!), mas sim para proteger os outros, os seus pais, os seus filhos ou uma tia velhinha de quem muito gostam.
Porque eles não são borrados de medo, (disparate!) são, isso sim, pessoas responsáveis, preocupados com os outros.
 
Deve ser por isso que ajustam a máscara quando passo por eles desmascarado na rua. E que me interpelam e perseguem e insultam quando não a uso. Deve ser para me protegerem a mim.
 
E a vacinação das crianças também deve ser para as proteger a elas, e não para os proteger a eles, os borrados de medo.
 
Os borrados de medo começaram por nos dizer que era só até vir uma vacina. Depois que era só até estarmos todos vacinados. Depois que era a terceira dose. Os ingleses já falam da quarta dose. Outros dizem que agora tem de ser até vir uma nova vacina que impeça a transmissão.
 
Os borrados de medo eram borrados de medo antes da vacina e continuaram a sê-lo já vacinados. Eram borrados de medo antes de terem a doença e continuaram depois de recuperarem dos seus sintomas ligeiros.
 
Os borrados de medo serão sempre borrados de medo.
 
E os que não o são, não o eram antes, nem o são depois.
 
Porque os que não são borrados de medo aceitam simplesmente os riscos inerentes a estarmos vivos. Para os borrados de medo nenhum risco é pequeno o suficiente para que deixem de ser borrados de medo.
 
É muito perigoso ir contra os borrados de medo. O medo é uma força poderosa, que os torna inabaláveis nas suas crenças e agressivos com quem lhes demonstra o seu ridículo borrado de medo. Quem anda sem medo, sem máscara, sem distanciamento, sem desinfecção… e sem consequências desse comportamento, esse é um indivíduo mortal para os borrados de medo. Essas pessoas são a criptonite e a némesis dos borrados de medo. Porque desmascaram o medo verde-vómito que os cobre.
 
Por isso, estamos perdidos. Os borrados de medo são implacáveis. É necessário que todos os outros cumpram as suas regras de borrados de medo, para que fique disfarçada a sua fraqueza vergonhosa.
Os que não são borrados de medo não querem nem saber o que os borrados de medo fazem. Mas os borrados de medo precisam de controlar tudo aquilo que fazem aqueles que não o são.
 
O que seria do mundo, se cada um pudesse decidir fazer o que queria em relação ao vírus? E se nada de diferente atingisse os que nada fizessem e andassem sem preocupação nem medo, na sua vida normal? Os borrados de medo seriam descobertos.
 
Não pode ser.
 
Coragem não é não ter medo. Coragem é ter medo, e enfrentar esse medo, e agirmos como se não sentíssemos dentro de nós esse medo. E, quando agimos como se o medo não existisse, ele efectivamente vai diminuindo dentro de nós até desaparecer.
 
Cobardia não é ter medo. Cobardia é ter medo e entregarmo-nos ao medo e ficarmos paralisados e condicionados na nossa acção por causa dele. E, quando condicionamos aquilo que fazemos ao medo que sentimos, ele vai crescendo e aumentando, dominando-nos cada vez mais.
 
Cobardia é ser-se borrado de medo.
 
Os borrados de medo estão à nossa volta. São quem manda em nós. Querem que todos sejamos como eles. Eles odeiam quem não é borrado de medo, porque o nosso comportamento desmascara a sua cobardia.
 
Os borrados de medo são o Novo Normal.
 
16 de Dezembro, 2021
In The blind spot pt

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Seis anos de socialismo

No Inconveniente, Ramiro Marques:

O Governo social-comunista dirigido por António Costa, com apoio parlamentar da extrema-esquerda estalinista e trotskista, deixou o disfarce e aposta agora na construção do socialismo puro e duro. 

A linguagem dura e crua de António Costa aproxima-se cada vez mais da retórica dos caudilhos comunistas da América Latina. É uma linguagem que separa o nós do eles. Há os “nossos” e há “os outros”. E, para os que não comungam das virtudes de um Estado socialista que se impõe a todos como necessário, faz-se uso do ostracismo, do cancelamento e da desqualificação. Estes ficam de fora do espaço público com o risco de se verem colados a um pretenso discurso de ódio que os desqualifica e rebaixa.

No Portugal de hoje, a caminho do socialismo, o Estado acumula novas funções ao mesmo tempo que degrada os serviços. As novas funções e o alastramento da intervenção do Estado a todas as áreas da economia e sociedade exigem o reforço do esbulho fiscal. Exemplo dessa voracidade fiscal é a provável obrigatoriedade do englobamento, para efeitos de IRS, dos ganhos com rendas de casa e mercado de capitais.

A linguagem molda o pensamento e o Governo social-comunista usa-a com mestria, ampliando a inveja e ressentimento das massas face ao mais pequeno vislumbre de lucros. A retórica social-comunista combate os capitalistas, incorporando a ideia de que a propriedade é um roubo. Seis anos de construção do socialismo trouxeram-nos até aqui: somos um dos cinco países mais pobres da Zona Euro; estamos a divergir da média da União Europeia; a carga fiscal não pára de crescer; e as liberdades são cada vez mais uma miragem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

É urgente a catástrofe!

  
por Helena Matos no Observador.
 
 
A cada frase do editorial do PÚBLICO a justificar a “despublicação” (extraordinária puerilidade a desta palavra!) do artigo de opinião do médico Pedro Girão sobre a vacinação das crianças e dos jovens contra o Covid tornava-se-me evidente que o emergentismo é o novo caminho da servidão: tudo o que é válido, como a condenação da censura, é posto de parte desde que se invoque a excepcionalidade do combate que se está a travar.
 
Não está em causa se concordo ou não concordo com as opiniões expressas pelo médico Pedro Girão. (Aliás, o próprio facto de antes de se começar uma frase se ter de fazer uma espécie de declaração de apoio às políticas oficiais, por mais erráticas que elas sejam, para não se ser rotulado negacionista, conspiracionista ou qualquer outro “ista” é bem sintomático da degradação da nossa liberdade e da alienação do mais elementar bom senso.) O que sim está em causa são as questões levantadas por Pedro Girão: quais as consequências da alteração dos prazos de segurança na aprovação das vacinas contra o Covid? Faz sentido vacinar crianças para, dessa forma, se protegerem os adultos e não tanto as crianças?
 
Até há algum tempo defendíamos o direito a divergir nas respostas. A declarar que estávamos de acordo com o autor do texto ou que, pelo contrário, discordávamos dele vivamente. Agora isso acabou.
O PÚBLICO, essa espécie de barómetro linguístico do politicamente correcto, verbaliza esta transformação ideológica que a pandemia propiciou: “Numa questão tão sensível como a da pandemia, recusamos em absoluto promover juízos que tendem a negar a importância ou o relativo consenso científico em torno das vacinas.”
 
É aqui precisamente, nesta invocação da “questão tão sensível” para impor um autoritarismo que oficialmente se execra, que está o cerne do emergentismo de que o PÚBLICO, como boa parte da comunicação social, se tornou órgão de divulgação e propaganda: as sociedades do bem-estar, vulgo democracias burguesas, não estiveram disponíveis para revoluções colectivistas. E de facto não foi pela via revolucionária clássica que o controlo estatal nos foi imposto, mas sim através de um combate para nos salvar da doença, para nos proteger do vírus, para nos manter saudáveis.
 
Sempre soubemos que não podíamos viver num mundo com zero terroristas, zero SIDA ou zero criminalidade pois o preço a pagar por tais “zero” era demasiado elevado e sobretudo incompatível com os nossos valores e forma de viver. Mas isso era o que se sabia antes do grande reset estatista das nossas vidas em que o combate ao Covid se transformou. Perante o Covid, o objectivo não foi defender o nosso modo de vida, como aconteceu aquando do aparecimento da SIDA ou do ataque às Torres Gémeas, mas sim suspender esse modo de vida.
 
Sociedades envelhecidas, domesticadas pelo constante controlo fiscal, desprovidas de bom senso, idiotizadas por activismos minoritários, mostraram-se particularmente vulneráveis quando postas perante uma ameaça sanitária. Onde as velhas ideologias falharam triunfou o emergentismo: o dia a dia dos povos está transformado num conjunto de absurdos justificado pelo combate ao Covid. O controlo e o poder dos estados sobre os cidadãos aumentou exponencialmente. Não menos importante, não são pedidas responsabilidades, tudo fica para depois. Por exemplo, continuamos à espera de explicações para a desvalorização do vírus efectuada pelas autoridades europeias no início de 2020 ou para a conduta errática da OMS.
 
O emergentismo tornou-se a zona de conforto de boa parte dos nossos governantes: Biden fez a América cair em Cabul, mas, em Novembro, na Cimeira do Clima, lá estará a querer salvar nada menos que o planeta. E com ele os líderes dos diferentes países da NATO que não só não investem na sua defesa (a dependência face aos EUA é quase total) como entretêm o vazio de funções a produzir textos inúteis como Gender balance and diversity in NATO ou NATO Climate Change and Security Action. 
Não se consegue manter uma força de dois mil homens no Afeganistão, mas salvar o planeta, esse sim, é um objectivo realista, entendendo-se por salvar o planeta tudo e o seu contrário, sobretudo se, tal como aconteceu com o combate ao Covid, o tudo e o seu contrário se traduzirem não em aperfeiçoarmos o nosso modo de vida mas sim em suspendê-lo outra vez.
 
Não por acaso, catástrofes pelas quais até há pouco se pediam responsabilidades aos governos – como os incêndios ou os mortos nas inundações – passaram a ser apresentadas como uma consequência das alterações climáticas, logo fatalidades que só desaparecerão quando no Ocidente, e só no Ocidente, nos tivermos libertado do pecado das emissões, do automóvel, dos aviões, dos bifes, do banho diário…
 
Os incêndios florestais, tal como as cheias, podem ser influenciados e agravados pelas alterações climáticas. Mas não foram as alterações climáticas as responsáveis pelo recente falhanço do sistema de alertas meteorológicos na Alemanha ou pelo descontrolo das autoridades portuguesas aquando dos incêndios florestais de 2017.
 
As grandes burocracias que nos governam têm no emergentismo a sua verdade conveniente: não são eles que falham, são os povos que não cumprem.
 
Os próximos anos serão marcados pelo emergentismo porque os próximos anos serão marcados por políticos de um mundo em decadência: os generais argentinos invadiam as Malvinas. Os nossos dirigentes vão salvar-nos do vírus; depois vão salvar o planeta…
 
Se alguém tiver perguntas sobre a razoabilidade das decisões, o acerto das medidas ou o impacto dos programas aprovados para salvar o planeta ou salvar o que vier a seguir, não duvido que muitos jornais, rádios e televisões “despublicarão” os artigos em que elas sejam formuladas e, parafraseando o PÚBLICO, explicarão que não se deve quebrar o relativo consenso científico em torno duma questão tão sensível.
 
Ps. Por estes dias muito se tem falado das imagens dos helicópteros americanos nas retiradas de Cabul e Saigão. A estas imagens símbolo do que não esperávamos ver junto uma outra: a da tripulação do Boeing 747 francês que a 1 de Fevereiro de 1979 levou o Ayatollah Khomeini de regresso ao Irão, enquanto o Xá e a sua família não conseguiam que algum dos seus antigos aliados ocidentais os acolhessem pelo menos pelo tempo suficiente para que Reza Pahlavi morresse em paz, pois o linfoma de que sofria tinha-se agravado dramaticamente, o Ayatollah Khomeini era levado de França para o Irão, rodeado de um fascínio entre o subserviente e o festivo, simbolizado pelo gesto do assistente de bordo francês que ajuda Khomeini a descer as escadas do avião.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

 Aqui: https://inconveniente.pt/crepusculo-afegao/
 

José do Carmo

O resultado das guerras costuma ser determinante no destino das nações, e ganhar ou perder depende frequentemente, como a História mostra, da vontade e da capacidade de uso da força.

Como dizia Tu Yu em “A Arte da Guerra”, de Sun Tsu (séc. IV a.C.):  

“Há ocasiões, na guerra, em que muitos não podem atacar poucos e outras em que os fracos podem dominar os fortes. Quem tais circunstâncias souber manipular, sairá vitorioso.”

Esta é uma verdade cartesianamente evidente que podemos comprovar não só nas guerras que a História documenta, mas também nos episódios de pancadaria que eram comuns na infância de anteriores gerações em tempos em que, pelo menos os rapazes tinham de, por si mesmos, literalmente lutar para estabelecer a sua posição na hierarquia dos grupos de que iam fazendo parte. É verdade que os mais fortes tinham uma vantagem inicial, pela percepção de poder que incutiam nos outros, mas alguns putos, mais reguilas e destemidos, ainda que franzinos, conseguiam, em regra, marcar também a sua posição, porque eram temerários e não se encolhiam.

Foi assim também em incontáveis batalhas e guerras.

Para não ir mais longe, em Aljubarrota, numa batalha cujo aniversário se comemorou há três dias, o exército castelhano, ainda que largamente superior, em número, armas, treino e equipamento, desmoronou-se psicologicamente, debandou desordenadamente, e sofreu uma espantosa derrota.

No Afeganistão, para além das estratégias, das tácticas, dos pormenores, e das diversas incidências circunstanciais, terá acontecido algo parecido e o Exército afegão, muito superior em número, equipamento e organização, evaporou-se quase instantaneamente face a uma horda de “estudantes de teologia” cujas únicas vantagens são intangíveis ,como a determinação, o querer e sobretudo uma crença.

Porque razão isto aconteceu, ainda se irá apurar em pormenor e haverá certamente as mais especiosas teorias.

Na minha opinião, o facto de ter sido formado e treinado à imagem do Ocidente, segundo um modelo funcional que há muito deixou de valorizar os incorpóreos de combate, para apostar todas as fichas no gesto técnico, no saber fazer, na tecnologia, na máquina, terá sido uma das explicações.

Este Exército, referem aqueles que por lá passaram, tinha tudo menos coesão e vontade de lutar e não tinha esses intangíveis, porque não só eles escasseiam também no arsenal daqueles que o construíram, como as próprias lealdades tribais se sobrepõem ali a qualquer identidade do tipo nacional.

O Ocidente, do qual fazem parte os militares que tentarem construir aquele Exército, é também cada vez mais uma frágil construção kantiana, relativista, que abomina o nacionalismo, aspira a ilegalizar a guerra e se acredita já para lá da História, tendendo a pensar que as guerras são indesejáveis reflexos de um mundo antigo e deixando-se embalar na ideia de que só devem ser travadas em tabuleiros assépticos, desenhados segundo determinadas regras.

Como nas guerras reais, o “outro” não colabora e não hesita em usar as regras “éticas” do inimigo para se proteger e atacar, os mais fortes surgem frequentemente em manifesta desvantagem porque embora disponham de capacidades organizacionais e tecnológicas aparentemente superiores, estão cada vez mais limitados no seu uso por uma intrincada teia de condicionamentos éticos, morais, legais, estratégicos, organizacionais e instrumentais que os transformam em Gullivers, enojados de si mesmos e voluntariamente à mercê de liliputianos determinados.

Por isso, não ganharão nenhuma guerra em que se confrontem com um “hostis” determinado e coeso. Essa foi a razão pela qual a guerra no Afeganistão se arrastou ao longo de tantos anos.

A NATO  e os países que colocaram tropas no terreno, auto-limitaram-se nos objectivos, nos meios, nas estratégias e no próprio uso da força face a inimigos que, sabendo não ter hardware para vencer, transferiram o esforço para o campo das vontades e dos interditos (legais e morais). No Afeganistão, o combate foi sempre levado a cabo sob múltiplas restrições e caveats a que, em 2006, o antigo SACEUR (Comandante Supremo Aliado para a Europa) da Nato, o general James Jones, chamou “cancro operacional”.

Como se a guerra fosse uma justa de cavalaria, com lanças embotadas e cavaleiros galantes e leais.

A vitória nestas condições era manifestamente impossível.

O efeito cumulativo e corrosivo das auto-limitações ao uso da força, traduz-se na redução da capacidade de dissuasão, encorajando os pequenos actores a avançar.

E assim, tendo vergonha de explorar a sua superioridade tecnológica, temendo as baixas próprias, civis e do inimigo, atormentado pela compulsão moralista de limitar os danos infligidos ao inimigo, o Ocidente vê-se sempre na contingência, ou de combater em desvantagem ou de declarar unilateralmente a derrota e render-se.

É que, quando as batalhas não se travam ou não decidem, a guerra é um mero teste de vontades e será ganha por aquele que a mostre como inabalável. Quem usa a força de forma previsível, tíbia, limitada e pouco dissuasora, estimula apenas a agressão e não a desistência do inimigo.

Foi assim que os EUA perderam a guerra do Vietname, foi assim que a NATO perdeu no Afeganistão.

Mas a fuga desordenada do Exército afegão, tem uma outra causa: a desastrosa decisão da Administração Biden, embebida até à medula de ideologia “woke”, de não lutar.

Não lhe teria sido difícil parar a ofensiva taliban.

Com alguns ataques aéreos maciços tinha feito duas coisas essenciais, no campo das vontades: incutir medo aos atacantes, dissuadindo-os de avançar; e dar confiança ao Exército afegão. A dissuasão depende da percepção (pelo adversário) da nossa capacidade e vontade de usar a força e a Administração Biden deu todos os sinais de que não tinha essa vontade.

Em consequência, os taliban avançaram com o destemor do puto reguila e os soldados do Exército afegão percepcionaram-se a si mesmos como derrotados. Ninguém luta muito por algo a que não “pertence” e dai ao medo e ao pânico foi um instante e o matulão fugiu do recreio acossado pelo puto franzino.

O que há aqui é sobretudo uma assimetria de querer. De um lado há paixão, causas, crenças e outros intangíveis; do outro lado, apenas armas e gente que não se reconhece em nada de relevante, que não tem um “nós” que agregue e pelo qual lute. De um lado identidade, pertença e coesão; do outro alteridade, relativismo e atomização.

Como escreveu Yeats, em The Second Coming (1919):

“The best lack all conviction, while the worst   
Are full of passionate intensity.”

(“Aos melhores faltam convicções,
enquanto os piores estão cheios de uma intensidade apaixonada”).

Esta falta de querer e de pertença, é também facilmente discernível nas nossas sociedades nas quais, por via ideológica ou por emergência de determinados valores que substituem aqueles pelos quais se luta e se morre, o nosso “nós” está a desagregar-se e a tornar-se detestável a largos sectores da sociedade, conduzindo ao ódio a si mesmo e ao grupo do qual se faz parte.

Anteontem, Yanis Varoufakis, o darling grego da esquerda festiva e woke, manifestava a sua alegria pela “derrota do imperialismo e do liberal-neo-conservadorismo”, o qual aconteceu às mãos de um movimento retrógrado islamista.   Quanto às mulheres, condenadas à irrelevância, à ignorância e à subalternidade, atirou-lhes um hipócrita “aguentem-se”. Que diria a espantosa criatura se fosse a sua filha a ter de “aguentar-se” na escravatura?…

Esta derrota no Afeganistão não é contudo um mero problema local, mas mais um sinal de que o matulão tem medo e foge.

Os inimigos do Ocidente percebem bem isto e, tal como a URSS aproveitou a débacle americana do Vietname para avançar em todos os palcos, naquilo que, durante uns tempos, foi uma ofensiva imparável, o que se segue a esta derrota, e sobretudo à forma como ocorreu, vai reforçar as percepções de que o recreio tem novos senhores.

E quando o antigo senhor se retrai, trai os amigos e se morde a si mesmo, como está a acontecer pela marcada divisão interna, a perda de coesão, de orgulho nacional, e de pertença, as hienas avançam e impõem a sua regra.

Esta Administração americana, tão louvada pelos média, tão protegida pelas redes sociais, tão lustrada pelos fracos políticos europeus, soma desastres sobre desastres e, a menos que haja uma ressurgência do patriotismo, da confiança e do orgulho nacional, o Afeganistão poderá muito bem ter sido o prego mais determinante no caixão da era americana. E, por consequência, o sinal do advento de uma nova era na qual os nossos descendentes, aqui também na Europa, vão ter de sair do condomínio kantiano e enfrentar por si mesmos a realidade hobbesiana que os novos bárbaros lhe trarão até às portas.

Num conflito existencial o que importa é quem prevalece, e não se pode ser agnóstico ou neutral em questões existenciais. Há que assumir que, em determinadas circunstâncias, o uso da força não só é legítimo como necessário. Mas só eficaz quando se baseia num núcleo duro de valores indiscutíveis, em torno dos quais se endurece a coesão.

Quem deseja a paz, não pode vacilar na vontade de pagar o preço desse bem essencial que jamais foi gratuito. E que, muito menos, depende dos apelos patéticos do Secretário-Geral Guterres e do Papa Bergoglio, cujas intervenções cada vez mais fazem lembrar a converseta das misses nos concursos de beleza.

Igitur qui desiderat pacem, praeparet bellum (“Portanto, quem quer a paz, prepare a guerra”) escreveu Vegécio, há mais de 1.500 anos. Oxalá não tenhamos de reaprender isto da pior maneira.

José do Carmo

Editor de Defesa do Inconveniente

** O autor usa a norma ortográfica anterior.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

A Gestão da Pandemia e as crianças em 2021

 

 " Plataforma Cidadania XXI realizou, no passado dia 2 de Agosto, uma Tertúlia cuja temática foi A Gestão da Pandemia e as Crianças em 2021, contando com a participação do Dr. António Ferreira e Dr. António Pedro Machado - com a moderação de Elisabete Tavares. A tertúlia permitiu a reflexão sobre diversos aspectos da gestão sanitária em Portugal, assim como o recente debate sobre a vacinação em crianças e jovens."